... mas nem por isso, fácil!
"Parece-me que a ânsia de encontrar a Alma Gêmea tem se tornado, cada vez mais, desenfreada. Homens procuram incessantemente uma mulher que os complete, que os tornem mais inteiros; no entanto, negam esse desejo e se perdem em meio aos seus próprios paradoxos, às suas próprias contradições. Da mesma forma, mulheres procuram, todo tempo, por um homem que lhes faça felizes, que as tornem mais plenas e que dê um sentido mais belo para suas vidas. Mas também aprenderam a mascarar esse desejo e a se conformarem com relações superficiais, passageiras, que não as levam a nada e também não acrescentam nada... E perdidos e confusos por suas contradições internas, homens e mulheres não percebem que o caminho é óbvio, mas que o óbvio é, geralmente, mais difícil de ser compreendido do que o complexo.
Nossas mentes se acostumaram às questões complexas, cheias de "senão" e "porquê". Quando precisamos lidar com o óbvio, o simples, não conseguimos chegar a uma conclusão. Sabe por que? Porque o simples não tem explicação; necessita apenas de sentimento. Não fomos treinados para sentir. Quem sente é considerado tolo, mole, sem juízo. Inteligente e perspicaz é quem tem habilidade para pensar!
Tolice, bobagem! Somos seres feitos para pensar e sentir, na mesma proporção; mas como temos vivido durante séculos voltados para o pensamento, neste momento precisamos urgentemente de homens e mulheres capazes de sentir. O planeta está carente de sentimento, de simplicidade, de amor!
E é exatamente essa ansiedade que criamos em torno da busca por nossa Alma
Gêmea que torna o caminho sempre mais desconhecido do que poderia e deveria ser.
O caminho me parece óbvio. Não fácil, mas óbvio! O próprio nome revela o segredo; preste atenção: alma gêmea...
Se aparecesse alguém em sua vida e lhe dissesse que você tem um irmão gêmeo e que vocês se formaram numa única placenta, o que você tomaria como base para encontrá-lo? Certamente, levaria em conta o fato de serem muito parecidos fisicamente e lançaria mão do conhecimento que você tem de seu próprio rosto, de seus próprios traços, de seu próprio corpo. Esses dados você já tem, pois passou a vida inteira se olhando no espelho, não é?! Se uma manchinha estranha aparece em sua coxa direita, imediatamente você percebe, pois está em constante contato com o seu corpo...
Somente a partir de então sairia à procura desse irmão, não estou certa? Isso é óbvio! A gente só procura algo do qual já se tem alguma informação. Suponhamos que você seja incumbido de encontrar uma pessoa desaparecida. A primeira coisa que você vai pedir é uma foto dessa pessoa. É claro! É óbvio!
Mas, no nosso caso, estamos em busca de nossa Alma Gêmea, ou seja, estamos em busca de uma alma e as almas, até onde eu sei, não têm forma definida, não têm cor de pele, enfim, não têm as mesmas características de um corpo físico.
Portanto, não podemos saber, antecipadamente, se nossa Alma Gêmea está num corpo branco ou moreno, alto ou baixo, gordo ou magro, de cabelos lisos ou cacheados, enfim, não temos informações sobre o corpo de nossa Alma Gêmea, mas ainda assim podemos ter informações preciosas sobre a alma dessa pessoa. Claro! Ela é gêmea da nossa!!! Bidu!
Sendo assim, creio que só existe um caminho que nos leva a esse encontro, ao encontro de nossa Alma Gêmea: o de dentro, o que nos leva ao profundo e verdadeiro conhecimento de nossa própria alma. E se você não acredita nisso, pense: o caminho é absolutamente lógico: como você poderá reconhecer uma alma que é gêmea da sua se você nem olha para a sua alma, se você não está interessado em conhecer os cantos mais preciosos e ricos de sua própria alma. O reconhecimento é impossível!
O mapa do tesouro está em cada um. Ao invés de sair por aí carregando ansiedade, leve informações seguras, leve dados claros e precisos. Ao invés de sair pela vida desembestado e inconsciente em busca de alguém que não se sabe nada a respeito, o melhor e mais inteligente é, antes, colher dados que permitam identificar esse alguém. E só há uma maneira de fazer isso: conhecendo a si mesmo!
O autoconhecimento é a única ferramenta eficaz para que o encontro seja certeiro. Estamos falando de nossa metade... de alguém cuja alma tem muita semelhança com a nossa...
Você pode estar pensando que já conheceu muitas pessoas parecidas com você no que se referia ao jeito de pensar, de agir e de ser, ou seja, pessoas que tinham a alma com características semelhantes à sua. No entanto, essas são características fáceis de se perceber. Com pouco tempo de convivência, podemos notar tais semelhanças ou diferenças; e eu disse, antes, que o caminho é óbvio, mas nem por isso, fácil.
Conhecer a própria alma não é tarefa para alguns dias ou meses. É tarefa, em princípio, para a vida toda. Estamos em constante transformação, evolução, aprendizagem e assimilação. Conhecer a própria alma exige muito mais do que uma percepção superficial.
Genericamente falando, muitas pessoas são semelhantes, mas quando conhecemos alguém e, principalmente, a nós mesmos profundamente, com interesse e amor, podemos descobrir a magia da exclusividade. Não existe ninguém igual a ninguém, nem mesmo os gêmeos, nem mesmo as almas gêmeas. Cada qual carrega em si algo de individual, de particular, de ímpar.
Na verdade, o que buscamos numa alma que seja gêmea da nossa é um nível superior de semelhanças, é alguém que, apesar de viver sua singularidade, olha na mesma direção que a gente, caminha com ritmo e intenções semelhantes às nossas.
Sendo assim, nessa busca serão necessários sensibilidade, doação de si mesmo e, acima de tudo, percepções livres de preconceitos e prejulgamentos. Talvez, a busca leve muito mais tempo do que gostaríamos. Conhecer a nossa própria alma já é trabalho que exige muita dedicação e empenho; um trabalho que, muitas vezes, nos causará angústias, decepções, dores e amadurecimento.
Quando nos comprometemos com o autoconhecimento, encaramos de frente todas as nossas características e isso inclui os defeitos, aquilo que faz parte de nós e que, na maioria das vezes, preferimos ignorar, esquecer...
Somos seres de luz e de sombra e, segundo a minha metade, o meu amor, quanto maior for a nossa luz, maior será a nossa sombra. E o grande segredo não é excluir nossa sobra, pois além de impossível, isso significaria abrir mão também de nossa luz, isto é, uma não pode existir sem a outra, simplesmente pelo fato de sermos humanos.
O grande segredo é conhecermos e acolhermos a nossa sombra. Somente assim, poderemos agir com sabedoria quando esta sombra vier à tona; somente assim, poderemos transformar a sombra em luz...
Muitas vezes, apontamos determinado comportamento em alguém como um defeito insuportável, mas não somos capazes de perceber que também somos assim... que também temos defeitos que, ao olhos de alguém, podem parecer insuportáveis.
Você pode até estar ao lado de sua Alma Gêmea, mas caso você não se dê conta disso, as chances de conseguir manter esse relacionamento podem estar seriamente comprometidas. É somente quando conseguimos compreender a nós mesmos e nos perdoarmos e nos amarmos que podemos realmente compreender, perdoar e amar o outro.
Ninguém poderá, de fato, amar e aceitar e conviver com uma alma gêmea se, bem lá no fundo, não suporta ficar a sós consigo mesmo, não consegue viver com harmonia e paz interior.
Acredito que uma das formas mais comuns que escolhemos para não entrarmos em contato com nossa alma e, consequentemente, com nossa sombra e nossas "podridões pessoais", seja falando. Algumas pessoas chegam a Ter uma espécie de compulsão para falar. Falam, falam e falam o tempo todo... Quem muito se explica e muito se justifica é porque não está conseguindo convencer nem a si mesmo.
A convivência entre um ser humano e o silêncio é, provavelmente, uma das mais difíceis. As palavras são mestras, mas o silêncio é luz, é poder, é sabedoria! Mas não estou falando do silêncio que leva a nossa mente a um turbilhão de pensamentos. Falo do silêncio que nos coloca em contato com nosso interior: aquele momento em que focamos nossa mente numa determinada atitude, num determinado diálogo que tivemos com alguém... aquele momento em que nos sentimos genuinamente felizes ou profundamente tristes ou arrependidos.
É este o caminho do autoconhecimento; é esta a essência da busca: quando somos capazes de sorrirmos para nós mesmos... ou quando choramos por dentro... mesmo que as lágrimas não surjam, sabemos que elas brotaram na alma... São momentos como esses que devem ser cultivados e valorizados. Precisamos dessa avaliação pessoal e tão valiosa para o crescimento e o conhecimento da alma.
Quem está realmente interessado em encontrar sua Alma Gêmea sabe que as almas gêmeas existem porqueforam, num determinado momento, divididas para que pudessem evoluir. Evolução! Você tem se empenhado em evoluir?!? Você sabe o que significa evoluir no sentido anímico?
É uma evolução que acontece independentemente do dinheiro que temos ou daquele que gastamos, da posição social na qual estamos inseridos, do cargo que ocupamos no emprego, enfim, independe de qualquer status. A evolução da alma pode acontecer no local mais pobre e sem recursos que você já tenha visto, porque o que mais temos visto nesse mundo de desigualdades sociais são almas miseráveis rodeadas de luxo e almas muitíssimo evoluídas vivendo na pobreza, sem grandes acúmulos materiais.
Os bens materiais podem (eu disse PODEM) ser facilitadores para a evolução, mas até para isso, é preciso que ante, haja nobreza na alma de quem ganha esse dinheiro. Caso contrário, ele só servirá para tornar essa pessoa materialista, fria, egoísta e perdida em si mesma. Porque o dinheiro pode destruir a alma daqueles que nunca foram capazes de olhar para dentro de si, para aqueles que não desenvolveram sua espiritualidade e terminaram acreditando que tudo o que realmente importa está fora, está nas coisas, nas posses e nos valores que acumularam ao longo de suas vidas.
Por outro lado, existem muitas almas que conseguem evoluir ainda mais rapidamente justamente porque enxergam a dor e a tristeza que há na pobreza e nas injustiças como um caminho para o enriquecimento interior.
Leo Buscaglia, em seu livro Vivendo, Amando e Aprendendo (o que eu mais gosto), escreveu: "Primeiro as pessoas. Depois as coisas."
Vemos tanta gente se importando antes com as coisas e depois com as pessoas, não é? Vemos tantos casais jurando que se amam e, depois de algum tempo, praticamente se engolindo por causa das coisas que juntaram, numa briga insana pela divisão de bens...
O caminho é pessoal. Cada um tem seu jeito próprio de enxergar as situações, interpretá-las e usá-las - ou não - em prol de si mesmo. O que pode comover você, talvez não comova a mim, e vice-versa. Mas a verdade é que evolução não se trata de magia ou sorte ou destino, nem sequer de opção religiosa ou conhecimentos teóricos. Talvez esses sejam detalhes que atuem a favor da evolução, mas não determinantes.
Jesus Cristo é um ótimo exemplo para esta verdade. Um Mestre que viveu toda a sua vida num vilarejo, rodeado de humildade e trabalho. Nunca cursou uma universidade, nunca se distanciou da cidade onde nasceu, nunca escreveu um livro e nunca se apossou de nada que não fosse a sua própria fé. E nunca, em nenhum tempo da história, um homem influenciou tão poderosamente a vida da humanidade. Depois de mais de 2 mil anos de sua passagem pela Terra, todo o planeta está, de uma forma ou de outra, tocado por esta vida singular...
Mas, enfim, a escolha é de cada um. Eu posso compreender que sou um ser humano exclusivo (diferente de todos os que já existiram, existem e irão existir) em busca de uma Alma Gêmea que, embora tenha muitas características parecidas com as minhas, também é um ser humano exclusivo e tem sua individualidade que merece absoluto respeito.
E, sendo assim, posso me concentrar em mim mesma e tentar crescer e conhecer mais sobre mim a cada dia. Ou eu posso - a escolha é minha, e só minha - passar a vida inteira me comparando com outras pessoas e reclamando das chances que perdi e das oportunidades que a vida não me deu e das vantagens que não me ofereceram...
É, talvez seja mais fácil culpar as pessoas e o mundo pelo que não somos capazes de conquistar, mas definitivamente essa escolha não nos levará à nada e nem à lugar nenhum, muito menos à nossa Alma Gêmea; a menos que essa nossa metade esteja tão estagnada quanto nós... e aí, as únicas "preciosidades" que teremos para compartilhar são sentimentos e sensações como frustração, derrota, falta de coragem, acomodação e covardia.
Mas o que acontece, geralmente, com pessoas desse tipo, que vivem constantemente criticando o que o mundo lhes tem oferecido, sempre julgando que mereciam mais do que têm, é que, caso tenham a "sorte" de encontrar uma Alma Gêmea que poderia lhes tirar dessa espécie de paralisia, julgam-na muito pouco, acreditam que as Almas Gêmeas dos outros são melhores e mais interessantes que a sua...
Viver e Ser não é uma questão melhor ou pior, de certo ou errado... É uma questão de equilíbrio, de sensibilidade e de respeito por si mesmo e, consequentemente, pelo outro.
Temos duas (somente duas) alternativas: OU assumimos o que somos, tomamos as rédeas de nossas vidas e fazemos alguma coisa para nos conhecermos muito bem e evoluirmos um pouquinho que seja a cada dia de nossa vulnerável e efêmera existência aqui na Terra, atuando de fato sobre nossa própria Alma OU permanecemos a deriva do tempo, lamentando o que não nos acontece e simplesmente deixando a vida passar, como se a felicidade fosse uma espécie de surpresa ou presente que, algum dia, talvez, alguém nos venha entregar, em nossa porta, sem que nada precisemos fazer para merecê-la...
Mas certamente, qualquer que seja a nossa escolha, o tempo não nos espera; ele não diminui o seu ritmo e muito menos pára, até que tenhamos condições de acompanhá-lo. Porque, na verdade, todos nós já nascemos com as condições necessárias para acompanhá-lo...
E, mais cedo ou mais tarde, todos nós perceberemos a constante atuação dele sobre nossas vidas! Da mesma forma que nossas rugas poderão significar boas lembranças, satisfação de realização e gratidão por essa maravilhosa oportunidade de ter estado aqui, poderá significar desespero, arrependimento e um amargo sabor de derrota...
Ninguém pode escolher pelo outro. A escolha é pessoal e intransferível. Depende exclusivamente de cada um. Eu sugiro que você faça a sua escolha imediatamente e que possa, sinceramente, estar consciente dela!"
Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos e Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.
http://www.rosanabraga.com.br/
Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=1937
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Auto-ajuda: Sentimentos em Ação - (Paulo Araujo)
"Seja sincero. Boa parte da vida você aprendeu que devemos dar mais valor à razão do que à emoção. O ideal é saber separar a vida pessoal da profissional. E também sempre lhe disseram que os sentimentos deviam ser controlados e expressados de forma cuidadosa. Assim como eu, você já deve ter sentido uma enorme alegria em um dia qualquer, mas sei lá, é meio chato ficar demonstrando isso no trabalho, especialmente se o ambiente for meio sisudo, concorda? Então, logo por meio dessa introdução você e eu já quase concordamos que o negócio é deixar as emoções e os sentimentos de lado e focar naquilo que realmente interessa, certo?
Errado, muito errado na visão dos autores David R. Caruso e Peter Salovey, ambos da Yale University. Na obra "Liderando com Inteligência Emocional", publicada pela editora M. Books, os professores afirmam que as emoções são fontes de dados e absolutamente necessárias para a tomada de boas decisões. Elas são também fatores determinantes de sucesso na condução da sua carreira.
O livro expõe um esquema emocional fácil de usar e dividido em quatro etapas:
1. Identificando as próprias emoções e as alheias;
2. Utilizando as emoções no dia-a-dia e na solução de problemas;
3. Compreendendo as emoções para descobrir suas causas e formas de melhorar sua atuação no futuro;
4. Administrando as emoções, ou seja, aprender a usar os sentimentos a nosso favor nas mais variadas situações e inclusive a modificá-las de acordo com a ocasião.
O livro traz embasamento científico e vários exercícios. Também está longe de ser confundido com um manual de auto-ajuda. Observe a seguir como aquelas emoções que consideramos negativas, podem ser na verdade benéficas, desde que bem utilizadas.
A ansiedade sempre foi vista como um grande causador de stress e até de doenças. Na verdade, ansiedade em demasia faz muito mal à saúde. Contudo, na dose certa ela nos obriga a buscar novas decisões, analisar outros rumos e nos mantém alertas. O problema maior com a ansiedade é que o seu excesso gera preocupação em demasia e a sensação de que as coisas nunca chegam a um ponto ideal, consumindo grande parte de energia. Porém, a sua falta torna a pessoa totalmente relapsa. A ansiedade é um sentimento que não deve ser relegado a um segundo plano, mas controlado.
A famosa raiva é outro sentimento que queremos evitar a todo custo. Mas você já percebeu que a raiva normalmente surge diante das situações em que a injustiça predomina? A raiva é fundamental para detectarmos ações que não estão certas, ou que ferem os valores de uma boa convivência. Não querer sentir raiva de algo ou de alguém é como ir contra a própria natureza humana. A raiva ajuda a combater uma ameaça percebida e nos dá energia para corrigir uma situação injusta. Agora, sentir raiva e usá-la para uma situação positiva é uma coisa totalmente diferente de tornar-se uma pessoa raivosa que explode por qualquer coisa. Ninguém gosta de trabalhar com pessoas raivosas e descontroladas e nesse caso, é necessária a ajuda de um profissional.
O bom humor e o otimismo, todo mundo sabe, ajudam a enxergar com novos olhos situações que a princípio apresentam-se negativas, a enfrentar diversidades e a superar problemas. Mas esses dois amiguinhos, quando em excesso, nos tornam dispersivos, deixam-nos fora da realidade, utópicos e até mesmo tiram nosso foco em determinadas situações. Não dá para ficar de bom humor quando um projeto está com o cronograma todo atrasado. O bom humor excessivo nos torna desatentos aos detalhes, fazendo-nos imaginar que tudo está bem, quando na verdade não está. Por outro lado, o bom humor e o otimismo são características fundamentais para a carreira de vendas, por exemplo.
Como vimos, podemos ficar o dia inteiro dissecando e conversando sobre os mais variados sentimentos como: medo, confiança, felicidade, tristeza, surpresa, depressão, entre tantos outros. O importante é aprender que todos eles podem ser maléficos ou benéficos de acordo como são utilizados. O segredo, segundo os autores, é "ajustar o seu estilo de pensamento à emoção". É preciso aprender a relacionar os sentimentos às circunstâncias que vivenciamos.
Ignorar os próprios sentimentos e as emoções alheias pode ser a fonte das más decisões, por isso analisar as circunstâncias em que surgem é fundamental. É claro que devemos aliar razão e emoção. A atitude analítica é fundamental na tomada de decisões, mas podemos começar a partir de agora a exterminar de vez o preconceito em relação aos sentimentos no trabalho. As emoções, na verdade, são grandes oportunidades para que se possa extrair o melhor de cada pessoa, aliando o sentimento ao momento e assim aumentar as chances de sucesso e a motivação de uma equipe. "
Paulo Araújo é palestrante e escritor. Autor de "Desperte seu Talento – dicas essenciais para a sua carreira" - Editora EKO, entre outros livros. Site: http://www.pauloaraujo.com.br/
Fonte: Somos todos Um - http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=09406
Errado, muito errado na visão dos autores David R. Caruso e Peter Salovey, ambos da Yale University. Na obra "Liderando com Inteligência Emocional", publicada pela editora M. Books, os professores afirmam que as emoções são fontes de dados e absolutamente necessárias para a tomada de boas decisões. Elas são também fatores determinantes de sucesso na condução da sua carreira.
O livro expõe um esquema emocional fácil de usar e dividido em quatro etapas:
1. Identificando as próprias emoções e as alheias;
2. Utilizando as emoções no dia-a-dia e na solução de problemas;
3. Compreendendo as emoções para descobrir suas causas e formas de melhorar sua atuação no futuro;
4. Administrando as emoções, ou seja, aprender a usar os sentimentos a nosso favor nas mais variadas situações e inclusive a modificá-las de acordo com a ocasião.
O livro traz embasamento científico e vários exercícios. Também está longe de ser confundido com um manual de auto-ajuda. Observe a seguir como aquelas emoções que consideramos negativas, podem ser na verdade benéficas, desde que bem utilizadas.
A ansiedade sempre foi vista como um grande causador de stress e até de doenças. Na verdade, ansiedade em demasia faz muito mal à saúde. Contudo, na dose certa ela nos obriga a buscar novas decisões, analisar outros rumos e nos mantém alertas. O problema maior com a ansiedade é que o seu excesso gera preocupação em demasia e a sensação de que as coisas nunca chegam a um ponto ideal, consumindo grande parte de energia. Porém, a sua falta torna a pessoa totalmente relapsa. A ansiedade é um sentimento que não deve ser relegado a um segundo plano, mas controlado.
A famosa raiva é outro sentimento que queremos evitar a todo custo. Mas você já percebeu que a raiva normalmente surge diante das situações em que a injustiça predomina? A raiva é fundamental para detectarmos ações que não estão certas, ou que ferem os valores de uma boa convivência. Não querer sentir raiva de algo ou de alguém é como ir contra a própria natureza humana. A raiva ajuda a combater uma ameaça percebida e nos dá energia para corrigir uma situação injusta. Agora, sentir raiva e usá-la para uma situação positiva é uma coisa totalmente diferente de tornar-se uma pessoa raivosa que explode por qualquer coisa. Ninguém gosta de trabalhar com pessoas raivosas e descontroladas e nesse caso, é necessária a ajuda de um profissional.
O bom humor e o otimismo, todo mundo sabe, ajudam a enxergar com novos olhos situações que a princípio apresentam-se negativas, a enfrentar diversidades e a superar problemas. Mas esses dois amiguinhos, quando em excesso, nos tornam dispersivos, deixam-nos fora da realidade, utópicos e até mesmo tiram nosso foco em determinadas situações. Não dá para ficar de bom humor quando um projeto está com o cronograma todo atrasado. O bom humor excessivo nos torna desatentos aos detalhes, fazendo-nos imaginar que tudo está bem, quando na verdade não está. Por outro lado, o bom humor e o otimismo são características fundamentais para a carreira de vendas, por exemplo.
Como vimos, podemos ficar o dia inteiro dissecando e conversando sobre os mais variados sentimentos como: medo, confiança, felicidade, tristeza, surpresa, depressão, entre tantos outros. O importante é aprender que todos eles podem ser maléficos ou benéficos de acordo como são utilizados. O segredo, segundo os autores, é "ajustar o seu estilo de pensamento à emoção". É preciso aprender a relacionar os sentimentos às circunstâncias que vivenciamos.
Ignorar os próprios sentimentos e as emoções alheias pode ser a fonte das más decisões, por isso analisar as circunstâncias em que surgem é fundamental. É claro que devemos aliar razão e emoção. A atitude analítica é fundamental na tomada de decisões, mas podemos começar a partir de agora a exterminar de vez o preconceito em relação aos sentimentos no trabalho. As emoções, na verdade, são grandes oportunidades para que se possa extrair o melhor de cada pessoa, aliando o sentimento ao momento e assim aumentar as chances de sucesso e a motivação de uma equipe. "
Paulo Araújo é palestrante e escritor. Autor de "Desperte seu Talento – dicas essenciais para a sua carreira" - Editora EKO, entre outros livros. Site: http://www.pauloaraujo.com.br/
Fonte: Somos todos Um - http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=09406
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
o doce som da alegria perfeita, um louvor à deusa Sarasvati - (Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö)
"Hrih! Filha da mente de Brahma
Surgida do grande lago da alegria,
Com sua face tão pura e branca como a lua —
Deusa Sarasvati, a você eu presto homenagem!
Tesouro infinito das palavras secretas dos Vedas
E vasta coleção do Dharma dos Buddhas,
Alcançando até o fim do caminho da imortalidade —
Gloriosa senhora das melodias, a você eu me curvo em devoção!
Segurando uma viola tambura em suas mãos
E a tocando gentilmente com as pontas de seus dedos —
A você que cativa as mentes de todos, tanto além
E ainda dentro deste reino mundano, eu me curvo!
Na realidade, você é a própria perfeição da sabedoria,
Porém aparece na forma de uma deusa,
Uma manifestação maravilhosa e inconcebível —
Grande senhora que tem maestria nos dez estágios, a você eu me curo!
A todos os buddhas que a estimam com seu amor
E a observam com seus olhos de sabedoria,
Você oferece grandes presentes de união extática, semelhantes a nuvens —
A você, a grande mãe de alegria, eu respeitosamente me curvo!
Conforme você entra nas gargantas e corações dos inteligentes,
Naquele mesmo instante, eles se tornam transformados
E são feitos em poderosos mestres da fala —
A você, que concede a inteligência suprema, eu ofereço homenagem!
Através das bênçãos de louvá-la deste modo,
Possa você entrar no oceano lácteo de minha mente devota
E me conceda a luz brilhante da sabedoria,
Completa com o conhecimento duplo — eu rogo!
Om Pitsu Pitsu Prajna Vargani Dzala Dzala Medhi Vargani Dhiri Dhiri Buddhi Vargani Svaha
Recite isto e a sua inteligência aumentará."
Em resposta aos pedidos de Samten Tulku Rinpoche, o sobrinho do nobre Palpung Situ Rinpoche, dados juntos uma echarpe de seda como presente, eu, Chökyi Lodrö, também conhecido como Jampal Gawe Gochar, escrevi isto na Caverna Alegre que Deleite a Deusa Sarasvati no monastério de Palpung. Siddhirastu!
Fonte: http://www.dharmanet.com.br/khyentse/doce.htm
Surgida do grande lago da alegria,
Com sua face tão pura e branca como a lua —
Deusa Sarasvati, a você eu presto homenagem!
Tesouro infinito das palavras secretas dos Vedas
E vasta coleção do Dharma dos Buddhas,
Alcançando até o fim do caminho da imortalidade —
Gloriosa senhora das melodias, a você eu me curvo em devoção!
Segurando uma viola tambura em suas mãos
E a tocando gentilmente com as pontas de seus dedos —
A você que cativa as mentes de todos, tanto além
E ainda dentro deste reino mundano, eu me curvo!
Na realidade, você é a própria perfeição da sabedoria,
Porém aparece na forma de uma deusa,
Uma manifestação maravilhosa e inconcebível —
Grande senhora que tem maestria nos dez estágios, a você eu me curo!
A todos os buddhas que a estimam com seu amor
E a observam com seus olhos de sabedoria,
Você oferece grandes presentes de união extática, semelhantes a nuvens —
A você, a grande mãe de alegria, eu respeitosamente me curvo!
Conforme você entra nas gargantas e corações dos inteligentes,
Naquele mesmo instante, eles se tornam transformados
E são feitos em poderosos mestres da fala —
A você, que concede a inteligência suprema, eu ofereço homenagem!
Através das bênçãos de louvá-la deste modo,
Possa você entrar no oceano lácteo de minha mente devota
E me conceda a luz brilhante da sabedoria,
Completa com o conhecimento duplo — eu rogo!
Om Pitsu Pitsu Prajna Vargani Dzala Dzala Medhi Vargani Dhiri Dhiri Buddhi Vargani Svaha
Recite isto e a sua inteligência aumentará."
Em resposta aos pedidos de Samten Tulku Rinpoche, o sobrinho do nobre Palpung Situ Rinpoche, dados juntos uma echarpe de seda como presente, eu, Chökyi Lodrö, também conhecido como Jampal Gawe Gochar, escrevi isto na Caverna Alegre que Deleite a Deusa Sarasvati no monastério de Palpung. Siddhirastu!
Fonte: http://www.dharmanet.com.br/khyentse/doce.htm
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Compreensão - (Osho)
"As pessoas que se amam podem se separar, mas a compreensão que foi ganha na companhia do outro sempre permanecerá como uma dádiva. Se você amar uma pessoa, o único presente valioso que você pode dar a ela é alguma dose de compreensão.
Converse com o seu parceiro e entenda que algumas vezes ele precisa ficar sozinho. E este é o problema: essa necessidade pode não acontecer ao mesmo tempo para vocês. Às vezes você quer ficar com a pessoa, e ela quer ficar sozinha - nada pode ser feito com relação a isso. Você precisará compreender e deixá-la sozinha. Às vezes você quer ficar sozinho, mas ela quer vir a você - diga-lhe que você não pode fazer nada!
Crie cada vez mais compreensão. É isto que falta aos parceiros amorosos: eles têm suficiente amor, mas nenhuma compreensão, absolutamente nenhuma. Por isso, nas rochas da incompreensão o amor que sentiam, morre. O amor não pode viver sem a compreensão. Sozinho, o amor é muito tolo; com a compreensão, o amor pode viver uma longa vida, uma grande vida - de muitas alegrias compartilhadas, de muitos belos momentos compartilhados, de grandes experiências poéticas. Mas isso acontece somente através da compreensão.
O amor pode lhe dar uma pequena lua-de-mel, mas isso é tudo. Somente a compreensão pode lhe dar uma profunda intimidade. E cada lua-de-mel é seguida pela depressão, pela raiva, pela frustração. A menos que você cresça em compreensão, nenhuma lua-de-mel ajudará; ela será como uma droga.
Assim, tente criar mais compreensão. E mesmo que um dia vocês se separem, a compreensão estará com vocês. Essa será uma dádiva do amor de um para com o outro."
Fonte: Osho; For Madmen Only, # 26
Converse com o seu parceiro e entenda que algumas vezes ele precisa ficar sozinho. E este é o problema: essa necessidade pode não acontecer ao mesmo tempo para vocês. Às vezes você quer ficar com a pessoa, e ela quer ficar sozinha - nada pode ser feito com relação a isso. Você precisará compreender e deixá-la sozinha. Às vezes você quer ficar sozinho, mas ela quer vir a você - diga-lhe que você não pode fazer nada!
Crie cada vez mais compreensão. É isto que falta aos parceiros amorosos: eles têm suficiente amor, mas nenhuma compreensão, absolutamente nenhuma. Por isso, nas rochas da incompreensão o amor que sentiam, morre. O amor não pode viver sem a compreensão. Sozinho, o amor é muito tolo; com a compreensão, o amor pode viver uma longa vida, uma grande vida - de muitas alegrias compartilhadas, de muitos belos momentos compartilhados, de grandes experiências poéticas. Mas isso acontece somente através da compreensão.
O amor pode lhe dar uma pequena lua-de-mel, mas isso é tudo. Somente a compreensão pode lhe dar uma profunda intimidade. E cada lua-de-mel é seguida pela depressão, pela raiva, pela frustração. A menos que você cresça em compreensão, nenhuma lua-de-mel ajudará; ela será como uma droga.
Assim, tente criar mais compreensão. E mesmo que um dia vocês se separem, a compreensão estará com vocês. Essa será uma dádiva do amor de um para com o outro."
Fonte: Osho; For Madmen Only, # 26
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Relaxe naquilo que ocorre - (Pema Chödrön)
Pema Chödrön é uma monja buddhista norte-americana e uma das estudantes mais brilhantes de Chögyam Trungpa Rinpoche, famoso mestre de meditação. Ela é autora das obras The Wisdom of No Escape e Start Where You Are, e também professora em Gambo Abbey (Nova Scotia, Canadá), o primeiro monastério tibetano na América do Norte estabelecido para ocidentais.
Segundo Chödrön, a felicidade está ao nosso alcance, e no entanto tantas vezes a perdemos de vista, ironicamente na tentativa de evitar dor e sofrimento. O texto radical e compassivo de Pema Chödrön vem de encontro às nossas expectativas e hábitos de conduta Quando Tudo Se Desfaz (Editora Gryphus), e nos confronta com a sabedoria buddhista. Existe somente uma atitude em relação ao sofrimento, ensina Chödrön, e essa atitude é a que caminha na direção das situações difíceis com afabilidade e curiosidade, se deixando levar pela insegurança da situação. É ali, no meio do caos, que descobrimos a verdade e o amor indestrutíveis.
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A instrução de meditação que Chögyam Trungpa Rinpoche dava a seus alunos chama-se meditação shamatha-vipashyana. Quando Trungpa Rinpoche ensinou pela primeira vez no Ocidente, disse a seus alunos para apenas abrir a mente e relaxar. Quando se sentissem distraídos pelos pensamentos, poderiam simplesmente deixar que eles se dissolvessem e voltar para o estado mental aberto e relaxado.
Após alguns anos, Rinpoche percebeu que várias das pessoas que o haviam procurado achavam essa simples instrução, até certo ponto, impossível de ser praticada e precisavam de um pouco mais de técnica para poderem prosseguir. Nesse momento, sem realmente mudar a intenção básica da meditação, começou a dar instruções de forma um tanto diferente. Passou a dar mais ênfase à postura e ensinou as pessoas a voltar muito levemente sua atenção para a expiração. Mais tarde, disse que o momento da expiração era o mais próximo que se podia chegar de simplesmente repousar a mente em seu estado aberto natural e ainda assim ter um objeto ao qual retornar.
Enfatizou ainda que estava se referindo à simples expiração normal, sem qualquer manipulação, e que a atenção deveria ser suave, com um toque de leveza. Segundo ele, cerca de 25% da atenção estaria voltada para a respiração, de modo que ainda fosse possível ter consciência do ambiente, sem considerá-lo como uma interferência ou obstáculo à meditação. Anos mais tarde, usou uma analogia bem-humorada, ao comparar a meditação a uma pessoa fantasiada segurando uma colher cheia de água. É possível estar tranqüilamente sentado ali, vestindo uma roupagem rebuscada e, ainda assim, estar bastante atento à colher de água que se tem nas mãos. O objetivo não era tentar atingir algum estado especial ou transcender os sons e movimentos da vida normal. Em vez disso, éramos encorajados a relaxar mais integralmente em nosso ambiente, apreciar o mundo mais integralmente em nosso ambiente, a apreciar o mundo que nos cerca e a verdade simples que acontece a todos os momentos.
A maioria das técnicas de meditação utiliza um objeto — algo a que se retorna repetidamente, não importa o que esteja acontecendo na mente. Com chuva, granizo, neve, tempo bom ou ruim — simplesmente voltamos ao objeto da meditação. Neste acaso, a expiração é objeto da meditação — a impalpável e fluida expiração sempre em mutação, que não pode ser agarrada e que, mesmo assim, ocorre continuamente. Quando inspiramos, é como se estivéssemos em uma pausa ou hiato. Não há nada especial a fazer, a não ser esperar pela próxima expiração.
Certa vez expliquei esta técnica a uma amiga que há anos praticava uma concentração muito direcionada tanto para a inspiração quanto para a expiração e ainda para um outro objeto. Quando terminei, ela disse: "Mas isso é impossível! Ninguém pode fazer isso! Existe todo um espaço onde não há nada em que se concentrar!" Pela primeira vez, percebi que, inserida exatamente dentro da instrução, estava a oportunidade de deixar fluir completamente. Já havia ouvido mestres Zen dizerem que meditação é a disposição para morrer continuamente. E ali estava — à medida que cada expiração ocorria e se dissolvia, havia a oportunidade de morrer para tudo o que havia acontecido anteriormente e de relaxar, em vez de entrar em pânico.
Rinpoche nos pediu que, como instrutores de meditação, deixássemos de falar em "concentrar" na expiração mas que, em vez disso, usássemos uma linguagem mais fluida. Então, instruímos os alunos para "entrar em contato com a expiração e deixá-la ir", ou para "prestar uma atenção leve e suave à expiração", ou ainda "ser um com a respiração à medida que se relaxa na expiração". A diretriz básica era ainda estar aberto e relaxar, sem adicionar nada nem conceituar, voltando sempre à mente tal como ela simplesmente é — clara, lúcida e fresca.
Após um certo tempo, Rinpoche refinou ainda mais as instruções, pedindo que colocássemos em nossos pensamentos o rótulo "pensando". Ficávamos ali sentados com nossa expiração e, sem saber como havia acontecido, estávamos lá fora — planejando, tendo preocupações, fantasiando. Estávamos completamente em um outro mundo feito inteiramente de pensamentos. No momento em que percebíamos que isso havia ocorrido, deveríamos dizer a nós mesmos "pensando" e, sem fazer disso algo muito importante, simplesmente voltar à expiração.
Certa vez, vi uma dança inspirada nesse processo. O dançarino entrava no palco e sentava em posição de meditação. Em poucos segundos, pensamentos de paixão começavam a surgir. O dançarino movia-se dentro deles, tornando-se cada vez mais arrebatado, desde o momento em que um leve vestígio de paixão começava a se desenvolver, até uma completa fantasia sexual. Soava, então, um pequeno sino, uma voz tranqüila dizia "pensando" e o dançarino voltava a relaxar na postura de meditação. Cerca de cinco segundos depois, começava a dança da raiva, mais uma vez iniciando-se com uma pequena irritação e explodindo em movimentação frenética. Veio, então, a dança da solidão, do entorpecimento e, a cada uma delas, o sino soava, a voz dizia "pensando" e ele simplesmente relaxava, mais e mais, no que começou a ser a imensa paz e espaço de simplesmente estar sentado ali.
Dizer internamente "pensando" constitui um ponto muito interessante da meditação. Nesse momento, podemos treinar conscientemente a suavidade e o desenvolvimento de uma atitude de julgamento. A palavra sânscrita para bondade amorosa é maitri, também traduzida como amizade incondicional. Portanto, sempre que dizemos a nós mesmos "pensando", estamos cultivando essa amizade incondicional por tudo que surge na mente. Esse método simples e direto de despertar é extremamente precioso, já que esse tipo de compaixão incondicional não é fácil de alcançar.
Às vezes, sentimos culpa. Às vezes, somos arrogantes. Em outras, nossos pensamentos e lembranças os aterrorizam e nos tornam muito infelizes. Os pensamentos cruzam nossa mente o tempo todo e, quando sentamos, estamos dando a todos eles muito espaço para que surjam. Como nuvens em um céu amplo ou ondas em um vasto mar, estamos dando a todos os nossos pensamentos espaço para que apareçam. Quando um deles atrai nossa atenção e nos arrebata, quer seja agradável ou desagradável, devemos rotulá-lo "pensando", com toda a abertura e bondade que pudermos reunir, e deixar que ele se dissolva no amplo céu. Não há problema se as nuvens e ondas imediatamente retornam. Simplesmente reconhecemos sua existência mais uma vez, com amizade incondicional, rotulamos "pensando" e deixamos que elas se dissolvam continuamente.
Às vezes, as pessoas usam a meditação para tentar evitar mais sentimentos ou pensamentos perturbadores. Tentamos usar o rótulo como uma forma de afastar o que nos incomoda e, quando nos conectamos com algo prazeroso ou inspirador, podemos achar que finalmente conseguimos e tentamos ficar nesse ponto onde há paz, harmonia e onde não temos nada a temer.
Portanto, desde o início, é bom lembrar sempre que meditar relaciona-se com abrir e relaxar, surja o que surgir, sem selecionar ou escolher. Definitivamente, não significa reprimir nada e também não tem a finalidade de estimular o apego. Allen Ginsberg usa a expressão "mente surpresa". Você senta e — opa! — surge uma surpresa bem desagradável. Tudo bem. Quem seja assim. Não devemos rejeitar esse aspecto, mas compassivamente reconhece-lo como "pensando" e deixar que ele vá. Então — opa! — aparece uma surpresa muito agradável. Tudo bem. Que seja assim. Mais uma vez, não devemos nos apegar a esse aspecto, mas compassivamente reconhece-lo como "pensando" e deixar que ele vá. Percebemos que essas surpresas não têm fim. Milarepa, yogi tibetano do século XII, cantava maravilhosamente suas canções sobre a forma correta de meditar. Uma delas dizia que há mais projeções na mente que partículas de poeira em um raio de sol e que nem mesmo centenas de lanças podem pôr fim a isso. Portanto, como meditadores, também podem parar de lutar contra nossos pensamentos e perceber que honestidade e senso de humor são muito inspiradores e úteis contra ou a favor de algo.
De qualquer forma, o objetivo não é tentar livrar-se dos pensamentos, mas ver sua verdadeira natureza. Ficaremos dando voltas inúteis com nossos pensamentos se acreditarmos em sua solidez. Na verdade, eles são como imagens de sonho. São como uma ilusão — não são tão sólidos assim. Como dizemos, são apenas pensamentos.
Ao longo dos anos, Rinpoche continuou a aperfeiçoar as instruções sobre postura, afirmando que aplicar esforço durante a meditação nunca era uma boa idéia. Portanto, recebíamos instruções de que não havia problema em nos movimentarmos quando sentíamos dores nas pernas ou nas costas. Entretanto, logo se tornou claro que, trabalhando com a postura correta, era possível estar bem mais relaxado e acomodado no próprio corpo por meio de ajustes muito sutis. Os movimentos amplos traziam conforto por cerca de cinco ou dez minutos e, em seguida, precisávamos nos mover outra vez. Acabamos seguindo os seis pontos da boa postura para conseguir realmente nos acomodar. Esses seis pontos são: (1) onde sentar, (2) pernas, (3) tronco, (4) mãos, (5) olhos e (6) boca. As instruções são as seguintes:
Quer você esteja sentado em uma almofada colocada no chão ou em uma cadeira, o assento deve ser plano, sem nclinação para a esquerda ou para a direita, para frente ou para trás.
As pernas devem estar confortavelmente cruzadas à frente — ou, se estiver sentado em uma cadeira, os pés devem estar bem apoiados no chão e os joelhos afastados alguns centímetros.
O tronco (da cabeça até o assento) deve estar ereto, com a parte posterior firme e a parte anterior aberta. Se estiver em uma cadeira, é melhor não se encostar Se você começar a encurvar, simplesmente sente ereto outra vez.
As mãos ficam abertas, com as palmas para baixo, repousadas sobre as coxas.
Os olhos permanecem abertos, indicando uma atitude de estar desperto e relaxado em tudo que acontece. O olhar dirige-se ligeiramente para baixo, para um ponto localizado aproximadamente dois metros à frente.
A boca fica levemente entreaberta, de modo que o maxilar relaxe, permitindo que o ar circule livremente pela boca e pelo nariz. A ponta da língua pode estar apoiada no céu da boca.
Sempre que sentamos para meditar, podemos percorrer esses seis pontos e, quando nos sentirmos distraídos durante a meditação, podemos trazer nossa atenção de volta para o corpo e repassá-los. Então, com a sensação de estar recomeçando, voltamos mais uma vez à expiração. Não devemos nos preocupar quando percebermos que fomos levados pelos pensamentos. Apenas dizemos internamente "pensando", e voltamos à abertura e relaxamento da expiração. Mais uma vez e mais uma vez — voltamos sempre a estar exatamente onde estamos.
No início, as pessoas acham essa meditação empolgante. É como um novo projeto e achamos que a prática talvez nos livre de nossos aspectos indesejáveis e nos torne pessoas alertas, isentas de julgamento e incondicionalmente cordiais. Entretanto, após um certo tempo, essa sensação se esgota. Encontramos um tempo todos os dias e sentamos em nossa própria companhia. Voltamos à respiração continuamente, atravessamos o tédio, a irritação, o medo e o bem-estar. Essa perseverança e repetição — quando contêm honestidade, leveza, humor e bondade — são a própria recompensa.
Quando recebemos as instruções, podemos colocá-las em prática. O que vai acontecer em seguida depende de nós. Em última análise, com que intensidade estamos dispostos a ter mais leveza e a soltar as rédeas? Quanto de honestidade existe no propósito de estar consigo mesmo?
(Chödrön, Pema. Quando tudo se desfaz: instruções para tempos difíceis.
Traduzido por Helenice Gouvêa. Rio de Janeiro: Gryphus, 1999. Pág. 137-147.)
Fonte: http://www.dharmanet.com.br/vajrayana/chodron5.htm
Segundo Chödrön, a felicidade está ao nosso alcance, e no entanto tantas vezes a perdemos de vista, ironicamente na tentativa de evitar dor e sofrimento. O texto radical e compassivo de Pema Chödrön vem de encontro às nossas expectativas e hábitos de conduta Quando Tudo Se Desfaz (Editora Gryphus), e nos confronta com a sabedoria buddhista. Existe somente uma atitude em relação ao sofrimento, ensina Chödrön, e essa atitude é a que caminha na direção das situações difíceis com afabilidade e curiosidade, se deixando levar pela insegurança da situação. É ali, no meio do caos, que descobrimos a verdade e o amor indestrutíveis.
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A instrução de meditação que Chögyam Trungpa Rinpoche dava a seus alunos chama-se meditação shamatha-vipashyana. Quando Trungpa Rinpoche ensinou pela primeira vez no Ocidente, disse a seus alunos para apenas abrir a mente e relaxar. Quando se sentissem distraídos pelos pensamentos, poderiam simplesmente deixar que eles se dissolvessem e voltar para o estado mental aberto e relaxado.
Após alguns anos, Rinpoche percebeu que várias das pessoas que o haviam procurado achavam essa simples instrução, até certo ponto, impossível de ser praticada e precisavam de um pouco mais de técnica para poderem prosseguir. Nesse momento, sem realmente mudar a intenção básica da meditação, começou a dar instruções de forma um tanto diferente. Passou a dar mais ênfase à postura e ensinou as pessoas a voltar muito levemente sua atenção para a expiração. Mais tarde, disse que o momento da expiração era o mais próximo que se podia chegar de simplesmente repousar a mente em seu estado aberto natural e ainda assim ter um objeto ao qual retornar.
Enfatizou ainda que estava se referindo à simples expiração normal, sem qualquer manipulação, e que a atenção deveria ser suave, com um toque de leveza. Segundo ele, cerca de 25% da atenção estaria voltada para a respiração, de modo que ainda fosse possível ter consciência do ambiente, sem considerá-lo como uma interferência ou obstáculo à meditação. Anos mais tarde, usou uma analogia bem-humorada, ao comparar a meditação a uma pessoa fantasiada segurando uma colher cheia de água. É possível estar tranqüilamente sentado ali, vestindo uma roupagem rebuscada e, ainda assim, estar bastante atento à colher de água que se tem nas mãos. O objetivo não era tentar atingir algum estado especial ou transcender os sons e movimentos da vida normal. Em vez disso, éramos encorajados a relaxar mais integralmente em nosso ambiente, apreciar o mundo mais integralmente em nosso ambiente, a apreciar o mundo que nos cerca e a verdade simples que acontece a todos os momentos.
A maioria das técnicas de meditação utiliza um objeto — algo a que se retorna repetidamente, não importa o que esteja acontecendo na mente. Com chuva, granizo, neve, tempo bom ou ruim — simplesmente voltamos ao objeto da meditação. Neste acaso, a expiração é objeto da meditação — a impalpável e fluida expiração sempre em mutação, que não pode ser agarrada e que, mesmo assim, ocorre continuamente. Quando inspiramos, é como se estivéssemos em uma pausa ou hiato. Não há nada especial a fazer, a não ser esperar pela próxima expiração.
Certa vez expliquei esta técnica a uma amiga que há anos praticava uma concentração muito direcionada tanto para a inspiração quanto para a expiração e ainda para um outro objeto. Quando terminei, ela disse: "Mas isso é impossível! Ninguém pode fazer isso! Existe todo um espaço onde não há nada em que se concentrar!" Pela primeira vez, percebi que, inserida exatamente dentro da instrução, estava a oportunidade de deixar fluir completamente. Já havia ouvido mestres Zen dizerem que meditação é a disposição para morrer continuamente. E ali estava — à medida que cada expiração ocorria e se dissolvia, havia a oportunidade de morrer para tudo o que havia acontecido anteriormente e de relaxar, em vez de entrar em pânico.
Rinpoche nos pediu que, como instrutores de meditação, deixássemos de falar em "concentrar" na expiração mas que, em vez disso, usássemos uma linguagem mais fluida. Então, instruímos os alunos para "entrar em contato com a expiração e deixá-la ir", ou para "prestar uma atenção leve e suave à expiração", ou ainda "ser um com a respiração à medida que se relaxa na expiração". A diretriz básica era ainda estar aberto e relaxar, sem adicionar nada nem conceituar, voltando sempre à mente tal como ela simplesmente é — clara, lúcida e fresca.
Após um certo tempo, Rinpoche refinou ainda mais as instruções, pedindo que colocássemos em nossos pensamentos o rótulo "pensando". Ficávamos ali sentados com nossa expiração e, sem saber como havia acontecido, estávamos lá fora — planejando, tendo preocupações, fantasiando. Estávamos completamente em um outro mundo feito inteiramente de pensamentos. No momento em que percebíamos que isso havia ocorrido, deveríamos dizer a nós mesmos "pensando" e, sem fazer disso algo muito importante, simplesmente voltar à expiração.
Certa vez, vi uma dança inspirada nesse processo. O dançarino entrava no palco e sentava em posição de meditação. Em poucos segundos, pensamentos de paixão começavam a surgir. O dançarino movia-se dentro deles, tornando-se cada vez mais arrebatado, desde o momento em que um leve vestígio de paixão começava a se desenvolver, até uma completa fantasia sexual. Soava, então, um pequeno sino, uma voz tranqüila dizia "pensando" e o dançarino voltava a relaxar na postura de meditação. Cerca de cinco segundos depois, começava a dança da raiva, mais uma vez iniciando-se com uma pequena irritação e explodindo em movimentação frenética. Veio, então, a dança da solidão, do entorpecimento e, a cada uma delas, o sino soava, a voz dizia "pensando" e ele simplesmente relaxava, mais e mais, no que começou a ser a imensa paz e espaço de simplesmente estar sentado ali.
Dizer internamente "pensando" constitui um ponto muito interessante da meditação. Nesse momento, podemos treinar conscientemente a suavidade e o desenvolvimento de uma atitude de julgamento. A palavra sânscrita para bondade amorosa é maitri, também traduzida como amizade incondicional. Portanto, sempre que dizemos a nós mesmos "pensando", estamos cultivando essa amizade incondicional por tudo que surge na mente. Esse método simples e direto de despertar é extremamente precioso, já que esse tipo de compaixão incondicional não é fácil de alcançar.
Às vezes, sentimos culpa. Às vezes, somos arrogantes. Em outras, nossos pensamentos e lembranças os aterrorizam e nos tornam muito infelizes. Os pensamentos cruzam nossa mente o tempo todo e, quando sentamos, estamos dando a todos eles muito espaço para que surjam. Como nuvens em um céu amplo ou ondas em um vasto mar, estamos dando a todos os nossos pensamentos espaço para que apareçam. Quando um deles atrai nossa atenção e nos arrebata, quer seja agradável ou desagradável, devemos rotulá-lo "pensando", com toda a abertura e bondade que pudermos reunir, e deixar que ele se dissolva no amplo céu. Não há problema se as nuvens e ondas imediatamente retornam. Simplesmente reconhecemos sua existência mais uma vez, com amizade incondicional, rotulamos "pensando" e deixamos que elas se dissolvam continuamente.
Às vezes, as pessoas usam a meditação para tentar evitar mais sentimentos ou pensamentos perturbadores. Tentamos usar o rótulo como uma forma de afastar o que nos incomoda e, quando nos conectamos com algo prazeroso ou inspirador, podemos achar que finalmente conseguimos e tentamos ficar nesse ponto onde há paz, harmonia e onde não temos nada a temer.
Portanto, desde o início, é bom lembrar sempre que meditar relaciona-se com abrir e relaxar, surja o que surgir, sem selecionar ou escolher. Definitivamente, não significa reprimir nada e também não tem a finalidade de estimular o apego. Allen Ginsberg usa a expressão "mente surpresa". Você senta e — opa! — surge uma surpresa bem desagradável. Tudo bem. Quem seja assim. Não devemos rejeitar esse aspecto, mas compassivamente reconhece-lo como "pensando" e deixar que ele vá. Então — opa! — aparece uma surpresa muito agradável. Tudo bem. Que seja assim. Mais uma vez, não devemos nos apegar a esse aspecto, mas compassivamente reconhece-lo como "pensando" e deixar que ele vá. Percebemos que essas surpresas não têm fim. Milarepa, yogi tibetano do século XII, cantava maravilhosamente suas canções sobre a forma correta de meditar. Uma delas dizia que há mais projeções na mente que partículas de poeira em um raio de sol e que nem mesmo centenas de lanças podem pôr fim a isso. Portanto, como meditadores, também podem parar de lutar contra nossos pensamentos e perceber que honestidade e senso de humor são muito inspiradores e úteis contra ou a favor de algo.
De qualquer forma, o objetivo não é tentar livrar-se dos pensamentos, mas ver sua verdadeira natureza. Ficaremos dando voltas inúteis com nossos pensamentos se acreditarmos em sua solidez. Na verdade, eles são como imagens de sonho. São como uma ilusão — não são tão sólidos assim. Como dizemos, são apenas pensamentos.
Ao longo dos anos, Rinpoche continuou a aperfeiçoar as instruções sobre postura, afirmando que aplicar esforço durante a meditação nunca era uma boa idéia. Portanto, recebíamos instruções de que não havia problema em nos movimentarmos quando sentíamos dores nas pernas ou nas costas. Entretanto, logo se tornou claro que, trabalhando com a postura correta, era possível estar bem mais relaxado e acomodado no próprio corpo por meio de ajustes muito sutis. Os movimentos amplos traziam conforto por cerca de cinco ou dez minutos e, em seguida, precisávamos nos mover outra vez. Acabamos seguindo os seis pontos da boa postura para conseguir realmente nos acomodar. Esses seis pontos são: (1) onde sentar, (2) pernas, (3) tronco, (4) mãos, (5) olhos e (6) boca. As instruções são as seguintes:
Quer você esteja sentado em uma almofada colocada no chão ou em uma cadeira, o assento deve ser plano, sem nclinação para a esquerda ou para a direita, para frente ou para trás.
As pernas devem estar confortavelmente cruzadas à frente — ou, se estiver sentado em uma cadeira, os pés devem estar bem apoiados no chão e os joelhos afastados alguns centímetros.
O tronco (da cabeça até o assento) deve estar ereto, com a parte posterior firme e a parte anterior aberta. Se estiver em uma cadeira, é melhor não se encostar Se você começar a encurvar, simplesmente sente ereto outra vez.
As mãos ficam abertas, com as palmas para baixo, repousadas sobre as coxas.
Os olhos permanecem abertos, indicando uma atitude de estar desperto e relaxado em tudo que acontece. O olhar dirige-se ligeiramente para baixo, para um ponto localizado aproximadamente dois metros à frente.
A boca fica levemente entreaberta, de modo que o maxilar relaxe, permitindo que o ar circule livremente pela boca e pelo nariz. A ponta da língua pode estar apoiada no céu da boca.
Sempre que sentamos para meditar, podemos percorrer esses seis pontos e, quando nos sentirmos distraídos durante a meditação, podemos trazer nossa atenção de volta para o corpo e repassá-los. Então, com a sensação de estar recomeçando, voltamos mais uma vez à expiração. Não devemos nos preocupar quando percebermos que fomos levados pelos pensamentos. Apenas dizemos internamente "pensando", e voltamos à abertura e relaxamento da expiração. Mais uma vez e mais uma vez — voltamos sempre a estar exatamente onde estamos.
No início, as pessoas acham essa meditação empolgante. É como um novo projeto e achamos que a prática talvez nos livre de nossos aspectos indesejáveis e nos torne pessoas alertas, isentas de julgamento e incondicionalmente cordiais. Entretanto, após um certo tempo, essa sensação se esgota. Encontramos um tempo todos os dias e sentamos em nossa própria companhia. Voltamos à respiração continuamente, atravessamos o tédio, a irritação, o medo e o bem-estar. Essa perseverança e repetição — quando contêm honestidade, leveza, humor e bondade — são a própria recompensa.
Quando recebemos as instruções, podemos colocá-las em prática. O que vai acontecer em seguida depende de nós. Em última análise, com que intensidade estamos dispostos a ter mais leveza e a soltar as rédeas? Quanto de honestidade existe no propósito de estar consigo mesmo?
(Chödrön, Pema. Quando tudo se desfaz: instruções para tempos difíceis.
Traduzido por Helenice Gouvêa. Rio de Janeiro: Gryphus, 1999. Pág. 137-147.)
Fonte: http://www.dharmanet.com.br/vajrayana/chodron5.htm
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Relaciones Románticas - (em espanhol; Gangaji)
"La gente siempre se pregunta, entonces, ¿cómo funciona esto en mis relaciones? En particular en mis relaciones amorosas.
Bueno, si puedes encontrarte con tu pareja de la misma forma que te encuentras contigo mismo, entonces verás el florecimiento del potencial de lo que llamamos una relación amorosa . Entonces las relaciones no son de hecho relaciones, sino uno mismo descubriéndose a uno mismo más profundamente en una forma diferente, en una manifestación diferente. Entonces, esas llamadas relaciones son vehículos para la más profunda verdad.
Normalmente las relaciones, desafortunadamente, no están basadas en descubrir la verdad. Normalmente están basadas en algún tipo de mantenimiento de la idea del “yo”, de forma que un amante puede estar con un amante porque éste le promete alguna seguridad, le promete una especie de alianza de forma que esa idea del “yo” quede protegida del resto del mundo. En otras palabras, normalmente las relaciones son bastante neuróticas. Pero el potencial, incluso para la neurosis es de descubrir, ¿quién está en relación? ¿quién ama?. Y en eso, descubres lo que es permanente mientras las manifestaciones de este amor son, de forma inherente, impermanentes. Los padres mueren, los hijos mueren, los amantes mueren. El amor no muere. El amor se encuentra consigo mismo, una y otra vez. La permanencia se encuentra consigo misma, una y otra vez.
En todas las relaciones, si uno está dispuesto a amar puramente, entonces uno está dispuesto a que haya nacimiento y muerte, porque uno está dispuesto a ser eso que ama, que es en realidad, amor. Ser amor es no ser nada en particular. Es no agarrarse a nada en particular. Por supuesto, lo que llamamos amor, es amor egoísta, es una imitación sentimental del amor. Y tiene que ver con mucho sufrimiento. Pero lo que es amor verdadero no desea deshacerse del sufrimiento, sino que abraza al sufrimiento hasta tal punto que el mismo sufrimiento se cae, postrado, reverenciando al misterio y magnificencia y la permanencia del amor, mientras todos los objetos del amor vienen y van. Este es el verdadero matrimonio. Cuando tú como corriente o río te encuentras con el océano del amor y te rindes frente a eso. Y te rindes para servir a eso. Eso es matrimonio verdadero. Y… ésa es una vida verdadera, que se vive en ese matrimonio, en ese servicio.
Me gustaría hablar un poquito más sobre las relaciones, ya que es ahí donde la mayoría de personas sienten sus apegos y su sufrimiento. Y sabes, el problema principal en las relaciones es que intentas conseguir algo de alguien , algo que ya está ya presente dentro de ti. Esto se refleja en la relación padre-hijo, donde el padre quizá espera que el hijo va finalmente a darle algo que le falta o el hijo espera que el padre le de algo que le falta. Y ese juego continua cuando nos hacemos adultos con nuestras parejas, con todas la actitudes que provocan sufrimiento como celos, miedos de abandono, ira, posesión, sufrimiento en general.
La oportunidad en la relación es, cuando esos sentimientos aparecen , una vez ha pasado la primera luna de miel del enamoramiento, cuando esos sentimientos aparecen, la oportunidad está en no focalizarnos fuera, en el otro, en la pareja, para ver como se puede arreglar, sino en mirar hacia dentro y estar dispuesto a experimentar lo que sea que quiere evitarse, de forma que si los celos son un problema, si los celos aparecen, incluso si la pareja está teniendo un rol haciendo que esos celos aparezcan , por un momento, en lugar de fijarnos en el rol que quizá la pareja está teniendo, podemos simplemente ir a nuestro interior y experimentar, totalmente, sin movernos, ese estado de celos. Bajo los celos hay algo más profundo para lo cual los celos son una especie de defensa contra ello. A mi me parece que los celos están compuestos de miedo e ira. Es decir, bajo los celos, hay una emoción más primaria que puede ser experimentada directamente . Y estando dispuesto a experimentarla, puede aparecer de todo, quizá cómo fuiste tratado de niño, cómo fue tu primera relación, y eso es interesante y puede incluso ser útil. Pero si el foco está en simplemente experimentar lo que se está evitando , verás entonces que los celos, el rol de los celos, son para distraer tu atención y no sentir el miedo o el dolor, o abandono, o abismo de vacío. Y tendrás la oportunidad de realmente experimentarlo. Cuando estás dispuesto a finalmente experimentar el vacío, la nada, entonces ya eres libre. Porque todas las estrategias son alguna especie de movimiento para escapar de esa experiencia.
De alguna forma, esta invitación es para que experimentes aquello que todas las estrategias intentan que no experimentes. Lo experimentas y la verdad es que en tu experiencia directa te encuentras con una libertad sin límites. Te das cuenta de que aquello que estás buscando en el otro está presente ahí mismo, donde estás, independientemente del otro. Y ciertamente, independientemente de la actividad del otro . Entonces, de una forma natural, llega la claridad. Y, bien decidas romper con el otro, o ser claro con el otro en lo que hace referencia a establecer límites, o lo que es o no es aceptable para ti, todo ello, llega de una forma natural desde ese reconocimiento de la verdad sobre quien eres.
O sea, lo que estoy diciendo es que ese amor que estás buscando por todas partes está ya presente dentro de ti. Puede ser evocado por un cierto número de eventos, o presencias, una montaña puede evocar ese amor, un amanecer puede evocar ese amor, tu amado puede evocar ese amor, tu gurú puede evocar ese amor, pero finalmente, para darte cuenta de que tú eres ese amor tienes que estar dispuesto a ver hacia donde apunta esa evocación y eso está dentro de ti, esa es la fuente de amor . Y en este sentido, incluso las peores relaciones son grandes maestros o grandes vehículos para el verdadero maestro, el maestro dentro de ti. No estoy justificando relaciones abusivas. A veces la gente malinterpreta esto y asumen que lo que digo es que hay simplemente que aceptar cualquier cosa que tu pareja te haga. No digo nada de esto en absoluto. Lo que digo es que la claridad en la relación es responsabilidad. Y responsabilidad, el significado de esa palabra , es la habilidad de responder, no basándonos en el pasado, no basándonos en el miedo, no basándonos en el control del otro . Así, si estás dispuesto a parar, solo por un momento y no seguir a la mente que se apega a la culpa, a un resultado, al análisis, tan sólo a quedarte quieto y experimentar plenamente lo que sea que aparezca . Cuando lo experimentas totalmente, sin reprimirlo, sin dramatizarlo, verás que no es nada. Los celos, o cualquier otra emoción que pueda ser evocada tan solo se sostienen a través del pensamiento , sea ese pensamiento consciente o inconsciente , eso es lo que sostiene esa no tan primitiva emoción como celos, ansiedad, preocupación, culpa… y cuando estás dispuesto a cortar la historia y experimentar lo que hay bajo la culpa, bajo los celos, bajo la ansiedad, bajo la preocupación , entonces tienes la oportunidad de experimentar directamente emoción pura y desde ahí, tienes la oportunidad de experimentar también pura ausencia de emoción .
Sabes, en nuestra cultura en particular, a la gente le gusta experimentar las emociones de alguna manera porque hay una sensación de profundidad y un sensación de libertad. Pero a menudo, el estar dispuesto a experimentar esas emociones encubre el miedo a no experimentar ninguna emoción . Nos hemos definido como seres emocionales y quizá esta definición es un poquito más profunda que la de definirnos como seres puramente mentales, pero no nos llevará a casa. Y lo que evitas, definiéndote como un ser emocional es esa ausencia de emoción , ese vacío, esa nada. Y esta es la invitación . Y cuando estás dispuesto a experimentar eso y cuando lo has experimentado, sabes directamente que quien eres no puede ser definido por ningún estado, haya o no haya emoción . Y eso es libertad. Y entonces hay libertad para que las emociones aparezcan . No dicen nada sobre quien eres. Y hay libertad para la ausencia de emoción . Porque tampoco dice nada sobre quien eres. Entonces sabes directamente que esos estados emocionales o los estados de ausencia de emoción simplemente pasan a través tuyo . Esto es auto indagación . Esto es auto indagación directa tratando con estados emocionales . Y está a tu alcance. Si tus relaciones van bien, está a tu alcance. Si tus relaciones no van bien, está a tu alcance. Está siempre a tu alcance. "
Fonte: "Who are you?" Disco 2. Pista nº 5
Bueno, si puedes encontrarte con tu pareja de la misma forma que te encuentras contigo mismo, entonces verás el florecimiento del potencial de lo que llamamos una relación amorosa . Entonces las relaciones no son de hecho relaciones, sino uno mismo descubriéndose a uno mismo más profundamente en una forma diferente, en una manifestación diferente. Entonces, esas llamadas relaciones son vehículos para la más profunda verdad.
Normalmente las relaciones, desafortunadamente, no están basadas en descubrir la verdad. Normalmente están basadas en algún tipo de mantenimiento de la idea del “yo”, de forma que un amante puede estar con un amante porque éste le promete alguna seguridad, le promete una especie de alianza de forma que esa idea del “yo” quede protegida del resto del mundo. En otras palabras, normalmente las relaciones son bastante neuróticas. Pero el potencial, incluso para la neurosis es de descubrir, ¿quién está en relación? ¿quién ama?. Y en eso, descubres lo que es permanente mientras las manifestaciones de este amor son, de forma inherente, impermanentes. Los padres mueren, los hijos mueren, los amantes mueren. El amor no muere. El amor se encuentra consigo mismo, una y otra vez. La permanencia se encuentra consigo misma, una y otra vez.
En todas las relaciones, si uno está dispuesto a amar puramente, entonces uno está dispuesto a que haya nacimiento y muerte, porque uno está dispuesto a ser eso que ama, que es en realidad, amor. Ser amor es no ser nada en particular. Es no agarrarse a nada en particular. Por supuesto, lo que llamamos amor, es amor egoísta, es una imitación sentimental del amor. Y tiene que ver con mucho sufrimiento. Pero lo que es amor verdadero no desea deshacerse del sufrimiento, sino que abraza al sufrimiento hasta tal punto que el mismo sufrimiento se cae, postrado, reverenciando al misterio y magnificencia y la permanencia del amor, mientras todos los objetos del amor vienen y van. Este es el verdadero matrimonio. Cuando tú como corriente o río te encuentras con el océano del amor y te rindes frente a eso. Y te rindes para servir a eso. Eso es matrimonio verdadero. Y… ésa es una vida verdadera, que se vive en ese matrimonio, en ese servicio.
Me gustaría hablar un poquito más sobre las relaciones, ya que es ahí donde la mayoría de personas sienten sus apegos y su sufrimiento. Y sabes, el problema principal en las relaciones es que intentas conseguir algo de alguien , algo que ya está ya presente dentro de ti. Esto se refleja en la relación padre-hijo, donde el padre quizá espera que el hijo va finalmente a darle algo que le falta o el hijo espera que el padre le de algo que le falta. Y ese juego continua cuando nos hacemos adultos con nuestras parejas, con todas la actitudes que provocan sufrimiento como celos, miedos de abandono, ira, posesión, sufrimiento en general.
La oportunidad en la relación es, cuando esos sentimientos aparecen , una vez ha pasado la primera luna de miel del enamoramiento, cuando esos sentimientos aparecen, la oportunidad está en no focalizarnos fuera, en el otro, en la pareja, para ver como se puede arreglar, sino en mirar hacia dentro y estar dispuesto a experimentar lo que sea que quiere evitarse, de forma que si los celos son un problema, si los celos aparecen, incluso si la pareja está teniendo un rol haciendo que esos celos aparezcan , por un momento, en lugar de fijarnos en el rol que quizá la pareja está teniendo, podemos simplemente ir a nuestro interior y experimentar, totalmente, sin movernos, ese estado de celos. Bajo los celos hay algo más profundo para lo cual los celos son una especie de defensa contra ello. A mi me parece que los celos están compuestos de miedo e ira. Es decir, bajo los celos, hay una emoción más primaria que puede ser experimentada directamente . Y estando dispuesto a experimentarla, puede aparecer de todo, quizá cómo fuiste tratado de niño, cómo fue tu primera relación, y eso es interesante y puede incluso ser útil. Pero si el foco está en simplemente experimentar lo que se está evitando , verás entonces que los celos, el rol de los celos, son para distraer tu atención y no sentir el miedo o el dolor, o abandono, o abismo de vacío. Y tendrás la oportunidad de realmente experimentarlo. Cuando estás dispuesto a finalmente experimentar el vacío, la nada, entonces ya eres libre. Porque todas las estrategias son alguna especie de movimiento para escapar de esa experiencia.
De alguna forma, esta invitación es para que experimentes aquello que todas las estrategias intentan que no experimentes. Lo experimentas y la verdad es que en tu experiencia directa te encuentras con una libertad sin límites. Te das cuenta de que aquello que estás buscando en el otro está presente ahí mismo, donde estás, independientemente del otro. Y ciertamente, independientemente de la actividad del otro . Entonces, de una forma natural, llega la claridad. Y, bien decidas romper con el otro, o ser claro con el otro en lo que hace referencia a establecer límites, o lo que es o no es aceptable para ti, todo ello, llega de una forma natural desde ese reconocimiento de la verdad sobre quien eres.
O sea, lo que estoy diciendo es que ese amor que estás buscando por todas partes está ya presente dentro de ti. Puede ser evocado por un cierto número de eventos, o presencias, una montaña puede evocar ese amor, un amanecer puede evocar ese amor, tu amado puede evocar ese amor, tu gurú puede evocar ese amor, pero finalmente, para darte cuenta de que tú eres ese amor tienes que estar dispuesto a ver hacia donde apunta esa evocación y eso está dentro de ti, esa es la fuente de amor . Y en este sentido, incluso las peores relaciones son grandes maestros o grandes vehículos para el verdadero maestro, el maestro dentro de ti. No estoy justificando relaciones abusivas. A veces la gente malinterpreta esto y asumen que lo que digo es que hay simplemente que aceptar cualquier cosa que tu pareja te haga. No digo nada de esto en absoluto. Lo que digo es que la claridad en la relación es responsabilidad. Y responsabilidad, el significado de esa palabra , es la habilidad de responder, no basándonos en el pasado, no basándonos en el miedo, no basándonos en el control del otro . Así, si estás dispuesto a parar, solo por un momento y no seguir a la mente que se apega a la culpa, a un resultado, al análisis, tan sólo a quedarte quieto y experimentar plenamente lo que sea que aparezca . Cuando lo experimentas totalmente, sin reprimirlo, sin dramatizarlo, verás que no es nada. Los celos, o cualquier otra emoción que pueda ser evocada tan solo se sostienen a través del pensamiento , sea ese pensamiento consciente o inconsciente , eso es lo que sostiene esa no tan primitiva emoción como celos, ansiedad, preocupación, culpa… y cuando estás dispuesto a cortar la historia y experimentar lo que hay bajo la culpa, bajo los celos, bajo la ansiedad, bajo la preocupación , entonces tienes la oportunidad de experimentar directamente emoción pura y desde ahí, tienes la oportunidad de experimentar también pura ausencia de emoción .
Sabes, en nuestra cultura en particular, a la gente le gusta experimentar las emociones de alguna manera porque hay una sensación de profundidad y un sensación de libertad. Pero a menudo, el estar dispuesto a experimentar esas emociones encubre el miedo a no experimentar ninguna emoción . Nos hemos definido como seres emocionales y quizá esta definición es un poquito más profunda que la de definirnos como seres puramente mentales, pero no nos llevará a casa. Y lo que evitas, definiéndote como un ser emocional es esa ausencia de emoción , ese vacío, esa nada. Y esta es la invitación . Y cuando estás dispuesto a experimentar eso y cuando lo has experimentado, sabes directamente que quien eres no puede ser definido por ningún estado, haya o no haya emoción . Y eso es libertad. Y entonces hay libertad para que las emociones aparezcan . No dicen nada sobre quien eres. Y hay libertad para la ausencia de emoción . Porque tampoco dice nada sobre quien eres. Entonces sabes directamente que esos estados emocionales o los estados de ausencia de emoción simplemente pasan a través tuyo . Esto es auto indagación . Esto es auto indagación directa tratando con estados emocionales . Y está a tu alcance. Si tus relaciones van bien, está a tu alcance. Si tus relaciones no van bien, está a tu alcance. Está siempre a tu alcance. "
Fonte: "Who are you?" Disco 2. Pista nº 5
Podemos transformar um relacionamento viciado em um relacionamento verdadeiro? - (Eckhart Tolle)
"Sim, se estivermos conscientes e aumentarmos a nossa presença, concentrando a atenção cada vez mais fundo no Agora. A chave do segredo será sempre essa, não importa se você está vivendo só ou com alguém. Para o amor incondicional florescer, a luz da nossa presença tem de ser forte o bastante, de modo a impedir que o pensador ou o sofrimento do corpo nos domine. Saber que cada um de nós é o Ser por baixo do pensador, a serenidade por baixo do barulho mental, o amor e a alegria por baixo da dor, significa liberdade, salvação e iluminação. Pôr fim à identificação com o sofrimento do corpo é trazer a presença para o sofrimento e, assim, transformá-lo. Pôr fim à identificação com o pensamento é ser o observador silencioso dos próprios pensamentos e atitudes, em especial dos padrões repetitivos gerados pela mente e dos papéis desempenhados pelo ego. Se paramos de injetar “auto-suficiência” na mente, ela perde sua qualidade compulsiva, que é o impulso para julgar e, desse modo, criar uma resistência ao que é, dando origem a conflitos, tragédias e novos sofrimentos. Na verdade, no momento em que paramos de julgar, no instante em que aceitamos aquilo que é, ficamos livres da mente e abrimos espaço para o amor incondicional, para a alegria e para a paz. Em primeiro lugar, paramos de nos julgar, depois paramos de julgar o outro. O grande elemento catalisador para mudarmos um relacionamento é a completa aceitação do outro do jeito que ele é, sem querermos julgar ou modificar nada. Isso nos leva imediatamente para além do ego. Nesse momento, todos os jogos mentais e toda a dependência viciada deixam de existir. Não existe mais vítima nem agressor, acusador nem acusado. Esse é também o fim da dependência, de uma atração pelo padrão inconsciente do outro. Você, então, ou vai se afastar – com amor – ou penetrar cada vez mais fundo no Agora junto com o outro. É simples assim. O amor é um estado do Ser. Não está do lado de fora, está bem lá dentro de nós. Não temos como perdê-lo e ele não consegue nos deixar. Não depende de um outro corpo, de nenhuma forma externa. Na serenidade do estado de presença, podemos sentir a nossa própria realidade sem forma e sem tempo, que é a vida não manifesta que dá vitalidade à nossa forma física. Conseguimos, então, sentir essa mesma vida lá no fundo de outro ser humano, de cada criatura. Conseguimos enxergar além do véu opaco da forma e da desunião. Essa é a realização da unidade. Isso é amor incondicional. Só assim tem-se uma relação iluminada entre um homem e uma mulher."
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Amar não é ... - (Gaiarsa - Entrevista a Jéssica de Silva e Milly Lacombe, Revista TPM)
Há 50 anos ele nos estuda. Estuda, mais precisamente, nossas relações, nossa sexualidade, nossa dificuldade de amar e o que chama de mal da monogamia. Por suas idéias não convencionais já foi apelidado de terrorista social. José Angelo Gaiarsa não liga. Tudo o que quer aos 85 é continuar a nos investigar.
Você já gozou hoje? E, mais importante ainda, foi bom?
Não há nada de estranho, engraçado ou sujo com essas perguntas. Para o psicanalista paulista José Angelo Gaiarsa são indagações fundamentais. Seguidor das idéias do médico austríaco Wilhelm Reich (1897-1957), Gaiarsa acredita que viveríamos em um mundo mais justo e livre se fizéssemos mais amor. Ou, colocado de outra forma, se nossas relações sexuais fossem mais intensamente exploradas e menos reprimidas.
E ele diz isso bem antes dos Beatles entoarem “All We Need Is Love”. Ele diz isso, aliás, há exatos 50 anos, quando, aos 26 anos, concluiu a faculdade de medicina da USP e se deixou seduzir por Wilhelm Reich. Foi então que abandonou a formação altamente católica e começou a questionar e a investigar as relações humanas.
Agente das mudanças que gostaria de promover no mundo, teve cinco mulheres e, com duas delas, conseguiu aplicar sua teoria de amor livre. Funcionou. Mais para elas do que para ele.
Durante dez anos, de 1983 a 1993, suas idéias foram ao ar, diariamente, pela TV Bandeirantes. Eram seis minutos de papo com Gaiarsa, que respondia, ao vivo, a dúvidas de espectadores. Por sua franqueza, foi amado e odiado. Espécie de Alfred Kinsey (o biólogo e sociólogo que pesquisou tendências e práticas sexuais dos americanos na década de 40) brasileiro, autoditada quando o assunto é tudo o que tange a relações humanas e sexo, e defensor de formas mais livres de amor, já foi chamado de terrorista social.
Como tudo o que repele também intriga em igual proporção, é autor consagrado, já publicou 30 livros e passou mais de 60 mil horas em seu consultório ouvindo discursos inconformados sobre o que chama de lado podre da família. Com base nessas informações, foi reescrevendo seu código de ética e moral.
Invadimos o pequeno apartamento de Gaiarsa no fim da tarde de uma quarta-feira de setembro. Íamos atrás de seus conhecimentos no que toca o amor, a relação entre homens e mulheres, o gozo, a monogamia e a felicidade – questões que insistem em nos cutucar em doses diárias. E, sobre tudo isso, ele começou a falar no mesmo instante em que nos deixou entrar.
Ainda de pé, no meio da sala que dá vista para a Vila Madalena, bairro descolado de São Paulo, ficamos, por quase 15 minutos, sem conseguir fazer com que Gaiarsa interrompesse o raciocínio. Quando finalmente nos mudamos para o sofá, ali passamos mais três horas.
Aos 85, o psicanalista, quatro filhos, sete netos, está sozinho. Mas garante não se arrepender da vida que levou. Tudo porque, assim como Nietzsche, acreditou que a maior inimiga da verdade não é a mentira, mas a convicção. Com isso em mente, continua a nos estudar.
Depois de todos esses anos, o senhor conseguiu entender um pouco mais a mulher, e o que nos dá prazer?
Gaiarsa. Não [risos]. Olha, achar que homem e mulher têm sexos parecidos é a maior imbecilidade do planeta. “Ah, eu tenho orgasmo toda vez”, elas dizem na cara do garotão. A idéia geral de que devo ter orgasmos fica subtendida como o dele, e, como o dele é carnavalesco, ela acaba imitando o inconsciente involuntário. Pode até sentir alguma coisa boa, não é que não, mas ela está seguindo uma indicação de orgasmo que não é dela. É: “Não quero ser a inferior, posso me divertir tanto quanto ele”.
Mas para a mulher sexo ainda é mais tabu do que para o homem.
Se uma mulher segue seu destino, se desde pequena ela brinca, se aprende a se masturbar com arte, não. Não é assim: “Vou depressa para acabar”. É: “Deixe-me sentir tudo o que posso sentir”. No relatório Hite [estudo sobre a sexualidade feminina, publicado em 1976, e que causou impacto na época porque continha revelações como a que dizia que o clitóris é o ponto-chave do prazer feminino] tem relatos de mulheres que aprendem a se masturbar e tem estados orgásticos durante o tempo que quiserem, o que jamais aconteceria com o homem, a não ser que ele faça um curso de ioga tântrica na Índia de 5000 anos atrás [risos]. O homem vai e acaba. Fim. Chega uma explosão e depois brocha, fica a zero. Eles falam muito, mas a maioria dos homens dá uma e pára. E dorme [risos]. É clássico. E ela se irrita. Ela é muito mais difícil de acordar, mas se é bem acordada tem possibilidade de estados orgásmicos intermináveis.
“SEGUNDO A IOGA MILENAR, SEXO ERA UMA ARTE ELABORADÍSSIMA, EM QUE O HOMEM TENTAVA APRENDER COM A MULHER COMO É QUE ELA TINHA TANTO PRAZER”
Tecnicamente podemos sentir mais coisas do que eles?
Segundo a ioga milenar, sexo era uma arte elaboradíssima, em que o homem tentava aprender com a mulher como é que ela tinha tanto prazer. O homem tentava imitá-la. O homem pode ir treinando segurar, segurar, segurar e demorar muito tempo. Tudo isso é mais ou menos bem estabelecido, meio falado, mas muito pouco feito. Em primeiro lugar você precisa ter com quem. E admitir o que ninguém admite: “Olha, eu não sei como é, não sei nada, estou cheio de vícios e você também. Vamos tentar reaprender?”. Precisa ter alguém que tenha coragem para dizer: “Não sei nada, vamos começar do começo”.
O casamento é uma prisão?
Nem discuto isso porque para mim é a coisa mais evidente do mundo. Aliás, você jura diante de Deus, das testemunhas, que vai amar até o fim da vida. Não tem cabimento uma coisa dessas.
E isso é impossível?
Não acho impossível, mas acho impossível jurar isso. Como é que posso prometer uma coisa dessas? Tinha que ser: “Estou amando você, vamos fazer força para durar”. Agora, “Juro que vai durar a vida toda?”. É a repressão matrimonial. Ou seja, falamos da repressão sexual e agora da matrimonial, que é seguida pela repressão maternal.
“SOMOS TODOS POLICIAIS DO SISTEMA. TODOS VIGIAM TODOS PARA QUE NINGUÉM FAÇA O QUE TODOS GOSTARIAM DE FAZER. SOMOS CARCEREIROS E PRISIONEIROS”
Por trás disso existe um culpado?
Somos todos culpados. Porque você que se diz liberal está olhando para a sua amiga e se ela for meio galinha você é a primeira que dirá: “Olha aquela lá, que coisa”. Somos todos policiais do sistema. Todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer. Somos todos carcereiros e prisioneiros.
Qual a solução?
Acho que sinceridade é a única solução que existe. Desde muito cedo: “Olha, gosto muito de você, mas enquanto nossa ligação nos proíbe de qualquer movimento amoroso você é meu inimigo. Então, se você não quiser ser meu inimigo, se eu tiver uma outra chance amorosa de boa qualidade, eu concilio”. Que o amor não seja uma prisão recíproca, porque ele se transforma imediatamente em exigências implícitas.
O senhor sempre foi inquieto com essas questões? Mesmo na infância?
Olha, muito moleque eu nunca fui. Nasci em Santo André, São Paulo, e era muito tagarela, lia muito, me interessava por coisas novas, em interagir com a família, que era enorme. Minha mãe tinha 12 irmãos, seis homens e seis mulheres, todos operários da fábrica do meu pai.
O senhor teve uma educação católica, tanto em casa como na escola?
Tive, minha mãe era muito católica.
E como fez para se libertar desses detritos morais e estudar as relações humanas e o sexo sem preconceitos?
Aconteceu muito cedo. A pior coisa que o cristianismo fez para mim foi condenar a masturbação. Uma histeria completa, porque eu acabava fazendo e me arrependia. Fazia e depois dizia que nunca mais ia fazer.
“A PIOR COISA QUE O CRISTIANISMO FEZ POR MIM FOI CONDENAR A MASTURBAÇÃO”
Com quantos anos o senhor se casou pela primeira vez?
Com 27. Meu primeiro casamento durou 25 anos e me deu três filhos. O casamento não foi bom. Aliás, todos os meus casamentos duraram de metade a dois terços a mais do que deveriam ter durado, até o mais curto deles, que durou três anos. Separar é muito difícil. Mas aconteceu o fato de que eu casei e seis meses depois não tinha mais nada de cristianismo na minha cabeça. Meu interesse então se limitava a Jesus Cristo.
E a ruptura com a religião se deu por quê?
Eu já estava começando o consultório, como psicoterapeuta, conhecendo a tristeza do mundo. Até então, a família para mim era linda. Mas no consultório percebi que não era nada disso. Comecei a entrar na vida das pessoas e conhecer a realidade delas, as dificuldades, os sofrimentos, as angústias, o outro lado da família. Na mesma época meu casamento começou a encrespar.
Por quê?
Por tudo.Tinha brigas homéricas com a minha mulher, mas só na minha cabeça. Nunca brigamos de verdade. A nossa briga era inglesa, só de caras. E eu passava o tempo todo da minha folga pensando no meu casamento, no porquê de não estar dando certo. Depois de anos percebi que não estava discutindo o meu casamento, mas o casamento. Eu saía de casa de bico por causa dela, chegava ao consultório e a primeira coisa que eu ouvia do paciente era que ele não agüentava mais a mulher dele. Então comecei a perceber que o casamento é isso, e não o meu que é uma tragédia. Infelizmente, ele era normal.
Sobre o que o senhor falava em seu programa [Gaiarsa tinha um programa diário na televisão, de seis minutos, em rede nacional]?
Era muito variado. Dava aulas, explicava o Reich, respiração, mostrava obras de arte interpretadas. Freqüentemente eles me empurravam para responder telefonemas e era por isso que as pessoas mais se interessavam. Acabei me cansando porque, de cada 100 ligações, 90 eram de mulheres. Trinta me perguntavam o que elas faziam com o casamento. Sessenta queriam saber o que fazer com o filho. Todas absolutamente iguais.
Era um programa de vanguarda?
Muito. Metade das mulheres da época me amava, e metade me odiava. Lembro que depois da estréia eu cheguei em casa e tocou o telefone. Atendi e ouvi: “Gaiarsa? Você é um filho-da-puta!”. Fiquei em choque. Tocou de novo. Era uma outra voz: “Gaiarsa, você é sensacional!”. E foi assim para o resto da vida: amado e odiado.
Em alguns dos cinco casamentos o senhor conseguiu pôr em prática a liberdade de amar que prega?
Nos dois últimos, mais elas do que eu. Eu ficava triste porque às vezes gostaria de estar com ela, e ela estava com outro. Mas não sentia raiva.
Mesmo assim continuava tendo certeza dessa liberdade?
Sim, acho que sim. Prefiro isso ao sistema tradicional. Experimentei os dois. No primeiro casamento senti na pele todas as restrições da velha família.
O senhor diria que se as pessoas gozassem mais, ou melhor, viveríamos em um mundo menos violento.
Eu gosto muito da noção “paz e amor” mas desde que a humanidade é humanidade sempre teve alguém dizendo que deveríamos nos amar e nunca conseguimos. Jesus Cristo morreu para ensinar isso e ninguém é tão responsável por mais torturas e mortes do que ele.
O que impede que nos amemos?
Primeiro: as diferenças sociais. Isso gera revolta, ressentimento, depressão. A nossa trama social é envenenada. Preciso ter certeza de que você não vai me machucar, somos extremamente defensivos, desconfiados, ansiosos e medrosos. A segunda fonte de separação nas pessoas vem da sua infância. Qual é a palavra que criança mais ouve? “Não”. Quase tudo que é espontâneo e livre não pode. Esses dois fatores tornam o homem desconfiado e incapaz de amar. Está esperando a hora que o outro vai machucá-lo. Esse é o contexto que torna o amor tão difícil.
E qual é a grande solução?
O Oriente explica mais ou menos: se tudo é péssimo, fique alerta, consciente. Não entre de cabeça dizendo que agora está amando porque vai dar com a cara. Não arme, mas também não desarme. Tudo isso é o normal. No final, a gente volta tudo: por que amar é tão difícil?
Leia na Tpm # 48: Gaiarsa fala sobre monogamia, o médico austríaco Wilhelm Reich, explica o que é repressão maternal e reflete sobre o tema central desta edição: consumo
Fonte: http://revistatpm.uol.com.br/48/vermelhas/05.htm
Você já gozou hoje? E, mais importante ainda, foi bom?
Não há nada de estranho, engraçado ou sujo com essas perguntas. Para o psicanalista paulista José Angelo Gaiarsa são indagações fundamentais. Seguidor das idéias do médico austríaco Wilhelm Reich (1897-1957), Gaiarsa acredita que viveríamos em um mundo mais justo e livre se fizéssemos mais amor. Ou, colocado de outra forma, se nossas relações sexuais fossem mais intensamente exploradas e menos reprimidas.
E ele diz isso bem antes dos Beatles entoarem “All We Need Is Love”. Ele diz isso, aliás, há exatos 50 anos, quando, aos 26 anos, concluiu a faculdade de medicina da USP e se deixou seduzir por Wilhelm Reich. Foi então que abandonou a formação altamente católica e começou a questionar e a investigar as relações humanas.
Agente das mudanças que gostaria de promover no mundo, teve cinco mulheres e, com duas delas, conseguiu aplicar sua teoria de amor livre. Funcionou. Mais para elas do que para ele.
Durante dez anos, de 1983 a 1993, suas idéias foram ao ar, diariamente, pela TV Bandeirantes. Eram seis minutos de papo com Gaiarsa, que respondia, ao vivo, a dúvidas de espectadores. Por sua franqueza, foi amado e odiado. Espécie de Alfred Kinsey (o biólogo e sociólogo que pesquisou tendências e práticas sexuais dos americanos na década de 40) brasileiro, autoditada quando o assunto é tudo o que tange a relações humanas e sexo, e defensor de formas mais livres de amor, já foi chamado de terrorista social.
Como tudo o que repele também intriga em igual proporção, é autor consagrado, já publicou 30 livros e passou mais de 60 mil horas em seu consultório ouvindo discursos inconformados sobre o que chama de lado podre da família. Com base nessas informações, foi reescrevendo seu código de ética e moral.
Invadimos o pequeno apartamento de Gaiarsa no fim da tarde de uma quarta-feira de setembro. Íamos atrás de seus conhecimentos no que toca o amor, a relação entre homens e mulheres, o gozo, a monogamia e a felicidade – questões que insistem em nos cutucar em doses diárias. E, sobre tudo isso, ele começou a falar no mesmo instante em que nos deixou entrar.
Ainda de pé, no meio da sala que dá vista para a Vila Madalena, bairro descolado de São Paulo, ficamos, por quase 15 minutos, sem conseguir fazer com que Gaiarsa interrompesse o raciocínio. Quando finalmente nos mudamos para o sofá, ali passamos mais três horas.
Aos 85, o psicanalista, quatro filhos, sete netos, está sozinho. Mas garante não se arrepender da vida que levou. Tudo porque, assim como Nietzsche, acreditou que a maior inimiga da verdade não é a mentira, mas a convicção. Com isso em mente, continua a nos estudar.
Depois de todos esses anos, o senhor conseguiu entender um pouco mais a mulher, e o que nos dá prazer?
Gaiarsa. Não [risos]. Olha, achar que homem e mulher têm sexos parecidos é a maior imbecilidade do planeta. “Ah, eu tenho orgasmo toda vez”, elas dizem na cara do garotão. A idéia geral de que devo ter orgasmos fica subtendida como o dele, e, como o dele é carnavalesco, ela acaba imitando o inconsciente involuntário. Pode até sentir alguma coisa boa, não é que não, mas ela está seguindo uma indicação de orgasmo que não é dela. É: “Não quero ser a inferior, posso me divertir tanto quanto ele”.
Mas para a mulher sexo ainda é mais tabu do que para o homem.
Se uma mulher segue seu destino, se desde pequena ela brinca, se aprende a se masturbar com arte, não. Não é assim: “Vou depressa para acabar”. É: “Deixe-me sentir tudo o que posso sentir”. No relatório Hite [estudo sobre a sexualidade feminina, publicado em 1976, e que causou impacto na época porque continha revelações como a que dizia que o clitóris é o ponto-chave do prazer feminino] tem relatos de mulheres que aprendem a se masturbar e tem estados orgásticos durante o tempo que quiserem, o que jamais aconteceria com o homem, a não ser que ele faça um curso de ioga tântrica na Índia de 5000 anos atrás [risos]. O homem vai e acaba. Fim. Chega uma explosão e depois brocha, fica a zero. Eles falam muito, mas a maioria dos homens dá uma e pára. E dorme [risos]. É clássico. E ela se irrita. Ela é muito mais difícil de acordar, mas se é bem acordada tem possibilidade de estados orgásmicos intermináveis.
“SEGUNDO A IOGA MILENAR, SEXO ERA UMA ARTE ELABORADÍSSIMA, EM QUE O HOMEM TENTAVA APRENDER COM A MULHER COMO É QUE ELA TINHA TANTO PRAZER”
Tecnicamente podemos sentir mais coisas do que eles?
Segundo a ioga milenar, sexo era uma arte elaboradíssima, em que o homem tentava aprender com a mulher como é que ela tinha tanto prazer. O homem tentava imitá-la. O homem pode ir treinando segurar, segurar, segurar e demorar muito tempo. Tudo isso é mais ou menos bem estabelecido, meio falado, mas muito pouco feito. Em primeiro lugar você precisa ter com quem. E admitir o que ninguém admite: “Olha, eu não sei como é, não sei nada, estou cheio de vícios e você também. Vamos tentar reaprender?”. Precisa ter alguém que tenha coragem para dizer: “Não sei nada, vamos começar do começo”.
O casamento é uma prisão?
Nem discuto isso porque para mim é a coisa mais evidente do mundo. Aliás, você jura diante de Deus, das testemunhas, que vai amar até o fim da vida. Não tem cabimento uma coisa dessas.
E isso é impossível?
Não acho impossível, mas acho impossível jurar isso. Como é que posso prometer uma coisa dessas? Tinha que ser: “Estou amando você, vamos fazer força para durar”. Agora, “Juro que vai durar a vida toda?”. É a repressão matrimonial. Ou seja, falamos da repressão sexual e agora da matrimonial, que é seguida pela repressão maternal.
“SOMOS TODOS POLICIAIS DO SISTEMA. TODOS VIGIAM TODOS PARA QUE NINGUÉM FAÇA O QUE TODOS GOSTARIAM DE FAZER. SOMOS CARCEREIROS E PRISIONEIROS”
Por trás disso existe um culpado?
Somos todos culpados. Porque você que se diz liberal está olhando para a sua amiga e se ela for meio galinha você é a primeira que dirá: “Olha aquela lá, que coisa”. Somos todos policiais do sistema. Todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer. Somos todos carcereiros e prisioneiros.
Qual a solução?
Acho que sinceridade é a única solução que existe. Desde muito cedo: “Olha, gosto muito de você, mas enquanto nossa ligação nos proíbe de qualquer movimento amoroso você é meu inimigo. Então, se você não quiser ser meu inimigo, se eu tiver uma outra chance amorosa de boa qualidade, eu concilio”. Que o amor não seja uma prisão recíproca, porque ele se transforma imediatamente em exigências implícitas.
O senhor sempre foi inquieto com essas questões? Mesmo na infância?
Olha, muito moleque eu nunca fui. Nasci em Santo André, São Paulo, e era muito tagarela, lia muito, me interessava por coisas novas, em interagir com a família, que era enorme. Minha mãe tinha 12 irmãos, seis homens e seis mulheres, todos operários da fábrica do meu pai.
O senhor teve uma educação católica, tanto em casa como na escola?
Tive, minha mãe era muito católica.
E como fez para se libertar desses detritos morais e estudar as relações humanas e o sexo sem preconceitos?
Aconteceu muito cedo. A pior coisa que o cristianismo fez para mim foi condenar a masturbação. Uma histeria completa, porque eu acabava fazendo e me arrependia. Fazia e depois dizia que nunca mais ia fazer.
“A PIOR COISA QUE O CRISTIANISMO FEZ POR MIM FOI CONDENAR A MASTURBAÇÃO”
Com quantos anos o senhor se casou pela primeira vez?
Com 27. Meu primeiro casamento durou 25 anos e me deu três filhos. O casamento não foi bom. Aliás, todos os meus casamentos duraram de metade a dois terços a mais do que deveriam ter durado, até o mais curto deles, que durou três anos. Separar é muito difícil. Mas aconteceu o fato de que eu casei e seis meses depois não tinha mais nada de cristianismo na minha cabeça. Meu interesse então se limitava a Jesus Cristo.
E a ruptura com a religião se deu por quê?
Eu já estava começando o consultório, como psicoterapeuta, conhecendo a tristeza do mundo. Até então, a família para mim era linda. Mas no consultório percebi que não era nada disso. Comecei a entrar na vida das pessoas e conhecer a realidade delas, as dificuldades, os sofrimentos, as angústias, o outro lado da família. Na mesma época meu casamento começou a encrespar.
Por quê?
Por tudo.Tinha brigas homéricas com a minha mulher, mas só na minha cabeça. Nunca brigamos de verdade. A nossa briga era inglesa, só de caras. E eu passava o tempo todo da minha folga pensando no meu casamento, no porquê de não estar dando certo. Depois de anos percebi que não estava discutindo o meu casamento, mas o casamento. Eu saía de casa de bico por causa dela, chegava ao consultório e a primeira coisa que eu ouvia do paciente era que ele não agüentava mais a mulher dele. Então comecei a perceber que o casamento é isso, e não o meu que é uma tragédia. Infelizmente, ele era normal.
Sobre o que o senhor falava em seu programa [Gaiarsa tinha um programa diário na televisão, de seis minutos, em rede nacional]?
Era muito variado. Dava aulas, explicava o Reich, respiração, mostrava obras de arte interpretadas. Freqüentemente eles me empurravam para responder telefonemas e era por isso que as pessoas mais se interessavam. Acabei me cansando porque, de cada 100 ligações, 90 eram de mulheres. Trinta me perguntavam o que elas faziam com o casamento. Sessenta queriam saber o que fazer com o filho. Todas absolutamente iguais.
Era um programa de vanguarda?
Muito. Metade das mulheres da época me amava, e metade me odiava. Lembro que depois da estréia eu cheguei em casa e tocou o telefone. Atendi e ouvi: “Gaiarsa? Você é um filho-da-puta!”. Fiquei em choque. Tocou de novo. Era uma outra voz: “Gaiarsa, você é sensacional!”. E foi assim para o resto da vida: amado e odiado.
Em alguns dos cinco casamentos o senhor conseguiu pôr em prática a liberdade de amar que prega?
Nos dois últimos, mais elas do que eu. Eu ficava triste porque às vezes gostaria de estar com ela, e ela estava com outro. Mas não sentia raiva.
Mesmo assim continuava tendo certeza dessa liberdade?
Sim, acho que sim. Prefiro isso ao sistema tradicional. Experimentei os dois. No primeiro casamento senti na pele todas as restrições da velha família.
O senhor diria que se as pessoas gozassem mais, ou melhor, viveríamos em um mundo menos violento.
Eu gosto muito da noção “paz e amor” mas desde que a humanidade é humanidade sempre teve alguém dizendo que deveríamos nos amar e nunca conseguimos. Jesus Cristo morreu para ensinar isso e ninguém é tão responsável por mais torturas e mortes do que ele.
O que impede que nos amemos?
Primeiro: as diferenças sociais. Isso gera revolta, ressentimento, depressão. A nossa trama social é envenenada. Preciso ter certeza de que você não vai me machucar, somos extremamente defensivos, desconfiados, ansiosos e medrosos. A segunda fonte de separação nas pessoas vem da sua infância. Qual é a palavra que criança mais ouve? “Não”. Quase tudo que é espontâneo e livre não pode. Esses dois fatores tornam o homem desconfiado e incapaz de amar. Está esperando a hora que o outro vai machucá-lo. Esse é o contexto que torna o amor tão difícil.
E qual é a grande solução?
O Oriente explica mais ou menos: se tudo é péssimo, fique alerta, consciente. Não entre de cabeça dizendo que agora está amando porque vai dar com a cara. Não arme, mas também não desarme. Tudo isso é o normal. No final, a gente volta tudo: por que amar é tão difícil?
Leia na Tpm # 48: Gaiarsa fala sobre monogamia, o médico austríaco Wilhelm Reich, explica o que é repressão maternal e reflete sobre o tema central desta edição: consumo
Fonte: http://revistatpm.uol.com.br/48/vermelhas/05.htm
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Os 10 mandamentos - (Osho)
"Em 1970 perguntaram a Osho pelos seus 10 mandamentos.
Esta foi sua resposta:
Você pergunta pelos meus dez mandamentos. Isso é muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento. Todavia, só pela brincadeira, eu estabeleço o que se segue:
1. Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.
2. O único Deus é a própria vida.
3. A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor é a oração.
5. O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.
6. A vida é aqui e agora.
7. Viva completamente acordado.
8. Não nade, flutue.
9. Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.
10. Pare de buscar. O que é, é: pare e veja."
Autor: Osho
Fonte: A Cup of Tea, 123
Esta foi sua resposta:
Você pergunta pelos meus dez mandamentos. Isso é muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento. Todavia, só pela brincadeira, eu estabeleço o que se segue:
1. Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.
2. O único Deus é a própria vida.
3. A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor é a oração.
5. O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.
6. A vida é aqui e agora.
7. Viva completamente acordado.
8. Não nade, flutue.
9. Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.
10. Pare de buscar. O que é, é: pare e veja."
Autor: Osho
Fonte: A Cup of Tea, 123
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
“A paz de Deus excede toda a inteligência” - (Eckhart Tolle)
"Existem muitos relatos de pessoas que vivenciaram essa nova dimensão emergente da consciência como resultado de uma perda trágica em determinado momento de sua vida.
Há quem tenha perdido todos os bens, os filhos ou o cônjuge, a posição social, a reputação ou a capacidades físicas. Em certos casos, em decorrência de desastres ou guerras, tudo isso se foi ao mesmo tempo e esses indivíduos se viram com “nada”. Podemos chamar um quadro como esse de situação-limite. Não importa com que elementos essas pessoas estavam identificadas, o que lhes dava a percepção do ser, isso se acabou. Então, de repente e inexplicavelmente, a angústia e o medo intenso que elas sentiam desapareceram, dando lugar ia sensação sagrada da presença, uma paz e uma serenidade profunda e uma completa libertação do medo.
Esse fenômeno deve ter sido familiar a São Paulo, que usou a expressão “a paz de Deus excede toda a inteligência”. Na verdade, é uma paz que não parece fazer sentido, e quem já passou por essa experiência se pergunta: diante disso, como é possível que eu sinta tanta paz?
Depois que compreendemos o que é o ego e como ele funciona, a resposta é simples. Quando as formas com as quais nos identificamos, que nos dão a presença do eu desmoronam ou são removidas, o ego entra em colapso, uma vez que ele é a identificação com a forma. No momento em que não há mais nada com que possamos nos identificar, quem somos nós? Assim que as formas ao nosso redor morrem ou quando a morte se aproxima, nossa percepção da Existência, do “eu sou”, fica livre das ligações com a forma: o espírito é liberado da sua prisão na matéria.
Passamos a compreender nossa identidade essencial como informe, como uma presença onipresente do Ser antes de todas as formas, de todas as identificações. Entendemos nossa verdadeira identidade como a consciência propriamente dita em vez de algo ao qual a consciência se vinculara. Essa é a paz de Deus. A verdade suprema de quem nós somos não é “eu sou isso ou eu sou aquilo”, mas “eu sou”.
Nem todo mundo que vivencia uma grande perda passa por esse despertar, isto é, pelo processo de se desassociar da forma. Algumas pessoas criam de imediato uma forte imagem mental ou uma forma de pensamento em que se vêem como vitimas – das circunstâncias, de alguém, de um destino injusto ou de Deus. Assim, vinculam-se com intensidade a essa forma de pensamento e às emoções que ela origina, como raiva, ressentimento e auto-piedade, que assumem de modo instantâneo o lugar de todas as outras identificações que entraram em colapso por causa da perda.
Em outras palavras, o ego logo encontra uma nova forma. E o fato de que ela seja algo profundamente infeliz não o preocupa muito, desde que ele tenha uma nova identidade, boa ou má. Na verdade, esse novo ego será mais retraído, mais rígido e impenetrável do que o antigo.
Quando a perda trágica ocorre, nós ou resistimos a ela ou nos resignamos. Há pessoas que se tornam amargas ou muito ressentidas, enquanto outras se mostram mais solitárias, sábias e afetuosas. A resignação significa a aceitação interior do que aconteceu. Ficamos abertos à vida. A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados. Seja qual for a ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ela criará mais resistência externa, e o universo não estará do nosso lado. A vida não nos beneficiará. Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar.
Quando nos submetemos internamente, ou seja, no momento em que nos entregamos, uma nova dimensão da consciência se abre. Caso uma ação seja possível ou necessária, essa atitude será alinhada com o todo e apoiada pela inteligência criativa, a consciência incondicional com a qual nos unificamos num estado de receptividade interior. As circunstâncias e as pessoas então se tornam favoráveis, cooperativas. Coincidências acontecem. Se nenhuma ação for possível, repousaremos na paz e no silêncio interior que acompanham a resignação. Descansaremos em DEUS."
Fonte: livro O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA, de autoria de Eckhart Tolle.
Há quem tenha perdido todos os bens, os filhos ou o cônjuge, a posição social, a reputação ou a capacidades físicas. Em certos casos, em decorrência de desastres ou guerras, tudo isso se foi ao mesmo tempo e esses indivíduos se viram com “nada”. Podemos chamar um quadro como esse de situação-limite. Não importa com que elementos essas pessoas estavam identificadas, o que lhes dava a percepção do ser, isso se acabou. Então, de repente e inexplicavelmente, a angústia e o medo intenso que elas sentiam desapareceram, dando lugar ia sensação sagrada da presença, uma paz e uma serenidade profunda e uma completa libertação do medo.
Esse fenômeno deve ter sido familiar a São Paulo, que usou a expressão “a paz de Deus excede toda a inteligência”. Na verdade, é uma paz que não parece fazer sentido, e quem já passou por essa experiência se pergunta: diante disso, como é possível que eu sinta tanta paz?
Depois que compreendemos o que é o ego e como ele funciona, a resposta é simples. Quando as formas com as quais nos identificamos, que nos dão a presença do eu desmoronam ou são removidas, o ego entra em colapso, uma vez que ele é a identificação com a forma. No momento em que não há mais nada com que possamos nos identificar, quem somos nós? Assim que as formas ao nosso redor morrem ou quando a morte se aproxima, nossa percepção da Existência, do “eu sou”, fica livre das ligações com a forma: o espírito é liberado da sua prisão na matéria.
Passamos a compreender nossa identidade essencial como informe, como uma presença onipresente do Ser antes de todas as formas, de todas as identificações. Entendemos nossa verdadeira identidade como a consciência propriamente dita em vez de algo ao qual a consciência se vinculara. Essa é a paz de Deus. A verdade suprema de quem nós somos não é “eu sou isso ou eu sou aquilo”, mas “eu sou”.
Nem todo mundo que vivencia uma grande perda passa por esse despertar, isto é, pelo processo de se desassociar da forma. Algumas pessoas criam de imediato uma forte imagem mental ou uma forma de pensamento em que se vêem como vitimas – das circunstâncias, de alguém, de um destino injusto ou de Deus. Assim, vinculam-se com intensidade a essa forma de pensamento e às emoções que ela origina, como raiva, ressentimento e auto-piedade, que assumem de modo instantâneo o lugar de todas as outras identificações que entraram em colapso por causa da perda.
Em outras palavras, o ego logo encontra uma nova forma. E o fato de que ela seja algo profundamente infeliz não o preocupa muito, desde que ele tenha uma nova identidade, boa ou má. Na verdade, esse novo ego será mais retraído, mais rígido e impenetrável do que o antigo.
Quando a perda trágica ocorre, nós ou resistimos a ela ou nos resignamos. Há pessoas que se tornam amargas ou muito ressentidas, enquanto outras se mostram mais solitárias, sábias e afetuosas. A resignação significa a aceitação interior do que aconteceu. Ficamos abertos à vida. A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados. Seja qual for a ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ela criará mais resistência externa, e o universo não estará do nosso lado. A vida não nos beneficiará. Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar.
Quando nos submetemos internamente, ou seja, no momento em que nos entregamos, uma nova dimensão da consciência se abre. Caso uma ação seja possível ou necessária, essa atitude será alinhada com o todo e apoiada pela inteligência criativa, a consciência incondicional com a qual nos unificamos num estado de receptividade interior. As circunstâncias e as pessoas então se tornam favoráveis, cooperativas. Coincidências acontecem. Se nenhuma ação for possível, repousaremos na paz e no silêncio interior que acompanham a resignação. Descansaremos em DEUS."
Fonte: livro O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA, de autoria de Eckhart Tolle.
Amor - (José Ângelo Gaiarsa)
O Amor
"Fala-se dele ha dois milênios e Jesus Cristo morreu por que disse isso. Nossa Sociedade organizada em “pirâmide” – torna a todos inimigos de todos (competidores). Talvez por isso estejamos caminhando para um amargo fim – espécie inviável…O pior inimigo do amor é a esperança-exigência de que ele dure para sempre – de que ele seja “garantido” (casamento). Mas o amor é uma troca profunda demais para durar. O fundamento destas afirmações é neuro-fisiologico.
O amor é a própria lucidez
Ao contrário do que dizem seus inimigos mortais, o amor, longe de ser cego ou cegar as pessoas, é a própria lucidez e o guia a nos mostrar com clareza o mais vivo de nós dois.
O amor - é só ele - nos tira do comum
Só durante o estado amoroso estamos acontecendo.
Fora dele, vegetamos e nos confundimos com todas as rotinas da vida e os papéis estereotipados dos que nos cercam - e que, em resposta, encenamos.
O amor - é só ele - nos tira do comum, do cotidiano, do sistema, da alienação.
Por isso dissemos: o amor individualiza a pessoa e o momento - lembra-se? Só quando estamos amando existimos, você não acha?
O amor nos distancia de qualquer rotina
O amor nos distancia completamente de qualquer rotina, repetição, tédio, enjôo… Ele nos põe distantes de tudo o que conhecemos e de quanto estamos fazendo na vida - fora dos momentos amorosos.
Doença é falta de amor
Doença é falta de amor ou presença de maus sentimentos - de abandono, rancor, desespero, medo, preocupação, azedume, mágoa; é também a convicção de não ser ninguém, de não ter vivido, de não estar vivendo mas apenas vegetando, repetindo, repetindo, repetindo sempre tudo, no trabalho, na família até no lazer."
"Fala-se dele ha dois milênios e Jesus Cristo morreu por que disse isso. Nossa Sociedade organizada em “pirâmide” – torna a todos inimigos de todos (competidores). Talvez por isso estejamos caminhando para um amargo fim – espécie inviável…O pior inimigo do amor é a esperança-exigência de que ele dure para sempre – de que ele seja “garantido” (casamento). Mas o amor é uma troca profunda demais para durar. O fundamento destas afirmações é neuro-fisiologico.
O amor é a própria lucidez
Ao contrário do que dizem seus inimigos mortais, o amor, longe de ser cego ou cegar as pessoas, é a própria lucidez e o guia a nos mostrar com clareza o mais vivo de nós dois.
O amor - é só ele - nos tira do comum
Só durante o estado amoroso estamos acontecendo.
Fora dele, vegetamos e nos confundimos com todas as rotinas da vida e os papéis estereotipados dos que nos cercam - e que, em resposta, encenamos.
O amor - é só ele - nos tira do comum, do cotidiano, do sistema, da alienação.
Por isso dissemos: o amor individualiza a pessoa e o momento - lembra-se? Só quando estamos amando existimos, você não acha?
O amor nos distancia de qualquer rotina
O amor nos distancia completamente de qualquer rotina, repetição, tédio, enjôo… Ele nos põe distantes de tudo o que conhecemos e de quanto estamos fazendo na vida - fora dos momentos amorosos.
Doença é falta de amor
Doença é falta de amor ou presença de maus sentimentos - de abandono, rancor, desespero, medo, preocupação, azedume, mágoa; é também a convicção de não ser ninguém, de não ter vivido, de não estar vivendo mas apenas vegetando, repetindo, repetindo, repetindo sempre tudo, no trabalho, na família até no lazer."
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Depressão - (Monja Coen)
"Sem vontade de fazer nada. Sem vontade de levantar. Para quê? Fazer comida? Limpar a casa? Procurar trabalho? Amanhã. Hoje não. Dá para ver um pouco de televisão. Dá para chorar e rir. Chorar é mais fácil.
Lê o jornal e "Que mundo horrível!". Não dá vontade de fazer nada. Um amigo convida para o cinema. "Hoje não, tenho compromissos." Compromisso com a cama, com o sofá, com o suco, a comida que pede por telefone.
Só em questão de absoluta emergência tem de se vestir para ir ao banco. Toma banho, "Ah! Que delícia!".
As roupas ficaram apertadas. E agora? Veste com o zíper aberto, um casaco por cima. Uh! Para o sacrifício da rua, das pessoas, do mundo sujo e torpe, sem esperança, sem motivação, sem nada.
Como se fosse branco-e-preto o colorido do céu azul, a nuvem branca, a parede vermelha, a roupa verde, o sol dourado, a criança correndo, a senhora de bengala, o executivo apressado no celular sem parar.
Caixa de banco olha para a fila e suspira. Chegou mais um. Ninguém me ajuda. Disseram que o caixa eletrônico resolveria. Devagar vai atendendo - afinal, tem tanto tempo e precisa não errar.
Na fila já se irrita. Demora demais, que horror. Pensa que eu tenho todo o dia? Cara fechada, ranzinza. Briga com um e com outro e se autoconfirma: "O mundo não presta, as pessoas são más".
Volta para casa com sacolas de compras, de roupas, comidas, revistas, livros, CDs e DVDs.
De novo se enfurna na internet. Joga paciência, procura amor virtual ouvindo música alto, cantando, para afastar o pranto. Conta piada no telefone, reclama das contas, das pessoas, do desemprego, das dificuldades. Retorna para a TV, para o DVD, para a cama - ninho precioso, local abençoado, livre de tudo e de todos.
Encolhe-se de lado e dorme. Sonha com anjos e lobisomem. Campos de flor- e trovadores. Campos arados e queimados. Bombas, pavores, amores, tremores. Vira do outro lado e sonha.
Se um dia sonhasse que acordava. O que perceberia?
Depressão é passageira. Mesmo que esteja na direção, no controle central. Vem e vai. Não se apegue. Não a segure. Deixe-a partir. Ela sai de leve se você pára de reclamar. Se olhar para fora de sua gaiola. A porta está aberta, a grade é de vento.
Será que Buda saberia ajudar a acabar com a depressão? A pessoa até quer sair dessa trama, mas não consegue. Está amarrada, presa, enroscada. É infeliz, sofre demais, doença danada.
O que é saúde? Cinco frutas por dia, dizia um senhor ao meu lado. Apenas a garça voando baixinho de volta ao ninho.
De repente, abre a janela, respira fundo, parece que ela se foi.
Arruma o quarto, guarda as roupas, leva outras para a lavanderia, toma banho, se veste, lê o jornal, toma café, sai para levar o pobre do cão a passear. Cumprimenta as pessoas, sorri.
Aquece-se com o sol. Árvore frondosa abraça e se firma. Vai fazer cursos, procura emprego, namora e se entrega à vida sem medo.
A depressão se foi.
Tudo é possível, mas fica uma sombra: E se ela voltar?
Não adianta fechar as janelas, pôr tranca nas portas, se esconder em algum altar. Ela pode voltar.
Então a receba, com dignidade. Conhecida deprê, venha me ver. Estou preparada para recebê-la. Conheço sua manha, suas trapaças. Conheço bem os seus disfarces. Já não me controla, já não me derruba, apenas me deixa com mais algumas rugas."
Autor: Monja Coen
Fonte: Livro - Sempre Zen
Lê o jornal e "Que mundo horrível!". Não dá vontade de fazer nada. Um amigo convida para o cinema. "Hoje não, tenho compromissos." Compromisso com a cama, com o sofá, com o suco, a comida que pede por telefone.
Só em questão de absoluta emergência tem de se vestir para ir ao banco. Toma banho, "Ah! Que delícia!".
As roupas ficaram apertadas. E agora? Veste com o zíper aberto, um casaco por cima. Uh! Para o sacrifício da rua, das pessoas, do mundo sujo e torpe, sem esperança, sem motivação, sem nada.
Como se fosse branco-e-preto o colorido do céu azul, a nuvem branca, a parede vermelha, a roupa verde, o sol dourado, a criança correndo, a senhora de bengala, o executivo apressado no celular sem parar.
Caixa de banco olha para a fila e suspira. Chegou mais um. Ninguém me ajuda. Disseram que o caixa eletrônico resolveria. Devagar vai atendendo - afinal, tem tanto tempo e precisa não errar.
Na fila já se irrita. Demora demais, que horror. Pensa que eu tenho todo o dia? Cara fechada, ranzinza. Briga com um e com outro e se autoconfirma: "O mundo não presta, as pessoas são más".
Volta para casa com sacolas de compras, de roupas, comidas, revistas, livros, CDs e DVDs.
De novo se enfurna na internet. Joga paciência, procura amor virtual ouvindo música alto, cantando, para afastar o pranto. Conta piada no telefone, reclama das contas, das pessoas, do desemprego, das dificuldades. Retorna para a TV, para o DVD, para a cama - ninho precioso, local abençoado, livre de tudo e de todos.
Encolhe-se de lado e dorme. Sonha com anjos e lobisomem. Campos de flor- e trovadores. Campos arados e queimados. Bombas, pavores, amores, tremores. Vira do outro lado e sonha.
Se um dia sonhasse que acordava. O que perceberia?
Depressão é passageira. Mesmo que esteja na direção, no controle central. Vem e vai. Não se apegue. Não a segure. Deixe-a partir. Ela sai de leve se você pára de reclamar. Se olhar para fora de sua gaiola. A porta está aberta, a grade é de vento.
Será que Buda saberia ajudar a acabar com a depressão? A pessoa até quer sair dessa trama, mas não consegue. Está amarrada, presa, enroscada. É infeliz, sofre demais, doença danada.
O que é saúde? Cinco frutas por dia, dizia um senhor ao meu lado. Apenas a garça voando baixinho de volta ao ninho.
De repente, abre a janela, respira fundo, parece que ela se foi.
Arruma o quarto, guarda as roupas, leva outras para a lavanderia, toma banho, se veste, lê o jornal, toma café, sai para levar o pobre do cão a passear. Cumprimenta as pessoas, sorri.
Aquece-se com o sol. Árvore frondosa abraça e se firma. Vai fazer cursos, procura emprego, namora e se entrega à vida sem medo.
A depressão se foi.
Tudo é possível, mas fica uma sombra: E se ela voltar?
Não adianta fechar as janelas, pôr tranca nas portas, se esconder em algum altar. Ela pode voltar.
Então a receba, com dignidade. Conhecida deprê, venha me ver. Estou preparada para recebê-la. Conheço sua manha, suas trapaças. Conheço bem os seus disfarces. Já não me controla, já não me derruba, apenas me deixa com mais algumas rugas."
Autor: Monja Coen
Fonte: Livro - Sempre Zen
domingo, 23 de janeiro de 2011
Criatividade - (Osho)
"A criatividade significa simplesmente que você está em estado de relaxamento total. Não significa inação, mas sim relaxamento - porque, com o relaxamento, ocorre muita ação. Mas isso não é obra sua - você é apenas um veículo. Uma melodia começa a ecoar por seu intermédio - você não é o criador dela, ela vem do além.
Ela sempre vem do além. Quando você a cria, sua criação não vai além do ordinário, mundano. Quando ela vem por seu intermédio ela tem beleza sublime, traz em si algo de desconhecido.
Quando o grande poeta Coleridge morreu, ele deixou milhares de poemas inacabados. Frequentemente perguntavam a ele: "Por que você não termina esses poemas?" Pois a alguns faltavam apenas algumas linhas para serem terminados. "Por que você não os termina de compor?"
Ele respondia: "Não posso. Eu tento, mas quando termino de compor, parece faltar algo, alguma coisa parece estar errada. Minha linha nunca se harmoniza com a que flui por meu intermédio. Ela se torna um tropeço, uma rocha, e impede-lhe a fluidez. Assim, tenho que aguardar. Quem quer que tem fluído por intermédio de mim, quando ele começar a fluir outra vez e completar o poema, ele estará terminado; antes disso não."
Ele terminou apenas uns poucos poemas. Mas eles são de sublime beleza, de grande esplendor místico. Sempre foi assim: o poeta desaparece, a criatividade aparece. Nessa ocasião, ele é possuído. Sim, essa é a palavra, ele é possuído. Criatividade é ser possuído por Deus.
Simone de Beauvoir disse: "A vida se ocupa com a própria perpetuação e a superação de si mesma; se tudo que ela faz é manter a si mesma, então viver é apenas não morrer." E o homem que não é criativo está apenas não morrendo, só isso. Sua vida não tem profundidade. Sua vida ainda não é vida, mas apenas um prefácio; seu livro da vida ainda não começou a ser escrito. Ele nasceu, é verdade, mas ainda não está vivo.
Quando você se torna criativo, quando permite que a criatividade flua por intermédio de você - quando você começa a cantar uma canção que não é sua, que não pode assinalar nem dizer: "Ela á criação minha"; sobre a qual você não pode por sua assinatura - então a vida cria asas e desfere voos.
Na criatividade está a superação; de outro modo, nós podemos continuar, no máximo, a nos perpetuarmos tal como somos. Você cria uma criança - isso não é criatividade. Você morre e a criança fica para perpetuar a vida, mas perpetuar-se não basta, a menos que você comece a superar a si mesmo. E assa superação só ocorre quando algo do além entra em contato com você.
Esse é o ponto de transcendência - superação. E, na superação, o milagre ocorre; você não existe, contudo, pela primeira vez, você existe."
Autor: Osho
Fonte: Livro - Criatividade - Liberando Sua Força Interior
Ela sempre vem do além. Quando você a cria, sua criação não vai além do ordinário, mundano. Quando ela vem por seu intermédio ela tem beleza sublime, traz em si algo de desconhecido.
Quando o grande poeta Coleridge morreu, ele deixou milhares de poemas inacabados. Frequentemente perguntavam a ele: "Por que você não termina esses poemas?" Pois a alguns faltavam apenas algumas linhas para serem terminados. "Por que você não os termina de compor?"
Ele respondia: "Não posso. Eu tento, mas quando termino de compor, parece faltar algo, alguma coisa parece estar errada. Minha linha nunca se harmoniza com a que flui por meu intermédio. Ela se torna um tropeço, uma rocha, e impede-lhe a fluidez. Assim, tenho que aguardar. Quem quer que tem fluído por intermédio de mim, quando ele começar a fluir outra vez e completar o poema, ele estará terminado; antes disso não."
Ele terminou apenas uns poucos poemas. Mas eles são de sublime beleza, de grande esplendor místico. Sempre foi assim: o poeta desaparece, a criatividade aparece. Nessa ocasião, ele é possuído. Sim, essa é a palavra, ele é possuído. Criatividade é ser possuído por Deus.
Simone de Beauvoir disse: "A vida se ocupa com a própria perpetuação e a superação de si mesma; se tudo que ela faz é manter a si mesma, então viver é apenas não morrer." E o homem que não é criativo está apenas não morrendo, só isso. Sua vida não tem profundidade. Sua vida ainda não é vida, mas apenas um prefácio; seu livro da vida ainda não começou a ser escrito. Ele nasceu, é verdade, mas ainda não está vivo.
Quando você se torna criativo, quando permite que a criatividade flua por intermédio de você - quando você começa a cantar uma canção que não é sua, que não pode assinalar nem dizer: "Ela á criação minha"; sobre a qual você não pode por sua assinatura - então a vida cria asas e desfere voos.
Na criatividade está a superação; de outro modo, nós podemos continuar, no máximo, a nos perpetuarmos tal como somos. Você cria uma criança - isso não é criatividade. Você morre e a criança fica para perpetuar a vida, mas perpetuar-se não basta, a menos que você comece a superar a si mesmo. E assa superação só ocorre quando algo do além entra em contato com você.
Esse é o ponto de transcendência - superação. E, na superação, o milagre ocorre; você não existe, contudo, pela primeira vez, você existe."
Autor: Osho
Fonte: Livro - Criatividade - Liberando Sua Força Interior
sábado, 15 de janeiro de 2011
Tonglen - Remando contra a maré - (Pema Chödrön)
"A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos quanto pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade.
Para sentir compaixão por outras pessoas, precisamos sentir compaixão por nós mesmos. Precisamos nos preocupar, principalmente, com as pessoas que sentem medo, raiva, inveja, que são dominadas por todo tipo de vício, que são arrogantes, orgulhosas, mesquinhas, egoístas, más — você pode escolher. Ter compaixão e carinho por elas significa não fugir da dor de encontrar essas características em si mesmo. De fato, toda a nossa atitude diante da dor pode mudar. Em vez de rechaçá-la e de nos escondermos dela, é possível abrir nosso coração e nos permitirmos sentir essa dor, senti-la como algo que nos abranda, purifica e nos torna muito mais amorosos e bondosos.
A prática de tonglen é um método para nos conectarmos com o sofrimento — nosso próprio sofrimento e o que nos rodeia onde quer que possamos ir. É um método que nos leva a superar nosso medo da dor e a dissolver a dureza de nosso coração. Acima de tudo, faz despertar a compaixão que é inerente a todos nós, não importa quanto possamos parecer cruéis ou frios.
Iniciamos essa prática recebendo em nós mesmos a dor de alguém que sabemos estar em sofrimento e desejamos ajudar. Se sabemos que uma criança está sofrendo, por exemplo, inspiramos essa dor, desejando que ela se liberte totalmente do pesar e do medo. Quando expiramos, enviamos felicidade, alegria, ou o que lhe traga alívio. Esta é a essência da prática: inspiramos a dor do outro, para que ele possa sentir-se bem e ter mais espaço para relaxar e abrir, e expiramos, transmitindo relaxamento ou aquilo que sentimos que pode trazer alívio e felicidade.
Freqüentemente, entretanto, não conseguimos realizar essa prática porque nos vemos frente a frente com nosso próprio medo, nossa resistência, raiva ou qualquer outro sofrimento pessoal que esteja presente.
Nesse momento, podemos mudar o foco e começar a praticar tonglen por aquilo que estamos sentindo e por milhares de pessoas que, como nós, naquele exato momento, sentem precisamente a mesma impotência e angústia. Talvez sejamos capazes de dar um nome à nossa dor. Reconhecemos claramente o terror, repulsa, raiva ou desejo e vingança. Então, inspiramos por aqueles que estão dominados pelas mesmas emoções e irradiamos alívio ou qualquer outra sensação que proporcione espaço para nós mesmos e para essas incontáveis pessoas. Às vezes, não conseguimos dar um nome ao que estamos sentindo. Mesmo assim, podemos perceber sua presença — um aperto no estômago, uma certa opressão ou o que quer que seja. Simplesmente entramos em contato com o que estamos sentindo e inspiramos, trazendo-o para dentro de nós e fazendo isso por todos. Então, enviamos para fora alívio para todos.
Diz-se, freqüentemente, que essa prática contraria o padrão costumeiro que usamos para não desmoronar. Na verdade, a prática de tonglen realmente se opõe à nossa tendência habitual de querer tudo ao nosso próprio modo, de desejar que tudo dê certo para nós, independente do que aconteça aos outros. Ela desfaz os muros que construímos ao redor de nosso coração, as camadas de autoproteção que lutamos tanto para criar. Usando uma linguagem budista, podemos dizer que dissolve a fixação e o apego do ego.
A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos como pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade. Ele nos apresenta a amplidão ilimitada de shunyata. Quando o praticamos, começamos a nos conectar com a vasta dimensão de nosso ser. Inicialmente, deixamos de dar tanta importância a tudo e nossa experiência passa a ser menos sólida do que parecia.
A prática de tonglen pode ser feita para os que estão doentes, para os que estão morrendo ou já morreram, para todos aqueles que, de alguma forma, estão sofrendo. Tonglen pode ser praticado como uma meditação formal, ou em qualquer lugar e a qualquer momento. Estamos passando e vemos alguém em sofrimento — ali mesmo, começamos a inspirar essa dor e a exalar alívio. Ou então, ao ver alguém sofrendo, podemos desviar o olhar. Esse sofrimento desperta nosso medo ou raiva, nossa resistência e confusão. Portanto, naquele exato momento, podemos praticar tonglen por todas as pessoas que, assim como nós, desejam ser corajosas, mas são covardes. Em vez de nos punirmos, podemos usar nossos próprios entraves como o primeiro degrau para compreender o que outras pessoas, no mundo inteiro, estão enfrentando. Inspirar por todos nós e expirar por todos nós. Usar o que parece veneno como remédio. Podemos usar nosso sofrimento pessoal como um caminho em direção à compaixão por todos os seres.
Quando praticamos tonglen no momento em que nos deparamos com o sofrimento, apenas inspiramos e expiramos — inspiramos a dor, exalamos a amplidão e o alívio.
Quando praticamos tonglen como uma meditação formal, devemos seguir quatro passos:
1. Em primeiro lugar, descanse sua mente por alguns segundos em um estado de abertura ou quietude. Esse estágio é tradicionalmente chamado de lampejo do bodhichitta absoluto, ou de súbita abertura à amplidão e clareza fundamentais.
2. Em seguida, trabalhe com a textura. Inspire o calor, a escuridão e o peso — a sensação de claustrofobia — e expire serenidade, claridade e leveza — a sensação de frescor. Inspire profundamente, por todos os poros, e expire, irradie completamente, usando todos os poros de seu corpo. Faça isso até que essas sensações estejam sincronizadas com sua inspiração e expiração.
3. No passo seguinte, trabalhe uma situação pessoal — qualquer situação dolorosa que seja real para você. Tradicionalmente, começa-se praticando tonglen por alguém com quem nos preocupamos e que queremos ajudar. Entretanto, como já mencionei, quando seus próprios problemas o impedem de prosseguir, você pode realizar a prática pela dor que está sentindo e, simultaneamente, por todos aqueles que, como você, passam pelo mesmo tipo de sofrimento. Por exemplo, se está se sentindo incapaz, inspire essa sensação, por si mesmo e pelos outros que estão no mesmo barco, e exale confiança, sentimento de ser capaz ou de alívio, da forma que desejar.
4. Finalmente, torne esse processo mais abrangente. Se você está praticando tonglen por alguém que ama, estenda a prática a todos aqueles por quem nutre o mesmo sentimento. Se está praticando por alguém que viu na televisão ou na rua, faça o mesmo por todos os que estão em situação semelhante. Não se limite a uma única pessoa. Talvez já seja suficiente praticar por todos aqueles que, como você, estão dominados pela raiva, medo, ou por qualquer outro sentimento que também o aprisione. Entretanto, em todos esses casos, você pode ir além. Você pode praticar tonglen por aqueles que considera inimigos — aqueles que o ferem ou ferem alguém. Faça tonglen por eles, pense neles como dominados pela mesma confusão e impotência que vê em si mesmo e naqueles que ama. Inspire a dor deles, expire alívio.
A prática de tonglen pode ser infinitamente ampliada. À medida que pratica, gradualmente e ao longo do tempo, verá que sua compaixão naturalmente se expande, e o mesmo acontece com a percepção de que as coisas não são tão sólidas quanto você pensava. À medida que pratica, gradualmente e em seu próprio ritmo, ficará surpreso ao perceber-se cada vez mais capaz de ajudar os outros, mesmo em situações que pareciam insolúveis."
Fonte: Quando tudo se desfaz: orientação para tempos difíceis, autoria: Pema Chödrön.
Tradução: Helenice Gouvêa.
Para sentir compaixão por outras pessoas, precisamos sentir compaixão por nós mesmos. Precisamos nos preocupar, principalmente, com as pessoas que sentem medo, raiva, inveja, que são dominadas por todo tipo de vício, que são arrogantes, orgulhosas, mesquinhas, egoístas, más — você pode escolher. Ter compaixão e carinho por elas significa não fugir da dor de encontrar essas características em si mesmo. De fato, toda a nossa atitude diante da dor pode mudar. Em vez de rechaçá-la e de nos escondermos dela, é possível abrir nosso coração e nos permitirmos sentir essa dor, senti-la como algo que nos abranda, purifica e nos torna muito mais amorosos e bondosos.
A prática de tonglen é um método para nos conectarmos com o sofrimento — nosso próprio sofrimento e o que nos rodeia onde quer que possamos ir. É um método que nos leva a superar nosso medo da dor e a dissolver a dureza de nosso coração. Acima de tudo, faz despertar a compaixão que é inerente a todos nós, não importa quanto possamos parecer cruéis ou frios.
Iniciamos essa prática recebendo em nós mesmos a dor de alguém que sabemos estar em sofrimento e desejamos ajudar. Se sabemos que uma criança está sofrendo, por exemplo, inspiramos essa dor, desejando que ela se liberte totalmente do pesar e do medo. Quando expiramos, enviamos felicidade, alegria, ou o que lhe traga alívio. Esta é a essência da prática: inspiramos a dor do outro, para que ele possa sentir-se bem e ter mais espaço para relaxar e abrir, e expiramos, transmitindo relaxamento ou aquilo que sentimos que pode trazer alívio e felicidade.
Freqüentemente, entretanto, não conseguimos realizar essa prática porque nos vemos frente a frente com nosso próprio medo, nossa resistência, raiva ou qualquer outro sofrimento pessoal que esteja presente.
Nesse momento, podemos mudar o foco e começar a praticar tonglen por aquilo que estamos sentindo e por milhares de pessoas que, como nós, naquele exato momento, sentem precisamente a mesma impotência e angústia. Talvez sejamos capazes de dar um nome à nossa dor. Reconhecemos claramente o terror, repulsa, raiva ou desejo e vingança. Então, inspiramos por aqueles que estão dominados pelas mesmas emoções e irradiamos alívio ou qualquer outra sensação que proporcione espaço para nós mesmos e para essas incontáveis pessoas. Às vezes, não conseguimos dar um nome ao que estamos sentindo. Mesmo assim, podemos perceber sua presença — um aperto no estômago, uma certa opressão ou o que quer que seja. Simplesmente entramos em contato com o que estamos sentindo e inspiramos, trazendo-o para dentro de nós e fazendo isso por todos. Então, enviamos para fora alívio para todos.
Diz-se, freqüentemente, que essa prática contraria o padrão costumeiro que usamos para não desmoronar. Na verdade, a prática de tonglen realmente se opõe à nossa tendência habitual de querer tudo ao nosso próprio modo, de desejar que tudo dê certo para nós, independente do que aconteça aos outros. Ela desfaz os muros que construímos ao redor de nosso coração, as camadas de autoproteção que lutamos tanto para criar. Usando uma linguagem budista, podemos dizer que dissolve a fixação e o apego do ego.
A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos como pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade. Ele nos apresenta a amplidão ilimitada de shunyata. Quando o praticamos, começamos a nos conectar com a vasta dimensão de nosso ser. Inicialmente, deixamos de dar tanta importância a tudo e nossa experiência passa a ser menos sólida do que parecia.
A prática de tonglen pode ser feita para os que estão doentes, para os que estão morrendo ou já morreram, para todos aqueles que, de alguma forma, estão sofrendo. Tonglen pode ser praticado como uma meditação formal, ou em qualquer lugar e a qualquer momento. Estamos passando e vemos alguém em sofrimento — ali mesmo, começamos a inspirar essa dor e a exalar alívio. Ou então, ao ver alguém sofrendo, podemos desviar o olhar. Esse sofrimento desperta nosso medo ou raiva, nossa resistência e confusão. Portanto, naquele exato momento, podemos praticar tonglen por todas as pessoas que, assim como nós, desejam ser corajosas, mas são covardes. Em vez de nos punirmos, podemos usar nossos próprios entraves como o primeiro degrau para compreender o que outras pessoas, no mundo inteiro, estão enfrentando. Inspirar por todos nós e expirar por todos nós. Usar o que parece veneno como remédio. Podemos usar nosso sofrimento pessoal como um caminho em direção à compaixão por todos os seres.
Quando praticamos tonglen no momento em que nos deparamos com o sofrimento, apenas inspiramos e expiramos — inspiramos a dor, exalamos a amplidão e o alívio.
Quando praticamos tonglen como uma meditação formal, devemos seguir quatro passos:
1. Em primeiro lugar, descanse sua mente por alguns segundos em um estado de abertura ou quietude. Esse estágio é tradicionalmente chamado de lampejo do bodhichitta absoluto, ou de súbita abertura à amplidão e clareza fundamentais.
2. Em seguida, trabalhe com a textura. Inspire o calor, a escuridão e o peso — a sensação de claustrofobia — e expire serenidade, claridade e leveza — a sensação de frescor. Inspire profundamente, por todos os poros, e expire, irradie completamente, usando todos os poros de seu corpo. Faça isso até que essas sensações estejam sincronizadas com sua inspiração e expiração.
3. No passo seguinte, trabalhe uma situação pessoal — qualquer situação dolorosa que seja real para você. Tradicionalmente, começa-se praticando tonglen por alguém com quem nos preocupamos e que queremos ajudar. Entretanto, como já mencionei, quando seus próprios problemas o impedem de prosseguir, você pode realizar a prática pela dor que está sentindo e, simultaneamente, por todos aqueles que, como você, passam pelo mesmo tipo de sofrimento. Por exemplo, se está se sentindo incapaz, inspire essa sensação, por si mesmo e pelos outros que estão no mesmo barco, e exale confiança, sentimento de ser capaz ou de alívio, da forma que desejar.
4. Finalmente, torne esse processo mais abrangente. Se você está praticando tonglen por alguém que ama, estenda a prática a todos aqueles por quem nutre o mesmo sentimento. Se está praticando por alguém que viu na televisão ou na rua, faça o mesmo por todos os que estão em situação semelhante. Não se limite a uma única pessoa. Talvez já seja suficiente praticar por todos aqueles que, como você, estão dominados pela raiva, medo, ou por qualquer outro sentimento que também o aprisione. Entretanto, em todos esses casos, você pode ir além. Você pode praticar tonglen por aqueles que considera inimigos — aqueles que o ferem ou ferem alguém. Faça tonglen por eles, pense neles como dominados pela mesma confusão e impotência que vê em si mesmo e naqueles que ama. Inspire a dor deles, expire alívio.
A prática de tonglen pode ser infinitamente ampliada. À medida que pratica, gradualmente e ao longo do tempo, verá que sua compaixão naturalmente se expande, e o mesmo acontece com a percepção de que as coisas não são tão sólidas quanto você pensava. À medida que pratica, gradualmente e em seu próprio ritmo, ficará surpreso ao perceber-se cada vez mais capaz de ajudar os outros, mesmo em situações que pareciam insolúveis."
Fonte: Quando tudo se desfaz: orientação para tempos difíceis, autoria: Pema Chödrön.
Tradução: Helenice Gouvêa.
O poder de realização - (Lenda)
"Conta certa lenda, que estavam duas crianças patinando num lago congelado.
Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todasas suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?
- É simples - respondeu o velho.
- Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.
Fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança! "
Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todasas suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?
- É simples - respondeu o velho.
- Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.
Fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança! "
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Sobre amor - (Deepak Chopra)
"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento. Repare: nada é por acaso. Nós nos colocamos em uma espécie de “trilha”, que sempre esteve aí, o tempo todo, à sua espera. Você elegeu seu destino. A vida que você tem que viver é essa mesma. Você não consegue mudar o que não consegue encarar. Por isso, onde quer que você se encontre, é exatamente onde precisa estar, neste momento.
Quando você estiver pronto para fazer uma coisa nova, de maneira nova, você fará. Há sempre alguém à espera da pessoa na qual você está se transformando. Talvez, você ainda não esteja pronto para reconhecê-la. A cada momento, cada um de nós está passando pelo processo de Ser e de se tornar. Como as pessoas, os nossos relacionamentos também mudam. E ainda há muito a aprender sobre AMOR ..."
Quando você estiver pronto para fazer uma coisa nova, de maneira nova, você fará. Há sempre alguém à espera da pessoa na qual você está se transformando. Talvez, você ainda não esteja pronto para reconhecê-la. A cada momento, cada um de nós está passando pelo processo de Ser e de se tornar. Como as pessoas, os nossos relacionamentos também mudam. E ainda há muito a aprender sobre AMOR ..."
A menos que você seja amoroso consigo mesmo... - (Osho)
"Ame-se, respeite-se, seja gentil consigo mesmo. A menos que você seja amoroso para consigo mesmo, você não pode ser amoroso com ninguém, absolutamente. A menos que você seja atencioso consigo mesmo, você não pode ser atencioso com ninguém; é impossível.
Eu lhe ensino a ser realmente egoísta, de modo que você possa ser altruísta. Não há contradição entre ser egoísta e ser altruísta: ser egoísta é a própria fonte de ser altruísta. Mas até agora você tem aprendido exatamente o oposto, lhe ensinaram o contrário.
E qual tem sido o resultado desse ensinamento? Ninguém ama ninguém. A pessoa que se condena não pode amar ninguém. Se você não pode amar nem sequer a si mesmo - porque você é a pessoa mais próxima a você -, se seu amor não pode nem mesmo alcançar o ponto mais próximo, é impossível seu amor chegar até as estrelas. Você não pode amar nada - você pode fingir. E é isso que a humanidade se tornou: uma comunidade de fingidores, hipócritas.
Por favor tente entender o que quero dizer por ser egoísta. Primeiro você tem que se amar, se conhecer, ser você mesmo. A partir disso, você irradiará amor, ternura, atenção com os outros. A partir da meditação, surge a verdadeira compaixão, mas a meditação é um fenômeno egoísta. Meditação significa deleitar-se consigo mesmo e com sua solitude, esquecer o mundo todo e simplesmente deleitar-se consigo mesmo. É um fenômeno egoísta, mas desse egoísmo surge grande altruísmo. E, então, não há nenhum vangloriar-se a respeito, você não se torna egoístico. Você não serve as pessoas; você não as faz sentir-se devedoras a você. Você simplesmente se deleita em compartilhar seu amor, sua alegria."
Fonte: OSHO, Guida Spirituale, # 13
Eu lhe ensino a ser realmente egoísta, de modo que você possa ser altruísta. Não há contradição entre ser egoísta e ser altruísta: ser egoísta é a própria fonte de ser altruísta. Mas até agora você tem aprendido exatamente o oposto, lhe ensinaram o contrário.
E qual tem sido o resultado desse ensinamento? Ninguém ama ninguém. A pessoa que se condena não pode amar ninguém. Se você não pode amar nem sequer a si mesmo - porque você é a pessoa mais próxima a você -, se seu amor não pode nem mesmo alcançar o ponto mais próximo, é impossível seu amor chegar até as estrelas. Você não pode amar nada - você pode fingir. E é isso que a humanidade se tornou: uma comunidade de fingidores, hipócritas.
Por favor tente entender o que quero dizer por ser egoísta. Primeiro você tem que se amar, se conhecer, ser você mesmo. A partir disso, você irradiará amor, ternura, atenção com os outros. A partir da meditação, surge a verdadeira compaixão, mas a meditação é um fenômeno egoísta. Meditação significa deleitar-se consigo mesmo e com sua solitude, esquecer o mundo todo e simplesmente deleitar-se consigo mesmo. É um fenômeno egoísta, mas desse egoísmo surge grande altruísmo. E, então, não há nenhum vangloriar-se a respeito, você não se torna egoístico. Você não serve as pessoas; você não as faz sentir-se devedoras a você. Você simplesmente se deleita em compartilhar seu amor, sua alegria."
Fonte: OSHO, Guida Spirituale, # 13
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Sem medo de ser feliz - (Revista Bons Fluidos; Texto: Raphaela de Campos Mello e Ilustração:Jana Magalhães)
A cada passo dado você sente que a felicidade se afasta alguns metros? Não, você não está perseguindo uma utopia. Talvez esteja, inconscientemente, queimando chances preciosas de se realizar. Por isso, queremos convidá-la a repensar as próprias atitudes para, quanto antes, ser capaz de interromper o ciclo destrutivo da autossabotagem.
Imagine-se no gramado de um campo de futebol em plena final de Copa do Mundo. A torcida urra, eufórica. Cabe a você bater o pênalti que decidirá o título. Você treinou e acertou esse chute centenas de vezes, no entanto, na hora decisiva, a bola passa a metros da trave. Frustrante, para não dizer desolador. Pois é exatamente isso o que muitas vezes fazemos com a felicidade. Por medo dos riscos e das responsabilidades inerentes à vida, em geral temores inconscientes, arremessamos nossa realização para escanteio quando, na verdade, queríamos marcar um golaço. Esse ato chama-se autossabotagem. Perigosa armadilha que tentaremos desativar nas próximas linhas.
Você deve se lembrar da espinha que apareceu bem na ponta do seu nariz no dia da formatura do colegial, da gripe que acometeu sua colega na véspera daquela importante reunião, da tendência da vizinha para se apaixonar por homens que não a valorizam. Atitudes forjadas por uma parte de nós que não nos vê como merecedoras do sucesso, ou, então, que subestima nossa capacidade de lidar com as atribuições coladas aos louros da vitória.
Pela lógica, essa conta não fecha. Se desejamos do fundo da alma obter êxito no maior número possível de setores da vida, por que atuamos contra nossos próprios intentos a ponto de boicotá-los? Ora, porque, a princípio, não fazemos ideia de quanto estamos nos prejudicando. “Muitos, ou a maior parte, desses destrutivos comportamentos estão quase que totalmente fora do domínio da consciência”, afirma o psicólogo americano Stanley Rosner, coautor do livro O Ciclo da Auto-Sabotagem – Por Que Repetimos Atitudes que Destroem Nossos Relacionamentos e Nos Fazem Sofrer (ed. BestSeller). “A autonomia, a independência e o sucesso são apavorantes para algumas pessoas porque indicam que elas não poderão mais argumentar que suas necessidades precisam ser protegidas”, diz o autor.
O filósofo e psicanalista paulista Arthur Meucci, coautor de A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida (ed. Vozes), enxerga nesse processo uma fraude psíquica da pior espécie: os chamados ganhos secundários. “Há jovens que saem de casa para tentar a vida, enquanto outros permanecem na suposta zona de conforto, porque continuam sendo alvo da atenção dos pais e ainda se eximem de enfrentar possíveis dificuldades da fase adulta”, afirma Arthur. O problema é que, se aterramos dessa maneira amedrontada ad infinitum, não decolamos, não nos desenvolvemos plenamente. “Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades, sabendo que não podemos controlar a vida, a grande angústia do ser humano”, diz ele.
Reformulação do olhar
Em alguns casos, o gatilho da autopunição está na lente, há tempos desfocada, através da qual enxergamos o mundo e a nós mesmas. O trabalho, então, é ajustá-la para que a pessoa possa identificar suas potencialidades e se apropriar delas. “Tendemos a conhecer mais o que não gostamos ou o que os outros não gostam em nós e a conhecer muito pouco aquilo que em nós existe e é bacana, bonito, valoroso”, diz a psicoterapeuta paulista Lilian Frazão, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em gestalt-terapia, corrente que compreende o indivíduo em sua totalidade e inserido no ambiente em que vive.
E pensar que essa tal felicidade cantada em verso e prosa pode estar muito perto de nós e ainda assim permanecer invisível simplesmente porque nossos olhos ainda não estão programados para ver além dos automatismos e de nossas crenças um tanto nebulosas. “Não raro buscamos a felicidade no lado inverso de onde poderíamos encontrá-la. Queremos ser bonitos, elegantes e inteligentes como os outros e assim deixamos de ser o que naturalmente somos”, afirma Lilian. Com isso, ela emenda, nos desalojamos do lugar mais confortável que poderíamos habitar: nossa própria pele. “É muito mais fácil ser o que sou e ser feliz assim do que tentar ser o que não sou”, diz.
Só vamos entender o que nos leva a assumir posturas depreciativas quando pararmos para avaliar nossa trajetória e, sobretudo, nossas relações familiares, com a ajuda de um analista ou terapeuta. Que tipo de herança emocional carrego que, de tão pesada, me impede de gozar a vida? Eis um bom começo para essa investigação, segundo o terapeuta familiar e sexólogo argentino Bernardo Stamateas, autor de Autossabotagem: Reconheça e Mude as Atitudes Que Você Toma contra Si Mesmo (ed. Academia de Inteligência).
“Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades, sabendo que não podemos controlar a vida, a grande angústia do ser humano”,
Arthur Meucci, filósofo e psicanalista.
“Os valores transmitidos pela família muitas vezes formam crenças negativas que precisam de nossa valentia para serem reconhecidas e superadas”, ele afirma, e acrescenta: “Filhos que foram condicionados pelos pais a se sentir merecedores de satisfação somente depois de estudar ou cumprir determinadas tarefas se tornam adultos que se acostumam a postergar a felicidade”, exemplifica Stamateas.
Não se trata apenas de adiar o aguardado fim de semana na praia ou a ida ao restaurante predileto. A privação pode se estender a conquistas mais relevantes. “Quem não tem permissão para ser feliz, quando obtém algo positivo, imediatamente faz alguma coisa para perdê-lo. Se arruma um namorado, o trata mal para que ele vá embora, se consegue um bom trabalho, não cumpre o horário para justificar uma demissão”, constata o terapeuta.
De acordo com Meucci, outro comportamento preocupante e que aparece com frequência em seus atendimentos é a identificação com as insatisfações paternas ou maternas. “Filhas de mulheres divorciadas costumam sentir a frustração da mãe por não ter conseguido levar o casamento adiante e, às vezes, para não humilhá-la, sabotam inconscientemente o próprio casamento ou noivado, afastando-se do parceiro de várias maneiras”, diz o psicanalista. Segundo ele, tão difícil quanto reconhecer essa solidariedade deturpada é olhar para os próprios defeitos e limitações. Se a mulher atrai um certo perfil de parceiro sucessivamente e sempre se queixa disso pelos mesmos motivos, o que é muito comum, provavelmente o problema não está nos eleitos. “No fundo, ela quer que os outros mudem, mas não ela própria. E, para a transformação, é preciso aceitar que você também tem defeitos. Isso é muito difícil, especialmente para pessoas narcisistas, que se preocupam em demasia consigo mesmas e sentem dificuldade de se colocar no lugar do outro”, afirma o psicanalista.
Desativando a bomba
O tema desta reportagem é um tanto assustador, mas não insolúvel. Pode respirar. Na visão dos estudiosos da psique, consciência e mudança estão intrinsecamente ligadas. Eles avisam que revolver lembranças e situações desagradáveis é dolorido. Também são realistas ao assegurar que leva tempo até conseguirmos digerir nossas experiências, fazer novas associações e, por fim, implementar mudanças significativas em nossa vida. Mas, se tivermos paciência e vontade de nos aprimorarmos, a jornada vale muito a pena. “A parte mais delicada desse processo é converter o reconhecimento em uma mudança de comportamento, porque esse não é um exercício intelectual. Se o reconhecimento não for internalizado, sentido e elaborado, nada vai ser alterado”, diz Stanley Rosner.
Bernardo Stamateas também entende o mergulho interior como uma etapa primordial sem a qual jamais poderemos retornar à superfície mais leves e reformuladas. “Precisamos nos desvencilhar de todos os mandatos de culpa e nos dar permissão para sermos felizes”, afirma ele. Essa virada vem após identificarmos conscientemente atitudes que até então guarneciam a torcida adversária alojada em nosso próprio ser. Passamos, assim, a policiar ações e palavras que certamente iriam nos afastar de nossos propósitos. Não mais alimentado, o mecanismo do boicote, enfim, se desmancha. “Quando a pessoa desvenda as causas da autossabotagem, consegue se entregar para a vida”, diz Meucci.
Mas, prepare-se para experimentar uma reação em cadeia. Afinal, não vivemos saltando de um compartimento estanque para outro. Trabalho, casa, lazer, amores. Tudo isso está interconectado. Logo, se mudamos nosso jeito de nos posicionar em determinada área, as demais também serão afetadas. Suponhamos que uma pessoa tenha descoberto que está num relacionamento problemático e não queira mais se submeter a essa dinâmica. Assim que se tornar mais altiva na esfera amorosa, também se mostrará mais assertiva no campo profissional. “As artimanhas psíquicas que usamos em casa e no trabalho são as mesmas: o jeito de negociar, de lidar com funcionários e filhos, de dar ordens”, diz Meucci. Por isso, ele entrega, costuma ser angustiante demolir nossa concepção de sujeito para que possibilidades mais saudáveis sejam erguidas dos escombros.
O que vale é saber que só assim conseguiremos nos apossar de nossos pontos fortes e, confiantes, “exercer o que temos de melhor”, nas palavras de Lilian. No entanto, ela salienta, não podemos menosprezar ou, pior ainda, negar a dor, parte indissociável da existência. “Uma situação pode ser ruim e boa ao mesmo tempo. Nesse sentido, o sofrimento é uma passagem necessária que evidencia aspectos que precisam ser conhecidos e reconhecidos”, afirma a psicoterapeuta. Para ela, o fundamental é acreditarmos que, dadas as circunstâncias, somos capazes de fazer sempre o melhor que está a nosso alcance. “Podemos resgatar a capacidade de brincar, de superar o que nos fere, de olhar para nossas potencialidades”, diz ela.
Igualmente vital para nos sentirmos plenos é aceitarmos as diferentes fases da vida como elas são e delas extrairmos os aprendizados possíveis. “Feliz é aquele que se lança para a vida e não tem medo de viver as coisas em seus respectivos momentos”, afirma Meucci. Também fica satisfeito aquele que, em vez de se esfalfar para conquistar esse estado de espírito, prefere esculpi-lo, como um artista à mercê da criatividade. “A felicidade não é algo que alcançamos, e sim conduzimos; não depende do contexto, mas de nossa determinação para superarmos as dificuldades e desfrutarmos a vida”, diz Stamateas, que nos remete às sábias palavras do filósofo francês Jean-Paul Sartre: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”.
“Os valores transmitidos pela família muitas vezes formam crenças negativas que precisam de nossa valentia para serem reconhecidas e superadas”,
Bernardo Stamateas, terapeuta familiar e sexólogo
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Fazer Renascer o Natal - (Frei Beto)
"O melhor da festa é esperar por ela, diz o provérbio. O melhor do Natal é ter passado por ele, sentem muito sem dizer. É insuportável a fissura, a loucura e o desequilíbrio desencadeados pelas festas de fim de ano. O consumo e compras compulsórias de produtos, o apetite compulsivo de comilanças, a máscara da alegria estampada no rosto para encobrir o bolso furado, a corrida aos espaços de lazer, as estradas engarrafadas com mortes no trânsito e pedágios caríssimos, as filas intermináveis nos supermercados, os sinos de papel envoltos nas fitas vermelhas dos shoppings centers, aquela mesma musiquinha marota, tudo satura o espírito.
Seria este anticlima um castigo divino à nossa reverência à figura de Papai Noel?
Natal é pouco verso e muito reverso. Em pleno trópico e no verão, nossa imitação enfeita de neve de algodão a árvore de luzinhas intermitentes. O estômago devora castanhas, nozes, avelãs e amêndoas, quando a saúde pede saladas, legumes e principalmente jejuns e purificações.
Já que o espírito arde de sede daquela Água Viva do poço de Jacó (João 4), afoga-se o corpo em álcool e gorduras buscando, em vão, alimentar o vazio existencial. A gula de Deus busca, em vão, saciar-se no ato de se empanturrar na mesa.
Talvez seja no Natal que nossas carências fiquem mais expostas. Damos presentes sem nos dar, sem cuidarmos de nós, recebemos sem acolher, brindamos sem perdoar, abraçamos sem afeto, damos a mercadoria um valor que nem sempre reconhecemos nas pessoas. No íntimo, os verdadeiros buscadores, estão inclinados à simplicidade da manjedoura. O mal estar decorre do fato de nos sentirmos mais próximos dos salões de Herodes, de nossas ilusões, medo e de sonhos que desistimos
No Brasil, este Natal é de Reis “magros”. A nação, condenada a sustentar todo tipo de parasitas, corruptos, governantes e economistas que sacrificam o povo, dá as costas às alegrias do presépio para trilhar, com recessão, salários diminutos e tributos aumentados; instituições incompetentes e falidas que cuidam de legislar a seu favor, o caminho do Calvário.
Sem que fôssemos consultados, o Brasil foi vendido ao capital da pirataria especulativa, que saqueia nossas bolsas, quebra nossas pequenas e médias empresas, leiloa nosso patrimônio público, dilapida nosso sistema de ensino e gangrena o da saúde, segurança e "justiça". E ainda nos insistem em nos convencer de que esta é a melhor rota para o futuro e que devemos votar naqueles que seqüestram nossos anseios de felicidade.
Mudemos nós o Natal. Abaixo o Papai Noel, viva o Menino Jesus! Em vez de presentes, presença – junto à família, aos que sofrem, aos enfermos, aos soropositivos, às famílias das vitimas de crimes, às crianças de rua, aos dependentes de drogas, aos deficientes físicos e mentais, aos excluídos.
Façamos da ceia, cesta a quem padece de fome e do abraço laço de solidariedade a quem clama por justiça. Instalemos o presépio no próprio coração e deixemos germinar Áquele que se fez pão e vinho para que todos tivessem vida com a fartura e a alegria.
Abandonemos a um canto, a árvore morta coberta de lanjetouras e plantemos no fundo da alma uma oração que sacie nossa fome de transcendência.
Deixemo-nos, como Maria, engravidar pelo espírito de Deus. Então, algo de misteriosamente novo haverá de nascer em nossas vidas."
Seria este anticlima um castigo divino à nossa reverência à figura de Papai Noel?
Natal é pouco verso e muito reverso. Em pleno trópico e no verão, nossa imitação enfeita de neve de algodão a árvore de luzinhas intermitentes. O estômago devora castanhas, nozes, avelãs e amêndoas, quando a saúde pede saladas, legumes e principalmente jejuns e purificações.
Já que o espírito arde de sede daquela Água Viva do poço de Jacó (João 4), afoga-se o corpo em álcool e gorduras buscando, em vão, alimentar o vazio existencial. A gula de Deus busca, em vão, saciar-se no ato de se empanturrar na mesa.
Talvez seja no Natal que nossas carências fiquem mais expostas. Damos presentes sem nos dar, sem cuidarmos de nós, recebemos sem acolher, brindamos sem perdoar, abraçamos sem afeto, damos a mercadoria um valor que nem sempre reconhecemos nas pessoas. No íntimo, os verdadeiros buscadores, estão inclinados à simplicidade da manjedoura. O mal estar decorre do fato de nos sentirmos mais próximos dos salões de Herodes, de nossas ilusões, medo e de sonhos que desistimos
No Brasil, este Natal é de Reis “magros”. A nação, condenada a sustentar todo tipo de parasitas, corruptos, governantes e economistas que sacrificam o povo, dá as costas às alegrias do presépio para trilhar, com recessão, salários diminutos e tributos aumentados; instituições incompetentes e falidas que cuidam de legislar a seu favor, o caminho do Calvário.
Sem que fôssemos consultados, o Brasil foi vendido ao capital da pirataria especulativa, que saqueia nossas bolsas, quebra nossas pequenas e médias empresas, leiloa nosso patrimônio público, dilapida nosso sistema de ensino e gangrena o da saúde, segurança e "justiça". E ainda nos insistem em nos convencer de que esta é a melhor rota para o futuro e que devemos votar naqueles que seqüestram nossos anseios de felicidade.
Mudemos nós o Natal. Abaixo o Papai Noel, viva o Menino Jesus! Em vez de presentes, presença – junto à família, aos que sofrem, aos enfermos, aos soropositivos, às famílias das vitimas de crimes, às crianças de rua, aos dependentes de drogas, aos deficientes físicos e mentais, aos excluídos.
Façamos da ceia, cesta a quem padece de fome e do abraço laço de solidariedade a quem clama por justiça. Instalemos o presépio no próprio coração e deixemos germinar Áquele que se fez pão e vinho para que todos tivessem vida com a fartura e a alegria.
Abandonemos a um canto, a árvore morta coberta de lanjetouras e plantemos no fundo da alma uma oração que sacie nossa fome de transcendência.
Deixemo-nos, como Maria, engravidar pelo espírito de Deus. Então, algo de misteriosamente novo haverá de nascer em nossas vidas."
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