"Recebi recentemente uma interessante mensagem de um praticante fazendo, em nome do Yoga tântrico, uma série da categóricas afirmações sobre o Yoga Sutra. Dentre outras coisas, afirmava o colega que a obra clássica de Patañjali não menciona prana, chakras, nadis nem kundalini. Como discordo completamente dessa opinião, escolhi deliberadamente o título provocativo deste texto, com o objetivo de instigar a curiosidade do amigo leitor em relação ao pouco conhecido vínculo entre o Yoga Clássico de Patañjali e o Yoga tântrico (do qual o Hatha faz parte). Digo isso porque chamar Patañjali de “tântrico” pode ser considerado uma blasfema em certos círculos de Yoga, já que há algumas pessoas que têm medo da kundalini e de todos os assuntos relacionados a esta força.
Assim como o praticante que me motivou a escrever sobre este interessante assunto, muitas pessoas estão acostumadas a ver o Yoga de Patañjali como algo distante das muitas formas de Yoga tântrico que são praticadas hoje em dia, das quais o Hatha é a mais conhecida. O fato é que o Yoga Sutra menciona sim, explicitamente, chakras, nadis e prana. No entanto, não dá aos chakras o nome de chakras, nem os lista na ordem ou segundo a nomenclatura que recebem do tantrismo. Igualmente, fazendo este texto alusão à kundalini, não usa esse nome para designar a força potencial que conduz à iluminação. Considerando que Patañjali viveu muitos séculos antes dos primeiros textos de Yoga tântrico serem escritos, acreditar que isso pudesse acontecer seria uma atitude inocente da nossa parte.
É sabido pelos estudantes de Yoga que diversos termos foram utilizados por diferentes autores para se referir aos mesmos princípios, como é o caso da identidade entre Purusha e Atman, o que acontece, por exemplo, no próprio Yoga Sutra ou na Bhagavad Gita. Também é conhecido o fato de que certos termos mudam de significado de acordo com o contexto e a época em que são usados. Um exemplo é a palavra chitta, que no Yoga Sutra de Patañjali designa o complexo intelecto-ego-mente, e no Tattva Bodha de Shankaracharya, a capacidade de lembrar. Neste caso, a linguagem que Patañjali usa para se referir àquilo que o tantrismo chama de chakras, nadis e kundalini, é bem diferente do vocabulário dos próprios textos tântricos, como era de se esperar.
A modo de introdução poderíamos dizer igualmente que o chamado Yoga tântrico, do qual nasceu o Hatha, possui uma riquíssima linguagem figurada, chamada sandhabhasha, “linguagem crepuscular”, ou ainda abhiprayika vachana, “afirmação intencional”. O obscuro desta linguagem, cheia de metáforas que são de difícil compreensão se não tivermos à mão os códigos corretos para decifrá-las, pode levar o estudante a pensar que está diante de algo totalmente diferente da tradição maior do Yoga, representada pelo Yoga Sutra e os textos anteriores a ele. Assim, kundalini, que simboliza o despertar da consciência, é descrita como uma serpente ígnea que “dorme” no centro de energia da base da coluna vertebral, chamado muladhara chakra. Os chakras são centros de força vital que se encontram ao longo do eixo central do corpo, e estão ligados por uma série de canais energéticos chamados nadis, que coincidem em grande parte com os meridianos da energia mencionados na medicina chinesa.
No entanto, o fato da iluminação ser comparada nos textos tântricos à ascensão de uma serpente de fogo pelo canal central de energia que é a contraparte sutil e vital da coluna vertebral, não significa que os humanos tenhamos uma cobra guardada na ponta inferior da coluna vertebral que pode explodir a qualquer momento. O fato dos chakras serem descritos nos textos como “rodas” de energia não significa que esses dispositivos vão aparecer numa ressonância magnética, como alegam alguns céticos que tentam desqualificar este sofisticado modelo do psiquismo humano. Kundalini, chakras e nadis devem ser corretamente compreendidos: eles são representações simbólicas da potencialidade psíquica humana, que deve ser cuidadosamente desenvolvida.
Alguns praticantes de Tantra Yoga tendem a enxergar a si próprios e ao sistema que professam como algo isolado da tradição maior. No entanto, o vínculo entre a visão tântrica e o não-dualismo do Vedanta, que permeia todas as escrituras do Yoga, aparece já nas primeiras Upanishads. A Katha Upanishad (II:1,10) afirma: “O que está aqui, está lá; o que está lá, está igualmente aqui”. Ora, acontece que este ensinamento é praticamente idêntico ao que aparece num texto medieval tântrico chamado Vishvasara Tantra: “O que está aqui, está em toda parte. O que não está aqui, não está em parte alguma”.
O grande estudioso indiano T. M. P. Mahadevan, afirma em sua obra Outlines of Hinduism (p.180): “No Kularnava Tantra, Shiva diz a Parvati que não há diferença entre a filosofia religosa do Tantra e a verdade do Veda: tasmati vedatmakam shastram viddhi kaulatmakam priye: “Portanto, Ó querida, saiba que a Escritura que é da natureza do Veda é da natureza do Tantra”.” Fica assim, portanto, estabelecida a relação entre o Tantra e o conhecimento ancestral dos Vedas, que é claramente não-dual.
É verdade que o Tantra resgata elementos ancestrais, que datam do culto à Magna Mater, a Grande Deusa, cujos elementos estão presentes ao longo do continente eurasiático desde o paleolítico. Há alguns meses foi achada na Alemanha mais uma escultura da Grande Deusa feita de marfim de mamute, que data de pelo menos 35.000 anos atrás, batizada “Vênus de Hohle Fels”. No entanto, não devemos pensar que a literatura do tantrismo seja oriunda daquela recuada data. Aquilo que chamamos Tantra, segundo o estudioso Mircea Eliade (Yoga: Imortalidade e Liberdade, pág. 171), surgiu entre os séculos IV e VI da nossa era. Admite-se atualmente que os textos daquilo que conhecemos hoje como Yoga tântrico tenham surgido a partir do século IX d.C. Dentre eles, os mais importantes são o Kularnava, o Kalachakra, o Guhyasamaja, o Vishvasara, o Sadhanamala, o Mahanirvana Tantra e o Satchakra Nirupana, este último atribuído ao sábio Purnananda Swami de Assam, e datado do século XVI. Ou seja, todos estes textos são muito posteriores, mas muito mesmo, à obra de Patañjali, que data do século IV a. C.
O Yoga “tântrico”, antes de Patañjali.
Se, por outro lado, continuarmos nossa procura pelo Yoga de inspiração “tântrica” nas Upaniads, iremos nos encontar com algo muito parecido com ele na Shvetashvatara, a “Upanishad do Cavalo Branco” (shveta = “branco”, ashva = “cavalo”), uma das primeiras e mais importantes. Vejamos alguns poucos trechos deste shastra: “Mantendo o corpo firme, como as três partes eretas [tronco, pescoço e cabeça], o sábio dirige os sentidos e a mente ao interior do coração. Brahman é o barco em que ele atravessa o rio do medo.” (II:8). “Controlando sua força vital (prana), com seus movimentos controlados, o sábio inspira pelas narinas, com a respiração restringida. Livre de distrações, que ele controle sua mente, como o condutor controla os cavalos rebeldes.” (II:9). “Não conhece doença, velhice nem sofrimento aquele que forja seu corpo no fogo do Yoga. Atividade, saúde, libertação dos condicionamentos, circunspeção, eloqüência, cheiro agradável e pouca secreção, são os sinais pelos quais o Yoga manifesta seu poder.” (II:12-13).
O primeiro parágrafo faz clara alusão à importância do alinhamento postural durante a prática de Yoga. Uma das maneiras mais eficientes de se manter a conexão com o coração mencionada no texto, é justamente cultivando-se uma postura ereta e relaxada. A segunda citação deixa clara a conexão entre pensamento e respiração, outro dos temas fundamentais do Hatha. Essa conexão aparece de forma clara na Hatha Yoga Pradipika (II:2): “Enquanto a respiração (prana) for irregular, a mente permanecerá instável; quando a respiração se acalmar, a mente permanecerá imóvel e o yogi conseguirá a estabilidade. Por conseguinte, deve-se controlar a respiração [praticando-se o pranayama]”. Em outro trecho (IV:21), a mesma obra afirma: “Aquele que detém o alento, detém também o pensamento. Aquele que domina o pensamento, domina igualmente o alento.”
A idéia de forjar o corpo no fogo do Yoga, presente no terceiro trecho aqui citado, é central à prática do Hatha, que busca a transubstanciação do corpo mortal em um corpo divino, com a dureza do diamante (vajradeha). Essa idéia está presente na Gheranda Samhita (I:24): “Assim como um jarro de argila crua, jogado neste mundo, o corpo decai rapidamente. É preciso endurecé-lo, forneando-o no fogo do Poder, para fortalecé-lo e purificá-lo”.
A “vitória” sobre o sofrimento, a velhice e a morte também é um tema recorrente na literatura do Hatha. A lista dos benefícios advindos da prática que aparece na Shvetashvatara Upanishad é similar em tom e conteúdo a muitas outras que aparecem nas obras posteriores: “A perfeição do corpo físico [manifesta-se como] beleza, graça, força, e a dureza e o brilho do diamante”, Yoga Sutra de Patañjali (III:47).
“Quando se aperfeiçoa o Hatha Yoga, aparecem os seguintes sinais: agilidade física, brilho no rosto, manifestação da vibração sutil interior (nada), olhar penetrante e claro, saúde, controle do fluido seminal (bindu), aumento do fogo digestivo e total purificação das nadis”. Hatha Yoga Pradipika, II:78. Em outro trecho (III:30), esta mesma obra diz que certas práticas do Yoga “protegem contra a morte e a velhice, aumentam o fogo gástrico e proporcionam poderes paranormais (siddhis).”
A Katha Upanishad (II:3,16), um dos mais antigos textos de Yoga de que temos conhecimento, descreve um fenômeno curiosamente similar ao da ascensão de kundalini ao longo do eixo central da coluna vertebral, conforme descrita nos textos tântricos posteriores: ““A partir do coração, surgem os cento e um caminhos (nadis) da força vital. Um deles conduz ao topo da cabeça. Esse caminho conduz à imortalidade. Os outros, à morte”.
Desfazer o anáhata granthi, o “nó” energético do chakra cardíaco, é outro processo ligado ao despertar de kundalini que aparece citado na mesma obra (II:3,15): “Desfazendo os nós que estrangulam o coração, o mortal torna-se imortal. Essa é a síntese dos ensinamentos das escrituras”.
Da mesma maneira, a Maitri Upanishad indica a prática de pranayama como o meio mais importante para se alcançar a estabilidade da mente. O texto chega a mencionar a prática que seria conhecida posteriormente como khechari mudra, que consiste em recolher e elevar a língua, pressionando-a no palato mole, como forma de evitar que o bindu, néctar lunar, se disperse a partir do soma chakra. Esta é uma das principais práticas dos Yogas tântricos, como o Hatha e o Laya Yoga. Nesse sentido, concluímos que o Yoga tântrico não está separado nem é diferente de outros métodos como o Mantra ou o Ashtanga Yoga. Essas formas de Yoga, bem como outras não mencionadas, se entremeam e interpenetram num grau tão profundo que é quase impossível diferenciá-las.
De volta ao Yoga Sutra.
Como o amigo leitor já deve saber, o Yoga Sutra não é um texto para iniciantes. Assim sendo, o estilo em que está escrito evita, dentre outras muitas coisas, a descrição detalhada do processo do despertar de kundalini, bem como deixa de mencionar listas completas de itens como os cinco pranas, os sete chakras, etc. No entanto, as meditações e diferentes maneiras de usar chakras, nadis e pranas, estão listadas no terceiro capítulo, enquanto que a manipulação da energia vital (prana) e o fruto dessa prática, aparece com detalhes no fim do segundo capítulo. O manipura é chamado nabhi chakra ("chakra do umbigo", III;30), o anahata é chamado hrdaye ("do coração" III:34), o vishuddha é chamado kantha kupe ("poço" da garganta, III;31), o sahasrara é chamado murdha jyoti ("luz [que brilha] na cabeça", III, 33). Patañjali propõe, no sutra III:32, uma meditação na kurma nadi.
O primeiro dos sutras acima mencionados diz: “[Meditando sobre] o chakra do umbigo, ganha-se conhecimento sobre a estrutura do corpo.” O segundo ensina: “[Aplicando samyama na] região do coração [anahata chakra], o yogi adquire conhecimento de sua própria consciência”. O terceiro: “[Exercendo samyama sobre] o centro da garganta [vishuddha chakra], cessam a fome e a sede”. O quarto aforismo reza: “[Meditando na] luz do alto da cabeça [sahasrara chakra] obtém-se a visão dos siddhas, [seres que atingiram a perfeição]”. O último dos acima citados diz: “[Pelo samyama sobre] kurmanadi (meridiano da “tartaruga”, na traquéia), o yogi estabiliza seu corpo”. A kurma nadi, ou meridiano kurma, é o condutor do kurma vayu, a força vital responsável pela visão, o piscar dos olhos e a estabilidade, tanto corporal quanto emocional e mental. Ela é localizada entre a traquéia e a parte posterior da depressão jugular. O kurma vayu é bem conhecido na tradição do Yoga tântrico: uma menção a ele aparece na obra The Serpent Power (O Poder Serpentino), de Sir John Woodroffe (p. 78).
O prana é mencionado em I:34: “Ou, pela expiração e a retenção do prana [a mente pode igualmente estabilizar-se]”. O udana vayu, um dos cinco pranas, bem conhecidos pelos praticantes de Yoga tântrico, está mencionado exatamente com esse nome em III:40: “Pelo domínio do ar vital udana desenvolve-se o poder de levitação sobre a água, o lodo, os espinhos e demais”. Há uma série de cinco sutras, começando em II:49, que menciona explicitamente o processo de manipulação do prana através do pranayama, que curiosamente culmina numa interessante descrição da visão da “luz interior” (prakasha). Eles são os seguintes: “O pranayama consiste na regulação da inspiração e da expiração. [O pranayama consta de] modificações externas, internas ou retenção [da força vital]. É regulado por lugar, estação e número [e torna-se progressivamente] mais prolongado e sutil. O quarto tipo [de pranayama, chamado kevala kumbhaka] transcende as esferas interna e externa. Assim, dissipa-se o véu que encobre a luz [do conhecimento]... e a mente torna-se apta para a concentração”.
Até onde sabemos, kundalini ativa, dentre outras formas, se manifesta como uma luz brilhante, exatamente como descreve o texto acima. Devemos considerar que a descrição deste fenômeno nos Sutras seja apenas uma coincidência, em relação ao processo de despertar de kundalini que o Yoga tântrico ensina? Depois de estudar este texto com atenção, podemos concluir que o sábio Patañjali sim, menciona no Yoga Sutra os temas chakras, nadis e prana. Portanto, como praticantes de Yoga tântrico, acredito que não devamos desconsiderar o que Patañjali tem a dizer sobre aquilo que praticamos.
Afirmar o contrário é teimar em separar e ver de forma parcial e compartimentada uma tradição muito ampla e única, que se manifestou ao longo dos milênios de diversas maneiras e através de diversas linguagens simbólicas. Espero, com este texto e as comparações que ele apresenta, ter contribuído para o aprofundamento da correta compreensão dessa vasta, única e profunda corrente tradicional que é o Yoga. Acredito que, para essa compreensão, é de imensa utilidade perceber a continuidade dessa tradição para além das diferentes linguagens simbólicas que foram usadas ao longo do tempo para transmiti-la, ao invés de nos centrar nas diferenças, rótulos e métodos, que podem criar abismos entre os praticantes. Namaste!"
Autor: Pedro Kupfer - 01 de Janeiro de 2010
Fonte: www.cadernosdeyoga.com.br
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
As Carícias e o Iluminado - (José Ângelo Gaiarsa)
"Chega de viver entre o medo e a Raiva! Se não aprendermos a viver de outro modo, poderemos acabar com a nossa espécie.
É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar... Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto! O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor.
Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro. Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido...
Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal.
"Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas.
Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano.
Gente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência.
A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? "Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.
Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar ser livre - seguindo sua estrela. Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam!
Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões. Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média?
Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal...
Quem é o iluminado?
No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável.
Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe.
Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.
Como pode, esse louco?
Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas...
Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...
Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:
Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.
Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba.
Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns.
Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie.
Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos.
Carícias - a própria palavra é bonita.
Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho!
Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros.
Energia poderosa na ação comum, na co-operação. Na co-munhão.
Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos."
Fonte: http://www.agenciapar.com.br/
É preciso começar a trocar carícias, a proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz, porque "não fica bem" mostrar bons sentimentos! No nosso mundo negociante e competitivo, mostrar amor é... um mau negócio. O outro vai aproveitar, explorar, cobrar... Chega de negociar com sentimentos e sensações. Negócio é de coisas e de dinheiro- e pronto! O pesquisador B. Skinner mostrou por A mais B que só são estáveis os condicionamentos recompensados; aqueles baseado na dor precisam ser reforçados sempre senão desaparecem. Vamos nos reforçar positivamente. É o jeito - o único jeito - de começarmos um novo tipo de convívio social, uma nova estrutura, um mundo melhor.
Freud ajudou a atrapalhar mostrando o quanto nós escondemos de ruim; mas é fácil ver que nós escondemos também tudo que é bom em nós, a ternura, o encantamento, o agrado em ver, em acariciar, em cooperar, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, sobretudo o brincar - com o outro. Tudo tem que ser sério, respeitável, comedido - fúnebre, chato, restritivo, contido...
Há mais pontos sensíveis em nosso corpo do que as estrelas num céu invernal.
"Desejo", do latim de-sid-erio, provém da raiz "sid", da língua zenda, significando ESTRELA, como se vê em sideral, relativo às estrelas.
Seguir o desejo é seguir a estrela - estar orientado, saber para onde vai, conhecer a direção...
"Gente é para brilhar", diz mestre Caetano.
Gente é, demonstravelmente, a maior maravilha, o maior playground e a mais complexa máquina neuromecânica do Universo conhecido. Diz o Psicanalista que todos nós sofremos de mania de grandeza, de onipotência.
A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? "Quem sou eu primo..."Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.
Só por isso. Nossa diferença diz para ele que sua mesmice não é necessária. Que ele também pode tentar ser livre - seguindo sua estrela. Que sua prisão não tem paredes de pedra, nem correntes de ferro. Como a de Branca de Neve, sua prisão é de cristal - invisível. Só existe na sua cabeça. Mas sua cabeça contém - é preciso que se diga - todos os outros que, de dentro dele, o observam, criticam, comentam - às vezes até elogiam!
Por que vivemos fazendo isso uns com os outros - vigiando-nos e obrigando-nos - todos contra todos - a ficar bonzinhos dentro das regrinhas do bem-comportado - pequenos, pequenos. Sofremos de megalomania porque no palco social obrigamo-nos a ser, todos, anões. Ai de quem se sobressai, fazendo de repente o que lhe deu na cabeça. Fogueira para ele! Ou você pensa que a fogueira só existiu na Idade Média?
Nós nos obrigamos a ser - todos - pequenos, insignificantes, inaparentes, "normais"- normopatas diz melhor; oligopatas - apesar do grego- melhor ainda. Oligotímicos - sentimentos pequenos - é o ideal...
Quem é o iluminado?
No seu tempo, é sempre um louco delirante que faz tudo diferente de todos. Ele sofre, principalmente, de um alto senso de dignidade humana - o que o torna insuportável para todos os próximos, que são indignos.
Ele sofre, depois, de uma completa cegueira em relação à "realidade"(convencional), que ele não respeita nem um pouco. Ama desbragadamente - o sem vergonha. Comporta-se como se as pessoas merecessem confiança, como se todos fossem bons, como se toda criatura fosse amável, linda, admirável.
Assim ele vai deixando um rastro de luz por onde quer que passe.
Porque se encanta, porque se apaixona, porque abraça com calor e com amor, porque sorri e é feliz.
Como pode, esse louco?
Como pode estar - e viver! - sempre tão fora da realidade - que é sombria, ameaçadora; como ignorar que os outros - sempre os outros - são desconfiados, desonestos, mesquinhos, exploradores, prepotentes, fingidos, traiçoeiros, hipócritas...
Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...
Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:
Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.
Ou o mundo melhora para todos ou ele acaba.
Amar o próximo não é mais idealismo "místico"de alguns.
Ou aprendemos a nos acariciar ou liquidaremos com a nossa espécie.
Ou aprendemos a nos tratar bem - a nos acariciar - ou nos destruiremos.
Carícias - a própria palavra é bonita.
Carícias ... Olhar de encantamento descobrindo a divindade do outro - meu espelho!
Carícias... Envolvência ( quem não se envolve não se desenvolve...), ondulações, admiração, felicidade, alegria em nós - eu e os outros.
Energia poderosa na ação comum, na co-operação. Na co-munhão.
Só a União faz a força - sinto muito, mas as verdades banais de todos os tempos são verdadeiras - e seria bom se a gente tentasse FAZER o que essas verdades nos sugerem, em vez de críticos e céticos e pessimistas, encolhermos os ombros e deixarmos que a espécie continue, cega, caminhando em velocidade uniformemente acelerada para o Buraco Negro da aniquilação.
Nunca se pôde dizer, como hoje: ou nos salvamos - todos juntos - o nos danamos - todos juntos."
Fonte: http://www.agenciapar.com.br/
sábado, 2 de outubro de 2010
Karma é fatalidade? - (Pedro Kupfer)
"Na tradição shivaísta, Garuda, o deus-águia, aparece como guardião do deus Shiva. Um antigo texto chamado Shiva Purana conta que, uma vez, Garuda, montando guarda no alto do Monte Kailash, morada de Shiva, reparou num pequeno pássaro que cantava entre as rochas. O poderoso deus-águia ficou maravilhado pelo contraste entre a majestade da vasta cordilheira do Himalaia e a delicadeza dessa pequena criatura. Disse para si mesmo: 'Que maravilhosa é natureza! A mesma Consciência que criou as imensas montanhas, fez igualmente este pequeno pássaro, e ambos são igualmente admiráveis'.
Nesse mesmo momento, Yama, o Senhor da Morte, apareceu na distância, cavalgando seu búfalo negro. Garuda reparou que o deus da Morte, ao se aproximar, olhou com curiosidade para o pequeno pássaro ao passar, mas continuou andando, pois ia ao encontro de Shiva. Considerando aquele olhar de Yama como um presságio da morte para o pequeno pássaro, Garuda, cujo coração é cheio de compaixão, decidiu salvá-lo. Pegando com delicadeza o frágil pássaro entre suas poderosas garras, voou para muito longe, até a beira do rio Ganges. Lá, encontrou um lugar que lhe pareceu suficientemente seguro, com abundante água, vegetação e alimento. Deixando o pássaro sobre uma rocha, retornou para seu posto no alto do Monte Kailash.
Quando o Senhor da Morte estava retornando do seu encontro com Shiva, Garuda perguntou-lhe: 'Yama, quando você chegou, observei que se deteve para observar aquele pequeno pássaro. Posso saber porque?' Yama respondeu: 'Quando olhei para o pássaro, soube que ele iria imediatamente encontrar a morte nas mandíbulas de uma serpente píton. Como esse tipo de serpente não vive aqui, no alto do Monte Kailash, achei isso muito curioso'. Novamente, Garuda maravilhou-se, desta vez, pela inevitabilidade do karma.
Definindo o karma
Lendo esta historinha, podemos pensar que karma seja uma espécie de destino inevitável. No entanto, a idéia de karma como destino ou fatalidade está longe do que esta palavra sânscrita realmente significa. Karma quer dizer 'ação', e define não apenas as coisas que fizemos e fazemos, mas igualmente os resultados que derivam dessas ações. Esse termo é usado para definir o princípio de causa e efeito que rege todas as relações no universo. Esse conceito abrange absolutamente todos os feitos dos homens e suas conseqüências ao longo do tempo, em nível coletivo e individual.
A doutrina do karma é uma das mais profundas contribuições do pensamento oriental à humanidade nos campos da metafísica, a ética, a espiritualidade e a visão da relação entre o homem e o universo. Podemos definir o karma como uma lei de responsabilidade pessoal, da qual ninguém pode fugir, e que funciona por si mesma. A lei do karma nos ensina que qualquer ação que façamos inevitavelmente produzirá frutos. Dependendo da natureza das nossas ações, esses frutos serão bons ou não.
A intenção daquele que age determina o caráter moral da ação e suas conseqüências. Por exemplo, ferir alguém sem intenção não gera uma retribuição negativa no futuro. A visão que surge da lei do karma está baseada na razão e não na fé cega: ela fornece uma explanação razoável e racional para o sofrimento humano, já que se considera que o karma opera autonomamente, guidado pelo livre arbítrio de cada um e que, conseqüentemente, aquilo que somos hoje é o resultado do que fizemos ontem. Portanto, não há fatalidade ou destino marcado.
Podemos distinguir as seguintes regras na lei do karma:
1. Atos bons produzem frutos bons. Atos errôneos produzem resultados errôneos.
2. Boas ações conduzem à felicidade. Ações contra o bem comum levam ao sofrimento.
3. Quem age bem, torna-se bom. Quem age equivocadamente, sofre e faz sofrer.
4. Os resultados das ações são limitados. Portanto, os karmas se esgotam, cedo ou tarde.
5. Cada um constrói sua própria vida e seu próprio destino.
6. Aquele que realiza uma ação colhe inevitavelmente seus resultados.
Liberdade, ação e conseqüência
A lei do karma nos ensina que somos dotados de livre arbítrio e que cada um é responsável por seus próprios atos, e arquiteto do seu próprio destino. Precisamos aprender a usar a nossa liberdade em consonância com o bem comum, de maneira que possamos evitar machucar, ferir ou fazer sofrer os demais seres vivos: homens, animais e plantas.
Um antigo texto védico chamado Shatapatha Brahmana (VI:2:2:27), afirma que 'todos os homens nascem neste mundo moldados por si mesmos'. Isso significa que cada um traça seu próprio destino. As ações passadas podem condicionar o presente, mas nunca determinar o futuro de maneira fixa ou inamovível.
Aceitar com gratidão os resultados das nossas ações, quaisquer eles forem, é a essência do Karma Yoga, o Yoga da ação consciente. Podemos escolher o que fazemos, mas não temos escolha sobre os resultados das nossas ações, pois elas já aconteceram. Isso é regulado pela lei do karma. Não existem nem julgamento, nem juiz. Somente leis imutáveis.
Podemos usar nossa liberdade para definir o que fazemos, mas não temos escolha nem liberdade em relação aos resultados das nossas ações. Porém, o grande problema é que não sabemos disso, e ficamos o tempo todo tentando manipular os resultados. Ficamos constantemente tentando mudar aquilo que não pode ser mudado. Isso é uma fonte de infelicidade e sofrimento contínuo e nasce, em última análise, da incapacidade de perceber que existe uma limitação em nossos poderes, e uma diferença entre o que pode e o que não pode ser mudado.
Um mundo para chamar de seu?
É preciso compreender que não estamos no controle de nada. Nós não acrescentamos nem um só grão de areia às praias, não contribuímos com uma só gota de água à imensidade dos oceanos, nem sequer construímos nosso próprio corpo. Essas realidades foram recebidas por nós, seres vivos, junto com o presente da vida. Constatando isto, compreendemos que:
1. não controlamos a natureza,
2. não controlamos o que os demais fazem, e
3. não controlamos nossas próprias emoções.
Podemos aprender, sim, a administrar as emoções, mas não as controlamos. Não podemos nadar contra a corrente. Precisamos aprender a relaxar, respirar e ir com o fluxo. O mesmo vale em relação à maneira mais saudável de lidar com nossas emoções. Compreendendo isto, e honrando a fonte do oceano das emoções, poderemos eliminar as resistências internas e fontes de conflito, compreendendo que há coisas que precisamos aceitar como são por não podermos mudá-las (os resultados das ações), e que há coisas que podemos sim modificar (a escolha das ações que estamos fazendo agora).
Quando compreendemos que as leis da natureza regulam os resultados das ações, relaxamos, e vemos tudo como expressão da graça da criação. Assim aprendemos a aceitar em paz e com gratidão o que estiver fluindo em nossa direção, relaxamos e aceitamos tudo o que vem e vai, tudo o que ganhamos ou perdemos. Nunca cresceremos interiormente se não soubermos aceitar, se não pararmos de nos defender ou atacar, se não pararmos de ver o mundo como um lugar hostil.
Aceitação é a chave
A atitude de aceitação grata é o que abre o coração. Deveríamos aprender a aceitar, e esquecer crenças e padrões mecânicos como 'eu deveria ter feito isto', 'estou arrependido', etc. Ao invés disso, poderíamos pensar 'isto é o que eu fiz ou disse, e foi o melhor que podia fazer ou dizer, dadas as circunstâncias', ou 'sou totalmente perfeito dentro da minha imperfeição'.
Ao mesmo tempo, precisamos ter certeza de não estarmos fugindo às nossas responsabilidades, nem escapando das funções que devemos desempenhar, pois tanto as responsabilidades quanto as funções nos ajudam a crescer. Somente poderemos ser felizes ao aceitarmos as coisas como são, e aceitarmos a realidade como ela é. Assim, poderemos viver uma vida feliz e livre de conflitos, agindo de modo consciente, em harmonia com os valores universais e compreendendo as leis naturais, que regem toda a existência. Namaste!"
Autor: Publicado originalmente na revista Prana Yoga Journal: www.eyoga.com.br
Fonte: www.yoga.pro.br
Nesse mesmo momento, Yama, o Senhor da Morte, apareceu na distância, cavalgando seu búfalo negro. Garuda reparou que o deus da Morte, ao se aproximar, olhou com curiosidade para o pequeno pássaro ao passar, mas continuou andando, pois ia ao encontro de Shiva. Considerando aquele olhar de Yama como um presságio da morte para o pequeno pássaro, Garuda, cujo coração é cheio de compaixão, decidiu salvá-lo. Pegando com delicadeza o frágil pássaro entre suas poderosas garras, voou para muito longe, até a beira do rio Ganges. Lá, encontrou um lugar que lhe pareceu suficientemente seguro, com abundante água, vegetação e alimento. Deixando o pássaro sobre uma rocha, retornou para seu posto no alto do Monte Kailash.
Quando o Senhor da Morte estava retornando do seu encontro com Shiva, Garuda perguntou-lhe: 'Yama, quando você chegou, observei que se deteve para observar aquele pequeno pássaro. Posso saber porque?' Yama respondeu: 'Quando olhei para o pássaro, soube que ele iria imediatamente encontrar a morte nas mandíbulas de uma serpente píton. Como esse tipo de serpente não vive aqui, no alto do Monte Kailash, achei isso muito curioso'. Novamente, Garuda maravilhou-se, desta vez, pela inevitabilidade do karma.
Definindo o karma
Lendo esta historinha, podemos pensar que karma seja uma espécie de destino inevitável. No entanto, a idéia de karma como destino ou fatalidade está longe do que esta palavra sânscrita realmente significa. Karma quer dizer 'ação', e define não apenas as coisas que fizemos e fazemos, mas igualmente os resultados que derivam dessas ações. Esse termo é usado para definir o princípio de causa e efeito que rege todas as relações no universo. Esse conceito abrange absolutamente todos os feitos dos homens e suas conseqüências ao longo do tempo, em nível coletivo e individual.
A doutrina do karma é uma das mais profundas contribuições do pensamento oriental à humanidade nos campos da metafísica, a ética, a espiritualidade e a visão da relação entre o homem e o universo. Podemos definir o karma como uma lei de responsabilidade pessoal, da qual ninguém pode fugir, e que funciona por si mesma. A lei do karma nos ensina que qualquer ação que façamos inevitavelmente produzirá frutos. Dependendo da natureza das nossas ações, esses frutos serão bons ou não.
A intenção daquele que age determina o caráter moral da ação e suas conseqüências. Por exemplo, ferir alguém sem intenção não gera uma retribuição negativa no futuro. A visão que surge da lei do karma está baseada na razão e não na fé cega: ela fornece uma explanação razoável e racional para o sofrimento humano, já que se considera que o karma opera autonomamente, guidado pelo livre arbítrio de cada um e que, conseqüentemente, aquilo que somos hoje é o resultado do que fizemos ontem. Portanto, não há fatalidade ou destino marcado.
Podemos distinguir as seguintes regras na lei do karma:
1. Atos bons produzem frutos bons. Atos errôneos produzem resultados errôneos.
2. Boas ações conduzem à felicidade. Ações contra o bem comum levam ao sofrimento.
3. Quem age bem, torna-se bom. Quem age equivocadamente, sofre e faz sofrer.
4. Os resultados das ações são limitados. Portanto, os karmas se esgotam, cedo ou tarde.
5. Cada um constrói sua própria vida e seu próprio destino.
6. Aquele que realiza uma ação colhe inevitavelmente seus resultados.
Liberdade, ação e conseqüência
A lei do karma nos ensina que somos dotados de livre arbítrio e que cada um é responsável por seus próprios atos, e arquiteto do seu próprio destino. Precisamos aprender a usar a nossa liberdade em consonância com o bem comum, de maneira que possamos evitar machucar, ferir ou fazer sofrer os demais seres vivos: homens, animais e plantas.
Um antigo texto védico chamado Shatapatha Brahmana (VI:2:2:27), afirma que 'todos os homens nascem neste mundo moldados por si mesmos'. Isso significa que cada um traça seu próprio destino. As ações passadas podem condicionar o presente, mas nunca determinar o futuro de maneira fixa ou inamovível.
Aceitar com gratidão os resultados das nossas ações, quaisquer eles forem, é a essência do Karma Yoga, o Yoga da ação consciente. Podemos escolher o que fazemos, mas não temos escolha sobre os resultados das nossas ações, pois elas já aconteceram. Isso é regulado pela lei do karma. Não existem nem julgamento, nem juiz. Somente leis imutáveis.
Podemos usar nossa liberdade para definir o que fazemos, mas não temos escolha nem liberdade em relação aos resultados das nossas ações. Porém, o grande problema é que não sabemos disso, e ficamos o tempo todo tentando manipular os resultados. Ficamos constantemente tentando mudar aquilo que não pode ser mudado. Isso é uma fonte de infelicidade e sofrimento contínuo e nasce, em última análise, da incapacidade de perceber que existe uma limitação em nossos poderes, e uma diferença entre o que pode e o que não pode ser mudado.
Um mundo para chamar de seu?
É preciso compreender que não estamos no controle de nada. Nós não acrescentamos nem um só grão de areia às praias, não contribuímos com uma só gota de água à imensidade dos oceanos, nem sequer construímos nosso próprio corpo. Essas realidades foram recebidas por nós, seres vivos, junto com o presente da vida. Constatando isto, compreendemos que:
1. não controlamos a natureza,
2. não controlamos o que os demais fazem, e
3. não controlamos nossas próprias emoções.
Podemos aprender, sim, a administrar as emoções, mas não as controlamos. Não podemos nadar contra a corrente. Precisamos aprender a relaxar, respirar e ir com o fluxo. O mesmo vale em relação à maneira mais saudável de lidar com nossas emoções. Compreendendo isto, e honrando a fonte do oceano das emoções, poderemos eliminar as resistências internas e fontes de conflito, compreendendo que há coisas que precisamos aceitar como são por não podermos mudá-las (os resultados das ações), e que há coisas que podemos sim modificar (a escolha das ações que estamos fazendo agora).
Quando compreendemos que as leis da natureza regulam os resultados das ações, relaxamos, e vemos tudo como expressão da graça da criação. Assim aprendemos a aceitar em paz e com gratidão o que estiver fluindo em nossa direção, relaxamos e aceitamos tudo o que vem e vai, tudo o que ganhamos ou perdemos. Nunca cresceremos interiormente se não soubermos aceitar, se não pararmos de nos defender ou atacar, se não pararmos de ver o mundo como um lugar hostil.
Aceitação é a chave
A atitude de aceitação grata é o que abre o coração. Deveríamos aprender a aceitar, e esquecer crenças e padrões mecânicos como 'eu deveria ter feito isto', 'estou arrependido', etc. Ao invés disso, poderíamos pensar 'isto é o que eu fiz ou disse, e foi o melhor que podia fazer ou dizer, dadas as circunstâncias', ou 'sou totalmente perfeito dentro da minha imperfeição'.
Ao mesmo tempo, precisamos ter certeza de não estarmos fugindo às nossas responsabilidades, nem escapando das funções que devemos desempenhar, pois tanto as responsabilidades quanto as funções nos ajudam a crescer. Somente poderemos ser felizes ao aceitarmos as coisas como são, e aceitarmos a realidade como ela é. Assim, poderemos viver uma vida feliz e livre de conflitos, agindo de modo consciente, em harmonia com os valores universais e compreendendo as leis naturais, que regem toda a existência. Namaste!"
Autor: Publicado originalmente na revista Prana Yoga Journal: www.eyoga.com.br
Fonte: www.yoga.pro.br
Entrevista com o mestre Dalai Lama - (Adam Yauch)
Sua Santidade Tenzin Gyatso, o 14° Dalai Lama do Tibet, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1989. Adam Yauch é integrante dos Beastie Boys e co-fundador do Milarepa Fund. Texto gentilmente cedido por Adriano Morallis.
Adam Yauch: Poderia falar sobre a responsabilidade universal?
Dalai Lama: Eu acredito que o perdão, a bondade e a compaixão são qualidades importantes porque sevem como um fundamento para a calma e estabilidade mentais, e o futuro da humanidade depende disso. É meu dever, como cidadão deste planeta, contribuir o melhor que eu puder para a o bem-estar universal. A tecnologia está transformando o mundo em uma comunidade global e todos nós estamos relacionados uns com os outros. Muitas das questões atuais, tais como a destruição do meio ambiente e os sistemas econômicos em vigor, transcendem as fronteiras e portanto são questões globais. Então, todos precisam compartilhar de um senso de responsabilidade universal. Sempre achei que as pessoas são as mesmas, em todos os lugares. As diferenças de raça, cultura e religião não são importantes. Já que somos todos os mesmos, precisamos ter um senso de responsabilidade pelo bem-estar de cada um.
AY: E como poderíamos ver o entendimento budista de interdependência nos termos de direitos humanos?
DL: A violação dos direitos humanos hoje é um sintoma com causas subjacentes; então, para reduzir ou remover completamente as violações dos direitos humanos, precisamos lidar primeiro com suas causas. Poderiam ser motivos políticos ou econômicos. Em alguns casos, as violações de direitos humanos podem ser baseadas em vingança pessoas ou por parte dos governantes. Então, poderiam haver muitos motivos subjacentes para as violações dos direitos humanos.
AY: Poderia falar um pouco sobre a situação do Tibet?
DL: Sim, mas primeiro devemos achar alguma base comum para o nosso diálogo e nossas negociações. Estou pronto para negociar, em qualquer lugar, a qualquer hora, sem pré-condições. A coisa mais importante, em qualquer lugar ou hora, é um ambiente livre para trocar diferentes idéias. A independência pertence legitimamente aos tibetanos. Desde que os chineses ocuparam o Tibet, e apesar de algumas mudanças positivas, as pessoas têm sofrido tremendamente, imensamente. Como resultado, a maioria do povo tibetano, incluindo os jovens comunistas tibetanos, não querem viver sob a dominação chinesa. Mas também não é realista pensar na independência completa. Então, eu estou procurando um Caminho Intermediário.
AY: Nós não estamos esperando muito para lidar com esta situação?
DL: No conflito bósnio, senti que a comunidade internacional estava atrasada. Estes eventos infelizes tinham muitas causas e condições que tomaram anos para se desenvolver. Se tivéssemos tomado conhecimento na época em que estas causas e condições estavam se desenvolvendo, talvez teria sido muito mais fácil lidar com elas. Exceto se nós fizermos uma investigação no nível causal, exceto se nós tivermos uma atenção específica, muitas vezes não é muito visível o que está errado. Não é sempre óbvio que as causas estão construindo uma crise potencial; depois percebemos que deveríamos ter tido maior atenção com o que estava acontecendo.
AY: Eu ouvi você dizer, em entrevistas anteriores, que as autoridades chinesas, apesar de terem causado tanto destruição no seu país, têm sido um grande mestre para você. Muitas vezes, no Ocidente, é realmente mais fácil ver seus inimigos como inimigos e seus amigos como amigos.
DL: Os conceitos de "amigo" e "inimigo" realmente dependem de muitas condições. A verdade é que o status de nossos amigos e inimigos pode mudar em um ano, uma década ou muitas décadas. Nossos inimigos não são necessariamente inimigos permanentes, nem nossos amigos são amigos permanentes. Acho que nossas percepções de "amigo" e "inimigo" dependem de nossas atitudes mentais. Na realidade, inimigos e amigos não possuem um status permanente. Por causa disso, você pode se encorajar em práticas de troca de idéias, que podem permitir que você faça a mudança dentro de si.
AY: Os não-budistas podem praticar essa troca de idéias?
DL: Os cristãos acreditam que todos os seres foram criados por Deus; então, mesmo no senso cristão, todos os seres são irmãos e irmãs. Nessa base, você pode praticar a troca de idéias. Mesmo os não-cristãos podem praticar a troca de idéias com seus amigos. Mas não sei sobre estender isso aos seus inimigos (risos). Talvez você deva esperar até que o inimigo lhe dê um presente (mais risos).
AY: Foi difícil ser reconhecido como o Dalai Lama quando era jovem?
DL: Como um jovem garoto, às vezes eu pensava que seria mais fácil ser uma pessoa comum do que ser o Dalai Lama. Geralmente, eu tinha esses sentimentos sozinho em minha sala no Palácio Potala, que era muitas vezes frio e desconfortável. Eu queria ver as crianças voltando para casa, após cuidarem dos animais, e ouvi-las cantando e rindo, enquanto eu tinha que ficar sentado em minha sala solitária e recitar orações difíceis. Mas quando cresci, eu entendi o objetivo da vida, que para mim é viver pelo benefício da humanidade e dos seres suscetíveis. Os humanos têm inteligência e determinação, e podemos usar estas qualidades para encarar nossos problemas. Também é bom que existam os desafios, pois deste modo podemos exercer estas qualidades. Deste ponto de vista, saber que somos capazes de solucionar nossos próprios problemas pode nos dar força interior.
AY: Como nós, enquanto indivíduos, podemos contribuir para melhorar o mundo?
DL: Eu sinto que, como indivíduos, precisamos desenvolver a compaixão e um senso de fraternidade. Por compaixão, não entendo simplesmente como sentir complacência. A compaixão propriamente dita significa um sentimento de proximidade com os outros e, junto com isso, um senso de responsabilidade. Acredito que, ao nascer, todos os seres humanos estão livres da ideologia mas não da afeição. Apesar do ódio e dos sentimentos negativos serem parte da natureza humana, o amor e a compaixão dentro de nós são ainda maiores.
Autor: Adriano Morallis
Fonte: www.dalailama.org.br/ensinamentos/adam.php
Adam Yauch: Poderia falar sobre a responsabilidade universal?
Dalai Lama: Eu acredito que o perdão, a bondade e a compaixão são qualidades importantes porque sevem como um fundamento para a calma e estabilidade mentais, e o futuro da humanidade depende disso. É meu dever, como cidadão deste planeta, contribuir o melhor que eu puder para a o bem-estar universal. A tecnologia está transformando o mundo em uma comunidade global e todos nós estamos relacionados uns com os outros. Muitas das questões atuais, tais como a destruição do meio ambiente e os sistemas econômicos em vigor, transcendem as fronteiras e portanto são questões globais. Então, todos precisam compartilhar de um senso de responsabilidade universal. Sempre achei que as pessoas são as mesmas, em todos os lugares. As diferenças de raça, cultura e religião não são importantes. Já que somos todos os mesmos, precisamos ter um senso de responsabilidade pelo bem-estar de cada um.
AY: E como poderíamos ver o entendimento budista de interdependência nos termos de direitos humanos?
DL: A violação dos direitos humanos hoje é um sintoma com causas subjacentes; então, para reduzir ou remover completamente as violações dos direitos humanos, precisamos lidar primeiro com suas causas. Poderiam ser motivos políticos ou econômicos. Em alguns casos, as violações de direitos humanos podem ser baseadas em vingança pessoas ou por parte dos governantes. Então, poderiam haver muitos motivos subjacentes para as violações dos direitos humanos.
AY: Poderia falar um pouco sobre a situação do Tibet?
DL: Sim, mas primeiro devemos achar alguma base comum para o nosso diálogo e nossas negociações. Estou pronto para negociar, em qualquer lugar, a qualquer hora, sem pré-condições. A coisa mais importante, em qualquer lugar ou hora, é um ambiente livre para trocar diferentes idéias. A independência pertence legitimamente aos tibetanos. Desde que os chineses ocuparam o Tibet, e apesar de algumas mudanças positivas, as pessoas têm sofrido tremendamente, imensamente. Como resultado, a maioria do povo tibetano, incluindo os jovens comunistas tibetanos, não querem viver sob a dominação chinesa. Mas também não é realista pensar na independência completa. Então, eu estou procurando um Caminho Intermediário.
AY: Nós não estamos esperando muito para lidar com esta situação?
DL: No conflito bósnio, senti que a comunidade internacional estava atrasada. Estes eventos infelizes tinham muitas causas e condições que tomaram anos para se desenvolver. Se tivéssemos tomado conhecimento na época em que estas causas e condições estavam se desenvolvendo, talvez teria sido muito mais fácil lidar com elas. Exceto se nós fizermos uma investigação no nível causal, exceto se nós tivermos uma atenção específica, muitas vezes não é muito visível o que está errado. Não é sempre óbvio que as causas estão construindo uma crise potencial; depois percebemos que deveríamos ter tido maior atenção com o que estava acontecendo.
AY: Eu ouvi você dizer, em entrevistas anteriores, que as autoridades chinesas, apesar de terem causado tanto destruição no seu país, têm sido um grande mestre para você. Muitas vezes, no Ocidente, é realmente mais fácil ver seus inimigos como inimigos e seus amigos como amigos.
DL: Os conceitos de "amigo" e "inimigo" realmente dependem de muitas condições. A verdade é que o status de nossos amigos e inimigos pode mudar em um ano, uma década ou muitas décadas. Nossos inimigos não são necessariamente inimigos permanentes, nem nossos amigos são amigos permanentes. Acho que nossas percepções de "amigo" e "inimigo" dependem de nossas atitudes mentais. Na realidade, inimigos e amigos não possuem um status permanente. Por causa disso, você pode se encorajar em práticas de troca de idéias, que podem permitir que você faça a mudança dentro de si.
AY: Os não-budistas podem praticar essa troca de idéias?
DL: Os cristãos acreditam que todos os seres foram criados por Deus; então, mesmo no senso cristão, todos os seres são irmãos e irmãs. Nessa base, você pode praticar a troca de idéias. Mesmo os não-cristãos podem praticar a troca de idéias com seus amigos. Mas não sei sobre estender isso aos seus inimigos (risos). Talvez você deva esperar até que o inimigo lhe dê um presente (mais risos).
AY: Foi difícil ser reconhecido como o Dalai Lama quando era jovem?
DL: Como um jovem garoto, às vezes eu pensava que seria mais fácil ser uma pessoa comum do que ser o Dalai Lama. Geralmente, eu tinha esses sentimentos sozinho em minha sala no Palácio Potala, que era muitas vezes frio e desconfortável. Eu queria ver as crianças voltando para casa, após cuidarem dos animais, e ouvi-las cantando e rindo, enquanto eu tinha que ficar sentado em minha sala solitária e recitar orações difíceis. Mas quando cresci, eu entendi o objetivo da vida, que para mim é viver pelo benefício da humanidade e dos seres suscetíveis. Os humanos têm inteligência e determinação, e podemos usar estas qualidades para encarar nossos problemas. Também é bom que existam os desafios, pois deste modo podemos exercer estas qualidades. Deste ponto de vista, saber que somos capazes de solucionar nossos próprios problemas pode nos dar força interior.
AY: Como nós, enquanto indivíduos, podemos contribuir para melhorar o mundo?
DL: Eu sinto que, como indivíduos, precisamos desenvolver a compaixão e um senso de fraternidade. Por compaixão, não entendo simplesmente como sentir complacência. A compaixão propriamente dita significa um sentimento de proximidade com os outros e, junto com isso, um senso de responsabilidade. Acredito que, ao nascer, todos os seres humanos estão livres da ideologia mas não da afeição. Apesar do ódio e dos sentimentos negativos serem parte da natureza humana, o amor e a compaixão dentro de nós são ainda maiores.
Autor: Adriano Morallis
Fonte: www.dalailama.org.br/ensinamentos/adam.php
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A Arte de Viver - (Osho)
"O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los. As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito.
Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe.
Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.
Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade. E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente. Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida...
O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram...
Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação.
Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação.
O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade.
Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.
E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...
Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.
A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela.
Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também... Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo.
Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua.
Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua... porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda ou de Mahavira...
Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior...
Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração.
Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria.
Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida.
E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso.; ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade.
A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração... Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua.
Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração.
O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir.
Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.
Os últimos toques... sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo...
Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza."
Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe.
Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.
Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade. E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente. Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida...
O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram...
Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação.
Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação.
O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade.
Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.
E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...
Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.
A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela.
Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também... Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo.
Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua.
Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua... porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda ou de Mahavira...
Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior...
Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração.
Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria.
Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida.
E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso.; ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade.
A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração... Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua.
Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração.
O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir.
Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.
Os últimos toques... sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo...
Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza."
domingo, 26 de setembro de 2010
Achou! - (Ceumar)
Achou! (Ceumar)
Composição: Dante Ozzetti / Luiz Tatit
"Investir
É cultivar o amor
Se despir
É ativar
Resistir
É aturar o amor
Insistir
É saturar
Aderir
É estar com seu amor
Adorar
É superstar
Aplaudir
Até sentindo dor
É amar
Quem puder
Viver um grande amor
Verá
Consentir
É educar o amor
Seduzir
É cutucar
Amarei!
É conjugar o amor
Não amei!
É enxugar
Avançar
É conquistar o amor
Amansar
É como está
Como estou
Com muito amor pra dar
Eu dou!
Quem estiver
Atrás de um grande amor
Achou!"
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Tara Gandhi e o legado de Mahatma - (Texto: Renato Mendes, de Lisboa / Revista Bons Fluidos, edição de Setembro 2010)
A neta de Mahatma Gandhi fala da sabedoria do mestre pacifista, seu caminho em busca da verdade e sua ação sobre o mundo. Com ela, temos muito o que aprender.
Foi em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, que Tara Gandhi Bhattacharjee, neta do pacifista Mahatma Gandhi (1869-1948), falou sobre a filosofia de seu avô para uma plateia de 1 500 pessoas. A conferência, com o título “Gandhi, a Índia e o mundo”, abriu o ciclo de Grandes Conferências, que acontecerá durante todo o ano nas instalações da Fundação, na capital portuguesa. Com ar jovial, essa senhora de 75 anos, de atitude calorosa, lembrou o legado que o pacifista deixou para a humanidade e os princípios que difundiu sobre a vida em sociedade. Ela mostrou que os ensinamentos dele são permeados por referências humanistas e visão crítica, muitas vezes com sentido político. Em encontros assim, Tara realiza a sua missão como principal representante do avô, divulgando a sabedoria do maior líder espiritual indiano.
A importância de Gandhi para a história da Índia e de seu povo é estudada e difundida por duas instituições mantidas pelo governo indiano. Tara Gandhi é vice-presidente de ambas. O centro Gandhi Smriti e Darshan Samiti (GSDS) promove estudos e pesquisas ligados aos princípios que guiaram o mestre pacifista, defensor do satyagraha, palavra que, em sânscrito, significa ‘caminho da verdade’. Esse local recebe milhões de pessoas, durante todo o ano, que chegam em peregrinação de várias partes da Índia e do mundo para rezar e adquirir conhecimentos sobre a vida do líder indiano. Ele considerava a não-violência uma lei da natureza, tal qual a lei da gravidade. Mahatma, que significa ‘a grande alma’, acreditava que as sociedades construídas com base nas leis da não-violência seriam diferentes das que temos hoje.
Tara avisa que não se pode falar de Gandhi sem se referir à sua esposa, Kasturba, com quem se casou quando tinha 14 anos. Ela foi sua companheira incondicional nas lutas políticas e sociais, e em sua busca espiritual. Quando a esposa morreu, em 1944, os dois estavam juntos na prisão. O Memorial Nacional Kasturba Gandhi foi criado para homenageá- la e hoje conta com 500 centros espalhados por áreas rurais da Índia para dar ajuda social, financeira e espiritual a crianças e mulheres pobres. Em entrevista para BONS FLUIDOS, Tara Gandhi falou sobre o processo de aquisição de consciência e a necessidade da autotransformação, em oposição ao desejo de mudar o outro.
BF Quais eram as principais convicções de Gandhi e quais foram os resultados das suas ações?
TG Sua própria vida foi uma experiência com a verdade. Mas, como a verdade é um assunto abstrato, ele transformou- a em não-violência, e elegeu essa postura como filosofia de vida. Gandhi meditava muito sobre o que era certo e errado, e, em 1893, viajou à África do Sul para combater o apartheid. Durante 21 anos, trabalhou como advogado no país e percebeu que lutava contra uma tradição de exploração entre seres humanos semelhantes. Essa experiência sedimentou seus conceitos sobre a verdade e os objetivos que o orientaram por toda a vida. Um dos resultados de suas ações foi o fim do domínio inglês sobre a Índia, o que influenciou muitos outros países e líderes. Mas o efeito de sua passagem pelo mundo vai além. Foi ele quem anunciou a importância de temas abstratos, como a não-violência e a verdade, hoje celebrados mundo afora, nas mais altas esferas da política. Foi ele, ainda, quem derrubou as barreiras das religiões e das divisões geográficas. Vivia como um líder espiritual, mas era um homem de ação, partilhando sua rotina com agricultores nos campos da Índia.
BF Gandhi alterou o curso da história da Índia pela filosofia da não-violência. Como isso foi possível?
TG Ele não apenas difundiu a filosofia da não-violência, ele viveu a não violência. Gandhi uniu a Índia e conseguiu a sua emancipação política. Mas ele não alterou o curso do país – agiu trabalhando junto às pessoas. Praticar a não-violência é parte de sua experiência com a verdade. A lágrima é um desafio. Pela primeira vez na história da humanidade esse é um desafio coletivo e individual, porque a lágrima representa emoção e, quando uma pessoa se emociona, abre o seu coração. A doutrina de Gandhi serve para todos os países do mundo, não só para a Índia.
BF Quais são os principais ensinamentos deixados por seu avô às pessoas?
TG Ele dizia: “Enquanto esperamos que os outros mudem, não nos aperfeiçoamos”. Cada um de nós deve iniciar um processo de mudança dentro de si e buscar o aprimoramento, pois temos cada qual uma verdade, diferente da verdade de Gandhi. “Não pergunte a mim, pergunte à sua consciência”, afirmava ele. Esse desafio está posto para cada um de nós, como se voltássemos ao marco zero para começar de lá a busca da verdade. Seu exemplo ajuda a responder a questões do dia a dia: como manter o ambiente limpo? Como nos relacionar com a pessoa ao lado? Como ajudar quem precisa? Nesse sentido, a prática do khadi (processo artesanal de fazer roupas) foi valorizada por Gandhi como caminho espiritual. Diante das diferenças sociais, ele dizia que há o suficiente no mundo para suprir as necessidades de todos, mas não o suficiente para a ganância.
BF Por que o khadi é tão importante para a Índia?
TG Foi durante o processo de independência, em suas viagens pela Índia, que Gandhi descobriu como o khadi é essencial para o povo indiano. Segundo o mestre, o país precisa ter o seu próprio tecido, porque a roupa para os indianos tem uma importância superada apenas pelo valor do alimento – fazer as próprias roupas se assemelha ao ato de preparar o próprio pão em casa. Existe a tradição ao redor do mundo que limita à mulher a responsabilidade de tecer, mas Gandhi convidou os homens a aprender essa arte. Assim, o khadi tornou-se um poderoso instrumento de cooperação entre as pessoas, além de inspirar a meditação e valorizar as tradições. Gandhi defendia a manutenção dos hábitos ancestrais, e nesse caso enaltecia também o papel econômico da atividade, responsável pelo sustento de milhões de indianos. Eu sempre usei roupas feitas com o método do khadi, porque era a única vestimenta permitida em nossa comunidade. Eu trabalho com o khadi todos os dias, para entender o que os outros estão fazendo por mim.
BF Pensamentos negativos estão relacionados à poluição do ambiente?
TG A mente é a parte simbólica do ser e tem alcance profundo. Eu relaciono a mente com o espaço ou com o desconhecido. Ela nos permite viajar e pensar em ritmo veloz, mas essa velocidade pode poluir a atmosfera. Pensamentos negativos, como a violência, têm início na mente e depois se materializam sob a forma de medo, ganância, genocídio, arrependimento. Os princípios do amor e da verdade também habitam nossa mente e representam bases mais fortes para se viver com criatividade, permitindo que o mundo progrida. Quando rezamos, estamos viajando para além do horizonte, pois a mente não tem limites. A partir da abstração mental surge algo concreto, como o contato entre as mentes e os corações. É isso que chamo de mente e ambiente. Quando você encontra pessoas felizes, é porque alguma coisa no ambiente é compartilhada por todos.
BF Como a sabedoria de Gandhi contribui para aumentar a consciência dos cidadãos no sentido de criarem sociedades igualitárias?
TG A sabedoria de Gandhi se apoia na simplicidade. Ele entendeu que a força da maternidade é a maior das forças e carrega o poder da criação, comum a todas as formas de vida, seja vegetal, humana ou animal. Homem e mulher têm esse poder, como extensão de seu amor. Uma gota desse amor dada a outro ser humano neutraliza a violência. A compaixão pela pessoa que está ao lado pode ser um caminho na luta por sociedades igualitárias. Mas não se trata de corrigir o outro. A vida molda os grandes desafios, tão aventurosos como os de uma criança ao aprender a andar ou falar.
Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0138/tara-gandhi.shtml
Foi em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, que Tara Gandhi Bhattacharjee, neta do pacifista Mahatma Gandhi (1869-1948), falou sobre a filosofia de seu avô para uma plateia de 1 500 pessoas. A conferência, com o título “Gandhi, a Índia e o mundo”, abriu o ciclo de Grandes Conferências, que acontecerá durante todo o ano nas instalações da Fundação, na capital portuguesa. Com ar jovial, essa senhora de 75 anos, de atitude calorosa, lembrou o legado que o pacifista deixou para a humanidade e os princípios que difundiu sobre a vida em sociedade. Ela mostrou que os ensinamentos dele são permeados por referências humanistas e visão crítica, muitas vezes com sentido político. Em encontros assim, Tara realiza a sua missão como principal representante do avô, divulgando a sabedoria do maior líder espiritual indiano.
A importância de Gandhi para a história da Índia e de seu povo é estudada e difundida por duas instituições mantidas pelo governo indiano. Tara Gandhi é vice-presidente de ambas. O centro Gandhi Smriti e Darshan Samiti (GSDS) promove estudos e pesquisas ligados aos princípios que guiaram o mestre pacifista, defensor do satyagraha, palavra que, em sânscrito, significa ‘caminho da verdade’. Esse local recebe milhões de pessoas, durante todo o ano, que chegam em peregrinação de várias partes da Índia e do mundo para rezar e adquirir conhecimentos sobre a vida do líder indiano. Ele considerava a não-violência uma lei da natureza, tal qual a lei da gravidade. Mahatma, que significa ‘a grande alma’, acreditava que as sociedades construídas com base nas leis da não-violência seriam diferentes das que temos hoje.
Tara avisa que não se pode falar de Gandhi sem se referir à sua esposa, Kasturba, com quem se casou quando tinha 14 anos. Ela foi sua companheira incondicional nas lutas políticas e sociais, e em sua busca espiritual. Quando a esposa morreu, em 1944, os dois estavam juntos na prisão. O Memorial Nacional Kasturba Gandhi foi criado para homenageá- la e hoje conta com 500 centros espalhados por áreas rurais da Índia para dar ajuda social, financeira e espiritual a crianças e mulheres pobres. Em entrevista para BONS FLUIDOS, Tara Gandhi falou sobre o processo de aquisição de consciência e a necessidade da autotransformação, em oposição ao desejo de mudar o outro.
BF Quais eram as principais convicções de Gandhi e quais foram os resultados das suas ações?
TG Sua própria vida foi uma experiência com a verdade. Mas, como a verdade é um assunto abstrato, ele transformou- a em não-violência, e elegeu essa postura como filosofia de vida. Gandhi meditava muito sobre o que era certo e errado, e, em 1893, viajou à África do Sul para combater o apartheid. Durante 21 anos, trabalhou como advogado no país e percebeu que lutava contra uma tradição de exploração entre seres humanos semelhantes. Essa experiência sedimentou seus conceitos sobre a verdade e os objetivos que o orientaram por toda a vida. Um dos resultados de suas ações foi o fim do domínio inglês sobre a Índia, o que influenciou muitos outros países e líderes. Mas o efeito de sua passagem pelo mundo vai além. Foi ele quem anunciou a importância de temas abstratos, como a não-violência e a verdade, hoje celebrados mundo afora, nas mais altas esferas da política. Foi ele, ainda, quem derrubou as barreiras das religiões e das divisões geográficas. Vivia como um líder espiritual, mas era um homem de ação, partilhando sua rotina com agricultores nos campos da Índia.
BF Gandhi alterou o curso da história da Índia pela filosofia da não-violência. Como isso foi possível?
TG Ele não apenas difundiu a filosofia da não-violência, ele viveu a não violência. Gandhi uniu a Índia e conseguiu a sua emancipação política. Mas ele não alterou o curso do país – agiu trabalhando junto às pessoas. Praticar a não-violência é parte de sua experiência com a verdade. A lágrima é um desafio. Pela primeira vez na história da humanidade esse é um desafio coletivo e individual, porque a lágrima representa emoção e, quando uma pessoa se emociona, abre o seu coração. A doutrina de Gandhi serve para todos os países do mundo, não só para a Índia.
BF Quais são os principais ensinamentos deixados por seu avô às pessoas?
TG Ele dizia: “Enquanto esperamos que os outros mudem, não nos aperfeiçoamos”. Cada um de nós deve iniciar um processo de mudança dentro de si e buscar o aprimoramento, pois temos cada qual uma verdade, diferente da verdade de Gandhi. “Não pergunte a mim, pergunte à sua consciência”, afirmava ele. Esse desafio está posto para cada um de nós, como se voltássemos ao marco zero para começar de lá a busca da verdade. Seu exemplo ajuda a responder a questões do dia a dia: como manter o ambiente limpo? Como nos relacionar com a pessoa ao lado? Como ajudar quem precisa? Nesse sentido, a prática do khadi (processo artesanal de fazer roupas) foi valorizada por Gandhi como caminho espiritual. Diante das diferenças sociais, ele dizia que há o suficiente no mundo para suprir as necessidades de todos, mas não o suficiente para a ganância.
BF Por que o khadi é tão importante para a Índia?
TG Foi durante o processo de independência, em suas viagens pela Índia, que Gandhi descobriu como o khadi é essencial para o povo indiano. Segundo o mestre, o país precisa ter o seu próprio tecido, porque a roupa para os indianos tem uma importância superada apenas pelo valor do alimento – fazer as próprias roupas se assemelha ao ato de preparar o próprio pão em casa. Existe a tradição ao redor do mundo que limita à mulher a responsabilidade de tecer, mas Gandhi convidou os homens a aprender essa arte. Assim, o khadi tornou-se um poderoso instrumento de cooperação entre as pessoas, além de inspirar a meditação e valorizar as tradições. Gandhi defendia a manutenção dos hábitos ancestrais, e nesse caso enaltecia também o papel econômico da atividade, responsável pelo sustento de milhões de indianos. Eu sempre usei roupas feitas com o método do khadi, porque era a única vestimenta permitida em nossa comunidade. Eu trabalho com o khadi todos os dias, para entender o que os outros estão fazendo por mim.
BF Pensamentos negativos estão relacionados à poluição do ambiente?
TG A mente é a parte simbólica do ser e tem alcance profundo. Eu relaciono a mente com o espaço ou com o desconhecido. Ela nos permite viajar e pensar em ritmo veloz, mas essa velocidade pode poluir a atmosfera. Pensamentos negativos, como a violência, têm início na mente e depois se materializam sob a forma de medo, ganância, genocídio, arrependimento. Os princípios do amor e da verdade também habitam nossa mente e representam bases mais fortes para se viver com criatividade, permitindo que o mundo progrida. Quando rezamos, estamos viajando para além do horizonte, pois a mente não tem limites. A partir da abstração mental surge algo concreto, como o contato entre as mentes e os corações. É isso que chamo de mente e ambiente. Quando você encontra pessoas felizes, é porque alguma coisa no ambiente é compartilhada por todos.
BF Como a sabedoria de Gandhi contribui para aumentar a consciência dos cidadãos no sentido de criarem sociedades igualitárias?
TG A sabedoria de Gandhi se apoia na simplicidade. Ele entendeu que a força da maternidade é a maior das forças e carrega o poder da criação, comum a todas as formas de vida, seja vegetal, humana ou animal. Homem e mulher têm esse poder, como extensão de seu amor. Uma gota desse amor dada a outro ser humano neutraliza a violência. A compaixão pela pessoa que está ao lado pode ser um caminho na luta por sociedades igualitárias. Mas não se trata de corrigir o outro. A vida molda os grandes desafios, tão aventurosos como os de uma criança ao aprender a andar ou falar.
Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0138/tara-gandhi.shtml
domingo, 19 de setembro de 2010
Torne-se mais poético - (Osho)
" Um poeta vem a conhecer certas coisas que são reveladas somente em um relacionamento poético com a realidade.
No que se refere à esperteza mundana, o poeta é um tolo. Ele nunca se desenvolverá no mundo da riqueza e do poder. Mas, em sua pobreza, ele conhece um tipo diferente de riqueza na vida que ninguém mais conhece.
O amor é possível a um poeta, Deus é possível a um poeta. Somente aquele que é inocente o bastante para desfrutar pequenas coisas da vida pode entender que Deus existe, porque Deus existe nas pequenas coisas da vida: ele existe no alimento que você ingere, na caminhada que você faz pela manhã, no amor que você tem por seu amado ou por sua amada, na amizade que você tem com alguém.
.... Torne-se mais e mais poético. É necessário ter coragem para ser poético; você precisa ser corajoso o bastante para ser chamado de tolo pelo mundo, mas somente então poderá ser poético.
E para ser poético, não quero dizer que você precisa escrever poesia. Escrever poesia é apenas uma parte pequena e não essencial de ser poético. Uma pessoa pode ser poeta e jamais escrever uma única linha de poesia, e uma outra pode escrever milhares de poemas e ainda não ser um poeta.
Ser poeta é um estilo de vida. É amor pela vida, é reverência pela vida, é um relacionamento sincero com a vida." - Osho, Believing in the Impossible before Breakfast.
No que se refere à esperteza mundana, o poeta é um tolo. Ele nunca se desenvolverá no mundo da riqueza e do poder. Mas, em sua pobreza, ele conhece um tipo diferente de riqueza na vida que ninguém mais conhece.
O amor é possível a um poeta, Deus é possível a um poeta. Somente aquele que é inocente o bastante para desfrutar pequenas coisas da vida pode entender que Deus existe, porque Deus existe nas pequenas coisas da vida: ele existe no alimento que você ingere, na caminhada que você faz pela manhã, no amor que você tem por seu amado ou por sua amada, na amizade que você tem com alguém.
.... Torne-se mais e mais poético. É necessário ter coragem para ser poético; você precisa ser corajoso o bastante para ser chamado de tolo pelo mundo, mas somente então poderá ser poético.
E para ser poético, não quero dizer que você precisa escrever poesia. Escrever poesia é apenas uma parte pequena e não essencial de ser poético. Uma pessoa pode ser poeta e jamais escrever uma única linha de poesia, e uma outra pode escrever milhares de poemas e ainda não ser um poeta.
Ser poeta é um estilo de vida. É amor pela vida, é reverência pela vida, é um relacionamento sincero com a vida." - Osho, Believing in the Impossible before Breakfast.
sábado, 18 de setembro de 2010
Solidão e Felicidade - (Osho)
"O homem nasce sozinho e morre sozinho, mas, entre esses dois pontos, ele vive em sociedade, ele vive com os outros.
Solidão é sua realidade básica; a sociedade é simplesmente acidental. E a menos que o homem possa viver sozinho, possa conhecer sua solidão em sua total profundidade, ele não pode se familiarizar consigo mesmo. Tudo o que acontece em sociedade é apenas externo: não é você, é apenas suas relações com os outros. Você permanece desconhecido. Pelo lado de fora, você não pode ser revelado.
Mas nós vivemos com os outros. Por causa disso, o autoconhecimento fica completamente esquecido. Você sabe alguma coisa de você, mas indiretamente – é algo dito a você pelos outros. É estranho, absurdo, que os outros devam lhe dizer sobre você. Seja qual for a identidade que você carregue, ela é dada a você pelos outros; ela não é real, é uma rotulação. Um nome é dado a você. Esse nome é dado como um rótulo, porque será difícil para a sociedade se relacionar com uma pessoa sem nome. Não somente o nome é dado, a própria imagem que você pensa ser é dada pela sociedade: que você é bom, que você é ruim, que você é belo, que você é inteligente, que você é moral, um santo, ou seja o que for. A imagem, a forma, também é dada pela sociedade, e você não sabe o que você é. Nem seu nome revela nada, nem a forma que a sociedade lhe deu. Você permanece desconhecido para si mesmo.
Esta é a ansiedade básica. Você existe, mas você é um desconhecido para si mesmo. Esta falta de conhecimento da pessoa sobre ela mesma é a ignorância, e esta ignorância não pode ser destruída por nenhum conhecimento que os outros possam lhe dar. Eles podem lhe dizer que você não é este nome, que você não é esta forma, que você é uma “alma eterna”, mas isso também está sendo dado pelos outros, isso também não é próximo. A menos que você chegue até si mesmo diretamente, você permanecerá na ignorância.
E a ignorância cria ansiedade. Você não tem somente medo dos outros, você tem medo de si mesmo – porque você não sabe quem você é e o que está escondido dentro de você. O que será possível, o que irromperá de você no momento seguinte, você não sabe. Você permanece apreensivo e a vida se torna uma ansiedade. Há muitos problemas que criam ansiedade, mas esses problemas são secundários. Se você penetrar profundamente, então, cada problema no final revelará que a ansiedade básica, a angústia básica, é que você é ignorante de si mesmo – da fonte de onde você vem, do fim para o qual você está se movendo, do ser que você é exatamente agora. Daí, toda religião dizer para se entrar em solitude, na solidão, de modo que você possa por um tempo deixar a sociedade e tudo o que a sociedade lhe deu, e se encarar diretamente.
Mahavir viveu, por doze anos, sozinho na floresta. Ele ficou sem falar durante aquele tempo, porque no momento em que você fala, você entra na sociedade. A língua é a sociedade. Ele permaneceu completamente silencioso, ele não falava. A ponte básica foi cortada, de modo que ele ficasse sozinho.
Quando você não fala, você está sozinho, profundamente sozinho. Não há como se mover até os outros. Durante doze longos anos ele viveu sozinho, sem falar. O que ele estava fazendo? Ele estava tentando descobrir quem ele era. É melhor tirar fora todos os rótulos, é melhor ir para longe dos outros, de modo que não haja nenhuma necessidade da imagem social. Ele estava jogando fora todo o lixo que a sociedade lhe dera; ele estava tentando ficar totalmente nu, sem nenhum nome, sem nenhuma forma. Eis o que significa a nudez de Mahavir. Não se tratava apenas de jogar as roupas fora. Era algo mais profundo. Era a nudez de ficar totalmente só. Você também usa roupas em função da sociedade: elas são para esconder seu corpo, ou elas são para cobri-los aos olhos dos outros, porque a sociedade não aprova seu corpo todo. Assim, seja o que for que a sociedade não aprove, você tem de esconder. Somente algumas partes do corpo são permitidas ficarem descobertas. A sociedade escolhe você em partes. Sua totalidade não é aprovada, nem aceita.
O mesmo está acontecendo com a mente – não somente com o corpo. Seu rosto é aprovado, suas mãos são aprovadas, mas seu corpo todo não é aprovado, principalmente as partes do corpo que possam insinuar alguma coisa de sexo. Elas são desaprovadas, não aceitas. Desse modo, a importância das roupas. E isto está acontecendo com a mente também: sua mente toda não é aceita, somente algumas partes dela. Assim, você tem de esconder a mente e reprimi-la. Você não pode abrir sua mente. Você não pode abrir sua mente diante do seu mais íntimo amigo, porque ele julgará. Ele dirá: “É isso o que você pensa!? É isso que se passa na sua mente!?”. Então, você tem de lhe dar somente aquilo que pode ser aceito – uma parte muito diminuta – e tudo o mais que existe em você, tem de ser escondido completamente. A parte escondida cria muitas doenças. Toda a psicanálise de Freud consiste em trazer para fora a parte escondida. Levam anos antes de a pessoa ser curada. Mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está simplesmente trazendo para fora a parte reprimida. Simplesmente trazê-la para fora se torna uma força curativa.
O que isso significa? Significa que a supressão é a enfermidade. É uma carga, uma carga pesada. Você gostaria de confessar a alguém; você gostaria de dizer, expressar; você queria que alguém aceitasse você totalmente. É isso o que significa amor – você não será rejeitado. O que quer que você seja – bom, mau, santo, pecador – alguém aceitará sua totalidade, não rejeitará nenhuma parte sua. Eis por que o amor é a maior força curativa, ele é a mais antiga psicanálise. Sempre que você ama uma pessoa, você está aberto a ela, e só por estar aberto, suas partes cortadas, divididas são religadas – você se torna um.
Mas, até o amor se tornou impossível. Nem à sua esposa você pode dizer a verdade. Nem com seu amante você pode ser totalmente autêntico, porque mesmo os olhos dele ou dela estão julgando. Ele ou ela também quer uma imagem a ser seguida, um ideal – sua realidade não é importante, o ideal é importante. Você sabe que se você expressar sua totalidade, você será rejeitado, você não será amado. Você tem medo, e por causa desse medo o amor se torna impossível. A psicanálise traz a parte escondida para fora, mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está ali sentado simplesmente ouvindo-o. Ninguém nunca o ouviu, parece. Eis por que você agora precisa da ajuda de um profissional. Ninguém está pronto para ouvi-lo. Ninguém tem tempo.
Ninguém tem muito interesse em você. Assim surgiu a ajuda profissional. Você está pagando alguém para ouvi-lo. E então entra ano, sai ano, ele o ouvirá todos os dias, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana, e você será curado. Isto é milagroso! Por que você deveria ser curado só por ser ouvido? É porque alguém lhe presta atenção sem nenhum julgamento e você pode dizer qualquer coisa que esteja dentro de você. E só por falar, aquilo vêm à superfície e se torna uma parte do consciente. Quando você corta algo, proíbe algo, reprime algo, você está criando uma divisão entre o consciente e o inconsciente, o aceito e o rejeitado. Essa divisão tem de ser jogada fora.
Mahavir buscou a solidão, de modo que ele pudesse ser como ele era, sem medo de ninguém. Como ele não tinha que mostrar uma face para alguém, ele pôde jogar fora todas as máscaras, todas as faces. Então, ele pôde ficar sozinho, totalmente nu, como se fica sob as estrelas, ao lado do rio e na floresta. Não havia ninguém para julgá-lo e ninguém diria: “Você não tem permissão de fazer isto. Você tem que se comportar. Você tem que ser deste modo assim e assim.”. Deixar a sociedade significa deixar a situação onde a repressão se tornou inevitável. Assim, nudismo significa ficar como a pessoa é, sem barreiras, sem qualquer retenção. Mahavir entrou no silêncio, na solitude, e disse: “A menos que eu me descubra – não o eu que outros me deram, pois esse é falso, mas o Eu com o qual nasci -, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu saiba quem eu sou, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu encare diretamente a minha realidade, a menos que eu tenha encontrado o essencial no homem, não o acidental, eu não falarei, porque é inútil falar.”.
Vocês são acidentais. Seja o que for que você pense que você é, é a parte acidental. Por exemplo: você nasce na Índia. Você poderia ter nascido na Inglaterra ou na França ou no Japão. Isso é a parte acidental. Mas só por ter nascido na Índia, você tem uma identidade diferente. Você é um hindu. Você se pensa um hindu – mas você poderia ter se pensado um budista no Japão, ou um cristão na Inglaterra, ou um comunista na Rússia. Você não fez nada para ser um hindu, é apenas um acidente. Onde quer que você esteja, você teria se juntado à situação. Você se pensa religioso, mas sua religião é puramente acidental. Se você tivesse nascido num país comunista, você não teria sido religioso, você teria sido tão irreligioso lá, quanto você é religioso aqui. Você nasceu numa família jainista; então, você não acredita em Deus, sem você ter descoberto que não há nenhum Deus. Mas bem ao lado de sua casa, uma outra criança nasceu no mesmo dia, e ela é hindu. Ele acredita em Deus e você não. Isso é acidental, não é essencial. Depende das circunstâncias. Você fala híndi, um outro fala Gujaráti, outro fala Francês – estes são acidentes. A língua é acidental. O silencio é essencial. Sua alma é essencial; seu Eu é acidental. E descobrir o essencial é a busca, a única busca.
Como descobrir o essencial? Buda saiu em silêncio durante seis anos. Jesus também foi para o ermo. Seus seguidores, os apóstolos, queriam ir com ele. Eles o seguiram e a certo momento, num certo ponto, ele disse: “Parem. Vocês não devem vir comigo. Agora, eu devo ficar sozinho com meu Deus.”. Ele entrou no deserto. Quando ele saiu de volta, ele era um homem totalmente diferente: ele tinha se defrontado consigo mesmo.
A solidão torna-se o espelho. A sociedade é o engano. Eis por que você tem medo de ficar sozinho – porque você terá de se conhecer na sua nudez, na sua ausência de ornatos. Você tem medo. Ficar sozinho é difícil. Sempre que você está sozinho, você imediatamente começa a fazer alguma coisa, de modo a não ficar sozinho. Você pode começar a ler o jornal, ou talvez você ligue a TV, ou você pode ir a um clube para se encontrar com alguns amigos, ou talvez visitar alguém da família – mas você tem de fazer algo. Por quê? Porque no momento em que você está sozinho sua identidade se derrete, e tudo que você sabe sobre si mesmo fica falso e tudo o que é real começa a vir à tona.
Todas as religiões dizem que o homem tem de entrar em retiro para conhecer a si mesmo. A pessoa não precisa ficar lá para sempre, isso é inútil; mas a pessoa tem de ficar em solitude por um tempo, por um período. E a extensão do período dependerá de cada indivíduo. Maomé ficou em solitude durante alguns meses; Jesus por somente alguns dias; Mahavir durante doze anos e Buda durante seis anos. Depende. Mas a menos que você chegue ao ponto onde você possa dizer “agora conheci o essencial”, é imperativo ficar sozinho."
Autor: Osho, The Book of The Secrets, V.2, # 69
Fonte: Osho Sukul
Solidão é sua realidade básica; a sociedade é simplesmente acidental. E a menos que o homem possa viver sozinho, possa conhecer sua solidão em sua total profundidade, ele não pode se familiarizar consigo mesmo. Tudo o que acontece em sociedade é apenas externo: não é você, é apenas suas relações com os outros. Você permanece desconhecido. Pelo lado de fora, você não pode ser revelado.
Mas nós vivemos com os outros. Por causa disso, o autoconhecimento fica completamente esquecido. Você sabe alguma coisa de você, mas indiretamente – é algo dito a você pelos outros. É estranho, absurdo, que os outros devam lhe dizer sobre você. Seja qual for a identidade que você carregue, ela é dada a você pelos outros; ela não é real, é uma rotulação. Um nome é dado a você. Esse nome é dado como um rótulo, porque será difícil para a sociedade se relacionar com uma pessoa sem nome. Não somente o nome é dado, a própria imagem que você pensa ser é dada pela sociedade: que você é bom, que você é ruim, que você é belo, que você é inteligente, que você é moral, um santo, ou seja o que for. A imagem, a forma, também é dada pela sociedade, e você não sabe o que você é. Nem seu nome revela nada, nem a forma que a sociedade lhe deu. Você permanece desconhecido para si mesmo.
Esta é a ansiedade básica. Você existe, mas você é um desconhecido para si mesmo. Esta falta de conhecimento da pessoa sobre ela mesma é a ignorância, e esta ignorância não pode ser destruída por nenhum conhecimento que os outros possam lhe dar. Eles podem lhe dizer que você não é este nome, que você não é esta forma, que você é uma “alma eterna”, mas isso também está sendo dado pelos outros, isso também não é próximo. A menos que você chegue até si mesmo diretamente, você permanecerá na ignorância.
E a ignorância cria ansiedade. Você não tem somente medo dos outros, você tem medo de si mesmo – porque você não sabe quem você é e o que está escondido dentro de você. O que será possível, o que irromperá de você no momento seguinte, você não sabe. Você permanece apreensivo e a vida se torna uma ansiedade. Há muitos problemas que criam ansiedade, mas esses problemas são secundários. Se você penetrar profundamente, então, cada problema no final revelará que a ansiedade básica, a angústia básica, é que você é ignorante de si mesmo – da fonte de onde você vem, do fim para o qual você está se movendo, do ser que você é exatamente agora. Daí, toda religião dizer para se entrar em solitude, na solidão, de modo que você possa por um tempo deixar a sociedade e tudo o que a sociedade lhe deu, e se encarar diretamente.
Mahavir viveu, por doze anos, sozinho na floresta. Ele ficou sem falar durante aquele tempo, porque no momento em que você fala, você entra na sociedade. A língua é a sociedade. Ele permaneceu completamente silencioso, ele não falava. A ponte básica foi cortada, de modo que ele ficasse sozinho.
Quando você não fala, você está sozinho, profundamente sozinho. Não há como se mover até os outros. Durante doze longos anos ele viveu sozinho, sem falar. O que ele estava fazendo? Ele estava tentando descobrir quem ele era. É melhor tirar fora todos os rótulos, é melhor ir para longe dos outros, de modo que não haja nenhuma necessidade da imagem social. Ele estava jogando fora todo o lixo que a sociedade lhe dera; ele estava tentando ficar totalmente nu, sem nenhum nome, sem nenhuma forma. Eis o que significa a nudez de Mahavir. Não se tratava apenas de jogar as roupas fora. Era algo mais profundo. Era a nudez de ficar totalmente só. Você também usa roupas em função da sociedade: elas são para esconder seu corpo, ou elas são para cobri-los aos olhos dos outros, porque a sociedade não aprova seu corpo todo. Assim, seja o que for que a sociedade não aprove, você tem de esconder. Somente algumas partes do corpo são permitidas ficarem descobertas. A sociedade escolhe você em partes. Sua totalidade não é aprovada, nem aceita.
O mesmo está acontecendo com a mente – não somente com o corpo. Seu rosto é aprovado, suas mãos são aprovadas, mas seu corpo todo não é aprovado, principalmente as partes do corpo que possam insinuar alguma coisa de sexo. Elas são desaprovadas, não aceitas. Desse modo, a importância das roupas. E isto está acontecendo com a mente também: sua mente toda não é aceita, somente algumas partes dela. Assim, você tem de esconder a mente e reprimi-la. Você não pode abrir sua mente. Você não pode abrir sua mente diante do seu mais íntimo amigo, porque ele julgará. Ele dirá: “É isso o que você pensa!? É isso que se passa na sua mente!?”. Então, você tem de lhe dar somente aquilo que pode ser aceito – uma parte muito diminuta – e tudo o mais que existe em você, tem de ser escondido completamente. A parte escondida cria muitas doenças. Toda a psicanálise de Freud consiste em trazer para fora a parte escondida. Levam anos antes de a pessoa ser curada. Mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está simplesmente trazendo para fora a parte reprimida. Simplesmente trazê-la para fora se torna uma força curativa.
O que isso significa? Significa que a supressão é a enfermidade. É uma carga, uma carga pesada. Você gostaria de confessar a alguém; você gostaria de dizer, expressar; você queria que alguém aceitasse você totalmente. É isso o que significa amor – você não será rejeitado. O que quer que você seja – bom, mau, santo, pecador – alguém aceitará sua totalidade, não rejeitará nenhuma parte sua. Eis por que o amor é a maior força curativa, ele é a mais antiga psicanálise. Sempre que você ama uma pessoa, você está aberto a ela, e só por estar aberto, suas partes cortadas, divididas são religadas – você se torna um.
Mas, até o amor se tornou impossível. Nem à sua esposa você pode dizer a verdade. Nem com seu amante você pode ser totalmente autêntico, porque mesmo os olhos dele ou dela estão julgando. Ele ou ela também quer uma imagem a ser seguida, um ideal – sua realidade não é importante, o ideal é importante. Você sabe que se você expressar sua totalidade, você será rejeitado, você não será amado. Você tem medo, e por causa desse medo o amor se torna impossível. A psicanálise traz a parte escondida para fora, mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está ali sentado simplesmente ouvindo-o. Ninguém nunca o ouviu, parece. Eis por que você agora precisa da ajuda de um profissional. Ninguém está pronto para ouvi-lo. Ninguém tem tempo.
Ninguém tem muito interesse em você. Assim surgiu a ajuda profissional. Você está pagando alguém para ouvi-lo. E então entra ano, sai ano, ele o ouvirá todos os dias, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana, e você será curado. Isto é milagroso! Por que você deveria ser curado só por ser ouvido? É porque alguém lhe presta atenção sem nenhum julgamento e você pode dizer qualquer coisa que esteja dentro de você. E só por falar, aquilo vêm à superfície e se torna uma parte do consciente. Quando você corta algo, proíbe algo, reprime algo, você está criando uma divisão entre o consciente e o inconsciente, o aceito e o rejeitado. Essa divisão tem de ser jogada fora.
Mahavir buscou a solidão, de modo que ele pudesse ser como ele era, sem medo de ninguém. Como ele não tinha que mostrar uma face para alguém, ele pôde jogar fora todas as máscaras, todas as faces. Então, ele pôde ficar sozinho, totalmente nu, como se fica sob as estrelas, ao lado do rio e na floresta. Não havia ninguém para julgá-lo e ninguém diria: “Você não tem permissão de fazer isto. Você tem que se comportar. Você tem que ser deste modo assim e assim.”. Deixar a sociedade significa deixar a situação onde a repressão se tornou inevitável. Assim, nudismo significa ficar como a pessoa é, sem barreiras, sem qualquer retenção. Mahavir entrou no silêncio, na solitude, e disse: “A menos que eu me descubra – não o eu que outros me deram, pois esse é falso, mas o Eu com o qual nasci -, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu saiba quem eu sou, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu encare diretamente a minha realidade, a menos que eu tenha encontrado o essencial no homem, não o acidental, eu não falarei, porque é inútil falar.”.
Vocês são acidentais. Seja o que for que você pense que você é, é a parte acidental. Por exemplo: você nasce na Índia. Você poderia ter nascido na Inglaterra ou na França ou no Japão. Isso é a parte acidental. Mas só por ter nascido na Índia, você tem uma identidade diferente. Você é um hindu. Você se pensa um hindu – mas você poderia ter se pensado um budista no Japão, ou um cristão na Inglaterra, ou um comunista na Rússia. Você não fez nada para ser um hindu, é apenas um acidente. Onde quer que você esteja, você teria se juntado à situação. Você se pensa religioso, mas sua religião é puramente acidental. Se você tivesse nascido num país comunista, você não teria sido religioso, você teria sido tão irreligioso lá, quanto você é religioso aqui. Você nasceu numa família jainista; então, você não acredita em Deus, sem você ter descoberto que não há nenhum Deus. Mas bem ao lado de sua casa, uma outra criança nasceu no mesmo dia, e ela é hindu. Ele acredita em Deus e você não. Isso é acidental, não é essencial. Depende das circunstâncias. Você fala híndi, um outro fala Gujaráti, outro fala Francês – estes são acidentes. A língua é acidental. O silencio é essencial. Sua alma é essencial; seu Eu é acidental. E descobrir o essencial é a busca, a única busca.
Como descobrir o essencial? Buda saiu em silêncio durante seis anos. Jesus também foi para o ermo. Seus seguidores, os apóstolos, queriam ir com ele. Eles o seguiram e a certo momento, num certo ponto, ele disse: “Parem. Vocês não devem vir comigo. Agora, eu devo ficar sozinho com meu Deus.”. Ele entrou no deserto. Quando ele saiu de volta, ele era um homem totalmente diferente: ele tinha se defrontado consigo mesmo.
A solidão torna-se o espelho. A sociedade é o engano. Eis por que você tem medo de ficar sozinho – porque você terá de se conhecer na sua nudez, na sua ausência de ornatos. Você tem medo. Ficar sozinho é difícil. Sempre que você está sozinho, você imediatamente começa a fazer alguma coisa, de modo a não ficar sozinho. Você pode começar a ler o jornal, ou talvez você ligue a TV, ou você pode ir a um clube para se encontrar com alguns amigos, ou talvez visitar alguém da família – mas você tem de fazer algo. Por quê? Porque no momento em que você está sozinho sua identidade se derrete, e tudo que você sabe sobre si mesmo fica falso e tudo o que é real começa a vir à tona.
Todas as religiões dizem que o homem tem de entrar em retiro para conhecer a si mesmo. A pessoa não precisa ficar lá para sempre, isso é inútil; mas a pessoa tem de ficar em solitude por um tempo, por um período. E a extensão do período dependerá de cada indivíduo. Maomé ficou em solitude durante alguns meses; Jesus por somente alguns dias; Mahavir durante doze anos e Buda durante seis anos. Depende. Mas a menos que você chegue ao ponto onde você possa dizer “agora conheci o essencial”, é imperativo ficar sozinho."
Autor: Osho, The Book of The Secrets, V.2, # 69
Fonte: Osho Sukul
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A Vida Não é Senão um Sonho e Vós Sois os Arquitecto - (Dana Mrkich)
“E se vós dormísseis? E se, no vosso sonho, fossem para o céu e lá colhessem uma estranha e linda flor? E, se, quando despertásseis, tivésseis a flor na vossa mão? Ah, e então?” – Samuel Taylor Coleridge
Vi o filme “A Origem” na semana passada. Adorei, porque me lembrou, de modo fantástico, as linhas cada vez mais esbatidas da nossa realidade actual e da realidade do sonho. No filme, Leonard Di Caprio interpreta o papel de um “arquitecto sonhador”, cujo trabalho consiste em “inserir” uma ideia no subconsciente de uma pessoa com o objectivo de a influenciar a fazer algo na sua vida de vigília que, de outro modo, não faria. O “arquitecto-sonhador” pode inserir – ou roubar – ideias, criando ou inserindo um espaço de sonho compartilhado. O “sonho” parece tão real que todas as pessoas que trabalham no serviço carregam com eles um totem que lhes dirá se eles estão na realidade do sonho ou na sua realidade habitual. Por exemplo, Di Caprio tem um pião que gira sem cair se ele estiver no mundo dos sonhos.
Enquanto via o filme, eu pensava em algo que os meus guias me dizem o tempo todo “a realidade é o que pensas que é”. No seu nível mais elementar, isto significa que a vossa percepção determina se vós pensais que uma experiência é grande, ou dura, ou transformadora ou abundante ou escassa. Todos nós temos leis mentais e energias emocionais que influenciam a nossa percepção e, é por esse motivo, que duas pessoas nunca estão verdadeiramente a viver na mesma realidade, ainda que estejam a partilhar uma experiência. Num nível mais fisicamente tangível, isto significa exactamente o que diz: a realidade é o que vós pensais que é. A vossa vida hoje é exactamente um instantâneo do que, a um determinado ponto, haveis pensado, sentido e acreditado. A vossa saúde, a vossa conta bancária, casa, relações e trabalho são representações físicas directas que vos mostram realmente, de modo claro, o foco e o sabor dos vossos pensamentos dominantes, sentimentos e crenças. O que é animador, agora, é que todos nós estamos a despertar para a compreensão de que vamos criando à medida que vamos andando! Estamos a criar de maneira consciente em oposição à criação subconsciente.
O que significa isto? Significa que o nosso estado de saúde ou a nossa conta bancária de hoje não têm nada a ver com a forma como as coisas vão estar amanhã – a não ser que o queiramos. Elas são, simplesmente, o resultado daquilo em que vos estivestes predominantemente a focar nas vossas cadeiras de “arquitectos de sonhos”, durante dias, meses e anos até agora. Vós estais vivendo o vosso próprio filme pessoal. Estais a viver e a criar o vosso próprio sonho pessoal. A única razão pela qual nós repetimos as cenas é porque ninguém nos ensinou que não temos que o fazer. Ninguém nos ensinou que somos os argumentistas do nosso próprio filme, que somos os arquitectos do nosso próprio sonho e que podemos projectar a realidade da maneira que nós queremos.
Fomos ensinados que a nossa realidade energética vibratória é o nosso mundo do sonho e que a nossa realidade física é o nosso mundo real, quando o oposto parece ser a verdade. A nossa realidade energética vibratória é mais o nosso mundo real, pois é onde está o nosso verdadeiro poder de criar mentiras. É onde as nossas ferramentas de pensamento, crença e sentimento estão. É aí que estão os nossos problemas de sabotagem e os velhos padrões. Se queremos mudar alguma coisa na nossa vida, temos que entrar nos nossos campos de energia vibratória porque é onde tudo tem origem! A energia é o composto de modelagem(1) do universo. Podeis moldá-la e puxá-la e usá-la da maneira que gostais. Ela aparecerá na vossa vida exactamente da maneira que haveis pensado que ela o fará. A nossa realidade física é simplesmente o resultado do nosso jogo energético.
O nosso eu superior existe predominantemente nos campos de energia vibratória mais altos, assim, para alguém que lê o pensamento, não podemos substituir a maior necessidade da nossa alma para experimentar alguma coisa que não escolheríamos necessariamente, de modo consciente, com o propósito de crescimento, ou não devíamos tentar manifestar alguma coisa que não esteja em sintonia com o nosso autêntico desejo; eu não estou a sugerir que, em conexão com o nosso “arquitecto sonhador”, nos voltemos para as aberrações do controlo do ego. Não recomendo colocar o nosso ego no comando da nossa arquitectura do sonho. Idealmente, nós queremos entrar no nosso papel de “arquitecto sonhador” em alinhamento com o nosso autêntico eu superior. Relembro que o papel de “arquitecto sonhador” é um dom para ser usado com sabedoria. É um indício positivo e animador que milhões de pessoas ao redor do mundo estejam a recordar-se deste dom, porque é um sinal, eu acredito que estamos a entrar, colectivamente, no nível de maturidade exigido para que o usemos de modo consciente e responsável.
Muitas pessoas estão, neste momento, a despertar da ilusão de que o nosso mundo físico é o mundo mais “real” ou o único mundo, e a esfregarem os seus olhos do sono para verem que existe um outro, um mundo maior disponível para eles. Isto, na verdade, pode parecer bastante confuso, chocante e até perturbador ao início. Faz-me lembrar a personagem do Jim Carrey, no programa O Truman, que descobre toda a sua vida inteira tinha sido um grande espectáculo da realidade e, depois de anos a pensar que a vida tinha que ser de uma maneira, descobre que a vida funciona num outro jogo todo com novas regras.
Mesmo aqueles de nós que se sentiram bastante despertos durante muito tempo podem achar difícil deixar ir o aperto da mente sobre a velha realidade, pela insistência do ego de que “Algumas coisas têm que ser justamente difíceis” ou “É preciso dinheiro para viver e eu não posso ganhar dinheiro a fazer o que eu amo”. Como disse Henry Ford, “O que quer que penseis que podeis, ou que penseis que não podeis, estareis sempre certos.”. Vigiai os vossos pensamentos agora mais do que nunca. Alguma vez pensais: “é apenas da maneira que tem que ser” ou existe alguma coisa que penseis que é impossível de alcançar? Tendes um sonho ou um objectivo que continuais a reprimir porque não conseguis imaginar como é que ele pode acontecer? Que tal começardes a imaginá-lo a acontecer? E se decidísseis brincar com esta ideia de serdes o vosso próprio “arquitecto sonhador”? Como seria o vosso sonho? O que sonhais ser? Se pudésseis criar a vossa visão do sonho, o vosso mundo, sem limites, como seria ele?
“Não adianta tentar, disse Alice; não se pode acreditar em coisas impossíveis.”
“Eu ouso dizer-te que não tens muita prática, disse a Rainha. Quando eu tinha a tua idade, fazia-o sempre meia hora por dia. Porque, às vezes, eu acreditava em tantas como seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço.” (Lewis Carroll)
O nosso maior obstáculo é a falta de crença da nossa mente na realidade e na validade do mundo do “sonho” e a falta de crença do nosso ego em qualquer coisa que não possa ver, ouvir, tocar, provar ou cheirar com os seus cinco sentidos. O “mundo do sonho” existe numa vibração mais elevada e, por isso, é óbvio que a mente não pode compreender de maneira lógica nem o ego o pode perceber! É como se alguém com acesso apenas a 5 estações de televisão públicas recusasse rigidamente aceitar que há, literalmente, centenas de outros programas disponíveis para as muitas pessoas ligadas em satélite!
Por vezes, não é a nossa recusa em acreditar que nos impede de nos abrirmos plenamente para a realidade do nosso sonho, é a falta de um quadro de referência – simplesmente nós nunca tivemos esta experiência antes. Tenho visitado muitos clientes ultimamente que deram o salto quântico de casamentos infelizes para o encontro com as suas almas-gémeas, de passarem de empregos infelizes para, de repente, se encontrarem dispensados e livres para finalmente fazerem o que sempre quiseram fazer. Outros recebem convites inesperados para viagens ou doações financeiras. É como se alguém derrubasse os véus e gritasse alegremente “Bem-vindos à Terra dos Conto de Fadas onde todos os sonhos se tornam verdade”! Vinde, vinde, há muito para ver e ainda mais para fazer!”. O que faz a maioria de nós quando isto acontece? Nervosamente, saímos pela cortina, atrevendo-nos apenas a dar uma pequena olhada nesta misteriosa até-agora Terra de Contos de Fadas. Quero dizer, encontrar almas-gémeas e fazer o que amais na vida só acontece nos contos de fadas, e os contos de fadas não são reais, são? Bem, adivinhai? Estão destinados a tornarem-se reais.
A nossa vida de contos de fadas esteve sempre destinada a ser a nossa vida real. Muitos de nós estamos a despertar para esta vida neste momento mas, lutámos por tanto tempo no velho sonho que acabámos por acreditar que ele era a nossa realidade e estamos a achar difícil deixá-lo ir. Ainda por cima, os outros tentam convencer-vos de que estais a sonhar por acreditardes na Terra dos Contos de Fadas, e pedem-vos que acordeis, que entreis na realidade e que volteis para o mundo real, que é na verdade o velho mundo do sonho do qual viestes aqui para acordar!!!
Estou apaixonada para usar o nosso despertar não apenas para as nossas vidas pessoais, mas para ver o nosso despertar pessoal como uma parte integrante de um grande quadro: o despertar de uma nova e mais poderosa Terra e humanidade. Assim, não quero insensivelmente insinuar que no nosso novo mundo não há problemas e que tudo é perfeito e, que de alguma maneira, não teremos mais pessoas a viver na pobreza ou pobres saudáveis, ou que não temos responsabilidades com aqueles que ainda vivem nessa realidade. (Embora esteja bastante segura que, com o tempo, o nosso futuro parecerá cada vez mais equilibrado e maravilhoso para cada vez mais pessoas). De preferência, o nosso mundo recentemente construído é um lugar e um espaço a partir do qual podemos usar a nossa consciência mais conscientemente! Podemos usá-la para lidarmos com os nossos problemas, sejam eles pessoais ou internacionais, de um modo mais harmonioso. Podemos usá-la para ajudar os nossos irmãos e irmãs de uma maneira mais prática, mais útil. Podemos usá-la para interagir com a Terra de uma maneira mais atenciosa. De novo, existe uma grande diferença entre um ser um arquitecto sonhador do vosso ego ou um arquitecto sonhador do vosso autêntico eu superior.
Então, entrai no vosso Eu Arquitecto Sonhador e começai a construir. Os vossos instrumentos são os pensamentos, crenças e sentimentos. O vosso cabo de alimentação é a vossa conexão com a Energia da Fonte, que muito habilidosamente vos fornece um GPS seguro que aparece como a vossa intuição e sincronismo. Os vossos instrumentos cabo de alimentação e GPS conduzir-vos-ão de modo natural para as acções e oportunidades que vos ajudarão a materializar a vossa visão do sonho no plano físico. Edificai com a atitude de que nada é impossível e que tudo é possível. Acontece nos vossos sonhos a toda a hora “Estava sentado num cavalo e ele transformou-se num carro e subitamente eu estava em Paris”. Deste modo, se isso pode acontecer nos vossos sonhos, pode acontecer na vossa vida física, porque, em algum nível de consciência, isso aconteceu!!
Quando a nossa mente e ego pensam que estamos apenas a brincar ou a imaginar ou a sonhar, as defesas baixam. Assim, deixai o vosso jornal e fazei uma brincadeira com isto: “Se a vida fosse um sonho…………...........”. Incluí informação sobre cada área da vossa vida, e alargai-a mesmo ao modo como vedes o vosso grande mundo ideal. Principalmente, incluí as coisas que vos fazem felizes, porque a ferramenta do “sentir-se feliz” é uma das mais poderosas do kit de construção. Diverti-vos!!
1 - Play-Doh é um composto de modelagem usado por crianças para arte e projectos artesanais em casa e na escola. Composto de farinha, água, sal, ácido bórico e óleo de silicone, o produto foi fabricado em Cincinnati , Ohio , E.U.A. como o papel de parede mais limpo em 1930.
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Dana Mrkich 2010. É concedida autorização para partilhar este artigo livremente na condição de ser creditado o nome do autor, e o URL URL www.danamrkich.com seja incluído.
Tradução: Ana Belo – anatbelo@hotmail.com
Fonte: Luz de Gaia
Vi o filme “A Origem” na semana passada. Adorei, porque me lembrou, de modo fantástico, as linhas cada vez mais esbatidas da nossa realidade actual e da realidade do sonho. No filme, Leonard Di Caprio interpreta o papel de um “arquitecto sonhador”, cujo trabalho consiste em “inserir” uma ideia no subconsciente de uma pessoa com o objectivo de a influenciar a fazer algo na sua vida de vigília que, de outro modo, não faria. O “arquitecto-sonhador” pode inserir – ou roubar – ideias, criando ou inserindo um espaço de sonho compartilhado. O “sonho” parece tão real que todas as pessoas que trabalham no serviço carregam com eles um totem que lhes dirá se eles estão na realidade do sonho ou na sua realidade habitual. Por exemplo, Di Caprio tem um pião que gira sem cair se ele estiver no mundo dos sonhos.
Enquanto via o filme, eu pensava em algo que os meus guias me dizem o tempo todo “a realidade é o que pensas que é”. No seu nível mais elementar, isto significa que a vossa percepção determina se vós pensais que uma experiência é grande, ou dura, ou transformadora ou abundante ou escassa. Todos nós temos leis mentais e energias emocionais que influenciam a nossa percepção e, é por esse motivo, que duas pessoas nunca estão verdadeiramente a viver na mesma realidade, ainda que estejam a partilhar uma experiência. Num nível mais fisicamente tangível, isto significa exactamente o que diz: a realidade é o que vós pensais que é. A vossa vida hoje é exactamente um instantâneo do que, a um determinado ponto, haveis pensado, sentido e acreditado. A vossa saúde, a vossa conta bancária, casa, relações e trabalho são representações físicas directas que vos mostram realmente, de modo claro, o foco e o sabor dos vossos pensamentos dominantes, sentimentos e crenças. O que é animador, agora, é que todos nós estamos a despertar para a compreensão de que vamos criando à medida que vamos andando! Estamos a criar de maneira consciente em oposição à criação subconsciente.
O que significa isto? Significa que o nosso estado de saúde ou a nossa conta bancária de hoje não têm nada a ver com a forma como as coisas vão estar amanhã – a não ser que o queiramos. Elas são, simplesmente, o resultado daquilo em que vos estivestes predominantemente a focar nas vossas cadeiras de “arquitectos de sonhos”, durante dias, meses e anos até agora. Vós estais vivendo o vosso próprio filme pessoal. Estais a viver e a criar o vosso próprio sonho pessoal. A única razão pela qual nós repetimos as cenas é porque ninguém nos ensinou que não temos que o fazer. Ninguém nos ensinou que somos os argumentistas do nosso próprio filme, que somos os arquitectos do nosso próprio sonho e que podemos projectar a realidade da maneira que nós queremos.
Fomos ensinados que a nossa realidade energética vibratória é o nosso mundo do sonho e que a nossa realidade física é o nosso mundo real, quando o oposto parece ser a verdade. A nossa realidade energética vibratória é mais o nosso mundo real, pois é onde está o nosso verdadeiro poder de criar mentiras. É onde as nossas ferramentas de pensamento, crença e sentimento estão. É aí que estão os nossos problemas de sabotagem e os velhos padrões. Se queremos mudar alguma coisa na nossa vida, temos que entrar nos nossos campos de energia vibratória porque é onde tudo tem origem! A energia é o composto de modelagem(1) do universo. Podeis moldá-la e puxá-la e usá-la da maneira que gostais. Ela aparecerá na vossa vida exactamente da maneira que haveis pensado que ela o fará. A nossa realidade física é simplesmente o resultado do nosso jogo energético.
O nosso eu superior existe predominantemente nos campos de energia vibratória mais altos, assim, para alguém que lê o pensamento, não podemos substituir a maior necessidade da nossa alma para experimentar alguma coisa que não escolheríamos necessariamente, de modo consciente, com o propósito de crescimento, ou não devíamos tentar manifestar alguma coisa que não esteja em sintonia com o nosso autêntico desejo; eu não estou a sugerir que, em conexão com o nosso “arquitecto sonhador”, nos voltemos para as aberrações do controlo do ego. Não recomendo colocar o nosso ego no comando da nossa arquitectura do sonho. Idealmente, nós queremos entrar no nosso papel de “arquitecto sonhador” em alinhamento com o nosso autêntico eu superior. Relembro que o papel de “arquitecto sonhador” é um dom para ser usado com sabedoria. É um indício positivo e animador que milhões de pessoas ao redor do mundo estejam a recordar-se deste dom, porque é um sinal, eu acredito que estamos a entrar, colectivamente, no nível de maturidade exigido para que o usemos de modo consciente e responsável.
Muitas pessoas estão, neste momento, a despertar da ilusão de que o nosso mundo físico é o mundo mais “real” ou o único mundo, e a esfregarem os seus olhos do sono para verem que existe um outro, um mundo maior disponível para eles. Isto, na verdade, pode parecer bastante confuso, chocante e até perturbador ao início. Faz-me lembrar a personagem do Jim Carrey, no programa O Truman, que descobre toda a sua vida inteira tinha sido um grande espectáculo da realidade e, depois de anos a pensar que a vida tinha que ser de uma maneira, descobre que a vida funciona num outro jogo todo com novas regras.
Mesmo aqueles de nós que se sentiram bastante despertos durante muito tempo podem achar difícil deixar ir o aperto da mente sobre a velha realidade, pela insistência do ego de que “Algumas coisas têm que ser justamente difíceis” ou “É preciso dinheiro para viver e eu não posso ganhar dinheiro a fazer o que eu amo”. Como disse Henry Ford, “O que quer que penseis que podeis, ou que penseis que não podeis, estareis sempre certos.”. Vigiai os vossos pensamentos agora mais do que nunca. Alguma vez pensais: “é apenas da maneira que tem que ser” ou existe alguma coisa que penseis que é impossível de alcançar? Tendes um sonho ou um objectivo que continuais a reprimir porque não conseguis imaginar como é que ele pode acontecer? Que tal começardes a imaginá-lo a acontecer? E se decidísseis brincar com esta ideia de serdes o vosso próprio “arquitecto sonhador”? Como seria o vosso sonho? O que sonhais ser? Se pudésseis criar a vossa visão do sonho, o vosso mundo, sem limites, como seria ele?
“Não adianta tentar, disse Alice; não se pode acreditar em coisas impossíveis.”
“Eu ouso dizer-te que não tens muita prática, disse a Rainha. Quando eu tinha a tua idade, fazia-o sempre meia hora por dia. Porque, às vezes, eu acreditava em tantas como seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço.” (Lewis Carroll)
O nosso maior obstáculo é a falta de crença da nossa mente na realidade e na validade do mundo do “sonho” e a falta de crença do nosso ego em qualquer coisa que não possa ver, ouvir, tocar, provar ou cheirar com os seus cinco sentidos. O “mundo do sonho” existe numa vibração mais elevada e, por isso, é óbvio que a mente não pode compreender de maneira lógica nem o ego o pode perceber! É como se alguém com acesso apenas a 5 estações de televisão públicas recusasse rigidamente aceitar que há, literalmente, centenas de outros programas disponíveis para as muitas pessoas ligadas em satélite!
Por vezes, não é a nossa recusa em acreditar que nos impede de nos abrirmos plenamente para a realidade do nosso sonho, é a falta de um quadro de referência – simplesmente nós nunca tivemos esta experiência antes. Tenho visitado muitos clientes ultimamente que deram o salto quântico de casamentos infelizes para o encontro com as suas almas-gémeas, de passarem de empregos infelizes para, de repente, se encontrarem dispensados e livres para finalmente fazerem o que sempre quiseram fazer. Outros recebem convites inesperados para viagens ou doações financeiras. É como se alguém derrubasse os véus e gritasse alegremente “Bem-vindos à Terra dos Conto de Fadas onde todos os sonhos se tornam verdade”! Vinde, vinde, há muito para ver e ainda mais para fazer!”. O que faz a maioria de nós quando isto acontece? Nervosamente, saímos pela cortina, atrevendo-nos apenas a dar uma pequena olhada nesta misteriosa até-agora Terra de Contos de Fadas. Quero dizer, encontrar almas-gémeas e fazer o que amais na vida só acontece nos contos de fadas, e os contos de fadas não são reais, são? Bem, adivinhai? Estão destinados a tornarem-se reais.
A nossa vida de contos de fadas esteve sempre destinada a ser a nossa vida real. Muitos de nós estamos a despertar para esta vida neste momento mas, lutámos por tanto tempo no velho sonho que acabámos por acreditar que ele era a nossa realidade e estamos a achar difícil deixá-lo ir. Ainda por cima, os outros tentam convencer-vos de que estais a sonhar por acreditardes na Terra dos Contos de Fadas, e pedem-vos que acordeis, que entreis na realidade e que volteis para o mundo real, que é na verdade o velho mundo do sonho do qual viestes aqui para acordar!!!
Estou apaixonada para usar o nosso despertar não apenas para as nossas vidas pessoais, mas para ver o nosso despertar pessoal como uma parte integrante de um grande quadro: o despertar de uma nova e mais poderosa Terra e humanidade. Assim, não quero insensivelmente insinuar que no nosso novo mundo não há problemas e que tudo é perfeito e, que de alguma maneira, não teremos mais pessoas a viver na pobreza ou pobres saudáveis, ou que não temos responsabilidades com aqueles que ainda vivem nessa realidade. (Embora esteja bastante segura que, com o tempo, o nosso futuro parecerá cada vez mais equilibrado e maravilhoso para cada vez mais pessoas). De preferência, o nosso mundo recentemente construído é um lugar e um espaço a partir do qual podemos usar a nossa consciência mais conscientemente! Podemos usá-la para lidarmos com os nossos problemas, sejam eles pessoais ou internacionais, de um modo mais harmonioso. Podemos usá-la para ajudar os nossos irmãos e irmãs de uma maneira mais prática, mais útil. Podemos usá-la para interagir com a Terra de uma maneira mais atenciosa. De novo, existe uma grande diferença entre um ser um arquitecto sonhador do vosso ego ou um arquitecto sonhador do vosso autêntico eu superior.
Então, entrai no vosso Eu Arquitecto Sonhador e começai a construir. Os vossos instrumentos são os pensamentos, crenças e sentimentos. O vosso cabo de alimentação é a vossa conexão com a Energia da Fonte, que muito habilidosamente vos fornece um GPS seguro que aparece como a vossa intuição e sincronismo. Os vossos instrumentos cabo de alimentação e GPS conduzir-vos-ão de modo natural para as acções e oportunidades que vos ajudarão a materializar a vossa visão do sonho no plano físico. Edificai com a atitude de que nada é impossível e que tudo é possível. Acontece nos vossos sonhos a toda a hora “Estava sentado num cavalo e ele transformou-se num carro e subitamente eu estava em Paris”. Deste modo, se isso pode acontecer nos vossos sonhos, pode acontecer na vossa vida física, porque, em algum nível de consciência, isso aconteceu!!
Quando a nossa mente e ego pensam que estamos apenas a brincar ou a imaginar ou a sonhar, as defesas baixam. Assim, deixai o vosso jornal e fazei uma brincadeira com isto: “Se a vida fosse um sonho…………...........”. Incluí informação sobre cada área da vossa vida, e alargai-a mesmo ao modo como vedes o vosso grande mundo ideal. Principalmente, incluí as coisas que vos fazem felizes, porque a ferramenta do “sentir-se feliz” é uma das mais poderosas do kit de construção. Diverti-vos!!
1 - Play-Doh é um composto de modelagem usado por crianças para arte e projectos artesanais em casa e na escola. Composto de farinha, água, sal, ácido bórico e óleo de silicone, o produto foi fabricado em Cincinnati , Ohio , E.U.A. como o papel de parede mais limpo em 1930.
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Dana Mrkich 2010. É concedida autorização para partilhar este artigo livremente na condição de ser creditado o nome do autor, e o URL URL www.danamrkich.com seja incluído.
Tradução: Ana Belo – anatbelo@hotmail.com
Fonte: Luz de Gaia
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Felicidade, Conhecimento, Liberdade - (Swami Dayananda Saraswati)
"A consciência não pode se tornar um objeto para a observação de outro sujeito. Saber disso é moksha. Porém, cabe perguntar aqui por que seria necessário o conhecimento para se ter moksha? Mesmo se Atma for auto-evidente, é necessário conhecê-lo. Os animais não questionam quem é o karta ou o bhokta, o agente das ações ou aquele que as desfruta, mas tampouco se conhecem como satchitananda, realidade, consciência e plenitude. Tanto o ser humano como o animal são ignorantes, mas somente para o humano é possível sair da ignorância nesta vida. Todos os objetos derivam a sua existência de mais alguma coisa: a camisa depende, para existir, do tecido. O tecido depende do fio. O fio depende da fibra. A fibra, da molécula, etc. Noutras palavras, nada existe separado do Todo, nada existe separado de Brahman.
Plenitude ou alegria?
Nesse sentido, nós conhecemos a plenitude, conhecemos a felicidade? Sabemos o que estamos buscando? Você já experienciou a felicidade, já se sentiu completo, com a sensação de que nada estava faltando? Se você segue o dharma, elimina os conflitos, fica tranquilo e a plenitude se revela. Como sensação, como experiência, a felicidade pode durar mais ou menos. Porém, sendo uma sensação, pensamento ou sentimento, essa felicidade será, forçosamente, limitada: começa num determinado momento, e noutro momento acaba. Quanta felicidade um humano pode ter? Uma passagem da Taittriya Upanishad, Brahmanandavalli, 8, diz:
“Imagine um homem de bem, jovem, forte, saudável e que possui toda a riqueza do mundo. Tome isso como uma unidade de felicidade humana. Agora, multiplique isso cem vezes. O resultado será a felicidade dos manushyagandharvas e daqueles que compreenderam os Vedas e destruíram o samskara. Multiplique isso mais cem vezes e você terá a felicidade dos sábios e daqueles que estudaram os Vedas e destruíram o samskara. Multiplique isso cem vezes e terá a felicidade dos karmadevas, aqueles que alcançaram a libertação pelo domínio do karma”.
Esta citação da Taittriya ilustra até que ponto um humano pode conquistar a felicidade através das ações, seguindo o dharma, e como isso é limitado, em comparação à plenitude advinda de moksha. Assim, a felicidade, como sentimento, pode aumentar ou diminuir, mas tem um limite. Sendo parte das dualidades, sua contraparte é a ausência de felicidade, chame-se tristeza, infelicidade ou o que for. Quando a felicidade termina, começa seu oposto, que também tem certa duração no tempo e depois, por sua vez, dará lugar a mais um momento de felicidade.
Plenitude não é felicidade, não é alegria, não é uma sensação ou uma emoção que se manifesta num momento e no momento seguinte desaparece. Segundo a Taittriya, esse sentimento é algo insignificante, comparado com a plenitude. Mas, é necessário lembrarmos que essa plenitude não é uma emoção, não pertence às dualidades, não começa nem termina, mas é aquilo que nós somos. Nesse sentido, ananda não depende de riqueza, saúde, prazer, conforto ou segurança.
Esse é o motivo pelo qual preferimos traduzir ananda como “plenitude”, e não como felicidade, para não confundir este ananda que você é com uma emoção que acontece na sua mente ou no seu corpo num momento dado, e depois desaparece. É por isso que insistimos na compreensão de que moksha não é uma experiência, anubhava, mas uma maneira de ver a vida, e ver a si mesmo nela. Os anubhavas são sempre limitados. Ananda é ananta, ilimitado: não começa nem termina. Essa é a natureza de Atma. É isso o que precisa ser compreendido. Assim, as experiências, por dhármicas ou prazerosas que sejam, não podem nos trazer plenitude.
Necessidade do autoconhecimento
Mas por que precisamos do conhecimento, se Atma é auto-evidente? Qual é a necessidade desse conhecimento? Digamos que eu já seja feliz e esteja satisfeito com a minha vida, pois tenho o hábito de tomar LSD e isso me deixa tranquilo e feliz, como descreve Alan Watts no seu livro Joyous Cosmos. O problema é que esta felicidade que as experiências como a do LSD podem me dar, sempre, cedo ou tarde, forçosamente acabam. Mesmo as experiências de felicidade mais profundas uma hora terminam, e depois, naturalmente, segue o contrário delas.
Ishvara é o Todo e, a maneira de se viver em plenitude, é através do meio de conhecimento adequado para conhecer Ishvara. Esse pramana, esse meio de conhecimento é Brahmavidya. Como já vimos, esse meio de conhecimento é diferente dos outros como a percepção, o testemunho ou a inferência. Mesmo com toda a sofisticação dos silogismos complexos e demais cálculos que os seres humanos somos capazes de fazer, que nos permitem inferir a existência dos buracos negros e desvendar a estrutura do elétron, esses meios de conhecimento não são capazes de revelar Atma.
O papel dos meios de conhecimento
As limitações do corpomente são evidentes. Não conseguimos olhar para as nossas costas, nem mesmo para o nosso rosto. Com todas estas limitações em termos físicos ou de meios de conhecimento, como podemos fazer para nos conhecer? Precisamos do meio de conhecimento adequado. Esse pramana para o autoconhecimento não é como os pramanas que a ciência usa. Até mesmo se estabelecermos uma causa para a existência do Universo usando a lógica, ela, o raciocínio e a inferência, dentro deste pramana peculiar que é o autoconhecimento, estão em função de moksha, que é o único objetivo, e trabalham conjuntamente com e em função do ensinamento dos ®astras.
A lógica, a razão e a inferência são usadas para descartar tudo o que for crença, condicionamento ou simples tolice, que são coisas que, muitas vezes, vêm junto com as religiões, o Yoga ou a espiritualidade de modo geral. É necessário descartar, usando essas ferramentas auxiliares, tudo o que não for conducente a moksha. Essa é a função que o raciocínio tem no Vedanta. Mas, o pramana mesmo não é a razão. O pramana é o Veda. O objetivo é moksha. E moksha, é agora. É necessário, então, dar uma oportunidade ao pramana para ver se funciona mesmo. A visão do Vedanta me diz que eu sou ilimitado. Tudo o que é negado por essa visão, simplesmente desaparece na presença dele. Atma é ilimitado. Eu sou Atma.
O ser é auto-evidente
Aceitar que o Ser é auto-evidente, auto-efulgente, pode implicar um eventual erro, que pode ser corrigido: esse erro é tentar observar o Ser como se fosse um objeto. Qualquer conclusão que você possa tirar sobre si mesmo não pode ser negada. Eu me dirijo a você, o que implica a minha aceitação da sua pessoa. Sua presença aqui não pode ser negada por ninguém. Eu não posso, tampouco, negar a minha própria presença aqui. Então, a negação do Ser não é possível, mesmo na hipótese de eu ser ignorante sobre mim mesmo.
“Eu achei que existia algo abençoado, que eu precisava experienciar”. Esta postura é uma das muitas formas do samsara: achar que é necessário encontrar determinadas experiências que irão, finalmente, nos tirar da aflição. Em verdade, tudo o que você experiencia, tudo mesmo, é o Ser. Todas as experiências são experiências do Ser. O samsara é como uma montanha russa: todos nós estamos andando nela, alguns morrendo de medo, alguns rindo, outros chorando de nervosismo.
Se a ignorância deve ser removida, deve haver um meio de conhecimento, um conhecedor e um conhecido. Quem é esse conhecido? Quem é esse conhecedor? Conhecedor e conhecido são svaprakasha Atma, o Atma auto-efulgente. Ele não pode ser objetificado. Através das palavras, recebemos conhecimento indireto.
O papel da palavra e o testemunho
Há um lugar chamado Gangnani não muito longe de Uttarkashi, onde tem duas fontes: uma de água quente e outra de água fria. As pessoas vão lá para se banhar. Eu posso descrever este lugar em todos seus detalhes, mas isso não significa que você, depois de me ouvir, irá saber tudo sobre esse lugar. Seu conhecimento sobre Gangnani será indireto. Se você considera que eu sou uma fonte confiável, de boa fé, você aceita minhas palavras como são e pode até falar sobre este lugar para mais pessoas.
A experiência de primeira mão é diferente do conhecimento indireto. Através do meu testemunho, você cria na sua imaginação esse lugar a partir da minha descrição. Cada um de nós poderá construir o lugar de uma maneira diferente, tendo como base exatamente as mesmas palavras. Ora, acontece que as Upanishads são feitas de palavras, certo? Ouvir essas palavras, até mesmo quando expostas e esclarecidas por um professor, é ainda esse tipo de conhecimento indireto, como no caso da descrição de Gangnani.
O hemisfério cerebral esquerdo é intelectual, puramente racional. O direito é emocional, criativo. Você não é nem o hemisfério direito, nem o esquerdo, nem o que tem no meio. Você é tudo. As palavras, repito, dão lugar a conhecimento indireto. Tem gente que pensa que o Vedanta é uma teoria. Elas querem algum sadhana, algum tipo de “prática”.
Se eu falar de Gangnani, que fica no Himalaya, esse lugar, em termos geográficos, é distante de você, que está aqui escutando. Gangnani também é distante em termos de tempo, pois leva tempo chegar lá, seja de ônibus, carro, a pé ou usando o meio de transporte que for. Porém, quando falamos de Atma, Atma não é “algo”, não é um objeto, que esteja distante, nem em termos de tempo, nem em termos de espaço, daquilo que você é agora.
A natureza de Atma
Você é Atma. Atma é você. Você não precisa de fé para aceitar isso, pois você existe, e sabe que existe. Se eu dissesse “eu sou”, todos nós deveríamos compreender. “Eu sou”, já deveria ser suficiente para compreendermos isto, já que o Ser é auto-evidente.
Atma é auto-efulgente, não precisa de nenhuma outra fonte de luz para iluminá-lo. Atma revela a si mesmo. Não vem ou volta. Não é sujeito a mudanças de nenhum tipo. Permanece o mesmo, o mesmo “eu sou”, em todas as circunstâncias, sob todos os papéis representados. Este “eu sou”, que é invariável, é Atma. Este Ser é a causa de tudo. O conhecimento do Ser nega, neutraliza a ignorância sobre quem sou.
Quando você vê esta flor, sua mente assume o vritti da flor. Aí, você reconhece: “estou vendo a flor”. Se a flor estiver distante, você não sente o cheiro, mas pode ter uma lembrança dos cheiros de rosas que você já sentiu anteriormente. Assim, este objeto externo, constrói um vritti no seu pensamento. Ele se torna o objeto do seu pensamento. Você conclui, então: “isto é uma flor”.
Atma não é, como já dissemos, um objeto. Não obstante, a ignorância sobre Atma precisa ser, mesmo assim, removida. Expondo-nos ao ensinamento, que é o meio de conhecimento, temos a revelação direta de Atma. Não há nada no mundo que eu possa apontar como satyam, que não seja este Atma. As conclusões que eu possa tirar sobre quem eu sou, como agente ou desfrutador das ações, karta ou bhokta, são papéis superimpostos a Atma. O conhecimento de Atma como satchitananda remove essa eventual confusão, que é a causa do sofrimento.
Dizer “eu conheço Atma” é uma força de expressão. Negando aquilo que eu não sou, a identificação com o papel do karta ou o do bhokta, a ignorância se esvai junto com essa identificação. Isso não envolve novas ações. Dar-se conta não é uma ação. O trabalho do professor é mostrar isso ao estudante. Este não é conhecimento banal. Portanto, eu não me vejo mais como um pramata, um conhecedor, nem sou um objeto que precisa ser conhecido. Me vejo como satchitananda. Ponto."
Fonte: http://www.yoga.pro.br/artigos/934/3019/felicidade-conhecimento-liberdade
Plenitude ou alegria?
Nesse sentido, nós conhecemos a plenitude, conhecemos a felicidade? Sabemos o que estamos buscando? Você já experienciou a felicidade, já se sentiu completo, com a sensação de que nada estava faltando? Se você segue o dharma, elimina os conflitos, fica tranquilo e a plenitude se revela. Como sensação, como experiência, a felicidade pode durar mais ou menos. Porém, sendo uma sensação, pensamento ou sentimento, essa felicidade será, forçosamente, limitada: começa num determinado momento, e noutro momento acaba. Quanta felicidade um humano pode ter? Uma passagem da Taittriya Upanishad, Brahmanandavalli, 8, diz:
“Imagine um homem de bem, jovem, forte, saudável e que possui toda a riqueza do mundo. Tome isso como uma unidade de felicidade humana. Agora, multiplique isso cem vezes. O resultado será a felicidade dos manushyagandharvas e daqueles que compreenderam os Vedas e destruíram o samskara. Multiplique isso mais cem vezes e você terá a felicidade dos sábios e daqueles que estudaram os Vedas e destruíram o samskara. Multiplique isso cem vezes e terá a felicidade dos karmadevas, aqueles que alcançaram a libertação pelo domínio do karma”.
Esta citação da Taittriya ilustra até que ponto um humano pode conquistar a felicidade através das ações, seguindo o dharma, e como isso é limitado, em comparação à plenitude advinda de moksha. Assim, a felicidade, como sentimento, pode aumentar ou diminuir, mas tem um limite. Sendo parte das dualidades, sua contraparte é a ausência de felicidade, chame-se tristeza, infelicidade ou o que for. Quando a felicidade termina, começa seu oposto, que também tem certa duração no tempo e depois, por sua vez, dará lugar a mais um momento de felicidade.
Plenitude não é felicidade, não é alegria, não é uma sensação ou uma emoção que se manifesta num momento e no momento seguinte desaparece. Segundo a Taittriya, esse sentimento é algo insignificante, comparado com a plenitude. Mas, é necessário lembrarmos que essa plenitude não é uma emoção, não pertence às dualidades, não começa nem termina, mas é aquilo que nós somos. Nesse sentido, ananda não depende de riqueza, saúde, prazer, conforto ou segurança.
Esse é o motivo pelo qual preferimos traduzir ananda como “plenitude”, e não como felicidade, para não confundir este ananda que você é com uma emoção que acontece na sua mente ou no seu corpo num momento dado, e depois desaparece. É por isso que insistimos na compreensão de que moksha não é uma experiência, anubhava, mas uma maneira de ver a vida, e ver a si mesmo nela. Os anubhavas são sempre limitados. Ananda é ananta, ilimitado: não começa nem termina. Essa é a natureza de Atma. É isso o que precisa ser compreendido. Assim, as experiências, por dhármicas ou prazerosas que sejam, não podem nos trazer plenitude.
Necessidade do autoconhecimento
Mas por que precisamos do conhecimento, se Atma é auto-evidente? Qual é a necessidade desse conhecimento? Digamos que eu já seja feliz e esteja satisfeito com a minha vida, pois tenho o hábito de tomar LSD e isso me deixa tranquilo e feliz, como descreve Alan Watts no seu livro Joyous Cosmos. O problema é que esta felicidade que as experiências como a do LSD podem me dar, sempre, cedo ou tarde, forçosamente acabam. Mesmo as experiências de felicidade mais profundas uma hora terminam, e depois, naturalmente, segue o contrário delas.
Ishvara é o Todo e, a maneira de se viver em plenitude, é através do meio de conhecimento adequado para conhecer Ishvara. Esse pramana, esse meio de conhecimento é Brahmavidya. Como já vimos, esse meio de conhecimento é diferente dos outros como a percepção, o testemunho ou a inferência. Mesmo com toda a sofisticação dos silogismos complexos e demais cálculos que os seres humanos somos capazes de fazer, que nos permitem inferir a existência dos buracos negros e desvendar a estrutura do elétron, esses meios de conhecimento não são capazes de revelar Atma.
O papel dos meios de conhecimento
As limitações do corpomente são evidentes. Não conseguimos olhar para as nossas costas, nem mesmo para o nosso rosto. Com todas estas limitações em termos físicos ou de meios de conhecimento, como podemos fazer para nos conhecer? Precisamos do meio de conhecimento adequado. Esse pramana para o autoconhecimento não é como os pramanas que a ciência usa. Até mesmo se estabelecermos uma causa para a existência do Universo usando a lógica, ela, o raciocínio e a inferência, dentro deste pramana peculiar que é o autoconhecimento, estão em função de moksha, que é o único objetivo, e trabalham conjuntamente com e em função do ensinamento dos ®astras.
A lógica, a razão e a inferência são usadas para descartar tudo o que for crença, condicionamento ou simples tolice, que são coisas que, muitas vezes, vêm junto com as religiões, o Yoga ou a espiritualidade de modo geral. É necessário descartar, usando essas ferramentas auxiliares, tudo o que não for conducente a moksha. Essa é a função que o raciocínio tem no Vedanta. Mas, o pramana mesmo não é a razão. O pramana é o Veda. O objetivo é moksha. E moksha, é agora. É necessário, então, dar uma oportunidade ao pramana para ver se funciona mesmo. A visão do Vedanta me diz que eu sou ilimitado. Tudo o que é negado por essa visão, simplesmente desaparece na presença dele. Atma é ilimitado. Eu sou Atma.
O ser é auto-evidente
Aceitar que o Ser é auto-evidente, auto-efulgente, pode implicar um eventual erro, que pode ser corrigido: esse erro é tentar observar o Ser como se fosse um objeto. Qualquer conclusão que você possa tirar sobre si mesmo não pode ser negada. Eu me dirijo a você, o que implica a minha aceitação da sua pessoa. Sua presença aqui não pode ser negada por ninguém. Eu não posso, tampouco, negar a minha própria presença aqui. Então, a negação do Ser não é possível, mesmo na hipótese de eu ser ignorante sobre mim mesmo.
“Eu achei que existia algo abençoado, que eu precisava experienciar”. Esta postura é uma das muitas formas do samsara: achar que é necessário encontrar determinadas experiências que irão, finalmente, nos tirar da aflição. Em verdade, tudo o que você experiencia, tudo mesmo, é o Ser. Todas as experiências são experiências do Ser. O samsara é como uma montanha russa: todos nós estamos andando nela, alguns morrendo de medo, alguns rindo, outros chorando de nervosismo.
Se a ignorância deve ser removida, deve haver um meio de conhecimento, um conhecedor e um conhecido. Quem é esse conhecido? Quem é esse conhecedor? Conhecedor e conhecido são svaprakasha Atma, o Atma auto-efulgente. Ele não pode ser objetificado. Através das palavras, recebemos conhecimento indireto.
O papel da palavra e o testemunho
Há um lugar chamado Gangnani não muito longe de Uttarkashi, onde tem duas fontes: uma de água quente e outra de água fria. As pessoas vão lá para se banhar. Eu posso descrever este lugar em todos seus detalhes, mas isso não significa que você, depois de me ouvir, irá saber tudo sobre esse lugar. Seu conhecimento sobre Gangnani será indireto. Se você considera que eu sou uma fonte confiável, de boa fé, você aceita minhas palavras como são e pode até falar sobre este lugar para mais pessoas.
A experiência de primeira mão é diferente do conhecimento indireto. Através do meu testemunho, você cria na sua imaginação esse lugar a partir da minha descrição. Cada um de nós poderá construir o lugar de uma maneira diferente, tendo como base exatamente as mesmas palavras. Ora, acontece que as Upanishads são feitas de palavras, certo? Ouvir essas palavras, até mesmo quando expostas e esclarecidas por um professor, é ainda esse tipo de conhecimento indireto, como no caso da descrição de Gangnani.
O hemisfério cerebral esquerdo é intelectual, puramente racional. O direito é emocional, criativo. Você não é nem o hemisfério direito, nem o esquerdo, nem o que tem no meio. Você é tudo. As palavras, repito, dão lugar a conhecimento indireto. Tem gente que pensa que o Vedanta é uma teoria. Elas querem algum sadhana, algum tipo de “prática”.
Se eu falar de Gangnani, que fica no Himalaya, esse lugar, em termos geográficos, é distante de você, que está aqui escutando. Gangnani também é distante em termos de tempo, pois leva tempo chegar lá, seja de ônibus, carro, a pé ou usando o meio de transporte que for. Porém, quando falamos de Atma, Atma não é “algo”, não é um objeto, que esteja distante, nem em termos de tempo, nem em termos de espaço, daquilo que você é agora.
A natureza de Atma
Você é Atma. Atma é você. Você não precisa de fé para aceitar isso, pois você existe, e sabe que existe. Se eu dissesse “eu sou”, todos nós deveríamos compreender. “Eu sou”, já deveria ser suficiente para compreendermos isto, já que o Ser é auto-evidente.
Atma é auto-efulgente, não precisa de nenhuma outra fonte de luz para iluminá-lo. Atma revela a si mesmo. Não vem ou volta. Não é sujeito a mudanças de nenhum tipo. Permanece o mesmo, o mesmo “eu sou”, em todas as circunstâncias, sob todos os papéis representados. Este “eu sou”, que é invariável, é Atma. Este Ser é a causa de tudo. O conhecimento do Ser nega, neutraliza a ignorância sobre quem sou.
Quando você vê esta flor, sua mente assume o vritti da flor. Aí, você reconhece: “estou vendo a flor”. Se a flor estiver distante, você não sente o cheiro, mas pode ter uma lembrança dos cheiros de rosas que você já sentiu anteriormente. Assim, este objeto externo, constrói um vritti no seu pensamento. Ele se torna o objeto do seu pensamento. Você conclui, então: “isto é uma flor”.
Atma não é, como já dissemos, um objeto. Não obstante, a ignorância sobre Atma precisa ser, mesmo assim, removida. Expondo-nos ao ensinamento, que é o meio de conhecimento, temos a revelação direta de Atma. Não há nada no mundo que eu possa apontar como satyam, que não seja este Atma. As conclusões que eu possa tirar sobre quem eu sou, como agente ou desfrutador das ações, karta ou bhokta, são papéis superimpostos a Atma. O conhecimento de Atma como satchitananda remove essa eventual confusão, que é a causa do sofrimento.
Dizer “eu conheço Atma” é uma força de expressão. Negando aquilo que eu não sou, a identificação com o papel do karta ou o do bhokta, a ignorância se esvai junto com essa identificação. Isso não envolve novas ações. Dar-se conta não é uma ação. O trabalho do professor é mostrar isso ao estudante. Este não é conhecimento banal. Portanto, eu não me vejo mais como um pramata, um conhecedor, nem sou um objeto que precisa ser conhecido. Me vejo como satchitananda. Ponto."
Fonte: http://www.yoga.pro.br/artigos/934/3019/felicidade-conhecimento-liberdade
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Se a paz não começar em mim - (Monja Coen)
PAX -
PAZ - PACE - PEACE - PAIX - PACO - PAU - PÎ-A-GUAPÎ - POKÓJ - PAQE
SHALOM - SALAM - SHANTI
HEIWA
FRIEDE - FRED -
VREDE -
BÉKE - BAKE -
DAMAI - DIRLIK -
RAUHA -
TAIKA -
MIER - MIR
Se a paz não começar em mim, não começará.
Se eu levantar a bandeira da paz em desafio, não será paz.
É preciso erguer as bandeiras brancas com o coração de harmonia, respeito, compaixão.
Se nosso estado é de rancor, de vingança, de demonstrar nossa força, não terá a força de transformar violência em paz ativa.
Vamos caminhar silenciosos e amorosos.
Vamos nos encontrar e nos cumprimentar na certeza de que todos compartilhamos da mesma casa comum.
É uma casa tão grande, de vidas tão diferentes. É como é. Este ser é inter ser e é transformação. Nada fixo. Podemos direcionar o caminho da mudança.
Vamos nos respeitar nas nossas diferenças. Sem exigir que nos tornemos iguais, que pensemos da mesma forma, que tenhamos a mesma religião e a mesma cultura.
Unidos estamos pelo ar, pelo céu, pela terra, pela vida e pela morte, pelo sonho, a utopia que se realiza quando corações e mentes se unem no Caminho da Verdade.
Vamos nos respeitar nas diferenças de cor de pele, de culturas, de gêneros, de alegrias, de tristezas, de curas e de doenças.
Caminhemos juntos, pois é inevitável.
Juntos estamos. Juntos somos no cosmos. Intersomos, numa rede fantástica de interconexões. Interdependência de instantes que jamais se repetem. Jamais.
Façamos deste o momento sagrado. Deste local o solo, o céu, o ar, as águas e a vida abençoada. Basta mudarmos só um pouquinho. Da ganância, da raiva e da ignorância criamos o compartilhar, o compreender, o saber superior iluminado da verdade.
Se tudo que começa termina, como terminará a época das guerras, das injustiças, das fomes, das doenças, das tristezas, das discriminações, dos excluídos, afastados, nefasta destruição da natureza?
Terminará com uma mudança de consciência do ser humano, com o desenvolvimento das capacidades de sentir o outro como o eu, o eu como o outro. Terminará quando retornarmos ao verdadeiro e resgatarmos a percepção de que somos um só corpo vivo e que da nossa cooperação amistosa, justa, todos poderão viver plena e dignamente.
Quantas mais pessoas descobrirem, e colocarem em prática, soluções de não violência ativa para conflitos, mais nos acercaremos da justiça social, do compartilhar da vida, da cura da Terra, da inclusão social, da preservação da natureza, do respeito à nossa casa comum, na celebração da vida.
Pouco a pouco, dando tempo ao tempo, vamos nos reunindo, na grande tenda global. Não da globalização licenciosa, que se aproveita para ludibriar, excluir e explorar. Não. A força global que nos une, a energia que perpassa tudo que existe, permeia o globo terrestre e universalmente a existência. Natureza-Buda.
Das forças a mais forte de todas. Energia vital. Amor universal.
Compaixão. Com - Paixão. Compartilhar a dor e o amor.
Apaixonados pelo bem das multidões de formas de vida e criações.
Apaixonados pela ação interativa de unir e não de separar.
Sinto a dor da fome das crianças da África e das crianças das periferias das cidades grandes de todo o mundo.
Sinto a tristeza dos que sobrevivem aos ataques mortíferos de armas de guerra e de desunião entre os povos.
Sinto o desespero da mãe solapada com pedaços de seu filho no colo.
Sinto a angústia do soldado correndo, matando e morrendo, ao obedecer ordens. Sinto coragem, sossego e loucura através das drogas que me permitem continuar o combate.
Sinto o pesar das noites de insônia dos líderes tolos, perdidos em somas, em números e cores, incapazes de abrir seus corações amorosos.
Sinto a desesperança dos que são maltratados em longas filas hospitalares, quando lhes permitem entrar em fila, quando já não chegam mutilados de corpo e mente nos hospitais lotados e atarefados.
Sinto o cansaço e o temor das impossibilidades de mudança.
Sinto a tristeza e o rancor. Sinto a violência se desencadeando em meu peito que é o seu. Sem conseguir refreá-la me entrego a facas e balas. Se não morrer no asfalto, na terra, boca cheia de formigas, morro nas prisões do mundo, atado pelos desejos insaciados, que não são apenas meus.
Sinto a dificuldade dos juízes em dar o parecer justo e o desespero do inocente que é culpado de ser pobre, de ser gente que não tem quem o defende.
Sinto todas as dores e me comovo de pronto Movendo junto a dor.
Mas também:
Sinto o prazer dos frutos adocicados nas bocas das crianças saudáveis do mundo.
Sinto a alegria do fim das guerras e da união dos povos.
Sinto a esperança da mãe na cura de doenças terminais.
Sinto a força de vontade dos jovens vencendo a dependência às drogas e se negando a matar
Sinto o sono tranqüilo de líderes corretos, cuidando das pessoas e de seu bem estar.
Sinto a eficácia de sistemas de saúde pública e particular, onde o mais importante é a vida.
Sinto a grande esperança nas possibilidades de mudança.
Sinto a ternura de um gesto, um olhar de compreensão nas alegrias de desarmar-se e manter as mãos abertas.
Sinto o prazer em aprender. Aprendo a ficar satisfeita.
Sinto a justiça dos seres corretos, onde o culpado não é apedrejado nem morto, mas posto a convívio que purifica, que arrepende e que modifica para o bem.
Sinto o contentamento de ser, intersendo.
Sinto da vida todas as alegrias e com os rios fluindo, fluo e me rio.
Não há um inimigo. Não se iludam, não há.
Nenhum país.
Nenhuma pessoa.
Seria tão fácil, tão simples dizer foi ela, foi ele.
Tão cômodo poder apontar para fora e gritar: assassino, corrupto, ladrão..
Escapando das suas responsabilidades de habitante grupal.
Não se iluda dizendo ser bom e o outro mau.
Perceba que somos o bem e o mal; a luz e a sombra em todo seu potencial.
Fazemos escolhas. Mas estas dependem de tudo com que nos alimentaram, tudo com que nos capacitaram e nós mesmos nos capacitamos. Até nisso, veja bem, somos todos responsáveis.
Se o Presidente Bush ameaça e se prepara para um ataque fatal, apoiado por mais de 60% das pessoas de sua terra natal é porque não lhe ensinaram soluções de paz ativa. Qual foi a educação que teve, que soluções lhe ensinaram? Quem o assessora agora? Por que e como o elegeram? Tudo isso tem a ver. Nada está isolado. Ao invés de o odiar, de ao seu país querer mal, precisamos é nos unir no pensamento e na ação de amar e compreender, de vivenciar a compaixão.
Isto não quer dizer que não devemos fazer nada. Muito pelo contrário. Só que a mudança que falo, mas poderosa que guerras, que revoluções internas e externas é a mudança do coração.
Quando percebi do que é capaz, um ser humano que compreende e se transforma em agente da paz, pensei que era revolucionário demais.
Agora sigo o caminho e sempre me perguntando: como é que posso fazer para conduzir o maior número de seres à Iluminação, à Verdade e á Vida em comunidade?
Está na hora do despertar da humanidade.
Bom dia!
Que haja discernimento correto na opção da vida
.
Que conheçamos os três venenos temíveis a serem evitados: a ganância, a raiva e a ignorância, nos seus disfarces mais variados.
A maioria de nós demora a perceber o próprio envenenamento.
Devem ser apiedadas, orientadas e não apedrejadas.
Não queimem bandeiras.
Não joguem pedras.
Não gritem insultos.
Não condenem pessoas, mas situações.
Podemos juntos transformar a maneira de ser dos habitantes da Terra.
Com isso modificaremos o habitat.
Faremos daqui o local, não da espera, mas do chegar.
Onde se fica bem.
Onde a vida cuida com cuidado uns dos outros.
No afago ao recém nascido
A benção da esperança.
Tudo será diferente,
Pois tudo que queremos aqui mesmo se alcança.
Oremos e meditemos, junto a muito trabalho,
Construindo e aprendendo uma nova maneira de ser.
Um outro mundo possível onde a cultura é da paz..
Aprendendo a cada instante
A ser mais livre e melhor.
Não aquela liberdade anárquica e saltitante
Que não considera o todo e pensa só na sua estante.
Como livros bem guardados e amarelados, comidos por traça e cupim.
Nossos pensamentos lacrados se fecham.
Congelados, desgastados, poluídos, maculados.
Sem se manifestar
A verdade mais profunda fica esquecida, deixada.
O falso vai num crescendo
Crescendo.
Seu som engolfa o mundo.
Todos pensam que é o fim, que tudo está tão errado, que não se pode mudar.
Errado. Pausa.
Volte seu olhar para dentro.Examine com cuidado. Perceba o elo sagrado.
Seja ele com Senhor Buda, Ramsés. Íris, Profeta Mohamed, Jesus, Deus, Orixás, divindades, espíritos encarnados e desencarnados.
Este elo nos une e não nos separa.
Há quem diga que as religiões criam guerras.
Se forem verdadeiras não as criarão. Ao contrário, criarão soluções de não violência e respeito, de amor ao que é de direito.
Vamos nos unir criando com nossas vidas uma rede de bem. Que cubra toda a terra.
Vamos criar essa teia de percepção verdadeira. Relembrar.
Relembrar o verdadeiro.
Estamos todos ligados. Interconectados.
Corpo e mente não são dois.
Imagem, reflexo e semelhança.
Vista a camisa da Cultura de Paz.
Substitua Guevara por Gandhi.
Re aprenda a querer bem, a mudar, sem ter de matar ou morrer.
PAZ - PACE - PEACE - PAIX - PACO - PAU - PÎ-A-GUAPÎ - POKÓJ - PAQE
SHALOM - SALAM - SHANTI
HEIWA
FRIEDE - FRED -
VREDE -
BÉKE - BAKE -
DAMAI - DIRLIK -
RAUHA -
TAIKA -
MIER - MIR
Se a paz não começar em mim, não começará.
Se eu levantar a bandeira da paz em desafio, não será paz.
É preciso erguer as bandeiras brancas com o coração de harmonia, respeito, compaixão.
Se nosso estado é de rancor, de vingança, de demonstrar nossa força, não terá a força de transformar violência em paz ativa.
Vamos caminhar silenciosos e amorosos.
Vamos nos encontrar e nos cumprimentar na certeza de que todos compartilhamos da mesma casa comum.
É uma casa tão grande, de vidas tão diferentes. É como é. Este ser é inter ser e é transformação. Nada fixo. Podemos direcionar o caminho da mudança.
Vamos nos respeitar nas nossas diferenças. Sem exigir que nos tornemos iguais, que pensemos da mesma forma, que tenhamos a mesma religião e a mesma cultura.
Unidos estamos pelo ar, pelo céu, pela terra, pela vida e pela morte, pelo sonho, a utopia que se realiza quando corações e mentes se unem no Caminho da Verdade.
Vamos nos respeitar nas diferenças de cor de pele, de culturas, de gêneros, de alegrias, de tristezas, de curas e de doenças.
Caminhemos juntos, pois é inevitável.
Juntos estamos. Juntos somos no cosmos. Intersomos, numa rede fantástica de interconexões. Interdependência de instantes que jamais se repetem. Jamais.
Façamos deste o momento sagrado. Deste local o solo, o céu, o ar, as águas e a vida abençoada. Basta mudarmos só um pouquinho. Da ganância, da raiva e da ignorância criamos o compartilhar, o compreender, o saber superior iluminado da verdade.
Se tudo que começa termina, como terminará a época das guerras, das injustiças, das fomes, das doenças, das tristezas, das discriminações, dos excluídos, afastados, nefasta destruição da natureza?
Terminará com uma mudança de consciência do ser humano, com o desenvolvimento das capacidades de sentir o outro como o eu, o eu como o outro. Terminará quando retornarmos ao verdadeiro e resgatarmos a percepção de que somos um só corpo vivo e que da nossa cooperação amistosa, justa, todos poderão viver plena e dignamente.
Quantas mais pessoas descobrirem, e colocarem em prática, soluções de não violência ativa para conflitos, mais nos acercaremos da justiça social, do compartilhar da vida, da cura da Terra, da inclusão social, da preservação da natureza, do respeito à nossa casa comum, na celebração da vida.
Pouco a pouco, dando tempo ao tempo, vamos nos reunindo, na grande tenda global. Não da globalização licenciosa, que se aproveita para ludibriar, excluir e explorar. Não. A força global que nos une, a energia que perpassa tudo que existe, permeia o globo terrestre e universalmente a existência. Natureza-Buda.
Das forças a mais forte de todas. Energia vital. Amor universal.
Compaixão. Com - Paixão. Compartilhar a dor e o amor.
Apaixonados pelo bem das multidões de formas de vida e criações.
Apaixonados pela ação interativa de unir e não de separar.
Sinto a dor da fome das crianças da África e das crianças das periferias das cidades grandes de todo o mundo.
Sinto a tristeza dos que sobrevivem aos ataques mortíferos de armas de guerra e de desunião entre os povos.
Sinto o desespero da mãe solapada com pedaços de seu filho no colo.
Sinto a angústia do soldado correndo, matando e morrendo, ao obedecer ordens. Sinto coragem, sossego e loucura através das drogas que me permitem continuar o combate.
Sinto o pesar das noites de insônia dos líderes tolos, perdidos em somas, em números e cores, incapazes de abrir seus corações amorosos.
Sinto a desesperança dos que são maltratados em longas filas hospitalares, quando lhes permitem entrar em fila, quando já não chegam mutilados de corpo e mente nos hospitais lotados e atarefados.
Sinto o cansaço e o temor das impossibilidades de mudança.
Sinto a tristeza e o rancor. Sinto a violência se desencadeando em meu peito que é o seu. Sem conseguir refreá-la me entrego a facas e balas. Se não morrer no asfalto, na terra, boca cheia de formigas, morro nas prisões do mundo, atado pelos desejos insaciados, que não são apenas meus.
Sinto a dificuldade dos juízes em dar o parecer justo e o desespero do inocente que é culpado de ser pobre, de ser gente que não tem quem o defende.
Sinto todas as dores e me comovo de pronto Movendo junto a dor.
Mas também:
Sinto o prazer dos frutos adocicados nas bocas das crianças saudáveis do mundo.
Sinto a alegria do fim das guerras e da união dos povos.
Sinto a esperança da mãe na cura de doenças terminais.
Sinto a força de vontade dos jovens vencendo a dependência às drogas e se negando a matar
Sinto o sono tranqüilo de líderes corretos, cuidando das pessoas e de seu bem estar.
Sinto a eficácia de sistemas de saúde pública e particular, onde o mais importante é a vida.
Sinto a grande esperança nas possibilidades de mudança.
Sinto a ternura de um gesto, um olhar de compreensão nas alegrias de desarmar-se e manter as mãos abertas.
Sinto o prazer em aprender. Aprendo a ficar satisfeita.
Sinto a justiça dos seres corretos, onde o culpado não é apedrejado nem morto, mas posto a convívio que purifica, que arrepende e que modifica para o bem.
Sinto o contentamento de ser, intersendo.
Sinto da vida todas as alegrias e com os rios fluindo, fluo e me rio.
Não há um inimigo. Não se iludam, não há.
Nenhum país.
Nenhuma pessoa.
Seria tão fácil, tão simples dizer foi ela, foi ele.
Tão cômodo poder apontar para fora e gritar: assassino, corrupto, ladrão..
Escapando das suas responsabilidades de habitante grupal.
Não se iluda dizendo ser bom e o outro mau.
Perceba que somos o bem e o mal; a luz e a sombra em todo seu potencial.
Fazemos escolhas. Mas estas dependem de tudo com que nos alimentaram, tudo com que nos capacitaram e nós mesmos nos capacitamos. Até nisso, veja bem, somos todos responsáveis.
Se o Presidente Bush ameaça e se prepara para um ataque fatal, apoiado por mais de 60% das pessoas de sua terra natal é porque não lhe ensinaram soluções de paz ativa. Qual foi a educação que teve, que soluções lhe ensinaram? Quem o assessora agora? Por que e como o elegeram? Tudo isso tem a ver. Nada está isolado. Ao invés de o odiar, de ao seu país querer mal, precisamos é nos unir no pensamento e na ação de amar e compreender, de vivenciar a compaixão.
Isto não quer dizer que não devemos fazer nada. Muito pelo contrário. Só que a mudança que falo, mas poderosa que guerras, que revoluções internas e externas é a mudança do coração.
Quando percebi do que é capaz, um ser humano que compreende e se transforma em agente da paz, pensei que era revolucionário demais.
Agora sigo o caminho e sempre me perguntando: como é que posso fazer para conduzir o maior número de seres à Iluminação, à Verdade e á Vida em comunidade?
Está na hora do despertar da humanidade.
Bom dia!
Que haja discernimento correto na opção da vida
.
Que conheçamos os três venenos temíveis a serem evitados: a ganância, a raiva e a ignorância, nos seus disfarces mais variados.
A maioria de nós demora a perceber o próprio envenenamento.
Devem ser apiedadas, orientadas e não apedrejadas.
Não queimem bandeiras.
Não joguem pedras.
Não gritem insultos.
Não condenem pessoas, mas situações.
Podemos juntos transformar a maneira de ser dos habitantes da Terra.
Com isso modificaremos o habitat.
Faremos daqui o local, não da espera, mas do chegar.
Onde se fica bem.
Onde a vida cuida com cuidado uns dos outros.
No afago ao recém nascido
A benção da esperança.
Tudo será diferente,
Pois tudo que queremos aqui mesmo se alcança.
Oremos e meditemos, junto a muito trabalho,
Construindo e aprendendo uma nova maneira de ser.
Um outro mundo possível onde a cultura é da paz..
Aprendendo a cada instante
A ser mais livre e melhor.
Não aquela liberdade anárquica e saltitante
Que não considera o todo e pensa só na sua estante.
Como livros bem guardados e amarelados, comidos por traça e cupim.
Nossos pensamentos lacrados se fecham.
Congelados, desgastados, poluídos, maculados.
Sem se manifestar
A verdade mais profunda fica esquecida, deixada.
O falso vai num crescendo
Crescendo.
Seu som engolfa o mundo.
Todos pensam que é o fim, que tudo está tão errado, que não se pode mudar.
Errado. Pausa.
Volte seu olhar para dentro.Examine com cuidado. Perceba o elo sagrado.
Seja ele com Senhor Buda, Ramsés. Íris, Profeta Mohamed, Jesus, Deus, Orixás, divindades, espíritos encarnados e desencarnados.
Este elo nos une e não nos separa.
Há quem diga que as religiões criam guerras.
Se forem verdadeiras não as criarão. Ao contrário, criarão soluções de não violência e respeito, de amor ao que é de direito.
Vamos nos unir criando com nossas vidas uma rede de bem. Que cubra toda a terra.
Vamos criar essa teia de percepção verdadeira. Relembrar.
Relembrar o verdadeiro.
Estamos todos ligados. Interconectados.
Corpo e mente não são dois.
Imagem, reflexo e semelhança.
Vista a camisa da Cultura de Paz.
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