"Gregg Braden, desenhista de sistemas de computação aeroespaciais e geólogo chefe da Phillips Petroleum é um cientista conhecido hoje por unir o mundo da ciência e o mundo espiritual.
Vale a pena ler o que ele diz! Se você viu o documentário (DVD) de Louise Hay chamado “Você pode curar sua vida”, ele está lá também dando seus depoimentos maravilhosos.
Você sabe que hoje a ciência já provou através da física quântica que somos energia e que estamos todos conectados através de nossa vibração?
Deus é puro amor, é energia e por ser energia, não morre, não desaparece, é imortal, está em todos os lugares. E como somos a imagem e semelhança de Deus, sabemos que somos energia e hoje podemos provar isso. Somos seres espirituais e não seres feitos de matéria.
Durante muito tempo achava-se que a menor partícula de uma célula, o átomo, era feito de matéria. Depois descobriram que na verdade a maior parte de um átomo é vácuo, então pensava-se que o núcleo, que é muito pequeno, fosse material. Essa idéia caiu por terra quando através do uso de microscópios eletrônicos muito potentes, verificou-se que o núcleo de um átomo é apenas energia condensada, não é matéria.
Mas se tudo que existe no mundo “material” é feito de um conjunto de células, estas são feitas de átomos e se um átomo de qualquer coisa não é material, então no nível microscópico, nada é material, tudo é vibração, tudo é feito de energia condensada.
Vivemos em um universo de vibração e nossos corpos são feitos a partir da vibração da energia que emanamos constantemente. O que você pensa sobre seu corpo e sua saúde?
Apesar de pouco conhecida ainda, a descoberta do Grande Código Isaias nas cavernas do Mar Morto em 1946 revelou as chaves sobre nosso papel na criação. Entre essas chaves encontram-se as instruções de um modelo “perdido” de oração, que a ciência quântica moderna sugere que tenha o poder de curar nossos corpos, trazer paz duradoura ao nosso mundo e talvez prevenir as grandes tragédias que poderiam assolar a humanidade. Com as palavras de seu tempo, os essênios nos lembram que toda oração já foi atendida por Deus.
Qualquer resultado que possamos imaginar e cada possibilidade que sejamos capazes de conceber, é um aspecto da criação que já foi criado e existe no presente como um estado “adormecido” de possibilidade.
A física quântica já foi apelidada de Física das possibilidades por nos dizer que tudo o que imaginamos encontra-se disponível como uma das possibilidades que vamos assimilar em nossas vidas, só deveríamos “atrair” a que desejamos pelo nosso pensamento.
Criar, atrair ou acessar???
A partir dessa perspectiva, nossa oração baseada nos sentimentos deixa de ser “algo por obter” e se converte em “acessar” o resultado desejado, que já está criado no mundo vibracional (quântico, atômico) das infinitas possibilidades. Ou seja, nada é impossível.
Quando temos um desejo sincero, este se torna parte das nossas possibilidades futuras no nível quântico e só precisamos sintoniza-lo.
Então já sabemos que a ciência atual consegue provar através da teoria quântica que pensamento é energia, que toda energia tem uma vibração e que a vibração cria o mundo material, nossos corpos e todo restante ao nosso redor foi e continua sendo criado através das nossas mentes coletivas.
Também sabemos que a luz é uma fonte de energia; então, a que estão conectadas as partículas de luz? Gregg Braden diz que estamos sendo levados a aceitar a possibilidade de que existe um novo campo de energia e que o DNA está se comunicando com os fótons por meio desse campo.
Experimento 1
Nesse experimento foi recolhida uma amostra de leucócitos (glóbulos brancos) de vários doadores. Estas amostras foram colocadas em uma sala com um equipamento de medição das alterações elétricas. Nesse experimento, o doador era colocado em outra sala e submetido a estímulos emocionais provocados por vídeos que lhe causavam emoções. O DNA era colocado em um lugar diferente do doador, mas no mesmo prédio. O doador e seu DNA eram monitorados e quando o doador mostrava alterações emocionais (medidas em ondas elétricas), o DNA, visualizado através de microscópios muito potentes, expressava respostas idênticas e simultâneas. Os altos e baixos do DNA coincidiam exatamente com os altos e baixos do doador. O objetivo era saber a que distância poderiam estar separados o doador e seu DNA para que o efeito continuasse a ser observado. Pararam de fazer as provas quando chegaram a uma distancia de mais de 80 km entre o DNA e seu doador e continuaram obtendo o mesmo resultado, sem diferença e sem atraso de transmissão. O DNA e o doador tiveram as mesmas respostas ao mesmo tempo. Mas o que isso significa?
Gregg Braden diz que isso significa que as células vivas se reconhecem através de uma forma de energia não reconhecida com antecipação. Essa energia não é afetada nem pela distância e nem pelo tempo. Não é uma forma de energia localizada, mas uma energia que existe em todas as partes e todo o tempo.
Experimento 2
Outro experimento foi realizado pelo Instituto Heart Math e nele se observou o DNA da placenta humana (a forma mais antiga de DNA) que foi colocado num recipiente onde podiam ser medidas suas alterações. Foram distribuídas 28 amostras em tubos de ensaio para um mesmo numero de investigadores previamente treinados. Cada investigador foi treinado para gerar e emitir sentimentos e cada um podia ter fortes emoções. O que se descobriu foi que o DNA mudou de forma de acordo com os sentimentos dos investigadores. Quando eles sentiam gratidão, amor, estima, o DNA respondia relaxando e seus filamentos se estirando. O DNA ficou mais longo. Quando os investigadores sentiam raiva, medo ou stress, o DNA respondia se encolhendo. Tornou-se mais curto e muitos códigos se apagaram.
Alguma vez você já se sentiu “carregado” por emoções negativas? Agora sabemos o porquê, uma vez que nossos corpos também são afetados. Os códigos do DNA se conectaram de novo quando os investigadores tiveram sentimentos de amor, alegria, gratidão, harmonia e estima e em muitos casos houve cura física de doenças. Essas alterações emocionais provaram que eram capazes de ir além dos efeitos eletromagnéticos. Os indivíduos treinados para sentir amor profundo, foram capazes de modificar a forma de seu DNA.
Gregg Braden disse que isso ilustra uma nova forma de energia que conecta toda criação. Essa energia parece ser uma rede tecida de forma ajustada e que conecta toda matéria. Essencialmente, podemos influenciar essa rede de criação por meio de nossa vibração.
Questão de vibração ...
Há mais de 30 anos, em 1947, o Dr. Hans Jenny desenvolveu uma nova ciência para investigar a relação entre vibração e forma. Mediante seus estudos o Dr. Jenny demonstrou que a vibração produzia até geometria. Ele produziu uma surpreendente variedade de desenhos geométricos, desde alguns muito complexos até outros bastante simples, em materiais como água, azeite, grafite e enxofre em pó. Cada desenho era a forma visível de uma força invisível.
A importância dessa experiência é que com ela o Dr. Jenny provou, sem espaço para dúvida, que a vibração cria uma forma previsível na substancia onde é projetada. Pensamento, sentimento e emoção são vibrações que criam um transtorno sobre a matéria em que são projetados, por essa razão precisamos tomar cuidado com o que pensamos e sentimos.
Muitas pessoas se exercitam, vão à academia, bebem muita água, comem alimentos saudáveis mas vivem com raiva ou pessimismo, assistem sempre aos noticiários negativos, adoram filmes de guerra, drama e violência, conversam sobre doenças, crise financeira, guerras. Estas pessoas geralmente não entendem porque ficam deprimidas. O alimento que ingerimos é importante, mas as emoções são o alimento da alma e esse alimento (emoções) influencia nossa saúde e nosso destino completamente.
Que tal ser amigo de sua alma? Veja coisas engraçadas, divertidas, alegres, bonitas, românticas, interessantes, instrutivas, espiritualistas, otimistas. Deixe o noticiário de lado, as conversas negativas, os livros e filmes violentos e tristes, pois o que isso agrega de qualidade positiva em sua vida? Nada. Negativamente? Tudo! Seja mais feliz, ame-se e cuide do alimento de sua alma.
A chave para obter um resultado entre os muitos possíveis (assimilar uma das infinitas possibilidades que nos cercam) reside em nossa habilidade para escolher nossas emoções e sentir que nossa escolha já está acontecendo. Ver a oração desse modo, como “sentimento”, nos leva a encontrar a qualidade do pensamento e da emoção que produz esse sentimento. Viver como se o fruto de nossa prece já estivesse a caminho.
Se pensamento, sentimento e emoção não estão alinhados, não há união. Portanto, se cada padrão se move numa direção diferente, o resultado é uma dispersão de energia e o resultado de sua oração não é recebido por você. Se por outro lado, os padrões de nossa oração se centram na união, como pode o “material” da criação não responder à nossa prece?
“Qualquer um que diga a essa montanha: Sai daí e joga-te no mar – não vacilando em seu coração, mas acreditando que acontecerá, assim será” - Marcos 11:23.
A chave para que a oração seja eficaz é a união do pensamento, sentimento e emoção.
Com que rapidez isso ocorre? Diz Gregg Braden que alguns de nossos cientistas estão observando que o magnetismo da Terra está diminuindo drástica e rapidamente. Inclusive já especularam em segredo sobre uma possível alteração dos pólos magnéticos do planeta, prevista justamente para o ano que termina o calendário Maia e as profecias assinalam como o princípio de um novo começo - 2012. A tão famosa Era de Aquário ...
Diz que quanto maior o magnetismo, maior é o tempo para a manifestação no nosso mundo do que pensamos e sentimos. Por conseguinte, quanto menor o magnetismo, menor será o tempo para nos encontrarmos com a manifestação de nossos desejos e então levará menos tempo para nossos desejos se manifestarem. Isso pode ser algo maravilhoso não? Ou então, menos tempo para a manifestação de nossos medos, caso mantenhamos pensamentos negativos. Tudo depende de você. O que você mais pensa?
Conclusão
Vimos que geneticamente nosso DNA muda com as freqüências que produzem nossos sentimentos e como é que as freqüências energéticas mais altas, que são as do amor, impactam o ambiente de uma forma material, produzindo transformações não só em nosso DNA, mas no ambiente que nos cerca. Ou seja, você é muito mais poderoso do que imaginava.
Portanto, quanto mais amor deixarmos fluir por nossos corpos, mais adaptados estaremos para enfrentar o que possa acontecer em nossas vidas. E podemos conduzir todo nosso planeta mediante nossos pensamentos positivos em conjunto, para o melhor futuro possível."
"Awakening to zero point” (Despertando para o ponto zero) - Gregg Braden
http://www.caminhosdeluz.org/A-441.htm
Fonte: http://avidaimpessoal.blogspot.com/2010/09/efeito-isaias.html
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Luz - A Força do Espírito - (Wagner Borges)
Ah, tem coisas que o tempo leva...
Menos o coração da gente,
Que tem muitas histórias para contar.
Encontros e desencontros... E outros encontros.
Tudo é como deve ser.
Cabe ao homem aprender o que é preciso.
Quem é dono da verdade?
Tudo muda, e tudo passa...
Menos a lição que a gente aprende.
Ninguém morre; o espírito é imperecível.
Passa o corpo, fica a experiência.
Ah, a ignorância também passa... Mas fica o entendimento.
Não existe sorte ou azar, tudo é causa e efeito.
Cada um recebe o que dá!
E isso é assim também no infinito...
Sábio é quem perdoa, pois não se liga ao mal.
Quem tem amor, não tem como devolver ódio.
Quem é da Luz, não comunga com as trevas.
Se tudo passa, nada pertence ao homem, nem mesmo o corpo.
Só fica o que o espírito é!
E o que sente em seu coração.
Fazer o mal não compensa; só os tolos caem nessa.
Mesmo assim, tem gente pensando mal dos outros.
E, com isso, deixam as trevas penetrarem em suas mentes.
Ah, tem tanta gente tola no mundo!
Que não valoriza a vida e não sabe amar.
Por isso, andam com o olhar e o coração apagados.
Quem é da Luz, confia na Luz.
E jamais se revolta, pois a raiva não faz morada em seu Ser.
Quem é da Luz, compreende.
Quem é da Luz, ama, mesmo que ninguém entenda.
Isso faz parte do seu Ser. Não tem outro jeito!
E a Luz conhece seus filhos. É gente que ama.
P.S.:
Aos que perseveram nas lides espirituais, mesmo sob a pressão do mundo, um grande AXÉ!
Paz e Luz.
Wagner Borges
Jundiaí, 18 de agosto de 2009.
Fonte: Somos Todos Um - http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=10518
Menos o coração da gente,
Que tem muitas histórias para contar.
Encontros e desencontros... E outros encontros.
Tudo é como deve ser.
Cabe ao homem aprender o que é preciso.
Quem é dono da verdade?
Tudo muda, e tudo passa...
Menos a lição que a gente aprende.
Ninguém morre; o espírito é imperecível.
Passa o corpo, fica a experiência.
Ah, a ignorância também passa... Mas fica o entendimento.
Não existe sorte ou azar, tudo é causa e efeito.
Cada um recebe o que dá!
E isso é assim também no infinito...
Sábio é quem perdoa, pois não se liga ao mal.
Quem tem amor, não tem como devolver ódio.
Quem é da Luz, não comunga com as trevas.
Se tudo passa, nada pertence ao homem, nem mesmo o corpo.
Só fica o que o espírito é!
E o que sente em seu coração.
Fazer o mal não compensa; só os tolos caem nessa.
Mesmo assim, tem gente pensando mal dos outros.
E, com isso, deixam as trevas penetrarem em suas mentes.
Ah, tem tanta gente tola no mundo!
Que não valoriza a vida e não sabe amar.
Por isso, andam com o olhar e o coração apagados.
Quem é da Luz, confia na Luz.
E jamais se revolta, pois a raiva não faz morada em seu Ser.
Quem é da Luz, compreende.
Quem é da Luz, ama, mesmo que ninguém entenda.
Isso faz parte do seu Ser. Não tem outro jeito!
E a Luz conhece seus filhos. É gente que ama.
P.S.:
Aos que perseveram nas lides espirituais, mesmo sob a pressão do mundo, um grande AXÉ!
Paz e Luz.
Wagner Borges
Jundiaí, 18 de agosto de 2009.
Fonte: Somos Todos Um - http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=10518
Você, Deus e o amor: Todos Somos UM! - (Thais Accioly)
"Deus teve uma inspiração de amor e foi um bom pensamento divino que se criou, porque então Ele ofereceu ao universo você.
Enviou-o à Terra para ser o amor e a alegria a se materializar, recobriu-o de pó de estrela bem como a tudo ao seu redor, para que você pudesse olhar para si, para a natureza e para seus irmãos e se lembrasse de quem realmente é: Luz Divina.
Ao nascermos na Terra, entretanto, nos deixamos esquecer progressivamente de nossa origem e missão, e vivemos a ilusão de ser algo que não somos: separados uns dos outros. Nos tornamos amedrontados, desconfiados, competitivos, ressentidos, inseguros sobre nossas capacidades, criamos dores e sofrimentos de todas as espécies.
E, no entanto, continuamos sendo luz, todos somos.
Somos a água e os minerais, somos o vento e as montanhas, as árvores e as flores, somos os vaga-lumes e os lobos, as baleias e os campos, o sal e a erva do campo, somos humanos e anjos, somos a Terra e as estrelas, somos o oxigênio que respiramos e o fogo da vida: somos Amor.
Amor que cria, que se materializa para crescer, para evoluir.
Somos em essência gentileza e força que se unem para o bem, para criar o belo e o bom e a energia do amor, acredite, é forte e consistente.
Ela emana de você, através de você, todo o tempo, mesmo que disso você não tenha consciência, mesmo que tema o amor, mesmo que hoje a indiferença ou a raiva sejam sua expressão de dor... É o amor a sua origem, a sua essência, a sua verdade. É o amor com toda sua doçura, autoridade, abundância e gentileza seu verdadeiro Eu.
Todo esse conhecimento está bem dentro de você, e ativar sua memória e mantê-la desperta é o caminho para que o amor guie seus passos, seus pensamentos, suas palavras, suas ações.
Esse é o tempo de despertar para a verdade e você pode pensar que vai dar muito trabalho fazer isso, ou que vai ter que gastar muita energia, mas na realidade manter-se na ilusão tem feito você trabalhar forçado e gastar muito de sua energia construindo seus mecanismos de defesa e os muros que o afastam dos outros e isto vem gerando estresse, depressão, angustias e ansiedade, sem que você se dê conta.
Você pode pensar que está sozinho para fazer isso, mas não está. Deus está em você encorajando-o o tempo todo, apoiando-o, estimulando-o e abençoando-o, Ele está ainda em toda a natureza e em todos à sua volta ajudando-o incessantemente.
Deus também está entre as belas flores do campo que preparadas como essências florais continuam apoiando-o e facilitando o seu processo de se lembrar de quem realmente é, expressando sua bela presença, saindo da ilusão de ser mendigo de Luz para ser a Luz Divina na Terra.
Somos todos um e o amor que você é e expressa mantém sua própria chama Divina criando vida e ela pode tocar e acender os corações gerando paz, esperança e felicidade em seu caminho e nos caminhos do mundo.
E por isso, esses são meus votos para você :
Escolha ser o Amor! Escolha se lembrar...
Todo o meu carinho."
Fonte: Somos Todos Um - http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=03161
Enviou-o à Terra para ser o amor e a alegria a se materializar, recobriu-o de pó de estrela bem como a tudo ao seu redor, para que você pudesse olhar para si, para a natureza e para seus irmãos e se lembrasse de quem realmente é: Luz Divina.
Ao nascermos na Terra, entretanto, nos deixamos esquecer progressivamente de nossa origem e missão, e vivemos a ilusão de ser algo que não somos: separados uns dos outros. Nos tornamos amedrontados, desconfiados, competitivos, ressentidos, inseguros sobre nossas capacidades, criamos dores e sofrimentos de todas as espécies.
E, no entanto, continuamos sendo luz, todos somos.
Somos a água e os minerais, somos o vento e as montanhas, as árvores e as flores, somos os vaga-lumes e os lobos, as baleias e os campos, o sal e a erva do campo, somos humanos e anjos, somos a Terra e as estrelas, somos o oxigênio que respiramos e o fogo da vida: somos Amor.
Amor que cria, que se materializa para crescer, para evoluir.
Somos em essência gentileza e força que se unem para o bem, para criar o belo e o bom e a energia do amor, acredite, é forte e consistente.
Ela emana de você, através de você, todo o tempo, mesmo que disso você não tenha consciência, mesmo que tema o amor, mesmo que hoje a indiferença ou a raiva sejam sua expressão de dor... É o amor a sua origem, a sua essência, a sua verdade. É o amor com toda sua doçura, autoridade, abundância e gentileza seu verdadeiro Eu.
Todo esse conhecimento está bem dentro de você, e ativar sua memória e mantê-la desperta é o caminho para que o amor guie seus passos, seus pensamentos, suas palavras, suas ações.
Esse é o tempo de despertar para a verdade e você pode pensar que vai dar muito trabalho fazer isso, ou que vai ter que gastar muita energia, mas na realidade manter-se na ilusão tem feito você trabalhar forçado e gastar muito de sua energia construindo seus mecanismos de defesa e os muros que o afastam dos outros e isto vem gerando estresse, depressão, angustias e ansiedade, sem que você se dê conta.
Você pode pensar que está sozinho para fazer isso, mas não está. Deus está em você encorajando-o o tempo todo, apoiando-o, estimulando-o e abençoando-o, Ele está ainda em toda a natureza e em todos à sua volta ajudando-o incessantemente.
Deus também está entre as belas flores do campo que preparadas como essências florais continuam apoiando-o e facilitando o seu processo de se lembrar de quem realmente é, expressando sua bela presença, saindo da ilusão de ser mendigo de Luz para ser a Luz Divina na Terra.
Somos todos um e o amor que você é e expressa mantém sua própria chama Divina criando vida e ela pode tocar e acender os corações gerando paz, esperança e felicidade em seu caminho e nos caminhos do mundo.
E por isso, esses são meus votos para você :
Escolha ser o Amor! Escolha se lembrar...
Todo o meu carinho."
Fonte: Somos Todos Um - http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=03161
domingo, 5 de setembro de 2010
No Palco da Vida ... - (Paramahansa Yogananda)
“Traga à cena o poder onipotente
que há dentro de você
de modo que no palco da vida
você possa desempenhar o elevado
papel que lhe foi destinado”
Poesia Divina.... - (Paramahansa Yogananda)
"Quando eu sorrio
Em mim Tu sorris.
Quando eu choro
Em mim está o Teu pranto.
Quando eu acordo
É meu Teu bom dia.
Quando eu ando
Caminhas comigo.
Tu sorris e chora
Despertas e andas
Tal qual eu:
Minha imagem és Tu.
Mas...se eu sonho
Tu estas acordado.
Se tropeço, permaneces firme.
E se morro, Tu és minha vida!"
Paramahansa Yogananda - Song of the Soul
Em mim Tu sorris.
Quando eu choro
Em mim está o Teu pranto.
Quando eu acordo
É meu Teu bom dia.
Quando eu ando
Caminhas comigo.
Tu sorris e chora
Despertas e andas
Tal qual eu:
Minha imagem és Tu.
Mas...se eu sonho
Tu estas acordado.
Se tropeço, permaneces firme.
E se morro, Tu és minha vida!"
Paramahansa Yogananda - Song of the Soul
sábado, 4 de setembro de 2010
At Last - (Etta James)
At Last
(Etta James)
At last my love has come along
My lonely days are over
And life is like a song
Ohh yeah yeah
At last
the skies above are blue
My heart was wrapped up in clover
The night I looked at you
I found a dream, that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to press my cheek to
A thrill that I have never known
Ohh yeah yeah…
You smile, you smile
oh And then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine at last
Estado de sonho - (Papaji)
"Quando há dualidade, há o estado de sonho. Quando você vê multiplicidade, você está no estado de sonho. Criador, criatura, céu, inferno, ou qualquer coisa parecida, é estado de sonho. Quando você acorda, nada jamais existiu. Nem deuses, nem criação, nada foi criado. Nem mundo nem nada. No sono profundo nada existe. Nem amigos nem inimigos. Nada. De manhã quando você acorda, instantaneamente aparece o primeiro pensamento: “Eu sou fulano”. Instantaneamente tudo começa.
Tempo e carma aparecem com o primeiro pensamento. Então, pegue esse primeiro pensamento, “Eu sou isso e aquilo”, e descubra de onde ele vem. Quando você o procura, esse pensamento desaparece e você então reconhece quem você é.
Deste pensamento “Eu sou isso e aquilo” dependem todos os outros pensamentos. O cosmos inteiro surge em relação a esse pensamento. Então prenda-se a esse pensamento-eu, o primeiro pensamento. Este eu desaparecerá e o deixará só. Este ego-eu ajudá-lo-á a retornar. Então você saberá que nada jamais existiu."
Tempo e carma aparecem com o primeiro pensamento. Então, pegue esse primeiro pensamento, “Eu sou isso e aquilo”, e descubra de onde ele vem. Quando você o procura, esse pensamento desaparece e você então reconhece quem você é.
Deste pensamento “Eu sou isso e aquilo” dependem todos os outros pensamentos. O cosmos inteiro surge em relação a esse pensamento. Então prenda-se a esse pensamento-eu, o primeiro pensamento. Este eu desaparecerá e o deixará só. Este ego-eu ajudá-lo-á a retornar. Então você saberá que nada jamais existiu."
Tristeza - Qual é o significado da tristeza e como lidar com ela? - (Monja Coen)
Entrevista à Cida Oliveira
Qual é o significado da tristeza e como lidar com ela?
Na tristeza ficamos tristes.
Quando perdemos alguém.
Quando perdemos.
Quando as coisas não são como queríamos que fossem.
Quando as pessoas não são como queríamos que fossem.
Quando o mundo e a realidade não são o que queríamos que fossem.
Quando não somos o que gostaríamos de ser.
Quando não temos o que gostaríamos de ter.
Porém,
se nos lembrarmos
que as coisas são como são
que as pessos são como são
que nós, o mundo e a relidade são o que são
e que podemos apreciar o que temos invés de lamentar o que não temos,
começamos a entrar no mundo da não dualidade.
Se houver sabedoria e compaixão perceberemos que a tristeza, mesmo profunda, é passageira.
Perceberemos que se as coisas, as pessoas, o mundo, a realidade e nós mesmos estamos num processo contínuo de transformação
Então poderemos pensar em nos tornarmos essa transformação que queremos no mundo.
Para que haja menos tristeza, mais alegria, mais compartilhamento e harmonia.
O contentamento com a existência é um dos ensinamentos principais de Buda:
"a pessoa que conhece o contentamento é feliz, mesmo dormindo no chão duro; a pessoa que não conhece o contentamento é infeliz mesmo num palácio celestial."
Então, quando sentimos tristeza, observamos a tristeza.
Como está nossa respiração? Como estão os batimentos cardíacos? Como está a nossa postura? Que pensamentos são esses que me fazem deixar os ombros cair para frente, baixar a cabeça e, quem sabe, chorar?
Como se formam as lágrimas?
E, mesmo em meio a lágrimas, podemos sorrir e perceber que enquanto vivas criaturas temos esta experiência extraordinária e bela de poder ficar triste.
Tristeza que vem.
Tristeza que vai.
E sem se apegar a coisa alguma e sem sentir aversão a coisa alguma descobrimos o verdadeiro sentido da vida.
É assim que trabalhamos a tristeza.
Zazen - sentar-se em zen e observar a si mesma.
Postura correta, alongamento da coluna vertebral, abrir o diafragma e respirar profundamente. Inspiração mais curta, expiração mais longa. Saboreando o ar. Ombros alinhados e retos, postura de Buda.
Ensinamentos de sabedoria nos auxiliam a sair da toca, do casulo de separatividade que falsamente criamos e de nos lembrarmos que sempre há pessoas e situações piores do que a nossa, sempre há pessoas e situações melhores do que a nossa e nunca, nunca, perder a dignidade.
Tristeza boa é da saudade de alguém que logo poderemos rever.
Tristeza ruim é aquela que náo queremos deixar passar. Aquela na qual nos agarramos, pois nos dá uma identidade, nos torna especiais. Especialmente tristes. Comoventes, Vítimas a serem apiedadas e cuidadas. Ah! Quanta carência.
Abandonar a tristeza é abrir as mãos, o coração, a mente para a emoção seguinte.
É lavar o rosto, olhar para a imensidão do céu, da Terra, do mar e perceber a pequenês da nossa vida.
Sem culpa e sem culpar ninguém.
Sinta a tristeza, reconheça, respire a tristeza e a deixe passar.
Mãos em prece
Monja Coen
Busca - À Procura da Morada de Deus - (Osho)
"Reúna toda sua coragem e mude tudo. Você continuará existindo, mas de uma forma tão nova que não conseguirá conectá-la com a antiga. Haverá uma descontinuidade. A velha era tão pequena, tão baixa, tão mesquinha, e a nova é tão vasta. A partir de uma gota de orvalho, você tornou-se um oceano. Porém, mesmo a gota de orvalho caindo da folha de lótus treme por um instante, tenta se segurar um pouco mais, porque pode ver o oceano... Uma vez que tiver caído da folha de lótus, estará acabada. Sim, de certa forma não existirá mais, pelo menos não como gota de orvalho. Mas não será uma perda. Terá se tornado oceânica. E todos os outros oceanos são limitados. Apenas o oceano da existência é ilimitado.
Falei muitas vezes sobre um lindo poema de Rabindranath Tagore. O poeta está à procura de Deus durante milhões de vidas. Ele o viu algumas vezes, longe, ao lado de uma estrela, e começou a mover-se nessa direção, mas, quando chegou à estrela, Deus havia se deslocado para outro lugar. Ainda assim continuou a procurar - ele estava realmente determinado a encontrar a morada de Deus - e, para sua grande surpresa, um dia encontrou uma casa em cuja porta estava escrito: "Morada de Deus." Você pode imaginar seu contentamento, seu êxtase. Subiu correndo os degraus e, na hora em que ia bater na porta, sua mão ficou paralisada. Pensou: “Se essa for mesmo a morada de Deus, então estou acabado, minha busca terminou. Me identifiquei com essa busca, não há nada mais que eu conheça. Se a porta abrir e eu estiver diante de Deus, a busca terá terminado. O que farei depois?” Começou a tremer de medo, tirou os sapatos e desceu de volta os magníficos degraus de mármore. Seu medo era de que Deus abrisse a porta, mesmo sem que ele tivesse batido. Depois começou a correr o mais rápido que pôde. Achava que estivera correndo atrás de Deus o mais rápido possível, mas nesse dia correu ainda mais, e nunca olhou para trás. O poema termina assim: “Estou em busca de Deus. Conheço sua morada, então evito passar por perto e procuro em todos os outros lugares. Há uma grande excitação, um grande desafio, e em minha busca continuo a existir. Deus é um perigo – eu seria aniquilado. Mas agora não tenho mais medo nem de Deus, pois sei onde ele mora. Então, deixando sua casa de lado, posso continuar procurando por ele em todo o universo. Lá no fundo sei que não é Deus que busco. Minha busca serve para alimentar meu ego.” Geralmente não se associa Rabindranath Tagore com religião. Mas apenas um homem religioso extremamente experiente poderia ter escrito esse poema. Não é um poema qualquer, ele contém uma grande verdade. Essa é a situação: o êxtase não permite que você exista, você tem que desaparecer. É por isso que você não vê muitas pessoas em êxtase pelo mundo. A infelicidade alimenta seu ego, e é por isso que há tantas pessoas infelizes no mundo. O ponto central e básico é o ego. Para atingir a verdade suprema, você precisa pagar o preço. E o preço nada mais é que se desfazer do ego. Então, quando você encontrar um momento assim, não hesite: desapareça, dançando. Com uma grande risada, desapareça. Com canções em seus lábios, desapareça."
Tarô da Transformação - Osho - Carta Busca
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Acordar é vital - Quem é você? - (Jornal Em Aquarius, Por Elisa Dorigon)
Acordar é vital
Quem é você? Jornal Em Aquarius
Porto Alegre/RS - Setembro, 2009
Por Elisa Dorigon
Nascido no Rio Grande do Sul, Brasil, teve o seu primeiro contato com o mestre iluminado Osho ainda no início dos anos 80, de quem recebeu o nome Satyaprem, que significa "Amor pela Verdade". Estudou Jornalismo, se dedicou à Fotografia, Pintura e Poesia; publicando em 1983 seu primeiro livro - "PA" -, editado por Paulo Coelho, no Rio de Janeiro. Por aproximadamente vinte anos, esteve voltado ao trabalho com Terapia e Meditação, atuando no Brasil, Europa e Índia como parte da equipe de terapeutas da Multiversity da Osho Commune International. Em 2000 lhe foi revelado o "fim da busca" e, desde então, Satyaprem invoca o despertar das pessoas para sua natureza original, compartilhando o "Encontro com a Verdade" (Satsang) através de palestras e retiros, além dos livros que trazem trechos desses encontros.
O que significa "invocar o despertar das pessoas para sua natureza original"? Como saber que estamos vivendo de acordo com nossa natureza original?
Sim, a natureza original, aquilo que não pode ser visto, experienciado, descrito. Assim, responder sua pergunta, torna-se uma aparente impossibilidade. Entremos, portanto, com carinho. A nossa natureza original oblitera a noção de eu, presente através de um pensar constante. Logo o "saber que estamos vivendo de acordo com nossa natureza original" já não tem significância, significa que já não existe "eu" para saber se estamos vivendo ou não de acordo com nossa natureza original. Ou seja, só há a natureza original vivendo, sendo, já não existe separação entre isso e aquilo. Poder-se-ia dizer que há pacificação, silenciosidade, observação. É quando não existe mais nenhuma dúvida, por não haver o sujeito que duvida, como imagem mental, por não haver nenhuma outra maneira de viver a não ser de acordo com nossa natureza original. Qualquer outra coisa é um sonho, uma ilusão, é estar morto em vida. Acordar é vital.
Como você enxerga o mundo daqui para frente? Você tem uma visão otimista sobre o futuro da humanidade?
Essa pergunta me faz sorrir. É como um convite a imaginar, essa faculdade da mente, que tanto sofrimento traz. O mundo, se estamos falando da terra, este planeta que flutua leve nesse imenso vazio celeste, como um organismo como qualquer outro na existência terá um fim, uma morte se você preferir. É claro, que nesse instante esse organismo está sofrendo de um ataque viral, humano, muito agressivo, que talvez, se continuar assim, encurtará sua vida. Nesse sentido, ha necessidade do humano reinventar-se ou redecobrir-se, conhecer-se no seu mais profundo, além das formas e dos nomes para uma ação curativa na terra ocorrer. A probabilidade de que isso aconteça é ínfima. Pois o processo em termos descritivos seria como um processo autodestrutivo, o ser humano tal como está condicionado a pensar-se, precisa morrer, para que o novo possa nascer. Enquanto o ser humano manter essa estrutura intacta, age como um vírus, com nenhuma consciência de que sua vida depende do hospedeiro, levando-se a sua aniquilação conjunta. De uma certa maneira o futuro da humanidade, essa abstração, está com os dias contados. Mas, ouso dizer, que existe possibilidade de um novo ser humano, individual, indivisível nascendo deste fim eminente. Um ser que transcende o pessoal, que é guiado pelo silêncio enquanto consciência. Um ser celebrativo, imerso no agora, sem compromisso com o tempo e a mente...
O Osho dizia que a expectativa traz frustração. Como viver sem gerar expectativas a todo momento?
Só há uma maneira, descobrir quem voce é. Quem é voce? Ou ainda, o que é voce? Uma historia na mente, pensamentos, memórias? Um corpo no espaço? Expectativas são condições mentais que necessitam do tempo para ocorrer. Em outras palavras, devo pensar. O ser humano tem que descobrir que pensar é necessário somente à existência do ego, essa entidade fantasmagórica. No seu ser, no seu despertar, já não há expectativa pois o agora é suficiente, vastamente suficiente. Portanto para o ego não há como viver sem expectativas e para seu ser, sua atenção silenciosa, não há como viver com expectativas. Quando o hoje é pleno, você não quer nada do amanhã. É só agora para sempre. Um imenso campo de frutiferas possibilidades...
Qual a diferença entre mente e consciência?
Da água para o vinho, como o dito popular. Mente é objeto, mensurável, com começo, meio e fim, nao necessariamente nessa ordem. Observável. Um ruído no corpo do silêncio. Uma minuscula particula de poeira no céu azul. Já a Consciência, com maiusculas, não a dos dicionários e das teorias psicológicas, mas a da experiência mística, é o sujeito absoluto, a subjetividade pura. Ou seja permanece um mistério a ser vivido, nunca passível de objetificação pela mente. Muito embora, isso sempre seja tentado. Lembra-me uma estória de um menino que brincava na areia da praia, com um buraco que enchia com um baldinho, de água. Um padre que o observava, pergunta ao menino: Voce pretende encher este buraco com esse balde? Sim, responde o garoto. Nao é possível, diz o padre. O menino encaminhando-se ao mar para encher mais uma vez o balde responde: é muito mais possivel do que você compreender Deus com a sua mente! Consciência não tem começo nem fim...
Que caminhos dispomos para esta viagem para dentro de nós mesmos? Meditação? Retiros?
Descobrir que já estamos, somos, dentro de nós mesmos. Ver que não somos o que pensamos ser. Que não somos o corpo nem a mente. Que somos essa observação silenciosa. Atemporal, sempre aqui e agora. Diferentemente das nossas emoções, pensamentos e sensações. Para isso, meditação, retiros, sim. Investigar o mais fundamental, quem é voce? Voce é aquele que pensa ou aquilo que observa os pensamentos indo e vindo?
Para quem nunca participou de um Satsang, como você define estes encontros?
Vida. Dispor-se a viver. Entregar todo o sonho, toda a imaginação e ver a beleza do ser silenciosamente... se você tiver coragem. Como diz o Osho, "morra antes que você morra!"
Permaneça fixo no coração - (Mooji)
"Permaneça fixo no coração.
A todo momento, onde quer que a atenção vá,
traga de volta para o Ser-Consciência.
Gradualmente, ela permanecerá lá sem esforço.
Essa é a única prática que se precisa fazer."
Mooji
do Livro: Antes do Eu sou
Você é como o espaço vazio ... - (Mooji)
"Você é como o espaço vazio no qual o vento sopra. A natureza do vento é mover-se de um lugar para o
outro, mas o espaço é infinito e quieto e, sendo infinito, é incapaz do menor movimento. Não pode haver
vento sem espaço, mas pode haver espaço sem vento. O espaço não é perturbado pela atividade do vento,
nem uma brisa suave, nem um furacão o afetam em absoluto. Similarmente, você, o Ser, é ilimitado e imóvel
como o espaço, mas você se identifica com os movimentos da mente-vento brincando dentro de você, e se
esquece da sua verdadeira natureza.
[...]
Do livro: Antes do Eu Sou - Mooji - QualityMark Editora.
domingo, 29 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Amor ... - (Shakespeare)
"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade."
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade."
domingo, 22 de agosto de 2010
Modos e Meios - (Professor José Hermógenes)
“O yogi, dessa maneira, com a mente controlada, une-se ao Atman
e obtém a paz que culmina em Nirvana, a paz que existe em Mim.”
Bhagavad Gita, VI:15
Há modos diferentes para se vencer as distâncias na estrada para Deus.
Se o que nos afasta de Deus e nos vincula ao mundo é nosso imperfeito amar ou nossa incapacidade para o verdadeiro amor, nosso caminhar deve primordialmente ser um aperfeiçoamento nosso para a universalização e purificação do amor.
Na medida em que aprendermos a perder nosso eu na delícia de um amor cósmico e imaculado, estamos sendo libertados, curados e salvos pelo amor. E isso se chama Bhakti Yoga.
Se o que nos prende, nos perturba, nos enfraquece e ofusca é nosso agir sem sabedoria e sem amor, teremos de aprimorar nosso trabalho, nossa profissão, nosso comportamento, nosso relacionamento, nossa atuação…
A salvação está em divinizarmos nossos pensamentos, nossos desejos, nossas palavras, nossos atos e omissões, e, assim, através da vida prática dentro do mundo, libertar-nos dele.
O agir que liberta é Karma Yoga.
Se o que nos separa de Deus é o grosso e pesado biombo da ilusão, que nos faz ignorar Deus (nossa Essência) e nos compromete com o eu (nossa existência) ávido de prazeres e amedrontado diante da dor, temos de aprimorar nosso saber.
Vencida a infernal opacidade do biombo, desvelada a Verdade-Realidade, que as aparências não deixavam ver, constatamos, em processo redentor, que “eu e o Pai” não são dois, pois só existe o Pai-Uno.
Jñana Yoga é esse reduzir distâncias nas asas mágicas da Luz.
Amando, servindo e sabendo, o yogin, intimorato e decisivo, reintegra-se, unifica-se e se une ao Todo e diz, como São Paulo: “Já não sou eu. É o Cristo que vive em mim”.
Amar, adorar, trabalhar, servir, estudar, meditar e viver, cada instante e onde estiver, uma disciplina yogin é cumprir o sadhana.
Sadhaka é o yogin cumprindo seu papel no mundo, que é valorizar a oportunidade de existir, empregando, consciente e voluntariamente, o “talento” confiado, o dom da existência, para tornar-se Essência. E isso está a seu alcance, e é seu dever (dharma). O amado Jesus, Mestre incomparável, recomendou-nos, a todos nós (sadhakas): “Sede perfeitos, como perfeito é o Pai do Céu”.
Os meios de que dispõe o sadhaka são: seu corpo, sua sensibilidade e sua mente.
A caminhada é árdua. Os obstáculos são muitos. Os desvios se repetem.
Como pode chegar ao destino um caminhante sem resistência, sem tenacidade, necessitado de conforto, luxúria, repouso e ócio?!…
O corpo deve ser sadio e forte. Os sentidos controlados. A mente pura, ativa, concentrada e limpa.
Sem a prática de tapas, disciplina que purifica e vence conforto, sensualidade e fadiga; sem uma grande dose de resistência contra a dor… que avanços pode o caminhante fazer?!
A sabedoria dos Mestres recomenda: tapas!
A vitória sobre todas as formas de enganos – apetecíveis ou temíveis – e o desvelamento progressivo da Luz-Verdade-Ser-Realidade é um cuidado constante do sadhaka. Onde o Ser-Real? Que é a Verdade?
O afastamento das nuvens que escondem o Sol é uma aspiração e um ato perene do aspirante.
Meditando, contemplando, estudando, perquerindo, buscando, buscando… o sadhaka pratica svadhyaya.
Outro meio que abre ao sadhaka as portas do êxito espiritual é o entregar-se a Deus.
Ishvarapranidhana é viver confiante, irreversivelmente rendido, dado, entregue à Lei, ao Amor e à Sabedoria de Deus.
É o que pode transformar impotência em Onipotência, carência em Plenitude, tristeza em Alegria, limitação em Infinitude…
Amando, servindo e pesquisando, fortalecendo-se, estudando e entregando-se a Deus, o sadhaka avança para a Glória; conquista a Redenção.
Isso é Yoga."
--------------------------------------------------------------------------------
Texto extraído da 12ª edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes
(Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.
Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br
e obtém a paz que culmina em Nirvana, a paz que existe em Mim.”
Bhagavad Gita, VI:15
Há modos diferentes para se vencer as distâncias na estrada para Deus.
Se o que nos afasta de Deus e nos vincula ao mundo é nosso imperfeito amar ou nossa incapacidade para o verdadeiro amor, nosso caminhar deve primordialmente ser um aperfeiçoamento nosso para a universalização e purificação do amor.
Na medida em que aprendermos a perder nosso eu na delícia de um amor cósmico e imaculado, estamos sendo libertados, curados e salvos pelo amor. E isso se chama Bhakti Yoga.
Se o que nos prende, nos perturba, nos enfraquece e ofusca é nosso agir sem sabedoria e sem amor, teremos de aprimorar nosso trabalho, nossa profissão, nosso comportamento, nosso relacionamento, nossa atuação…
A salvação está em divinizarmos nossos pensamentos, nossos desejos, nossas palavras, nossos atos e omissões, e, assim, através da vida prática dentro do mundo, libertar-nos dele.
O agir que liberta é Karma Yoga.
Se o que nos separa de Deus é o grosso e pesado biombo da ilusão, que nos faz ignorar Deus (nossa Essência) e nos compromete com o eu (nossa existência) ávido de prazeres e amedrontado diante da dor, temos de aprimorar nosso saber.
Vencida a infernal opacidade do biombo, desvelada a Verdade-Realidade, que as aparências não deixavam ver, constatamos, em processo redentor, que “eu e o Pai” não são dois, pois só existe o Pai-Uno.
Jñana Yoga é esse reduzir distâncias nas asas mágicas da Luz.
Amando, servindo e sabendo, o yogin, intimorato e decisivo, reintegra-se, unifica-se e se une ao Todo e diz, como São Paulo: “Já não sou eu. É o Cristo que vive em mim”.
Amar, adorar, trabalhar, servir, estudar, meditar e viver, cada instante e onde estiver, uma disciplina yogin é cumprir o sadhana.
Sadhaka é o yogin cumprindo seu papel no mundo, que é valorizar a oportunidade de existir, empregando, consciente e voluntariamente, o “talento” confiado, o dom da existência, para tornar-se Essência. E isso está a seu alcance, e é seu dever (dharma). O amado Jesus, Mestre incomparável, recomendou-nos, a todos nós (sadhakas): “Sede perfeitos, como perfeito é o Pai do Céu”.
Os meios de que dispõe o sadhaka são: seu corpo, sua sensibilidade e sua mente.
A caminhada é árdua. Os obstáculos são muitos. Os desvios se repetem.
Como pode chegar ao destino um caminhante sem resistência, sem tenacidade, necessitado de conforto, luxúria, repouso e ócio?!…
O corpo deve ser sadio e forte. Os sentidos controlados. A mente pura, ativa, concentrada e limpa.
Sem a prática de tapas, disciplina que purifica e vence conforto, sensualidade e fadiga; sem uma grande dose de resistência contra a dor… que avanços pode o caminhante fazer?!
A sabedoria dos Mestres recomenda: tapas!
A vitória sobre todas as formas de enganos – apetecíveis ou temíveis – e o desvelamento progressivo da Luz-Verdade-Ser-Realidade é um cuidado constante do sadhaka. Onde o Ser-Real? Que é a Verdade?
O afastamento das nuvens que escondem o Sol é uma aspiração e um ato perene do aspirante.
Meditando, contemplando, estudando, perquerindo, buscando, buscando… o sadhaka pratica svadhyaya.
Outro meio que abre ao sadhaka as portas do êxito espiritual é o entregar-se a Deus.
Ishvarapranidhana é viver confiante, irreversivelmente rendido, dado, entregue à Lei, ao Amor e à Sabedoria de Deus.
É o que pode transformar impotência em Onipotência, carência em Plenitude, tristeza em Alegria, limitação em Infinitude…
Amando, servindo e pesquisando, fortalecendo-se, estudando e entregando-se a Deus, o sadhaka avança para a Glória; conquista a Redenção.
Isso é Yoga."
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Texto extraído da 12ª edição, de 1996, do livro Yoga: caminho para Deus (1984), de José Hermógenes
(Editora Nova Era, Rio de Janeiro), e digitado por Cristiano Bezerra em 14 de junho de 2001.
Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br
Algumas razões para o praticante de Yoga se tornar vegetariano - (site Ekadanta Yoga Shala)
O vegetarianismo tem sido adotado maciçamente pelos praticantes de Yoga desde milênios atrás, por três motivos:
1) o dharma e a ética ambiental,
2) a saúde e
3) o progresso espiritual.
Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar o contexto da experiência do George: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente.
Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. O Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população).
Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O Buddhismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buddha não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola.
De fato, o próprio Buddha morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do Buddhismo tibetano a dieta vegetariana.
Excetuando-se o Buddhismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações.
Para o yogi consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo conseqüências kármicas muito indesejáveis.
Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las!
Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento. Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.
A lista de razões para adotarmos o vegetarianismo não se esgota aqui. Sugiro que o leitor amplie sua pesquisa lendo bons livros sobre o assunto ou pesquisando na internet. Um bom começo é visitar o website da Sociedade Vegetariana Internacional no Brasil: www.vegetarianismo.com.br
Fonte: www.ekadantayoga.com.br/vegetarianismo-e-yoga.html
1) o dharma e a ética ambiental,
2) a saúde e
3) o progresso espiritual.
Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar o contexto da experiência do George: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente.
Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. O Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população).
Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O Buddhismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buddha não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola.
De fato, o próprio Buddha morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do Buddhismo tibetano a dieta vegetariana.
Excetuando-se o Buddhismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações.
Para o yogi consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo conseqüências kármicas muito indesejáveis.
Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las!
Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento. Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.
A lista de razões para adotarmos o vegetarianismo não se esgota aqui. Sugiro que o leitor amplie sua pesquisa lendo bons livros sobre o assunto ou pesquisando na internet. Um bom começo é visitar o website da Sociedade Vegetariana Internacional no Brasil: www.vegetarianismo.com.br
Fonte: www.ekadantayoga.com.br/vegetarianismo-e-yoga.html
A vida do professor de Yoga - (Entrevista com Pedro Kupfer)
Esta entrevista foi concedida à professora de Yoga e jornalista Ana Sereno, durante o passado mês de Agosto de 2008. Quando da sua estadia em Portugal para orientar a sua primeira Formação de Professores de Yoga fora do Brasil, Pedro respondeu a uma longa lista de perguntas acerca do que significa ser professor de Yoga. As opiniões deste professor sobre a missão daqueles que querem passar o ensinamento e o cenário actual do ensino do yoga para ler nesta entrevista.
A Formação.
É a primeira vez que trazes esta formação para fora do Brasil? O que te motivou a fazê-la em Portugal?
Sim, é a primeira vez que ministro esta formação completa fora do Brasil. Já havia visitado Portugal várias vezes anteriormente, mas nunca conseguia aceitar convites para dar cursos, pois apenas passava pela Europa, nas viagens entre o Brasil e a Índia. Dois anos atrás, depois de recusar vários convites por esse motivo, consegui finalmente vir. Gostei tanto do que vi em Portugal que passei a incluir a terra de Camões no meu roteiro anual. Ano passado, conversando com o professor Miguel Homem, achamos que já havia um número suficiente de praticantes motivados para participarem do curso de formação, que é bastante exigente. Ele organizou belamente a primeira turma e o resultado superou todas as expectativas, tanto em termos humanos, quanto em termos de prática e estudo.
Pelo que conheces da realidade do Yoga em Portugal, como descreves o cenário da formação no nosso país?
Considero que é um privilégio participar deste momento tão especial que o Yoga está vivendo em Portugal. Percebo que muitas pessoas estão começando a "sair da casca", a ampliar a própria visão da prática e do trabalho com Yoga. Isso me deixa muito contente e motivado para continuar esse processo. A iminente fundação do que poderá ser a Aliança do Yoga em Portugal é mais um sinal de que as coisas estão mudando para melhor aqui, uma vez que a comunidade de professores e praticantes é coesa e motivada para fazer um trabalho autêntico e transmitir livremente a tradição, desvencilhando-se das formas sectárias ou distorcidas que prevaleceram nas décadas anteriores.
Consegues identificar diferenças na forma como o Yoga é ensinado em Portugal, relativamente ao Brasil?
Não percebo alguma diferença essencial, já que o Yoga é universal e a forma de transmiti-lo não tem mudado significativamente ao longo dos tempos. Porém, percebo uma grande sede de aprender e motivação muito profunda nos portugueses, e isso faz uma bela diferença no resultado.
E os portugueses? Qual é a tua opinião sobre esta primeira "fornada" de professores formados por ti?
A convivência com os praticantes daqui foi a coisa mais agradável que vivi este ano! Como disse acima, fiquei admirado com a firmeza da resolução dos portugueses em aprender. Lembre que o professor somente realiza sua missão quando há praticantes motivados para aprender. De nada adianta sabermos muito, se estamos sozinhos e sem poder compartilhar aquilo que amamos. Essa motivação poderá ajudar imenso esta primeira geração de professores a superar as eventuais e inevitáveis dificuldades que possam surgir ao longo do caminho de cada um. Igualmente, impressionou-me a solidariedade, a flexibilidade e a harmonia no convívio que tivemos durante este primeiro módulo na Quinta das Águias, em Paredes de Coura.
Ser Professor de Yoga
O que deve um professor de yoga cultivar?
Na verdade, esta pergunta já está respondida no código de conduta yogíca. São aquelas dez coisas que Patãnjali propõe, ou aquelas outras vinte que estão no código de conduta de Svatmarama, que estão na Hatha Yoga Pradípika. No mínimo dos mínimos o professor de Yoga deveria cultivar o código de Patãnjali.
Qualquer código de conduta é baseado na importância que a sociedade dá ao dharma e a regra de ouro do dharma é “não faça aos outros aquilo que não gostaria que eles fizessem consigo”, portanto, ahimsa é a base para tudo. Neste sentido, o professor de yoga precisa de saber que ele é, em primeiro lugar, um yogi e, em segundo lugar, um professor de yoga. Isto não pode ser invertido.
O yogi deve então cultivar a não violência, no sentido em que todos à sua volta não devem vê-lo como uma ameaça. Esta é a primeira coisa que a pessoa deve cultivar, primeiro como ser humano, depois como yogi e em terceiro lugar como professor. Sem ahimsa não há humanidade no ser humano.
Satya. O professor tem de ser verdadeiro. Não pode dizer uma coisa e fazer outra. Não pode haver incoerência entre o que se pensa, o que se diz e o que se faz. Mas também isto é aplicável primeiro ao ser humano, depois ao yogi e em terceiro lugar ao professor de yoga. A questão é que este está numa situação peculiar pois ocupa uma determinada imagem na sociedade. Dentro da sala o professor tem poder e é possível que os alunos idealizem e achem que ele é um santo, coisa que ele não é. Ele é um ser humano normal como qualquer outro, que aprecia as qualidades de um santo mas que, muito provavelmente, ainda não se conseguiu estabilizar dentro destas virtudes.
Se formos olhar para os exemplos do passado, há muito poucos de conduta irrepreensível. Apesar de tudo, sejam quais forem os problemas que o professor de yoga tenha, nunca deveria derramá-los para dentro da sala ou para cima de alguém – isto é continência, que nos yamas aparece como bramacharya em relação à conduta, e que no código dos nyamas aparece como esforço sobre si mesmo ou tapas, que é a capacidade de criar um limite para si mesmo, e de crescer a partir desse limite.
Neste contexto cabe ainda asteya, não tirar aos demais tempo, energia ou emoções e tão pouco permitir que os outros façam isso consigo. Assim, na sua conduta o professor de yoga também deve ser parcimonioso ao não exigir dos outros professores, dos amigos, da família, dos alunos o seu tempo, por exemplo.
Aparigraha, que se traduz como satisfazer-se com o mínimo, e que pode ser resumido com duas palavras - não possessividade - é outra questão interessante para o professor de yoga cultivar. Todos nós, naturalmente, queremos o mínimo, mas querer o mínimo e entendê-lo não é a mesma coisa. Na medida em que o yogi estiver tranquilo em relação à questão da abundância do Universo e estiver sintonizado e aberto para ela, a prosperidade flui em direcção a si, isto está no Yoga Sútra – quando a pessoa se contenta em ter o estritamente necessário, todas as riquezas fluem em sua direcção.
Estes são os primeiros cinco yamas de Patañjali que o próprio afirma serem elementos universais, ou seja, eles deveriam ser cultivados por todas as pessoas, independentemente de posição social, de profissão, de tempo, de lugar ou de circunstância. O professor de yoga especialmente deveria cultivar isto - coerência, veracidade, honestidade e não-violência.
O que é que um professor de yoga pode ter de sobra e o que não deve ter nem um bocadinho?
Na minha opinião, o professor de yoga não deveria ser chato. Ninguém vai querer praticar com um professor chato. Não importa se a pessoa sabe muito, fala bem, tem um belo sotaque. Não importa as palavras que usa, o discurso, o currículo. O professor de yoga precisa de ser um “cara bacana”, tem de ser uma pessoa de boa índole, de carácter, que tenha abertura e simpatia para comunicar com os praticantes.
Swami Vivekananda dizia “cara feia não é sinal de espiritualidade mas sim de disepsia”. Ás vezes, vemos alguns jovens entusiastas e alguns velhos “avinagrados” assumirem uma postura absolutamente seca e amargurada. Pode ser apenas uma opinião minha, mas se eu vejo que Patãnjali fala em santosha e que Krishna fala a Arjuna de kshanti, que é essa capacidade de estar tranquilo, de estar em paz, de estar feliz por mais que a situação seja de instabilidade, aceitando o fluxo do devir, então isto é o que não deve faltar a um professor de yoga.
O que distingue um professor de um praticante experiente e dedicado? Para além da formação, ao primeiro colocam-se mais exigências?
Dependendo daquilo que entendermos por experiente e dedicado, a diferença pode ser apenas o facto do professor ensinar. Se este praticante é um yogi e se o professor também é um yogi, a única diferença formal é que um dá aulas de yoga e o outro tem outra actividade.
Não diria que se coloquem mais exigências ao professor, porque um praticante dedicado, um yogi, não vai ter uma conduta diferente da conduta do professor e espera-se, igualmente, que este também tenha a conduta de um yogi, portanto, neste sentido, não podem haver diferenças. Se existirem, é pelo facto de o professor de yoga ter assumido como adequado que todas as suas acções girassem em torno do yoga, o que não quer dizer levar uma vida de yoga. Um praticante sério e dedicado pode viver uma vida de yoga sem ser professor, sem ter apenas amigos praticantes, sem frequentar apenas ambientes de yoga, sem ser casado com um professor de yoga ou com outro praticante... Viver uma vida de yoga é sermos capazes de aplicar o ensinamento no quotidiano.
Uma melhor compreensão do yoga faz com que uma pessoa se afaste em relação a hábitos como sejam o álcool, o fumo, as drogas ou uma alimentação desequilibrada?
Sim, porque esta lista de coisas são atitudes auto-destrutivas, ou seja, não têm ahimsa. Na medida em que nos tornamos conscientes de que as nossas decisões nem sempre foram nossas, mas que vieram na forma de condicionamentos externos, quando aprendemos a discernir o que é bom e o que não é bom para nós, naturalmente, afastamo-nos do que é mau, pernicioso e perigoso e estabelecemo-nos dentro daquilo que é sadio. Desta maneira, existe o pratyahara, que é o quinto passo do Yoga de Patãnjali e que tem o objectivo de fazer a pessoa ver o que lhe faz bem e afastar-se daquilo que não lhe faz bem. Desta forma, a prática dentro da sala duas vezes por semana, nem que seja só de ásana e pranayama, serve como um gatilho para desencadear iniciativas de mudança para melhor nos hábitos da pessoa.
Estarão estes hábitos relacionados com a cultura onde cada um se insere ou serão uma realidade intrínseca da cultura do yoga?
Onde o yoga nasceu, o vinho, por exemplo, é algo recente. Na Índia, o consumo de álcool é algo muito mal visto. Culturalmente falando, o hábito de comer ou beber “maconha” em algumas festas não é visto da mesma forma como beber álcool. O objectivo não é o mesmo daquele que se procura quando se faz uma festa no Ocidente e se oferece champanhe aos convidados. O consumo desta droga na sociedade indiana está directamente associado com a devoção às formas do divino. No Holi, que é o aniversário de Krishna, todos os indianos, novos ou velhos, tomam bhang lassi, mas é uma vez por ano e com aquele objectivo. Agora, nunca vi um professor de yoga indiano com uma lata de cerveja na mão.
Como é que estes hábitos estão descritos nos textos antigos?
O consumo de álcool, na forma de ritual, aparece no Kularnava Tantra, mas não é embebedar-se, muito menos todos os dias, é beber um cálice de vinho num ritual que faz parte de uma ideia maior que consiste em quebrar com os condicionalismos que a sociedade coloca no indivíduo, dentro daquela cultura. Este ritual chama-se panchamakara – o ritual das cinco letras “m”. No quarto capítulo do Yoga Sútra diz-se que existem yogis que entram em samádhi, usando aushadhi que se traduz como erva, e que no contexto em que Patãnjali a coloca se refere ao haxixe, ao ópio e à maconha. O Yoga Sutra apresenta uma lista de práticas pois Patãnjali não ia deixar de registar aquilo que se fazia na sua época. Hoje em dia, há yogis na Índia que se vêm como continuadores do trabalho de Goraksha e que fumam maconha, são conhecidos como Nágabhavas, são shivaístas. Dentro dos vaishnavas existe um outro grupo de yogis que se conhecem como Kyaghis e que fazem a mesma coisa. Faz parte, então, da tradição e da cultura da Índia. Estes hábitos estão descritos nos textos, sempre dentro de contextos rituais.
A este propósito, saiu há tempos um artigo no New York Times, anunciando um retiro em Itália cujo mote era “Yoga and Wine – práticas e degustações de vinho”. Qual é a tua opinião sobre isto?
Se alguém me convidasse para um retiro de yoga com vinho eu não iria, porque se yoga trata de descondicionar, de livrar-se de hábitos mecânicos de condicionamento, yoga e vinho parece-me contrário ao propósito de moksha, liberdade e auto-conhecimento. Parece-me uma iniciativa da Kali Yuga, a época de conflito que estamos a viver, na qual a distorção do yoga é cada vez mais flagrante.
Em relação àqueles hábitos de que falamos, onde está a barreira para um professor de yoga? No exagero?
Sim. Nesta questão moderação talvez seja a palavra chave e depois a decisão cabe a cada um. Eu conheço um professor de yoga que fuma tabaco. Ele é um bom professor de yoga mas nunca conseguiu desenvencilhar-se daquele hábito de muitos anos e que por isso está muito enraizado...
Mas existem muitos outros problemas humanos que não estão nesta lista, os problemas emocionais, por exemplo. Às vezes as emoções transformam-se em vícios muito piores do que estes hábitos que listamos e se eu quero ser livre tenho de me livrar delas também. O professor de yoga pode não fumar, não beber, não comer carne mas isto é secundário, porque o principal é se ele está bem resolvido emocionalmente e se as suas acções, as suas palavras e as suas atitudes no mundo condizem com o estado de santosha (contentamento). Mais ainda, se ele é capaz de levar isso para o convívio com os demais e se ele é capaz de inspirar outras pessoas neste sentido.
Há um ditado taoísta do qual eu gosto bastante, não me recordo exactamente como é, mas didacticamente diz que às vezes algo que não faz muito bem ao corpo, mas que conforta a pessoa, é melhor do que livrar-se desse algo e ficar carente e desequilibrado por dentro.
A atitude subjacente à adopção ou rejeição de hábitos em consonância com o ensinamento deve ser de renúncia, aliada a força de vontade, ou de desapego?
A repressão não funciona. Reprimir ou conter sem haver entendido o porquê dá sempre errado. O que funciona e produz mudanças definitivas e duradouras nas atitudes das pessoas, o que promove a cura ou a transcendência em relação a um hábito auto-destrutivo, é a compreensão. Esta leva-me a exercer o desapego, que consiste em ver as coisas exactamente como elas são. Ao olhar para um hábito auto-destrutivo eu tenho de vê-lo exactamente como ele é – o consumo de tabaco é o consumo de tabaco e não é uma fonte de felicidade.
Intrinsecamente, renúncia e desapego são a mesma coisa, e quando eu vou trabalhar neste sentido eu vou também precisar de força de vontade. Tudo o que nós fazemos com apego fazemos porque, em algum nível, achamos que daquela acção vem felicidade. Quando nos damos conta disto as máscaras das coisas caem e, assim, se antes o fazíamos por hábito para podermos ser felizes, depois percebemos que a nossa felicidade não depende desse hábito. Isto é visão objectiva, ver as coisas como elas são.
Onde se situa a fronteira entre a liberdade individual do professor e aquilo que ele deve representar, enquanto um exemplo a seguir pelos alunos?
Esta é uma pergunta delicada. Pessoalmente, eu acho que não poderia haver nenhum milímetro de distância entre o que eu sou e o que eu demonstro ser. Estas duas coisas deveriam estar completamente coladas, de modo que, exercendo a honestidade, eu não esconda nunca questões que ainda não resolvi. Não pode haver incongruência, incoerência entre o professor e a pessoa. Não é sequer questão de ser professor ou não, mas de ser um humano coerente, estabelecendo uma coerência entre o discurso e a acção. O melhor exemplo que o professor pode dar, então, é simplesmente ser coerente.
Na tua perspectiva, qual a importância da prática pessoal para um professor de yoga?
Como ensinar a tocar violino sem saber quantas cordas tem um violino? Como ensinar algo sem possuir uma certa familiaridade e intimidade com aquilo que nos propomos a ensinar? Como se constrói um professor de yoga? A partir de um praticante sério e dedicado. A prática pessoal é fundamental porque dali vem o substrato com o qual se vai construir as aulas que se dão. Esta prática vai evoluindo e a aula é um reflexo de como está a prática pessoal do professor. Observamos que quando há pouco tempo e muito trabalho a pessoas sacrificam a sua prática pessoal. Mas o que entendemos por prática: é fazer ásana, meditação, pranayma, é estudar, é aplicar o estudo na vida quotidiana? Na vida de yoga, prática é ter um momento do dia para a sua reflexão pessoal, para o seu estudo, independentemente se isto é feito através de uma meditação de um pranayama de uma saudação ao sol, o que for... Depois a aplicação do ensinamento sobre o qual se fez a reflexão na prática vem para o quotidiano e aí sim temos um yogi, que é coerente entre o que faz e o que ensina.
Qual a importância para um professor de yoga de conhecer a Índia?
Nenhuma. Um professor de yoga pode ser um óptimo professor sem nunca ter pisado a Índia. Um exemplo disso é Georg Feuerstein que foi pela primeira vez à Índia há dois anos atrás e, no entanto, escreveu mais de 30 livros sobre yoga.
Existe aquela ideia de que ir à Índia funciona como uma pós-graduação. Pela ordem: eu sou um praticante dedicado, depois torno-me vegetariano, depois faço uma formação, dou aulas de yoga e faço uma viagem de estudos à Índia. Uma viagem de estudos pode ser feita para qualquer lugar. O conhecimento está onde estiver o professor, não necessariamente na Índia, principalmente nestes tempos globalizados em que vivemos. A Índia em si não tem o yoga, o yoga está na Índia como em muitos outros lugares.
Como hoje em dia existe aquela popularização massiva do yoga no Ocidente, muita gente viaja para a Índia em busca do yoga, tendo lá surgido uma nova geração de professores ambiciosos que não são honestos e que querem enganar estas pessoas. Quando fui à Índia pela primeira vez tive dificuldade em arranjar bons professores.
Algum tempo depois, fiquei com dúvidas e decidi voltar para lá para reaprender tudo o que sabia, porque algumas coisas percebia que estavam equivocadas, para me reprogramar com alguém que me corrigisse tudo. No primeiro dia encontrei logo aquele que seria o meu professor, hoje em dia não é tão fácil. Recebo muitos emails de pessoas que dizem que vão para a Índia sem expectativas, de mente aberta, à espera que algo de mágico aconteça, mas geralmente, se a pessoa não prepara a viagem frustra-se. A Índia dos livros de fotografia não é a Índia, mas um pequeno ângulo dela.
Hoje em dia, os professores que se encontram na rua e que oferecem aulas de yoga ou sámadhi instantâneo, em 90% dos casos querem enganar as pessoas. Há menos de 10% de chance de encontrar um professor bom e honesto. O facto de estar na Índia não ensina yoga a ninguém. Pode ser uma experiência de vida, uma experiência gastronómica, musical, mas se o objectivo for yoga é necessário preparar-se antes, pesquisar, interrogar, pedir conselhos...
O ensino do Yoga na actualidade
Hoje em dia, no Ocidente, o yoga aparece cada vez mais como técnica e menos como cultura. Achas que existem cada vez menos professores de yoga e cada vez mais professores de técnicas de yoga?
Neste momento de popularização extrema do yoga, não apenas no Ocidente, mas na Índia também, existem muitos professores de técnicas e poucos yogis.
Desde antigamente, o yoga nunca foi dirigido ao grande público. Se formos procurar nos shastras verificamos que o yoga nunca foi destinado às massas. Krishna diz a Arjuna na Baghavad Gita “são poucos os que têm interesse em moksha e, desses poucos, menos são os que conseguem realizar alguma coisa, e destes, são muito menos ainda aqueles que conseguem realizar a vida na sua plenitude máxima”.
Neste sentido, se formos ainda mais para trás até às Upanishads, lê-se aquela afirmação da Katha Upanishad que fala sobre o fio da navalha “estreito é o caminho”. Não há muita gente disposta a andar no fio da navalha. Então yoga como fenómeno para o combate ao stress, para a manutenção da saúde e do bem–estar é uma coisa, agora yoga como caminho para moksha, como instrumento para colocar em prática o auto-conhecimento é para poucos e neste sentido, deparamo-nos hoje com esse paradoxo de ver muita gente a ensinar yoga, transmitindo técnicas baseadas na presunção de que yoga é um sistema para manter conforto, bem-estar e saúde e poucos, inclusivamente dentro da nação dos professores de yoga, o vêem como o que ele desde sempre foi – o caminho para a liberdade.
A diferença poderá estar vinculada com o estilo de vida ou com a cultura à qual o professor pertence?
O estilo de vida ou a cultura na qual nos inserimos são secundários em relação a isso. Voltando à Baghavad Gita, quando Arjuna pergunta a Krishna “como age esse yogi liberto?” ele quer saber como reconhecer o sábio, mas olhando por fora não existe nenhuma diferença. É como diz o ditado do budismo zen – “antes da iluminação cortar lenha, carregar água. Depois da iluminação cortar lenha, carregar água”. Não muda nada. Se o estilo de vida era ocidental deverá continuar a sê-lo e se era oriental, igualmente. A pessoa aprecia as coisas da própria cultura e sociedade e dá-se conta que precisa de devolver alguma coisa para esta mesma sociedade onde nasceu. Ela não renuncia à sociedade, desconsiderando tudo o que ela lhe deu de bom, isso seria uma atitude de ingratidão.
Tudo o que nós somos e temos veio da sociedade. Na Índia existem dois nascimentos, o primeiro e o segundo no qual o hindu recebe o cordão Yajñopavitam, com três fios – ida, píngala e sushumna; tamas, rajas e satva; os três princípios da realidade. Eles representam três dívidas que a pessoa tem de pagar: a dívida para com os ancestrais (pitra rihna), que se paga tendo e educando os filhos e assistindo e cuidando dos pais; a dívida para com os sábios (rishi rihna), que ensinam a arte de viver ou a vida de yoga e que se paga ensinando a próxima geração; a dívida para com a sociedade (dharma rihna), segundo a qual eu devo dedicar uma parte do meu tempo para o bem-estar das outras pessoas.
Qual o papel do karma yoga na vida de um professor?
Existe um consenso em alguns sectores da nação yogika que diz que a sua maneira de pagar a dívida com a sociedade deveria acontecer levando o yoga até às pessoas que à partida poderiam não ter acesso a ele. Neste sentido, o professor de yoga não precisa deixar de fazer a sua actividade, mas dentro daquilo que faz, dedica um momento, da sua semana ou do seu dia, aos demais, levando o yoga até aqueles que não conseguem ter acesso à sua escola, ensinando em hospitais, instituições ou prisões, por exemplo. Neste contexto, então, karma yoga é o que se conhece como o yoga da acção social.
O papel do karma yoga é, por um lado, o pagamento dessa dívida que o ser humano tem desde o nascimento e, por outro lado, tem a função de acumular punya, através da acção adequada, que é aquela que é meritória e que traz paz e tranquilidade.
Que estilos de vida estão em consonância com o dharma?
Todos. Qualquer sociedade humana sempre criou formas de interrelacionamento, nas quais aquele princípio áureo do dharma de não fazer aos outros aquilo que não gostaria que fizessem comigo, estivesse sempre presente. Se considerarmos estilos de vida como formas em que a sociedade se organiza, todos os estilos de vida, de todas as civilizações, culturas e continentes, estão baseados no dharma. Agora, dentro de uma sociedade, seja ela qual for, nós vemos que existem indivíduos com estilos de vida diferentes. Quando um estilo de vida atropela esse princípio áureo da equidade e do equilíbrio e a pessoa exige mais do que dá, então isso chama-se de conduta adhármica ou que vai contra o dharma. Logo, os estilos de vida que estão em consonância com o dharma são aqueles nos quais o indivíduo, a família, ou a nação respeitam o direito comum e reconhecem que o outro, seja homem ou mulher, branco ou negro, cristão ou pagão, muçulmano ou judeu, hindu ou budista, têm os mesmos direitos do que eu.
Como procedes quando as tuas preferências não coincidem com o dharma?
As preferências de cada um não são as preferências do Ser, porque o Ser não tem ego. Quando ganhamos aquilo a que se chama livre-arbítrio temos de aprender a usá-lo e, para isso, se não formos capazes de nos colocar no lugar do outro, os frutos das nossas acções vão-se voltar contra nós. Assim, liberdade é algo que precisa de ser bem compreendido para procedermos quando as preferências do ego não coincidem com o bem comum. Se eu perceber que alguma preferência que eu tenha esteja a prejudicar o bem comum, outros seres vivos, ou a mim mesmo, renuncio a essa preferência, ela deixa de ter valor porque existe um valor maior, que é o dharma.
Onde se situa a barreira entre o professor e o empresário?
Tradicionalmente, o yoga sempre foi ensinado dentro de famílias, em grupos pequenos ou “tête a tête”. Conforme vai aumentando a procura, o mercado responde gerando mais professores. O sistema capitalista tende a massificar meios de produção e de consumo, então para baixar o custo aumenta-se a produção. A diferença entre um grupo de yoga dentro de um esquema de produção massiva e um grupo pequeno de alunos que se ensina em casa, é equivalente à diferença entre a guitarra que foi feita na cadeia de produção e a outra, que foi feita por um artesão, sozinho em sua casa, e com tempo para trabalhá-la. Nesta sociedade contemporânea em que vivemos temos muito o paradoxo do cash&carry, não queremos esperar.
Mas a resposta a esta pergunta é que não existe barreira. Cada um escolhe de que forma se vai relacionar com o trabalho de yoga. Algumas pessoas vão olhar para o yoga como um produto e, analisando, o mercado, vão ver de que maneira aquilo poderá ser apresentado para que tenham um retorno. O foco para o professor-empresário deveria ser ainda o yoga e não apresentar o yoga como um meio para aplicar a mais-valia em professores e pensar em massas de alunos para ter retorno financeiro. Em todo o caso, este é um efeito subsequente, não deveria ser o foco.
Há um fruto que retorna para o professor a partir do seu trabalho. Mas o foco para o ensinamento é moksha não é dinheiro. Ali está a diferença entre o professor-empresário em sintonia com a essência do yoga, e o outro que está focado apenas em ganhar dinheiro. O que busca moksha, paradoxalmente, obtém um resultado por vezes mais eficiente do que aquele que está centrado no dinheiro, porque este, muitas vezes, perde a credibilidade e perde o apoio das pessoas. Ninguém quer praticar com alguém que está centrado única e exclusivamente no dinheiro.
Eu gosto sempre de olhar para a forma com que se lidou com as questões na tradição do yoga, nos tempos passados, e sempre houve pagamento ao professor (dakshina – que quer dizer direito). O Yoga nunca foi dado de graça, o conhecimento nunca foi de graça. Então, findos os estudos o aluno tinha a obrigação de dar dinheiro ao professor. Na Taittirya Upanishad, que é uma das mais antigas, descreve-se a situação de um menino que está a deixar a casa do professor na qual dormiu, aprendeu e estudou, durante anos e tem de deixar dinheiro antes de partir. Conta-se que este menino entrega o que é descrito como um presente digno (naquela época, vacas, tecidos, grãos…) e havendo oferecido este dakshina o professor dá-lhe um discurso final sobre como ele se deve comportar dali por diante.
Quando o aluno não tinha meios, pedia um mecenato, pedindo dinheiro ao Rei, que financiava os estudos dos alunos que não podiam pagar, pois aquele era o destino natural de uma parte dos impostos que ele recolhia da sociedade. Uma parte desses impostos ia para a manutenção de templos, estradas, obras públicas, e outra parte ia para financiar a educação daqueles que não tinham posses. Então, sempre houve uma retribuição do trabalho do professor, mesmo que não viesse directamente do aluno.
Dinheiro é uma forma de energia, é a energia de Lakshmi que é a Deusa da saúde, da beleza e da prosperidade. Em sintonia com Lakshmi, se eu me dedico ao meu trabalho e se dedico os frutos do meu trabalho a Ísvara, naturalmente vem alguma coisa para mim nessa forma de energia, que se chama dinheiro. Se eu não tiver como foco fazer muito dinheiro, é provável que eu ganhe mais do que se estiver totalmente centrado nessa ideia. O professor trabalha relaxado, porque ele faz o trabalho pelo dharma e aquilo é mais uma consequência, juntamente com os outros frutos que se ganham e que são imensuráveis.
O professor de Yoga na sociedade
Porque é que frequentemente os professores de yoga são vistos como indivíduos que vivem uma vida de sacrifícios e privações?
Depende muito do olhar de quem faz o julgamento. Pessoalmente, não acho que seja sacrificante ou difícil escutar ou repetir o ensinamento do yoga e, basicamente, o professor de yoga é alguém que partilha a prática com as pessoas porque ele próprio precisa de fazer essa prática e de ouvir o ensinamento. Então, dá-se aqui um processo de retroalimentação. Se nós escolhemos ser professores porque nos demos conta de que o ensinamento é interessante, é importante e precisa de ser compartilhado, qual é o sacrifício em ficar perto disso?
Talvez as pessoas olhem dessa forma para o professor de yoga, porque acham que a vida deste professor não tem nenhuma alegria. Se o professor de yoga não tem aquela vontade de adolescente de sair à sexta à noite e de andar sempre pelas festas, talvez quem olhe de fora pense “coitados, eles acordam cedo, não podem comer carne, não podem beber, não podem sair à noite…” . Mas é tudo uma questão de prioridades, nada é imposto ou forçado. Muitas vezes o que as pessoas não se apercebem é que aquele desapego que foi exercido sobre estas pequenas situações do quotidiano, ou sobre a alimentação, foi exercido porque aquilo deixou de ter valor, não há um sacrifício. O facto de algumas pessoa seguirem um ritmo e outras seguirem outro diferente, faz com que as pessoas que seguem o ritmo predominante vejam as as outras como se elas se sacrificassem. Mas a bem da verdade, o professor de yoga não se priva de nada, ele definiu quais são as suas prioridades e age de acordo com elas.
Como agir para desmistificar a ideia de que o professor de yoga é um ser alienado da sociedade com hábitos diferentes, pontos de vista diferentes, valores diferentes…?
Depende do que se entender por sociedade e por alienação. Na verdade, a presumida alienação do yogi não é uma alienação grave porque esta, literalmente, aplica-se a alguém que não pertence à sociedade. O professor de yoga constrói o seu próprio caminho nas seguintes bases: ele respeita as leis, mas não só respeita as leis humanas como também olha para o dharma que é a lei da harmonia universal e que tem regras que não estão escritas na lei humana. O dharma fala sobre o convívio entre os humanos, mas também da relação destes com a natureza, o cosmos e as gerações futuras.
Nesse sentido, existe um compasso entre o ponto de vista do yogi e o ponto de vista prevalecente na sociedade, em que o primeiro não está apenas respeitando a lei porque é necessário, senão porque ele próprio opta por levar uma vida em harmonia com o dharma, pois isso redunda num bem maior para si e para a sociedade. Depois, como o professor de yoga também é uma espécie de embaixador de outra cultura, porque a cultura do dharma nasceu no Oriente, através do budismo e do hinduísmo, tem algumas coisas que são ligeiramente diferentes – alguns símbolos, roupas… mas isso acaba por funcionar como uma marca de identidade que todos os grupos sociais têm. Os surfistas têm a sua linguagem, o seu lugar de encontro, os seus lugares sagrados como Bali e Hawaii. Numa palavra - os professores de yoga também formam uma sub-cultura.
Porque se criam quase comunidades de professores?
Quando não nascemos numa família de yogis, mas nos reconhecemos como tal, é natural que o estilo de vida daqueles que compartilham os mesmos ideais nos atraiam. Então as comunidades são, na verdade, famílias, kulam em sânscrito, que quer dizer clã ou família estendida. Eu tenho uma família biológica e depois tenho outra família que é a família do yoga. Esta família não é uma abstracção, entre ela criam-se laços que permanecem em harmonia, tolerância e aceitação mútua, sendo o resultado desta convivência positiva.
Então, esta comunidade é uma família, com todos os problemas que uma família tem mas que não se separa por causa do dharma que mantém as pessoas unidas, dentro do mesmo ideal e objectivo – moksha. Este objectivo vence todas as diferenças que existam entre os membros da família. Quando olho para um colega praticante vejo alguém que caminha na mesma direcção que eu.
Como lidar com os amigos, com as limitações que eles projectam em nós?
Amigo que é amigo vai compreender o que o amigo está a fazer e mesmo que não compartilhe o mesmo ideal ou a mesma visão a amizade não muda.
Como permanecer integrado numa comunidade cujas estruturas sociais estabelecidas, sobretudo para os mais jovens, marginalizam aqueles que não respeitam essas estruturas?
Isto Tem a ver com as sub-culturas que naturalmente se formam dentro das grandes estruturas culturais. Enquanto eu me enquadro nesses valores, repito esses gestos, pertenço a essa sub-cultura, mas se em algum momento eu deixo de ostentar esses símbolos sou colocado para fora pela minha própria atitude.
Neste sentido, as estruturas das tribos dos jovens por mais que pareçam coloridas, modernas e abertas são medievais, super fechadas “ senão pensas como eu és um alienígena”, “eu só falo com quem fala a minha língua”. Então quando temos amigos dentro de uma destas tribos, se eu mudo a minha forma de ser, mas a amizade existe, ela não se perde. A resposta à pergunta é que é impossível. O facto de eu viver a vida de yoga e seguir os seus valores não me vai colocar fora da sociedade mas é possível sim que, em algum momento, alguma pessoa observe ou se dê conta e mude determinados hábitos – como deixar as drogas ou o álcool. A pergunta que eu faço é: eu preciso de pertencer a um grupo no qual eu sou julgado pelos meus actos e do qual eu vou ser irradiado se os meus actos não se encaixarem com os actos que esse grupo aprova? Posso pertencer se para mim isso for importante, por uma questão de identidade cultural, mas se eu achar que não preciso disso não fico, e as amizades verdadeiras vão permanecer por mais que as pessoas naveguem em navios diferentes.
Autor: entrevista com Pedro Kupfer
Fonte: www.yoga.pro.br
A Necessidade de Aprovação e Reconhecimento - (Osho)
Querido Osho,
Por que sinto necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido, especialmente em meu trabalho? Isso me coloca numa armadilha – eu não consigo fazer as coisas sem isso. Eu sei que estou nessa armadilha, mas eu fui pego nela e não vejo como sair.
Você poderia me ajudar a encontrar a porta?
“A questão é do Kendra.
É preciso lembrar que a necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido é uma questão que diz respeito a todo mundo. A estrutura de toda a nossa vida é essa que nos foi ensinada: a menos que exista um reconhecimento, nós somos ninguém, nós não temos valor. O trabalho não é o importante, mas sim o reconhecimento. E isso coloca as coisas de cabeça para baixo. O trabalho deveria ser o importante – uma alegria em si mesmo. Você deveria trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você curte ser criativo, você ama o trabalho em si mesmo.
Existiram poucas pessoas como Vincent Van Gogh, capazes de escapar da armadilha que a sociedade lhes impingiu. Ele continuou pintando – com fome, sem casa, sem agasalhos, sem remédios, doente – mas ele continuou pintando. Nem uma pintura sequer estava sendo vendida, não havia reconhecimento de parte alguma, mas o estranho era que em tais condições ele ainda era feliz – feliz porque era capaz de pintar o que queria pintar. Reconhecido ou não, o seu trabalho era intrinsecamente valioso.
Aos trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria ou angústia, mas simplesmente porque ele havia pintado o seu último quadro, um pôr-do-sol, no qual havia trabalhado por quase um ano. Ele tentou dezenas de vezes e destruiu, porque não havia atingido aquele seu padrão. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr-do-sol da maneira como desejava.
Ele cometeu suicídio escrevendo uma carta para seu irmão, ‘Eu não estou cometendo suicídio por desespero. Eu estou cometendo suicídio por não mais existir qualquer motivo para continuar vivendo – o meu trabalho está concluído. Além disso, tem sido difícil encontrar alternativas para meu sustento. Até aqui as coisas estavam indo bem, porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial dentro de mim precisava se exteriorizar, tinha que florescer. De modo que agora, não há sentido em viver como um mendigo. Eu ainda não tinha pensado e nem mesmo tinha olhado para isso, mas agora essa é a única coisa a ser feita. Eu floresci até o meu limite máximo, eu estou realizado, e agora parece ser apenas uma estupidez ficar me arrastando, procurando alternativas de sustento. Por que razão? Para mim isso não é um suicídio; eu apenas cheguei a uma realização, a um ponto final e alegremente estou deixando o mundo. Alegremente eu vivi e alegremente estou deixando o mundo.’
Agora, após quase um século, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares. Existem apenas duzentas pinturas disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas elas foram destruídas; e ninguém prestou atenção nelas.
Agora, ter um quadro de Van Gogh significa que você tem um senso estético. O quadro dele traz um reconhecimento para você. O mundo não deu qualquer reconhecimento ao trabalho dele, mas ele nunca se preocupou com isso. E esta deve ser a maneira de ver as coisas: você deve trabalhar se amar aquele trabalho.
Não peça reconhecimento. Se ele vier, aceite-o tranqüilamente; se ele não vier não pense a respeito. A sua realização deve estar no próprio trabalho. E se todos aprendessem esta simples arte de amar o seu trabalho, seja qual ele for, curtindo-o sem pedir por qualquer reconhecimento, nós teríamos um mundo mais belo e mais celebrante. Do jeito que o mundo é, vocês têm estado presos num padrão miserável. O que você faz é bom, não porque você ama fazê-lo, não porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, lhe dá uma premiação, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.
Eles têm tirado todo o valor intrínseco da criatividade e destruído milhões de pessoas – pois você não pode dar prêmios Nobel a milhões de pessoas. E têm criado o desejo por reconhecimento em todo mundo, de modo que ninguém consegue trabalhar em paz, curtindo qualquer coisa que esteja fazendo. E a vida consiste em pequenas coisas. Para as pequenas coisas não existem premiações, nenhum título concedido pelos governos, nenhuma graduação honorária dada pelas universidades.
Um dos grandes poetas do século XX, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele publicou suas poesias e seus romances em bengali – mas não recebeu qualquer reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, GITANJALI, Oferta de Canções, para o inglês. E ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha e não conseguiria ter – porque essas duas línguas, o bengali e o inglês têm estruturas diferentes, maneiras diferentes de expressar.
O bengali é muito doce. Mesmo se estiver brigando, vai parecer que você está envolvido numa conversação agradável. É uma linguagem muito musical, cada palavra é musical. Essa qualidade não existe no inglês, não pode ser trazida para ele. O inglês tem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel. Então, de repente, toda a Índia ficou sabendo. O livro esteve disponível em bengali e em outros idiomas indianos por anos, e ninguém prestava atenção nele.
Todas as universidades quiseram lhe dar um título de Doutor. Calcutá, onde ele vivia, foi a primeira universidade a lhe conceder o título de Doctor of Letters. Ele recusou, dizendo, ‘Vocês não estão dando uma graduação a mim nem estão reconhecendo o meu trabalho, vocês estão dando reconhecimento ao prêmio Nobel, porque o livro esteve aqui de uma forma muito mais bela e ninguém se preocupou em escrever ao menos uma crítica’. Ele recusou-se a receber qualquer doutorado honorário. Ele dizia, ‘Isso é um insulto para mim’.
Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de tremendo insight sobre a psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, ‘Eu recebi recompensa suficiente enquanto estava criando o meu trabalho. Um prêmio Nobel não consegue acrescentar coisa alguma a isso – ao contrário, ele me joga para baixo. Ele é bom para amadores que estão em busca de reconhecimento, eu já sou bastante velho, eu já desfrutei o suficiente. Eu amei tudo o que fiz. Essa foi a minha própria recompensa, eu não quero qualquer outra recompensa, porque nada pode ser melhor do que aquilo que eu já recebi.’ E ele estava certo. Mas as pessoas certas são poucas no mundo. O mundo está cheio de pessoas vivendo dentro das armadilhas.
Por que você deve se preocupar com reconhecimento? Preocupação com reconhecimento somente faz sentido se você não ama o seu trabalho, nesse caso ele não tem significado, então o reconhecimento parece ser um substituto. Você detesta o trabalho, não gosta dele, mas você o faz porque será reconhecido, será apreciado e aceito. Ao invés de pensar no reconhecimento, reconsidere o seu trabalho. Você gosta dele? – então ponto final. Se você não gosta, então, troque-o!
Os pais e os professores estão sempre reforçando que você deve ser reconhecido, que deve ser aceito. Esta é uma estratégia muito esperta para manter as pessoas sob controle.
Quando eu cursava a universidade, me disseram repetidas vezes, ‘Você deve parar de fazer essas coisas… Você continua formulando perguntas que sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você tem que parar com isso, caso contrário essas pessoas irão se vingar. Elas têm o poder e poderão reprová-lo.’
Eu dizia, ‘Não me preocupo com isso. Neste momento eu estou curtindo formular perguntas e fazê-los sentirem-se ignorantes. Eles não são corajosos o bastante para simplesmente dizer, ‘Eu não sei.’ Desse modo, não haveria qualquer embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Eu estou curtindo isso; a minha inteligência está sendo aguçada. Quem se preocupa com exames? Eles poderão me reprovar apenas quando eu aparecer nos exames – e quem vai aparecer? Se eles estiverem com essa idéia de que podem me reprovar, eu não entrarei nos exames, e repetirei a mesma série. Eles terão que me aprovar pelo simples medo de ter que me encarar por mais um ano novamente.’
Todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar porque queriam ficar livres de mim. Aos olhos deles, eu estava destruindo os outros estudantes, porque eles começaram a questionar coisas que, por séculos, eram aceitas sem questionamentos.
Quando eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa aconteceu, sob um ângulo diferente. Agora eu estava formulando perguntas aos estudantes para trazer a atenção deles ao fato de que todo o conhecimento que eles tinham acumulado era emprestado e que eles nada sabiam. Eu lhes dizia que não me importava com a graduação deles, eu me importava com a experiência autêntica deles – e eles não tinham nenhuma. Eles estavam simplesmente repetindo os livros, que estavam desatualizados, que já tinha sido provado que estavam errados há muito tempo. Agora as autoridades da universidade estavam ameaçando-me, ‘Se você continuar por esse caminho, atormentando os alunos, você será colocado para fora da universidade.’
Eu disse, ‘Isso é estranho – eu era um estudante e não podia formular perguntas aos professores; agora eu sou um professor e não posso formular perguntas aos estudantes! Então, qual função esta universidade está preenchendo? Este deve ser um lugar onde as perguntas são formuladas, onde os questionamentos começam. As respostas devem ser encontradas na vida e na existência, não nos livros.
Eu disse, ‘Vocês podem me colocar para fora da universidade, mas lembrem-se, estes mesmos estudantes, em nome de quem vocês estão me colocando para fora, irão reduzir a cinzas toda a universidade. Eu disse ao vice-reitor, ‘Você deve vir e ver a minha sala’.
Ele não conseguiu acreditar – na minha sala havia pelo menos duzentos estudantes… E não havia espaço, de modo que eles sentavam em qualquer lugar que encontrassem – nas janelas, no chão. Ele disse, ‘O que está acontecendo, pois tem apenas dez alunos matriculados na sua matéria?’
Eu disse, ‘Essas pessoas vêm para ouvir. Elas abandonam as suas aulas e adoram estar aqui. Esta aula é um diálogo. Eu não sou superior a eles e eu não posso recusar ninguém que queira vir à minha aula. Se ele é meu aluno ou não, não importa, se ele vem me ouvir, então é meu aluno. Na verdade, você deveria me permitir utilizar o auditório. Estas salas de aula são muito pequenas para mim.’
Ele disse, “Auditório? Você quer dizer, toda a universidade reunida no auditório? O que, então, os outros professores estarão fazendo?’
Eu disse, ‘Isso é bom para eles pensarem a respeito. Eles deveriam ir embora e se enforcar! Eles deveriam ter feito isso há muito tempo. Ao ver que seus alunos não estavam indo assistir suas aulas, isso já era uma indicação suficiente.’
Os professores ficaram com raiva e as autoridades também. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório, mas com muita relutância, porque os alunos ficaram pressionando. Mas eles disseram, ‘Isto é estranho, alunos que nada têm a ver com filosofia, religião ou psicologia, por que eles devem estar indo lá?’
Muitos alunos disseram ao vice-reitor, ‘Nós gostamos disso. Não sabíamos que filosofia, religião e psicologia poderiam ser tão interessantes, tão intrigantes, senão já teríamos nos inscrito nelas. Nós pensávamos que essas matérias eram secas e que somente um tipo de pessoas muito ligado a livros se inscreveria nelas. Nós nunca tínhamos visto pessoas com muita energia se inscrevendo nessas matérias. Mas esse homem fez com que essas matérias ficassem tão significantes que parece que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não vai importar. O que nós estamos fazendo está tão correto e está tão claro para nós, que nem pensamos em mudar isso.’
Contra o reconhecimento, contra a aceitação, contra as graduações… Mas, finalmente eu tive que deixar a universidade, não por causa de suas ameaças, mas porque eu reconheci que aquilo era um desperdício, pois milhares de estudantes poderiam ser ajudados por mim. Eu poderia ajudar milhões de pessoas do lado de fora, no mundo. Por que eu deveria permanecer apegado a uma pequena universidade? O mundo inteiro poderia ser a minha universidade.
E você pode ver. Eu fui condenado.
Esse foi o único reconhecimento que eu recebi.
Eu fui descrito de maneira totalmente incorreta. Tudo o que pode ser dito contra uma pessoa, foi dito contra mim; tudo o que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Você acha que isso é reconhecimento? Mas eu amo o meu trabalho. Eu o amo tanto que nem mesmo o chamo de trabalho; eu simplesmente o chamo de minha alegria.
E todas as pessoas mais velhas, bem reconhecidas, me diziam, ‘O que você está fazendo não irá lhe trazer qualquer respeitabilidade no mundo.’
Mas eu dizia, ‘Eu nunca pedi por isso e não vejo o que poderei fazer com a respeitabilidade. Eu não posso comê-la nem bebê-la.’
Aprenda uma coisa básica. Faça o que você quer fazer, o que ama fazer, e nunca peça por reconhecimento. Isso é mendicância. Por que alguém deve pedir por reconhecimento? Por que alguém deve ansiar por aceitação?
Olhe no fundo de si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez você tenha medo de encarar que está no caminho errado. A aceitação irá ajudá-lo a achar que está certo. O reconhecimento irá fazê-lo achar que está indo para o objetivo correto.
A questão diz respeito aos seus próprios sentimentos internos, ela nada tem a ver com o mundo externo. Por que depender dos outros? Todas essas coisas dependem dos outros – você está se tornando dependente.
Eu não aceitarei qualquer prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações ao redor do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim. Aceitar o prêmio Nobel significa que eu estou me tornando dependente – agora eu não estarei mais satisfeito comigo mesmo, mas sim com o prêmio Nobel. Neste exato momento eu só posso estar satisfeito comigo mesmo, nada mais existe com que eu possa me satisfazer.
Dessa maneira você se torna um indivíduo. Para ser um indivíduo, viva em total liberdade, apoiado em seus próprios pés, beba a sua própria fonte. Isso é o que torna um homem verdadeiramente centrado, enraizado. Este é o início do seu florescimento supremo.
Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais. Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.
Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito. Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. Você será condenado enquanto viver… Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje. O espaço de tempo é grande.
Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas. Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela. Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar? Você perderá a sua alma e nada ganhará.“
O medo de comprometer-se - (Osho)
“Eu não estou aqui para fazer de você um cordeiro. Você já tem sido cordeiro em demasia. Eu estou aqui para fazer de você um homem. Isto não vai ser fácil, mas você tem que começar a se tornar responsável pela sua própria vida. E uma vez que se torne responsável pela sua própria vida, você começará a crescer, porque não haverá mais sentido em desperdiçar tempo adiando ou esperando. Ninguém irá ajudá-lo. Toda espera é inútil, é puro desperdício.
Por isto, se existe algum conflito, vá fundo nele. Decida alguma coisa. Somente através de decisões você fica cada vez mais cônscio, somente através de decisões você fica cada vez mais cristalizado, fica mais afiado. Do contrário a pessoa torna-se apática.
As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um templo para outro; não porque sejam grandes buscadoras, mas porque são incapazes de decidir. Assim elas ficam pulando de um para outro. Essa é a maneira delas evitar comprometer-se.
O mesmo acontece com outros relacionamentos humanos: um homem fica pulando de uma mulher para outra, vai mudando. As pessoas acham que ele é um grande amante; ele não é um amante de jeito algum. Ele está evitando, está tentando evitar algum envolvimento mais profundo porque com envolvimento mais profundo os problemas precisam ser enfrentados, e ele irá passar por muito sofrimento. Assim a pessoa simplesmente joga seguro; a pessoa toma a decisão de nunca se envolver profundamente com alguém. Se você for muito fundo, pode não ser capaz de voltar facilmente. E se você for muito fundo com alguém, outra pessoa irá fundo com você também; é sempre proporcional. Se eu for muito fundo com você, a única maneira é permitir que você também vá fundo em mim. É um dar e receber, é um compartilhar.
Então a pessoa pode ficar enrolada demais e será difícil escapar. O sofrimento pode ser grande.
Assim as pessoas aprendem como jogar seguro: basta se encontrar superficialmente; um caso de amor do tipo bata e corra. Antes de ser agarrado, corra.
Isso é o que está acontecendo no mundo moderno. As pessoas se tornaram tão imaturas, tão infantis; elas estão perdendo toda a maturidade. A maturidade chega somente quando você está pronto para enfrentar a dor de seu ser; maturidade chega somente quando você está pronto para aceitar o desafio. E não há um desafio maior que o amor.
Viver feliz com outra pessoa é o maior desafio do mundo. É muito fácil viver pacificamente sozinho, é muito difícil viver pacificamente com outra pessoa, porque os dois mundos colidem, dois mundos se encontram... Mundos totalmente diferentes. Como é que eles são atraídos um pelo outro? Porque eles são totalmente diferentes, quase opostos, pólos opostos.
É muito difícil ser pacífico num relacionamento, mas esse é o desafio. Se você fugir disso, fugirá da maturidade. Se você vai fundo nisso com toda a dor, e assim mesmo continua, então pouco a pouco a dor se torna uma bênção, a maldição se torna uma bênção. Pouco a pouco, através do conflito, surge a fricção, a cristalização. Através da luta você fica mais alerta, mais cônscio.
O outro se torna como um espelho. Você pode ver sua feiúra nele. O outro provoca sua inconsciência, trazendo-a para a superfície. Você terá que conhecer todas as partes ocultas de seu ser e o caminho mais fácil é ser espelhado, refletido, num relacionamento. Mais fácil, digo assim, porque não há outra maneira, mas isso é difícil, árduo, porque você terá que mudar através disso.
Quando você vai para um mestre, um desafio ainda maior se apresenta diante de si, pois terá que decidir e a decisão será por algo desconhecido. A decisão precisa ser total e absoluta, irreversível. Não é uma brincadeira de criança; é um ponto sem retorno.
Surgem muitos conflitos. Mas não continue mudando sempre, porque essa é a maneira de evitar a si próprio. E você irá permanecer mole, irá permanecer infantil. A maturidade não acontecerá a você. (...)
Somente o desconhecido deve atraí-lo porque você ainda não o viveu; ainda não andou por esse território. Mova-se! Algo de novo pode acontecer por lá. Sempre decida pelo desconhecido, seja qual for o risco, e você irá crescer continuamente. Mas, se continuar decidindo pelo conhecido, ficará se movendo repetidamente num círculo com o passado. Você prosseguirá repetindo-o; você se tornará como um gravador.
Assim, decida. E quanto mais cedo você o fizer, melhor. Adiamento é simplesmente estupidez. Amanhã você terá que decidir também, então porque não hoje? E você acha que amanhã será mais sábio do que hoje? Acha que amanhã estará mais vivo que hoje? Você acha que amanhã estará mais jovem que hoje, mais renovado que hoje?
Amanhã você estará mais velho, sua coragem será menor; amanhã você será mais experiente, sua esperteza será maior; amanhã a morte estará mais perto; você começará a dar sinais e a ficar mais assustado. Nunca adie para amanhã. E quem sabe? Amanhã pode chegar ou pode não chegar. Se você tem que decidir, é preciso decidir agora mesmo.”
Autor: Osho – Dang Dang Doko Dang – capítulo 8 – pergunta n° 3
Este texto em português nos chegou através do Prashanto.
Fonte: Humaniversidade - http://www.humaniversidade.com.br/boletins/medo_de_comprometer_se.htm
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