segunda-feira, 12 de abril de 2010

Unicidade - Além da superioridade e da inferioridade - (Osho)


"Todo ser humano é único. Não há nenhuma questão de alguém superior ou inferior. Sim, as pessoas são diferentes.
Deixem-me lembrá-los de uma coisa; senão vocês me entenderão mal. Eu não estou dizendo que todo mundo é igual. Ninguém é superior, ninguém é inferior, mas ninguém também é igual. As pessoas são simplesmente únicas, incomparáveis. Você é você, eu sou eu. Eu tenho que contribuir com meu potencial para a vida, você tem que contribuir com seu potencial para a vida. Eu tenho que descobrir meu próprio ser, você tem que descobrir seu próprio ser.



Quando inferioridade desaparece, todo sentimento de superioridade também desaparece. Eles vivem juntos, não podem ser separados. O homem que se sente superior ainda está sentindo-se inferior de algum modo. O homem que se sente inferior quer se sentir superior de alguma maneira. Eles chegam num par; eles estão sempre juntos; não podem ficar separados.

Aconteceu... Um homem muito arrogante, um guerreiro, um samurai, veio ver um mestre Zen. O samurai era muito famoso, muito conhecido por todo o país, mas olhando para o mestre, olhando para a beleza do mestre e na graça do momento, ele subitamente sentiu-se inferior. Talvez ele tenha vindo com um desejo inconsciente de provar sua superioridade. Ele disse ao mestre “Porque estou me sentindo inferior? Apenas um momento antes, tudo estava ok. Quando entrei na sua corte subitamente me senti inferior. Eu nunca me senti assim. Minhas mãos estão tremendo. Sou um guerreiro, já enfrentei a morte muitas vezes, e nunca senti nenhum medo – porque estou me sentindo assustado?”

O mestre disse, “Você espere. Quando todo mundo for embora, eu responderei.” As pessoas continuaram chegando para visitar o mestre, e o homem foi ficando cansado, mais e mais cansado. Lá pela tarde a sala ficou vazia, e não havia mais ninguém, e o samurai disse, “Agora você pode responder?” E o mestre disse, “Agora, venha para fora.”

Uma noite de lua cheia – a lua estava justamente surgindo no horizonte... E ele disse, “Olhe para estas árvores, essa árvore alta no céu e essa pequena árvore. Ambas têm existido ao lado da minha janela por anos, e nunca houve nenhum problema. A árvore menor nunca disse, ‘Porque me sinto inferior diante de você?’ para a árvore grande. Como isso é possível? Esta árvore é pequena, e aquela árvore é grande, e eu nunca ouvi qualquer cochicho.”

O samurai disse, “Porque elas não podem comparar.”

O mestre disse, “Então você não precisa me perguntar; você sabe a resposta.”

Comparação traz inferioridade, superioridade. Quando você não compara, toda inferioridade, toda superioridade desaparece. Assim você é, você está simplesmente aí. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore – isso não importa; você é você mesmo. Você é necessário. Uma folha de grama é tão necessária quanto a maior estrela. Sem a folha de grama Deus será menor do que ele é. O canto do cuco é tão necessário tanto quanto qualquer Buda; o mundo será menor, será menos rico se o cuco desaparecer.

Apenas olhe ao redor. Tudo é necessário, e tudo se encaixa. È uma unidade orgânica: ninguém é mais elevado e ninguém é mais baixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Todos são incomparáveis, únicos."

Imbecilização coletiva - O que realmente preciso para ser feliz? - (Frei Betto)


Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelo produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"

domingo, 11 de abril de 2010

Mãe Divina - (Paramahamsa Ramakrishna)


“A Mãe Divina não é apenas mãe de todos. Ela também é irmã--amiga-parceira-amante e confidente fiel.Quando quiser energia e alegria, busque-a no cantinho mais secreto: Vá direto ao coração, o lugar de que Ela gosta. Se você for sincero e humilde, Ela lhe dará uma flor vermelha. E aí, uma onda de amor arrebatará sua consciência para o samadhi. A Mãe Divina é o seu escudo. Caminhe com Ela nas ondas do amor.”

Adoração a Mãe por Mirra Alfassa


"Doce, doce, doce, linda Mãe eu te reverencio,
Eu te reverencio!

Maheshwari, por favor, me proteja, me envolva,
Com seu amor Divino,

Oh Mahakali, destruidora de inimigos,
Remova meus defeitos com a luz da sabedoria,
Que as sombras que envolvem minha cabeça fiquem penduradas sangrando no seu colar
Quebre meus limites como o vento quente,
Piedade eu não peço a Ti!

Ouça, Mahalakshmi, um raio constante de seu Shakti,
Formidável e rápido,
Distribuirá muita luminosidade,
Causará a individualização necessária,
Antes que o meu ego seja oferecido em sacrifício,

Entre em mim Mahasaraswati,
Você, a mais jovem de todas, Anandamayi,
Como um redemoinho reorganize meu eu interior.

Mahashakti, eu me coloco em suas mãos!"


Mirra Alfassa (A Mãe, Purna Yoga de Sri Aurobindo)

Chame a Mãe Divina ... - (Swami Satyananda Saraswati)


"Chame a Mãe Divina, cante Seus nomes, narre as Suas histórias e torne-se inspirado para uma maior realização. Ela é a nossa Bela, Jogadora, Amada Mãe. Ela concede o fruto do karma. Adore-A com todo seu coração."

Yoga, ciclo feminino e TPM - (Rosine Mello)


Matéria destinada às mulheres e aos homens que querem entender um pouco mais sobre o mundo feminino.
Asanas e pranaymas ajudam a mulher a entender melhor seu corpo
por Rosine Mello

Hoje considerado como indesejável por muitas mulheres modernas, o ciclo menstrual era um tempo feminino sagrado em muitas tradições antigas. O Yoga, por aumentar a sintonia da mulher com seu próprio corpo, pode ser um aliado tanto na TPM, como durante a menstruação, equilibrando as emoções e aliviando as incômodas cólicas.
Todas as linhas do Hatha Yoga têm o mesmo efeito sobre o organismo feminino: a mulher começa a entender melhor o seu corpo, a senti-lo, tem um contato maior com a totalidade do eu, cria maior conexão com a Terra, desperta a sabedoria ancestral. Os asanas (posturas físicas) e alguns pranayamas (exercícios respiratórios) estabilizam as emoções, tonificam o fígado, equilibram o sistema endócrino e, assim, ajudam a regularizar o ciclo menstrual.

TPM
A regularidade do ciclo menstrual e a TPM estão muito ligadas ao nível de estresse da mulher. Às vezes ela fica tão desequilibrada emocionalmente pelo acúmulo de atividades que exerce que isso afeta o seu ciclo - pode ocorrer um atraso, um adiantamento ou a menstruação simplesmente não vem. Os asanas de flexão para trás, torções e inversões ajudam a acalmar o sistema nervoso, revitalizam os órgãos abdominais e o sistema endócrino e são recomendados para antes da menstruação.

Durante o período menstrual
As recomendações para mulheres no período menstrual, tanto já praticantes como as que querem começar a praticar são:
Evitar práticas intensas. Não tente aprofundar ou melhorar seus asanas, evite as inversões e as flexões para trás intensas.
Relaxar completamente em cada asana. Deixe o abdômen solto, direcione a respiração para as regiões mais incômodas, que geralmente são o abdômen, cabeça e pernas.
Para as que sentem muitas cólicas, asanas sentados com flexões para frente (de preferência com um apoio pressionando o abdômen)são indicados, assim como a postura da criança(balasana). O supta badha konasana, com almofadão e cinto, também ajuda a melhorar o desconforto.
O Yoga desperta a consciência corporal, então aprenda a escutar o que o seu corpo diz. Por isso, caso você sinta que seu corpo pede relaxamento durante o período menstrual, descanse.


Fonte: Núcleo de Yoga Shanta - www.shanta.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2010

The Highest Sadhana - legendado - (Mooji)


Satsang with Mooji, 6th January, Tiruvannamalai (India)

É só respirar - Meditação - (Jomar Morais; Revista Super Interessante)


Recomendada pelos médicos, estudada pelos cientistas, praticada por milhões mundo afora. Conheça essa técnica ancestral de autoconhecimento e tudo o que ela pode fazer por você.
Na sala vazia e silenciosa, dois monges zen, com seus mantos e cabeças raspadas, estão sentados no chão, lado a lado, pernas cruzadas. Depois de alguns instantes, o mais jovem lança um olhar surpreso e irônico para o mestre. Sereno, o velho monge comenta: “É só isso, mesmo. Não vai acontecer mais nada”. Não se trata de uma cena real. É só uma charge publicada na renomada revista americana The New Yorker, brincando com o novo hábito americano de meditar regularmente, como fazem os orientais há milhares de anos. A fina ironia da charge, no entanto, tem a ver com a realidade. Embora singela, a atitude de sentar sobre uma almofada (ficar em posição de lótus exige um preparo de monge) e ficar atento à própria respiração é tão fora de propósito em nossa rotina atabalhoada que é fácil se identificar com o jovem monge, perplexo e irônico, ao encará-la pela primeira vez. Comigo não foi diferente.

Na primeira vez em que me detive a acompanhar o compasso da respiração, o sentimento inicial foi de surpresa. Espantei-me pela rapidez com que tudo caminhou para a inatividade. O turbilhão de pensamentos que ocupava minha mente (uma conta para pagar, uma cena do filme que vi no dia anterior, uma ótima piada para contar aos amigos) foi desaparecendo sem que eu me desse conta. O incômodo da perna dormente, pressionada pela flexão, logo foi substituído por um inesperado prazer, prazer de simplesmente respirar. Então, de repente, foi como se tudo houvesse parado nos primeiros segundos depois de acordar, aqueles instantes em que você se sente presente e alerta, mas com a cabeça vazia. Enfim, aqueles poucos segundos do dia em que nada acontece.

Foi então que tudo ficou meio irônico: o êxtase, o delicioso estranhamento que entupiu meus sentimentos, acabou em um segundo! E no instante seguinte todos os pensamentos voltaram: a conta, o filme, a piada e mais um monte de coisas. Rindo comigo mesmo, me perguntei – talvez como um jovem monge perplexo e desconfiado – se não haveria algo mais divertido para fazer naquele instante. Mas logo me peguei novamente de olhos fechados.

Quer dizer que meditar é só parar e não pensar em nada? É. Como afirmam os especialistas, é um não-fazer. Mas, acredite, não é fácil. Não para ocidentais como eu e você, acostumados com a idéia de que, para resolver um assunto, o primeiro passo é pensar bastante nele. Na meditação, a idéia é exatamente o oposto: parar de pensar, por mais bizarro que isso pareça.

A novidade é que, mesmo parecendo alienígena, a meditação conquista cada vez mais adeptos no Ocidente. Dez milhões de americanos meditam regularmente em casa e em hospitais, escolas, empresas, aeroportos e até em quiosques de internet. Entre os milhões de meditadores americanos estão celebridades de grosso calibre, como o dirigente da Ford, Bill Ford, e o ex-vice-presidente Al Gore. No Brasil, a exemplo da Hollywood dos anos 90, a meditação entrou para a rotina de estrelas – como a atriz Christiani Torloni e a apresentadora Angélica, que recorreu à prática para livrar-se de uma crise de síndrome do pânico – e virou ferramenta diária de produtividade em empresas e até em alguns círculos do poder. O prefeito de Recife, João Paulo, por exemplo, só inicia o expediente após meditar por alguns minutos.

Mas como é que algo assim, na contramão do pragmatismo moderno, consegue empolgar tanta gente? Como pode haver gente capaz de pagar caro para participar de sessões de meditação – ou seja, para ficar sentado em silêncio em uma sala quase sem móveis?

Sem dúvida há muita gente desiludida com o modo de vida ocidental (a destruição do meio ambiente, a vida cada vez mais solitária das grandes cidades e a competição pelo ganha-pão). Mas esse contingente não é capaz de explicar, sozinho, a explosão da meditação. A verdade é que a ciência resolveu se debruçar sobre os efeitos dessa prática, e as notícias dos laboratórios de pesquisa cada vez convencem mais pessoas a relaxar em posição de lótus.

O principal resultado dessas pesquisas pode ser resumido em duas palavras: meditação funciona. Ou seja, por mais estranho que pareça aos ratos de academia que se esfalfam em exercícios para melhorar a capacidade cardiorrespiratória, não fazer nada por alguns minutos diariamente tem efeitos palpáveis, reais e mensuráveis no corpo. E o melhor: só apareceram efeitos positivos (pelo menos até agora). Ou seja, aquilo que os adeptos da tradicional medicina chinesa e os mestres budistas viviam repetindo (com um sorriso bondoso no rosto) começa a ser comprovado por alguns renomados centros de pesquisa ocidentais, como as universidades Harvard, Columbia, Stanford e Massachusetts, nos Estados Unidos, e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no Brasil.

É difícil listar as descobertas porque as pesquisas sobre a meditação alcançaram a maioridade recentemente. Mais precisamente no ano 2000, quando o líder do budismo tibetano, o Dalai Lama (sempre ele), encontrou-se com um grupo de psicólogos e neurologistas na Índia e sugeriu que os cientistas estudassem um time de craques em meditação durante o transe, para ver o que ocorria com seus corpos. Os cientistas abraçaram o desafio e, desde então, as pesquisas não param de produzir surpresas. Já se sabe, por exemplo, que meditar afeta, de fato, as ondas cerebrais. Sabe-se também que isso tem efeitos positivos sobre o sistema imunológico, reduz a tensão e alivia a dor. “Três décadas de pesquisas mostraram que a meditação é um bom antídoto ao estresse”, diz o jornalista e psicólogo americano Daniel Goleman, autor dos livros Inteligência Emocional e Como Lidar com as Emoções Destrutivas, este o relato do encontro dos cientistas com o Dalai Lama.

“Agora, o que está mira dos pesquisadores é saber como a meditação pode treinar a mente e reformatar o cérebro”, afirma Daniel.




A piada dos dois monges, lá no início desta reportagem, não é gratuita. Afinal, faz séculos que se pratica meditação no Oriente, por recomendação religiosa. O detalhe é que agora a orientação também é médica. Nos anos 70, quando a prática começou a se espalhar pelo Ocidente, impulsionada pelo movimento hippie, o cantor e compositor brasileiro Walter Franco cantava que tudo era uma questão de “manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”. Hoje, os versos de Walter poderiam fazer parte de uma receita médica, de um treinamento em uma grande empresa ou até mesmo de um programa para a recuperação de presos.

“Focalizar a atenção no mundo interior, como se faz na meditação, é uma situação terapêutica”, diz o psicólogo José Roberto Leite, coordenador do instituto de medicina comportamental da Unifesp. “Queremos avaliar o alcance dessa prática e isolá-la de seu aspecto supersticioso.” Por trás dessa intenção está o fato de que as causas de doenças mudaram muito nos últimos 100 anos. No passado, os males eram causados principalmente por microorganismos. As pessoas morriam de poliomielite, de sarampo, de varíola e outras doenças causadas por bactérias e vírus. Mas isso mudou, graças às melhorias em saneamento e à criação de antibióticos e vacinas. “Hoje, a maioria das doenças é causada por coisas como hipertensão, obesidade e dependência química, que estão ligadas a padrões inadequados de comportamento”, diz José Roberto. Ou seja, o que mata hoje são os maus hábitos.

E são esses maus hábitos que se pretende combater pela meditação, também conhecida pelo pomposo nome de “prática contemplativa”. Apaziguar a mente, os cientistas estão descobrindo agora, pode reduzir o nível de ansiedade e corrigir comportamentos pouco saudáveis. O cardiologista Herbert Benson, da Universidade Harvard, um dos maiores pesquisadores da meditação e do poder das crenças na promoção da saúde, chega a estimar em seu livro Medicina Espiritual que 60% das consultas médicas poderiam ser evitadas se as pessoas apenas usassem a mente para combater as tensões causadoras de complicações físicas.

Mas, afinal, como é que se medita e o que acontece durante a prática contemplativa? Bem, há um leque de modalidades para quem deseja meditar, mas a receita básica é a mesma: concentração. Vale concentrar-se na respiração, uma imagem (um ponto ou uma imagem de santo), um som ou na repetição de uma palavra (o famoso mantra, como “ohmmm”, por exemplo). Parar de pensar equivale a ficar quase que exclusivamente no presente. Faz sentido. Os pensamentos são feitos basicamente de duas substâncias: as idéias e experiências que ouvimos, vivemos ou aprendemos no passado e os planos e apreensões que temos para o futuro. É naqueles raros momentos em que o meditador consegue livrar-se desses ruídos que surgem os sentimentos comuns nas descrições de iogues famosos: sensação de estar ligado com o Universo ou ter uma superconsciência do mundo. Meditar é, portanto, concentrar-se em cada vez menos coisas, inibindo os sentidos e esvaziando a mente. Tudo isso sem perder o estado de alerta, ou seja, sem dormir.

Mas como saber se deu certo? Como saber se você meditou? Essa é a melhor parte da história: não há nota ou avaliação. A não ser que você medite plugado em um aparelho de eletroencefalograma para saber se suas ondas cerebrais se alteraram. Como isso é pouco prático, a melhor medida para seu desempenho é você mesmo. Só você pode dizer o que sentiu e se foi bom.

BIOLOGIA DO ZEN
Os efeitos da meditação sobre o corpo são surpreendentes. Nos primeiros estudos sobre a meditação, na década de 60, o cardiologista Benson, de Harvard, e outros pesquisadores submeteram meditadores a experimentos nos quais a pressão arterial, os ritmos cerebrais e cardíacos e mesmo a temperatura da pele e do reto eram monitorados. Constatou-se então que, enquanto meditavam, eles consumiam 17% menos oxigênio e seu ritmo cardíaco caía para incríveis três batimentos por minuto (a média para pessoas em repouso é de 60 b.p.m.). Isso acontecia quando as ondas cerebrais alcançavam o ritmo teta, mais lento e poderoso, no qual a mente atingiria o estado de “superconsciência” relatado pelos iogues e caracterizado por insights e alegria.

As ondas teta vibram a apenas quatro ciclos por segundo. Para se ter uma idéia, quando estamos ativos o cérebro emite ondas beta, de oscilação em torno de 13 ciclos por segundo. Você conhece essa sensação causada pelas ondas teta. É aquele embotamento dos sentidos que surge nos segundos que antecedem o sono. Naquele momento, nosso cérebro funciona no ritmo teta. Mas os meditadores pesquisados não estavam dormindo. Ao contrário, estavam bem acordados e serenos.

Mais tarde, percebeu-se também que no momento da meditação o fluxo sanguíneo diminuía em quase todas as áreas cerebrais, mas aumentava na região do sistema límbico, o chamado “cérebro emocional”, responsável pelas emoções, a memória e os ritmos do coração, da respiração e do metabolismo. O cardiologista Benson, que escreveu um clássico sobre o tema nos anos 90 – A Resposta do Relaxamento – , tomou emprestado um pouco da humildade oriental e disse que seu trabalho se resumiu a explicar biologicamente técnicas conhecidas há milênios.



Desde então, uma série de novas pesquisas, respaldadas em imagens da intimidade neurológica feitas por tomógrafos sofisticados que retratam o cérebro em funcionamento, levantou o véu sobre outros segredos. Um dos estudos mais abrangentes e reveladores foi realizado por Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A idéia era registrar o que ocorre com o cérebro quando se alcança o clímax em práticas místicas como a meditação e a oração. Newberg rastreou a atividade cerebral de um grupo de budistas em meditação profunda e de um grupo de freiras franciscanas rezando fervorosamente.

Ele constatou uma significativa alteração no lobo parietal superior, localizado na parte anterior do cérebro e responsável pelo senso de orientação – a capacidade de percepção do espaço e do tempo e da própria individualidade. Segundo as descobertas de Newberg, à medida que a contemplação se torna mais profunda, a atividade na região diminui aos poucos até cessar totalmente no momento de pico, aquele em que o meditador experimenta a sensação de unicidade com o Universo, cerca de uma hora após o início da concentração. Nesse instante, privados de impulsos elétricos, os neurônios do lobo parietal desligam os mecanismos das funções visuais e motoras e o meditador ou devoto perde a noção do “eu” e sente-se prazerosamente expandido, além de qualquer limite. É o nirvana. Ou seja, Newberg registrou em seus aparelhos a imagem de um cérebro literalmente no paraíso.

Mas não é só isso. As imagens revelaram que, durante a experiência, os lobos temporais (sede das emoções no cérebro) tiveram sua atividade redobrada, o que explicaria a enorme influência da meditação sobre as emoções e a personalidade dos praticantes. Newberg não teve dúvida em sua conclusão: as sensações de elevação e contato com o divino vivenciadas por budistas e freiras são um fenômeno real, baseado em fatos biológicos.

Mas há quem veja tudo isso com uma certa desconfiança. “Ao que parece, estamos diante de um fenômeno de marketing”, disse Richard Sloan, psicólogo do Centro Médico Presbiteriano de Columbia, em Nova York, comentando o encontro do Dalai com os cientistas, há três anos. Segundo Richard, é discutível se o impacto da meditação sobre o sistema nervoso e a saúde tem um efeito profundo e duradouro ou apenas superficial e efêmero. Então, está na hora de conferir o que os estudos dizem a respeito.

MENTE QUIETA, CORPO SAUDÁVEL
A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a aliviar a dor? Ao que tudo indica, sim. Nessas duas áreas os cientistas encontraram as maiores evidências da ação terapêutica da meditação, medida em dezenas de pesquisas. Nos últimos 24 anos, só a Clínica de Redução do Estresse da Universidade de Massachusetts monitorou 14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica e complicações gástricas. Os técnicos descobriram que, submetidos a sessões de meditação que alteraram o foco de sua atenção, os pacientes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram ou abandonaram o uso de analgésicos. Ou seja, eles aprenderam a entender a dor, em vez de combatê-la. Com isso, deixaram de antecipá-la ou amplificá-la por meio do medo de vir a senti-la. Sim, porque boa parte da sensação dolorosa é psicológica, fabricada pelo medo da dor. Resultado: as queixas de dor, segundo o diretor da clínica, Jon Kabat-Zinn, diminuíram, em média, 40%.

No hospital da Unifesp, em São Paulo, a meditação é indicada para pacientes com fibromialgia (dores nos músculos e articulações), fobias e compulsões. Ali, estudo recente dirigido pela doutora em biologia Elisa Harumi Kozasa atestou a melhoria da agilidade mental e motora em ansiosos e deprimidos que, durante três meses, meditaram sob a orientação de instrutores indianos. Outra pesquisa, coordenada pelas psicólogas Márcia Marchiori e Elaine de Siqueira Sales, deve comparar nos próximos meses os efeitos terapêuticos da meditação com os das técnicas de relaxamento físico.

O desempenho antiestresse da meditação, segundo estudos das universidades americanas Stanford e Columbia, acontece porque a mente aquietada inibe a produção de adrenalina e cortisol – hormônios secretados nas situações de estresse – , ao mesmo tempo que estimula no cérebro a produção de endorfinas, um tranqüilizante e analgésico natural tão poderoso quanto a morfina e responsável pela sensação de leveza nos momentos de alegria.

Já parece motivo suficiente para render-se aos mantras, mas tem mais. Investigações realizadas na Universidade Wisconsin, nos Estados Unidos, acrescentaram que meditar também melhora a ação do sistema imunológico, que defende o organismo contra o ataque de microorganismos (bactérias, vírus e outros germes). A experiência comparou dois grupos de voluntários – um constituído de pessoas que meditavam havia alguns meses e o outro de não-meditadores. Primeiro constatou-se que os meditadores tiveram um aumento na atividade da área cerebral relacionada às emoções positivas. Então, ambos os grupos foram vacinados contra gripe e submetidos a medições quatro semanas e oito semanas depois. O pessoal habituado a entoar mantras apresentou um número bem maior de anticorpos, o que sugere que seus sistemas de defesa estavam mais ativos.

Em abril passado, durante um encontro da Associação Americana de Urologia, anunciou-se que a meditação ajuda a conter o câncer da próstata. E alguns pesquisadores relataram que mulheres com câncer de mama que passaram a meditar tiveram elevação no nível de células imunológicas que combatem tumores. Mas essas descobertas estão longe de alcançar a unanimidade entre os cientistas. O psiquiatra americano Stephen Barret, um dos principais críticos às terapias alternativas nos Estados Unidos, desconfia desses resultados. “Meditar pode aliviar o estresse, mas sua ação nunca irá além disso no tratamento de doenças graves, como o câncer.” Mesmo um entusiasta da técnica, como Herbert Benson, não descarta os tratamentos ocidentais tradicionais. Para ele, a saúde e a longevidade no mundo moderno serão, cada vez mais, resultado de um tripé formado por remédios, cirurgias e cuidados pessoais, incluindo-se aqui a meditação e todo o poder catalisador das crenças nas reações orgânicas.



O CÉREBRO REPROGRAMADO
Mas ainda há muita coisa para ser descoberta sobre o mantra e os pesquisadores estão debruçados sobre os meditadores, tentando entender como é que um ato tão simples causa tantas modificações. Estudos como o de Wisconsin, que ligam disciplina mental a emoções positivas e ao bom desempenho do sistema imunológico, atiçam o interesse dos cientistas em avaliar o real poder da meditação na reformatação das funções cerebrais. E o que eles estão descobrindo é que, com suficiente prática, os neurônios podem reprogramar a atividade dos lobos cerebrais, especialmente a área relacionada à concentração e à orientação.

Não dá para negar que, sobre concentração, o Dalai Lama e os orientais, com sua atenção aos detalhes e sua atenção extrema, têm muito a ensinar aos ocidentais. “Só há pouco a psiquiatria ocidental reconheceu a existência do transtorno do déficit de atenção (uma síndrome caracterizada pela dificuldade de concentração, baixa tolerância à frustração e impulsividade), mas há milhares de anos tradições como o budismo afirmam que todos sofremos desse distúrbio com mais ou menos intensidade”, diz o psiquiatra Roger Walsh, da Universidade da Califórnia em Irvine.

A possibilidade de alterar em profundidade o cérebro, apenas meditando, talvez possa no futuro ajudar a prevenir ou a superar complicações vasculares a custo bem mais baixo que o das cirurgias. Ou a romper condicionamentos e redirecionar as mentes de indivíduos anti-sociais – o que, aliás, vem sendo testado com relativo êxito. Numa experiência na Kings County North Rehabilitation Facility, penitenciária próxima a Seattle, nos Estados Unidos, um grupo de prisioneiros condenados por crimes relacionados ao consumo de droga e álcool praticou vippassana (meditação budista com foco inicial na respiração, seguida de análise existencial) 11 horas por dia durante dez dias. Após voltarem para casa, apenas 56% deles reincidiram na criminalidade no prazo de dois anos, um índice considerado bom comparado aos 75% de reincidência entre os que não meditaram.

Já na Universidade Cambridge, nos Estados Unidos, um estudo constatou a redução de até 50% nas recaídas de pacientes com depressão crônica que passaram a meditar regularmente. A doença é acompanhada por uma diminuição no nível do serotonina no cérebro, processo geralmente revertido com o uso de antidepressivos, como Prozac. A meditação aumenta a produção desse neurotransmissor, funcionando como um antidepressivo natural. Em Cotia, em São Paulo, um programa de meditação para crianças carentes, conduzido pela monja Sinceridade no Templo Zu Lai (sede da primeira universidade budista do país), tem resultado em mudanças no comportamento de 128 meninos de favelas. “Eles melhoraram significativamente a concentração. E a convivência social com eles tornou-se mais tranqüila”, diz ela.

FAST FOOD MENTAL?
Toda essa popularidade, porém, não permite afirmar que a meditação continuará mantendo alguma identidade com a prática ancestral do Oriente. Além de sua gradual transformação em técnica laica, ocorre neste momento uma rápida adaptação do modo de usá-la ao estilo de vida ocidental.

Em vez de contemplações que duram uma eternidade (você aí teria pique para ficar quatro horas sentado no chão, imóvel, como faz diariamente o Dalai Lama?), tornou-se padrão a meditação de 20 minutos duas vezes ao dia. Ainda assim, isso parece exigir uma boa dose de sacrifício de inquietos habitantes de metrópoles como Nova York e São Paulo. No próximo ano, o autor Victor Davich lançará nos Estados Unidos o livro Eight Minutes that Will Change your Life (“Oito Minutos que Mudarão sua Vida”) no qual defenderá um tipo de meditação “fast food” de não mais que oito minutos. Segundo ele, esse é o tempo que os americanos estão acostumados a se concentrar diariamente: os blocos de programas de TV duram exatamente isso, entre um comercial e outro. Da mesma forma, os mantras sonoros em sânscrito das meditações místicas foram substituídos por mantras mentais, baseados em palavras escolhidas ao acaso.

Tais ajustes são vistos com reservas por iogues, praticantes tradicionalistas e até instrutores mais liberais, como a americana Susan Andrews, para quem é saudável tirar a meditação “das nuvens do esoterismo” e aproximá-la da ciência. “Relaxamento e pensamento positivo são efeitos colaterais da meditação, não sua meta”, diz Susan. “O grande alvo é atingir a hiperconsciência, o samadhi, aquele estado de plenitude, iluminação e êxtase indescritível.” A questão é que para chegar lá o meditador precisa deixar de lado a idéia de que meditar não implica qualquer esforço, cuidando de manter a concentração firme e afinada por pelo menos uma hora. E isso, admitamos, é algo que também exige um preparo de monge.




Passo a passo
Há vários maneiras de meditar, mas a regra básica é a mesma: atenção

Sentado
No chão ou em uma cadeira, mantenha a coluna ereta e concentre-se nos movimentos da respiração, observando a entrada e a saída do ar pelas narinas. Se preferir, concentre-se num mantra, que pode ser qualquer palavra, uma frase ou apenas um murmúrio. Repita seu mantra a cada expiração. Fechar os olhos pode ajudar. Se ficar de olhos abertos, concentre o olhar em um ponto.

Em pé
Posicione-se junto a uma fileira de árvores e tente se sentir como uma delas. Concentre-se na respiração e imagine seus pés desenvolvendo raízes no chão.

Caminhando
É uma boa saída para quem, por algum motivo, não consegue ficar imóvel. O segredo é focar as pisadas, vendo-as como um todo ou como segmentos do movimento, que pode ser lento ou acelerado. Melhor caminhar em círculo, sem a expectativa de um ponto de chegada.

Visualização
Crie uma imagem significativa para você – pode ser um símbolo religioso ou uma paisagem – e concentre-se nela.

Entre o céu e os neurônios
Meditação não é coisa só de budistas. Várias religiões têm sua versão dessa prática

Hinduísmo
Textos sagrados do período védico, entre 2000 e 3000 a.C., fazem referências a mantras e contemplações. A meditação é uma das principais práticas do conjunto de escolas religiosas da Índia conhecido como hinduísmo.

Budismo
Foi meditando debaixo de uma figueira que o príncipe Sidarta Gautama alcançou a iluminação, por volta de 588 a.C., tornando-se o Buda. Prática fundamental no budismo, a meditação é vista, sobretudo, como um método de examinar a realidade pessoal e eliminar condicionamentos.

Cristianismo
Os chamados padres do deserto, da região de Alexandria, no Egito, é que consolidaram a meditação como hábito cristão no século 4. A prática, disseminada nos monastérios, desde o século passado vem sendo adotada por cristãos leigos.

Judaísmo
Os praticantes da Cabala, tradição esotérica judaica, difundiram a meditação entre seus adeptos na Europa, por volta do ano 1000, como uma forma de entrar em comunhão com Deus.

Islamismo
Também por volta do ano 1000, os sufis, que constituem o segmento místico dos muçulmanos, incorporaram a meditação aos seus rituais, os quais incluem o êxtase místico por meio da dança.

Independentes
Em 1967, um encontro dos Beatles com o guru Maharishi Mahesh Yogi iniciou a expansão da meditação transcendental no Ocidente e o florescimento de uma infinidade de gurus e técnicas meditativas que, desde então, atraem adeptos em toda parte.

Para saber mais
Na livraria
A Mente Alerta, Jon Kabat-Zinn, Objetiva, Rio de Janeiro, 2001
Meditação e os Segredos da Mente, Susan Andrews, Instituto Visão Futuro, Porangaba, 2001
Why God Won´t Go Away, Andrew Newberg, Ballantine, Nova York, 2001
Yoga, Caco de Paulo e Marcia Bindo, São Paulo, Superinteressante, 2002
A Resposta do Relaxamento, Herbert Benson, Nova Era, 1995
Medicina Espiritual, Herbert Benson, Campus, Rio de Janeiro, 2003



Fonte: Revista Super Interessante

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Você me vê ... - (Nisargadatta Maharaj)


"Você me vê aparentemente funcionando.
Na realidade, eu somente olho.
O que quer que seja feito, é feito no palco.
Contentamento e tristeza, vida e morte, eles todos são reais para o homem delimitado; para mim, eles estão todos no show, tão irreais quanto ao show em si mesmo.
Eu posso perceber o mundo como você, mas você acredita estar nele, enquanto eu o vejo como uma gota iridescente na vasta extensão da consciência."

terça-feira, 6 de abril de 2010

A parábola do fazendeiro e do trigo - (Osho)


"Miséria significa que as coisas não estão de acordo com seus desejos. E as coisas nunca estão de acordo com seus desejos, não podem estar. As coisas apenas vão seguindo sua natureza.
Lao Tsu chama essa natureza de Tao. O Buda chama essa natureza de Dharma. Mahavir definiu a religião como "a natureza das coisas". Nada pode ser perfeito. O fogo é quente e a água é fresca. Um homem sábio é aquele que relaxa em ação em relação à natureza das coisas, aquele que segue a natureza das coisas.
E quando você segue a natureza das coisas, não há sombras a seu redor. Não há infelicidade. Mesmo a tristeza é luminosa nesse caso, mesmo a tristeza é bela. Não digo que não haverá tristeza: ela virá, mas não será sua inimiga. Você será capaz de ver sua graça e será capaz de ver por que está lá e por que é necessária.



Me contaram uma antiga parábola - deve ser bem antiga, porque Deus vivia na terra nessa época. Um dia um homem foi até ele, um velho fazendeiro, e disse: "Olhe, você pode ser Deus e pode ter criado o mundo, mas devo lhe dizer uma coisa: você não é um fazendeiro. Você nem sabe o básico sobre fazendas. Deus disse: "Qual o seu conselho?" O fazendeiro respondeu: Me dê um ano, me deixe fazer as coisas do meu jeito e você verá o que vai acontecer. Não haverá mais pobreza!"
Deus estava disposto a tentar e deu um ano para o fazendeiro. Naturalmente, este pediu apenas o melhor, só pensou no melhor: sem trovões, sem fortes ventanias, sem perigos para as plantações. Tudo era muito confortável, acolhedor, e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo muito! Quando ele queria sol, havia sol. Quando ele queria chuva, havia chuva, e tanta chuva quanto ele achasse necessário. Nesse ano tudo esteve correto, matematicamente correto.
Mas, quando foi feita a colheita, não havia grãos de trigo dentro. O fazendeiro ficou surpreso e perguntou a Deus o que havia acontecido, o que havia saído errado.
Deus disse: "Como não houve dificuldades nem conflitos, nenhum atrito, como você evitou tudo aquilo que podia ser ruim, o trigo se tornou impotente. É necessário que haja alguma dificuldade. As tempestades, os trovões, os raios, todos eles são necessários. Eles fazem com que a alma do trigo se mobilize."
Se você está apenas feliz, feliz e feliz, a felicidade irá perder todo o seu sentido. Será como alguém que escreve com giz branco sobre uma parede branca. Ninguém será capaz de ler o que foi escrito. É preciso escrever em um quadro-negro para que as coisas se tornem claras. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza são tão essenciais quanto os de alegria. Chamo isso de compreensão. Uma vez que você tenha entendido isso, pode relaxar: nesse relaxamento estará a entrega. Você dirá: "Seja feita a vossa vontade." Você dirá: "Faça o que achar mais correto. Se hoje forem necessárias nuvens, que venham nuvens. Não me ouça, minha compreensão é limitada. O que sei sobre a vida e seus segredos? Não me ouça! Continue agindo de acordo com a sua vontade."
Então, lentamente, quanto mais você perceber o ritmo da vida, o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, mais irá parar de pedir, de escolher.
Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com este segredo e subitamente você será surpreendido: como é grande a bênção da vida! Quanto é despejado sobre você a cada momento!"

Trecho de Masnavi - Livro II - (Rumi)

O VERDADEIRO AMADO FAZ EXISTIR TODA BELEZA EXTERIOR E TERRENA

"Tudo o que é percebido pelos sentidos, Ele anula,
Mas Ele fixa aquilo que é escondido dos sentidos.
O amor do amante é visível, seu Amado, oculto.
O Amigo está ausente, a agitação que ele causa, presente.
Renuncia a essas afeições pelas formas exteriores,
O amor não depende da forma exterior ou do rosto.
O que quer que seja amado não é mera forma vazia,
Seja ele da terra ou do céu.
Seja qual for a forma pela qual te apaixonaste,
Por que a repudias no momento em que a vida a abandona?
A forma ainda está ali; por que, então, essa aversão a ela?
Ah! amante, considera bem o que realmente é amado;
Se é uma coisa percebida pelos sentidos exteriores,
Então todos os que retém seus sentidos devem ainda amá-lo;
E já que o amor aumenta a constância,
Como pode a constância falhar se a forma subsiste?
Mas a verdade é: os raios do sol batem no muro,
E o muro apenas reflete essa luz emprestada.
Por que dar teu coração a meras pedras, ó simplório?
Vai! Busca a fonte de luz que brilha sempre!
Distingue bem a verdadeira aurora da falsa,
Distingue a cor do vinho da cor da taça,
Para que, em vez dos muitos olhos do capricho,
Um único olho possa ser aberto por meio da paciência e da constância. Então contemplarás as cores verdadeiras em lugar das falsas, E jóias preciosas em vez de pedras. Mas o que é uma jóia? Não, serás um oceano de pérolas; Sim, um sol que se compara aos céus!
O verdadeiro Artífice está escondido em Sua oficina;
Entra nessa oficina e contempla-O face a face.
Posto que o trabalho desse Artífice estende sobre Ele uma cortina
Não podes vê-Lo fora de Seu trabalho.
Como Sua oficina é a morada do Sábio,
Quem O procura fora é ignorante d'Ele.
Vem, então; entra em Sua oficina, que é o Não-ser,
Para que possas ver o Criador e a criação ao mesmo tempo.
Quem viu como é resplandecente a oficina
Vê como é escuro seu exterior.
O Faraó rebelde voltou sua face para o ser (egoísmo)
E forçosamente ficou cego para essa oficina.
Por força, procurou mudar o decreto divino,
Esperando desviar o destino de sua porta.
Enquanto isso, o destino, diante da impotência deste homem engenhoso,
O tempo todo zombava dele em segredo.
Ele assassinou cem mil crianças inocentes
Para que a ordem e o decreto de Allah fossem contrariados.
Para que o profeta Moisés não nascesse vivo,
Ele cometeu mil assassinatos na terra.
Ele fez tudo isso, e no entanto Moisés nasceu,
E foi protegido de sua ira.
Tivesse ele visto a oficina eterna,
Teria refreado mão e pé desses vãos expedientes.
Dentro de sua casa, estava Moisés são e salvo,
Enquanto ele matava em vão os recém-nascidos do lado de fora.
Assim, o escravo dos desejos sensuais que mima seu corpo
Imagina que algum outro homem lhe quer mal,
Dizendo 'este é meu inimigo, e este meu adversário,
Enquanto é seu próprio corpo seu adversário e inimigo.
Ele é como o Faraó, e seu corpo como Moisés —
Ele corre lá fora gritando: "Onde está meu inimigo?"
Enquanto a luxúria está em sua casa, que é seu corpo,
Ele cerra os punhos de raiva dos estranhos."

Trecho de Masnavi - (Rumi)

ATÉ QUE O HOMEM DESTRUA O "EU" NÃO É UM VERDADEIRO AMIGO DE DEUS

Certa vez, um homem veio bater à porta de seu amigo.
Seu amigo disse: "Quem és tu, ó homem fiel?"
Ele disse: "Sou eu".
O outro respondeu: "Não podes entrar,
Não há lugar para o 'cru' em meu bem cozido banquete.
Nada senão o fogo da separação e da ausência
Pode cozinhar o cru e livrá-lo da hipocrisia!
Já que teu 'eu' ainda não te deixou,
Deves ser queimado em chama ardente".
O pobre homem se foi, e por um ano inteiro
Viajou ardendo de dor pela ausência do amigo.
Seu coração ardeu até que cozinhou;
Então ele voltou e aproximou-se da casa de seu amigo.
Bateu à porta com temor e agitação,
De medo que alguma palavra descuidada lhe saísse dos lábios.
Seu amigo gritou: "Quem está à minha porta?"
Ele respondeu: "És tu que estás à porta, ó Amado!"
O amigo disse: "Já que sou eu, que eu entre;
Não há lugar para dois 'eus’ em uma só casa".

Love You Till The End - (The Pogues)




I just want to see you when you're all alone
I just want to catch you if I can
I just want to be there when the morning light explodes on your face it radiates
I can't escape.. I love you 'till the end

I just want to tell you nothing you don't want to hear
All I want is for you to say why don't you just take me where I've never been before
I know you want to hear me, catch my breath
I love you 'till the end

I just want to be there when we're caught in the rain
I just want to see you laugh not cry
I just want to feel you when the night puts on its cloak
I'm lost for words don't tell me all I can say
I love you 'till the end







... Sou com vc!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Trecho de Masnavi - Livro I; História I - (Rumi)

"DESCRIÇÃO DO AMOR
O amante se prova verdadeiro pela dor em seu coração;
Não há mal como o mal do coração.
A dor do amante é diferente de todas as dores;
O amor é o astrolábio dos mistérios de Deus.
Pode o amante suspirar por este ou aquele amor,
Mas no fim é atraído ao Rei do amor.
Por mais que se descreva ou se explique o amor,
Quando nos apaixonamos envergonhamo-nos de nossas palavras.
A explicação pela língua esclarece a maioria das coisas,
Mas o amor não explicado é mais claro.
Quando a pena se apressou em escrever,
Ao chegar no tema do amor, partiu-se em duas.
Quando o discurso tocou na questão do amor,
A pena partiu-se e o papel rasgou-se.
Ao explicá-lo, a razão logo empaca, como um asno no atoleiro;
Nada senão o próprio Amor pode explicar o amor e os amantes!"

Trecho de Masnavi - Livro I; Prólogo - (Rumi)

"O cântaro do desejo do ávido nunca se enche,
A ostra não se enche de pérolas até a saciedade;
Somente aquele cuja veste foi rasgada pela violência do amor
Está inteiramente puro, livre de avidez e de pecado.
A ti entoamos louvores, ó Amor, doce loucura!
Tu que curas todas as nossas enfermidades!
Que és médico de nosso orgulho e presunção!
Tu que és nosso Platão e nosso Galeno!
O amor eleva aos céus nossos corpos terrenos,
E faz até os montes dançarem de alegria!
Ó amante, foi o amor que deu vida ao Monte Sinai,
Quando "o monte estremeceu e Moisés perdeu os sentidos".
Se meu Amado apenas me tocasse com seus lábios,
Também eu, como a flauta, romperia em melodias.
Mas aquele que se aparta dos que falam sua língua,
Ainda que tenha cem vozes, é forçosamente mudo.
Depois que a rosa perde a cor e o jardim fenece,
Não se ouve mais a canção do rouxinol.
O Amado é tudo em tudo, o amante, apenas seu véu;
Só o Amado é que vive, o amante é coisa morta.
Quando o amante não sente mais as esporas do Amor,
Ele é como um pássaro que perdeu as asas.
Ai! Como posso manter os sentidos,
Quando o Amado não mostra a luz de Seu semblante?
O Amor quer ver seu segredo revelado,
Pois se o espelho não reflete, de que servirá?
Sabes por que teu espelho não reflete?
Porque a ferrugem não foi retirada de sua face.
Fosse ele purificado de toda ferrugem e mácula,
Refletiria o brilho do Sol de Deus."

quarta-feira, 31 de março de 2010

I am life - (Mooji)

PURSAH - Sua Realidade Imortal


"Uma das coisas mais importantes não é tornar o universo do tempo e do espaço real. Você é inocente porque ele não é real. Não espiritualize o universo. Não espiritualize a matéria ou a energia. A energia parece matéria para você algumas vezes apenas por causa da maneira com que você percebe a ela e a si mesmo. Você percebe a si mesmo como estando em um corpo, então, o corpo lhe diz o que sentir. Mas você deveria ser aquele que diz ao corpo o que sentir. Você não está no corpo; o corpo está na sua mente."

Compreenda que não é você que se move ... - (Nisargadatta Maharaj)


"Compreenda que não é você que se move de sonho em sonho, mas são os sonhos que fluem ante você, e você é a testemunha imutável. Nenhum acontecimento afeta seu ser real - essa é a verdade absoluta."

Energização - (Luz de Gaia)


"Vem espírito do bem, me envolve, lança seus raios de bondade em minha direção,

Cubra-me com tua proteção.

Reabastece minhas energias, fazendo-me compreensão, elevando sempre meu coração ao ápice da bondade.

Que eu sempre saiba perdoar, esquecendo mágoas, lavando a alma, sendo somente o amor que se dá.

Vem espírito superior, carrega-me em teus braços, dai-me a força que preciso para continuar o que aqui vim fazer, e nunca me esquecer dos teus ensinamentos, perdida no mar da minha infantilidade como humana, aprendiz de um tempo.

Oh... espírito benfazejo, sopra em minha direção.

Que minha criança interior, nunca se acovarde, nem adormeça em meu coração.

Pois dela preciso para espalhar a alegria, o otimismo de uma encarnação.

Apaga de minha mente as decepções de coisas que não conhecia, o mal que não sabia que tão forte existia, o ódio, a vingança, pois sempre sentia o amor, não acreditando no êxito da ruindade, pois todos ao serem filho de um Deus levam o amor no coração, e não deveriam se perder na escuridão.

Que eu possa direcionar teu amor para esses corações em forma de elos preciosos me dado por ti.

Vem, espírito da brandura, me circula, me faz cura, lava meu interior, e que nele nasça a flor da tua humildade,

para que eu possa espalhar a suavidade, o conforto de uma palavra amiga, a honestidade de um existir, até quando eu deva partir, para me embaralhar de volta nos teus cabelos,

sendo uma partícula de tua elevação.



Que se faça a cura,

energizando meu ser.

Kaena"


Fonte: http://www.luzdegaia.org/

Aqui Está um Abraço Pleno de Amor - (mensagem do Arcanjo Miguel canalizada por Meredith Murphy)


Uma mensagem do Arcanjo Miguel canalizada por Meredith Murphy
Sábado, 20 de fevereiro de 2010


Meus amados, eu falo a vocês hoje de dentro do conforto de nosso abraço pleno de amor. Estão desejando receber-me? Chamem por mim para comunicar-me com vocês de forma que possam receber minha transmissão, sabendo que estão envolvidos num abraço pleno de amor/luz, dourado, caloroso, um local para descansar. Um sentimento de alívio preenche suas mentes e seus corpos. Seus corações estão brandos e abertos e nós estamos juntos.

Agora, deixem-me compartilhar. Sabendo que vocês não estão sozinhos enquanto experienciam todos esses momentos surpreendentes e muitas vezes sintomas corporais perturbadores representam um desafio, de fato. Haverá momentos no processo quando aqueles a sua volta não compreenderão o que vocês estão passando. Sua habilidade em manter uma “persona” local, da terceira dimensão, que expressa todas as suas capacidades e seus fortes talentos, que mantém seus envolvimentos ativos em todos os seus relacionamentos, que foca nos outros e cuida deles – tudo isso algumas vezes será totalmente desafiador. Não deixem que isso os preocupe. Não, não tenham medo. Ao invés, mudem seu foco para outro lugar.

Este despertar que todos vocês irão experienciar de uma forma ou de outra – seja aqui no seu corpo físico neste planeta em ascensão, em mudança, ou em outra forma de experiência que escolherem em outro momento – este despertar algumas vezes irá exigir de vocês remover seu foco quase completamente do mundo físico onde vocês muitas vezes estão tão originalmente focados para, ao invés, focar no interior. Estas novas sensações que vocês estão agora prestando mais atenção estiveram e estão sempre com vocês.Vocês simplesmente tornaram-se hábeis em saber o que buscam. Seu foco atrai e cria. Então, agora é o momento de familiarizarem-se mais completamente com o conhecimento multidimensional e expansivo ao qual vocês têm total acesso e o qual não foi originalmente seu foco dominante durante a maior parte dessas experiências humanas nas quais se encontram agora. Querido leitor: acorde! Você não é forma física em sua maior parte! Sim, eu sei que você sabe disso. Em teoria. É o momento para vocês flexionarem seus músculos multidimensionais e conhecerem a natureza verdadeira de seu ser. Seu ser que transcende o tempo e o espaço, seu ser que é eterno e divino. Seu ser que não está em lugar algum nesta Terra, neste exato momento, e que, no entanto, está em toda parte neste exato momento. Isto é conhecimento interior, este ponto focal da perspectiva da alma – seu verdadeiro “eu”, isto é constante nesta experiência, este é o centro pacífico no meio da tempestade da experiência e ISTO é o que vocês podem agarrar e permanecer conectados ou, mais precisamente, orientados, enquanto tudo ao redor de vocês possa mudar, muito será liberado e solto – permaneçam verdadeiros a esta orientação interna e vocês saberão seu caminho a seguir.

Vocês descobrirão que muitas coisas nas suas experiências irão desaparecer. Elas não vão mais se ajustar a vocês em suas novas experiências emergentes. A vida é uma dança e os relacionamentos de todos os tipos existem numa dinâmica de movimento de propósitos sobrepostos. Vocês se alinham com o propósito de outro, seus sentimentos se conectam ou vocês têm uma “química” juntos. Quando vocês completarem seus objetivos ou o compasso interno de um de vocês mudar para um foco diferente, o relacionamento termina. Suas vibrações não estão mais em sincronia com o outro. O relacionamento termina. Suas vibrações se sincronizam novamente, o relacionamento recomeça. Vocês devem adotar uma prática de ver a vida de um modo mais preciso. A vida está em fluxo. A vida está em criação momento a momento. Não é sólida ou estática e vocês estão fazendo compromissos verbais ou escolhas que “fingem” ser, não façam assim, eles apenas criam angústias em suas experiências se vocês não compreendem tudo isso e, ao invés, façam compromissos para suas próprias jornadas, compartilhando-os alegremente com todas e quaisquer experiências que estejam alinhadas.

Deixem-me explicar.

Vocês vivem, significando que vocês experienciam vocês mesmos, ou podem experienciar vocês mesmos em múltiplos níveis de vibração. Vocês podem conhecer as complicadas atividades das células dentro de seus corpos. Vocês podem perceber e criar do ponto focal de seu corpo humano único que está lendo esta mensagem. Vocês são unos e podem sentir a energia e as dinâmicas dentro de seu planeta. Vocês têm aspectos não físicos para com vocês mesmos e estes aspectos estão simultaneamente fluindo para frente e para trás em sua experiência.

Assim, por exemplo, hoje você tem um momento ótimo, alguma mudança na qual você VÊ que está de fato poderoso além da medida, ou capaz de se conectar com energia não física, ou capaz de receber mensagens de mim, ou de algum outro ser não físico (por exemplo). NESTE MOMENTO sua existência inteira é transformada.

Devemos repetir?

NESTE MOMENTO sua existência inteira é transformada.

NESTE MOMENTO!!! Pode parecer a mesma coisa, pode dar a sensação de ser a mesma coisa. Você pode estar vivendo na mesma casa e bebendo da mesma xícara de chá, mas NADA é o mesmo e, além disso, todos os outros aspectos de você são elevados e a perspectiva é mudada para cada constelação do foco de sua energia como um resultado deste momento ótimo que você experienciou. Então, parecem aquelas ondas de torcida nos estádios de futebol – quando um setor se levanta, depois outro e depois outro – você experiencia e é parte de uma onda gigante em movimento. Bem, considere que você, em sua própria existência, acabou de criar algo com características bem parecidas como um resultado deste lindo portal: o momento ótimo! Cada ”versão” de você em experiência é afetada por este momento ótimo e as mudanças em cada uma dessas perspectivas também fluem de volta para você em sua atual experiência humana “eu sou o que está lendo esta mensagem”. Faz sentido? Existe uma constante co-criação e informação, elevações energéticas e mudanças como resultado de todas as “versões” de seu ser conectadas e em comunhão/comunicação instantânea umas com a outras.

Assim, agora eu lembrei-lhe que você move mundos NUM INSTANTE com o seu foco.

{Sorriam. Fantástico, não é? Vamos tomar um momento para reflexão!}

Vamos retornar às difíceis experiências físicas que estão acontecendo na sua forma baseada na atual Terra com a qual você está interagindo comigo e recebendo esta transmissão.

Permitam-se escolher uma perspectiva elevada com relação não somente com momentos ótimos, mas com relação a todos os aspectos que vocês consideram. Sim, esta é uma ordem alta, assim por dizer. Mas também é o que vocês são capazes e o fluxo e estiramento de suas energias nestes dias vão expandi-los alegremente! Vão expandir toda a nossa experiência alegremente! Vão elevar vocês além das limitações da terceira dimensão de seus corpos e, gradualmente, a forma na qual vocês residem neste aspecto focado será transformada e será capaz de transmitir luz aos outros, assim como incorporará muito mais energia do que atualmente vocês são capazes de deixar correr através de vocês e para a criação. O propósito de expandir suas capacidades de energia é, como vocês sabem, o de elevar suas formas físicas de forma que possam participar na criação de seus próprios desejos dentro da estrutura emergente da nova Terra. Este lindo planeta está se soltando e se transformando como um réptil mudando a pele. Acelerando completamente os passos de sua forma anterior com “pele” nova e macia cobrindo sua....e diferente de um réptil, ela é totalmente transformada, não apenas na superfície.

Eu sei que é difícil considerar que, embora a Terra pareça a mesma para muitos, ela está de fato tornando-se algo completamente novo. Lembrem-se que certos princípios estão em jogo aqui: muito da forma é criada energeticamente antes de ser visível em forma; e que vocês são capazes de ver e conscientemente participar somente naquela dimensão na qual vocês têm correspondência vibracional. Assim, da mesma maneira que você pode ter dito mais cedo na vida: “ele é tão distante, ele vive em outro planeta”, você pode começar a perceber que estas palavras podem ser mais verdadeiras do que percebeu no passado. A experiência é holográfica e cada um de vocês escolhe sua experiência e a cria.

Todas as formas físicas são mais do que a forma que você vê. Existem inúmeras versões de formas criadas holograficamente por cada ponto de vista dentro da realidade. Cada ponto de vista, cada perspectiva cria o que experiencia e vê. Você em forma humana faz muito isso com o espantoso mecanismo de seus olhos e tato, com seus ouvidos e com o olfato. Sua língua e seu foco criam juntos sua experiência de um fluxo líquido para sua boca, que provoca olfação, ou a cor alaranjada, ou o sabor de bergamota... Earl Grey. Existem inúmeras interfaces e microcosmos que vocês estão criando a cada instante de sua experiência que não são sólidos! Eles estão sendo criados numa colaboração entre seu corpo e sua consciência.

Pequenos, eu sei que isso é coisa inebriante para contemplar, então vamos simplificar isso dizendo: nada é o que parece.

Eu quis confortar e, ao invés, continuei indo e indo sobre as gloriosas capacidades criativas e os poderes pavorosos de suas experiências que vocês usam diariamente, minuto a minuto, instante a instante, que vocês largamente ignoram.

Isto é confortante? Eu sugeri aquilo a vocês para suas almas que estão vivas e bem no âmago de suas experiências, aquele SIM naturalmente! Estas são lembranças confortadoras e material de apoio de quão divertido pode ser. Ainda sinto a excitação de vocês e seus corações densos e pesados algumas vezes ao enfrentarem estas difíceis experiências em forma.

Quando estas são suas experiências, nestes momentos vocês devem permitir-se receber amor e luz em qualquer forma na qual vocês sentem que chegam até vocês. Se for a energia ilimitada de um cachorro, o calor do sol ou um banho quente com aroma de lavanda, o abraço de um amigo, a gentileza de um desconhecido no café de seu bairro – absorvam tudo! Entretanto, a luz e o amor do universo podem fluir para dentro e através de vocês, deixem-nos vir para vocês. Deixem-se também ser um canal para este amor e luz. Compartilhem gentileza e calor sempre que puderem, pois isso os elevará. Não saiam procurando maneiras de compartilhar isso, simplesmente deixem as coisas virem a vocês, as quais apelam para sua humanidade e seus corações para simplesmente ser amor em ação. Todas essas experiências os manterão próximos de mim e estreitamente alinhados com suas almas, que sabem, de fato, exatamente o que é necessário para vocês para adquirirem total alinhamento com o seu Eu maior, para chegarem plenos de luz e desimpedidos ao mesmo tempo na fronteira de suas próprias existências emergentes nestes corpos. Abençoem suas vidas. Abençoem aqueles a sua volta. Abençoem as energias lindas e corajosas de tudo que está dando este enorme salto para o interior de energias desconhecidas da nova dimensão da Terra. Especialmente com todos os seres inconscientes andando em volta de alguns de vocês, esta é uma corajosa mudança na experiência.

Saibam que vocês NÃO estão sozinhos, que vocês podem chamar por mim e por qualquer um dos Arcanjos, por qualquer ser de luz não físico para apoiá-los e confortá-los. Estamos aqui com vocês e compreendemos as dificuldades que existem na própria forma renascendo enquanto suas consciências, corpos divinos, permanecem presentes e seus corações batem, suas vidas continuam, o malabarismo de todos esses aspectos de suas experiências enquanto são submetidos a esta enorme mudança é realmente de tirar o fôlego de vocês, e grande admiração nos inspira a todos nós que testemunhamos sua força extraordinária em seguir os anseios internos e prestar atenção neste processo invisível acontecendo em suas experiências.

Vocês podem sentir às vezes que se perderam no caminho. Certamente outros que não compreendem podem dizer isso a vocês. Permaneçam firmes no seu foco e saibam em seu coração de todos os corações que vocês estão acordando para a vida, exatamente como escolheram, exatamente como planejaram, exatamente como estão sendo guiados e levados por suas almas, suas essências, seu eternamente válido e único foco. Saibam que nada em suas experiências é demais para vocês. São suas experiências. São criadas por e para vocês. Vocês têm todos os recursos que necessitam para administrar a vida dentro de suas próprias paisagens. Não tenham medo Mestres do universo emergente. Não tenham medo.

Eu Sou o Arcanjo Miguel. Um guerreiro e companheiro dessas suas jornadas. Chamem por mim para que eu possa estar com vocês e vocês possam sentir meu companheirismo todo o tempo e saber que são amados.


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Tradução de: Grace Rose

© 2009-2010, Meredith Murphy, Expect Wonderful / Moderrn Paradise Publications http://www.expectwonderful.com - Você é livre para compartilhar, copiar, distribuir e exibir a obra sob as seguintes condições: Você deve dar crédito ao autor, não poderá utilizar este trabalho para fins comerciais, e você não pode alterar, transformar ou basear - se neste trabalho. Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença deste trabalho. Qualquer uma destas condições pode ser derrogada mediante obtenção da permissão do proprietário dos direitos autorais. Para qualquer outra finalidade de utilização deve ser concedida autorização pelo autor.

Pedro Coelho
http://www.luzdegaia.org/

terça-feira, 23 de março de 2010

Um banho da graça - (Mooji)

"Amados
Não se apressem dentro de si mesmos
Não sejam pegos na pressa da mente
Silêncio já está aqui
No fundo do seu coração, esperando por você
Abrace a si mesmo

Você é a consciência dentro da qual
Esse mundo de nomes e formas
Aparece, se desenrola e desaparece

Mas é você próprio o eterno
Nunca pode desaparecer
Nem mesmo aparecer

Porque Isso é infinito
É atemporal
Saiba: você é Isso!

...

Esta é a grande oportunidade de ter a forma humana
Porque nesta forma, você pode vir a conhecer
o Sem-Forma

Vá além das tristezas desse mundo
Você é a própria liberdade
Sua natureza é eterna
Saiba isso e seja feliz"



Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=17432824

Mão do Destino - (Jorge Vercilo)


"Vive em algum lugar
A pessoa mais linda
Que o mundo já revelou pra mim,
Ah, se vive, sei que vive...

Livre por aí
Seu olhar ilumina
E libertará meu desejo de amar,
Serei livre, eu serei livre...

E de fato era dessa forma que eu imaginava,
Ela andava livre pelas ruas,
E por ela a própria luz se iluminava.
Lembra um filme ou um livro que já li,
Frase que ouvi: sempre te amei, nunca te vi,
Sempre te amei, nunca te vi.
E eu sabia que ela também já me procurava...

Acho que vou tentar
Mais uma vez me aventurar,
Por tudo que o amor me dá,
Tantos motivos pra sonhar.

É brilho de estrela,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem o mar.

É mão do destino,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem o céu.

É brilho de estrela,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem a paz.

É mão do destino,
Eu não sei porque,
Mas seus olhos me trazem mel."

As expressões vivas de Deus - (Mensagem do Arcanjo Uriel Canalizada por Jennifer Hoffman)


"Mensagem do Arcanjo Uriel Canalizada por Jennifer Hoffman


Cada um de vocês é a expressão viva de Deus, a personificação da Fonte na Terra. Em cada uma das suas interações com os demais, vocês incorporam a Fonte para eles. Em cada conexão, expressam a energia da Fonte dos outros e para os outros, ao proporcionar-lhes um vislumbre da divindade deles. Por meio de vocês eles podem conhecer um aspecto de Deus. Como vocês estão expressando esta energia? Há tantos modos de expressão quanto de energias para serem expressas. A Fonte é mais do que isso que vocês chamam de bom e luz: está presente em tudo, em todos os lugares. Toda a vida e a matéria na Terra é uma expressão da energia da Fonte.

Em cada nível de sua vibração energética vocês expressam essa energia por meio de um equilíbrio entre o ego e o Eu Superior. Aquilo que vocês dizem e fazem reflete esses níveis para si e para as outras pessoas. Quando estão irritados, em julgamento ou temerosos, o ego está conduzindo a expressão da energia da Fonte. A expressão limita-se à quantidade de compaixão e amor que o ego esteja disposto a compartilhar com os outros. Quando estão aceitando, honrando os demais e reconhecendo sua divindade, vocês estão permitindo que o Eu Superior expresse essa energia. O ego está presente, mas equilibrado pelo espírito e sua expressão da Fonte, transmite a energia do amor incondicional.

Com a mestria, vocês reconhecem que cada um de vocês é um emissário de luz e aceitam o compromisso de expressar a energia da Fonte para o mundo. Em todos os seus contatos com outras pessoas, você devem se lembrar que vocês se tornam o contato com o amor incondicional que vocês mesmos experienciam. O compromisso com a criação do Céu na Terra engloba cada aspecto do ser e cada passo na jornada. Como vocês são a expressão viva de Deus em sua vida? Como expressam a Fonte para os demais? Estão cientes de quais aspectos de Deus vocês estão expressando para eles?

Quando se comunicam e interagem a partir do coração elevado, vocês estendem a vibração mais elevada de amor para as outras pessoas. Esse é o paradigma da Nova Terra; o fluxo do amor de cada um de vocês é o que trará a realização do Céu na Terra para o mundo. Em cada conexão, estejam cônscios da promessa da sua alma para ser o amor que o mundo busca, para refletir a divindade dos outros para eles mesmos, para ser a conexão da Fonte que é a luz do mundo e para honrar o compromisso de lembrar-se da conexão com a Fonte e de uns com os outros."
15 de março de 2010

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Tradução de Ivete Brito – adavai@me.com/ – em 15 de março de 2010
visite os sites da tradutora: www.adavai.wordpress.com/ - http://web.me.com/adavai

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www.urielheals.com.
Pedro Coelho
http://www.luzdegaia.org/

quarta-feira, 17 de março de 2010

Lembro-me de ti ... - (Lya Luft)


“Lembro-me de ti
Nesse instante absoluto,
A vida conduzida por um fio de música.
Intenso e delicado, ele vai-nos fechando num casulo
Onde tudo será permitido.

Se é só isso que podemos ter,
Que seja forte. Que seja único.
Tão íntimo quanto ouvirmos a mesma melodia,
Tendo o mesmo - esplêndido - pensamento.”

domingo, 14 de março de 2010

A paixão que nos move - (entrevista com monge zen-budista japonês Yasuhiko Genku Kimura / texto: Thays Sant'Ana)


"O monge zen-budista japonês Yasuhiko Genku Kimura nos convida a olhar dentro de nós e começar uma jornada de descoberta da própria alma e do sentido maior que atribuímos à nossa existência.

Acordar de manhã cheia de energia para viver mais um dia, ir saltitante para o trabalho, encontrar pessoas que acrescentam algo em nossa vida e nos sentir bem a cada instante. Quem não quer esse pacote de felicidade?! Para a maioria das pessoas, no entanto, esse é um cenário apenas idealizado. A boa notícia é que ele pode se tornar real. Em vez de tristeza, ansiedade ou apatia, dá para viver com mais alegria e conquistar uma força interior que traga integridade, plenitude e liberdade. O monge zen-budista japonês Yasuhiko Genku Kimura, após um doloroso processo, vivenciou essa transformação.
Aos 14 anos, ele perdeu a motivação pela vida. Havia sido educado para o sucesso e para ser o "número um" em todas as disciplinas da escola. Então percebeu que estava extremamente solitário e sem perspectiva de futuro. Perdido e angustiado, passou a perguntar aos mestres e parentes qual era o sentido da vida. Foi também buscar pela resposta na filosofia. Tudo em vão. Tinha apenas 16 anos quando começou a pensar em um jeito de se suicidar sem deixar pistas. Um dia, em meio a esses pensamentos, Yasuhiko teve uma experiência que os budistas chamam de iluminação. De repente, ele se sentiu unificado ao Universo e entendeu o sentido da existência. Decidiu viver em um mosteiro e ordenou-se monge precocemente, aos 21 anos. Ouvindo seu coração, deixou seu país e foi para os Estados Unidos. Hoje, mora em Nova York com a mulher e presta consultoria a empresários e executivos, ministra cursos, seminários e workshops no mundo todo.
Aos 55 anos, uma de suas atividades preferidas é ajudar as pessoas a encontrar sua verdadeira paixão, que Yasuhiko denomina Paixão da Alma. Trata-se da essência genuína, aquilo que realmente somos. Para ele, a paixão de toda alma é evoluir, o que significa tornar-se cada vez mais ela mesma. Alguns não estão conscientes disso, mas à medida que adquirem informações sobre a evolução, começam a detectar esse desejo intrinseco e, quanto mais o percebem, mais capazes são de guiar seu próprio desenvolvimento. O monge acredita que cada alma tem uma missão específica, que é de sua responsabilidade e não pode ser transferida a ninguém. Realizá-la é tudo o que nossa alma mais deseja. Não há felicidade maior do que descobrir a paixão e estabelecer consigo o compromisso de viver de uma forma coerente com essa verdade mais íntima.
Em seu workshop Passion, durante dois dias de intenso trabalho, Yasuhiko faz uma série de questionamentos que estimulam os participantes a olhar para dentro de si. Em vez de se basearem em um raciocínio lógico, são orientados a "ficar com a pergunta" até que a resposta brote do seu interior. Normalmente, ao final do processo, cada um descobre sua paixão e a expressa por meio de uma frase curta, bastante clara, mas com sentido amplo. A paixão do mestre Kimura, por exemplo, é "contribuir com as pessoas em seu processo de ganho de consciência" e ele fez disso a sua profissão. O monge afirma que quanto mais uma pessoa vive de acordo com seu desejo íntimo, mais alegria, energia e felicidade ela experimenta.

Por que precisamos descobrir nossa verdadeira paixão?
Essa é a natureza de nossa alma. Ela deseja se expressar, se manifestar. As pessoas querem ser quem realmente são. Quando fazemos algo que não tem a ver com a nossa paixão, nos sentimos infelizes. Quando queremos ser como outra pessoa, nos limitamos. Cada pessa é única e original. A originalidade é um dos critérios para saber se alguém é, ou não, iluminado, porque quando uma pessoa se ilumina, se torna ela mesma.

Para adquirirmos consciência e nos darmos conta do que viemos fazer nesse planeta, é necessário passarmos por uma crise existencial?
A iluminação acontece quando nos descolamos de nosso ego, cuja predominância determina um modo de vida em que há mais sofrimento do que alegria. Só livres do domínio do ego vamos em direção à nossa verdadeira essência. Essa passagem é uma experiência de crise. Além disso, viver no âmbito do ego leva à insafistação, porque tudo o que realmente queremos - amor, alegria e felicidade verdadeiras - ele não pode oferecer. A essa passagem chamamos "a noite escura da alma", tempo em que estamos à procura da consciência, vamos de um extremo ao outro e isso nos faz morrer para o passado, abrindo espaço para o novo. A mente, que estava orientada pelo passado, vive essa experiência como uma crise profunda. Com a evolução espiritual, aprende-se a ter cada vez mais alegria.

Em seus workshops, o senhor propõe questionamentos profundos e pede aos participantes que deixem a resposta vir de dentro. Temos todas as respostas em nós? Por que é tão difícil acessá-las?
Sim, temos. O que eu ensino é como atingir esse lado interior. A meditação é um caminho, pois traz luz para a consciência. Uma alternativa é focar na pergunta e aprender a estar atento ao mundo interno. Tudo que nos ajuda nesse processo contribui para a busca pela nossa essência.

Quanto tempo isso pode levar?
Há pessoas que meditam poucos meses e adquirem esse contato íntimo, outros passam anos sem conseguir. Se você medita de 15 a 30 minutos por dia começa a perceber cada vez mais claramente qual é o seu propósito na vida. No entanto, é necessário transformar o simples querer meditar em um comprometimento. Isso significa fazê-la todos os dias. Meditação requer prática diária e, mesmo quando não há vontade, é preciso insistir até que você comece a se divertir e aproveitar.

Se nossa alma já nasce conhecendo a verdade sobre sua essência, por que nos distanciamos tanto disso?
No processo de crescimento, acabamos nos desconectando da donte de nosso ser. O próprio sistema educacional não é desenhado para nutrir a paixão. As pessoas escolhem o que fazer de sua vida baseadas em um padrão social, em condições superficiais, e não no que elas realmente são. Consequentemente, não experimentam felicidade e não têm sucesso. Há ainda condições culturais e familiares que nos atrapalham. E nós mesmos nos colocamos limitações que, com o tempo, se tornam invisíveis a nossos olhos. Então, começamos a viver dentro daquilo que achamos que podemos fazer ou ser e isso restringe nossas possibilidades reais. Quando as pessoas descobrem sua verdadeira paixão, essas barreiras se tornam irrelevantes e desaparecem.

Viver em desacordo com o que realmente somos significa falta de coragem?
Do futuro, pouco sabemos, e o medo é uma reação natural frente ao desconhecido. No entanto, esse sentimento é apenas uma interpretação negativa diante do novo. Quando descobrimos nossa paixão, o medo se transforma em estímulo, em um desafio atraente. Muitas vezes, aparece exatamente porque a pessoa estava muito perto de entrar em contato com sua paixão e ainda não havia percebido isso.

Muitos abrem mão de fazer o que gostam por uma profissão que lhes renda melhor remuneração. Como é possível conciliar as duas coisas?
Quando você faz algo que ama, naturalmente faz melhor. Se a sua profissão é uma expressão da sua paixão, a tendência é que você se torne um profissional melhor do que os que apenas têm talento para desempenhar aquela função. O que faz um grande mestre é a expressão criativa da sua essência. É isso o que permite o grande florescimento de nosso talento e genialidade. Só assim seremos pessoas bem-sucedidas. E, se a profissão é uma daquelas que envolvem muito dinheiro, você pode ficar rico ao mesmo tempo.

E se não for uma dessas profissões bem remuneradas?
Alguns ofícios não produzem tanta riqueza, mas, se eles refletem o seu âmago, ter muito diheiro perde a importância. Muitos procuram por essa recompensa exatamente porque não vivem a paixão. Mas há casos de pessoas que estão vivendo sua paixão e ganham muito dinheiro com isso. Meu conselho é: faça alguma coisa que você faria de graça e cobre por isso.

Quando uma pessoa descobre que tem pouco tempo de vida, em geral decide fazer tudo da forma como sempre quis. Por que esperamos tanto tempo para isso?
Infelizmente, as pessoas não são capazes de se dar conta de quão precioso é cada momento. Presumimos que estaremos vivos amanhã. Poucos têm em mente que a vida é finita, e nunca consideram que hoje pode ser o último dia de sua existência. Cada minuto é único e precioso. Quando alguém descobre que tem pouco tempo pela frente, se dá conta de que a maior parte do que nos traz preocupação é coisa miúda. Pelo fato de assumirmos que nossa vida continua dia após dia, esses pequenos problemas se tornam grandes demais e acabamos nos esquecendo do quão importante é viver nossas verdadeiras paixões.

Será que não agimos dessa maneira porque é difícil pensar em nossa finitude?
Faz parte da evolução da consciência e da maturidade do ser humano perceber que há coisas que não podem ser alteradas, como a morte. Aceitar isso nos faz mudar de atitude e aproveitar cada instante com a alma, entendendo que nada é permanente. Assim, a vida se torna plena: não importa o que aconteça, você está presente em cada momento.

A sensação de descobrir essa paixão interior é parecida com a que temos quando nos apaixonamos por alguém?
Ah, sim, com certeza! Até porque quando você se apaixona de verdade descobre a si mesmo no outro, e entra em contato com você por meio dessa outra pessoa. Há muita paixão no amor. Mas, para se relacionar de maneira saudável com alguém, é necessário estabelecer antes uma relação plena e feliz consigo mesmo. Não tem jeito! Somente dessa maneira começamos a perceber quem somos e conquistamos a chance de amar e dividir com alguém toda a beleza e plenitude da vida. Sem amarmos a nós mesmos, corremos o sério risco de tentar suprir nossas carências internas nas relações externas, num jogo de apego.

Como podemos estar certos de que descobrimos a paixão de nossa alma? Quais são os sinais?
Quando isso acontece, sente-se uma certeza profunda e uma alegria imensa. É como se você descobrisse o sentido das coisas e soubesse, afinal, por que está nesta vida. Até que isso aconteça, há um sentimento de incerteza. Quando você descobre sua paixão, você sabe que sabe."



Fonte: Revista Bons Fluidos - março 2010, nº132, pg 58 a 61.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou - (Teatro Mágico)



"Eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito
Criando conceito pra tudo que restou?

Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou!
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro o sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou!

Perceber da onde veio a vida,
Por onde entrei deve haver uma saída,
Mas tudo fica sustentado pela fé!
Na verdade ninguém sabe o que é!

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo!
Com água e farinha eu colo figurinha e foto em documento!
Escola é onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro o sorriso e o meu paraíso é onde estou!
Eu não sei na verdade quem eu sou!

Descobri que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência!

Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Eu não sei na verdade quem eu sou."

Respeito a todo ser, à Mãe Terra! - (Leonardo Boff)


Se reconhecermos, como os povos originários e muitos cientistas modernos, que a Terra é Gaia, Mãe generosa, geradora de toda vida, então devemos a ela o mesmo respeito e veneração que devotamos às nossas mães. Em grande parte, a crise ecológica mundial deriva da sistemática falta de respeito para com a natureza e a Terra.

O respeito implica reconhecer que cada ser vale por si mesmo, porque simplesmente existe e, ao existir, expressa algo do Ser e daquela Fonte originária de energia e de virtualidades da qual todos provém e para a qual todos retornam (vácuo quântico). Numa perspectiva religiosa, cada ser expressa o próprio Criador.

Ao captarmos os seres como valor intrínseco, surge em nós o sentimento de cuidado e de responsabilidade para com eles a fim de que possam continuar a ser a co-evoluir.

As culturas originárias atestam a veneração face à majestade do universo, o respeito pela natureza e para cada um de seus representantes.

O budismo que não se apresenta como uma fé mas como uma sabedoria, um caminho de vida em harmonia com o Todo, ensina a ter um profundo respeito, especialmente, por aquele que sofre (compaixão). Desenvolveu o Feng Shuy que é a arte de harmonizar a casa e a si mesmo com todos os elementos da natureza e com o Tao.

O Cristianismo conhece a figura exemplar de São Francisco de Assis (1181-1226). Seu mais antigo biógrafo, Tomás de Celano (1229) testemunha que andava com respeito por sobre as pedras em atenção daquele, Cristo, que foi chamado de “pedra”; recolhia com carinho as lesmas para não serem pisadas; no inverno, dava água doce às abelhas para não morrerem de frio e de fome.

Aqui temos a ver com um outro modo de habitar o mundo, junto com as coisas convivendo com elas e não sobre as coisas dominando-as.



Extremamente atual é a figura do humanista Albert Schweitzer (1875-1965). Elaborou grandiosa ética do respeito a todo o ser e à vida em todas as suas formas. Era um grande exegeta e famoso concertista das músicas de Bach. Num momento de sua vida, largou tudo, estudou medicina e foi servir hansenianos em Lambarene no Gabão.

Diz explicitamente, numa carta, que “o que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos, mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito, caso o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuam algum valor. Se o Cristianismo não realizar isso, perdeu seu sentido”.

Em seu hospital no interior da floresta tropical, em Lambarene, entre um atendimento e outro, escreveu vários livros sobre a ética do respeito, sendo o principal este: O respeito diante da vida (Ehrfurcht vor dem Leben).

Bem diz ele:”a idéia-chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao seu máximo valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedi-la de se desenvolver. Este é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”.

Para ele, o limite das éticas vigentes consiste em se concentrarem apenas nos comportamentos humanos e esquecerem as outras formas de vida. Numa palavra: “a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo que existe e vive” Dai se derivam comportamentos de grande compaixão e cuidado. Numa prédica conclamava: “Mantenha teus olhos abertos para não perder a ocasião de ser um salvador. Não passe ao largo, inconsciente, do pequeno inseto que se debate na água e que corre risco de se afogar. Tome um pauzinho e retire-o da água, enxugue-lhe as asinhas e experimente a maravilha de ter salvo uma vida e a felicidade de ter agido a cargo e em nome do Todo-poderoso. A minhoca que se perdeu na estrada dura e seca e que não pode fazer o seu buraco, retire-a e coloque-a no meio da grama. ‘O que fizerdes a um desses mais pequenos foi a mim que o fizestes’. Esta palavra de Jesus não vale apenas para nós humanos mas também para as mais pequenas das criaturas”.

Essa ética do respeito é categórica no momento atual em que a Mãe Terra se encontra sob perigoso estresse.





Leonardo Boff é autor de Convivência, Respeito, Tolerância, Vozes 2006.
Fonte: http://www.leonardoboff.com/

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Outra Era - (Ceumar / Composição: Fagner e Zeca Baleiro)

Torne seu dia mais leve e alegre - (Rachel Lopes)


"Trânsito parado. Pessoas correm de um lado para o outro. Buzinas de carros. Esse é o cenário típico da vida nas grandes cidades. Nesse caos rotineiro, é importante parar e focar no que agrega satisfação para você. Algo como uma recompensa por um dia estafante ou até mesmo uma forma de buscar momentos especiais e tornar o dia mais leve.


Nessa hora, nada melhor do que adoçar o seu dia! Você pode reunir mecanismos como gentileza, amizade, altruísmo e generosidade num encontro com amigos para um lanchinho da tarde. Rever pessoas queridas sempre traz benefícios emocionais e fortalece a consciência de nosso papel social.


Outra forma de se sentir bem é se presentear com algo que goste a cada três tarefas obrigatórias cumpridas. Por exemplo, terminou aquele trabalho que vinha consumindo seu tempo livre há meses? Então, que tal se presentar com uma voltinha no quarteirão, uma lembrancinha naquela loja querida - se você está com as finanças em dia - ou um banho de mar em plena terça-feira?


Tornar a vida mais alegre de ser vivida é tarefa das mais simples e deve ser perseguida por todos."Tornar a vida mais alegre de ser vivida é tarefa das mais simples e deve ser perseguida por todos." Somente assim teremos satisfação para continuar exercendo nossas funções rotineiras com mais vigor. É importante lembrar que o lazer e a satisfação pessoal são ingredientes riquíssimos na busca por uma vida equilibrada. E adoçar o dia com pequenos gestos de carinho com você e com os que o cercam é fundamental. Uma das maneiras de se amar é buscar a autorrealização por meio do conhecimento do próprio eu. Olhar para dentro e perceber o que pode tornar o seu dia mais dinâmico e satisfatório. Pergunte-se:


Que atitudes posso tomar para me sentir melhor?
Como influenciar as pessoas ao meu redor a viverem de uma forma tão realizada quanto eu me proponho nesse momento?

Treinar esses pensamentos é o primeiro passo para trazer mais docilidade ao seu dia. O segundo é colocá-los em prática!


Busque o encontro consigo mesmo independente do dia da semana. Não reserve o lazer e a realização apenas para o final de semana. Coisas boas podem - e devem - acontecer numa segunda ou quarta-feira.
Reunir pessoas queridas é especial, uma forma de entrar em contato com você através do encontro com o próximo.
Organização ajuda a simplificar a vida. Que tal colocar as coisas do seu jeito?
Por que não presentar alguém querido com algo preparado manualmente por você? Pode ser uma sobremesa, um desenho, qualquer coisa que faça o outro pensar o quanto é importante na sua vida.
Não esqueça da regra: "Gentileza gera Gentileza". Logo, tratar bem os vizinhos e pessoas perto de você pode voltar como energia purificante.
Adoçar a si mesmo é adoçar a vida. Autoconhecimento é fundamental para uma vida plena."