sábado, 12 de junho de 2010

Como viver Espontaneamente na Matrix? - (Sri Prem Baba)


Pergunta: Como viver espontaneamente presente no agora se há uma lei de causa e efeito? Ou seja, se minhas ações presentes determinam efeitos futuros, como viver a minha verdade se ela pode causar sofrimento no futuro? Como não temer?

Prem Baba: Claro, não há como viver espontaneamente estando completamente identificado com a mente. A espontaneidade não é um produto da mente. Temos que diferenciar espontaneidade de instintividade, ou ainda, a ação da reação. Você está sonhando com a liberdade. Você está imaginando a espontaneidade, mas você ainda não sabe o que é isso porque age a partir do medo. Você tem medo do resultado das suas atitudes. Por isso a necessidade de controlar cada passo. A sua vida é uma operação matemática. Você tem que saber exatamente o que cada ação vai proporcionar porque você precisa ter um futuro seguro. Então, você precisa fazer tudo absolutamente certo. Essa segurança que você busca não existe; esse controle está imobilizando os seus passos e está secando a sua criatividade; está estagnando todas as possibilidades de inovação e criações na sua vida.

Viver com a necessidade de que tudo dê absolutamente certo, seca a alegria de viver. A reação nasce do medo, a instintividade é um sistema de auto-proteção; é um mecanismo de sobrevivência. A espontaneidade é um fenômeno da alma. A ação nasce do coração e é sempre cheia de sabedoria e compaixão. Se ela nasce da presença é o mesmo que dizer que nasce da verdade porque a presença é a verdade e a verdade é Deus. Então, a ação correta é aquela realizada por Deus.

O que pode estar errado? O que é que você entende como errado? O errado são as reações que surgem a partir do medo. Você identificado com o corpo, precisando usar o instinto para se proteger. Tudo que é criado a partir do medo nós podemos chamar de construção erronia. O medo surge da sua identificação com o falso eu, com a imagem idealizada criada para agradar, para receber energia do outro. O erro é aquilo construído a partir da máscara e tudo aquilo que é construído a partir da máscara, em algum momento vai cair. Ontem mesmo eu recebi um email de um buscador espiritual que está na sua cidade e está querendo se suicidar porque ele foi vendo tudo o que ele acreditava ter realizado desaparecer da frente dele. Ele perdeu a mulher, os filhos se afastaram, perdeu o emprego, a fé, a esperança... Ele escreveu dizendo que ele ainda tinha um pouquinho de fé em mim e por isso estava me escrevendo. Esse momento chega para todos. Em algum momento na jornada evolutiva, as construções baseadas no medo e no erro devem desmoronar o que pode ser extremamente doloroso principalmente quando a pessoa acredita que o desmoronamento é devido a um erro pessoal. O subtexto é assim: “Eu estou dando o meu melhor, estou dando tudo que posso e tudo está sendo tirado das minhas mãos, tudo está desaparecendo”. A pessoa acredita que tudo está desaparecendo e que ela mesma causou isso. Eu não diria que é um erro pessoal, eu digo que é um aspecto da evolução da consciência humana. Durante o processo evolutivo, quando você está identificado com a máscara, com o erro, ou melhor, com a mente, você age a partir do medo. Essa construção, em algum momento, vai cair. Se você for honesto, irá perceber que isso que está indo embora não lhe dava satisfação, mas lhe dava uma idéia de segurança. “Isso eu controlo”. Pode estar um horror, uma tremenda escuridão, mas é a “minha escuridão”, é o “meu horror”, “eu controlo”.

Você tem medo de experienciar essa construção desabar, mas se você estiver compreendendo o que estou dizendo, você vai querer que a mentira desabe e vai querer que as construções baseadas no medo caiam. O que não quer dizer que não seja doloroso, mas se você já viu que não se trata de uma recaída, muito pelo contrário é a sua evolução que está permitindo esse desmoronamento, você dirá “seja bem-vindo”. Porque, para o novo surgir, o velho tem que desaparecer. Eu sei que o seu sofrimento é porque o velho está indo embora e o novo ainda não surgiu. Isso é porque você está sendo ensinado a confiar. Você está aprendendo a confiar na sabedoria da incerteza, a confiar na guiança do grande mistério. É somente daí que surge a verdadeira autoconfiança que é a real segurança. Se a segurança está baseada em alguma coisa que está fora é claro que ela não é a autêntica confiança. Em algum momento você vai ter que reconhecer essa segurança dentro de você, mesmo na relação com o mestre espiritual. Hoje eu sei que lhe dou segurança, mas em algum momento eu vou ter que dar um chute na sua bunda e deixá-lo caminhar sozinho. Senão você vai passar a vida inteira dependendo de algo que está fora e achando que encontrou a segurança. Esse segurança é ilusória.

Se você realmente vive espontaneamente, de forma natural e desprendida, suas ações estão cheias de sabedoria e compaixão. Você está trilhando o caminho do coração, o caminho da verdade. Você está criando um futuro iluminado, mas isso é outro assunto porque você não se preocupa com o futuro. Você pode visualizar o futuro até para se mover no plano horizontal. Eu sei que vou acabar o satsang e vou sair por esta porta para realizar alguns compromissos. Você sabe que um dia vai ter que voltar para casa. O poder de fazer planos para se mover também é sábio desde que você não se apegue a um desfecho determinado senão você se aprisiona no seu plano. Você não pode controlar o fluxo da vida. Deus tem seus mistérios e é exatamente ai que está a chance de você experienciar a alegria de viver. Porque uma vida completamente determinada e previsível acaba com o entusiasmo de qualquer um. Ontem nós estávamos falando sobre sexualidade. O que faz Eros ir para outra direção? Justamente a previsibilidade. “Eu estou cansado de comer a mesma comida, eu quero ir ao restaurante. Eu quero variar um pouco”. Você cansou do sabor dessa comida. Por quê? Porque você se acostumou a fazer sempre a mesma coisa, porque precisa de segurança. Você determina como as coisas devem ser para que tudo aconteça corretamente, mas na verdade você está trancando o mistério dentro do cofre. Ai acaba o senso de aventura. Viver espontaneamente é viver o momento, guiado pelo grande mistério, é possível que você seja convidado a ir para uma outra direção. Se você estiver realmente presente, você vai saber se é uma distração ou se é o fluxo da vida te levando.

“Como viver a minha verdade se isso pode causar sofrimento no futuro?” O problema é a sua verdade. A verdade não vai causar problema nenhum, mas a sua verdade pode causar muitos problemas. Você tem razão. Porque a sua verdade tem base em crenças. Compreende o que estou dizendo? Existe a minha verdade, a sua verdade e a verdade. A minha e a sua com certeza lhe trarão problemas. Mas, a verdade jamais lhe trará problemas. A verdade pessoal, ou seja, a verdade do ego tem base nesse medo construído a partir de informações vindas de fora; crenças, preconceitos, conceitos e conhecimento que determinam para você o que está correto. O que eu quero dizer é que você está obstinado a fazer o que é certo. Quem está querendo fazer certo é o eu idealizado, ou seja, é uma construção mental que tem como meta a perfeição. Tem que ser perfeito para poder agradar, para poder ser amado. Então, a espontaneidade autêntica talvez não se encaixe com esses códigos que você carrega. Talvez você desagrade um ou outro. Mas, você quer ser feliz ou quer agradar ao outro. Nesse momento, as duas coisas, eu sei, mas você vai ter que escolher. Esse é o significado da frase que diz que não é possível servir a dois senhores. Você não pode servir a máscara e o seu eu real.

É interessante que se você começa a agir corretamente (neste caso quando falo corretamente, quero dizer a ação correta, aquela que é baseada na intuição e na confiança), essa ação te levará à desconstrução do erro que acabei de falar. Ai pode ressuscitar o medo que já estava morrendo. É nessa hora que você precisa parar, respirar fundo e se recolher no silêncio, ampliando ao máximo a sua percepção, a sua observação, para compreender o que está acontecendo. Você está passando por uma transição; você está experienciando uma mudança. Antes você estava sendo levado pelo medo e agora está começando a se deixar ser levado pela confiança. Você fica lá e cá até que possa se render à confiança, à voz do silêncio que é a intuição, a voz do mestre. Se render ao amor.

Deus tem um plano para você e você já sabia desse plano ao encarnar, mas você se esqueceu e agora está sendo lembrado. É como se estivesse sendo despertado de um encantamento. Você estava encantado com a história do eu idealizado, a história da máscara, da auto-imagem. É um encantamento. Quem é você? Eu sou fulano de tal, eu vivi isso e aquilo... Você conta todo o seu currículo. Esse não é você. Você não é a sua história. Você acredita ser a sua história, o seu nome, mas isso é um encantamento. E você tem medo que o seu cérebro seja lavado. Todo o cristão tem medo de deixar de ser cristão, o judeu tem medo de ser judeu, o hindu tem medo de deixar de ser hindu e assim por diante. Assim como você tem medo de perder o que acredita ser sua identidade. Você tem medo de perder as referências, por isso tem que controlar tudo. “Eu vou nessa direção desde que as coisas aconteçam desse jeito”. Se você age a partir do medo, eu preciso lhe dizer que está condenado a viver uma vida muito sem graça. Isso é matemática. (risos)

Então, meu amado amigo, chegou a hora de você resgatar a aventura de viver, de resgatar o entusiasmo de viver uma vida misteriosa. Para onde você vai? Para onde a vida te levar. Livre assim como a brisa. “Ai que medo!”. Para onde a brisa vai?


Abençoado seja cada um de vocês. Receba a benção que te ajuda a seguir o que o coração determina. Até o nosso próximo encontro.

NAMASTE

terça-feira, 8 de junho de 2010

Vibrações de Alegria Cancelam Crenças Indesejadas - (Abraham, canalizado por Esther e Jerry Hicks)


Convidado: Você fala que quando você está se sentindo bem ou mal, e tem fortes sentimentos sobre isto, então é muito claro perceber o que se está atraindo, mas uma grande parte do tempo, você está no meio-termo, e não sabe o que está atraindo. Em outras palavras, uma pessoa estava atraindo vulnerabilidade, ela tinha uma vibração de um certo grau de vulnerabilidade e não percebia isto.

ABRAHAM: Sim, mas depois o que aconteceu? Fosse qual fosse a sua vibração, ela atraiu uma condição que, em seguida, ajudou-a a perceber o que era.

Convidado: Certo. Mas isso aconteceu após o fato.

ABRAHAM: Bem, estamos de acordo. Em outras palavras, o que você está dizendo é, seria melhor saber como estou vibrando antes de atrair algo que eu não quero.

Convidado: Certo. Mas o que estou entendendo é que você pode ter todas estas diferentes vibrações, você pode ter uma vibração para falta e uma vibração para vulnerabilidade ou todas essas coisas.

ABRAHAM: Existem apenas duas, na verdade: conectado ou não.

Convidado: Correto Quando se fala de alegria, ou da sensação de bem-estar, e se você está sentindo bem estar, isto pode eliminar todas estas outras vibrações?

ABRAHAM: Sim. Em outras palavras, você não pode estar conectado e desconectado ao mesmo tempo. Quando você está se sentindo bem, quando você esta aplaudindo, quando você esta reconhecendo aspectos positivos, então sua vibração não será de falta, ou carência.

Convidado : E você não precisa se preocupar com as crenças que você tem no seu subconsciente ou este tipo de coisas?

ABRAHAM: Bom, aqui está uma coisa, e isso é o que você está percebendo. Vamos falar um pouco mais sobre isso. Ao longo de sua experiência de vida, você lançou uma serie de pensamentos, e agora você está vivendo o culminar daqueles pensamentos que você lançou antes. Assim, em algumas áreas, você se sente mais seguro do que em outras. Pois bem, com muita freqüência, vocês não percebem, como acaba de nos dizer, o que você está realmente vibrando até que atraia a condição aumentada.Assim, o verdadeiro valor de sua experiência física é que uma vez que você tenha atraído uma condição,deixe que ela o ajude a identificar o que você realmente deseja, a ajude-o a encontrar um sentimento mais positivo que o ajude a atrair o que deseja, ao invés de simplesmente ficar “martelando” a condição negativa e ampliá-la..

Freqüentemente, o que vemos, é por exemplo, uma mulher que tem experiências negativas, porque talvez tenha tido um pai abusivo e, por isso, ela quer ser independente.e diz coisas como: "Eu não posso esperar para sair do âmbito desta dominação”.Porém apesar de falar em libertação, ela esta numa vibração de dominação. Portanto, a pessoa que ela atrai como seu primeiro parceiro tem essa mesma vibração como seu pai, e ele a controla e a domina, da mesma forma que seu pai fazia. Assim ela o tolera por algum tempo. Então ela atrai um companheiro, que é muito similar a sua experiência passada. Ela o tolera por algum tempo, mas com o tempo, diz: "Eu não posso agüentar mais, estou partindo." Mas esta sua ação, ainda esta baseada na vibração de falta - o que significa que o seu ponto de atração não mudou. Então, ao longo deste processo, se não houver um reconhecimento do porque a mesma coisa continua vindo, sempre o mesmo continuará a vir. É a afirmação do "não estou querendo isto", que provoca uma erupção de clareza do que eu "realmente estou querendo , mas depois vem a parte mais difícil, que é como vocês dizem:”Como eu posso me sentir seguro quando estou sendo assaltado ou como posso me sentir livre quando estou na prisão ", e nós dizemos, é aí que está o seu trabalho. Você precisa descobrir através de tentativa e erro que o que você conjura e vibra é o que você atrai.. Então, o que nós o incentivamos a fazer é pensar e sentir, pensar e sentir, pensar e sentir e perceber os resultados.

Pensar e sentir, pensar e sentir, pensar e sentir e perceber os resultados, até que sem grande esforço, você possa convencer-se de que o que vem para você é absolutamente correlacionado à forma como você tem sentido sobre esse assunto. E uma vez que você compreenda o que ocorre em um aspecto de sua vida, então você será capaz de aplicar em outro e outro e outro. Veja, nós sentimos o desconforto físico dos nossos amigos quando nós ensinamos isso: Ouvimos vocês dizerem: "Você quer dizer que eu tenho crenças subconscientes que estão, na realidade atraindo para mim coisas que não quero ? "Isso soa um tanto desconfortável, não é? "Você quer dizer, eu poderia ter pensado algo que não quero e atrair algo que eu não quero", e nós dizemos,calma, porque cada vez que você está fazendo isso de forma suficientemente significativa e que poderia afetá-lo, você saberá.. Seu Sistema de Orientação sempre lhe diz. Você tem uma emoção negativa sobre aquilo. Seu Sistema de Orientação está sempre lhe dando um sinal de advertência. Cada vez que você estiver, através de sua vibração, permitindo algo que você não queira, você sentirá uma emoção negativa. Assim, quando você sentir emoção negativa, você diz: "Ah, isso é bom. Meu Sistema de Orientação está funcionando. Eu posso sentir que estou agora vibrando em harmonia com algo que não quero. Então o que eu realmente quero e por quê? "

Muito freqüentemente, o departamento de estradas, coloca obstáculos reflexivos sobre as linhas da estrada,que são úteis quando se dirige a noite.. Bem, quando Esther dirige à noite, às vezes ela sem querer, dirige sobre eles. Seu marido diz que ela dirige por Braille, e quando ela sente os solavancos por sob seu pneu, ela sabe que esta saindo fora. E ela também sabe que se não fizer alguma coisa,e recolocar-se na direção correta, tomar uma nova decisão, ela pode acabar na vala ou bater em outro carro. Então, os solavancos são como suas emoções negativas. Eles permitem que você saiba que, embora sem querer, você está no caminho para a vala. Portanto, basta parar e dizer, "Ahh, isso é bom. Sei o que não quero. Não quero cair na vala. O que é que eu quero?” E ao reafirmar o que você quer e se recolocar no sentimento adequado, você muda seu ponto de atração.

Agora, eis o que vocês estão fazendo. Por alguma razão, você está vibrando e pode não saber o que é isso e continua apenas vibrando, até que você atrai uma experiência ou uma condição que você não gosta muito, e então você diz, "Humm, eu não quero isso”.Agora, o que a maioria dos seres físicos faz, quando têm uma experiência que não querem, é ficar repetindo porque não querem aquilo, então rezam para Deus: “Dê-me uma coisa diferente”.Eles procuram seu chefe, "Dê-me uma coisa diferente”.Eles procuram seus companheiros ou o governo :” .Dê-me algo diferente.” Mas todo o tempo que eles estão pedindo uma coisa diferente, eles estão condenando-se, por sua vibração, a permanecer com a mesma coisa que não querem. Isto é o que chamamos usar o contraste do Universo de forma desvantajosa. A maneira de usá-lo para a sua vantagem é identificar claramente o que não é desejado, o que sempre ajuda você a clarificar o que é desejado.E então, como você se conectou no que você realmente quer, você pode descrever o que você realmente quer e porque você quer. Você imagina aquilo, você tem uma visão daquilo, você descreve aquilo até que você possa sentir aquilo. Agora, você sente aquela vibração, que pode ter existido anos dentro de você, e utilizando o contraste do Universo - você tem sua vibração em um novo ponto de atração.E assim, a próxima condição que você irá atrair será menos grave que a anterior ou totalmente diferente.

Você já ouviu muitos professores dizerem: “Comece de onde você estiver", e o que eles estão dizendo é que você não pode mudar qualquer que seja o seu ponto de atração de uma vez só, porque foram muitos padrões de pensamentos para chegar até aqui, mas no momento que você está aqui, estas experiências são as confirmações do que você atraiu, de qual foi sua vibração. Portanto, se você não gosta do que está atraindo, tem agora a oportunidade para invocar uma imagem de algo diferente, ou melhor.

Se você fosse um escultor, moldando argila, não iria pegar um grande bloco de argila no primeiro dia jogá-lo em cima da mesa e depois se lamentar: “ Oh, não ficou bom”.Você iria moldá-lo, dia a dia, arrumando suas formas, praticando, e com bastante tempo, você poderia fazer com que aquele pedaço de argila tomasse a forma que você havia imaginado em sua mente Bem, você não está moldando argila, mas você está moldando Energia, e a maneira como você molda é pensando e sentindo, pensando e sentindo, pensando e sentindo.

Vemos alguns dos nossos amigos físicos, especialmente àqueles de vocês que foram alunos do curso de criação deliberada por algum tempo, e quando sentem alguma emoção negativa, começam a se autocriticar e dizer "Oh, eu não estou fazendo direito." Isso é o que incomoda vocês, é o que incomoda Jerry, quando tem gripe. Não por estar sentindo-se mal fisicamente, mas por ser irritante para ele por saber todas essas coisas intelectualmente e nem sempre estar em condições de aplicá-las. Mas quando você se bate e se critica, o que esta fazendo ? Sua vibração está se desconectando da clareza e da Energia que iria criar algo diferente. Portanto, em vez disso, em vez de ficar irritado consigo mesmo, quando você criou algo indesejado, ou tem uma emoção negativa, você deveria agradecer que seu Sistema de Orientação está trabalhando. Agradecer por estar consciente de como você está fluindo Energia e depois, gentilmente dizer : "Bem, se eu não quero isso, o que é que eu realmente queria, e por que gostaria que assim fosse?” E pouco a pouco e pouco a pouco, e pouco a pouco, e pouco a pouco e pouco a pouco, o seu ponto de atração será muito diferente. Em 30 dias, você poderá estar vibrando de uma forma muito diferente de como está hoje, e todas as pessoas que o conhecem saberão que algo mudou porque a corrente que flui em torno de você é muito diferente.

(Uma mensagem dos Abraham canalizado por Esther e Jerry Hicks )

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Poema que aconteceu - (Bruna Caram)


"Fui lá e disse:

- Vou fazer um poema pra você!

E ele:

- Vai nada!

E eu:

- Vou sim!

Mas eu não ia nada.

O impulso era a fé.



Até

Que ele sorriu da porta

- Eu sorri de volta -

E ele veio pro beijo.

(Meu Deus!, e que beijo!

Quente, perfumado…)

Depois, o lampejo

Da luz amarela

No sorriso branco

Escancarava, puro,

O escuro da barba

Criando, brilhante,

Amor grande e sem farpa.



O resto do corpo,

Só se aprochegava:

Crescia

Cobria

Coloria a gente!

Somente a beleza

Era nosso presente -

Tão forte e serena,

Que fez-me envolvida:

Nem vi, distraída,

Que ele era o poema…"



"* Confirmo e esclareço desde já que o título foi irresistivelmente furtado do poema de Carlos Drummond de Andrade, o Poema Que Aconteceu. Afinal, caiu como uma luva, além do quê, o poema do mestre trata de um domingo – data em que terminei este aqui. Que Drummond me perdoe o empréstimo póstumo – e a ele, todas as reverências."


Fonte: http://www.brunacaram.com.br/blog/?p=1303

Amor e Deus - (Nisargadatta Maharaj)


"O diálogo, ocorrido ao anoitecer, foi iniciado por um jovem canadense que vestia um Lungi e um fino Kurta (vestuário típico hindu). Disse que tinha vinte e três anos, mas parecia apenas ter saído de sua adolescência. Exibia, em torno do pescoço, uma elegante e pequena cruz de prata em uma delicada corrente. Ele disse que havia encontrado o livro Eu Sou Aquilo em uma livraria de Bombaim, dois dias atrás. Uma olhada rápida em poucas páginas motivou o desejo de encontrar pessoalmente Maharaj. Ele tinha lido o livro quase continuamente, do meio-dia até à noite, e terminou ambos os volumes apenas há poucas horas.

Maharaj: Você é tão jovem. Desejo saber desde que idade tem estado interessado na busca espiritual.

Visitante: Senhor, desde que me recordo tenho estado profundamente interessado no Amor e em Deus; e senti, com intensidade, que eles não são diferentes. Quando eu sento em meditação, freqüentemente...

M: Espere um momento. O que você entende exatamente por meditação?

V: Realmente, não sei. Tudo o que faço é sentar com as pernas cruzadas, fechar meus olhos, e permanecer absolutamente quieto. Sinto meu corpo relaxando, quase se desvanecendo, e minha mente ou ser, ou o que quer que seja, funde-se no espaço, e o processo de pensamento fica gradualmente suspenso.

M: Isto está bem. Por favor, prossiga.

V: Freqüentemente, durante a meditação, um devastador sentimento de amor extático surge em meu coração junto com uma efusão de bem-estar. Eu não sei o que é. Foi durante um de tais momentos de encanto que me senti inspirado a visitar a Índia – e aqui estou.

M: Quanto tempo ficará em Bombaim?

V: Realmente, não sei. Raramente, faço planos. Tenho dinheiro suficiente para viver frugalmente por quinze dias e tenho minha passagem de retorno.

M: Agora, diga-me, o que exatamente quer saber? Tem alguma pergunta específica?

V: Eu era um homem muito confuso quando desembarquei em Bombaim. Senti que iria perder o juízo. Realmente, não sei o que me levou à livraria, pois não leio muito. No momento em que apanhei o primeiro volume de Eu Sou Aquilo, experimentei o mesmo sentimento esmagador que obtinha durante minhas meditações. Conforme fui lendo o livro, um peso parecia estar sendo removido de dentro de mim e, agora que estou sentado aqui diante de você, sinto como se estivesse falando para mim mesmo. E o que estou dizendo para mim mesmo parece blasfêmia. Eu estava convencido que o amor é Deus. Mas agora penso que o amor é, seguramente, um conceito e, se o amor for um conceito, Deus também deve ser um.

M: E o que está errado nisto?

V: (Rindo) Bom, se você coloca isto desta maneira, não tenho nenhum sentimento de culpa em transformar Deus em um conceito.

M: De fato, você disse que Deus é amor. O que você quer dizer com a palavra ‘amor’? Quer dizer ‘amor’ como o oposto de ‘ódio’? Ou alguma outra coisa, embora, certamente, nenhuma palavra possa ser adequada para descrever ‘Deus’.


V: Não. Não. Pela palavra ‘amor’, certamente, não me refiro ao oposto de ‘ódio’. Refiro-me àquele amor que é a abstenção da discriminação entre ‘mim’ e o ‘outro’.

M: Em outras palavras, a unidade do ser?

V: Sim, sem dúvida. O que é então o ‘Deus’ a quem eu supunha orar?

M: Falaremos mais tarde sobre a oração. Agora, então, o que exatamente é este ‘Deus’ sobre o qual você está falando? Não é a própria consciência – o sentido de ‘ser’ que se tem – pela qual você é capaz de fazer perguntas? O próprio ‘eu sou’ é Deus. Que é o que você mais ama? Não é este ‘eu sou’ a presença consciente a qual você quer preservar a qualquer custo? A própria busca é Deus. Na busca você descobre que ‘você’ está separado deste complexo corpo-mente. Se você não fosse consciente, o mundo existiria para você? Existiria qualquer idéia de Deus? A consciência em você e a consciência em mim – são diferentes? Não são separadas apenas como conceitos que buscam a unidade não concebida que, por sua vez, não é outra coisa senão amor?

V: Agora entendo o que quer dizer “Deus está mais próximo de mim que eu mesmo.”

M: Lembre, também, não há nenhuma prova da Realidade exceto sê-la. De fato, você é ela, e sempre foi. A consciência cessa com o fim do corpo (e é, portanto, limitada pelo tempo) e, com ela, cessa a dualidade que é a base da consciência e da manifestação.

V: O que, então, é a oração, e qual o seu propósito?

M: A oração, como é geralmente entendida, é somente suplicar por alguma coisa. Mas, na realidade, a oração significa comunhão, união, Ioga.

V: Tudo está tão claro agora, como se um monte de escombros fosse repentinamente lançado fora de meu sistema, apagado da existência.

M: Quer dizer que você agora parece ver tudo claramente?

V: Não. Não! Não ‘parece’. É claro, tão claro que estou assombrado de não ter visto antes. Várias afirmações que li na Bíblia, que pareciam importantes, mas vagas, são agora claras como cristal – declarações como: Antes de Abrahão ser, eu era; Eu e meu pai somos um; Eu sou o que Eu sou.

M: Bem. Agora que você compreendeu, que Sadhana o fará obter a liberação de sua ‘escravidão’?

V: Ah! Maharaj. Agora você está certamente ridicularizando-me. Ou está me testando? Seguramente, agora eu sei que Eu Sou Aquilo – Eu sou, o qual sempre fui e sempre serei. O que resta fazer? Ou desfazer? E quem vai fazer isto? Para que finalidade?

M: Excelente! Apenas seja.

V: Sem dúvida, deverei ser.



Então, o jovem canadense prostrou-se diante de Maharaj – seus olhos cheios de lágrimas de gratidão e alegria. Maharaj perguntou-lhe se iria voltar novamente, e o jovem disse: “Honestamente, eu não sei”. Quando ele saiu, Maharaj sentou por um tempo com os olhos fechados e com o mais doce dos sorrisos em seus lábios. Então disse muito suavemente: “Alguém excepcional”; pude apenas entender as palavras.
Nunca mais vi o jovem canadense novamente e, às vezes, pergunto-me sobre ele."


De: "Sinais do Absoluto" - Pointers from Nisargadatta Maharaj - o 1° livro de Ramesh Balsekar sobre os ensinamentos do grande jnani. Futura publicação da Editora Advaita
http://editoraadvaita.blogspot.com/

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Semente da Consciência - (Nisargadatta Maharaj)


"Ele parecia inquieto e agitado.
Seus movimentos eram espasmódicos e ele estava, obviamente, cheio de impaciência. Era um europeu de meia-idade, esguio e em boas condições físicas.
Era sua primeira visita a Maharaj.
Sua agitação atraiu a atenção de todos para ele.
Quando Maharaj olhou para ele, as lágrimas repentinamente correram de seus olhos.
Um olhar compassivo de Maharaj pareceu acalmá-lo um pouco e ele, então, deu as usuais informações sobre si mesmo em poucas palavras.

Disse que tinha sido um estudante do Vedanta por pelo menos vinte anos, mas que sua busca pela verdade havia fracassado.
Estava profundamente desanimado e desiludido e não podia mais continuar sua frustrante busca.
Um lampejo de esperança surgiu para ele quando ele leu o livro de Maharaj Eu Sou Aquilo e sabia que havia encontrado a resposta.
Imediatamente ele juntou a quantidade mínima de dinheiro necessária para uma viagem à Índia, e acabava de chegar a Bombaim.
Com a voz agitada, ele disse “Cheguei agora. Minha busca terminou.”
Lágrimas estavam correndo livremente de seus olhos e ele não podia controlar-se.
Maharaj escutou-o com gravidade e permaneceu sentando por poucos minutos com os olhos fechados, talvez para dar a ele o tempo para se recuperar.

Então, perguntou se ele estava firmemente convencido de que não era o corpo.
O visitante confirmou que estava bastante claro para ele que não era meramente o corpo, mas alguma outra coisa que não o corpo e, como estava claramente explicado no livro, que este algo devia ser o conhecimento ‘eu sou’, o sentido de ser.
Mas, ele acrescentou, não podia entender o que se queria dizer com a sugestão de que ele deveria permanecer continuamente com o conhecimento ‘eu sou’.
O que, exatamente, supunha-se que ele deveria fazer?

“Por favor, Mestre” – disse a Maharaj –, “estou agora insuportavelmente cansado de palavras.
Tenho-as lido e ouvido aos milhões e nada ganhei com elas.
Conceda-me a substância agora, não meras palavras.
Serei eternamente grato a você.

“Muito bem” – disse Maharaj – “Você terá a substância agora.
Certamente, terei que usar palavras para comunicá-la a você.”
Maharaj, então, prosseguiu: Se eu dissesse para inverter a marcha e voltar para a origem de seu ser, teria algum sentido para você?

Em resposta, o visitante disse que seu coração aceitou intuitivamente a verdade da afirmação de Maharaj, mas ele teria que se aprofundar no assunto.

Maharaj, então, disse-lhe que ele devia entender toda situação clara e instantaneamente; isto ele poderia fazer apenas se fosse à raiz do assunto.
Ele deveria descobrir como o conhecimento ‘eu sou’ apareceu pela primeira vez.
A semente é a coisa, disse Maharaj.
Descubra a semente de seu ser e você conhecerá a semente do universo inteiro.

Maharaj continuou: Como sabe, você tem um corpo e, no corpo, está o Prana, ou a força vital, e a consciência (o ser, ou o conhecimento ‘eu sou’).
Agora, este fenômeno total do ser humano é de qualquer forma diferente do das outras criaturas ou mesmo da grama que brota da terra?

Pense profundamente sobre isto.
Suponha que um pouco de água se acumule em seu quintal; depois de um tempo, o corpo de um inseto se forma ali; ele começa a mover-se e sabe que existe.
E, novamente, suponha que um pedaço de pão velho é deixado em um canto por alguns dias; um verme aparece nele e começa a mover-se, e sabe que existe.

O ovo de uma ave, depois de chocado por certo tempo, quebra, repentinamente, e aparece um pequeno pinto; ele começa a mover-se e sabe que existe.
O esperma do homem germinou no útero da mulher e, depois do período de nove meses, nasce como um bebê.
O esperma desenvolveu-se na forma de uma criança plenamente formada que passa pelos estados de vigília e sono e realiza suas funções físicas comuns, e sabe que existe. Em todos estes casos – o inseto, o verme, o pinto e o ser humano – o que realmente nasceu? O que ‘supervisionou’ o processo da concepção ao nascimento?

Não seria o conhecimento ‘eu sou’ que permaneceu latente da concepção ao parto e, no tempo devido, ‘nasceu’?
Este ser, ou consciência, idêntico em todos os quatro casos, achando-se sem qualquer tipo de ‘apoio’, identifica-se erroneamente com a forma particular que assumiu.
Em outras palavras, o que é realmente sem qualquer aspecto ou forma, o conhecimento ‘eu sou’, precisamente este sentido de ser (não ser isto ou ser aquilo, mas tão só consciência), limita-se apenas a uma forma particular e, com isto, aceita seu próprio ‘nascimento’, e daí para frente vive sob a constante sombra do terror da ‘morte’.

Assim nasce a noção de uma personalidade individual, ou identidade, ou ego.
Vê agora a origem desse estado de ‘eu sou’?
Ele não é dependente do corpo para sua existência individual?
E o corpo não é meramente o esperma germinado que desenvolveu a si mesmo?
E, o que é mais importante, é o esperma outra coisa senão a essência do alimento consumido pelos pais da criança?
E, finalmente, não seria o alimento algo constituído pelos quatro elementos (éter, ar, fogo e água) por meio do quinto, a terra?

Assim, segue-se o rastro da semente da consciência até chegar ao alimento, e o corpo é o ‘alimento’ da consciência; assim que o corpo morre, a consciência também desaparece.
E, ainda, a consciência é a ‘semente’ do universo inteiro!

Todo indivíduo tem, sempre que sonha, a experiência idêntica de um mundo sendo criado na consciência. Quando uma pessoa não está totalmente acordada e a consciência é apenas estimulada, ela sonha; e, em seu sonho, naquele ponto mínimo de consciência, cria um mundo de sonhos inteiro, similar ao mundo ‘real’ externo – tudo em um instante – e, naquele mundo, são vistos o sol, a terra com montanhas e rios, construções e pessoas (incluindo o próprio sonhador) comportando-se exatamente como as pessoas no mundo ‘real’.

Enquanto durar o sonho, o mundo do sonho é, de fato, bem real, e as experiências das pessoas no sonho, incluindo o próprio sonhador, parecem ser verdadeiras, tangíveis e autênticas, talvez mesmo mais do que aquelas do mundo ‘real’.
Mas, uma vez que o sonhador acorde, todo o mundo de sonhos com todas as suas ‘realidades’ que existiam se desvanecem na consciência na qual foram criados.

No estado de vigília, o mundo surge por causa da semente da ignorância (Maya, consciência, ser, Prakriti, Ishwara, etc.) e o coloca em um estado de vigília-sonho. Você sonha que está acordado; você sonha que está dormindo – e você não compreende que está sonhando porque ainda está no sonho. De fato, quando você compreende que tudo é um sonho, você já terá ‘despertado’! Apenas o Jnani conhece a vigília e o sonho verdadeiros.

Neste estágio, quando Maharaj perguntou ao visitante se tinha alguma pergunta sobre o que tinha ouvido até o momento, ele perguntou prontamente: “Qual é o princípio, ou o mecanismo conceitual, por trás da criação do mundo?”

Maharaj ficou satisfeito, porque o visitante tinha usado corretamente as palavras ‘mecanismo conceitual’, pois ele freqüentemente nos lembra que toda criação do mundo é conceitual, e que é muito importante lembrar este fato e não o esquecer no meio de toda a profusão de palavras e conceitos.

Maharaj, então, continuou: O estado original – o Parabrahman – é incondicionado, sem atributos, sem forma, sem identidade.
Sem dúvida, este estado não é nada senão plenitude (não um ‘vácuo’ vazio, mas pleno), de modo que é impossível dar-lhe um nome adequado. Visando a comunicação, contudo, um certo número de palavras tem que ser usado para ‘indicar’ aquele estado.

Naquele estado original, anterior a qualquer conceito, a consciência – o pensamento ‘eu sou’ – espontaneamente desperta para a existência.
Como?
Por quê?
Por nenhuma razão aparente – como uma mansa onda sobre a superfície do mar!

O pensamento ‘eu sou’ é a semente do som Aum, o som primordial, ou Nada, no momento da criação do universo.
Ele consiste em três sons: a, u e m. Estes três sons representam os três atributos – Sattva, Rajas, Tamas, os quais produzem os três estados de vigília, sonho e sono profundo (também chamados consciência ou harmonia, atividade e inércia).

Foi na consciência que o mundo surgiu.
De fato, o primeiro pensamento ‘eu sou’ criou o sentido de dualidade no estado original de unicidade.
Nenhuma criação pode aparecer sem a dualidade do princípio da maternidade e paternidade – masculino e feminino, Purusha e Prakriti.

A criação do mundo como uma aparência na consciência tem dez aspectos – o princípio gerador da dualidade; a matéria física e química, sendo a essência dos cinco elementos (éter, ar, fogo, água e terra) em fricção mútua; e os três atributos de Sattva, Rajas e Tamas.

Um indivíduo pode pensar que é ele que atua, mas, verdadeiramente, é a essência dos cinco elementos, o Prana, a força vital, que atua através da combinação particular dos três atributos em uma forma física particular.

Quando a criação do mundo é vista nesta perspectiva, é fácil perceber porque os pensamentos e ações de um indivíduo (o qual é apenas um aparato psicossomático) diferem tanto em qualidade e grau daqueles de milhões de outros; porque, por um lado, existem Mahatmas Ghandis e, por outro, Hitlers.

É um fato evidente que as impressões digitais de uma pessoa não são nunca similares àquelas de qualquer outra pessoa; folhas da mesma árvore são diferentes umas das outras em ínfimos detalhes.

A razão é que as permutações e combinações dos cinco elementos, mais os três atributos em seus milhões de matizes, chegariam a bilhões e trilhões.
Certamente, podemos admirar o que é admirável e amar o que é adorável, mas devemos compreender o que é que realmente amamos e admiramos – não o indivíduo conceitual, mas a maravilhosa habilidade de atuação da consciência que é capaz de desempenhar simultaneamente milhões de papéis nesta representação de sonho que o mundo é!

Para evitar perder-se na desconcertante diversidade do espetáculo de Maya (Lila), Maharaj disse que é necessário, neste estágio, não esquecer a unidade essencial entre o Absoluto e o relativo, entre o não-manifesto e o manifesto.

A manifestação aparece na existência apenas com o conceito básico ‘eu sou’.
O substrato é o númeno, que é a potencialidade total.
Com o surgimento do estado de ‘eu sou’, o númeno se reflete no universo fenomênico, o qual só em aparência será exterior a ele.

Para ver a si mesmo, o númeno se objetiva no fenômeno e, para que esta objetivação aconteça, o espaço e o tempo são os conceitos necessários (nos quais os fenômenos são estendidos em volume e duração).
O fenômeno, portanto, não é algo diferente do númeno, mas o próprio númeno objetivado.

É necessário entender – e nunca esquecer – esta identidade essencial.
Uma vez que o conceito ‘eu sou’ surja, a unidade fundamental fica teoricamente separada, como sujeito e objeto, na dualidade.
Quando a consciência impessoal se manifesta e identifica a si mesma em cada forma física, a noção do eu surge, e esta noção, esquecendo que não tem nenhuma entidade independente, converte sua subjetividade original em um objeto com intenções, necessidades e desejos e é, portanto, vulnerável ao sofrimento.

Esta identidade errada é precisamente a ‘escravidão’ da qual se busca liberação.
E o que é ‘liberação’? Liberação, iluminação, ou despertar, não é outra coisa senão entender profundamente, aperceber-se – (a) que a semente de toda a manifestação é a consciência impessoal, (b) que o que se busca é o aspecto não-manifestado da manifestação e (c) que, portanto, o próprio buscador é o buscado!

Resumindo o discurso, Maharaj disse:
Revisemos tudo isto novamente.

1.No estado original prevalece o Eu sou, sem qualquer conhecimento ou condicionamento, sem atributos, sem forma ou identidade.

2.Então, por nenhuma razão aparente (exceto aquela de que é sua natureza ser assim), surge o pensamento, ou conceito eu sou, a Consciência Impessoal, sobre a qual o mundo aparece como um sonho vívido.

3.A consciência, para se manifestar, necessita de uma forma, um corpo físico, com o qual se identifica e, assim, começa o conceito de ‘escravidão’, com uma objetivação imaginária do ‘eu’. Quando se pensa e se atua do ponto de vista desta auto-identificação, pode-se dizer que se cometeu o ‘pecado original’ de transformar a pura subjetividade (o potencial ilimitado) em um objeto, uma realidade limitada.

4.Nenhum objeto tem uma existência independente por si mesmo e, portanto, não pode despertar do sonho vivente; ainda assim – e esta é a piada – o fantasma individual (um objeto) busca algum outro objeto como o ‘Absoluto’, ou ‘Realidade’, ou o que for.

5.Se isto estiver claro, deve-se inverter o rumo e voltar para descobrir o que se era originalmente (e sempre se tem sido) antes do surgimento da consciência.

6.Neste ponto surge o ‘despertar’ de que não se é nem o corpo nem mesmo a consciência, mas o estado inefável da total potencialidade, anterior à chegada da consciência (na consciência, este estado, seja qual for o nome, pode ser apenas um conceito).

7.E, assim, o círculo está completo; o buscador é o buscado.

Em conclusão, disse Maharaj, deve-se entender profundamente que, como ‘Eu’, se é númeno.
A condição atual da fenomenalidade (cuja semente é a consciência) é temporária, como uma doença ou um eclipse sobre a condição imutável original da numenalidade, e tudo o que se pode fazer é viver o tempo destinado da vida, no fim do qual o eclipse da fenomenalidade termina e a numenalidade prevalece novamente em sua pura unicidade, totalmente inconsciente de sua Consciência.

Durante toda esta exposição, o visitante permaneceu imóvel como se estivesse sob um encantamento. Fez uma ou duas tentativas infrutíferas de falar, mas Maharaj parou-o rapidamente com um gesto firme, e ele permaneceu sentado ali em perfeita paz até depois de outros visitantes terem apresentado seus respeitos a Maharaj e saírem, um por um."


Fonte: "Sinais do Absoluto" Pointers from Nisargadatta Maharaj - edição da Editora Advaita.

O Programa de Remoção da Matriz do Medo Essencial - (Fonte:Além da Ascensão/Joshua David Stone)


“O oposto do amor é o medo.”
(Um Curso Em Milagres)

O Programa de Remoção de Matrizes é uma graça recebida pela Terra para a remoção do medo essencial. Existem somente duas emoções em todo o mundo; AMOR E MEDO. Todas as outras emoções reduzem-se essencialmente a uma dessas duas.
Outra forma de dizer a mesma coisa é afirmar que só existem duas maneiras de pensar: com a mente crística ou com a mente do ego negativo; você pensa com o eu inferior ou com o eu superior; tem emoções e reações fundadas no medo, ou emoções e reações fundadas no amor.

O Programa de Remoção de Matrizes é uma graça divina do Criador, que possibilita que os membros mais maduros da Hierarquia Espiritual, hoje vivendo nos planos ocultos, retirem os fatores do medo essencial da sua mente subconsciente e do seu sistema de quatro corpos.

Via clarividência, o processo pode ser visto como se raízes negras, com muitos tentáculos espalhados pelo corpo, fossem arrancadas da mesma forma que um jardineiro arrancaria uma erva daninha do chão.

As raízes dessa erva daninha do jardim se parecem muito com as raízes emocionais e mentais dos fatores do medo essencial. Quando essas raízes são arrancadas e eliminadas, como se um vácuo as sugasse pelo chackra da coroa, elas são completamente apagadas dos registros da sua alma.

Esse trabalho pode ser feito por qualquer um dos mestres ligados aos sete raios no plano oculto. Sugiro que você peça ajuda a Djwal Khul e a Vywamus, pois eles são muito competentes nessa área. Basta pedi-la! Esse programa de remoção de matrizes é estupendo e nunca esteve disponível.

Você tem o medo arraigado no seu ser, senão não estaria vivendo neste planeta e já teria se “formado” há muito tempo. Pense num medo que você carregue. Peça a Djwhal Khul, a Vywamus e à sua Poderosa Presença do Eu Sou que o removam. Se você não tem o dom da clarividência, e não pode ver o processo acontecendo de fato, pode, assim mesmo, sentir a remoção sutil do medo pelo chakra da coroa.

Sempre que se sentir irritado, ou tiver alguma reação ou emoção negativa, isso é sinal de que o medo foi acionado. Invoque, imediatamente, os mestres ascensionados e peça a remoção desse medo.

Peça também para ser oficialmente inscrito no programa de remoção da matriz do medo em essencial conduzido pela Hierarquia Espiritual. Uma vez inscrito no plano oculto, os mestres trabalharão em você continuamente, sem que sequer tenha de pedi-lo.

Há, porém, uma compreensão extremamente importante que você precisa alcançar em relação a esse processo: 90% a 50% do seu medo essencial pode ser removido, mas ele retornará se a sua consciência, a sua mente racional, não mantiver a filosofia de sempre tentar pensar com a mente crística, e não com a mente do ego negativo. Você não irá reconhecer a Deus a não ser que aprenda a transcender o pensamento do ego negativo, ou eu inferior. É o seu pensamento que cria a sua realidade. Todo sofrimento é auto-induzido. Desde que você aprenda a pensar corretamente, o medo essencial que foi removido não retornará.

Se quiser fazer um excelente bem ao mundo, peça que ele também seja removido da consciência coletiva da humanidade.

Fonte:Além da Ascensão/Joshua David Stone
http://avidaimpessoal.blogspot.com/

Encontrando seu Verdadeiro Ser - (Prem Baba)


"Poderia falar um pouco sobre as diferenças entre o caminho do buscador e do achador?
É muito simples: você busca até achar. Eu, por exemplo, busquei freneticamente, em muitas religiões, escolas espirituais, mestres e livros. Às vezes eu vivia a ilusão de ter encontrado, porém continuava uma angústia - eu sabia que não tinha encontrado, que ainda faltava algo. Até que encontrei meu guru. Quando o encontrei e me entreguei para ele, realmente senti que havia encontrado - ainda carregava uma angústia, mas tinha certeza de que já tinha encontrado o que precisava. De fato, pouco a pouco a angústia foi desaparecendo.

Quanto tempo levou para essa angústia desaparecer?
Foram algumas vidas para eu descobrir que havia encontrado e três anos para a angústia desaparecer completamente. Fiquei três anos brigando com o meu mestre. “Será que encontrei mesmo?”, eu pensava. No fundo sabia que já tinha encontrado. É importante compreender isso: você só recebe iniciação em um Yoga dessa natureza quando já tem um vislumbre da divindade.

Eu tive um vislumbre e pude me entregar, mas após ter passado a graça da iniciação. Obviamente, fui entrando nos meus infernos internos que a própria iniciação puxou. A própria graça do meu guru foi destruindo a ignorância que ainda existia em mim, sendo uma das manifestações justamente a falta de fé, a dúvida, uma dificuldade de me entregar definitivamente, sem reservas.

Fui buscar ajuda para poder me entregar para o meu guru: do Dalai Lama, do Sathya Sai Baba, do Ravishankar e outros mestres que conheci. Fui pedir ajuda porque não conseguia me entregar de verdade, porque existia uma barreira dentro de mim: um orgulho que eu carregava há muitas vidas. Até que consegui, e quando eu me entreguei de verdade, iluminei-me e entrei em Samadhi. Aconteceu o fenômeno: dei o salto.

Compreendi que a entrega é a ante-sala da iluminação. A busca vai purificando a ignorância aparelho para viver essa experiência, por meio da aquisição de conhecimento e práticas. A ignorância nasce dessa idéia de eu, com todas as máscaras.
Todos os mestres que encontrei foram importantíssimos na minha vida. Aprendi, recebi muito e purifiquei uma parte da personalidade que precisava ser purificada. Até que meu sistema todo se preparou para essa experiência, e aí pude vivê-la e entrei em Samadhi. Então, descobri. Encontrei o que buscava depois de tanto tempo. Não sabia nem o que era - apenas tinha uma idéia. O que eu sabia era que estava insatisfeito. Por isso continuava buscando."

Com Deus - (Prem Baba)


Satsang - Índia 2008

domingo, 23 de maio de 2010

Vivência: Dançando a Vida - (Prem Baba)


Mais um tempo de treinamento.

Escolha uma postura estável, confortável, coluna alinhada, a cabeça está no prolongamento da coluna, os olhos estão fechados com suavidade.

Dê uma passada dos pés à cabeça. Observe onde há tensão e desconforto. Se você localizar desconforto em alguma parte, foque aí sua consciência. Se você percebe desconforto em uma área, vá reduzindo essa área até você localizar um ponto, que é o ponto responsável pelo bloqueio da energia.

Dialogue com esse ponto. Pergunte: quem é você? O que é você? Permita que a tensão se revele na forma de um pensamento ou sentimento e simplesmente observe, identifique o padrão, se ele é repetitivo, se é ressentimento, mágoa, culpa, se é algum medo – medo de quê? Perceba a resistência no fluxo da energia. Perceba a resistência ao fluxo da vida, da existência e do momento presente.

A chave para se libertar do desconforto é o perdão, que liberta os ressentimentos e mágoas. E você pode aceitar as coisas como são, relaxando, permitindo-se dançar a dança da vida no ritmo da música.

Não é o ritmo do falso eu que, identificado com o sofrimento, quer fazer a sua própria música. O pequeno eu, que é o primeiro pronome manifesto através da mente, gera o “meu”. Você quer se apropriar da música. Mas a música é toda a existência. Liberte-se do eu e do meu e permita que a existência flua através de você.

Assim, tranqüilize-se mais e mais. Relaxe mais e mais. Não há o que conquistar. A sua mente quer remover a ignorância criada pelo falso eu, assim, permita-se se aquietar mais e mais. Não há necessidade alguma de luta e de esforços porque não há o que conquistar, há só que relaxar e aceitar a vida.

Uma vida onde cada um dá o que pode. Cada um cumpre o seu papel nesse drama cósmico. Aprenda a respeitar o tempo, aprenda a respeitar cada expressão do jeito que ela vem, aprenda a respeitar cada um de seus semelhantes com tudo o que ele está sendo nesse momento, aprenda a olhar através do Eu Inferior, da nuvem de pensamentos, e enxergar o Ser de luz que há nele.

Essa visão só é possível através da presença. Quando seus pensamentos cessam, você pode claramente ver o outro, além da ilusão e da distorção criada pela mente. Assim você o aceita, porque você compreende que ele é tão somente uma personagem nesse drama divino.

O amor se revela quando você pede perdão, e o perdão se revela quando você aceita. E você aceita quando abandona o eu e o meu.

Assim, sinta-se ocupando o seu corpo. Irradie a luz da presença. Visualize-se mergulhado num oceano de luz. Inspire e expire. Amplie cada vez mais a consciência de que você ocupa o corpo.

Ponha foco no silêncio, o silêncio que a tudo permeia. Os sons entram e saem do campo de silêncio, e ele permanece. É nesse silêncio que você deve focar a sua atenção. Ao surgir qualquer pensamento, detenha-o na fonte, perguntando com veemência: a quem surge? Quem sou eu?

Não se deixe levar pelas fantasias e pelos dramas gerados pelo falso eu. Interrompa a fantasia observando a resistência, observando os impedimentos, tomando consciência de sua natureza e libertando-se, tomando a decisão, fazendo a escolha de abrir mão da negatividade e do sofrimento, mantendo a investigação do Ser com constância cada vez mais acentuada.

Quem sou eu?

"Chi" é uma palavra de origem chinesa, que designa a essência ou energia vital do Universo, presente em todos os seres e coisas.



Fonte: http://www.prembaba.org.br/home.htm

A voz do silêncio - (Prem Baba)


"Sinta-se ocupando seu corpo.
Sinta-se presente.
Perceba a presença iluminando cada canto da sua mente.
...

A voz do silêncio é a voz da intuição.
A voz de Deus.
Que se manifesta quando você está na paz de Deus."

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Amma on CNN


July 2007

Você já se vê desvencilhado de tudo o que pertence à dualidade? - (Mensagem de ALPHA, por Célia G.)




"Eu sou Alpha, e venho conversar um pouco.

Você já quer viver no mundo das dimensões superiores?
Você não vê a hora de toda a transição ser completada?
Você já se vê desvencilhado de tudo o que pertence à dualidade?

Acha que sim? Então vamos ver:

O que você sente quando recebe uma crítica a algum trabalho que realizou? Agradece ou se revolta?

O que você sente quando alguém lhe oferece a mão para superar algum bloqueio, alguma dificuldade? Agradece ou se sente inferiorizado?

O que você sente quando percebe o amor que alguém está lhe dedicando? Agradece ou se sente intimidado?

Quantas vezes durante o dia de hoje você utilizou manobras de controle, de manipulação?

Quantas vezes durante o dia de hoje você deixou de dedicar ou retribuir um sorriso?

Quantas vezes durante o dia de hoje você se sentiu crescer diante de alguém que veio lhe pedir uma explicação, um conselho, uma orientação?

Quantas vezes você parou hoje para sentir e ouvir seu coração?

São muitas as perguntas, mas todas muito, muito simples. As respostas, entretanto, podem custar a ser pronunciadas, diria mais, difíceis de serem conscientemente aceitas. Mas seu corpo indicará a resposta, pelo subir da energia, como quando sentimos ao levar um susto, ou ao sermos surpreendidos em algo que preferiríamos esconder.

Não quero que você pronuncie a resposta, não é preciso, apenas sinta o que seu próprio corpo lhe diz. Sim, porque até mesmo seu consciente, seu mental, pode estar querendo te enganar. Seu corpo jamais faria isso. Porque seu corpo segue seu coração, embora você nem sequer imagine isso.

Então, minha vinda hoje foi apenas para ter essa pequena conversa. Eu e seu coração, eu e seu corpo. Porque essa conversa busca a verdade. A única verdade.

De nada vale para a evolução espiritual a ininterrupta leitura de quantas linhas conseguir durante todos os minutos de seu dia. O único e verdadeiro valor é o sentir, é o incorporar e manifestar as verdades de sua alma, de seu coração.

De nada vale para a evolução espiritual você conhecer os fatos, os mensageiros, as mensagens, se, no contato com aqueles que lhe são próximos, o que sai de você é arrogância, superioridade, controle, manipulação.

De nada vale você querer ou saber estar no Serviço da Luz, se assume essa posição como se estivesse assumindo o mais alto cargo de uma empresa, e o exerce sob a forma de domínio, de controle, de chefia.

Não, o verdadeiro trabalhador da luz não é isso. O verdadeiro Serviço não é isso.

Pare um pouco, observe o que você está sinceramente almejando quando diz que está no Serviço. Seja sincero, verdadeiramente sincero consigo mesmo. Será que não existe nesse seu serviço uma velada intenção de aparecer dentre seus irmãos, no sentido de ser visto como superior, como aquele que sabe, como aquele que diz: venham, sigam-me!?

É difícil assumir, eu sei, mas, infelizmente, a vaidade ainda está presente na maioria dos que se dizem trabalhadores da luz.

E não só a vaidade, mas muitos outros atributos característicos dessa dualidade dissociada, como a necessidade do poder, a necessidade de valorização, a necessidade de julgar e de apontar os erros e defeitos que se vê no outro, e isso tudo porque, até então, o que se diz trabalhador da luz ainda não está, efetivamente, na Luz, na Verdade, pois, quando isso ocorre, ele vê a todos como irmãos, como semelhantes, e o único sentimento que lhe invade é o AMOR INCONDICIONAL.

Não há mais revolta, não há mais medo, não há mais vergonha, não há mais comparações, não há mais julgamentos, não há mais um que se sobreponha ao outro, não há mais competição, nada mais há a esconder, a ocultar.

Há sim a bondade, a fraternidade, o ajudar no espírito colaborativo, há o Serviço em nome da Luz, com alegria e amor, e não como responsabilidade, como obrigação, como uma corrida para ver quem chega primeiro ou quem consegue alcançar o prêmio.

O prêmio, esse existe sim, mas é para todos: é um mundo maravilhoso onde não existem mais sombras, onde não existem mais mentiras, onde não existem mais provocações, onde não existe mais a competição que apenas faz aumentar os perdedores.

Então, essa é minha mensagem de hoje: parem, parem e fiquem com vocês, o maior tempo possível. Entendam-se, encaixem-se, aceitem-se, amem-se, sejam apenas AMOR e tenham apenas isso nas mãos no convívio com seus semelhantes.

Assim, tudo fluirá.

Eu, de minha parte, deixo com vocês também meu AMOR.

Nada do que os espera do outro lado do véu pode ser nem mesmo imaginado, por qualquer um de vocês.

Ainda que em muitas ocasiões lhes tenham sido mostradas ou informadas algumas das características dos mundos evoluídos, suas mentes não possuem, eu diria, a capacidade de visualizar a realidade do que é.

Vocês já pararam para imaginar, por exemplo, que os pensamentos são ouvidos por todos? Você já imaginou isso?

Como um ser dessa dualidade, você não pode se ver nessa situação não é mesmo? Como seria se seu interlocutor ouvisse seus pensamentos? Sim, porque frequentemente o ser humano diz algo e pensa o oposto – mantém um sorriso na cara enquanto está extremamente entediado com aquela conversa ou com aquele encontro.

Com esse simples exemplo dá para ter uma pálida idéia do quão diferente é a realidade nas dimensões evoluídas.

Então, meus queridos amigos, não queiram viajar no mundo das idéias limitadas que o ser humano possui.

Sigam as orientações de seu coração, mantenham a conexão com seus guardiões, conservem a vibração na Luz e na Verdade tanto quanto possível, e desempenhem sua realidade ainda nessa dimensão de modo a conservar sempre o amor, a compreensão, a colaboração, a fraternidade.

Não é preciso saber os detalhes de tudo o que acontece, basta apenas saber que todos estão sendo amparados e protegidos e que, quanto mais estiverem no amor, na compreensão, na colaboração, na fraternidade, mais sentirão em sua vida o amor, a compreensão, a colaboração, a fraternidade e nosso apoio incondicional.

Unam-se a seus irmãos, tenham sempre um abraço caloroso e cheio de amor, compartilhem sentimentos e experiências, pois é dando que se recebe. Mas o dar incondicional, não o dar esperando a retribuição.

Pois o dar esperando a retribuição volta à dualidade, ao controle, à manipulação.

Abram-se para o AMOR.

Abram-se para a intuição também. Não façam como esse canal, que precisa ficar com a cabeça quase estourando para perceber que queremos transmitir alguma mensagem.

Por isso, é indispensável parar sempre o mínimo de tempo que seja, para que possam ouvir seu coração, sua intuição, nosso chamado também."






Canalizado por Célia G.
23 de Abril de 2010
Fonte: http://comunidade-espiritual.com/Reginamaste/blog/42-42vamos-parar-um-pouco-42-42-mensagem-de-alpha-por-celia-g/
Pedro Coelho
http://www.luzdegaia.org/

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sudarshan Kriya em casa - (Dicas fisioterapeuta e instrutora Marise Ferrer)



Passo 1:
Crie uma rotina diária, calma e serena, para exercitar a respiração consciente.

Passo 2:
Escolha um ambiente arejado e sem barulho.Não use ar-condicionado ou aparelho de som.

Passo 3:
Sente em uma cama ou superfície plana na qual se sinta realmente confortável. Feche os olhos.

Passo 4:
Apoie a mão espalmada aberta sobre o umbigo.

Passo 5:
Puxe o ar pelo nariz, inspirando profundamente, expandindo seu abdome - mas sem forçar seu limite.

Passo 6:
Solte o ar pelo nariz, contraindo o abdome e expirando profundamente.

Passo 7:
Pense nos movimentos respiratórios que está fazendo. Procure se concentrar apenas neles.

Passo 8:
Aposte numa série de 10 a 15 respirações, ao acordar e ao se deitar. O ideal é fazer sentada pela manhã e deitada à noite, de forma a relaxar mais e se preparar para uma boa noite de sono.

Passo 9:
Após a série, relaxe o corpo.


Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/auto-ajuda/sudarshan-casa-422999.shtml

Entrevista com Sri Sri Ravi Shankar - Você anda respirando direito? - (Programa Alternativa Saude)



Conheça um pouco mais sobre o homem que está mudando o mundo e como a respiração pode nos ajudar a ter uma vida mais plena, livre de estresse e tensões.

sábado, 15 de maio de 2010

O tempo fechou... e agora? - (Liane Alves)


A vida muda rápido, a vida muda num instante, você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente”, escreveu Jane Didion, em seu livro O Ano do Pensamento Mágico (ed. Difel). A morte repentina do marido, que sofreu um enfarte na mesa de jantar, transformou radicalmente a trajetória dessa jornalista americana.

De uma forma ou de outra, todas nós já experimentamos dias que amanhecem como qualquer um e dão uma guinada, abalando nossas estruturas. A psicóloga paulista Sandra Taiar interpreta o modo como respondemos a tais surpresas e mostra como é possível adquirir mais equilíbrio apesar da intensidade das circunstâncias. Psicoterapeuta há 25 anos, ela pratica e pesquisa a metodologia formativa do americano Stanley Keleman, criador da terapia somática formativa, que leva em consideração, entre outras coisas, a influência do corpo, da mente, da emoção e da sexualidade na nossa maneira de pensar e agir. Nessa entrevista, Sandra Taiar nos mostra passo a passo o que acontece conosco depois de um grande choque.



BF | Por que sentimos tanto medo do que é inesperado?
ST | Numa realidade em que nada permanece no mesmo lugar durante muito tempo, o desejo básico da maioria das pessoas é de estabilidade, continuidade e duração. Por exemplo: testemunhamos um número crescente de divórcios e separações, mas o sonho de muitas mulheres ainda é ter uma relação estável e duradoura, como as de antigamente. O mesmo acontece no mundo corporativo, onde o risco de uma demissão ou a descontinuidade de um trabalho O TEMPO FECHOU... E AGORA? está sempre presente. Resultado: quanto mais mudanças nos ameaçam, mais nos apegamos com unhas e dentes a tudo que acena com um mínimo de segurança. Ou seja, desejamos que a vida permaneça a mesma.

BF | Quais as consequências sociais dessa contradição entre o desejo de permanência e a realidade em constante transformação?
ST | Nesse mundo vertiginoso, não somos estimuladas a amadurecer respostas para as sucessivas crises e desafios que enfrentamos. Temos de estar sempre prontas para mudar e, para complicar, somos seduzidas continuamente por imagens idealizadas de perfeição e sucesso e por uma forte pressão por produtividade, sob pena de exclusão. Essa é a grande crise, o pânico de que a qualquer momento podemos ser excluídas e perder territórios conquistados. O medo do inesperado e a impossibilidade de assimilar as mudanças nos levam a situações crônicas de depressão, solidão, vazio e falta de sentido. Na tentativa de compensar o ritmo dessa sociedade, nos apegamos a valores tradicionais, que ainda nos dão a sensação de segurança, como o casamento, a estabilidade no emprego e os papéis femininos tradicionais. Talvez estejamos diante de uma sociedade de transição, que emerge de uma tradicional e estável para outra mais móvel e dinâmica.

BF | Por que é tão difícil aceitar a mudança repentina?
ST | Porque, em parte, precisamos da repetição, do previsível, pois assim construímos nossa estabilidade emocional, profissional, financeira e afetiva. Durante a primeira metade da vida, essencialmente, construímos essa estabilidade. Faz parte dessa fase competir, vencer, justamente com o objetivo de adquirir segurança. Ao mesmo tempo, formas muito rígidas nos asfixiam. Também precisamos do movimento, da mudança e da fluidez. Vivemos em busca de um equilíbrio entre esses dois aparentes paradoxos.

BF | O que acontece quando uma pessoa se vê diante de algo que causa um choque emocional?
ST | A resposta depende da maturidade, do quanto se consegue lidar com a situação ou ser machucado por ela. Ao mesmo tempo, um choque sempre dispara o mecanismo do susto, uma forma de proteção automática diante de situações de emergência, desenvolvida pelo ser humano ao longo da evolução. Diante do choque, de uma dor excessiva, temos três alternativas de atitudes. A primeira seria partir para um enfrentamento e ataque – endurecemos todo o corpo e bombeamos sangue para a parte superior, preparando-nos para lutar. Na segunda, a pessoa não se decide entre o ataque e a vontade de fugir, fica indecisa, sem ação ou tem atitudes conflitantes. Uma terceira atitude é o colapso total (desmaio) ou a fuga, assumindo que somos incapazes de enfrentar a situação. Essas respostas a momentos emergenciais são resultantes do nosso processo evolutivo – cada um de nós tem uma maneira quase padronizada de reagir: há os enfrentadores, os que ficam meio paralisados entre fugir ou enfrentar e há aqueles que preferencialmente decidem não enfrentar e fugir.

BF | A reação diante da mudança repentina depende muito do que a pessoa já vivenciou?
ST | Sim. Todos nós crescemos enfrentando desafios e ameaças. Um acontecimento que é vivido como assimilável por alguém pode ser pesado demais para outra pessoa. E a intensidade dessas agressões depende do momento em que ocorreram em nossa vida, de quantas vezes aconteceram, de onde partiram e de sua duração e gravidade. A reação tem a ver ainda com o tipo de apoio que se recebeu ou não. A ausência temporária dos pais, por exemplo, pode ser vivida como agressão para uma criança pequena e apenas como um desafio para uma criança maior. Uma crise financeira pode ser um estímulo a mudar, mas, se for muito intensa, também pode implicar perdas e desagregação familiar. Em geral, a tendência é repetir um mesmo tipo de reação diante dos choques. Se a repetição for mecânica e automática, porém, é sinal de que temos poucos recursos para encontrar saídas para desafios diferentes.

BF | As pessoas que nos servem de referência também influem no jeito como reagimos?
ST | Sim. A forma de reação das pessoas que representam referências importantes é que nos ajuda a construir respostas às crises. Se tivermos pessoas estruturadas na família, por exemplo, podemos nos fortalecer diante do imprevisto. Da mesma maneira, se já conseguimos superar com relativa facilidade outras mudanças bruscas no passado, essa capacidade também nos ajuda a vencer novos traumas. Quanto mais positivas forem as experiências anteriores e as referências de pessoas próximas diante de uma dor inesperada, mais fácil será a reação e a recuperação.

BF | Depois de um choque inicial, então, o que pode ocorrer?
ST | A resposta imediata é a investigação e o enfrentamento. São momentos em que escolhemos entre avançar ou recuar, enfrentar ou fugir, lutar ou ceder. Se o choque ou a agressão prossegue, podemos ficar excessivamente rígidos, buscando manter a integridade. Se a ameaça continuar, vem a dúvida: enfrentar ou voltar e fugir? O conflito, frequentemente, nos congela na posição de dúvida. Às vezes, a resposta é desistir de lutar, inclusive desmaiar, para diminuir a pressão interna. Essas formas de reação são emocionais e corporais e geralmente devem persistir apenas sob o impacto da emergência. Se elas não são superadas, podem se tornar comportamentos com efeito nefasto, limitando nossa capacidade de responder a outras crises.

BF | Por que algumas pessoas parecem anestesiadas com um choque? Muitas delas buscam viver depois como se nada tivesse acontecido...
ST | Às vezes, precisamos da anestesia para poder suportar uma dor muito forte. É um mecanismo de proteção, desenvolvido no processo de evolução. Porém, se a situação de anestesia se prolonga, se congela no tempo, e se a pessoa prossegue negando a situação desafiadora, então ela será afetada de modo mais extenso, se anestesiando e negando outras situações de vida, o que vai comprometer seu desenvolvimento. Por outro lado, se alguém se congela no estado de alerta extremo, pode se tornar permanentemente tenso, mesmo quando não há ameaça iminente. Quando o medo faz estancar o psiquismo num momento de resposta agressiva, o risco é que a pessoa reaja sempre com agressividade seja qual for a situação. E, nesses casos, o equilíbrio está comprometido, pois o que pode ser natural e aceitável diante de um grande susto passa a ser patológico e prejudicial quando se cristaliza ao longo do tempo. Todas essas respostas são organizadas no próprio corpo, modelando sentimentos, percepções e pensamentos que limitam nossa capacidade de aprender e evoluir diante de encontros e estímulos novos.

BF | O que pode favorecer o processo de descongelamento?ST | Toda mudança precisa de um tempo de maturação, seja ela o nascimento de uma flor, seja o culminar de uma idade, seja uma transformação no modo de viver. É muito difícil viver o fim prematuro e inesperado de um ciclo. Quando uma situação ou um ciclo acaba – ou seja, quando aquilo que era estável já não pode prosseguir ou não faz mais sentido – é preciso reconhecer que algo mudou definitivamente e que a vida não será a mesma. O reconhecimento de um fim é o primeiro passo para a mudança. A vida mudou e não adianta repetir o mesmo padrão. No processo de ending (finalização) – como Stanley Keleman chama o término de um ciclo –, depois da aceitação há um período de desmanche dos antigos padrões, fase extremamente necessária para encerrar uma etapa da vida. Passar de um casamento para outro quase imediatamente, por exemplo, pode significar que trocamos de parceiro apenas para reforçar nossas expectativas não realizadas com o parceiro anterior. Se não nos permitimos o tempo interno necessário para que os antigos padrões se reformulem, como abrir espaço para um novo começo? Não se pode evitar um tempo de luto, de despedida interna. É o que Keleman chama de plano intermediário, uma pausa solitária e curativa necessária para que novas conexões e possibilidades sejam gestadas dentro e fora de nós.

BF | Quando não há essa pausa, acabamos levando velhas formas para novas situações?ST | Sim. Precisamos de um tempo para voltar a pulsar de maneira plena, com energia suficiente para fazer frutificar novos movimentos, ideias ou formas de se relacionar. Quando deixamos um ciclo de fato se encerrar, sem pressa, conseguimos voltar à vida mais íntegras. A pausa faz surgir novos hábitos, encontros, jeitos de fazer as coisas, interesses, necessidades. É extremamente importante ter um tempo para cultivar e experimentar essas novas formas de viver, senão há risco de voltar ao antigo padrão, o que significa retroceder no processo de amadurecimento.

BF | Ao reagir, há algum modo de impedir que o jeito antigo predomine?
ST | Imagine a situação: alguém termina um namoro a duras penas e, quando está conseguindo esquecer, o ex-parceiro pede para voltar. A dificuldade é não saber o que fazer diante de uma situação que nos transporta de volta ao conhecido. Para evitar uma reação automática é preciso identificá-la e estar muito consciente dessa armadilha. Será que você cede fácil sob pressão? Será que fica confusa e não decide o que fazer? Ou logo desiste de mudar? Além de reconhecer o impulso que nos move quando ficamos entre assumir um novo desafio ou voltar ao conhecido, é preciso enxergar e alterar a imagem corporal que assumimos nesses momentos.

BF | Por que é preciso identificar a reação corporal nos momentos de desafio e decisão?
ST | Vamos supor que toda vez que um ex-namorado liga você fique confusa. Meu conselho é observar como o seu físico reage: o coração começa a bater forte? Você fica dividida entre continuar a conversa ou interromper? Se assim for, vai perceber que um lado do seu corpo vai para frente, enquanto outro vai para trás. A respiração pode ficar rápida, superficial: o peito afunda e estufa depressa, a nuca endurece, vem um aperto na garganta... O estômago pode se retrair ou a visão se turvar. Nesse estado, a mente já não pensa com clareza e então você responde o que o outro quer que você responda, e não o que você queria responder. É importante saber como o corpo reage para conseguir desacelerar essas reações físicas automáticas, um grande recurso para evitar comportamentos automáticos. Brecar esses processos automáticos lhe dá tempo de hesitar entre avançar ou recuar, o que significa uma oportunidade de entrar em conexão mais profunda com você mesma e só depois disso agir.

BF | Como se pode relaxar o corpo, livrá- lo do automatismo para obter esse tempo precioso?
ST | Concentrar a atenção na respiração é o caminho para relaxar a tensão muscular, o diafragma, desfazendo a rigidez da coluna e da nuca. Respire, respire, sem pressa. Aos poucos, você vai voltando a sentir os pés no chão, o coração mais ritmado, o fôlego de volta ao normal. Um corpo relaxado ajuda a recobrar a consciência e o controle emocional. Daí, você estará pronta para decidir o que de fato quer. Ao praticar essa desaceleração, recupera-se a chance inestimável de responder de acordo com o que realmente se deseja.



Fonte: Revista Bons Fluidos - Dezembro 2009
http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0129/02/o-tempo-fechou-pag-03.shtml

CABALA: manual de instrução da vida - (Luciana Giammarino)


Quando recebi um telefonema da BONS FLUIDOS num final de tarde corrido me dando duas semanas para aprender os passos básicos da Cabala e contar sobre minha experiência nesta matéria, aceitei o desafio sem medo. Confesso que, até então, não sabia praticamente nada sobre o assunto. A não ser que a cantora pop Madonna era adepta. Imaginava ser apenas mais uma entre tantas técnicas esotéricas que pretendem tornar o dia a dia mais fácil. Cheguei a pensar que tivesse a ver com atrair dinheiro, amor ou boas energias. Nada contra essas ferramentas, pois, pessoalmente, até faço uso de algumas delas de vez em quando, mas essa não é a natureza da Cabala. Foi o que descobri logo que comecei minha busca por informações com fontes realmente entendedoras desse conhecimento.

Cabala – ou Kabbalah, em hebraico – é uma sabedoria que explica a origem espiritual do mundo, do ser humano e de tudo o que existe, nos ajuda a entender as leis que regem o Universo e contém as respostas para nossos questionamentos. Ao ouvir essa definição da professora de Cabala Jane Ribeiro, de São Paulo, mas que dá cursos sobre o assunto em todo o Brasil, senti que estava prestes a conhecer uma espécie de “manual de instrução” da vida. Aquele que tanto procuramos, especialmente em momentos difíceis, quando nos questionamos: O que eu estou fazendo aqui? Qual é o sentido de tudo isso? Por que comigo? Fora as clássicas perguntas que nos fazemos desde crianças e que também movem os filósofos ao longo dos séculos: De onde viemos? Para onde vamos? Qual é o propósito da vida? Deus existe? Por que algumas pessoas são ricas e outras pobres? Qual é a minha missão? Para Jane, a Cabala é o caminho daqueles que querem resgatar a felicidade. “Todos nós temos em comum o desejo de ser feliz. No entanto, se não conhecemos as regras do jogo, agimos por tentativa e erro e acabamos sofrendo”, me disse a professora. Apesar de existir desde a criação do mundo, esse conhecimento ficou restrito a alguns cabalistas, por séculos.

INSPIRAÇÃO DIVINA
Segundo a tradição judaica, Abraão, o Patriarca dos hebreus, teria sido o primeiro ser humano a receber de Deus a sabedoria da Cabala. O rabino israelense Joseph Saltoun, que hoje vive no Canadá e veio recentemente a São Paulo, me contou que Abraão foi a primeira pessoa a trazer ao planeta Terra a consciência de que o mundo físico estaria conectado a uma dimensão espiritual. Apesar de seu conhecimento ter sido transmitido, por muito tempo, oralmente, o pai do povo hebreu deixou algumas informações escritas, em hebraico, que ficaram conhecidas como Sefer Yetzirah, ou O Livro da Formação. Esse documento reunia todas as chaves, ou códigos de acesso à sabedoria divina. Ainda que lêssemos a tradução mais conhecida desse material, em inglês, do autor Aryeh Kaplan, sozinhas não seríamos capazes de compreender exatamente o que todas aquelas palavras querem dizer. Cada termo utilizado para se referir à Cabala é um código, desvendado por cabalistas e transmitido pelos professores a quem se interessar por estudá-lo. Isso porque a Cabala fala de uma dimensão espiritual que as palavras humanas, tão limitadas, não seriam capazes de explicar literalmente.

Na medida em que essa sabedoria foi passada adiante, sofreu algumas variações de interpretação que levaram o estudo da Cabala a se ramificar em diferentes vertentes. Às vezes, há divergências de entendimento entre pessoas que seguem uma mesma linha. Quando quis saber qual era a verdadeira Cabala ou a mais ensinada atualmente, Jane Ribeiro me tranquilizou: não há uma linha mais famosa e nem mesmo uma que seja “mais correta”. A diferença entre elas está na metodologia de ensino e na linhagem dos mestres seguidos pelo professor. O que me deixou aliviada foi ouvir de todos os meus entrevistados que “a verdade é uma só”, ou seja, todas as linhas estão falando sobre o mesmo “manual de instruções”, que é divino, único e está além de qualquer interpretação humana. Portanto, cabe a cada estudante de Cabala observar se o método de seu professor faz sentido para si.

Jane Ribeiro, o rabino Joseph e a coordenadora do grupo de estudos de Mística Judaica da Comunidade Shalom, em São Paulo, Rachel Reichhardt, seguem os ensinamentos dos discípulos de Isaac Luria, um cabalista que viveu no século 16 e deu origem à linha luriânica. Já naquela época, ele tentou mudar a percepção de que a Cabala deveria ser restrita. Sua intenção era abrir esse conhecimento para todos, o que só aconteceu centenas de anos mais tarde. No início do século 20, foi construída a primeira escola de Cabala, em Jerusalém, pelo rabino Yehuda Ashlag e, há mais de trinta anos, The Kabbalah Centre é dirigido pelo rabino Philip Berg e sua mulher, que se dedicam a disseminar essa sabedoria ao mundo.

Nem sempre foi assim. Muitos cabalistas foram duramente perseguidos ao longo da história, pelo fato de contrariarem os interesses das classes dominantes. Rachel Reichhardt me contou que, por muitos séculos, também se considerou que apenas homens, judeus, com mais de 40 anos, casados e com filhos poderiam estudar Cabala. Para a tradição judaica, somente aqueles que tivessem os pés no chão, com uma série de preocupações relativas a este mundo físico, seriam capazes de fazer uma conexão com a verdade do universo espiritual. As mulheres teriam uma tendência maior de se perder nesse conhecimento e deixar de se importar com as questões do mundo material. E esse não seria o propósito divino, já que os humanos são seres físicos e precisam aprender com essa experiência terrena. Hoje, qualquer pessoa, independentemente de sexo, nacionalidade, etnia ou religião, e mesmo sem conhecer hebraico, pode não somente aprender Cabala, como também ser preparada por um rabino cabalista para se tornar um professor. Por isso mesmo, algumas escolas têm, inclusive, aulas de Cabala especiais para crianças.

Enquanto ouvia todas essas informações práticas, minha ansiedade apenas aumentava. Mal podia esperar para saber, finalmente, como o mundo funciona e o que os seres humanos estão fazendo aqui. É claro que não obtive todas as respostas, mas a maneira como a Cabala explica a origem do mundo e a missão dos seres humanos mexeu comigo. Ainda que nada disso faça sentido para muita gente, não dá para negar que é, ao menos, uma bela história.

COMO TUDO COMEÇOU
A explicação da origem do Universo se resume a dois personagens: a Luz e o Recipiente. Num dado momento, a Luz, que é puro amor infinito, sentiu vontade de compartilhar todo aquele amor e criou o Recipiente, apenas para receber o que ela tinha a oferecer, numa união perfeita. Só que, um dia, de tanto receber amor, o Recipiente começou a absorver as características da própria Luz e também sentiu necessidade de compartilhar. Como a Luz não podia receber do Reci- piente, este começou a se sentir inferior e, usando de seu livre arbítrio, se separou da Luz e criou o seu próprio mundo, finito. Para a Cabala, esse é o instante que os cientistas definem como Big Bang, a criação do Universo a partir de uma gigante concentração de matéria e energia em um único ponto.

Para a Cabala, os seres humanos são descendentes diretos do Recipiente e, portanto, essencialmente recebedores. Isso explica a imensa dificuldade de doar e compartilhar e o desejo de sempre receber. Basta observar as crianças. Antes de elas aprenderem a dividir com os amigos, são naturalmente egoístas e querem tudo para si. Faz parte da essência humana.

No fundo, não há nada de errado com o fato de desejarmos bens materiais e não-materiais. A grande questão é o propósito com que pedimos e o que fazemos com o que conquistamos. Nosso grande desafio no mundo da matéria é aprender a transformar o egoísmo extremo em que vivemos hoje – e que gera uma série de conflitos internos e externos – num ato de receber para compartilhar amor, alegria, bondade, tempo, saúde e conhecimento. Exatamente como desejava o Recipiente, no momento em que se separou da Luz.

DA TEORIA À PRÁTICA
A sabedoria da Cabala é ampla e vai muito além da explicação sobre a criação do mundo e do ser humano, envolvendo mais uma infinidade de assuntos que não caberiam nem em uma edição inteira da BONS FLUIDOS dedicada ao tema. Isso sem falar nas diversas ferramentas que nos ajudam a adquirir mais consciência sobre as questões divinas, tais como a astrologia e a numerologia cabalísticas, as meditações baseadas em mantras e letras hebraicas.

O encantamento de quem estuda Cabala é algo, no mínimo, curioso. As pessoas que entrevistei foram unânimes em dizer que, depois que entraram em contato com esse conhecimento, assumiram uma nova postura diante da vida e passaram a agir de maneira mais consciente, evitando fazer tudo no automático, como estamos acostumados. Eu poderia resumir todas as exclamações que ouvi em três benefícios principais: 1. a Cabala nos dá um sentimento de pertença ao Universo e nos ajuda a entender que somos parte de um todo maior. Portanto, tudo o que fazemos influencia essa totalidade; 2. tudo no Universo é uma questão de causa e efeito, o que nos estimula a assumir a responsabilidade sobre nossa própria vida, em vez de permanecermos com o costumeiro discurso de vítimas do mundo; 3. quando compartilhamos de coração aberto, a sensação não é a de que estamos perdendo o que temos, mas de que multiplicamos a alegria e o prazer da troca.

Se o que você leu aqui despertou seu interesse pelo assunto, o melhor é procurar por um curso básico de Cabala. Normalmente, eles são divididos em módulos e trabalham alguns aspectos de cada vez. As aulas costumam ser semanais ou mensais, mas não há regras para isso. Se preferir, comece assistindo a uma palestra ou lendo um livro. Para aprender Cabala, não é preciso ter nenhum outro conhecimento prévio e nem mesmo crença religiosa. Jane Ribeiro apenas alerta para que nos livremos de qualquer preconceito antes de iniciarmos a busca por essa sabedoria. É que, enquanto as religiões mostram apenas um ângulo para se entender as questões relacionadas aos seres humanos e restringem a verdade a uma única interpretação, a Cabala nos mostra que todos os ângulos fazem parte da mesma sabedoria divina. Ah! Uma última dica, não tenha pressa em desvendar todos os mistérios do Universo. Quanto tempo alguém demora para estudar a Cabala? Foi exatamente isso que perguntei à Rachel Reichhardt. Ela me respondeu com outra pergunta: Quantos anos você vai viver?

Fonte: Revista Bons Fluidos; dezembro 2009
http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0129/04/01.shtml

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Tantra e os Yogas - (Entrevista com Pedro Kupfer)


1) Por que a palavra Tantra está tão relacionada a sexo e libertinagem?
Por causa dos valores sexistas, hipócritas e distorcidos da nossa sociedade em relação à sexualidade. A civilização judaico-cristã é obsessionada com o sexo e incapaz de toma-lo como algo espontâneo ou natural. Uma prova clara disso é a invasão de imagens com forte apelo sexual nas capas das revistas, seja para vender produtos de beleza, seja para vender carros ou o que for. Outra prova é o fato que alguns autodenominados 'mestres' de 'Tantra', 'Yoga sexual' ou assemelhados fazem sucesso prometendo orgasmos infindáveis e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso.

Tantra é o nome de um vasto leque de ensinamentos práticos que têm como objetivo expandir a consciência e libertar a energia primal do ser humano, chamada kundaliní. O princípio comum a todos os caminhos práticos do Tantra é que as experiências do mundo material podem usar-se como alavanca para conquistar a iluminação, já que o este é a manifestação de uma outra realidade, sutil e superior, que está conectada com a nossa própria natureza.
Neste contexto, a visão do Tantra associada ao êxtase sexual é pateticamente superficial e parcial, se comparada com a verdadeira tradição. O Tantra não é hedonista nem orgiástico. O objetivo do Tantra é o despertar da força potencial no homem, e isso não é uma tarefa fácil nem que se possa conquistar dando prazer aos sentidos ou alimentando a sexo-dependência.

2) É correto dizermos que alguns conceitos foram distorcidos ao longo do tempo?
Não creio que essa tenha sido uma distorção temporal, mas cultural, que aconteceu aqui no Ocidente quando esses ensinamentos sagrados mudaram de contexto, embora hoje em dia haja distorção destes ensinamentos também na Índia. Ao tirar esse tipo de prática do seu contexto original para adaptá-la ao gosto ocidental, se corre o perigo de reduzir a busca da própria essência a um artigo de consumo, um "produto". Surgem assim adaptações, versões diluídas, para tornar o produto mais palatável e, conseqüentemente, mais vendável.

3) Qual é a origem do Yoga tântrico?
O Tantra é herança e patrimônio da cultura dos rios Indo e Saraswatí, no norte do sub-continente indiano, onde nasceram igualmente o Yoga e o hinduísmo. O culto da Grande Mãe está presente na Índia desde o neolítico (8000 a.C.), mas os mesmos símbolos que o tantrismo utiliza hoje remontam ao paleolítico (20000 a.C.) e estiveram sempre presentes ao longo do continente eurasiano.

O Yoga tântrico assimilou e organizou os rituais da Deusa Mãe, transformando-os num método de emancipação que busca na psique humana a manifestação da própria força da Shaktí. Este movimento teve uma forte influência sobre a religião, a ética, a arte e a literatura indianas, havendo ressurgido com inusitada força entre 400 e 600 d.C., quando chegou a transformar-se numa moda que acabou por influenciar nos modos de pensar e agir da sociedade indiana medieval. Aqui ela se afirma, populariza e estende ainda mais, dando origem a um grande número de correntes e manifestações filosóficas, religiosas, mágicas e artísticas, algumas antagônicas.

4) Existem diferentes tipos de Yoga. Existe um melhor do que o outro?
A modalidade de Yoga escolhida por cada um de nós deve estar em função das nossas expectativas e necessidades. Diferentes formas de Yoga não dão os mesmos resultados com as mesmas pessoas e não há consenso sobre o que deveria ser ensinado em uma aula de Yoga.

Entretanto, é preciso frisar que não existe um Yoga superior, mais completo ou melhor que os demais. Se um professor de Yoga afirmar o contrário, dizendo por exemplo "o meu Yoga é o melhor do mundo", estará se colocando numa postura que fere e ética do sistema e confessando explicitamente que não entendeu uma das partes mais importantes da filosofia, que é a necessidade de respeitar o Dharma, a justiça divina.

Cada método se adapta melhor para objetivos diferentes. O melhor Yoga é aquele que funciona para você, que satisfaz suas necessidades e preenche suas expectativas, sejam elas quais forem. É questão de procurar até achar algo que lhe satisfaça.

5) Poderia descrever brevemente os principais tipos de Yoga?
Vou dar uma lista incompleta, pois seria impossível enumerar todos os Yoga existentes neste espaço limitado. Há muitos métodos diferentes de chegar no objetivo final do Yoga, que é o estado de união consigo mesmo e com a alma cósmica.

Dos sistemas de Yoga que utilizam abordagens físicas, os métodos mais populares no nosso país são o Hatha Yoga, a Yogaterapia, o Ashtanga Vinyasa Yoga e o Iyengar Yoga.

O Hatha Yoga tradicional é sem dúvida o mais difundido e praticado, por ser o que chegou primeiro aqui, nos anos 50, dando origem inclusive a alguns tipos de Yoga que foram criados aqui mesmo no Brasil e que não possuem nenhuma conexão com as tradições filosóficas da Índia.

O Ashtanga Vinyasa Yoga, o Iyengar Yoga, a Yogaterapia e o Power Yoga chegaram muito mais recentemente, mas estão conquistando seu espaço na preferência dos brasileiros, despertando interesse em outros segmentos da sociedade que os originalmente interessados no Hatha Yoga.

Se estiver procurando uma atividade desafiante e energética, onde possa explorar e extrapolar seus limites físicos através de uma malhação consciente, o Ashtanga Vinyasa Yoga, o Iyengar Yoga ou o Power Yoga podem ser extremadamente exigentes, adequadas para atletas e pessoas que gostem de trabalhar o corpo com disciplina e intensidade.

Se for o caso de usar Yogaterapia por indicação médica, se recomendam uma ou duas sessões diárias de exercícios específicos que incluam ásana, pranayama e yoganidra, bem como aconselhamento alimentar. O professor neste caso precisa ter muito estudo e experiência no assunto. Há professores que preferem negar os efeitos terapêuticos do Yoga, o que é muito mais fácil que estudá-los.

Existem muitas outras modalidades que não trabalham o corpo, como o Mantra Yoga, que investiga os efeitos dos sons e das vibrações sutis sobre a consciência; o Bhakti Yoga ou Yoga devocional, conhecido principalmente através do movimento Hare Krishna; o Raja Yoga, que dá muita mais ênfase à prática da meditação; e outros sistemas que visam a atingir o estado de comunhão através de exercícios de auto-reflexão e discriminação, como o Jñana Yoga ou de rituais, como algumas formas ortodoxas de Tantra Yoga.

6) Na sua opinião, como a prática do Yoga vem evoluindo ao longo do tempo?
O Yoga é inerente ao ser humano e permanece sempre vivo na memória coletiva da Humanidade. Sabemos que as crianças fazem espontaneamente técnicas de Yoga, sempre como brincadeira, sempre de forma instintiva. Isto, porque ele faz parte da nossa essência. O Yoga nasce a partir da compreensão das manifestações externas da natureza e suas influências subjetivas sobre a consciência humana.

Durante o processo histórico de formação do Yoga, que durou milênios, foram acrescentando-se novas técnicas, experiências e constatações das sucessivas gerações de praticantes, que por momentos o enriquecem e refinam com novos achados mas às vezes o rebaixam quando, por exemplo, passam a incorporar a pequena magia popular.

Entretanto, por mais que mudem alguns dos seus conteúdos durante essa travessia, a essência do Yoga continua sempre a mesma: mágica, imutável e atemporal. A mensagem do primeiro praticante, atravessando as gerações, continua sendo válida para nós, homens do século XXI.

7) Quais os benefícios que o Yoga pode trazer para seus praticantes?
O Yoga pode literalmente dar uma vida nova a quem o pratica. Através das práticas físicas, adquire-se um corpo novo, mais saudável e flexível, que possibilitará ter uma vida mais longa e com mais qualidade de vida. Adquirindo a capacidade de relaxar, podemos observar o mundo com mais objetividade e sermos mais justos em todas as situações que a vida nos coloca. A prática da meditação é o martelo que destrói a ignorância real, que é a incapacidade de responder perguntas como 'quem sou eu?' ou 'o que estou fazendo nesta vida?'

8) Há quanto tempo você pratica? Como o Yoga influenciou e influencia sua vida?
Pratico há 19 anos. Comecei no Uruguai quanto tinha 16 anos de idade e nunca mais parei. Desde o início percebi que a capacidade de transformação do Yoga poderia me ajudar e ajudar as pessoas a terem uma vida mais feliz e saudável. Vejo a prática mais como uma forma de vida, uma atividade que permeia as 24 horas do meu dia, do que uma série de exercícios que se fazem algumas vezes por semana dentro de uma sala fechada.

O Yoga tem a ver com estar presente em todas as experiências de vida, receptivo e atento para poder realizar o propósito supremo da existência que é desenvolver a natureza divinal no homem. Esse processo de 'divinização' do ser humano inclui uma visão do mundo em que o yogi enxerga o conjunto da sociedade humana como uma única família. Portanto, implica que o praticante fará alguma coisa para melhorar as condições de vida dos seus semelhantes no lugar onde ele mora. Pessoalmente, acredito que é importante reciclar o lixo humano que a sociedade descartou. Para realizar este ideal, dou aulas no presídio masculino da minha cidade, Florianópolis.



Fonte: http://www.yoga.pro.br/