quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Jornada Natural do Amor - (Qala Sri'ama - Fonte: A Grande Fraternidade Branca Universal)


"Orações muito sinceras são expressas pelos nossos corações, e algumas vezes podemos imaginar por que as nossas orações parecem que não são atendidas em nossas vidas, por que a vida pode ser difícil e até conduzir a um intenso sofrimento, ou podemos simplesmente imaginar por que os nossos amigos e a família experienciam isto em suas vidas. Eu desejo trazer alguma compreensão esclarecedora aos seus corações e almas em relação a isto, assim vocês poderão se sentir mais capacitados em sua vida diária, e serem capazes de trabalhar com as leis universais da vida, para que não apenas traga mais amor e bem estar a si mesmos, mas a todos com os quais se preocupam, e a todos em nosso maravilhoso mundo.

Isto começa verdadeiramente com os nossos corações, como todos vocês sabem, pois o pedido puro do nosso coração é sempre ouvido pelo universo e sempre atendido de acordo com a lei universal. As leis da vida facilitam isto para nós, mas o mais importante é que os nossos corações nem sempre estão suficientemente abertos para recebermos tudo o que o universo deseja trazer para as nossas vidas... em resposta as nossas puras orações do coração e as nossas necessidades mais profundas.

Na verdade, quanto mais o seu coração clama e clama verdadeiramente com amor, a resposta maior é do universo... mas, o que é um Pedido do Coração e o que é uma Oração e o que é uma Solicitação da Mente? Qual é a diferença entre estas formas de solicitar? vocês podem perguntar... É a exploração do nosso coração que cria um pedido do coração ao universo... é um sentimento amoroso mantido em nossos corações que cria a verdadeira oração oferecida ao universo...e freqüentemente são os desejos e vontades de nossas mentes na presença da não conexão do coração ou transferência do amor, que criam uma solicitação mental, amado.

Em outras palavras, o poder de enviar através do universo, nossos desejos, sonhos, é mantido no poder do nosso coração e não do centro de nossas mentes, e isto é porque freqüentemente parece que não somos sempre apoiados universamente em nossas vidas. O poder de nossas interações, orações e pedidos por auxílio é inflamado pela presença do amor, pois o sinal do mensageiro do amor é o que cria todas as manifestações holísticas em sua vida. É o amor que vocês emanam que atrai o auxílio amoroso do universo dos seus pedidos e intenções de vida e é a conexão do seu coração com o amor dentro de vocês, que os inflama a começar a receber o apoio do banco universal da abundância. Vocês pedem com amor, ou esperam que os outros e o mundo proporcionem para vocês, amados?

Esta é a razão, algumas coisas que são pretendidas na vida, ocorrem realmente com o auxílio universal e com facilidade, e outras não. Não é o julgamento de vocês do universo, ou o julgamento de vocês do Espírito/Deus... é simplesmente a bioquímica do seu centro emocional, seus eus mentais e físicos que não estão alinhados e unidos com a mesma intenção, ou o seu amor que não está se irradiando do centro do seu coração, quando vocês oram ou colocam as suas intenções de vida. Há um campo de energia passando através de vocês, que se expande em unidade com o campo universal da vida e este campo se expande e cresce, somente através da transferência do amor.

De fato, é da natureza de todos nós reconhecermos que tudo está disponível a todos os seres aqui... que todos nós temos um potencial ilimitado em nossas vidas e que é realmente a conexão do nosso coração que é a fonte de todas as experiências maravilhosas que podemos ter em nossas vidas... este é o próximo passo para todos nós em nossa evolução como seres humanos... e esta conexão do coração é também a nossa única resposta, assim toda a humanidade pode começar a receber a graça divina disponível, pois precisamos resolver todos os nossos problemas pessoais e mundiais com facilidade e graça. Para a paz planetária, nós precisamos de um número suficiente de almas sinceras, vivendo em unidade, apoiando o equilíbrio de nosso mundo, assim, lembrem-se amados, não fiquem desorientados no que parecem ser problemas em sua vida. Concentrem-se nas coisas mais importantes na vida - o amor que vocês compartilham e criem a paz como a sua prioridade e tudo o mais começará a fluir mais facilmente. Vocês são muito importantes neste mundo e a satisfação do seu coração é a solução para todos nós vivenciarmos a paz planetária.

Para que haja a mudança que vocês desejam ver em seu mundo, amados, simplesmente tragam a sua consciência a cada dia, nos modos mais sutis... quando o seu coração estiver aberto e quando vocês estiverem verdadeiramente entregues sem expectativas e ligações e, portanto, nutrindo a sua vida e as experiências com amor...e quando o seu coração não estiver totalmente aberto, amados, e vocês estiverem compartilhando uma versão mais limitada de si mesmos e experienciando mais limitação por causa disto. Aceitem isto, e simplesmente escolham nestes momentos aprender a se reunir com o poder do seu coração mais profundamente, sem julgarem isto.

Simplesmente em todos estes momentos de consciência, lembrem-se da beleza e do poder do seu próprio coração, como a força da criação para a sua jornada do amor na vida e se vocês se desassociaram disto, escolham retornar a ela e vocês retornarão à jornada do amor, que mantém o poder do seu verdadeiro destino e da experiência da unidade dentro dela. Quando vocês escolherem retornar ao seu coração, todos os poderes do universo se concentrarão em vocês para auxiliá-los na Jornada do Amor. Esta é a lei do amor. Vocês o inflamam através da simples escolha de retornar ao seu coração e ao poder do seu amor!

Eu os abençôo e lhes envio todo o meu amor

Honrando a sua Divindade

Qala Sri'ama


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A Jornada da Beleza - Sua Jornada de Unidade com o Universo

O simples ensinamento e prática diária que se seguem é para vocês apreciarem! Um presente do Espírito, em honra da sua divindade que os ajudará a se alinharem ao caminho da descoberta do seu fluxo da unidade universal na vida. Esta liberdade no fluxo da conexão universal foi conhecida pelos antigos e em muitos ensinamentos tradicionais da Terra, como a Jornada da Beleza. Comecem a re-alinhar gentilmente a sua vida diária para criar a jornada da sua vida, para que seja maravilhosa nesta vida!

O Primeiro ensinamento da Jornada da Beleza

A energia universal segue cada pensamento e intenção sua quando o seu chacra cardíaco está aberto. A sua conexão universal está aberta, quando o seu coração está aberto. Em outras palavras, cada pensamento e palavra sua são manifestados através do poder do universo quando o seu coração está aberto. Quando o seu chacra cardíaco não está aberto, cada pensamento e palavra sua, mantêm a limitação e a sua conexão universal é limitada. Quando o seu chacra do coração não está aberto, a sua habilidade em atrair o que você precisa e criar o que você deseja criar, é limitada. Quando o seu chacra do coração não está aberto, você vive com as memórias do seu karma e tudo o que é o seu passado e a sua mente projeta os pensamentos baseados em seu passado e não em sua realidade Presente.

Quando você reconhece que o seu chacra do coração não está aberto, você pode mudar isto em um momento, através da reconexão do coração, e enquanto o universo mantém o poder da unidade e do amor para você, ele o abençoará e o apoiará... você será apoiado para retornar ao seu coração e dar o primeiro passo em sua jornada com beleza – re-conectando-se com a Presença inata dentro de você. "O Maravilhoso ou Divino você", iluminará mais intensamente, enquanto o universo o apóia na vida para que seja quem você é, manifestado e centralizado do âmago do seu coração. Este é o poder do seu coração para centralizá-lo e uni-lo com a Presença Divina de sua alma e com o Coração Universal ou com a Presença da Criação dentro de toda a vida.

Um Simples processo de cinco passos de modo que você possa começar a DESENVOLVER a ENERGIA DO seu CORAÇÃO

Passo Um: LEMBRE-SE DE QUE O SEU CORAÇÃO JÁ MANTEM TODO O AMOR E A ENERGIA DIVINA QUE VOCÊ PRECISA PARA A SUA VIDA - POIS VOCÊ NASCEU COM ISTO - Lembre-se simplesmente de que quando criança, você nasceu com um imenso coração que era totalmente aberto e transbordante com toda a energia do coração que você precisaria para toda a sua vida. Esta energia divina está ainda com você e é mantida dentro do seu coração e capaz de ser acessada a cada momento que você abre o seu coração quando escolhe confiar no amor e na jornada da vida. Tudo o que você precisa lhe foi dado antes do seu nascimento e o seu coração mantém isto agora, aguardando simplesmente que você faça uma reconexão ou conexão mais profunda com ele.

Passo Dois: SEU CORAÇÃO CRESCE QUANDO VOCÊ PERMITE QUE O OUTRO LHE ABRACE E VOCÊ RECEBE O SEU AMOR

A cada vez que você abraça outra pessoa e permite que o seu coração seja aberto neste momento, uma troca ocorre através do contato físico e do contato da alma que você faz. Esta troca inflama uma recordação de que você não está sozinho na vida, que realmente você compartilha a unidade com outros... e é isto que em segundo lugar que apóia que o seu coração seja aberto e comece a atrair amor para ele... Quando nós experienciamos um sentimento de unidade com outras pessoas e permitimos que elas nos toquem e nos amem, e nos abrimos para receber delas ( mesmo que seja apenas por um minuto), a energia do nosso coração cresce após este momento.

Passo Três: SEU CORAÇÃO CRESCE QUANDO VOCÊ DOA ALGO QUE VOCÊ AMA - A cada vez que você doa algo a outra pessoa, que você ama, seu coração cresce com mais poder na energia do seu coração, simplesmente através do ciclo de dar e receber... você dá o que você ama...cria para receber o que você ama... e o amor flui através do seu dar e receber. A cada vez que o seu coração o orienta para doar algo que você ama, e você mantém isto atado, o seu coração forma ligações baseadas no medo e isto cria limitações a sua doação e receptividade. Aprenda a confiar em seu coração quando ele anseia por doar algo que você ama e aceite que isto é o mais nobre para você e para a outra pessoa. Isto levará o seu coração a crescer e você será livre na vida.

Passo Quatro: SEU CORAÇÃO CRESCE QUANDO VOCÊ PERMITE QUE OS OUTROS LHE DÊEM ALGO QUE ELES AMAM OU QUE ELES SABEM QUE VOCÊ AMA

Similarmente, quando você dá, você precisará receber. Receber de outros que desejam lhe dar é tão importante como doar algo que você ama, amado... A troca não é baseada em alguns indivíduos... Por exemplo, você deu a uma pessoa específica, assim você deve receber desta pessoa, pois a troca é universal... Você pode nunca receber algo novamente da pessoa... ou algo que até precise... mas alguém completamente diferente pode ser guiado pelo seu Coração para lhe dar... Receber isto e aceitar isto é uma parte muito importante do desenvolvimento do seu coração.

Passo Cinco: SEU CORAÇÃO CRESCE QUANDO VOCÊ ACEITA PLENAMENTE A FONTE DE AMOR DENTRO DE VOCÊ E FAZ ESCOLHAS EM SUA VIDA COM A CONSCIÊNCIA DE QUE O UNIVERSO O ESTÁ APOIANDO, POIS VOCÊ É AMADO PELO UNIVERSO.

A cada vez que você se lembra de que não está sozinho, e que na verdade você é uno com toda a vida... você se aproxima um pouco mais da verdade iluminada que cria a energia do seu coração, para que esteja sempre transbordando de amor e luz. Esta verdade é muito simples, mas tem exigido dos profetas, sábios e iogues, muitos anos de dedicação à prática espiritual para incorporar como sua realidade consciente - em outras palavras, incorporar através de todos os aspectos de sua consciência. Esta verdade parece muito fácil de compreender, mas para se lembrar conscientemente dela, ou viver na compreensão dela e fazer escolhas a partir dela, requer, como todos nós sabemos, a escolha poderosa para se amar incondicionalmente e a todos os outros que você encontra a cada dia. Se você aproveitar o tempo para se mover de um espaço de não conexão com o coração para um espaço de conexão com o coração, você se amará, você será capaz de reconhecer esta verdade sagrada como a sua realidade.

Quando você reconhece esta verdade sagrada, o amor guardado dentro de você transborda do seu coração e é continuamente originado do seu interior e você se torna uma força de amor mais autoconfiante no Universo. Qualquer pensamento no dia pode ser alinhado com esta verdade simplesmente lembrando-se dos sábios, iogues, mestres, seres iluminados que percorreram o caminho de inflamar os seus corações e a conexão divina com o universo e a Presença Sagrada do Amor, pois eles capacitarão que o seu campo e a energia entrem em uma expansão mais profunda do coração. Isto também ocorrerá, honrando que todas as pessoas e seres são Unos e a verdade de que estamos sempre conectados na Unidade. Para auxiliar a expansão e abertura do seu coração, diga simplesmente o seguinte: "Eu sou um oceano de amor. Eu inflamo a fonte dentro do meu coração e peço ao universo que expanda isto para mim agora."



©Qala Sri'ama Phoenix, 2008

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©Qala Sri'ama Phoenix, 2008

Tradução: Regina Drumond - reginamadrumond@yahoo.com.br

Pedro Coelho
http://www.luzdegaia.org/

Você vem ao mundo sem coisa alguma ... - (Osho)


Você vem ao mundo sem coisa alguma. Assim, uma coisa é certa: nada lhe pertence. Você vem absolutamente despido, porém com ilusões. É por isso que toda criança nasce com as mãos fechadas, cerradas, acreditando que está trazendo tesouros, e aqueles punhos estão vazios.
E todos morrem com as mãos abertas. Tente morrer com as mãos cerradas, até o momento ninguém conseguiu. Ou tente nascer com as mãos abertas, ninguém conseguiu também.
Nada lhe pertence, então você está preocupado com qual insegurança? Nada pode ser roubado, nada pode ser tirado de você.
Tudo o que você está usando pertence ao mundo. E um dia você terá que deixar tudo aqui. Você não será capaz de levar coisa alguma com você. “Será que estou no caminho certo?”
As indicações de que você está no caminho certo são muito simples:
a) Suas tensões começam a desaparecer.
b) Você fica mais e mais senhor de si. Mais e mais calmo.
c) Encontrará beleza em coisas que jamais concebeu pudessem ser belas.
d) As menores coisas começarão a ter imenso significado.
e) O mundo inteiro se tornará mais e mais misterioso a cada dia.
f) Você se tornará menos e menos culto e mais e mais inocente como uma criança correndo atrás de borboletas, ou pegando conchas do mar numa praia.
g) Você sentirá a vida não como um problema, mas como uma dádiva, uma benção, uma graça.
Essas indicações crescerão continuamente se você estiver na pista certa. Não dependa de nada para ser feliz.
Você tem a VIDA!

(Osho no livro “Mais Pepitas de Ouro”)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

"O rio passa ..." - (Osho)


"O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água...
e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore.
A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão,
e o rio segue em frente. O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente.
E a árvore empresta o seu perfume ao vento... Se a humanidade crescesse,
amadurecesse, essa seria a maneira de amar."
(Osho)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Deve ser - (Jorge Vercilo)


Deve ser
uma ilha descoberta em mim
um sinal de que seria assim
começar gostar de ti

Deve ser
um princípio de fascinação
o poder de uma revolução
ser tocado por você

Porque foi assim
como a primavera
para quem dorme do seu lado

Porque foi para mim
Toda fantasia
faz espelho nos seus lábios

Deve ser
como de repente
o céu se abrir
Como ver o que eu
não percebi
começar gostar de ti

Deve ser
ser agraciado e não saber
Nem imaginava merecer
ser amado por você

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Unicidade - Além da superioridade e da inferioridade - (Osho)


"Todo ser humano é único. Não há nenhuma questão de alguém superior ou inferior. Sim, as pessoas são diferentes.
Deixem-me lembrá-los de uma coisa; senão vocês me entenderão mal. Eu não estou dizendo que todo mundo é igual. Ninguém é superior, ninguém é inferior, mas ninguém também é igual. As pessoas são simplesmente únicas, incomparáveis. Você é você, eu sou eu. Eu tenho que contribuir com meu potencial para a vida, você tem que contribuir com seu potencial para a vida. Eu tenho que descobrir meu próprio ser, você tem que descobrir seu próprio ser.



Quando inferioridade desaparece, todo sentimento de superioridade também desaparece. Eles vivem juntos, não podem ser separados. O homem que se sente superior ainda está sentindo-se inferior de algum modo. O homem que se sente inferior quer se sentir superior de alguma maneira. Eles chegam num par; eles estão sempre juntos; não podem ficar separados.

Aconteceu... Um homem muito arrogante, um guerreiro, um samurai, veio ver um mestre Zen. O samurai era muito famoso, muito conhecido por todo o país, mas olhando para o mestre, olhando para a beleza do mestre e na graça do momento, ele subitamente sentiu-se inferior. Talvez ele tenha vindo com um desejo inconsciente de provar sua superioridade. Ele disse ao mestre “Porque estou me sentindo inferior? Apenas um momento antes, tudo estava ok. Quando entrei na sua corte subitamente me senti inferior. Eu nunca me senti assim. Minhas mãos estão tremendo. Sou um guerreiro, já enfrentei a morte muitas vezes, e nunca senti nenhum medo – porque estou me sentindo assustado?”

O mestre disse, “Você espere. Quando todo mundo for embora, eu responderei.” As pessoas continuaram chegando para visitar o mestre, e o homem foi ficando cansado, mais e mais cansado. Lá pela tarde a sala ficou vazia, e não havia mais ninguém, e o samurai disse, “Agora você pode responder?” E o mestre disse, “Agora, venha para fora.”

Uma noite de lua cheia – a lua estava justamente surgindo no horizonte... E ele disse, “Olhe para estas árvores, essa árvore alta no céu e essa pequena árvore. Ambas têm existido ao lado da minha janela por anos, e nunca houve nenhum problema. A árvore menor nunca disse, ‘Porque me sinto inferior diante de você?’ para a árvore grande. Como isso é possível? Esta árvore é pequena, e aquela árvore é grande, e eu nunca ouvi qualquer cochicho.”

O samurai disse, “Porque elas não podem comparar.”

O mestre disse, “Então você não precisa me perguntar; você sabe a resposta.”

Comparação traz inferioridade, superioridade. Quando você não compara, toda inferioridade, toda superioridade desaparece. Assim você é, você está simplesmente aí. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore – isso não importa; você é você mesmo. Você é necessário. Uma folha de grama é tão necessária quanto a maior estrela. Sem a folha de grama Deus será menor do que ele é. O canto do cuco é tão necessário tanto quanto qualquer Buda; o mundo será menor, será menos rico se o cuco desaparecer.

Apenas olhe ao redor. Tudo é necessário, e tudo se encaixa. È uma unidade orgânica: ninguém é mais elevado e ninguém é mais baixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Todos são incomparáveis, únicos."

Imbecilização coletiva - O que realmente preciso para ser feliz? - (Frei Betto)


Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelo produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!"

domingo, 11 de abril de 2010

Mãe Divina - (Paramahamsa Ramakrishna)


“A Mãe Divina não é apenas mãe de todos. Ela também é irmã--amiga-parceira-amante e confidente fiel.Quando quiser energia e alegria, busque-a no cantinho mais secreto: Vá direto ao coração, o lugar de que Ela gosta. Se você for sincero e humilde, Ela lhe dará uma flor vermelha. E aí, uma onda de amor arrebatará sua consciência para o samadhi. A Mãe Divina é o seu escudo. Caminhe com Ela nas ondas do amor.”

Adoração a Mãe por Mirra Alfassa


"Doce, doce, doce, linda Mãe eu te reverencio,
Eu te reverencio!

Maheshwari, por favor, me proteja, me envolva,
Com seu amor Divino,

Oh Mahakali, destruidora de inimigos,
Remova meus defeitos com a luz da sabedoria,
Que as sombras que envolvem minha cabeça fiquem penduradas sangrando no seu colar
Quebre meus limites como o vento quente,
Piedade eu não peço a Ti!

Ouça, Mahalakshmi, um raio constante de seu Shakti,
Formidável e rápido,
Distribuirá muita luminosidade,
Causará a individualização necessária,
Antes que o meu ego seja oferecido em sacrifício,

Entre em mim Mahasaraswati,
Você, a mais jovem de todas, Anandamayi,
Como um redemoinho reorganize meu eu interior.

Mahashakti, eu me coloco em suas mãos!"


Mirra Alfassa (A Mãe, Purna Yoga de Sri Aurobindo)

Chame a Mãe Divina ... - (Swami Satyananda Saraswati)


"Chame a Mãe Divina, cante Seus nomes, narre as Suas histórias e torne-se inspirado para uma maior realização. Ela é a nossa Bela, Jogadora, Amada Mãe. Ela concede o fruto do karma. Adore-A com todo seu coração."

Yoga, ciclo feminino e TPM - (Rosine Mello)


Matéria destinada às mulheres e aos homens que querem entender um pouco mais sobre o mundo feminino.
Asanas e pranaymas ajudam a mulher a entender melhor seu corpo
por Rosine Mello

Hoje considerado como indesejável por muitas mulheres modernas, o ciclo menstrual era um tempo feminino sagrado em muitas tradições antigas. O Yoga, por aumentar a sintonia da mulher com seu próprio corpo, pode ser um aliado tanto na TPM, como durante a menstruação, equilibrando as emoções e aliviando as incômodas cólicas.
Todas as linhas do Hatha Yoga têm o mesmo efeito sobre o organismo feminino: a mulher começa a entender melhor o seu corpo, a senti-lo, tem um contato maior com a totalidade do eu, cria maior conexão com a Terra, desperta a sabedoria ancestral. Os asanas (posturas físicas) e alguns pranayamas (exercícios respiratórios) estabilizam as emoções, tonificam o fígado, equilibram o sistema endócrino e, assim, ajudam a regularizar o ciclo menstrual.

TPM
A regularidade do ciclo menstrual e a TPM estão muito ligadas ao nível de estresse da mulher. Às vezes ela fica tão desequilibrada emocionalmente pelo acúmulo de atividades que exerce que isso afeta o seu ciclo - pode ocorrer um atraso, um adiantamento ou a menstruação simplesmente não vem. Os asanas de flexão para trás, torções e inversões ajudam a acalmar o sistema nervoso, revitalizam os órgãos abdominais e o sistema endócrino e são recomendados para antes da menstruação.

Durante o período menstrual
As recomendações para mulheres no período menstrual, tanto já praticantes como as que querem começar a praticar são:
Evitar práticas intensas. Não tente aprofundar ou melhorar seus asanas, evite as inversões e as flexões para trás intensas.
Relaxar completamente em cada asana. Deixe o abdômen solto, direcione a respiração para as regiões mais incômodas, que geralmente são o abdômen, cabeça e pernas.
Para as que sentem muitas cólicas, asanas sentados com flexões para frente (de preferência com um apoio pressionando o abdômen)são indicados, assim como a postura da criança(balasana). O supta badha konasana, com almofadão e cinto, também ajuda a melhorar o desconforto.
O Yoga desperta a consciência corporal, então aprenda a escutar o que o seu corpo diz. Por isso, caso você sinta que seu corpo pede relaxamento durante o período menstrual, descanse.


Fonte: Núcleo de Yoga Shanta - www.shanta.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2010

The Highest Sadhana - legendado - (Mooji)


Satsang with Mooji, 6th January, Tiruvannamalai (India)

É só respirar - Meditação - (Jomar Morais; Revista Super Interessante)


Recomendada pelos médicos, estudada pelos cientistas, praticada por milhões mundo afora. Conheça essa técnica ancestral de autoconhecimento e tudo o que ela pode fazer por você.
Na sala vazia e silenciosa, dois monges zen, com seus mantos e cabeças raspadas, estão sentados no chão, lado a lado, pernas cruzadas. Depois de alguns instantes, o mais jovem lança um olhar surpreso e irônico para o mestre. Sereno, o velho monge comenta: “É só isso, mesmo. Não vai acontecer mais nada”. Não se trata de uma cena real. É só uma charge publicada na renomada revista americana The New Yorker, brincando com o novo hábito americano de meditar regularmente, como fazem os orientais há milhares de anos. A fina ironia da charge, no entanto, tem a ver com a realidade. Embora singela, a atitude de sentar sobre uma almofada (ficar em posição de lótus exige um preparo de monge) e ficar atento à própria respiração é tão fora de propósito em nossa rotina atabalhoada que é fácil se identificar com o jovem monge, perplexo e irônico, ao encará-la pela primeira vez. Comigo não foi diferente.

Na primeira vez em que me detive a acompanhar o compasso da respiração, o sentimento inicial foi de surpresa. Espantei-me pela rapidez com que tudo caminhou para a inatividade. O turbilhão de pensamentos que ocupava minha mente (uma conta para pagar, uma cena do filme que vi no dia anterior, uma ótima piada para contar aos amigos) foi desaparecendo sem que eu me desse conta. O incômodo da perna dormente, pressionada pela flexão, logo foi substituído por um inesperado prazer, prazer de simplesmente respirar. Então, de repente, foi como se tudo houvesse parado nos primeiros segundos depois de acordar, aqueles instantes em que você se sente presente e alerta, mas com a cabeça vazia. Enfim, aqueles poucos segundos do dia em que nada acontece.

Foi então que tudo ficou meio irônico: o êxtase, o delicioso estranhamento que entupiu meus sentimentos, acabou em um segundo! E no instante seguinte todos os pensamentos voltaram: a conta, o filme, a piada e mais um monte de coisas. Rindo comigo mesmo, me perguntei – talvez como um jovem monge perplexo e desconfiado – se não haveria algo mais divertido para fazer naquele instante. Mas logo me peguei novamente de olhos fechados.

Quer dizer que meditar é só parar e não pensar em nada? É. Como afirmam os especialistas, é um não-fazer. Mas, acredite, não é fácil. Não para ocidentais como eu e você, acostumados com a idéia de que, para resolver um assunto, o primeiro passo é pensar bastante nele. Na meditação, a idéia é exatamente o oposto: parar de pensar, por mais bizarro que isso pareça.

A novidade é que, mesmo parecendo alienígena, a meditação conquista cada vez mais adeptos no Ocidente. Dez milhões de americanos meditam regularmente em casa e em hospitais, escolas, empresas, aeroportos e até em quiosques de internet. Entre os milhões de meditadores americanos estão celebridades de grosso calibre, como o dirigente da Ford, Bill Ford, e o ex-vice-presidente Al Gore. No Brasil, a exemplo da Hollywood dos anos 90, a meditação entrou para a rotina de estrelas – como a atriz Christiani Torloni e a apresentadora Angélica, que recorreu à prática para livrar-se de uma crise de síndrome do pânico – e virou ferramenta diária de produtividade em empresas e até em alguns círculos do poder. O prefeito de Recife, João Paulo, por exemplo, só inicia o expediente após meditar por alguns minutos.

Mas como é que algo assim, na contramão do pragmatismo moderno, consegue empolgar tanta gente? Como pode haver gente capaz de pagar caro para participar de sessões de meditação – ou seja, para ficar sentado em silêncio em uma sala quase sem móveis?

Sem dúvida há muita gente desiludida com o modo de vida ocidental (a destruição do meio ambiente, a vida cada vez mais solitária das grandes cidades e a competição pelo ganha-pão). Mas esse contingente não é capaz de explicar, sozinho, a explosão da meditação. A verdade é que a ciência resolveu se debruçar sobre os efeitos dessa prática, e as notícias dos laboratórios de pesquisa cada vez convencem mais pessoas a relaxar em posição de lótus.

O principal resultado dessas pesquisas pode ser resumido em duas palavras: meditação funciona. Ou seja, por mais estranho que pareça aos ratos de academia que se esfalfam em exercícios para melhorar a capacidade cardiorrespiratória, não fazer nada por alguns minutos diariamente tem efeitos palpáveis, reais e mensuráveis no corpo. E o melhor: só apareceram efeitos positivos (pelo menos até agora). Ou seja, aquilo que os adeptos da tradicional medicina chinesa e os mestres budistas viviam repetindo (com um sorriso bondoso no rosto) começa a ser comprovado por alguns renomados centros de pesquisa ocidentais, como as universidades Harvard, Columbia, Stanford e Massachusetts, nos Estados Unidos, e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no Brasil.

É difícil listar as descobertas porque as pesquisas sobre a meditação alcançaram a maioridade recentemente. Mais precisamente no ano 2000, quando o líder do budismo tibetano, o Dalai Lama (sempre ele), encontrou-se com um grupo de psicólogos e neurologistas na Índia e sugeriu que os cientistas estudassem um time de craques em meditação durante o transe, para ver o que ocorria com seus corpos. Os cientistas abraçaram o desafio e, desde então, as pesquisas não param de produzir surpresas. Já se sabe, por exemplo, que meditar afeta, de fato, as ondas cerebrais. Sabe-se também que isso tem efeitos positivos sobre o sistema imunológico, reduz a tensão e alivia a dor. “Três décadas de pesquisas mostraram que a meditação é um bom antídoto ao estresse”, diz o jornalista e psicólogo americano Daniel Goleman, autor dos livros Inteligência Emocional e Como Lidar com as Emoções Destrutivas, este o relato do encontro dos cientistas com o Dalai Lama.

“Agora, o que está mira dos pesquisadores é saber como a meditação pode treinar a mente e reformatar o cérebro”, afirma Daniel.




A piada dos dois monges, lá no início desta reportagem, não é gratuita. Afinal, faz séculos que se pratica meditação no Oriente, por recomendação religiosa. O detalhe é que agora a orientação também é médica. Nos anos 70, quando a prática começou a se espalhar pelo Ocidente, impulsionada pelo movimento hippie, o cantor e compositor brasileiro Walter Franco cantava que tudo era uma questão de “manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”. Hoje, os versos de Walter poderiam fazer parte de uma receita médica, de um treinamento em uma grande empresa ou até mesmo de um programa para a recuperação de presos.

“Focalizar a atenção no mundo interior, como se faz na meditação, é uma situação terapêutica”, diz o psicólogo José Roberto Leite, coordenador do instituto de medicina comportamental da Unifesp. “Queremos avaliar o alcance dessa prática e isolá-la de seu aspecto supersticioso.” Por trás dessa intenção está o fato de que as causas de doenças mudaram muito nos últimos 100 anos. No passado, os males eram causados principalmente por microorganismos. As pessoas morriam de poliomielite, de sarampo, de varíola e outras doenças causadas por bactérias e vírus. Mas isso mudou, graças às melhorias em saneamento e à criação de antibióticos e vacinas. “Hoje, a maioria das doenças é causada por coisas como hipertensão, obesidade e dependência química, que estão ligadas a padrões inadequados de comportamento”, diz José Roberto. Ou seja, o que mata hoje são os maus hábitos.

E são esses maus hábitos que se pretende combater pela meditação, também conhecida pelo pomposo nome de “prática contemplativa”. Apaziguar a mente, os cientistas estão descobrindo agora, pode reduzir o nível de ansiedade e corrigir comportamentos pouco saudáveis. O cardiologista Herbert Benson, da Universidade Harvard, um dos maiores pesquisadores da meditação e do poder das crenças na promoção da saúde, chega a estimar em seu livro Medicina Espiritual que 60% das consultas médicas poderiam ser evitadas se as pessoas apenas usassem a mente para combater as tensões causadoras de complicações físicas.

Mas, afinal, como é que se medita e o que acontece durante a prática contemplativa? Bem, há um leque de modalidades para quem deseja meditar, mas a receita básica é a mesma: concentração. Vale concentrar-se na respiração, uma imagem (um ponto ou uma imagem de santo), um som ou na repetição de uma palavra (o famoso mantra, como “ohmmm”, por exemplo). Parar de pensar equivale a ficar quase que exclusivamente no presente. Faz sentido. Os pensamentos são feitos basicamente de duas substâncias: as idéias e experiências que ouvimos, vivemos ou aprendemos no passado e os planos e apreensões que temos para o futuro. É naqueles raros momentos em que o meditador consegue livrar-se desses ruídos que surgem os sentimentos comuns nas descrições de iogues famosos: sensação de estar ligado com o Universo ou ter uma superconsciência do mundo. Meditar é, portanto, concentrar-se em cada vez menos coisas, inibindo os sentidos e esvaziando a mente. Tudo isso sem perder o estado de alerta, ou seja, sem dormir.

Mas como saber se deu certo? Como saber se você meditou? Essa é a melhor parte da história: não há nota ou avaliação. A não ser que você medite plugado em um aparelho de eletroencefalograma para saber se suas ondas cerebrais se alteraram. Como isso é pouco prático, a melhor medida para seu desempenho é você mesmo. Só você pode dizer o que sentiu e se foi bom.

BIOLOGIA DO ZEN
Os efeitos da meditação sobre o corpo são surpreendentes. Nos primeiros estudos sobre a meditação, na década de 60, o cardiologista Benson, de Harvard, e outros pesquisadores submeteram meditadores a experimentos nos quais a pressão arterial, os ritmos cerebrais e cardíacos e mesmo a temperatura da pele e do reto eram monitorados. Constatou-se então que, enquanto meditavam, eles consumiam 17% menos oxigênio e seu ritmo cardíaco caía para incríveis três batimentos por minuto (a média para pessoas em repouso é de 60 b.p.m.). Isso acontecia quando as ondas cerebrais alcançavam o ritmo teta, mais lento e poderoso, no qual a mente atingiria o estado de “superconsciência” relatado pelos iogues e caracterizado por insights e alegria.

As ondas teta vibram a apenas quatro ciclos por segundo. Para se ter uma idéia, quando estamos ativos o cérebro emite ondas beta, de oscilação em torno de 13 ciclos por segundo. Você conhece essa sensação causada pelas ondas teta. É aquele embotamento dos sentidos que surge nos segundos que antecedem o sono. Naquele momento, nosso cérebro funciona no ritmo teta. Mas os meditadores pesquisados não estavam dormindo. Ao contrário, estavam bem acordados e serenos.

Mais tarde, percebeu-se também que no momento da meditação o fluxo sanguíneo diminuía em quase todas as áreas cerebrais, mas aumentava na região do sistema límbico, o chamado “cérebro emocional”, responsável pelas emoções, a memória e os ritmos do coração, da respiração e do metabolismo. O cardiologista Benson, que escreveu um clássico sobre o tema nos anos 90 – A Resposta do Relaxamento – , tomou emprestado um pouco da humildade oriental e disse que seu trabalho se resumiu a explicar biologicamente técnicas conhecidas há milênios.



Desde então, uma série de novas pesquisas, respaldadas em imagens da intimidade neurológica feitas por tomógrafos sofisticados que retratam o cérebro em funcionamento, levantou o véu sobre outros segredos. Um dos estudos mais abrangentes e reveladores foi realizado por Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A idéia era registrar o que ocorre com o cérebro quando se alcança o clímax em práticas místicas como a meditação e a oração. Newberg rastreou a atividade cerebral de um grupo de budistas em meditação profunda e de um grupo de freiras franciscanas rezando fervorosamente.

Ele constatou uma significativa alteração no lobo parietal superior, localizado na parte anterior do cérebro e responsável pelo senso de orientação – a capacidade de percepção do espaço e do tempo e da própria individualidade. Segundo as descobertas de Newberg, à medida que a contemplação se torna mais profunda, a atividade na região diminui aos poucos até cessar totalmente no momento de pico, aquele em que o meditador experimenta a sensação de unicidade com o Universo, cerca de uma hora após o início da concentração. Nesse instante, privados de impulsos elétricos, os neurônios do lobo parietal desligam os mecanismos das funções visuais e motoras e o meditador ou devoto perde a noção do “eu” e sente-se prazerosamente expandido, além de qualquer limite. É o nirvana. Ou seja, Newberg registrou em seus aparelhos a imagem de um cérebro literalmente no paraíso.

Mas não é só isso. As imagens revelaram que, durante a experiência, os lobos temporais (sede das emoções no cérebro) tiveram sua atividade redobrada, o que explicaria a enorme influência da meditação sobre as emoções e a personalidade dos praticantes. Newberg não teve dúvida em sua conclusão: as sensações de elevação e contato com o divino vivenciadas por budistas e freiras são um fenômeno real, baseado em fatos biológicos.

Mas há quem veja tudo isso com uma certa desconfiança. “Ao que parece, estamos diante de um fenômeno de marketing”, disse Richard Sloan, psicólogo do Centro Médico Presbiteriano de Columbia, em Nova York, comentando o encontro do Dalai com os cientistas, há três anos. Segundo Richard, é discutível se o impacto da meditação sobre o sistema nervoso e a saúde tem um efeito profundo e duradouro ou apenas superficial e efêmero. Então, está na hora de conferir o que os estudos dizem a respeito.

MENTE QUIETA, CORPO SAUDÁVEL
A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a aliviar a dor? Ao que tudo indica, sim. Nessas duas áreas os cientistas encontraram as maiores evidências da ação terapêutica da meditação, medida em dezenas de pesquisas. Nos últimos 24 anos, só a Clínica de Redução do Estresse da Universidade de Massachusetts monitorou 14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica e complicações gástricas. Os técnicos descobriram que, submetidos a sessões de meditação que alteraram o foco de sua atenção, os pacientes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram ou abandonaram o uso de analgésicos. Ou seja, eles aprenderam a entender a dor, em vez de combatê-la. Com isso, deixaram de antecipá-la ou amplificá-la por meio do medo de vir a senti-la. Sim, porque boa parte da sensação dolorosa é psicológica, fabricada pelo medo da dor. Resultado: as queixas de dor, segundo o diretor da clínica, Jon Kabat-Zinn, diminuíram, em média, 40%.

No hospital da Unifesp, em São Paulo, a meditação é indicada para pacientes com fibromialgia (dores nos músculos e articulações), fobias e compulsões. Ali, estudo recente dirigido pela doutora em biologia Elisa Harumi Kozasa atestou a melhoria da agilidade mental e motora em ansiosos e deprimidos que, durante três meses, meditaram sob a orientação de instrutores indianos. Outra pesquisa, coordenada pelas psicólogas Márcia Marchiori e Elaine de Siqueira Sales, deve comparar nos próximos meses os efeitos terapêuticos da meditação com os das técnicas de relaxamento físico.

O desempenho antiestresse da meditação, segundo estudos das universidades americanas Stanford e Columbia, acontece porque a mente aquietada inibe a produção de adrenalina e cortisol – hormônios secretados nas situações de estresse – , ao mesmo tempo que estimula no cérebro a produção de endorfinas, um tranqüilizante e analgésico natural tão poderoso quanto a morfina e responsável pela sensação de leveza nos momentos de alegria.

Já parece motivo suficiente para render-se aos mantras, mas tem mais. Investigações realizadas na Universidade Wisconsin, nos Estados Unidos, acrescentaram que meditar também melhora a ação do sistema imunológico, que defende o organismo contra o ataque de microorganismos (bactérias, vírus e outros germes). A experiência comparou dois grupos de voluntários – um constituído de pessoas que meditavam havia alguns meses e o outro de não-meditadores. Primeiro constatou-se que os meditadores tiveram um aumento na atividade da área cerebral relacionada às emoções positivas. Então, ambos os grupos foram vacinados contra gripe e submetidos a medições quatro semanas e oito semanas depois. O pessoal habituado a entoar mantras apresentou um número bem maior de anticorpos, o que sugere que seus sistemas de defesa estavam mais ativos.

Em abril passado, durante um encontro da Associação Americana de Urologia, anunciou-se que a meditação ajuda a conter o câncer da próstata. E alguns pesquisadores relataram que mulheres com câncer de mama que passaram a meditar tiveram elevação no nível de células imunológicas que combatem tumores. Mas essas descobertas estão longe de alcançar a unanimidade entre os cientistas. O psiquiatra americano Stephen Barret, um dos principais críticos às terapias alternativas nos Estados Unidos, desconfia desses resultados. “Meditar pode aliviar o estresse, mas sua ação nunca irá além disso no tratamento de doenças graves, como o câncer.” Mesmo um entusiasta da técnica, como Herbert Benson, não descarta os tratamentos ocidentais tradicionais. Para ele, a saúde e a longevidade no mundo moderno serão, cada vez mais, resultado de um tripé formado por remédios, cirurgias e cuidados pessoais, incluindo-se aqui a meditação e todo o poder catalisador das crenças nas reações orgânicas.



O CÉREBRO REPROGRAMADO
Mas ainda há muita coisa para ser descoberta sobre o mantra e os pesquisadores estão debruçados sobre os meditadores, tentando entender como é que um ato tão simples causa tantas modificações. Estudos como o de Wisconsin, que ligam disciplina mental a emoções positivas e ao bom desempenho do sistema imunológico, atiçam o interesse dos cientistas em avaliar o real poder da meditação na reformatação das funções cerebrais. E o que eles estão descobrindo é que, com suficiente prática, os neurônios podem reprogramar a atividade dos lobos cerebrais, especialmente a área relacionada à concentração e à orientação.

Não dá para negar que, sobre concentração, o Dalai Lama e os orientais, com sua atenção aos detalhes e sua atenção extrema, têm muito a ensinar aos ocidentais. “Só há pouco a psiquiatria ocidental reconheceu a existência do transtorno do déficit de atenção (uma síndrome caracterizada pela dificuldade de concentração, baixa tolerância à frustração e impulsividade), mas há milhares de anos tradições como o budismo afirmam que todos sofremos desse distúrbio com mais ou menos intensidade”, diz o psiquiatra Roger Walsh, da Universidade da Califórnia em Irvine.

A possibilidade de alterar em profundidade o cérebro, apenas meditando, talvez possa no futuro ajudar a prevenir ou a superar complicações vasculares a custo bem mais baixo que o das cirurgias. Ou a romper condicionamentos e redirecionar as mentes de indivíduos anti-sociais – o que, aliás, vem sendo testado com relativo êxito. Numa experiência na Kings County North Rehabilitation Facility, penitenciária próxima a Seattle, nos Estados Unidos, um grupo de prisioneiros condenados por crimes relacionados ao consumo de droga e álcool praticou vippassana (meditação budista com foco inicial na respiração, seguida de análise existencial) 11 horas por dia durante dez dias. Após voltarem para casa, apenas 56% deles reincidiram na criminalidade no prazo de dois anos, um índice considerado bom comparado aos 75% de reincidência entre os que não meditaram.

Já na Universidade Cambridge, nos Estados Unidos, um estudo constatou a redução de até 50% nas recaídas de pacientes com depressão crônica que passaram a meditar regularmente. A doença é acompanhada por uma diminuição no nível do serotonina no cérebro, processo geralmente revertido com o uso de antidepressivos, como Prozac. A meditação aumenta a produção desse neurotransmissor, funcionando como um antidepressivo natural. Em Cotia, em São Paulo, um programa de meditação para crianças carentes, conduzido pela monja Sinceridade no Templo Zu Lai (sede da primeira universidade budista do país), tem resultado em mudanças no comportamento de 128 meninos de favelas. “Eles melhoraram significativamente a concentração. E a convivência social com eles tornou-se mais tranqüila”, diz ela.

FAST FOOD MENTAL?
Toda essa popularidade, porém, não permite afirmar que a meditação continuará mantendo alguma identidade com a prática ancestral do Oriente. Além de sua gradual transformação em técnica laica, ocorre neste momento uma rápida adaptação do modo de usá-la ao estilo de vida ocidental.

Em vez de contemplações que duram uma eternidade (você aí teria pique para ficar quatro horas sentado no chão, imóvel, como faz diariamente o Dalai Lama?), tornou-se padrão a meditação de 20 minutos duas vezes ao dia. Ainda assim, isso parece exigir uma boa dose de sacrifício de inquietos habitantes de metrópoles como Nova York e São Paulo. No próximo ano, o autor Victor Davich lançará nos Estados Unidos o livro Eight Minutes that Will Change your Life (“Oito Minutos que Mudarão sua Vida”) no qual defenderá um tipo de meditação “fast food” de não mais que oito minutos. Segundo ele, esse é o tempo que os americanos estão acostumados a se concentrar diariamente: os blocos de programas de TV duram exatamente isso, entre um comercial e outro. Da mesma forma, os mantras sonoros em sânscrito das meditações místicas foram substituídos por mantras mentais, baseados em palavras escolhidas ao acaso.

Tais ajustes são vistos com reservas por iogues, praticantes tradicionalistas e até instrutores mais liberais, como a americana Susan Andrews, para quem é saudável tirar a meditação “das nuvens do esoterismo” e aproximá-la da ciência. “Relaxamento e pensamento positivo são efeitos colaterais da meditação, não sua meta”, diz Susan. “O grande alvo é atingir a hiperconsciência, o samadhi, aquele estado de plenitude, iluminação e êxtase indescritível.” A questão é que para chegar lá o meditador precisa deixar de lado a idéia de que meditar não implica qualquer esforço, cuidando de manter a concentração firme e afinada por pelo menos uma hora. E isso, admitamos, é algo que também exige um preparo de monge.




Passo a passo
Há vários maneiras de meditar, mas a regra básica é a mesma: atenção

Sentado
No chão ou em uma cadeira, mantenha a coluna ereta e concentre-se nos movimentos da respiração, observando a entrada e a saída do ar pelas narinas. Se preferir, concentre-se num mantra, que pode ser qualquer palavra, uma frase ou apenas um murmúrio. Repita seu mantra a cada expiração. Fechar os olhos pode ajudar. Se ficar de olhos abertos, concentre o olhar em um ponto.

Em pé
Posicione-se junto a uma fileira de árvores e tente se sentir como uma delas. Concentre-se na respiração e imagine seus pés desenvolvendo raízes no chão.

Caminhando
É uma boa saída para quem, por algum motivo, não consegue ficar imóvel. O segredo é focar as pisadas, vendo-as como um todo ou como segmentos do movimento, que pode ser lento ou acelerado. Melhor caminhar em círculo, sem a expectativa de um ponto de chegada.

Visualização
Crie uma imagem significativa para você – pode ser um símbolo religioso ou uma paisagem – e concentre-se nela.

Entre o céu e os neurônios
Meditação não é coisa só de budistas. Várias religiões têm sua versão dessa prática

Hinduísmo
Textos sagrados do período védico, entre 2000 e 3000 a.C., fazem referências a mantras e contemplações. A meditação é uma das principais práticas do conjunto de escolas religiosas da Índia conhecido como hinduísmo.

Budismo
Foi meditando debaixo de uma figueira que o príncipe Sidarta Gautama alcançou a iluminação, por volta de 588 a.C., tornando-se o Buda. Prática fundamental no budismo, a meditação é vista, sobretudo, como um método de examinar a realidade pessoal e eliminar condicionamentos.

Cristianismo
Os chamados padres do deserto, da região de Alexandria, no Egito, é que consolidaram a meditação como hábito cristão no século 4. A prática, disseminada nos monastérios, desde o século passado vem sendo adotada por cristãos leigos.

Judaísmo
Os praticantes da Cabala, tradição esotérica judaica, difundiram a meditação entre seus adeptos na Europa, por volta do ano 1000, como uma forma de entrar em comunhão com Deus.

Islamismo
Também por volta do ano 1000, os sufis, que constituem o segmento místico dos muçulmanos, incorporaram a meditação aos seus rituais, os quais incluem o êxtase místico por meio da dança.

Independentes
Em 1967, um encontro dos Beatles com o guru Maharishi Mahesh Yogi iniciou a expansão da meditação transcendental no Ocidente e o florescimento de uma infinidade de gurus e técnicas meditativas que, desde então, atraem adeptos em toda parte.

Para saber mais
Na livraria
A Mente Alerta, Jon Kabat-Zinn, Objetiva, Rio de Janeiro, 2001
Meditação e os Segredos da Mente, Susan Andrews, Instituto Visão Futuro, Porangaba, 2001
Why God Won´t Go Away, Andrew Newberg, Ballantine, Nova York, 2001
Yoga, Caco de Paulo e Marcia Bindo, São Paulo, Superinteressante, 2002
A Resposta do Relaxamento, Herbert Benson, Nova Era, 1995
Medicina Espiritual, Herbert Benson, Campus, Rio de Janeiro, 2003



Fonte: Revista Super Interessante

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Você me vê ... - (Nisargadatta Maharaj)


"Você me vê aparentemente funcionando.
Na realidade, eu somente olho.
O que quer que seja feito, é feito no palco.
Contentamento e tristeza, vida e morte, eles todos são reais para o homem delimitado; para mim, eles estão todos no show, tão irreais quanto ao show em si mesmo.
Eu posso perceber o mundo como você, mas você acredita estar nele, enquanto eu o vejo como uma gota iridescente na vasta extensão da consciência."

terça-feira, 6 de abril de 2010

A parábola do fazendeiro e do trigo - (Osho)


"Miséria significa que as coisas não estão de acordo com seus desejos. E as coisas nunca estão de acordo com seus desejos, não podem estar. As coisas apenas vão seguindo sua natureza.
Lao Tsu chama essa natureza de Tao. O Buda chama essa natureza de Dharma. Mahavir definiu a religião como "a natureza das coisas". Nada pode ser perfeito. O fogo é quente e a água é fresca. Um homem sábio é aquele que relaxa em ação em relação à natureza das coisas, aquele que segue a natureza das coisas.
E quando você segue a natureza das coisas, não há sombras a seu redor. Não há infelicidade. Mesmo a tristeza é luminosa nesse caso, mesmo a tristeza é bela. Não digo que não haverá tristeza: ela virá, mas não será sua inimiga. Você será capaz de ver sua graça e será capaz de ver por que está lá e por que é necessária.



Me contaram uma antiga parábola - deve ser bem antiga, porque Deus vivia na terra nessa época. Um dia um homem foi até ele, um velho fazendeiro, e disse: "Olhe, você pode ser Deus e pode ter criado o mundo, mas devo lhe dizer uma coisa: você não é um fazendeiro. Você nem sabe o básico sobre fazendas. Deus disse: "Qual o seu conselho?" O fazendeiro respondeu: Me dê um ano, me deixe fazer as coisas do meu jeito e você verá o que vai acontecer. Não haverá mais pobreza!"
Deus estava disposto a tentar e deu um ano para o fazendeiro. Naturalmente, este pediu apenas o melhor, só pensou no melhor: sem trovões, sem fortes ventanias, sem perigos para as plantações. Tudo era muito confortável, acolhedor, e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo muito! Quando ele queria sol, havia sol. Quando ele queria chuva, havia chuva, e tanta chuva quanto ele achasse necessário. Nesse ano tudo esteve correto, matematicamente correto.
Mas, quando foi feita a colheita, não havia grãos de trigo dentro. O fazendeiro ficou surpreso e perguntou a Deus o que havia acontecido, o que havia saído errado.
Deus disse: "Como não houve dificuldades nem conflitos, nenhum atrito, como você evitou tudo aquilo que podia ser ruim, o trigo se tornou impotente. É necessário que haja alguma dificuldade. As tempestades, os trovões, os raios, todos eles são necessários. Eles fazem com que a alma do trigo se mobilize."
Se você está apenas feliz, feliz e feliz, a felicidade irá perder todo o seu sentido. Será como alguém que escreve com giz branco sobre uma parede branca. Ninguém será capaz de ler o que foi escrito. É preciso escrever em um quadro-negro para que as coisas se tornem claras. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza são tão essenciais quanto os de alegria. Chamo isso de compreensão. Uma vez que você tenha entendido isso, pode relaxar: nesse relaxamento estará a entrega. Você dirá: "Seja feita a vossa vontade." Você dirá: "Faça o que achar mais correto. Se hoje forem necessárias nuvens, que venham nuvens. Não me ouça, minha compreensão é limitada. O que sei sobre a vida e seus segredos? Não me ouça! Continue agindo de acordo com a sua vontade."
Então, lentamente, quanto mais você perceber o ritmo da vida, o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, mais irá parar de pedir, de escolher.
Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com este segredo e subitamente você será surpreendido: como é grande a bênção da vida! Quanto é despejado sobre você a cada momento!"

Trecho de Masnavi - Livro II - (Rumi)

O VERDADEIRO AMADO FAZ EXISTIR TODA BELEZA EXTERIOR E TERRENA

"Tudo o que é percebido pelos sentidos, Ele anula,
Mas Ele fixa aquilo que é escondido dos sentidos.
O amor do amante é visível, seu Amado, oculto.
O Amigo está ausente, a agitação que ele causa, presente.
Renuncia a essas afeições pelas formas exteriores,
O amor não depende da forma exterior ou do rosto.
O que quer que seja amado não é mera forma vazia,
Seja ele da terra ou do céu.
Seja qual for a forma pela qual te apaixonaste,
Por que a repudias no momento em que a vida a abandona?
A forma ainda está ali; por que, então, essa aversão a ela?
Ah! amante, considera bem o que realmente é amado;
Se é uma coisa percebida pelos sentidos exteriores,
Então todos os que retém seus sentidos devem ainda amá-lo;
E já que o amor aumenta a constância,
Como pode a constância falhar se a forma subsiste?
Mas a verdade é: os raios do sol batem no muro,
E o muro apenas reflete essa luz emprestada.
Por que dar teu coração a meras pedras, ó simplório?
Vai! Busca a fonte de luz que brilha sempre!
Distingue bem a verdadeira aurora da falsa,
Distingue a cor do vinho da cor da taça,
Para que, em vez dos muitos olhos do capricho,
Um único olho possa ser aberto por meio da paciência e da constância. Então contemplarás as cores verdadeiras em lugar das falsas, E jóias preciosas em vez de pedras. Mas o que é uma jóia? Não, serás um oceano de pérolas; Sim, um sol que se compara aos céus!
O verdadeiro Artífice está escondido em Sua oficina;
Entra nessa oficina e contempla-O face a face.
Posto que o trabalho desse Artífice estende sobre Ele uma cortina
Não podes vê-Lo fora de Seu trabalho.
Como Sua oficina é a morada do Sábio,
Quem O procura fora é ignorante d'Ele.
Vem, então; entra em Sua oficina, que é o Não-ser,
Para que possas ver o Criador e a criação ao mesmo tempo.
Quem viu como é resplandecente a oficina
Vê como é escuro seu exterior.
O Faraó rebelde voltou sua face para o ser (egoísmo)
E forçosamente ficou cego para essa oficina.
Por força, procurou mudar o decreto divino,
Esperando desviar o destino de sua porta.
Enquanto isso, o destino, diante da impotência deste homem engenhoso,
O tempo todo zombava dele em segredo.
Ele assassinou cem mil crianças inocentes
Para que a ordem e o decreto de Allah fossem contrariados.
Para que o profeta Moisés não nascesse vivo,
Ele cometeu mil assassinatos na terra.
Ele fez tudo isso, e no entanto Moisés nasceu,
E foi protegido de sua ira.
Tivesse ele visto a oficina eterna,
Teria refreado mão e pé desses vãos expedientes.
Dentro de sua casa, estava Moisés são e salvo,
Enquanto ele matava em vão os recém-nascidos do lado de fora.
Assim, o escravo dos desejos sensuais que mima seu corpo
Imagina que algum outro homem lhe quer mal,
Dizendo 'este é meu inimigo, e este meu adversário,
Enquanto é seu próprio corpo seu adversário e inimigo.
Ele é como o Faraó, e seu corpo como Moisés —
Ele corre lá fora gritando: "Onde está meu inimigo?"
Enquanto a luxúria está em sua casa, que é seu corpo,
Ele cerra os punhos de raiva dos estranhos."

Trecho de Masnavi - (Rumi)

ATÉ QUE O HOMEM DESTRUA O "EU" NÃO É UM VERDADEIRO AMIGO DE DEUS

Certa vez, um homem veio bater à porta de seu amigo.
Seu amigo disse: "Quem és tu, ó homem fiel?"
Ele disse: "Sou eu".
O outro respondeu: "Não podes entrar,
Não há lugar para o 'cru' em meu bem cozido banquete.
Nada senão o fogo da separação e da ausência
Pode cozinhar o cru e livrá-lo da hipocrisia!
Já que teu 'eu' ainda não te deixou,
Deves ser queimado em chama ardente".
O pobre homem se foi, e por um ano inteiro
Viajou ardendo de dor pela ausência do amigo.
Seu coração ardeu até que cozinhou;
Então ele voltou e aproximou-se da casa de seu amigo.
Bateu à porta com temor e agitação,
De medo que alguma palavra descuidada lhe saísse dos lábios.
Seu amigo gritou: "Quem está à minha porta?"
Ele respondeu: "És tu que estás à porta, ó Amado!"
O amigo disse: "Já que sou eu, que eu entre;
Não há lugar para dois 'eus’ em uma só casa".

Love You Till The End - (The Pogues)




I just want to see you when you're all alone
I just want to catch you if I can
I just want to be there when the morning light explodes on your face it radiates
I can't escape.. I love you 'till the end

I just want to tell you nothing you don't want to hear
All I want is for you to say why don't you just take me where I've never been before
I know you want to hear me, catch my breath
I love you 'till the end

I just want to be there when we're caught in the rain
I just want to see you laugh not cry
I just want to feel you when the night puts on its cloak
I'm lost for words don't tell me all I can say
I love you 'till the end







... Sou com vc!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Trecho de Masnavi - Livro I; História I - (Rumi)

"DESCRIÇÃO DO AMOR
O amante se prova verdadeiro pela dor em seu coração;
Não há mal como o mal do coração.
A dor do amante é diferente de todas as dores;
O amor é o astrolábio dos mistérios de Deus.
Pode o amante suspirar por este ou aquele amor,
Mas no fim é atraído ao Rei do amor.
Por mais que se descreva ou se explique o amor,
Quando nos apaixonamos envergonhamo-nos de nossas palavras.
A explicação pela língua esclarece a maioria das coisas,
Mas o amor não explicado é mais claro.
Quando a pena se apressou em escrever,
Ao chegar no tema do amor, partiu-se em duas.
Quando o discurso tocou na questão do amor,
A pena partiu-se e o papel rasgou-se.
Ao explicá-lo, a razão logo empaca, como um asno no atoleiro;
Nada senão o próprio Amor pode explicar o amor e os amantes!"

Trecho de Masnavi - Livro I; Prólogo - (Rumi)

"O cântaro do desejo do ávido nunca se enche,
A ostra não se enche de pérolas até a saciedade;
Somente aquele cuja veste foi rasgada pela violência do amor
Está inteiramente puro, livre de avidez e de pecado.
A ti entoamos louvores, ó Amor, doce loucura!
Tu que curas todas as nossas enfermidades!
Que és médico de nosso orgulho e presunção!
Tu que és nosso Platão e nosso Galeno!
O amor eleva aos céus nossos corpos terrenos,
E faz até os montes dançarem de alegria!
Ó amante, foi o amor que deu vida ao Monte Sinai,
Quando "o monte estremeceu e Moisés perdeu os sentidos".
Se meu Amado apenas me tocasse com seus lábios,
Também eu, como a flauta, romperia em melodias.
Mas aquele que se aparta dos que falam sua língua,
Ainda que tenha cem vozes, é forçosamente mudo.
Depois que a rosa perde a cor e o jardim fenece,
Não se ouve mais a canção do rouxinol.
O Amado é tudo em tudo, o amante, apenas seu véu;
Só o Amado é que vive, o amante é coisa morta.
Quando o amante não sente mais as esporas do Amor,
Ele é como um pássaro que perdeu as asas.
Ai! Como posso manter os sentidos,
Quando o Amado não mostra a luz de Seu semblante?
O Amor quer ver seu segredo revelado,
Pois se o espelho não reflete, de que servirá?
Sabes por que teu espelho não reflete?
Porque a ferrugem não foi retirada de sua face.
Fosse ele purificado de toda ferrugem e mácula,
Refletiria o brilho do Sol de Deus."

quarta-feira, 31 de março de 2010