terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Da Música - ( Gibran Khalil Gibran)


"Sentei-me ao pé daquela que meu coração ama, e ouvi suas palavras. Minha alma começou a vaguear pelos espaços infinitos onde o universo aparecia como um sonho, e o corpo como uma prisão acanhada.

A voz encantadora de minha Amada penetrou em meu coração.

Isto é música, amigos, pois eu a ouvi através dos suspiros daquela que amo, e pelas palavras balbuciadas por seus lábios.

Com os olhos de meus ouvidos, vi o coração de minha Amada.

Meus amigos: a Música é a linguagem dos espíritos. Sua melodia é como uma brisa saltitante que faz nossas cordas estremecerem de amor. Quando os dedos suaves da música tocam à porta de nossos sentimentos, acordam lembranças que há muito jaziam escondidas nas profundezas do Passado. Os acordes tristes da Música trazem-nos dolorosas recordações; e seus acordes suaves nos trazem alegres lembranças. A sonoridade de suas cordas faz-nos chorar à partida de um ente querido ou nos faz sorrir diante da paz que Deus nos concedeu.

A alma da Música nasce do espírito e sua mensagem brota do Coração.

Quando Deus criou o Homem, deu-lhe a Música como uma linguagem diferente de todas as outras. Mesmo em seu primarismo, o homem primitivo curvou-se à glória da música; ela envolveu os corações dos reis e os elevou além de seus tronos.

Nossas almas são como flores tenras à mercê dos ventos do Destino. Elas tremulam à brisa da manhã e curvam as cabeças sob o orvalho cadente do céu.

A canção dos pássaros desperta o Homem de sua insensibilidade, e o convida a participar dos salmos de glória à Sabedoria Eterna, que criou a melodia de suas notas.

Tal música nos faz perguntar a nós mesmos o significado dos mistérios contidos nos velhos livros.

Quando os pássaros cantam, estarão chamando as flores nos campos, ou estão falando às árvores, ou apenas fazem eco ao murmúrio dos riachos? Pois o Homem, mesmo com seus conhecimentos, não consegue saber o que canta o pássaro, nem o que murmura o riacho, nem o que sussurram as ondas quando tocam as praias vagarosa e suavemente.

Mesmo com sua percepção, o homem não pode entender o que diz a chuva quando cai sobre as folhas das árvores, ou quando bate lentamente nos vidros das janelas. Ele não pode saber o que a brisa segreda às flores nos campos.

Mas o coração do homem pode pressentir e entender o significado dessas melodias que tocam seus sentidos. A Sabedoria Eterna sempre lhe fala numa linguagem misteriosa; a Alma e a Natureza conversam entre si, enquanto o Homem permanece mudo e confuso.

Mas o Homem já não chorou com esses sons ? E suas lágrimas não são, porventura, uma eloqüente demonstração?

Divina Música!
Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
E do Amor.
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

...

"Como acreditar na separação ou afastamento quando tudo é Um só?
Somos Um,
uma só essencia, um só Amor!
...
Todo o resto, mera ilusão!"



"Eu acolho a Luz Crística na Unidade e na Verdade!"

A arte do alinhamento - (Abraham Hicks)

Budha que ri - (Chandra Lacombe)


"Vejo
Agora um caminho
Aberto ao sol

Sol
Que brilha em mim
No céu e na canção

Vibro
Nessa alegria
Pois é simples ver

Sempre
Que aceito abrir
Todo meu coração

E na presença do mestre
Começo a encontrar
Sabedoria e coragem
Para poder seguir

Nessa profunda viagem
Eu vou me entregar
Até chegar com verdade
No amor que eu já senti

É
Esse amor que
É meu ser real

Me ensina
A repartir
Meu ouro espiritual

Canto
E afirmo a aurora
De um novo porvir

E assim
O budha em mim
Começa a sorrir"

Conhece-te a Ti Mesmo - (J. Krishnamurti)


O Mensageiro da Estrela
Por J. Krishnamurti, tal como impresso na revista The Herald of Star no número de Maio de 1925

"Penso que não existe tema mais interessante ou mais prometedor, ou de forma alguma mais excitante, do que o estudo de nós mesmos. Aos 15 ou 16 anos, estamos submersos em nós mesmos. Não há nada que nos interesse tanto. Depois apaixonamo-nos por alguém; mas ainda assim estamos extasiados com nós próprios. Há, descobrimos, muito mais inteligência no estudo de nós mesmos, e muito pouco pensamento dedicado aos outros. E de bom grado damos a uma quiromante 15 rupias para ela nos contar tudo sobre nós. E sentimo-nos bastante confortáveis com o pensamento de que iremos ser grandes um dia – sem, aparentemente, ter que lutar por essa grandeza. Existe apenas um tema que nos atrai e esse somos nós mesmos. Discutimo-nos, e de uma forma aprobatória consideramos como nos comportar, de que modo desenvolvermo-nos, e por aí em diante.

Parece-me que se pensarmos inteiramente deste ponto de vista, deste ponto que unicamente nos interessa a nós, não entenderemos porque é que existimos, ou porque qualquer coisa neste mundo, de todo, existe. Claro que é verdade que primeiro temos de nos compreender a nós mesmos antes de querer descobrir seja o que for sobre a vida em geral. Filosofia, religião e outros temas não possuem real valor, real controlo sobre um indivíduo, ou apenas têm uma pequena influência, quando somente apontam como podemos escapar a certas coisas, como evitar o mal, e por ai fora. Mas aqueles de nós que são membros da Star, ou pertencem a tais organizações, deverão ter a ideia de um plano definido que está a desenvolver-se.

Estamos em posição de examinar as coisas que nos são mais valiosas – coisas que produzem em nós o desejo de evoluir. Em todos nós existe o desejo de descobrir por nós mesmos até onde podemos compreender quem somos e o que nos afecta. A pessoa comum está de longe mais interessada nela mesma do que em qualquer outra. Luxúria, conforto, felicidade, tudo tem que apoiar os seus fins. Quando tudo foi feito para a satisfazer então somente pensa nos outros. Quando eu tiver comido e dormido o suficiente, voltar-me-ei para pensar nos outros. Esta é a visão comum. Se tiveste amor em abundância, ou felicidade, és levado a pensar no outro.

Mas para alcançar essa felicidade, devemos descobrir até onde nos encaixamos num plano definido. Devemos estar cientes de que há um plano em que cada um de nós tem um papel a representar, e devemos possuir a determinação na qual agiremos, com a qual deveremos criar o ambiente no qual caberemos – ou não; e se estivermos dispostos a procurar com a atitude correcta deveremos ser capazes de descobrir até onde nos encaixaremos nesse plano. Para mim, posso imaginar que os deuses eleitos disseram que Krishna deverá encaixar-se num certo plano estabelecido, e que o quer que seja que ele faça, não terá valor, e enquanto encaixar nesse plano, Krishna crescerá e será feliz. Eu estava interessado e observava-me a mim mesmo, e podia ver de ano para ano uma mudança definida, uma orientação definida, uma transformação definida e podia ver qual era o meu definido papel. E assim cada um de nós deverá descobrir que caminho percorrer e qual a especialidade a ter.

Acontece frequentemente que a maioria de nós está disposta a subir até ao altar e verter a nossa devoção. A devoção existe, em diversos graus, na maioria de nós, mas não pode nem deve satisfazer-nos. Se eu fosse ter com a Dr.ª Besant e lhe disesse: “Estou disposto a servi-la em qualquer das minhas capacidades. Estou disposto a sacrificar tudo e o meu único desejo é trabalhar para obter conforto, independência, e por aí fora,” ela diria, “Oh, muito bem; que capacidades trazes contigo. De que modo queres prestar serviço ao Mestre?” A devoção deve ter um escape na actividade física; e desta forma se tivermos de determinar qual o papel que cada um de nós tem de representar, antes de nos oferecermos, devemos descobrir quais as capacidades que temos. Quando para um Teósofo ou um membro da Star ou qualquer outro, o chamamento aparece como “sacrifica tudo e vem ao Mestre,” não é suficiente pedir ao Mestre que aceite somente a nossa devoção; devemos dar-lhe qualquer coisa que lhe permita guiar-nos. Por outras palavras, devemos trazer perante o Mestre certas capacidades e não aparecer apenas de mãos vazias. Se eu puder chegar junto do Mestre e dizer “Eu posso fazer isto ou aquilo, eu posso escrever ou pintar ou compor música ou representar,” Ele dirá: “Muito bem, esse é o teu caminho. Vai e procura, descobre quais são os teus talentos, e logo que os encontres, saberás como sofrer e servir.” Pois existem muito poucos que realmente conseguem dizer, “Eu posso fazer isto; ao longo desta linha reside o meu sacrifício ao serviço do Mestre.” Consideramos que nos sacrificámos quando terminamos sem algo do qual podemos facilmente abrir mão.

Se eu tivesse imaginado algo em particular que o Mestre quisesse realizado, eu tratá-lo-ia de outro modo. E se eu precisasse de riquezas, tê-las-ia acumulado, não para mim, mas para o Mestre, e ao acumula-las, saberia que tinha que me sacrificar, e tinha que suportar enormes sofrimentos e mal-entendidos. Mas é a atitude que conta. Estamos com medo de que as nossas capacidades não nos guiem pelo caminho que nos foi preparado. Assim temos que descobrir antes de servir realmente, de que maneira cada um de nós pode servi-Lo, de que modo podemos oferecer o nosso sacrifício, e ao descobrir qual o nosso caminho deveremos descobrir a qual tipo pertencemos, se ao tipo que vai para o mundo e se desenvolve no mundo, por assim dizer, ou é deixado numa estufa e evolui, como uma planta, igualmente cheio de força. Há pessoas que trabalham no mundo por vários anos, que trabalham e fazem de tudo sem descobrir qual o propósito da vida. Descobrem o seu propósito por acaso, mas acumularam tanto do que o mundo tem para dar que ao entrarem em contacto com as realidades espirituais abrem mão de tudo o que adquiriram, enquanto aqueles que cresceram numa estufa separados do mundo alcançam o objectivo por outro caminho.

Portanto tal não tem importância desde que tenhamos aprendido o que ambas as guerras de identidade podem oferecer, e não até então estarão aptos a servir o mundo. Imaginem apenas uma pessoa que é criada, diga-se, num templo onde é reprimida, onde desenvolve complexos. Assim que essa pessoa sai lá para fora para o mundo, tem a melhor das diversões; e é o mesmo com a pessoa que trabalha cá fora no mundo. Não podemos evoluir ao longo de uma linha definida. Devemos evoluir em todas as direcções e até lá não ajudamos e só atrapalharemos.

Tal como eu conheço o meu próprio caminho, também cada um de nós deverá descobrir o seu caminho e até essa descoberta ser feita não devemos estar prontos ou aptos para servir o Mestre. Aqueles de nós que têm imaginação, que em certo grau têm a capacidade de tomar uma visão impessoal da vida, podem descobrir isto. Mas a maioria de nós não têm o desejo de servir, nem o desejo de alcançar o seu caminho ou objectivo.

O nosso problema é que tal como no mundo exterior, temos os nossos direitos adquiridos. E desde que exista o elemento de egoísmo, não descobriremos o caminho. Cada um de nós quer que o Mestre desça até si; mas o que não aprendemos foi que, mesmo como imaginamos, se Ele descesse das nuvens, seríamos incapazes de O servir, porque não nos equipámos para Lhe prestar serviço.

Devemos descobrir de que maneira podemos servir, e isso implica a completa violação de nós mesmos, das nossas relações, etc. Não é que não tenhamos o desejo, nem a nostalgia que as grandes pessoas têm; mas em nós não é constante. Não existe aquela pressão contínua que nos mantêm a andar, a andar, a andar. Significa verdadeiro sacrifício, significa subjugar-nos em tudo e não deixar o ego (a personalidade, o eu) ficar-se por cima. Então deixaremos de distorcer as coisas para que se encaixem nos nossos preconceitos, mas compreendê-las-emos de um modo total; por outras palavras, tornam-se realmente simples.

Devemos ter a coragem e determinação para desistir; e quando subimos e atingimos uma certa distância, descobrimos o quanto de tolos somos ao lutar pelo que é tão trivial, tão simples. Existem tantos temas com os quais lutamos de uma forma tão complicada; mas se nós apenas nos deixássemos expandir um pouco, todos estes temas se tornavam simples, todas as complicações desapareceriam. Mas requer que nos observemos constantemente, que estejamos atentos para ver se estamos a fazer a coisa certa ou a coisa errada.

Cada um de nós sabe destas coisas de fio a pavio, e mesmo assim se o Mestre chegasse e perguntasse o que cada um de nós soube fazer, de que modo agimos na sua ausência, de que modo cumprimos o nosso papel, quais seriam as nossas respostas? É surpreendente como não conseguimos mudar, como devíamos, tal e qual uma flor. A nossa crença embora forte, não é a crença de um homem que age com uma determinação fixa. Essas são, no entanto, as pessoas que o Mestre quer ao Seu serviço, e não somente aquelas que são apenas devotas, sem que essa devoção as conduza à acção. Se nós conseguirmos pôr de lado a nossa própria evolução, e trabalhar e esquecermo-nos de nós mesmos no trabalho, então seremos verdadeiramente servis e aproximar-nos-emos do Mestre. Pode ser que eu seja jovem, que eu não tenha sofrido como os mais velhos já sofreram, mas se o sofrimento pode desalentar o entusiasmo então mais vale não tê-lo. Mas o que foi que nos ensinou o sofrimento?

Como disse no início, não existe nada tão absorvente como o estudo de nós mesmos. Esse é o único assunto sobre o qual vale a pena pensar; porque significa mudança. Não existe ninguém para forçar os mais velhos, e portanto ficam cristalizados. O que interessa é descobrir o que podemos fazer e até onde nos podemos sacrificar; quanta é a nossa força e quais as nossas capacidades. Quando vemos pessoas numa atitude de reverência, penso frequentemente no que terão feito por via do sacrifício.

Nos anos que estão para vir, ou temos que nos adaptar rapidamente à corrente em mudança, ou sair completamente dela. Quando definitivamente agarrarmos um vislumbre do Plano, por mais passageiro que seja, e sabendo que devemos continuar, simplesmente continuaremos, porque é muito mais divertido do que somente marcar o tempo. O que interessa é termos de fazer qualquer coisa para mudar. A velhice não significa que não podemos mudar. Por outro lado, é mais fácil para os mais velhos, porque eles já tiveram a experiência, e o sofrimento; no entanto continuam do mesmo velho modo de perpétua negligência. Se querem ganhar dinheiro, vão e ganhem milhões, e dêem-nos ao Mestre, e podem fazê-lo se tiverem a atitude correcta. E é o mesmo com tudo o resto que queiram fazer – escrever á maquina, estenografar ou qualquer outra coisa que desejem que seja o vosso serviço para o Mestre. A atitude é o que conta e quando chegarem lá todo o resto se seguirá."

Como aprofundar esta descoberta? - (Gangaji)


Intensivo em Boulder, Colorado - 11 de maio de 2002

"Obrigada por estarem aqui, por compartilharem desta oportunidade especial de nos reunirmos por um período de tempo intensivo. Ao entrar aqui, recebi uma carta que gostaria de ler para vocês, porque ela expressa uma questão que a maioria de nós traz a estes encontros. Ela também expõe o problema que acompanha esta pergunta.

(Gangaji lê a carta.) Querida Gangaji, qual é a melhor maneira de aprofundar esta descoberta?

Essa pergunta é pertinente, qualquer que seja a descoberta; não importa se a pessoa considera a sua descoberta de si mesmo completa ou incompleta, ou se pensa que tocou apenas um aspecto dela. Esta não é a questão, não é verdade?

(Gangaji lê.) Como posso aprofundar esta descoberta? Como posso falar desta descoberta e como falar a partir dela?

Alguém aqui nunca fez perguntas como estas? Vou lhes dar a resposta agora mesmo. A resposta para ambas perguntas é a mesma: você não pode.

(Gangaji lê.) Qual é a melhor maneira de aprofundar esta descoberta?

Você não pode. Você não pode aprofundá-la.

(Gangaji lê.) Como posso falar desta descoberta e como falar a partir dela?

Você não pode. Estou falando sério. Se desistir de tentar, se desistir de esperar que de alguma maneira poderá aprofundar esta descoberta, ou falar dela ou exprimir-se a partir dela, talvez você possa abrir a sua mente a ISSO que não tem medidas, ISSO de que não se pode falar e que jamais foi expresso em palavras. Talvez você possa parar de tentar torná-la melhor, mais profunda ou maior. Talvez possa parar de tentar ser um veículo, para que ela se torne mais clara através de você. Talvez você possa parar. Neste instante: pare. E se permanecer consciente neste instante em que você pára, você será capaz de dizer a verdade acerca de quem está tentando torná-la maior. Quem está tentando expressar esta descoberta, tentando vivê-la de uma maneira melhor.

Sugiro que não tome notas. Isso cria uma separação. A crença subjacente é de que "Mesmo que eu não consiga entender agora, se tomar notas, vou conseguir alcançar depois." Mas a verdade é que você já foi alcançado. Esta é a verdade pura e simples. Por isso não posso dizer que sou uma mestra. Eu não posso lhe ensinar ISSO. Mas posso dizer e confirmar que ISSO já o possui, seja quem, ou o quê, você pensa que é, por mais magnífica ou insignificante que seja a sua auto-imagem. Se você estiver disposto a parar de tentar alcançar, consertar, conservar ou manter afastado o que quer que seja, por um momento apenas, você verá. Neste momento, você verá a si mesmo: sem forma, sem medidas, sem pensamentos e sem palavras. Neste momento, você também poderá ver que todo pensamento, seja ele de afirmação ou negação; toda forma, seja ela inteira, danificada ou ferida; toda emoção, seja ela positiva ou negativa, está plena e permeada d'ISSO. Ela é uma expressão d'ISSO. E você descobrirá que o que é percebido como invisível é concretamente real e o que percebido como visível é realmente imaterial.

Li no New York Times que os físicos descobriram recentemente que noventa e oito por cento do universo é invisível. Não é maravilhoso? Isso não expõe a arrogância humana em sua verdadeira natureza? Aqui está a possibilidade de relaxar, em vez de buscar uma prova tangível de que quem você pensa que é não está separado de Deus ou da Verdade. E se você estiver disposto a parar de buscar, será que também estará disposto a assumir o risco de que possa estar realmente separado de Deus, da Verdade, do Espírito, do despertar? Até assumir este risco, você jamais saberá com certeza. Continuará buscando, por causa do medo que você tem de estar separado. Mas, ao parar, que é o convite de meu mestre para você, você assume o risco de ver. "Se eu parar com as minhas estratégias, se parar com o meu ritual e minhas prostrações; se parar com o meu rosário, com minha mandala; se parar meus pensamentos, se parar de contar a minha história, o que restará?" Portanto, o que eu digo não importa, exceto para encorajá-lo, para confirmar a sua descoberta e desafiar você a considerar a real possibilidade de saber quem você é, em todas as histórias, todos os pensamentos, todos os acontecimentos, todas as emoções, todo mundo. Posso ler este trecho de novo? Talvez alguém não tenha ouvido da primeira vez, ou pensou que ouviu.

(Gangaji lê). Qual é a melhor maneira de aprofundar esta descoberta?

Você não pode aprofundá-la. Pare de tentar; espere e veja.

(Gangaji lê.) Como posso falar desta descoberta e como falar a partir dela?

Você não pode fazer isso. Não pode falar d'ISSO. Não pode falar a partir d'ISSO. Pare de tentar e deixe a vida revelar o aprofundamento. Deixe a vida humilhar você, a cada tentativa de falar sobre ISSO e viver ISSO. Esta humilhação, que se passa a vida tentando evitar, é muito valiosa."

domingo, 31 de janeiro de 2010

Vida - (Fábio Júnior)



"Pelas ruas da cidade pessoas andam num vai e vem
Não vêem o cair da tarde, vão nos seus passos como reféns
De uma vida sem saída, vida sem vida, mal ou bem.

Pelos bancos desses parques, ninguém se toca sem perceber
Que onde o sol se esconde, o horizonte tenta dizer
Que há sempre um novo dia, a cada dia, em cada ser.

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura
Pra encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir feliz que o amor esconde outro universo.

Pelos becos, pelos bares, pelos lugares que ninguém vê
Há sempre alguém querendo uma esperança, sobreviver
Cada rosto é um espelho de um desejo de ser, de ter.

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura
Pra encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir feliz que o amor esconde outro universo.

Cada rosto é um espelho de um desejo de ser, de ter.
Talvez, quem sabe, por essa cidade passe um anjo
E por encanto abra suas asas sobre os homens
E dê vontade de se dar aos outros sem medida
A qualidade de poder viver
vida, vida
Vida,vida "

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Prece Silenciosa - (De Tobias, canalizado por Geoffrey Hoppe)


"A oração Silenciosa é um reconhecimento de Tudo O Que É. Nesta oração eu sei que tudo que eu evoquei foi ouvido pelo espírito e que me foi dado tudo aquilo que pedi.
É um reconhecimento de que minha alma é completa no amor e na graça de Deus.
É um reconhecimento de meu total estado de perfeição e de Ser. Tudo aquilo que desejo, tudo o que quero co-criar, já esta dentro de minha realidade.
Eu a chamo de Prece Silenciosa porque sei que meu ser já está realizado.
Não há necessidade de pedir nada ao espírito, porque tudo já lhe foi dado."




"Em meu coração, eu aceito meu Ser Perfeito.
Eu aceito que a alegria que eu quis já esta em minha vida.
Eu aceito que o amor que rezei por ter já está dentro de mim.
Eu aceito que a paz que pedi já faz parte de minha realidade.
Eu aceito que a abundância que procurei já preenche minha vida.

Em minha verdade, eu aceito meu Ser Perfeito.
Eu assumo responsabilidade por minhas próprias criações,
E todas as coisas que estão dentro de minha vida.
Eu reconheço o poder do espírito que está dentro de mim,
E sei que todas as coisas são como devem ser.

Em minha sabedoria, eu aceito meu Ser Perfeito.
Minhas lições foram cuidadosamente escolhidas por mim mesmo,
E agora eu caminho por elas em completa experiência.
Meu caminho me leva em uma jornada sagrada com propósito divino.
Minhas experiências se tornam parte de tudo que há.

Em meu conhecimento, eu aceito meu Ser Perfeito.
Neste momento, eu me sento em minha cadeira de ouro
E sei que sou um anjo de luz.
Eu olho sobre a bandeja dourada- o presente do
espírito-
E sei que todos os meus desejos já foram realizados.

Em amor por mim mesmo, eu aceito meu Ser Perfeito.
Não faço julgamentos nem ponho fardos sobre mim mesmo.
Eu aceito que tudo em meu passado foi dado em amor.
Eu aceito que tudo neste momento vem do amor.
Eu aceito que tudo no meu futuro resultará sempre em amor maior.

Em meu ser, eu aceito minha perfeição.

E assim é."

Fonte: http://www.luzdegaia.org/oracoes/textos.htm

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Da Dádiva - (Gibran Khalil Gibran)


"Então um homem opulento disse: “Fala-nos da dádiva.”

E ele respondeu:

“Vós pouco dais quando dais de vossas posses.

É quando dais de vós próprios que realmente dais.

Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais por medo de precisardes delas amanhã?

E amanhã, que trará o amanhã ao cão ultraprudente que enterra ossos na areia movediça enquanto segue os peregrinos para a cidade santa?

E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade?

Não é vosso medo da sede, quando vosso poço está cheio, a sede insaciável?

Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas.

E há os que têm pouco e dão-no integralmente.

Esses confiam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca se esvaziam.

E há os que dão com alegria, e essa alegria é já a sua recompensa.

E há os que dão com pena, e essa pena é o seu batismo.

E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria nem pensar na virtude:

Dão como, no vale, o mirto espalha sua fragrância no espaço.

Pelas mãos de tais pessoas, Deus fala; e através de seus olhos Ele sorri para o mundo.

É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido;

E para os generosos, procurar quem recebe é uma alegria maior ainda que a de dar.

E existe alguma coisa que possais guardar?

Tudo o que possuís será um dia dado.

Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros.

Dizeis muitas vezes: “Eu daria, mas somente a quem merece”.

As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos.

Dão para continuar a viver, pois reter é perecer.

Certamente, quem é digno de receber seus dias e suas noites é digno de receber de vós tudo o mais.

E quem mereceu beber do oceano da vida, merece encher sua taça em vosso pequeno córrego.

E que mérito maior haverá do que aquele que reside na coragem e na confiança, mais ainda, na caridade de receber?

E quem sois vós para que os homens devam expor o seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais ver seu mérito despido e seu amor-próprio rebaixado?

Procurai ver, primeiro, se mereceis ser doadores e instrumentos do dom.

Pois, na verdade, é a vida que dá à vida, enquanto vós, que vos julgais doadores, são meras testemunhas.

E vós que recebeis – e vós todos recebeis – não assumais encargo de gratidão a fim de não pordes um jugo sobre vós e vossos benfeitores.

Antes, erguei-vos, junto com eles, sobre asas feitas de suas dádivas;

Pois se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra liberal por mãe e Deus por pai.”



(Excertos de “O Profeta")

O Louco - Gibran Khalil Gibran



"Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sintonia com Deus - (Amma)


"Só na profundidade do puro silêncio podemos ouvir a voz de Deus.

Deus é compaixão. Ele está esperando na porta de cada coração. Ele é um convidado inesperado em todo lugar, porque, se você chamá-lo ou não, ele estará lá. Se você é crente ou descrente, ele está dentro de você, sendo convidado ou não. Por trás de cada forma, por trás de tudo, Deus está escondido. Ele embeleza as coisas e as cria. Ele é a fórmula oculta da vida. Mas ele não vai se revelar a você. Você não vai senti-lo se você não chamá-lo. A oração é o convite. Você deve invocá-lo através da oração e da meditação. Clamar, cantar e repetir o mantra são convites, são pedidos para Deus se revelar.


Deus não está confinado a um determinado corpo ou lugar. Não há sequer um átomo de espaço onde ele não esteja. Não pense que a Amma está apenas em Vallickavu e apenas neste corpo. Quando você ora sinceramente e pensa na Amma, definitivamente, essa vibração irá atingi-la e refletirá sobre sua mente. Suas orações e seu sankalpa puro e inocente trará a Amma até você. Então você irá sentir a paz e a presença da Amma.

Entregue simplesmente a sua mente a Deus, refugiando-se nele, e não lhe faltará nada na vida. O que você precisa lhe será dado. Seus problemas serão resolvidos, e de alguma forma, você vai encontrar a paz. Aqueles que rezam para Deus e meditam sobre ele sinceramente, não sentirão falta de nada que seja essencial. Essa é a vontade de Deus. É a experiência da própria Amma. Cante o Lalita Sahasranama (1.000 nomes da Mãe Divina) todos os dias com amor e devoção. Então, nada lhe faltará.

O que é uma oração de verdade?
A oração verdadeira nunca deve conter sugestões, instruções ou ordens. O devoto sincero simplesmente diz: "Senhor, eu não sei o que é bom ou o que é ruim para mim. Eu não sou ninguém, não sou nada. O Senhor sabe tudo. Eu sei que tudo o que o Senhor faz é para o meu bem. Portanto, faça o que quiser." Na oração verdadeira, você se prostra, renuncia e declara sua impotência perante o Senhor.

Para se lembrar de Deus, você tem que se esquecer de você. Estar realmente focado em Deus é estar plena e absolutamente no momento presente, esquecendo-se do passado e do futuro. Isso por si só é a oração real."

Fonte: http://www.ammabrasil.org/ensinamentos/oracao.htm

Como devemos orar? - (Amma)


Fechando a porta, deve-se imaginar que a divindade amada está presente no mesmo local que você. Então, devemos orar assim: "Senhor, você não está me vendo? Ó Deus, por favor, leve-me para o seu colo. Eu sou seu filho. Não tenho outro refúgio. Não me abandone, e sempre esteja no meu coração".

Contemple Deus como seu criador, protetor e morada final para onde você vai voltar. Tente sentir Deus com todo o coração, sentindo sua presença, graça, compaixão e amor. Abra seu coração e ore: "Ó Senhor, meu criador, protetor e descanso final, guia-me à sua Luz e Amor. Encha meu coração com a sua presença. Eu tenho dito que sou teu filho, mas sou totalmente ignorante da minha existência em você. Meu Senhor amado, não sei como adorá-lo, como agradá-lo ou mesmo meditar em sua forma. Não estudei as Escrituras, não sei como glorificá-lo. Ó Compassivo, mostre-me o caminho correto para que eu possa voltar à minha residência verdadeira, que não é além do que Você."

O período entre a noite e a madrugada é o melhor momento para orar. A natureza está quieta e ninguém irá incomodá-lo.

Não importa o que você faça ou pense, leve as suas queixas para o puja (sala de oração), onde seu verdadeiro amigo está. Vá para lá e queixe-se: 'Por que o Senhor me trata assim? Você não está comigo?" Abra seu coração e conte tudo a Deus. Em seguida, sua oração se torna um Satsang.

Filhos, tentem orar até que seus corações derretam e escorram como lágrimas. Diz-se que a água do rio Ganges purifica aqueles que mergulham nele. As lágrimas que enchem os olhos enquanto há uma lembrança de Deus têm o poder para purificar a mente. Estas lágrimas são mais poderosas que a meditação. Essas lágrimas são, na verdade, o próprio rio Ganges.

O que devemos orar?

Um verdadeiro devoto percebe que o seu Senhor está dentro e fora, que Ele é onisciente e todo poderoso – onipresente, onisciente e onipotente. Compreendendo isso, quem ora simplesmente tenta expressar sua impotência total ao Senhor e aceitá-lo como o seu único protetor e guia. Nessa oração sincera, de coração aberto, o devoto confessa a inutilidade e a carga de seu ego. Por que se deve manter uma coisa inútil? Portanto, ele ora ao Senhor para removê-lo, destruí-lo. Este tipo de oração vai definitivamente levá-lo à meta.

Rezar para o cumprimento dos desejos mesquinhos está prendendo sua mente e todos os seus apegos e aversões. Não só isso, está acrescentando mais à vasanas existentes. Novos mundos são criados. Junto com isso, você prolonga a corrente de sua ira, luxúria, ganância, inveja, delírio e todos os outros traços negativos. Cada desejo traz consigo as emoções negativas. O resultado dos desejos insatisfeitos é a raiva.

Orem por uma mente contente em todas as circunstâncias. A oração torna-se verdadeira somente quando você reza para uma mente tranquila e feliz, sem se importar com o que possa receber."

Fonte: http://www.ammabrasil.org/ensinamentos/como.orar.htm

Um Conceito Budista de Natureza - (Dalai Lama)


"Hoje à noite eu direi algo sobre o conceito budista de natureza.

Nagarjuna disse que para um sistema onde o vazio é possível, também é possível haver funcionalidade, e desde que a funcionalidade é possível, o vazio também o é. Assim quando nós falamos sobre a natureza, seu princípio é o vazio. O que significa o vazio ou shunyata? Não é o vazio da existência, mas especialmente o vazio da existência verdadeira ou independente, que significa que as coisas existem pela interdependência entre si.

Assim tanto o meio ambiente quanto seus habitantes são compostos de quatro ou cinco elementos básicos. Estes elementos são: terra, vento, fogo, água e vácuo, que é o espaço. Sobre o espaço, no Tantra de Kalachakra há uma menção do que é conhecido hoje por átomo de espaço, partículas de espaço; que formam a força central de todo fenômeno. No início, todo o universo evoluiu desta força central que é a partícula do espaço, e também uma parte deste universo se dissolverá eventualmente nesta mesma partícula. Assim é na base destes cinco elementos que há uma grande interrelação entre o habitat que é o meio ambiente e os habitantes, isto é, os seres senscientes que vivem nele.

Quando nós falamos sobre os elementos, também há elementos internos que existem inerentemente dentro dos seres senscientes; são também de níveis diferentes - alguns são sutis e alguns são brutos.

Assim de acordo com os ensinamentos budistas, a consciência sutil íntima é exclusiva do criador e se consiste das formas mais sutis destes elementos. Estes elementos sutis servem de condições para produzir os elementos internos, que formam os seres senscientes, e que por sua vez causam a existência ou a evolução dos elementos externos. Assim há uma interdependência ou um inter-relacionamento muito próximo entre o meio ambiente e os habitantes.

Dentro do significado da interdependência há muitos níveis diferentes onde as coisas são dependentes dos fatores ocasionais, ou das suas próprias partes, ou da mente conceitual, que realmente é a que designa.

O tópico que nós estamos discutindo hoje é o inter-relacionamento ou a interdependência entre o meio ambiente e os seres senscientes que vivem nele.

Agora veja, alguns dos meus amigos dizem que a base da natureza humana é violenta. Então eu disse a estes amigos que não penso assim. Se nós examinarmos mamíferos diferentes, há animais como tigres ou leões que dependem muito de outra vida para sua sobrevivência básica e, por causa de sua natureza básica têm uma estrutura especial, com dentes e unhas longos. Há também animais calmos tais como os cervos, que são completamente herbívoros e seus dentes e unhas são mais delicados. Portanto desse ponto de vista, nós seres humanos pertencemos à categoria delicada, não é? Nossos dentes e unhas são muito delicados. Então eu disse a estes amigos que eu não concordo com seu ponto de vista. Eu creio que os seres humanos têm uma natureza de base não violenta.

Também, sobre a pergunta da sobrevivência humana, os seres humanos são animais sociais. A fim de sobreviver você necessita de outros companheiros; sem outros seres humanos não há simplesmente nenhuma possibilidade de sobreviver; essa é lei da natureza, essa é natureza.

Creio profundamente que os seres humanos são basicamente de natureza delicada e também penso que a atitude humana com o nosso meio ambiente deveria ser delicada. Conseqüentemente acredito que não somente devemos manter um relacionamento delicado e não violento com outros companheiros humanos, mas também é muito importante estender esse tipo de atitude ao meio ambiente. Eu penso, moralmente falando, que nós podemos pensar assim e nós todos devemos nos preocupar com o nosso meio ambiente.



A partir disso vou expor outro ponto de vista e neste caso não é uma questão de moralidade ou de ética; é uma questão de nossa própria sobrevivência. Não somente esta geração, mas para outras gerações o meio ambiente é algo muito importante. Se nós explorarmos o meio ambiente de maneira extrema, hoje nós podemos ganhar algum benefício, mas a longo prazo nós sofreremos e outras gerações sofrerão. Assim quando o meio ambiente muda, as circunstâncias climáticas também mudam. Quando a mudança é dramática, estruturas econômicas e muitas outras coisas também mudam, ate mesmo nosso corpo físico. Assim você pode ver o grande efeito dessa mudança. Portanto, desse ponto de vista esta é não somente uma questão de nossa sobrevivência individual.

Conseqüentemente, a fim de conseguir resultados mais eficazes e a fim de ter sucesso na proteção, conservação e preservação do meio ambiente, primeiramente penso que também é importante falar sobre o equilíbrio interno dos seres humanos. Desde que a negligência com o meio ambiente - que resultou em muitos danos à comunidade humana - surgiu da ignorância em relação a grande importância do meio ambiente, eu penso que é fundamental introduzir gradualmente este conhecimento dentro dos seres humanos. Assim, é muito importante ensinar ou contar para as pessoas sobre sua importância para seu próprio benefício.

Então, uma das coisas mais importantes outra vez, como eu estou sempre dizendo, é o pensamento que manifesta a compaixão. Como eu mencionei anteriormente, mesmo do ponto de vista de alguém egoísta, você necessita de outras pessoas. Assim, mostrando interesse pelo bem-estar de outras pessoas, compartilhando do sofrimento de outras pessoas e ajudando outras pessoas, no final você irá se beneficiar. Se pensar somente em si mesmo e se esquecer dos outros ao final você perderá. Isto também é algo como a lei da natureza. Eu penso que é completamente simples. Se você não mostrar um sorriso para outras pessoas e mostrar algum tipo de olhar mau ou algo como isso, o outro lado também irá dar uma resposta similar. Não é verdade? Se você mostrar para outras pessoas uma atitude muito sincera e aberta também haverá uma resposta similar. Então é uma lógica bem simples. Todos querem ter amigos e não querem ter inimigos. A maneira apropriada para criar amigos é através de um coração quente e não simplesmente pelo dinheiro ou pelo poder. Os amigos do poder e os amigos do dinheiro são algo diferente. Estes não são amigos.

Um amigo verdadeiro deve ser um amigo verdadeiro do coração, não é assim? Eu estou sempre dizendo para as pessoas que aqueles amigos que lhe vêem quando você tem dinheiro e poder não são seus amigos verdadeiros mas são amigos do dinheiro e do poder. Porque assim que seu dinheiro e poder desaparecer, aqueles amigos também estarão prontos para dizer tchau, adeus. Assim você vê que estes amigos não são de confiança. Os amigos humanos sinceros e verdadeiros sempre compartilharão de seu sofrimento, suas aflições e irão sempre vir a você, não importando se você é bem sucedido ou azarado. Assim a maneira de conquistar um amigo verdadeiro não é pela raiva, nem pela educação ou inteligência, mas pelo coração - um bom coração. Assim, como eu sempre digo se você pensar em uma maneira mais profunda, se você for egoísta então você deve ser sabiamente egoísta, não um egoísta limitado pela mente. Desse ponto de vista, a coisa chave é o sentido da Responsabilidade Universal, que é a verdadeira fonte da força e da felicidade.



Desta perspectiva se em nossa geração explorarmos tudo o que está disponível: as árvores, água, recursos minerais ou qualquer outra coisa sem nos importarmos com a geração seguinte, com o futuro, isso é nossa culpa, não é? Assim se nós tivermos um sentimento verdadeiro de responsabilidade universal baseando o centro da nossa motivação e dos princípios, as nossas relações com o meio ambiente serão bem equilibradas. Isto é similar ao equilíbrio dos aspectos dos relacionamentos, das nossas relações com vizinhos, com os vizinhos da nossa família, ou com os vizinhos do nosso país.

Realmente, contado também em versos antigos, muitos grandes pensadores assim como grandes mestres espirituais foram produzidos neste país, a Índia. Assim, eu sinto em épocas modernas que estes grandes pensadores indianos, tais como Mahatma Gandhi e alguns políticos executaram idéias nobres como o ahimsa na arena política. Em uma determinada maneira a política estrangeira da Índia de não-alinhamento é relacionada também com aquele tipo de princípio moral. Assim creio ser neste país muito relevante e importante uma grande expansão ou um desenvolvimento além destas idéias ou ações nobres.

Agora em respeito a isso, uma outra coisa que eu sinto ser importantíssima é o que é consciência, o que é mente? Até agora, eu penso especialmente no mundo Ocidental, durante o último ou penúltimo século onde a ciência e a tecnologia foram muito enfatizadas e trataram principalmente da matéria.

Hoje alguns dos físicos nucleares e neurologistas começaram a investigar e analisar partículas em uma maneira muito detalhada e profunda. Ao fazerem isso encontraram algum tipo de participação do lado do observador que chamam às vezes de "o conhecedor". O que é "o conhecedor"? Falando de uma maneira simples é o ser, o ser humano, como cientistas através de que maneira os cientistas sabem? Eu penso que é através do cérebro. Agora em relação ao o cérebro os cientistas ocidentais ainda não identificaram completamente as mais de cem bilhões das células cerebrais. Creio que de cem bilhões somente algumas centenas foram identificadas até o momento. Em relação à mente, se você a chama de mente ou de uma energia especial do cérebro, ou de consciência, você verá que há um relacionamento entre o cérebro e a mente e entre a mente e a matéria. Isto eu penso ser muito importante. Eu sinto que deveria haver algum tipo de diálogo entre a filosofia oriental e a ciência ocidental na base do relacionamento entre a mente e a matéria.

Em todo o caso, hoje nossa mente humana está procurando muito ou está muito envolvida com o mundo externo. Eu penso que nós estamos perdendo ao não nos importarmos e ignorarmos o mundo interno.

Nós necessitamos de desenvolvimento científico e material a fim de sobreviver, de ter benefícios e mais prosperidade. Igualmente necessitamos da paz mental. Nenhum médico pode nos injetar a paz mental: nenhum mercado pode vender a paz mental ou a felicidade. Com milhões e milhões de rúpias você pode comprar qualquer coisa, mas se for a um supermercado e dizer eu quero a paz mental as pessoas irão rir. E se você pedir a um médico: quero a verdadeira paz mental, não tediosa, você poderá conseguir um comprimido para dormir ou alguma injeção. E embora você consiga descansar o resto não estará no caminho correto, certo?

Portanto se você quiser a verdadeira paz ou a tranquilidade mental o médico não poderá fornecê-las. Uma máquina como o computador, por mais sofisticado não pode fornecer paz mental. A paz mental deve vir da mente. Todos querem a felicidade e o prazer. Agora, compare o prazer físico e a dor física com a dor mental ou o prazer mental e você descobrirá que a mente é superior, mais eficaz e dominante. Assim sendo deve-se aumentar a paz mental através de determinados métodos. A fim de fazer isso é importante conhecer mais a mente, o que considero fundamental.

Quando você diz meio ambiente, ou preservação do meio ambiente, isto está relacionado com muitas coisas. No final das contas a decisão deve vir do coração humano, não é verdade? Creio que o ponto chave é o verdadeiro sentido da responsabilidade universal, baseado no amor, na compaixão e numa consciência límpida."


(Transcrito de um palestra no dia 4 de Fevereiro de 1992, em Nova Deli, Índia. Traduzido por Thilie Sproesser e revisado por Arnaldo Bassolli.)
Fonte: www.dalailama.org.br/

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quem é você para mudar a outra pessoa? - (Osho)


"Quem é você para mudar a outra pessoa?

No que me diz respeito, minha aceitação de cada um é total. Seja você quem for, seja você o que for, eu não quero impor nenhum ideal sobre você de que você tem de ser alguma outra coisa. Se você desenvolver-se em algo além, isso é uma outra coisa, mas eu não lhe quero dar quaisquer "deveres" - que você deve ser isto, que você deve ser aquilo, que "a menos que você atinja este certo ideal você não é digno de ser chamado humano". Não; como você é você é perfeitamente digno. A existência o aceita, a vida o aceita - e eu não sou contra a vida, não sou contra a existência; eu simplesmente sigo do jeito que o rio da vida corre. Se a vida o aceita, eu o aceito.

As pessoas têm condições quando aceitam...

Pequenas coisas são suficientes para criar barreiras, e estamos todos vivendo com as nossas defesas, de modo que os outros não podem saber exatamente o que nós somos. Nós lhes permitimos conhecer apenas aquela parte do nosso ser que é aceitável a eles. Esse é um dos fundamentos da nossa miséria. As pessoas são diferentes e nós deveríamos nos alegrar e regozijar em suas diferenças, eu suas variedades. Seu julgamento não vai mudar ninguém; talvez seu julgamento possa criar uma teimosia na outra pessoa em não mudar. Quem é você para mudar a pessoa?

Esses são os segredos da vida. Se você aceita alguém com totalidade, ele começa a mudar, porque você lhe dá total liberdade de ele ser ele mesmo. E a pessoa que lhe dá total liberdade de você ser você mesmo... - você gostaria que aquela pessoa fosse feliz; no que lhe diz respeito, ele lhe deu a dignidade e a honra de aceitá-lo. É muito natural que, se você vê algo em você que não está certo - embora a outra pessoa o aceite como você é - você deseje ser até melhor, por causa dela; ser mais meigo, mais amoroso, mais delicado por causa dela.

Eu o aceito como você é. Eu não tenho nenhuma expectativa sobre você - eu não quero que você seja modelado dentro de uma certa idéia, dentro de um certo ideal. Não quero fazer de você uma estátua morta. Quero que você fique vivo, mais vivo... e você pode ser vivo somente se a sua totalidade for aceita - não apenas aceita, mas respeitada.

Eu quero que cada pessoa do meu povo seja simplesmente ela mesma, absolutamente natural... e permitindo que o outro também seja natural, aceitando uns aos outros, tentando compreender o mistério de cada um e ajudando de todas as maneiras de modo que o outro possa se tornar cada vez mais autêntico.

Somente seres humanos autênticos podem criar uma sociedade que seja alegre, extasiada e, no sentido verdadeiro, humana."



Fonte: Osho - The Hidden Splendor (O Esplendor Escondido) # 17, p. 197

Chega de rótulos! - (Glauco Tavares)


Escrito por Glauco Tavares em 25 de Novembro de 2009

A visão deste artigo está sob a luz da filosofia oriental, que preza o “estar” em relação ao “ser”.

Quantos rótulos ou apelidos você teve na infância? Eu me lembro de dois que acabei incorporando durante anos de minha vida:

1) Anão: eu era bem pequeno, confesso... Não sou gigante hoje em dia, mas tenho 1,73 metros. Eu carreguei este rótulo durante anos, sempre me sentia menor em qualquer lugar.

2) Topo Gigio: você lembra aquele rato orelhudo da TV? Também passei anos achando que ao invés de orelhas eu tinha um par de asas.

Resumindo, durante muito tempo eu me achava filhote do dumbo, pequeno e orelhudo.

Depois que crescemos os rótulos mudam e passamos à estressado, zen, egoísta, desapegado, mal humorado, ansioso, esforçado, empresário, gordo, magro, feio, bonito, médico, engenheiro, professor, dentre inúmeros outros. Infelizmente temos o péssimo hábito de reduzir uma pessoa a um estado ou uma profissão.

Quando afirmarmos que alguém “é” algum exemplo citado acima ou outro, estamos cometendo um grande equivoco. Na verdade todos “estão” alguma coisa, mas não “são”.

Durante meus devaneios pensei que pelo fato de acharmos que os outros “são” ou que nós “somos” alguma coisa podemos assumir um grande nível de apego por este título, e convenhamos que apego seja algo complicado de se trabalhar. Ninguém gosta de perder o que possui, por isso, gerar apego pelo “ser” alguma coisa pode nos trazer conseqüentemente sofrimento.

Um exemplo simples pode ser como uma pessoa que assumi o rótulo de ser corredor, esportista, e durante um determinado momento tem problema na sua coluna que a impede de praticar atividade física, como correr. O que acontece quando a pessoa acha que ela “é” um corredor? Ela sofre.

O mesmo pode-se dizer de um relacionamento. Quando achamos que “somos” casados parece que este “ser” cria poder sobre o outro, ao passo que simplesmente “estamos” casados. Ou no caso de uma profissão como a minha: professor de yoga, eu não “sou” professor eu apenas “estou”.

“Ser” alguma coisa aprisiona, enjaula, enquanto “estar” liberta e abre novas possibilidades. Quando “estamos” alguma coisa pode ser mais fácil de deixarmos, talvez por isso seja tão difícil nos livrarmos de hábitos e comportamentos uma vez que pensamos que “somos” daquele jeito, quando na verdade apenas “estamos”. Seria como uma roupa que vestimos, “estamos” com ela e no outro dia não mais, é simples, ninguém chora quando tira uma camiseta.

A única certeza que eu tenho de “sermos” algo é “sermos” uma centelha divina, o atman, o purusha, o nosso eu interior.

Tratei de tudo isso acima para dizer que recebi um novo rótulo, agora não mais de anão nem de topo gigio, mas de cristão. Este rótulo veio em função de alguns de meus artigos citarem o nome de Jesus Cristo.

Só que o pior rótulo não é aquele que as pessoas colocam em nós, mas aqueles que nós vestimos como verdade.

Primeiro que eu não teria problema algum em “ser” cristão, mas este rótulo não colocou em mim, pois eu apenas “estou” cristão assim como sempre “estarei” budista em função dos meus anos de estudo sobre a vida de Sidarta Gautama. Meus estudos atuais estão voltados para a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo e a mística cristã, que por respeito a tudo que ele nos deixou e a todo o misticismo cristão posso afirmar que “estarei” sempre cristão.

Nos próximos anos pretendo “estar” judeu, islâmico, taoísta e outros. Minha grande jornada visa Deus, manifestar meu eu interior, a centelha divina que está em mim. Logo, estudar a vida de seres que tiveram esta consciência irá apenas colaborar para meu processo espiritual.

Nós “somos” divinos, embora muitas vezes nos esqueçamos disso. Fora isso, sempre “estaremos” alguma coisa.

Pensemos bem, nós não temos o direito de limitar a infinita capacidade humana a um simples rótulo.



Fonte: http://glaucotavares.blogspot.com/

O que vem depois - (Abraham Hicks)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pra você guardei o amor - (Nando Reis e Ana Cañas)


"Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive
E vi sem me deixar
Sentir
Sem conseguir
Provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei
O amor que sempre
Quis mostrar
O amor
Que vive
Em mim
Vem visitar
Sorrir

Vem colorir
Solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher
O que ele
Tem e traz
Quem entender
O que ele diz
No giz do gesto
O jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite
Do silêncio
Exibe
Em cada olhar
Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão

Ou coisa outra
Qualquer
Além
De não saber
Como fazer
Pra ter
Um jeito
Meu
De me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação nenhuma
Isso requer
Se o coração
Bater forte
E arder
No fogo
O gelo
Vai queimar

Pra você
Guardei
O amor
Que aprendi
Vem dos meus pais
O amor
Que tive
E recebi
E hoje posso dar
Livre e feliz
Céu cheiro e ar
Na cor que
Arco iris
Risca ao levitar
Vou nascer
De novo
Lápis

Edifício
Te ver e
Ponte
Desenhar
No seu quadril
Meus lábios
Beijam
Signo
Feito
Sinos
Trilho
A infância
Teço o berço
Do seu lar"

Simplesmente Tereza ...



Presente recebido do querido amigo Luiz Roberto!
Amor e gratidão!

O solitário é o eleito - (Osho)


"O solitário é o eleito. O que o solitário escolheu? Ele escolheu somente seu próprio ser. E, quando você escolhe seu próprio ser, escolhe o ser de todo o Universo — porque seu ser e o ser universal não são duas coisas separadas.

Quando você escolhe a si mesmo, escolhe Deus e, quando você escolhe Deus, Deus o escolhe — você se tornou o eleito.

Bem-aventurado é o solitário e o eleito, porque ele encontrará o reino. Por vir dele, lá irá novamente.

Um solitário, um saniasin — é isso o que significa saniasin — um ser solitário, um peregrino, inteiramente feliz em sua solitude. Se alguém caminha ao lado dele, tudo bem, isso é bom. Se alguém o deixa, também está bem, isso é bom.

Ele nunca espera por alguém e nunca olha para trás. Sozinho, ele é inteiro. Esse estado de ser, essa inteireza, faz dele um circulo, e o princípio e o fim se encontram, o alfa e o ômega se encontram."



Fonte: Osho, em "Amor, Liberdade e Solitude: Uma Nova Visão Sobre os Relacionamentos"
Imagem por migster14
www.palavrasdeosho.com

Texto recebido de Dagmar Witt! ... Amor e gratidão!

Rito de passagem - (Lenda Cherokee)


"Você conhece a lenda do rito de passagem da juventude dos índios Cherokees?

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.

O filho se senta sozinho no topo de uma montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.

Ele não pode gritar por socorro para ninguém.

Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.

Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.

O menino está naturalmente amedrontado.

Ele pode ouvir toda espécie de barulho.

Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.

Talvez alguns humanos possam feri-lo.

Os insetos e cobras podem vir picá-lo.

Ele pode estar com frio, fome e sede.

O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.

Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.

Finalmente...Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.

Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.

Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo.

Nós também nunca estamos sozinhos!

Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós, 'sentado ao nosso lado'.

Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo."