sábado, 12 de dezembro de 2009

A verdade sobre o puja - (Pedro Kupfer)


Você sabe o que significa é o pújá? Alguns praticantes acreditam que o pújá seja uma espécie de transferência de energia, uma saudação esquisita onde quem 'dá' o pújá perde alguma coisa, e quem o 'recebe', ganha energia e longevidade, força e mais alguma coisa nebulosa, arrancada à força do doador.

A palavra sânscrita pújá significa literalmente adoração. Na Índia, a palavra pújá é usada para descrever as diferentes formas de adoração aos deuses, seja no templo, seja em casa.

Um pújá é um ato de reverência do devoto em relação a uma determinada representação de Deus, indicado pela presença de um símbolo (uma escultura, uma imagem, uma fogueira sagrada, etc.).

Entre os procedimentos do pújá estão a invocação inicial ao Ishta devattá, a deidade eleita, chamada áváhana, o convite para sentar, a lavagem dos pés e atos de adoração mediante o oferecimento de flores, incenso, luz e alimento.

O pújá é precedido pelo sankalpa, a resolução interior de levá-lo a cabo. Na continuação se faz o múla mantra, o mantra invocatório, e se dá o nome da deidade à qual o ritual é dirigido. Depois se oferecem os elementos rituais e se fazem os mantras propiciatórios. O ritual conclui com o visarjana, o convite para que a deidade se recolha.

Conforme o tipo de pújá, se usam tradicionalmente grupos de vinte e um, dezesseis, dez ou cinco elementos rituais, chamados upachára. Dentre eles, os cinco elementos que constituem a matéria (pañchatattwa), aparecem simbolizados por oferendas de flores (pushpa), incenso (dhúpa), luz (dípa), alimentos (naivedya) e sândalo (chandana), significando éter, ar, fogo, água e terra respectivamente.

Esses procedimentos formais prescritos para o pújá buscam venerar uma das representações de Deus, na forma de um hóspede que se recebe dentro de casa. Estes atos são feitos em estado de meditação e vão acompanhados pela recitação de certos mantras e textos escriturais que variam conforme a tradição do pújári (aquele que faz o pújá).

O ritual do pújá conclui com a distribuição de prasáda, alimento que foi oferecido à deidade. A aceitação do prasáda é um ato de reconhecimento da deidade como a fonte de toda a felicidade, a realização espiritual, a paz e a prosperidade de que desfrutamos.

Outros sinônimos de pújá são vandaná, saparyyá, namasyá, arhaná e bhajan. O pújá do Bhakti Yoga se faz diariamente, dirigido à deidade de culto pessoal, Ishta devattá: Vishnu se a pessoa for vaishnava, Shiva ou Ganesha se for shaiva, Deví no caso de um shakta, etc. É um tipo de prática chamada kámya, que se faz para realizar algum objetivo.

A quem pertence a Terra? - (Leonardo Boff)


No Brasil se discute muito a questão da internacionalização da Amazônia ou a quem pertence essa rica porção do planeta Terra. Sem querer entrar nesta discussão que um dia retomarei, percebo que ela remete a outra ainda mais fundamental: a quem pertence a Terra?

Muitas são as respostas possíveis, algumas verdadeiras, outras insuficientes ou até falsas. Com certa naturalidade poderíamos responder: a Terra pertence aos humanos. Apelamos até à palavra das Escrituras que nos dizem: ”entrego-vos tudo...propagai-vos pela Terra e dominai-a”(Gn 9,3.7). Estranhamente, os humanos irromperam no cenário da evolução quando a Terra estava em 99,98% pronta. Eles não assistiram ao seu nascimento nem ela precisou deles para organizar sua complexidade e biodiversidade. Como pode lhes pertencer? Só a ignorância unida à arrogância os faz pretender a posse da Terra.

Poderíamos ainda responder: a Terra pertence aos seres mais numerosos que a habitam. Então ela pertenceria aos microorganismos - bactérias, fungos, vírus - pois constituem 95% de todos os seres vivos. Segundo o conceituado biólogo E. Wilson um grama de terra contem cerca de 10 bilhões de bactérias de 6 mil espécies diferentes. Imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam a totalidade dos solos terrestres. Todos estes têm mais direito de posse da Terra do que nós, seja por sua ancestralidade, seja pelo número seja pela função de garantir a vitalidade do planeta.

Ou ela pertence à totalidade dos ecossistemas que servem à comunidade de vida, regulando os climas e a composição físico-química do planeta. Esta resposta é boa mas insuficiente porque esquece as relações que a Terra entretém com as energias e os elementos do universo.

Assim, a Terra pertence ao sistema solar que, por sua vez, pertence à nossa galáxia, a Via Láctea que, por fim, pertence ao cosmos. Ela é um momento de um processo evolucionário de 13,7 bilhões de anos.

Mas esta resposta não nos satisfaz pois ela remete a uma pergunta ulterior: e o cosmos a quem pertence? Pertence àquela Energia de fundo, ao Vácuo Quântico, ao Abismo alimentador de todos os seres, à Fonte originária de tudo. Esta é a resposta que os astrofísicos e cosmólogos costumam dar. E é correta. Mas não é ainda a última.

Cabe uma derradeira pergunta: a quem pertence a Energia de fundo do universo? Alguém poderia simplesmente responder: ela não pertence a ninguém, pois pertence a si mesma. Esta resposta é simplesmente uma não-resposta porque nos coloca diante de um muro. Ela nos remete à teologia, a Deus.

Mudando de registro e caindo na nossa realidade cotidiana e brutal dos negócios: a quem pertence a Terra? Ela, na verdade, pertence aos que detém poder, aos que controlam os mercados, aos que vendem e compram seu chão, seus bens e serviços, água, genes, sementes, órgãos humanos, pessoas feitas também mercadorias. Estes pretendem ser os donos da Terra e dispõem dela como bem entendem.

Mas são donos ridículos pois esquecem que não são donos deles mesmos, nem de sua origem nem de sua morte.

A quem pertence à Terra? Fico com a resposta mais sensata e satisfatória das religiões, bem representadas pela judaico-cristã. Nesta Deus diz: “Minha é a Terra e tudo o que ela contem e vocês são meus hóspedes e inquilinos”(Lv 25,23). Só Deus é senhor da Terra e não passou escritura de posse a ninguém. Nós somos hóspedes temporários e simples cuidadores com a missão de torná-la o que um dia foi: o Jardim do Éden.



Fonte: www.leonardoboff.com
Leonardo Boff é autor de Opção Terra. A solução da Terra não cái do céu. Record 2009.

Qual o compromisso da minha religião com a paz? - (Monja Coen)


"Nirvana é Paz.

Todos os seres podem atingir Nirvana.

No Budismo Mahayana o voto principal é de auxiliar todos os outros seres a encontrar Nirvana, antes de pensar em si mesmo.

A tradição Zen Budista Soto Shu tem três prioridades: Paz mundial, Direitos Humanos e a Ecologia. Esses três pilares interagem criando seres responsáveis e atuantes na comunidade.

A Paz não pode ser obtida através de guerras, lutas, vitórias nem derrotas.

A Paz, este estado de Nirvana é a própria prática do Caminho Correto. Somos aquilo que fazemos, falamos e pensamos. Somos paz quando falamos pensamos e fazemos a paz conosco e com tudo que nos cerca, propiciando condições de paz para todos os seres.

O Nirvana, a Paz, faz parte da interdependência da vida. Causas e condições favoráveis e se manifesta. Causas e condições adversas e não se manifesta. Criamos, com nossas vidas, com nossas palavras, gestos, pensamentos causas e condições para a Paz. Dentro e fora de nós.

Quantos mais átomos de paz houver no mundo, mais este mundo como um todo poderá encontrar maneiras de compreensão, compaixão, ajuda, cuidado mutuo e reconciliação. Temos de nos reconciliar com nós mesmos e com Buda, o Ser Iluminado. Temos de nos reconciliar com os outros humanos, com a grande natureza iluminada. Temos de nos reconciliar com a paz. Nunca lutar pela paz. Nem pessoas, nem grupos nem países podem ser considerados inimigos. O ser humano sofre basicamente de três males: ganância, raiva e ignorância. Seus antídotos são a doação, a compaixão e a sabedoria iluminada.
Mais do que a simples tolerância temos de desenvolver a capacidade de ouvir, entender, compreender e querer o bem a todos os seres. Isto inclui as águas, as terras, os céus e todas as formas de vida. Cuidar respeitosamente, inclusivamente, de tudo que inter existe.

Chamamos Buda ao Ser Desperto, aquele que Acordou, o Iluminado.

Há tantos Budas quanto grãos de areia no Ganges, dizia nosso fundador histórico."

Nossa prece é para que todos Budas se tornem Budas, transmitindo a maravilhosa mente de Nirvana, de Paz.

Fonte: www.monjacoen.com.br

sábado, 5 de dezembro de 2009

Livre - (Bruna Caram)

"Tá tudo bem…

Bem mais suave

Bem à toa.

Gosto dele nessa calma

- Nesse vôo -

Que eu nem sei se vai vingar

Se vai prender

Ou escapar

Se vai crescer

Ou vai cansar…



Eu gosto dele assim,

De um jeito que eu não sei se vai fugir

Ou vai ficar.

Se é doer

Ou é sarar.

Eu gosto dele e nele eu posso até passar…



Eu gosto dele sem moldura

Sem dispor, sem partitura,

Sem lugar, sem peso, nem peça, nem par.



Eu gosto dele e nele eu posso passear…






E há quem aposte

E até quem goste

De dizer, pra prevenir,

que eu posso vir a precisar

Desse querer que eu nunca quis fazer fincar.



Mas meu querer é meu querer

E faz melhor:

E só trazer sem exigir

Sem vir correndo se exibir

Nem vir correndo se amarrar.



É sem palpite, sem convite, sem revide, sem qualquer rigor de altar:

É claro, é puro, é sempre à toa,

É brilho que não quer pegar.

É reluzir

Sem relutar.



Eu gosto dele

Mesmo se ninguém olhar

Num gesto livre, a me levar

De um jeito leve, decidido, que não deve,

Que nem sabe pra que serve,

Nem se atreve a se gastar…"

Amado Mooji

Realidade ilusória? - (Fonte: Prana Yoga Journal)

O elefante irreal!

Uma vez, um yogi vivia numa densa floresta com seus discípulos. Ele ensinava o desapego e repetia incessantemente para os estudantes que o mundo manifestado é pura ilusão, que a natureza é uma miragem e que somente o Ser tem existência real. Um dia, um elefante furioso e faminto atacou a ermida onde eles moravam. Todos os praticantes, junto com o professor, se refugiaram no alto de uma grande árvore enquanto o elefante se refestelava no estoque de arroz deles.



Quando o animal foi embora, um estudante bastante perspicaz perguntou ao mestre: “Sempre aprendemos de você que o mundo é ilusório e que não tem existência real, mas não pude deixar de observar que, quando fomos atacados pelo elefante, você se refugiou junto conosco no alto da árvore. Se de fato o mundo é ilusório, não bastava ter ficado quieto no lugar enquanto a ilusão do elefante passava?” O mestre, sem perder a pose, respondeu: “Olha, nós sabemos que o mundo é uma ilusão, mas o elefante não sabe. Por isso, tive que fugir junto com vocês”.

Ouvi esta piada do meu mestre, Swami Dayananda quem, aula sim, aula não, nos lembra: we are reality people. “Somos gente da realidade”. Ele sempre nos convida para mantermos os olhos bem abertos, para não misturar as coisas e não perder o pé da realidade. Lembremos que o Yoga é mais sobre compreender a realidade e manter os pés firmes no chão, do que sobre ficar equilibrando-se nas mãos ou na cabeça.



O mundo é uma miragem?

A palavra maya se traduz freqüentemente como “ilusão”. Porém, é um erro traduzirmos maya dessa maneira. Esta palavra nunca foi utilizada nesse sentido pelo grande mestre Adi Shankaracharya, e nunca apareceu dessa forma nas escrituras. Os intérpretes do Neovedanta trouxeram esse novo significado que, infelizmente, confunde até hoje muitos praticantes. Supor que maya, que é o próprio universo manifestado, possa ser uma ilusão, nos leva a olhar para a vida e todas suas manifestações como algo irreal, o que é uma tremenda equivocação.

Quando alguém me diz que o mundo é ilusório, convido a pessoa para atravessar as paredes de um salto, para me demonstrar que isso é verdade. Até agora, não encontrei ninguém que pudesse demonstrar que o mundo não tem consistência. Qualquer tentativa nos leva de volta para a piada do elefante faminto: o mundo é ilusório, mas as pessoas não sabem; o mundo é irreal, mas tem alguns teimosos que afirmam que ele é real.



Significados de maya.

Indo ao dicionário sânscrito, veremos que, em primeiro lugar, maya significa “sabedoria”, “poder extraordinário”. Num segundo nível de significado, é também “truque de mágica”, “feitiçaria”, “fantasma”, e designa, ainda, algo falso ou irreal. Num outro nível ainda, a palavra maya aponta para as manifestações da Deusa.

Misturar níveis de significados ou descontextualizar um significado específico, levando-o para outro contexto, só pode resultar em errar o alvo. Por exemplo, se formos traduzir a palavra Yoga como “união”, e sutra como “barbante”, o nome Yoga Sutra poderia ser traduzido como “barbante da união”. Ninguém pode negar que essa tradução seja correta. No entanto, se formos nos referir à obra do sábio Patañjali, o certo seria traduzirmos o nome Yoga Sutra como “Aforismos do Yoga”. Ora, bem sabemos da importância que tem no estudo o uso correto da palavra. Como a palavra é usada para revelar conhecimento, a maneira de manejá-la exclui esse tipo de extravagância cirúrgica, que pode resultar num verdadeiro Frankenstein filosófico.

Podemos usar três diferentes categorias para classificar aquilo que percebemos na realidade: 1) real, 2) falso, e 3) inexistente. Basicamente tudo aquilo que fazemos na vida está pautado pela compreensão da diferença entre o que é verdadeiro, o que é falso, e o que é inexistente. Desde o ponto de vista de cada um, existem coisas que são mais importantes e outras menos. Damos obviamente prioridade àquilo que consideramos essencial. No entanto, pode haver uma confusão entre o que é e o que não é importante. Maya não é verdadeiro, nem falso, nem inexistente, como veremos a seguir.



Ouro e ornamento: satyam e maya.

Vamos aqui considerar a questão forma-essência refletindo sobre o exemplo clássico do metal e os ornamentos feitos com ele. Uma pulseira de ouro é essencialmente igual a um colar ou a um anel de ouro, no sentido que todos os ornamentos são somente ouro, sob formas distintas. Aquilo que chamamos pulseira, colar ou anel, é maya, o relativo, aquilo que muda. O ouro é a essência imutável, da qual os ornamentos estão feitos. Chamemos essa essência imutável de satyam, que significa verdadeiro, real.




Objetivamente falando, não existem pulseiras, colares ou anéis, mas somente ouro. Da mesma maneira, ensina Swami Dayananda, é com a realidade. Maya não é uma ilusão ou algo irreal: tem existência objetiva. No entanto, a existência de maya depende da presença do Ser. Desta forma, tudo o que existe é o Ser, assim como todos os ornamentos são, essencialmente, ouro. Não podemos afirmar que os ornamentos sejam ilusórios ou inexistentes. Mas, se precisarmos vender as jóias, o comprador irá nos pagar somente pelo peso do ouro, independentemente da forma que esse ouro tenha.

Portanto, o ouro é a verdade, e a jóia é o relativo. O que é o real, então? O ouro. O peso de uma pulseira não pode ser separado do peso do ouro com o qual ela está feita. A realidade da pulseira é ser ouro. A textura da pulseira é a textura do ouro. A pulseira não está no ouro. A pulseira é ouro.



O Ser está em todas as formas. O Ser transcende todas as formas.

Porém, precipitadamente, concluímos que, se a pulseira é ouro, o ouro também será pulseira. Esse é justamente o problema. E é aí que o conhecimento adequado do Ser pode indicar o sentido das coisas. Ouro é ouro. Compreendendo a natureza do ouro, constatamos que as eventuais formas que ele possa assumir não fazem parte dessa natureza. Por isso, somos capazes de reconhecer o ouro, independentemente da forma que este assuma. O ouro transcende as formas. Compreendendo que o ouro transcende todas as formas, somos capazes de reconhecê-lo sob qualquer forma.

Similarmente, se quisermos nos livrar de algum problema vinculado com as formas, é questão de lembrar que somos essência. Isso resolve todos os problemas existenciais, emocionais e outros. Há inúmeras formas, mas um único Ser. Não podemos afirmar que as diversas formas da criação não existam. Entretanto, tampouco podemos dizer que elas sejam verdadeiras (satyam), já que elas dependem da presença do Ser para existir. A realidade do ornamento é que ele não é satyam. Satyam é o ouro, e somente ele. O ornamento não é nem verdadeiro, nem falso, nem não-existente. O que é o ornamento? A resposta: maya.

Quando dizemos pulseira de ouro, a palavra ouro torna-se um adjetivo da pulseira. Um adjetivo que o diferencia das demais pulseiras. Assim surge a dualidade. Existem diferentes pulseiras. O ouro é satyam, é a realidade. A pulseira depende da existência do ouro. A palavra, assim, revela a nossa compreensão da realidade. A pulseira não é satyam; é maya. Para mantermos a clareza, precisamos lembrar que satyam jamais deveria tornar-se um adjetivo. A palavra satyam cobre aquilo que é; a palavra maya, aquilo com o que lidamos no mundo das formas. Maya é aquilo que possui uma forma, que exerce uma função na criação, que é útil.



Somente precisamos descartar os nossos erros.

Então, este Ser, este satyam, dá origem às miríades de objetos, da mesma forma que do ouro surgem todos os ornamentos. De uma tonelada de ouro, derivam os diferentes ornamentos. Depois desses ornamentos serem confecionados, quanto ouro existe? A mesma tonelada. A tonelada de ouro foi reduzida a um milhão de jóias. Antes, havia uma tonelada. Agora, há uma tonelada. Isso nos remete ao belo mantra Purnamadah, que diz: “tirando-se a Plenitude da Plenitude, somente a Plenitude permanece”.

Reconheçamos a verdade: somos ouro, não ornamentos. O significado das diversas palavras é maya, pois todas elas dependem da Consciência. Não obstante, o significado da palavra Consciência (desde que não seja usada como adjetivo), é somente satyam.

Felizmente, esta Consciência é auto-revelada. Esse é o significado da palavra você na afirmação védica tat tvam’asi: “você é Isso [a Consciência]”. O ponto em que a palavra você se resolve, é em Você mesmo: Você é Ilimitado. Não estamos descartando nem negando mais nada, além das nossas próprias confusões. Não estamos negando os objetos. Somente os erros. Não precisamos, portanto, negar as coisas do mundo. Não precisamos negar aquilo que é relativo para compreender o verdadeiro. Não precisamos negar maya para compreender satyam. Namaste!



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Publicado originalmente na revista Prana Yoga Journal: www.eyoga.com.br
: www.eyoga.com.br

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vivendo Felizes Para Sempre - (Abraham Hicks)

Fique feliz! - (Abraham Hicks)

Da argila ao pote - (Tereza Freire)


"Sofremos da síndrome do potinho. Se, ao invés de humanos, nascêssemos como potes de argila dotados de mente, pensaríamos mais ou menos assim: "sou um ínfimo potinho, vulnerável, esquecido numa prateleira qualquer da cozinha, muito inferior aos outros potes que existem na casa".

O que não sabemos é que os demais potes, por maiores e enfeitados que sejam, também se sentem muitas vezes inferiores a outros potes. Também se acham mofados e esquecidos no porão daquela casa onde os donos vivem viajando.

Pensamos que somos um pobre potinho e queremos ser o outro, maior, mais decorado e atraente. Queremos ter a forma do outro, a função do outro, o design do outro. Morremos de medo de cair da prateleira e quebrar. Ou pior, de sermos esquecidos ou jogados fora...

Vivemos com medo porque não sabemos que antes de sermos pote, somos argila. Apenas estamos, transitoriamente, na forma de pote. Como potes, nos sentimos limitados. Mas, se quebrarmos, continuaremos a ser argila. Portanto, não há nada a temer.

O pote está para a argila assim como o corpomente está para o Ser. Por conta da ignorância existencial, confundimos o corpomente, com todas as suas limitações e dificuldades, com o Ser que somos, e acabamos por atribuir ao Ser, que é intrinsecamente ilimtado e pleno, as limitações inerentes ao corpomente.

E não devemos querer ser mais do que argila porque a argila é perfeita em si mesma. Ela é o Todo! Nós já somos as pessoas que queremos ser, perfeitas dentro das nossas imperfeições. Porque o nascimento em si já é um big bang. Já é uma forma perfeita nesta ordem chamada Universo.

Cada dia de nossa vida é um milagre. Cada pensamento, cada palavra, cada gesto, faz parte desta ordem. Faz parte deste Ser. Nosso dharma é agir, disto não podemos fugir. Nosso svadharma é compreender aquilo que é correto fazer na vida, a cada momento.

Mas que seja por escolha e nunca por falta de opção, porque somos importantes demais para vivermos de forma mecânica e sem sentido. É preciso achar o sentido das coisas. Mesmo daquelas que, aparentemente, sejam simples e sem importância.

Não estamos sozinhos nunca porque fazemos parte desta ordem chamada Ishvara. Nascemos por uma complexa combinação de punya e papa, méritos e deméritos. Existe uma razão. Portanto, não precisamos desperdiçar as nossas vidas, ou descartá-las como se elas não tivessem valor.

Elas fazem todo o sentido do mundo. E como somos interligados, como as ondas que fazem parte do mesmo mar, cada gesto importa, e muito. Cada palavra, cada pensamento faz toda a diferença. Tudo o que eu fizer, e ainda o que deixar de fazer, reflete-se na ordem. Portanto, ao invés de lamentar pelo que não temos, devemos nos centrar em apreciar aquilo que temos.

Neste momento, agora, ser feliz agora, sabendo que o que tenho é aquilo que me cabe naquele determinado momento e não precisa ser diferente, já que a ordem é justa e adequada, sempre.

Devemos tirar as amarras, as cordas que fazem com que sejamos como o elefante que pensa que a frágil corda que o segura desde pequeno é capaz de detê-lo quando grande. Ou como a águia que foi criada como galinha e ignorava que seu dharma era voar.

Algo que une os humanos é a procura pela felicidade, pela libertação dos condicionamentos. Por nos livrar desse complexos de potinho, desse sentimento de insignificância, dessa ideia de sermos limitados. De nos livrar de nossas amarras e viver, finalmente, cada dia como uma obra de arte, dando pequenas pinceladas, errando e tentando de novo, descobrindo novos acordes, surfando ondas diferentes, sendo pessoas melhores.

Sendo melhores amigos, pais, filhos, irmãos. Sendo, de fato, um reflexo desta ordem maravilhosa na qual fazemos parte. Somos tão perfeitos como as ondas do mar. Somos completos e plenos como a Natureza. Somos livres como os pássaros e auto-efulgentes como o Sol, que brilha com luz própria. Apenas estávamos esquecidos disso.

Tirando a plenitude da plenitude
Resta apenas plenitude...
Harih Om!"

Jóia-estrela do Leão Azul - (Wagner Borges)



Ele veio num raio de luz e flutuou à minha frente.
Fitou-me com seus olhos brilhantes, e uma onda de serenidade e ternura preencheu todo meu Ser.
Então, ele depositou um pequeno pacote de presente em meu coração.
Eu o agradeci, mas ele me disse, naquela linguagem iniciática do silêncio, de espírito a espírito:

"Todos os presentes vêm de Brahman (1).

Eu só vim entregar o pacote. Agradeça a Ele, que é o Verdadeiro Poder Gerador da Vida".
Envolvido pela ternura dele, eu, homem quarentão nessa vida, velho iogue de outros tempos, novamente tornei-me criança.
Sim, eu virei criança; e ele, um leão, que, com sua sabedoria, serenidade e simplicidade, devorava o meu ego e minhas tolices.
Sob sua ação direta, o meu chacra básico (2) se encheu de luz dourada. Em seguida, um jorro de "luz líquida brilhante" se projetou dele até o centro do meu coração (3). E aí, o pequeno pacote se abriu na luz...
Dentro dele havia uma flor de lótus branca, em botão (4).
Ele riu e me disse: "Abra o presente. Está dentro da flor. Pense em Jesus, Krishna e Babaji. E agradeça a eles, por tudo".
Concentrei-me suavemente na flor e abri suas pétalas. Bem no meio dela havia uma esfera de luz dourada. Por dentro dela, outra esfera, azul opalina. E, no centro dela, uma estrela prânica (5).
Maravilhado, percebi que outras consciências extrafísicas também estavam ligadas no lance, algures, em outros planos, na mesma sintonia de amor.
Eu, a criança, estava recebendo um presente do Alto, pelas mãos do Leão Azul (6).
À minha frente, ele novamente fitou-me, e me disse: "Pense em Ganesha (7). Agradeça, por tudo!"
Então, do centro da estrela prânica emergiu uma pequena jóia (como uma pérola, só que transparente). E eu, velho iogue, espiritualista escolado por vários anos de trabalho e incontáveis experiências parapsíquicas, tornei-me criança de vez, embalado por um Grande Amor.
Do centro da estrela, a pequena jóia se desprendeu e ascendeu por dentro, pela parte superior do meu corpo, até chegar ao meio do alto da cabeça (8).
E ali, no centro das mil pétalas, na borda do samadhi (9), eu, criança do Eterno, percebi miríades de consciências espirituais felizes e despertas, saudando-me na luz.
E, de espírito a espírito, elas me disseram: "Continue falando sobre a imortalidade da consciência e os valores espirituais entre os homens, seus irmãos de jornada.
Seja você mesmo, sem máscaras, simples e criativo, sempre melhorando e aprendendo...
Cumpra sua jornada, com dignidade, simpatia e alegria.
Faça o bem, sem olhar a quem.
Só Deus é que sabe o tempo certo de cada coisa.
Só Ele é que conhece o valor real de cada Ser.
Agradeça a Ele, por tudo!
Ele é o Poder, a Glória e a Sabedoria.
O seu tempo de vida é d'Ele.
Então, entregue os frutos de seu trabalho a Ele.
Ele, o seu Grande Amor, que conhece o seu coração.
Ele, o Senhor de todos os presentes".

No centro da luz, eu vi a pequena jóia se derreter no centro do alto de minha cabeça, e se fundir em mim.
E, agora, um pedacinho do Céu está comigo.
Eu, velho iogue, mais criança do que nunca, nas asas de um Grande Amor, que não se explica, só se sente...

P.S.: Enquanto isso, o Leão Azul continua me dizendo, no centro do coração: "Agradecimento é sabedoria. É graça.

Continue agradecendo, por tudo, sempre..."


1. Brahman - do sânscrito - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.

2. Chacra Básico - é o centro de força situado na área da base da coluna. É o responsável pela absorção da energia telúrica e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue. Está ligado às glândulas supra-renais e tem relação direta com os fenômenos bioenergéticos e parapsíquicos oriundos da ativação da kundalini. O seu nome em sânscrito é "Muladhara", a base e fundamento do corpo.
Obs.: Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete - que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.

3. Chacra Cardíaco - é o centro de força responsável pela energização do sistema cardiorrespiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. Por isso é o chacra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Está ligado à glândula timo. O seu nome em sânscrito é "Anahata", o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível.

4. No Oriente, o lótus simboliza a abertura espiritual. Por isso, os chacras são chamados simbolicamente de lótus espirituais.

5. Estrela Prânica: técnica iogue de concentração no olho espiritual. Consiste na visualização de uma estrela energética dentro de um círculo azul, que por sua vez, está situado dentro de outro círculo amarelo dourado. Isso é visualizado no ponto energético entre as sobrancelhas (próximo ao ajna chacra - chacra frontal). Essa técnica foi ensinada por Krishna a Arjuna e também é ensinada pelo sábio espiritual Vyasa.
A estrela prânica também pode ser visualizada em qualquer um dos chacras principais, com destaque para o chacra cardíaco. Eis um trecho de seus escritos inspirados, em que ele revela a estrela prânica no centro do coração: "Digo tudo isso para que compreendais, não só com a mente, mas também no espírito. A mente pesa e mede, mas é o espírito que atinge o coração da vida e abraça o segredo; e a semente do espírito é imortal.O vento pode soprar e, então, aquietar-se, e o mar erguer-se e então acalmar-se, mas o coração da vida é uma esfera quieta e serena, e a estrela que ali brilha está fixada para sempre". (Trecho extraído do inspirado livro "Jesus - O Filho do Homem" - de Khalil Gibran - página 118 - Editora Martin Claret.)
Obs.: Khalil Gibran (1883-1931) - ensaísta filosófico, romancista, poeta e pintor americano de origem libanesa, Gibran - cujo nome completo em árabe era Jubran Khalil Jubran - produziu uma obra literária marcada pelo misticismo oriental, que alcançou popularidade em todo o mundo. Suas obras mais conhecidas são: "O Profeta" e "Jesus - O Filho do Homem".

6. Leão Azul é uma forma carinhosa de chamar Sry Yuketswar, que foi um dos maiores mestres de Kryia-Yoga da Índia.

7. Ganesha - dentro da cosmogonia hinduísta é o deus com cabeça de elefante, o removedor dos obstáculos, filho de Shiva e Parvati.

8. Chacra Coronário - é o centro de força situado no topo da cabeça, por onde entram as energias celestes. É o chacra responsável pela expansão da consciência e pela captação das idéias elevadas. É também chamado de chacra da coroa. Em sânscrito o seu nome é "Sahashara", o lótus das mil pétalas. Está ligado à glândula pineal.
Obs.: A pineal é a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais. Essa glândula está ligada ao chacra coronário, que, por sua vez, se abre no topo da cabeça, mas tem a sua raiz energética situada dentro dela. Devido a essa ligação sutil, a pineal - também chamada de "epífise" - é o ponto de ligação das energias superiores no corpo denso e, por extensão, tem muita importância nos fenômenos anímico-mediúnicos, incluindo nisso as projeções da consciência para fora do corpo físico.

9. Samadhi - do sânscrito - expansão da consciência; consciência cósmica.

domingo, 27 de setembro de 2009

Em Paz - (Bruna Caram)

Caminhemos, pois. - (Monja Coen)



"Sem começo nem fim. Além do nascer e do morrer. Eterno transformar. Podemos nós, pequenos seres humanos, direcionar a transformação.

Já há alguns anos caminhamos juntos. Como tem sido agradável encontrar outros tantos companheiros, irmãos e irmãs, parceiros deste caminhar de Cultura de Paz.

Reiteramos nossa parceria, agradecendo os momentos que juntos compartilhamos, as primeiras flores, os primeiros frutos ainda não muito doces, que colhemos na jornada, espalhando sementes ao vento, cuidando do solo, do céu, das águas e do nada.

Um ano termina, outro começa e nós recomeçamos a cada instante nossos votos de servir a humanidade, servir à toda vida com nossa vida.

Que haja Paz, ternura, amizade, compreensão e justiça no nosso caminho da Verdade."

Ensinamentos de Madre Teresa de Calcutá


"A vida é uma oportunidade, aproveite-a...
A vida é beleza, admire-a...
A vida é felicidade, deguste-a...
A vida é um sonho, torne-o realidade...
A vida é um desafio, enfrente-o...
A vida é um dever, cumpra-o...
A vida é um jogo, jogue-o...
A vida é preciosa, cuide dela...
A vida é uma riqueza, conserve-a...
A vida é amor, goze-o...
A vida é um mistério, descubra-o...
A vida é promessa, cumpra-a...
A vida é tristeza, supere-a...
A vida é um hino, cante-o...
A vida é uma luta, aceite-a...
A vida é aventura, arrisque-a...
A vida é alegria, mereça-a...
A vida é vida, defenda-a..."


"Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor."


"Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos."


"Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz."


"Nunca compreenderemos o quanto um simples sorriso pode fazer."


"Como Jesus, pertencemos ao mundo inteiro, vivendo não para nós mesmos, mas para os outros. A alegria do Senhor é a nossa força".


"Buscando a face de Deus em todas as coisas, em todas as pessoas, em todos os lugares, durante todo o tempo, e vendo a Sua mão em cada acontecimento - isso é contemplação no coração do mundo".


"Amar, ser verdadeiro, deve custar - deve ser árduo - deve esvaziar-nos do ego."


"Famintos de amor, Ele olha por vocês. Sedentos de amabilidade, Ele pede por vocês. Privado de lealdade, Ele espera em vocês. Desabrigados de asilo em seu coração, Ele procura por vocês. Você será esse alguém para Ele ?"


"Os pobres que buscamos podem morar perto ou longe de nós. Podem ser material ou espiritualmente pobres. Podem estas famintos de pão ou de amizade. Podem precisar de roupas ou do senso de riqueza que o amor de Deus representa para eles. Podem precisar do abrigo de uma casa feita de tijolos e cimento ou da confiança de possuírem um lugar em nossos corações."

sábado, 26 de setembro de 2009

Cordel do Fogo Encantado - (videos)

Encantada com a beleza e simplicidade da cultura popular!
Como amante da arte em geral, ofereço o mais puro "olhar do Coração" hoje e sempre!

Ai se sêsse - Poesia de Zé Da Luz, por Cordel do Fogo Encantado



Preta - Cordel do Fogo Encantado



O Amor é Filme - Cordel do Fogo Encantado



Chover - Cordel do Fogo Encantado

Tudo é perfeição - (Fonte: Luz de Gaia)

Portanto, a própria "mudança" financeira é perfeição.

Se quisermos nos tornarmos "seres" verdadeiros.... devemos "ser"...

O dinheiro não é bom e nem mal... ele é simplesmente energia como tudo...Entretanto, por eons ele foi uma energia de troca... a própria troca é um conceito dualista... no mundo "real", não há nenhuma troca necessária para ter o que é desejado... tudo já está lá...

Na verdade... tudo já está aqui para nós AGORA... Entretanto, é necessário que nos desliguemos do mundo material, de modo que possamos novamente nos lembrarmos do mundo real interior... este espaço dentro de nós onde tudo o que é "real", existe agora... o que é necessário para dissolver esta ilusão é nos afastarmos de nossa ligação com ela. Sim... nós devemos liberar dentro de nós a nossa "obsessão" que ter o que pensamos é necessário para "sermos"...

O amor sabe o que é necessário para que todos e cada um de nós percorramos este caminho de volta a nossa fonte...

O amor é a voz que responde quando vocês perguntam...

E se não tivermos algumas moedas de ouro em um dia, é tão perfeito quanto termos muitas no seguinte...

E se este dia em que não parece haver nenhuma moeda de ouro for um dia para vocês estenderem o amor... Um dia para dar um passeio na natureza... Um dia para nos interiorizarmos e abençoarmos toda a criação... Sim, podemos ser gratos por aqueles dias, tanto quanto somos gratos pelos dias em que as moedas aparecem... A sua conduta é a do mestre. Não se trata de aprender como manifestar casas...carros... e todo o resto... sim... vocês podem colocar "lá" a sua atenção e assim manifestarão aquelas coisas... manifestarão naturalmente... vocês são criadores...

Entretanto, nós lhes perguntamos... "O que é que vocês querem verdadeiramente criar?"...O que vocês criarão aqui nesta encarnação?

Bem... a maior parte de nós sabe que é o nosso propósito trazer amor à dualidade... o lar à separação... e estamos fazendo isto "dentro de nós mesmos", pois não há na verdade "outro lugar"...

Não se trata de salvar o outro... não se trata de desistir de todas as suas moedas para alimentar o outro... pois não haveria outro para alimentar se vocês fossem verdadeiramente "alimentados"... pois, "todos são vocês"...

Assim... quando vocês assumem verdadeiramente a responsabilidade pela sua própria criação... então vocês vivem como os mestres... pois, na verdade... vocês estão simplesmente se lembrando que o Mestre é quem vocês sempre foram... Sim... vocês simplesmente se esqueceram...

Esta com quem eu me fundi, me deu a sua "vida"... entregou o seu eu físico, mental e emocional ao amor... Ela viveu muitos dias sem moedas de ouro... e muitos com...

Nestes últimos "anos" em seus termos, ela viveu muitos dias sem... Entretanto, eu lhes digo...

ELA VIVEU...

ELA AMOU...

ELA SE LEMBROU...

Ela sabe que não haverá um dia nesta vida onde ela não tenha o necessário...

Pois vocês entendem... o dinheiro é uma ilusão...

Entretanto a sua divindade... a sua beleza é eterna... vivam através deste espaço...

Novamente... vivam através deste espaço... este espaço de conhecer a sua divindade..

Sim... vivam deste conhecimento...

Tornen-se unos com a fonte de todas as coisas que vive bem no centro de todas as coisas...

Por favor, desliguem-se dos limites e restrições que vocês colocaram em si mesmos erroneamente...

Vocês são ilimitados agora... e, meus queridos, há somente O ETERNO AGORA...

...UM PONTO DA CONSCIÊNCIA... isto é o que vocês são...

Vocês são "um ponto da consciência" no todo de Deus...

E tudo o que Deus é, existe dentro de vocês, no mesmo momento do agora...

Estas mudanças financeiras... pois isto é o que elas são... sim, realmente.

Elas são mudanças... elas não são "crises"... A crise significa que algo pode estar "errado"...

Não meu querido...

Tudo é.... TUDO É.... TUDO É!!!

Simplesmente é...

Portanto, se tudo é Deus, então tudo isto é...

É Deus... é perfeição...

Vocês estão vivenciando esta mudança, de modo que todos "vocês" possam se tornar unos com o que é real novamente...

O que é real é o coração... é o amor... é a alegria... é a felicidade...

Vocês acreditam realmente que ter um mundo com aqueles que têm e aqueles que não têm, é um mundo que reflete a verdade e a beleza do que vocês são?

Naturalmente, não... Assim permitam... permitam queridos...

Permitam que tudo seja como é... fluam com a mudança... abençoem a mudança...

Amem a mudança... pois resisti-la é torná-la real para vocês...

E, na verdade... ela não é...

Entretanto, o resultado final lhes trará aquilo que é "real"...

Todos vocês são uma parte mágica da versão mais grandiosa do seu ser, gerado "neste mundo"...

Simplesmente permitam-na e a abençoem...

Venham mais freqüentemente e recostem em meu peito e me permitam cuidar de vocês...

Permitam-me lembrá-los da luz dourada que os envolve

A cada momento... esta luz dourada é o meu amor

Que os envolve... ele os inspira... ele vive com vocês...

Ele se comunica com vocês.... ele flui de dentro de vocês e toca tudo... "tudo" ao seu redor...

Nós somos uma grandiosa... imensa... eterna "chama"

Uma vez que vocês reacendam esta chama da união... vocês simplesmente assistem a dança perfeita...

Sim... vocês observam a perfeita tapeçaria...

E tudo o que lhes peço é que a abençoem... não resistam a ela... não a julguem... não a temam...

Amem-na... aceitem-na... adaptem-se a ela... sejam unos a ela...

Pois tudo isto É VOCÊS...

EU AGORA REVERENCIO A BELEZA QUE EU VEJO DENTRO DE VOCÊS QUE É O MEU REFLEXO...

NÓS SOMOS UM!

Paz... paz neste dia, querido coração!

Jeshua e Denisa

Harmonizados como um...


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Tradução: Regina Drumond - reginamadrumond@yahoo.com.br
Website: jeshuatheheartoflove.blogspot.com - E-mail:deniseanew@aol.com

http://www.luzdegaia.org/outros/diversos/perfeicao.htm

Pedro Coelho
http://www.luzdegaia.org/

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dandara - (Simone & Ivan Lins)



"Ela tem nome de mulher guerreira
E se veste de um jeito que só ela
Ela vive entre o aqui e o alheio
As meninas não gostam muito dela
Ela tem um tribal no tornozelo
E na nuca adormece uma serpente
O que faz ela ser quase um segredo
É ser ela assim tão transparente

Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra, céu e mar
Dandara

Ela faz mechas claras nos cabelos
E caminha na areia pelo raso
Eu procuro saber os seus roteiros
Pra fingir que a encontro por acaso
Ela fala num celular vermelho
Com amigos e com seu namorado
Ela tem perto dela o mundo inteiro
E à volta outro mundo admirado

Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra, céu e mar
Dandara"


"É livre quem deixou de ser escravo de si mesmo."
(Sêneca)


“Ser livre é possuir a si mesmo!"
(P. Lacordaire)


"Tudo que é realmente grande e inspirador é criado pelo indivíduo que pode trabalhar em liberdade."
(Albert Einstein)

"A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar."
(Mahatma Gandhi)

"Se você ama alguém, deixe-o livre."
(Sting)

Declarações de uma yogini paulista - (Juliana Araújo)


"Um avião cai. Em poucas horas todos sabem dessa notícia. Um acidente. Um terremoto. Comoção geral. Pessoas sofrem, choram e se comovem na TV e on line. A informação circula e voa, assim como o tempo que parece cada vez voar mais rápido. Um som avisa sobre uma mensagem no computador. As palavras chegam cortadas, faltando letras, complicadas de se decifrar, toda codificada: ’R u fine’. Respondo com uma carinha sorridente. Superficial assim.

Tudo para tornar mais ágil o papo. A vida passa rápido, pessoas vêm e vão. A era é a da tecnologia para facilitar a vida. Não se perde mais tempo cozinhando e nem conversando. Tudo é feito para valorizar o tempo – universidades à distância, cursos superiores em menos tempo. Precisa-se falar vários idiomas. Conquistar o mundo, aprender a influenciar as pessoas, motivá-las a produzir mais e consumir mais. Aprender várias maneiras de usar melhor o tempo, o que conseqüentemente, para serem aprendidas, consomem o tempo. Obter o máximo possível de informações sobre os mais diferentes assuntos - www.saibatudoemaisumpouco.com.br.

Estar por dentro, estar antenado, estar ligado e conectado. Conhecer de artes, tecnologia, política, astrologia, religião, espiritualidade te destaca na multidão e o coloca numa situação melhor que os demais.

Toda essa competitividade e urgência me levaram um dia a entrar numa sala de Yoga. E a ansiedade companheira de sempre, foi comigo. E aumentou muito! Aquilo que deveria ser um bálsamo na minha existência fez piorar a minha competitividade e ânsia por ser uma pessoa melhor. Descobri que yogisdormiam, comiam e falavam pouco e eu pensava: fazem o quê com o tempo livre?

Tempo não é dinheiro? Então serviria para trabalhar mais, ganhar mais e depois de muitos anos, viajar e curtir a vida.

Eu descobri que era uma Pitta em desequilíbrio, segundo meu professor, que entendia de ayurvédica e me dava uns chás horrorosos pra tomar. Esse distúrbio de doshas me levou ao desespero para conquistar meu corpo e encaixá-lo nas posturas; ganhar alguns músculos e flexibilidade; passei pela penitência de ficar segundos focando minha atenção num símbolo cheio de formas geométricas; entrei na paranóia de virar uma vegetariana e saber tudo sobre a culinária em alguns minutos, e além de tudo, mudar a alimentação de todos que estavam ao meu redor para facilitar a minha vida; percorri pela vontade absoluta de ter a vida linda e maravilhosa do meu professor que me parecia tão calma, tão serena, tão perfeitamente maravilhosa; e chegar a tudo isso bem rápido. Cheguei à loucura com as comparações.

‘Minha perna não vai tanto quanto aquela da fulana’.

‘Como é que a perna daquele garoto passa por trás do pescoço?’.

‘Professor, o que eu tenho que fazer para chegar a isso?’ (detalhe: mostrando a foto do ásana no livro e apontando freneticamente com o indicador). E o professor explica: ‘tenha compaixão e paciência. O importante não é a conquista do seu corpo, mas a conquista sobre si mesmo! Trabalhe com a não violência e honestidade. ’

Eu observava tudo com rugas na testa e pensava: ‘Hã? Estou num treino para Dalai Lama?’ Anos de prática e eu começava a vivenciar aquilo que me parecia Yoga. Meu ásana saia mais fácil, minha respiração estava fluindo melhor, já permanecia cerca de dois segundos concentrada e meu silêncio era o mais silencioso de sala.

Só que eu sentia que tinha mais além daquelas posições e respirações e queria esse algo mais por trás daquele Om que eu repetia sempre; daquele mantra que tem uma tradução linda, algo relacionado à felicidade e plenitude, mas que já nem me lembrava, porque meu vatta estava sempre me atrapalhando. Então, comecei a investigar a aula porque desconfiei que o professor desse algumas mensagens subliminares ali no meio dos exercícios e já havia ouvido falar sobre este negócio com um amigo da publicidade, parece que algo relacionado a você querer comer pipoca no cinema, enfim, tinha que descobrir o que se passava porque no yoganidra eu aproveitava para cochilar e ele continuava falando, sabe lá o quê. Podia ser perigoso. E o negócio do sankalpa? Fica lá mentalizando uma coisa. Esquisito. Queria compreender e de preferência já! Assim como quando você joga um nome lá no Google, eu queria todo o conhecimento dos Vedas eUpanisads banda larga.

Pedi uma indicação de um livro bom e descobri que Yoga parece, cheira, anda e vive como uma religião. Duvidei e assustei. Sabia! Ele esta querendo importar uma religião! Será que estou virando uma adoradora do cabeça de elefante? E o professor que parece só entender de como respirar e como encaixar o quadril quer conquistar devotos pra uma seita?

Continuo a leitura e percebo que o Yoga está lá caminhando junto com o hinduísmo, mas é diferente. Está mais para uma cultura, uma forma de viver do que uma religião, afinal, não tem nenhum profeta. É umDarshana, um ponto de vista filosófico que se basta pela riqueza, mas pega emprestada de outras escolas tradicionais indianas formas de interpretar o mundo e responder as questões mais profundas da existência humana.

Alívio. Pronto! Uma informação para ser dada sempre que acessar o link da memória-yoga. Assim é mais fácil explicar para os amigos que não praticam porque tantas transformações começaram a ocorrer comigo do lado de fora da sala de aula. Porque, de repente, resolvi não discutir mais por qualquer coisa, fui deixando de lado alguns hábitos que atrapalhavam minha prática matinal e resolvi virar uma “rata” de yoga. Levava a sério o negócio do dharma.

Na fila do banco, aproveitava para ler um livro e não surtava mais quando alguém furava a fila no metrô. Agradecia antes das refeições. Andava exercitando bem mais que meus músculos, talvez um pouco da inteligência a meu favor e encaixava o contentamento, o espírito devocional e a verdade no meu dia-a-dia.

Logo, notei que a exigência e a competitividade que circulava no meu meio, nas amizades e no trabalho, não cabiam nas rodas de kirtans, nem no tapete e mais impressionante, em lugar nenhum. Queria muito e queria mais de tudo aquilo. Percebi que os professores a quem eu seguia e admirava estudavam com dedicação há anos e haviam abandonado o sentimento de urgência em conquistar o mundo e se importavam com conquistas mais nobres. Procuravam a total liberdade e em mostrar a possibilidade dessa felicidade aos demais.

Com o passar do tempo os nomes só se complicavam, assim como as minhas obrigações diárias.Brahmacharya, vairagya, viveka, hrih, japa, tapah, uma seqüencia diária matinal de surya namaskara, uma pitada de nadi sodhana pranayama, kapala bhati para limpar aqui, nauli para limpar ali, um jala neti, um sutra neti porque respirar o ar de Sampa não é fácil e o negócio foi tomando proporções abismais.

De repente, meu dia era composto por rituais que iam desde a limpeza aos cantos devocionais; da preparação da comida até a adoração do sol e da lua. Comecei a achar que estava me tornando uma pessoa um tanto primitiva. Primitiva, porém, em meio a shoppings, ipods, laptops, celulares, pen drives, etc. Sentia-me uma pessoa espiritualizada. Sentia-me mística. Uma mística importada da Índia no turbilhão paulistano.

Chuva forte. Alagamentos por vários pontos. Krishna Das tocando e me pego tamborilando os dedos no volante. Impaciência. Penso: qual será meu Prarabdha karma? O motoqueiro passa e chuta meu retrovisor. Adrenalina nas veias. Himsa! Manifestação única da raiva! Se eu pudesse chutava a bunda daquele miserável!

Caio na gargalhada. Como aquela situação me desestabiliza, rouba toda a paz que eu havia adquirido junto com o conhecimento da localização dos chackras e suas cores, os impronunciáveis nomes de ásanas, a ordem exata dos yamas e niyamas, os cinco vayus, os koshas, ida, pingala, sushumna,etc.

Acordo e abro a janela, respiro fundo o dióxido de carbono e a atmosfera pesada da cidade. Inocentemente imagino fazer uma prática ao ar livre e decido o local: Ibirapuera. Pego o carro e saio bem cedo num domingão de sol. Parece que não sou só eu que tive a ótima idéia. Chego e perco alguns minutos preciosos procurando uma vaga. Depois mais alguns procurando alguma nobre alma que venda o ticket zona azul. Quanta burocracia. E o parque começando a lotar. Praia de paulista. Cheio de verde. Rodeado pelas principais avenidas da cidade, com uma quantidade absurda de carros por todos os lados e aviões cortando o céu que é azul, eu sei, por trás de todo aquele cinza da poluição. Um cenário meio blade runner. Estico meu tapete e ao fazer o primeiro movimento do pescoço, uma bola de futebol acerta minha cabeça. Noto que há sempre uma oportunidade para ser testada a minha paciência. Penso como gostaria de estar numa ilha deserta, mas me lembro que o que eu penso que sou vai comigo.

Olho ao meu redor e vejo pessoas correndo, brincando, namorando, falando ao telefone, discutindo, vendedores ambulantes, crianças, cachorros, pais, mães, parentes de alguém, famílias, passos apressados, olhares pensativos e uma imensa avalanche de amorosidade e de cumplicidade com todos aqueles seres me invade. Observo o mahalila. Noto a urgência do ser humano na busca da felicidade.

Lembro-me daquele mantra: lokah samasta sukhino bhavantu. Todos querem a mesma coisa. A compaixão brota do centro do meu peito quando vejo uma criança cair da bicicleta e ralar o joelho. Por ela, pela mãe que se culpa por tê-la soltado. Pelo peixe que tenta respirar oxigênio no lago poluído. Pelas árvores que estão dando um duro danado para fazer as trocas gasosas. Sinto piedade dos cães neuróticos que vivem em espaços pequenos e só saem para passear poucas horas por dia.

O que oprime e traz sofrimento é não perceber-se como divino; é não notar a grandeza e a magnitude da existência. Lembro-me das notícias que vi antes de sair de casa. Mais acidentes, mais mortes e mais nascimentos. O mundo se comove e chora como há anos atrás e como irá chorar no próximo acontecimento.

E isso me dá esperança, pois percebo que no fundo, a natureza humana é puro amor e compaixão; cumplicidade e amizade. E a busca é, foi e sempre será pela paz. Agradeço com as mãos em frente ao peito, enrolo meu tapete e saio andando em meio à multidão de raças, cores e formas."


Fonte: http://www.espacoholistico.com.br/

Como medir o corpo prânico? - (Pedro Kupfer)


"O súkshma sharíra, aura ou corpo sutil possui três camadas: corpo energético, corpo emocional e corpo mental. Se você não tiver experiência suficiente para senti-lo, e efetivamente ver os chakras e as nádís ou se você não conseguir ainda medir o tamanho do seu corpo sutil, isto pode parecer incompreensível.

Então, para que estas afirmações não fiquem no ar, vamos aprender a medir auras e chakras. É mais fácil começar medindo a aura de outra pessoa. Coloque-se a algo menos de um metro de distância da pessoa em quem você fará a medição. Afaste a palma da mão do ombro do outro, e depois aproxime-a devagar, até sentir um misto de calor e formigamento bem característico, que emana do corpo. Para estimar com exatidão a largura da aura devemos prestar bastante atenção no centro da palma da mão, onde tem um chakra com o que você perceberá a energia do outro.

Observe que tecidos sintéticos ou de seda obstruem a circulação da energia e podem fazer uma diferença na leitura. Aliás, evite usar tecidos sintéticos, pois não têm boa energia. Repita a medição várias vezes, até ter certeza absoluta do tamanho da periferia da aura do seu companheiro. Faça isso com várias pessoas. Compare o tamanho do corpo energético antes e depois de uma boa prática de pránáyáma ou meditação. Você vai levar um susto.

Uma aura normal tem menos de dez centímetros de largura. Se você estiver cansado ou estressado, ela fica ainda menor. Após a prática de Yoga, cresce bastante. Depois de bastante tempo de prática, ela estabiliza, num tamanho muitas vezes maior que o normal. A aura de um yogi pode chegar a ser gigante. O tamanho da aura determina, entre outras coisas, a saúde, o karma e o magnetismo pessoal do indivíduo.

Para medir os chakras, é importante, em primeiro lugar, saber exatamente onde eles estão. Veja a localização dos principais centros de força e mais informação sobre eles no capítulo sobre meditação nos chakras. Um chakra não é um ponto, mas uma área que varia em tamanho, e que mede normalmente (antes da prática) entre oito e dez centímetros de diâmetro. Use ambas as mãos para medir o diâmetro, ou a palma de uma delas para medir a altura.



Digamos que você vai medir a altura do anáhata chakra do seu amigo. Afaste a palma da mão da região do coração, e depois aproxime-a devagar, até sentir o limite do chakra. Repita a experiência para ter certeza do tamanho. Agora, meça o diâmetro: aproxime a afaste as mãos, lenta e simultaneamente diretamente acima do chakra. Ao medir o diâmetro desta forma, você poderá ainda sentir o chakra girando nas palmas das suas mãos e observar o sentido predominante do giro.

O tempo todo, concentre-se na intenção de medir o corpo sutil. Compare a altura de cada chakra com a altura da aura. Devem ser parecidas. Depois, concentre-se em sentir a qualidade da energia que você percebe. Faça isso chakra por chakra, desde o múládhára até o sahásrara. No início pode resultar difícil, mas, com a prática, você desenvolve a habilidades e a sua leitura do corpo sutil fica precisa e bem rápida.

Há muitas outras coisas que se podem fazer para melhorar o rendimento na prática, como eliminar excessos ou deficiências de energia que prejudicam o corpo sutil e, conseqüentemente, a prática de Yoga ou ainda estimular a circulação de energia em partes definidas do corpo. A força do prána pode aplicar-se a todos os seres vivos com fins de cura. Mas esse é um assunto muito vasto, que daria por si só para mais um livro.

Há um certo ponto durante o pránáyáma em que a respiração pulmonar passa a suspender-se espontaneamente. Não é algo voluntário, como quando você prende a respiração para mergulhar. O yogi apenas pára de respirar pelos pulmões, e passa a assimilar o prána diretamente através dos centros de força (chakras).

Isso se chama kevala kúmbhaka, e é um estágio que se atinge depois de algum tempo de prática intensa, desde que o praticante esteja preparado para sentar-se e acompanhar as instruções. O resultado é imediato. No início, a pessoa não tem domínio sobre este fenômeno. Apenas acontece, às vezes durante a meditação, às vezes durante os respiratórios. Depois, a pessoa passa a dominá-lo e pode repeti-lo quantas vezes quiser e pelo tempo que quiser.

Mas o que há no final do caminho? Para que fazer esses exercícios? Porque prána também é consciência. Mas essa é outra história... É novamente a história da sede de poder. Da sede do poder da consciência. Porque a sede de ar é uma sede básica, vinculada ao instinto de sobrevivência. Mas a sede de prána é uma sede de transcender os próprios limites, mergulhar de cabeça no inconsciente e resgatar a verdadeira potencialidade latente no ser humano.
Isto pode parecer pretensioso, mas é o que queremos os yogis. E nos jogamos no abismo, sem outros elementos que nossos próprios corpos, vontades e temeridades. Sem aparelhos, sensores nem eletrodos, sem laboratório, sem outra testemunha que nós mesmos. E, lá dentro, tudo é muito vasto. Às vezes dá vertigem. É por isso que o yogi precisa ser um pouco temerário. Senão, não se joga. Seria como lançar-se ao labirinto guardando apenas um fio para poder voltar, como fez Teseu.



Salvador Dalí teve uma tirada brilhante e exibicionista, mas que define com precisão isto que acabamos de afirmar. Ele disse que "a diferença entre eu e um louco, é que eu não sou louco". Se você for yogi, pode assinar embaixo. Porque o louco está perdido no labirinto. Mas o yogi enlouquece conscientemente e sabe exatamente onde ele está e como agir. E conhece o caminho da volta.

Por isso, loucos são os outros. Talvez você possa ser criticado por praticar uma filosofia de vida "exótica", alheia ao seu contexto cultural. Vejamos um exemplo esquemático, porém claro. Se alguém trabalha sem parar, sem tirar férias, e fica estressado e alienado correndo atrás do dinheiro e do sucesso, os demais dirão: "Fulano é uma pessoa muito responsável e bem sucedida".

O detalhe é que Fulano terá o primeiro enfarte antes dos cinqüenta. E se outro trabalhar menos e dedicar uma parte do dia a fazer caminhadas ou subir montanhas para ficar deitado ao sol lá encima, as mesmas pessoas dirão: "Sicrano é muito esquisito. Você percebeu como ele gosta de entrar no mato e ficar sozinho?" Por isso é que digo que loucos são os outros. E isto não é uma questão de falta de opção."

Fonte: www.yoga.pro.br

sábado, 19 de setembro de 2009

Passarinho - (Composição e voz: Tiê)



"Como um brotinho de feijão foi que um dia eu nasci,
Despertei cai no chão e com as flores cresci.
E decidi que a vida logo me daria tudo
Se eu não deixasse que o medo me apagasse no escuro.

Quando mamãe olhou pra mim, ela foi e pensou
Que um nome de passarinho me encheria de amor
Mas passarinho se não bate a asa logo pia
Eu que tinha um nome diferente já quis ser Maria
Ah, e como é bom voar!"



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Tiê-sangue – O pássaro que desbota quando preso

Temos em nossa fauna um pássaro especial. É o tiê-sangue.
É avistado próximo às restingas, capoeiras e beiras de mata do litoral do Brasil.
Suas asas são vermelhas como o sangue, por isso ganhou esse nome.
Possui a cauda negra e uma linda mancha branca no bico.
As lindas cores do tiê-sangue atraem os criadores, mas é impossível apreciar sua beleza em cativeiro, visto que ele fica com uma cor pálida, alaranjada, desbotada; pois, entre a variedade dos frutos de que o passarinho se alimenta, há alguns que contém um pigmento de nome astaxantina, que mantêm sua coloração.
A beleza do tiê está na proporção de sua liberdade. Quanto mais livre, mais belo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Oração ao Encontro - (Prof. Nélson Cassiano)


"CREIO
que agora vale a verdade,
que vale a vida,
e a vida no ENCONTRO com outrem;
de mãos dadas
trabalharemos ambos pelo ENCONTRO verdadeiro.

CREIO
que todos os ENCONTROS,
inclusive os mais cinzentos,
têm o direito de converter-se em manhãs de domingo.

CREIO
que a partir deste instante
- eu e você -
diante da angústia eminete de
não-ser,
da ameaça da destruição,
seremos o que somos
e não algo que temos,
o nosso ser permanecerá
o dia inteiro
aberto a esperança, e
as campinas verdes do sentir,
oxigenarão nossos corações.

CREIO
que não precisamos mais
negar a culpa por existir;
e que confiarei em você
como o vento confia no ar que o compõe.
Confio no homem,
como o menino confia em outro menino!

CREIO
que a compreensão da pessoa no seu mundo
nascerá espontânea e livre
do jugo da mentira,
e nunca será preciso usar
couraça no disfarce,
porque viveremos num mesmo universo onde
semelhança e não igualdade
conduzirá nosso convívio.

CREIO
que as nossas forças,
sejam elas quais forem,
hão de encontrar no mundo da natureza humana,
na grandeza de sermos,
no ENCONTRO entre os homens
e na existência de ser em si mesmo,
o descortínio:
do que fomos,
do que somos e
do que por humanidade sempre quisermos ser!

CREIO
que o trágico da existência
tem sua razão e seu querer.
E ainda que tudo nos pareça perdido
alegria e dor, raízes desse cenário
existirão, para não esquecermos
que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder doar-se,
sabendo que é o amor
que dá à vida o milagre de ser.

CREIO
que o alimento de cada dia
tenha no homem o sinal do esforço.
Mas sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.

CREIO
que enquanto estivermos juntos,
minutos, horas ou dias,
valerão como processo de realização
a cada momento,
porque seremos aquilo que somos!
O que nasce agora é flor
que fará o perfume de amanhã.
Assim portanto, tudo será permitido,
inclusive descobrir o descoberto,
falar do falado,
sentir o sentido,
cantar o prórpio canto,
fazer do ridículo agradável,
do falso verdadeiro
e de toda essa verdade, a mentira que disfarçamos.

CREIO
que somos os únicos seres do universo
que podem prometer,
e por isso prometo minha decisão
de estar com você,
ainda que não esteja comigo,
pois não estar é a sua presença.
E mesmo sem tudo compreender
fica clareira aberta, onde
a luz de estar um com o outro
faz nascer o desejo de
SER E PERMANECER.

e... CREIO SOBRETUDO
que no entrelaço de corações
na presença de almas que se aproximam,
nasce a descoberta do que sempre foi:
EU!
VOCÊ!
na beleza do que somos!



(inspirado nos "Estatutos do Homem" de Thiago de Mello)
Fonte: http://www.humaniversidade.com.br/