quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Maharshi e a busca do verdadeiro eu - (Ramana Maharshi)



Ramana Maharshi (1879-1950) é considerado um dos maiores sábios da idade moderna. Nascido no sul da índia, aos 17 anos ele teve a experiência da iluminação e perdeu o interesse pelas coisas do mundo. Em seguida, abandonou o lar sem a permissão dos pais e foi viver retirado junto à montanha sagrada de Arunachala.
Durante vários anos, Ramana manteve silêncio completo. Quando sua mãe foi até seu retiro implorar que voltasse para casa, ele escreveu em um pedaço de papel: "0 destino da alma é determinado por seu carma maduro, prarabda-carma. 0 que não deve acontecer, não acontecerá, não importa o quanto você deseje. 0 que deve acontecer, acontecerá, não importa tudo o que você faça para evitar. Quanto a isso, não resta dúvida.
"Portanto, o melhor caminho é permanecer em silêncio."
Quando ele saiu do regime de siêncio total, formou-se ao seu redor um ashram - uma comunidade de aprendizes. 0 escritor Paul Brunton, aluno seu, teve papel decisivo na popularização mundial do seu ensinamento. A sabedoria de Ramana conquistou o Ocidente, e Carl G. Jung escreveu uma introdução para um dos livros que reúnem seus ensinamentos.
A principal técnica meditativa de Ramana Maharshi consiste em perguntar "quem sou". Gradualmente, aquele que persevera na investigação dessa pergunta se liberta de tudo o que não é seu verdadeiro eu. Essa técnica de jnana ioga coincide com o diagrama de meditação ensinado por Helena Blavatsky a seus discípulos mais próximos. Nos dois casos, o praticante aprende a identificar-se com o espaço e o tempo infinitos.
De fato, Ramana vivia na consciência eterna e fora do tempo cronológico que, para ele, era uma ilusão. Certa vez, ao ganhar de presente um calendário, afirmou: "Você me dá um novo calendário para ajudar-me a lembrar dos dias, quando eu tenho sérias dúvidas sobre em que ano nós estamos. 0 tempo é todo uma coisa só para mim." Em outra ocasião, Paul. Brunton contou a ele que havia ido a um determinado encontro social, que havia sido "uma perda de tempo". Ramana comentou: "Se o tempo não existe, como é que você consegue perder tempo?
A seguir, fragmentos de um diálogo interno com a obra de Ramana Maharshi - tal como o desenvolvi em Brasília, reexaminando seus livros em minha biblioteca, entre as árvores do Sítio Céu e Terra.

-Qual o objetivo mais elevado da experiência espiritual?
-Maharshi - A compreensão do "eu superior".
-A solidão é necessária ao buscador?
-Maharshi - A solidão está na mente do homem. É possível estar em plena vida mundana, mantendo-se, contudo, uma serenidade perfeita da mente; tal pessoa está sempre em solidão. Outra pessoa pode permanecer na floresta e, ainda assim ser incapaz de controlar sua mente. Não se pode dizer que esteja em solidão. A solidão é uma atitude da mente; o homem apegado às coisas da vida não pode alcançar a solidão, onde quer que esteja. Um homem desapegado está sempre em solidão.

-O que é mouna (silêncio mental)?
-Maharshi – É o estado que transcende a linguagem e o pensamento, é a meditação sem atividade mental. A subjugação da mente é meditação; a meditação profunda é a linguagem eterna. O silêncio é a linguagem eterna; é o fluxo perene da “linguagem” eterna(...) Existe um estado em que cessam as palavras e prevalece o silêncio.

-Como se pode pode obter o estado de bem-aventurança eterna, em que não há sofrimento?
-Maharshi – Além da afirmativa dos Vedas de que onde quer que haja um corpo existe sofrimento, essa é também a experiência direta de todas as pessoas; portanto, o buscador deve investigar a sua verdadeira natureza que é sempre destituída de corpo, e deve permanecer nela. Esse é o meio de alcançar aquele estado.

-O que significa dizer que o buscador deve investigar a sua verdadeira natureza e compreendê-la?
-Maharshi – Experiências como “eu fui, eu vim, eu estava, eu fiz" vêm naturalmente a todos. A partir dessas experiências, nao parece que a consciência "eu" é a autora daqueles vários atos? A investigação da verdadeira natureza daquela consciências enquanto se preserva a consciência de si mesmo, é o meio de compreender a verdadeira natureza do buscador.
-Como se deve investigar "quem sou eu"?
-Maharshi - Ações como "indo" e "vindo" pertencem apenas ao corpo. Assim, quando alguém diz "eu fui, eu vim, isso significa dizer que o "eu" é o corpo. Mas será possivel dizer que a consciência do corpo é o "eu" já que o corpo não existia antes do meu nascimento? (...), não existe no estado de sono profundo e se torna um cadáver quando morto? Será que esse corpo que está inerte como um tronco de árvore pode ser considerado brilhante como um "eu"? A consciência chamada "eu" que surge em primeira fuga em relação corpo é descrita de várias maneiras como auto-ilusão, egocentrismo, ignorância; maya, impureza e alma individual. Será que podemos deixar de lado a investigação sobre isso? Não será para nosso bem que todas as escrituras afirmam que eliminar a auto-ilusão produz a libertação? Desse modo, deixando que o corpo-cadáver permaneça como corpo, e nem esboçando sequer a palavra "eu", devemos investigar intensamente o seguinte: "O que é que se apresenta como um 'eu'?" Então brilhará no coração uma espécie de revelação sem palavras do verdadeiro eu. Isto é, surgirá por si mesma a pura consciência que é una e ilimitada, porque desapareceram os pensamentos diversos e limitados. Se permanecermos quietos e sem abandonar essa experiência, o egocentrismo, o sentido individual, a sensação "eu sou o corpo" serão totalmente destruídos, e no final a sensação de "eu" também será apagada (...). Os grandes sábios e as escrituras dizem que só isso é libertação.
-Dos meios de controle da mente, qual é o mais importante?
-Maharshi - O controle da respiração é o meio de controlar a mente.
-Embora a prática da retenção da respiração seja perigosa e deva ser evitada, a respiração profunda e outros exercícios respiratórios moderados trazem serenidade e são, de fato, um meio central de controle da mente. O senhor pode dizer mais sobre isso?
-Maharshi - Não há dúvida de que o controle da respiração é o meio de controlar a mente, porque a mente, como a respiração, participa da natureza do ar; porque a natureza da mobilidade é comum a ambos; porque o lugar de origem de ambos é o mesmo e porque quando um deles é controlado, o outro também é controlado.
-Qual a importância da dieta do aprendiz?
-Maharshi - O alimento afeta a mente e a torna mais sátvica (vital, vibrante, rítmica) para a prática de qualquer ioga. Vegetarianismo é absolutamente necessário.
-A aparição de visões ou o escutar de sons místicos durante a meditação ocorrem antes que a mente concentrada esteja imóvel e vazia ou depois?
-Maharshi - Podem ocorrer tanto antes quanto depois. O importante é ignorá-los e continuar prestando atenção apenas ao eu, ao ser.
-Sou digno de ser um aprendiz?
-Maharshi - Todos podem ser aprendizes. O alimento espiritual é comum a todos e nunca é negado a ninguém.

VENKATARAMAN - nome dado por seus pais, nasceu em Tiruchuzi, pequena aldeia no sul da Índia, a 30 de dezembro de 1879. Sua infância foi igual à de todos os meninos de sua época. Porém, aos doze anos seu pai faleceu e a família foi morar com um tio na vizinha cidade de MADURA.
Aos quatorze anos preparava-se para entrar na Universidade de Madras, no entanto sentia que aqueles estudos não tinham qualquer utilidade para ele, pois a sabedoria do mundo material não poderia torná-lo consciente da verdade de Ser.
No fim do ano de 1895, o jovem Venkataraman, ao encontrar um tio que vinha de uma peregrinação, abordou-o com a pergunta:

“De onde está vindo?”
“De Arunachala.” Foi a resposta.


A aparente simplicidade da frase de seu tio encontrou profundo eco em seu coração, como se a palavra “ARUNACHALA” lhe despertasse alguma sutil recordação. Em julho de 1896, na tenra idade de dezessete anos, Ventakaraman teve a experiência extraordinária, que transformou Sua vida e despertou-O para o verdadeiro significado do SER: sentiu que se integrava no universo, e perguntou:
"Quem sou eu? Minha consciência não é atingida." Então compreendeu que era independente do corpo físico, da mente e dos sentidos. Sentia apenas o pulsar cósmico e concluiu: "Sou Consciência". Depois disso, Ramana pouco tempo depois deixa a casa do tio e parte para Tiruvannamalai em direção ao Monte Arunachala - local onde o Deus Shiva apareceu a seus devotos na forma de uma coluna de luz, instalando-se em cavernas e templos. Com a chegada de muitos discípulos, mudou-se para um Ashram construído ao pé de Arunachala, onde recebia pessoas de todas as partes do mundo para aprender com ele. Durante os cinqüenta e quatro anos seguintes, sua vida foi um exemplo vivo de Suprema Paz, Compaixão Universal e Auto-Consciência incessante. Ele ensinou o Caminho do Auto-Conhecimento e a Auto-Renúncia através da Vichara (a pergunta ¨Quem sou Eu?¨). Quando se estava próximo a Ele, as ondas incansáveis da mente eram acalmadas: corações aflitos encontravam conforto e paz e os buscadores sinceros da Verdade encontravam a Suprema Beatitude. Sri Ramana deixou de ser apenas um admirável Mestre da Índia. Saltou dos quadros que enfeitam os altares dos templos para dentro de nossa existência. Ordenou a Sri Maha Krishna Swami que fizesse, no Ocidente, a Grande União entre os homens, tornando conhecida e acessível a todos a Verdade de Ser. Foi por sua vontade que Sri Maha Krishna Swami instalou-se no Brasil, a terra apontada pelo Sat Guru como o local onde seriam preservados os sagrados ensinamentos de todos os Grandes Mestres, onde também seriam vivificados e tornados acessíveis a todos.
A sabedoria de Bhagavan é insofismável, não está limitada às palavras, ela toca a essência de cada um: é a força do silêncio, a Upadesa Sharanam, que irradia de Sri Ramana para todos. Ao codificar o caminho da autoconscientização, Sri Ramana criou, efetivamente, a solução para todos os que buscam o autoconhecimento. Até então, o acesso à sabedoria dos Mestres era exclusivo dos reclusos do silêncio. Sri Ramana mostrou um caminho possível de ser trilhado livremente, conforme as condições da vida moderna.
Certa tarde em que estava sozinho em casa, sentiu que iria morrer. Deitou-se com os membros distendidos, susteve a respiração, mantendo a mente em completa introspecção e o corpo inerte; sentiu toda a força de sua personalidade e até mesmo ouviu a voz do SER dentro de si, totalmente apartada do corpo. ¨O corpo morre, mas o espírito que o transcende é imune à morte. Isso quer dizer que sou um Espírito Imortal¨
Daí em diante sua absorção no Ser é permanente. No dia 14 de abril de 1950, Sri Bhagavan deixa o corpo. Entretanto, muitos devotos, espalhados por todos os rincões do planeta, até hoje, crêem firmemente em suas palavras quando inquirido sobre Sua partida: “Para onde mais poderia Eu ir?”
Este é o Santo Sábio que, em Seu silêncio e olhar de bem-aventurança, segue vivo nos corações de todos os seus discípulos.




"O destino da alma é determinado segundo seu prarabdha-karma. O que não deve acontecer, não acontecerá, não importa o quanto você deseje. O que deve acontecer, acontecerá, não importa tudo o que você faça para evitar. Quanto a isso, não resta dúvida. Portanto, o melhor caminho é permanecer em silêncio."

"A consciência do corpo é o 'Eu' errado. Desista desta consciência-corpo. Isto é feito através da busca da fonte do 'Eu'. O corpo não diz 'Eu sou'. É você quem diz 'Eu sou o corpo'. Descubra quem é este 'Eu'. Procurando a sua fonte, ele irá desaparecer. Seja o que você é. Não existe nada para ser manifestado. Tudo o que é necessário é a perda do ego. A verdade de si mesmo é a única que vale a pena ser buscada e conhecida. Realização não é nada a ser adquirido. Ela está sempre aí, mas obstruída por uma tela de pensamentos. Todos os seus esforços devem ser dirigidos para a superação desta tela, e então a realização é revelada. Realização é simplesmente a perda do ego. Destrua o ego pela procura da sua identidade. Uma vez que o ego não é nenhuma entidade, ele automaticamente desaparecerá, e a realidade irá brilhar por si mesma. Este é o método direto, enquanto todos os outros se concretizam somente através da retenção do ego"

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Dança e arte, pura expressão do Divino! - (Morgana)





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Canção - (Cecília Meireles)



"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."

O que você não é - (Nisargadatta Maharaj)


"Minha experiência é que todas as coisas são êxtase, alegria pura. Mas o desejo por
alegria cria dor.
Alegria se torna a semente da dor. O universo de dor nasce com o desejo."


"Momentâneo alívio da dor nós chamamos prazer - e nós construímos castelos na
areia pelo prazer sem fim, o qual nós chamamos felicidade. Isso é tudo má
compreensão.


"Você não pode conhecer a si mesmo através do êxtase. O êxtase é sua própria
natureza essencial. Você deve olhar o oposto, o que você NÃO é, para encontrar
iluminação."

Swami Dayananda fala dele mesmo, do Hatha e do Conhecimento - (Ana Sereno entrevista Swami Dayananda Saraswati)



Nos dias 11 e 12 de Outubro, Swami Dayananda Saraswati veio encher de luz a Quinta das Águias, em Paredes de Coura, Portugal, e o coração de quem teve a oportunidade de o conhecer. Durante dois dias, Swamiji partilhou a sua visão clara sobre o ensinamento e ainda respondeu a algumas perguntas que lhe colocámos.

1. Como e quando entendeu que podia conseguir moskha através do estudo das Escrituras?

Primeiro entendemos que existe moksha, para ser conquistada aqui, nesta vida. Depois entendemos que moksha é uma compreensão. O que é o quê, a realidade? Esta realidade é o tema desses livros que chamamos escrituras, os livros espirituais, os livros originais: Vedas e Upanishads. Chamamos-lhe Vedanta. E depois existem os livros de suporte, como a Gita e os demais. Hoje em dia, as pessoas apresentam-no como um conhecimento intelectual, um conhecimento indirecto, que temos de fazer directo através da meditação, etc… Isso é o que ouvimos habitualmente.

Então, quando vamos mais fundo na questão percebemos que não existe conhecimento indirecto, porque estamos a falar de nós mesmos. Eu não sou conhecimento indirecto. Eu sou uma pessoa auto-evidente, por isso o conhecimento tem de ser directo, não pode ser indirecto. Se é assim, o professor também tem de ter presente esse conhecimento directo. Isso levou-me algum tempo a perceber, porque eu percebia a insuficiência nas escrituras. A forma como é apresentada é insuficiente, eu percebi-a como sendo insuficiente. Então tive um professor e, ao ouvi-lo, percebi que o método de ensino é tão importante quanto o ensinamento em si. É um método de ensino, e o método é de tal forma que as palavras têm de ser usadas para fazer-te ver quem tu és. É, por isso, um tipo diferente de ensinamento e perceber isso levou algum tempo…



2. Quando é que decidiu renunciar a tudo para se tornar um sannyasi? Que idade tinha nessa altura?

Tinha 32. Comecei a levar isto muito a sério em 1952 e em 57 desisti do meu trabalho, tinha apenas 27 anos. Era jornalista e o meu jornalismo foi útil porque quando me juntei ao meu professor original, ele tinha uma organização, que editava uma revista e livros e eu comecei a editá-los. Portanto, foi útil e as minhas habilidades também foram úteis. No processo aprendi muito e cresci. Depois percebi as limitações no ensinamento e tive de procurar uma solução, de novo procurar, é assim que é…



3. Qual é a sua opinião sobre Hatha Yoga, a prática de ásana, pranayama e meditação?

Hatha Yoga é ásana e pranayama. No Hatha Yoga explicam-se quais são os ásanas. O Yoga de Patanjali não explica qualquer ásana. Só o Hatha Yoga explica os ásanas. O livro Hatha Yoga Pradípika explica tudo isso. O que é svastikásana, o que é siddhásana, o que é sarvangásana, o que é shirshásana. Encontramos nesses textos todos eles explicados. Os ásanas são muito bons, porque nos ajudam a descobrir o amor-próprio. No princípio começamos a cuidar do corpo, na aeróbica também se cuida do corpo, mas o objectivo é tentar queimar calorias. Na aeróbica, com o seu 1,2,3,4, durante uma hora só se queima peso do corpo, só se quer queimar esse peso extra.

Aqui, no Hatha Yoga, come-se apropriadamente, não se come demais. Mantém-se o corpo saudável, e para isso servem os ásanas. Não é sequer exercício. É um método de se manter saudável, assim como o pranayama. É possível curar muitas doenças através do pranayama. Por isso, ásana e pranayama são óptimos.

Como eles próprios ensinam, a meditação é importante. É muito importante porque te ajuda a ser tu mesmo e ajuda-te a descobrir a tua conexão com o todo, se for adequada. Meditação é uma palavra genérica. O que se faz na meditação é muito importante, por isso a meditação clássica é algo que te conecta com Íshvara, isso é muito, muito importante. E assim, tudo isto é útil para entender o que o ensinamento é. Repara que existem dois níveis. Tenho de olhar para mim mesmo e perceber que sou o todo. Não é fácil, sabes? É uma reorientação. A orientação é que sou insignificante e a reorientação é que sou o único significante, nada é mais significante. A tudo o resto empresto vida, a tudo o resto empresto realidade, então é uma coisa muito especial e isso requer preparação. E a preparação é ásana, pranayama, dharana, dhyana, todos estes são úteis.



4. Li um comentário seu numa entrevista que deu ao Andrew Cohen* em que dizia o seguinte: “não há nada neste mundo mais tolo do que a experiência. De facto, foi a experiência que nos destruiu”. Pode explicar esta frase?

É verdade. Foi o que eu disse. Isso foi a única coisa que ele transcreveu tal qual aconteceu, depois disso já não.

Percebeste o que eu disse? Ele não. Uma experiência nunca nos vai relevar o que é, toda a experiência que temos é Brahman, é o ilimitado Brahman. Uma vez que dizemos que Brahman é eterno, ele não se pode esconder do tempo e Brahman é tudo, pelo que não nos pode manter afastados dele, nem tão pouco podemos afastarmo-nos dele. Então tudo o que é, é Brahman em qualquer experiência, seja triste ou abençoada, tudo é Brahman. Se tudo é Brahman temos de o saber.

A experiência é Brahman, a consciência é Brahman, toda a experiência é consciência e ela é Brahman, e porque é que não o sabemos? Se a experiência pudesse dizer-mo, eu deveria ser iluminado. Ele não entendeu isto! Eu também lhe disse isto, mas ele não percebeu. Ele tem um paradigma, e ele quer experimentar. A experiência de Brahman não é alguma coisa do coração. Todos eles pensam que é alguma coisa no coração que temos de experimentar e da qual depois temos de sair. No calor da meditação tu vais experimentar Brahman, (risos), como se fosse queijo derretido. Imagina que fazes uma tosta de queijo e no meio das duas fatias de pão pões uma camada de queijo. Então, quando pões a tostar, o queijo começa a derreter e a transbordar, consegues ver o queijo a sair por todos os lados. Isto é exactamente o que acontece no calor da meditação, atman derrete-se, transborda e é o êxtase! (risos)… Paradigma. Ele não entendeu nada disto, e naquilo que escreveu ridicularizou tudo. Ele não teve o cuidado de confirmar se tinha ou não entendido. Ele tinha de ter confirmado. É um tema que pede uma escrita responsável e ele escreveu de forma irresponsável.



5. Como podemos entender a não-dualidade (advaita) e, ao mesmo tempo, sermos capazes de criar um distanciamento (uma não-identificação) entre nós mesmos e as nossas emoções?

Não precisamos criar um distanciamento. Uma coisa é satyam e a outra é mithya. Quando a não-dualidade é entendida, aquilo que é auto-evidente é não-dual. Tudo o resto é mithya, logo é não-dual. Se existem cem jarros mas compreendemos que só há barro, isto é não-dual. Há apenas um barro em relação aos jarros. Cem jarros e um barro. Contamos barro, há apenas um barro. Então um barro e cem jarros é o quê? Não-dual, não há soma. Se um jarro entendeu que é barro, então é livre. O jarro é mithyam, é aparente.

Então, se analisarmos, mesmo no nível de Íshvara, se Íshvara é tudo na forma de ordem, então as emoções também estão na forma de ordem e eu posso ter emoções, eu dou as boas-vindas às emoções. Vou até ao nível de Íshvara e vejo-as como ordem, logo são aceitáveis. A distância parece muito simples. Por isso eu disse que o devoto é aquele que descobre a relação entre ele, o indivíduo, e o todo, aí ele torna-se um devoto. E este devoto desempenha o papel de filha, de irmão, de irmã,... O papel de devoto está lá em todos os papéis, e existe uma distância entre os papéis e o devoto. O papel é o devoto, o devoto não é o papel. Esta é a distância. B é A, A não é B.



6. Como devemos lidar com as nossas emoções?

Sabes, como disse, lidamos com as nossas emoções como sendo válidas. Lidamos com todas as emoções objectivamente. São todas emoções válidas. Qualquer emoção é válida. Está ali, porque tem de estar ali. Existe uma razão para isso. Assim, não te julgas baseado nas tuas emoções, não fazes qualquer julgamento. Estas emoções são reais, elas têm um passado, uma relação causa-efeito e, por isso, aceitas as emoções e fazes aparecer Íshvara. Assim, recebes melhor a Ordem que é Íshvara. A única coisa que tens de dizer é que é a ordem de Íshvara. As emoções estão aí por causa da ordem que é Íshvara. Acolhes as emoções mas nunca vitimizas quem quer que seja. Na raiva, em qualquer emoção, ninguém é tua vítima, nem tu és a vítima. Assimilas isso, se não o fazes tornas-te vítima. Assimilas e então existe um processo. O primeiro é chamado dama e o segundo shama. Dama é não vitimizar e shama é o processo que acontece assimilando, escrevendo, falando com alguém. Escrever é melhor, porque se falas tens de ser cuidadoso com as palavras. Escrever é melhor porque podes dizer o que quiseres, em verdadeiro português. Escreves, escreves, escreves, e depois destróis. Algumas pessoas guardam, guardam como se fosse uma escritura. A destruição faz parte do processo, tens de destruir. Isto é um processo.



7. O que é conhecimento revelado – a origem dos Vedas? Revelado como, por quem, quando?

Conhecimento revelado é epistemológico. É uma questão de pramana. Os meios de conhecimento que temos não objectificam, nem têm acesso a determinadas coisas, como por exemplo, punya e adrishta. Punya é o resultado de um bom karma, uma oração, um grande ritual ou caridade. Tudo isto trás punya. Bom, nós não vemos punya, vemos apenas o resultado de punya. Este resultado é estar no lugar certo à hora certa. Esse é o resultado de punya, e estar no sítio certo à hora errada é o resultado de papa. Imagina que estamos na estrada, que é o sítio certo para estar. O teu carro segue na estrada, no sítio certo, mas à hora errada, porque queres ocupar um lugar e outra pessoa quer ocupar o mesmo lugar, ao mesmo tempo. Então tens um acidente, o que está fora do teu controlo. Isso é papa, o resultado de papa. Papa não é pecado, papa é apenas papa. Não existe palavra em inglês [nem tão pouco em português]. Para punya também não existe palavra equivalente. Punya e papa têm de ser conhecidos por outro meio de conhecimento, e se ele existe, é o que chamamos conhecimento revelado. Isso está nos Vedas.

De forma semelhante, Atman é Brahman, a causa do mundo, Íshvara, é impossível conhecer. Porquê? Porque não está ao alcance da percepção ou inferência, tem que nos ser dito. Uma vez que nos é dito, e que está correcto, podemos remover completamente todas as objecções. O resultado é conhecimento, mas tem de ser ensinado. Aquele que conhece não pode conhecer a verdade de si mesmo, porque o conhecedor tem apenas os sentidos e a informação que chega através deles é baseada na inferência. Assim, o conhecedor pode objectivar e conhecer, por isso o que é objectivado, o que é o conhecedor e o conteúdo de ambos, é um Brahman. E como sabe ele isso? Tem de lhe ser dito.

Isto vem sendo transmitido. De quem veio primeiro, alguém o deve ter dito. Existe apenas Íshvara. Íshvara manifestou tudo e o seu conhecimento veio com isso. Em todas as culturas existem afirmações como tu és tudo, tu és o todo, tu és Íshvara. Isso é Vedanta, não precisa de ser em sânscrito. Em todas as culturas isso esteve presente. Esse é conhecimento comummente disponível, mas na índia temos uma tradição de ensino, não apenas uma afirmação, um ensinamento, mas um método de ensino. Que és o todo está em todas as escrituras e mesmo fora das escrituras estas afirmações também existem. Mesmo pessoas iliteradas produziram essas afirmações. Místicos tiveram essas experiências, pessoas literadas revelaram-nas, mas ninguém sabe o que é. Têm insights, porque o todo é percebido mas não existe método de ensino.

Este é um conhecimento revelado, revelado aos Rshis, de quem não sabemos a idade, nem o momento em que foi revelado. Revelado aos Rshis que por sua vez revelaram a outros e assim tem vindo a ser passado. Funciona, e isso é que é importante.



8. Há quem diga que “que para nos conhecermos não é necessária qualquer aprendizagem ou conhecimento das escrituras, uma vez que nenhum homem precisa de um espelho para se ver”. Como comenta esta afirmação?

De facto, nenhum homem consegue ver a sua pópria face sem um espelho, correcto? Suponhamos que os olhos se querem ver a eles próprios, não conseguem, os olhos não se conseguem ver, precisam de um espelho. No espelho eu vejo os meus olhos. Eu vejo os meus próprios olhos através do espelho. Quando olho para um espelho o meu compromisso não é olhar para o espelho, mas olhar para mim mesmo. Na verdade, o espelho são os meus olhos. Eu vejo-me, vejo a minha cara no espelho, mas não existe qualquer dúvidade de que eu sou. Perceber isso não requer qualquer espelho ou meio de conhecimento. Eu sou. Toda a gente sabe isto. Eu sou auto-evidente. Existes ou não? Tens de responder “sim, eu sou, eu existo”. Não precisas de consultar, não precisas de ver, não precisas de ouvir, porque estás ali tu vês, ouves e por isso não precisas de nada.

Mas quem és tu? Essa é a questão. Tu és auto-evidente, mas quem és tu? Aí começam todos os problemas. Eu sou assim,sou assado, sou isto, sou aquilo, esta é a pessoa… Quem és tu? Eu sou tanto quanto este complexo corpo-mente-intelecto. E então alguém diz, “não, eu sou diferente de tudo isto”. Como é que sabes? Porque olho para todos eles. Mas então quem és tu? Ainda, quem és tu? E o que é este complexo corpo-mente-intelecto?Isto é dualidade, duas coisas diferentes. Então jagat, o mundo está aí, e a causa do mundo, Íshvara está aí, como vais saber isso? Para isso serve o espelho. Até para veres a tua própria cara precisas de um espelho. Para veres a realidade de ti mesmo também precisas de um espelho de palavras. É um espelho. Estás a olhar para ti próprio. É um espelho de palavras. Sabes, há frases como “para olhares para ti próprio não precisas de um espelho”... Tu precisas de um espelho, de ambos. Para olhar para a tua cara precisas de um espelho. Nem sequer consegues olhar para as tuas orelhas, nariz, bochechas, testa, cabelo... não consegues olhar para nada. Os olhos não estão posicionados para isso. Para isso há um espelho que é fornecido, para veres o espelho e veres além. Então precisas de um espelho, não só para te ver, mas para ver quem és. Para saber que sou não preciso de um espelho, mas para saber o que sou preciso de muitos espelhos. Yeah! (risos)



9. Se existe uma ordem universal, e se esta ordem é perfeita, apesar do modo como agimos no mundo, porque devemos agir de acordo com o dharma?

Porque dharma é a ordem, porque dharma é Íshvara e se eu vou contra a ordem existe uma pressão, raga-dvesha, a pressão está lá e eu cedo a essa pressão. Mas também me é dada pela ordem a capacidade de contrariar essa pressão, porque a pressão é falsa. O dharma é real, a pressão só lá está devido à minha falta de compreensão das prioridades. Se as prioridades estão claras, e para isso eu tenho budhi ( o meu intelecto) – para perceber quais são as prioridades – então posso ter/ser um sistema de suporte. Posso ir contra a pressão, conformar-me com o dharma e evitar o conflito. Quando vais contra o dharma estás sujeito ao conflito e à culpa, não podes evitá-lo, porque é a ordem. E ninguém quer sentir culpa, logo, para se livrar da culpa, para ter a satisfação de ser eu próprio, para estar alinhado com Íshvara, tenho de me conformar ao dharma. No início com algum sistema de suporte escondo-me da pressão. Depois, com mais compreensão torna-se mais fácil. Com maior compreensão as minhas prioridades mudam, é muito, muito fácil. Suponhamos que até existe alguma pressão devido a uma velha orientação, posso livrar-me disso “fingindo e fazendo”. Ao fingir como se “dharmico” eu fosse, ajo, e então “dharmico” me torno. É como nadar. Nadando, eu aprendo a nadar. Não há outra forma. Tens de nadar para a aprender a nadar, e tens de agir de acordo com o dharma para te tornares “dharmico”.

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Esta entrevista foi totalmente elaborada com a ajuda preciosa de Miguel Homem, sem a qual teria sido impossível estruturar de forma tão fidedigna as palavras sábias do Swamiji.


Fonte: http://www.yoga.pro.br/artigos.php?cod=803&secao=3015

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Meditação - (09:09:09)




***
"Eu acolho a Luz Cristica na Unidade e na Verdade!"

Guerreiro da Paz - (video)



GUERREIRO DA PAZ
"El que une la verdad
Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar

Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar

Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as estrelas
Chamo o universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar

Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o poder da criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar

Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos orixás
Eu chamo todos com suas forças divinas
Eu quero ver o universo iluminar

Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade

Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um
guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor

Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu senhor

Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós todos somos um nesta união

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde o principio
todos nós somos irmãos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva o Poder de todo o universo!"


Musica de Orestes Grokar, regente das cerimônias xâmanicas dentro da Doutrina do Santo Daime em Santa Maria no Rio Grande do Sul. Coordenador da nação tutumbaiê. http://nacaotutumbaie.vilabol.uol.com...

Meditação - Entregue o seu amor ao mundo - (Tatyana Martynenko)


"A Energia, a Energia Divina somente pode entrar em seu mundo, ao longo do cordão de cristal ancorado em seu coração - na residência secreta do seu coração

A Energia Divina, ao entrar em seu mundo, através do seu coração, é tingida com os seus pensamentos, sentimentos e aspirações.

Enquanto você está em um estado elevado de consciência e elimina todos os pensamentos e sentimentos opressivos, você se torna uma Fonte de Luz para o seu mundo.

Tente imaginar um fluxo infinito de pura energia Divina vertendo em seu coração

Você é o proprietário desta Energia, plenamente responsável por preservá-la pura e sagrada.

...Sinta esta energia preenchendo a sua aura...

Sua aura se expande e se torna equilibrada. Seu corpo penetra em um estado de êxtase e conforto.

Você sente paz e confiança em seu eu (self) e em seu futuro.

Você compreende que Deus cuida de você a cada minuto de sua vida na Terra.

Tudo o que você precisa é ser sensível e prestar atenção ao conselho que você recebe do seu Eu Superior.

Seu Eu Superior sempre sabe o que você deveria fazer.
Não seja obstinado; preste atenção ao seu conselho e aceite a sua ajuda em suas ações terrenas.

Agora esteja repleto de paz e de amor; tente preencher todo o aposento em que você está com este sentimento.

Imagine a sua aura se expandindo e envolvendo todo o aposento.

Então a sua aura continua a se expandir e preenche toda a casa.

A aura continua a se expandir e então envolve todas as casas vizinhas e toda a cidade.

E cada pessoa que se encontrar sob o efeito de sua aura, fica tão tranqüila, harmoniosa e equilibrada como você.

Todos os pensamentos desagradáveis e perturbadores abandonam cada pessoa que se encontrar dentro do campo de ação da sua aura.

A sua aura continua a se expandir a cada batimento do seu coração. A cada respiração e exalação sua, a área de influência de sua aura se torna maior.

Você pode imaginar todo o país e todo o globo ficando sob a influência de sua aura.

O mundo inteiro vivencia uma constante deficiência de Amor e de paz. Você pode dar o seu Amor ao mundo inteiro, a cada criatura viva no planeta Terra.

Imagine quantos seres no planeta Terra precisam de sua ajuda agora.

As ondas de Amor emitidas do seu coração bem neste momento, são capazes de evitar a morte de alguém ou aliviar o sofrimento de alguém.

Entregue o seu Amor ao mundo.

Isto é o que você pode fazer pelo mundo e isto não requer quaisquer esforços extraordinários de você.

Envie o seu Amor ao presidente do seu país.

Envie o seu Amor a todas as pessoas que têm o poder em seu país e que possam contribuir para a mudança da situação nele.

Quando um humano sente o Amor que lhe é enviado, isto o fortalece e aumenta a sua confiança na realização das corretas ações Divinas.

Ore pelos seus líderes para que sejam capazes de aceitar em seus corações a sabedoria Divina, de modo que os seus corações possam acessar a orientação Divina.

Seu país é o seu bebê, a sua criação coletiva.

Cada um de vocês é responsável por cuidar do seu bebê.

Atualmente o seu país se assemelha a uma criança desamparada: ninguém o quer e todos o amaldiçoam.

Mude a sua atitude em relação a sua criança e a situação em seu país será alterada.

A única condição é a autenticidade e a pureza dos seus sentimentos.

Você não pode gracejar com o Amor, você não pode pretender que aprecia o seu país. Você deve fazê-lo sinceramente.

Envie o seu Amor sinceramente a cada situação desarmônica que ocorra em seu país.

Mas, primeiro você deveria se equilibrar e sentir a energia Divina entrar em seu coração.

Sinta o afeto em seu coração.

Você pode sentir o Amor Divino e a harmonia do mundo Divino penetrando em você.

Agora você pode espalhar este Amor e esta harmonia ao redor de todo o seu país e de todo o mundo.

Quando você for de encontro a uma situação desarmônica em sua vida, você deveria sempre reunir este sentimento de Amor que você esteve sentindo em seu coração durante as suas meditações - e enviar este Amor do seu coração a esta situação desarmônica.

Você não pode lutar com a imperfeição do mundo inteiro, mas pode expulsar toda a imperfeição do seu mundo com a ajuda do seu Amor.

Entregue o seu Amor ao Mundo!"



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Tatyana Martynenko nasceu e vive na Rússia, na cidade de Omsk. Ela diz que durante toda a sua vida esteve orando e pedindo a Deus que lhe concedesse uma oportunidade de trabalhar para Ele. Em 2004, ela recebeu uma oportunidade de levar as Palavras dos Mestres às pessoas. Durante os anos de 2005 a 2008, em determinados períodos de tempo, ela esteve recebendo mensagens dos Mestres Ascensionados de um modo especial. Segundo Tatyana, a única coisa que os Mestres querem é difundir o seu Ensinamento através do mundo. Os Mestres dão as suas mensagens com o sentimento de grande Amor. O Amor não tem limites. Não há limites entre os corações das pessoas que vivem em países diferentes, não há limites entre os mundos. Os limites existem somente na consciência das pessoas.

Tradução: Regina Drumond
http://www.luzdegaia.org/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Teus filhos ... - (Khalil Gibran)


"Teus filhos não são teus filhos.

São filhos e filhas da vida adorando-se a si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

Podem dar-lhes amor, mas não os pensamentos,

Porque eles têm os seus próprios pensamentos.

Podem trazer os seus corpos, mas não as suas almas.

Porque as suas almas moram na casa do amanhã,

Que vocês não podem visitar, nem sequer em sonhos.

Podem tentar ser como eles,

Mas não queiram que eles sejam como vós.

Vós sois os arcos dos quais partem os vossos filhos, quais flechas vivas.

Que a flexibilidade nas mãos do archeiro seja de prazer."

A Coruja - (Monja Coen)


"Era uma coruja pequena, de uns vinte centímetros de altura e talvez quarenta de envergadura. Entrara à noite na sala de zazen e se empoleirou no altar.

As pessoas haviam ido para o Zazen de Iniciantes. Sentavam-se calados e imóveis, de face para uma parede clara, ouvindo os sons internos e externos, transcendendo o comum e o sagrado, indo além do pensar e do não-pensar, procurando acessar à sabedoria completa, àquele saber-conhecer-perceber profundo que nos coloca face a face com a Verdade. Contato direto com a realidade real da grande unidade. Indo além de conceitos e de pré-conceitos. Antes do pensar se iniciar, antes da dualidade se criar. Antes do dividir e escolher. Antes do separar e julgar. Quando tudo apenas é. E nesse ser se percebe o interser. Inter-relacionamentos perfeitos e sincrônicos na grande sinfonia do universo. Nós tão pequenos humanos. Tão sonhadores de uma grandeza à qual não alcançamos. O planeta Marte vermelho e brilhante deixou nosso céu mais vasto e nos fez pensar nos marcianos. Eles eram verdes na minha infância. A vida em Marte era uma fascinação. Discos Voadores – Objetos voadores não identificados. Até pensei ter visto um assim de relance, na curva do prédio. Mas era apenas a ponta do dirigível sobrevoando a cidade. Dirigível é muito lindo.

Será que somos dirigíveis? Quero dizer, será que podemos dirigir a nós mesmos? Ter acesso à central de controle de nossas vidas? Guiarmo-nos a nós mesmos? Ou será que somos dirigidos por alguém mais? Será que somos controlados por radares espaciais? Será que as propagandas, revistas, televisões, modas e padrões determinam nossas opções? Estas e outras questões podem surgir nos momentos sentados quietos imóveis sedentos do encontro sagrado com o mais sagrado. Penetrar a origem da mente, a origem do ser, a origem da vida comum a toda a vida, a nossa própria mente procurando a mente, a própria vida procurando a vida. O que não nasce nem morre, que se revolve e transmuta, transforma e reforma incessantemente.

A coruja pequena marrom e cinzenta de olhos grandes e bico pequeno empoleirada no canto do altar. Voou baixo perto das cabeças dos que sentados estavam, em zazen entregados. Bateu a cabeça no vidro da porta. Estonteada voou para o outro lado. Bateu na parede e se sentou. Assentada ficou a coruja também. Será que meditava? Olhos semicerrados procurando o sagrado?

Meditar é um verbo transitivo que requer um objeto. Meditar sobre a vida. Meditar sobre as obras do Senhor. Meditar sobre suas ações. Mas também existe um meditar intransitivo, meditar a meditação meditando, sem objeto, sem objetivo, sem nada. A qual meditação se entregava a ave perdida na sala encontrada?

Nós outros, humanos, nos regozijamos, pois a coruja também simboliza a grande sabedoria que ali na sala se encontraria. Teria ela, a sabedoria, vindo nos visitar? Olhos enormes, que vê no escuro.

Que tesouro poder tudo ver compreender. Adeus aos rancores e tantos temores. Sabedoria brilhante, irradiante.

Os meditadores se levantaram e se foram alegres com o bom presságio. Fiquei encantada e preocupada em como lidar com a coruja na sala. Escurecemos o ambiente, deixando a luz de fora acesa, para que ela encontrasse o caminho da volta. Volta para onde? De onde viera a coruja tão pequena e tão bela? Teria fugido de alguma morada? Teria um ninho, uma árvore, uma casa? Seria sem teto? E o céu não é nada? Depois de momentos ela voou. Tão lindo vê-la de asas abertas. Obrigada, amiga, por sua visita.

Qual o objetivo do Zen? - me pergunta alguém.
Encontrar o sagrado secreto."

domingo, 6 de setembro de 2009

Abre Caminho - (Mariene de Castro)


"Diga a mãe que eu cheguei...
Cheguei. tô chegada
Esperei, bem esperado
Nessa minha caminhada
Sou água de cachoeira
Ninguém pode me amarrar
Piso firme na corrente,
que caminha para o mar
Em água de se perder
eu não me deixo levar
eu andei
Andei lá, andei lá, andei lá,
eu já sei
O caminho andei lá
Eu nasci e me criei
no colo das iabás
Andei por cima da pedras
Pisei no fogo sem me queimar
Andei onde mãe Clementina
andou,
E o samba mandou me chamar
Eu faço o que o samba manda
Eu ando onde o samba andar
Com a força da minha fé,
Eu ando em qualquer lugar
Na beira do mar
Andei lá no Gantois andei
No samba de Edith
andei lá no tororó
Andei no cortejo do Bonfim
andei, andei, andei lá
Na festa do Divino
Cantei pro menino, me Abençoar
Inda vou caminhar"

(Composição: Roque Ferreira, J. Velloso, Mariene de Castro)

Palavras não falam - (Mariana Aydar)


"Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo e vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco e ele me mostra o que eu não
sei

E me faz ver o que não tem palavra
Por mais que eu tente, são só palavras
Por mais que eu me mate, são só palavras

Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo e vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco e ele me mostra o que eu não
sei

E me faz ver o que não tem palavra
Por mais que eu tente, são só palavras
Por mais que eu me mate, são só palavras

Eu me entendo escrevendo e vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco e ele me mostra o que eu não
sei

E me faz ver o que não tem palavra
Por mais que eu tente, são só palavras
Por mais que eu me mate, são só palavras"

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sobre o morrer todos os dias - (Krishnamurti)


"O pensamento é o resultado do passado a atuar no presente; as vagas do passado estão de contínuo submergindo o presente. O presente, o novo, está sempre sendo absorvido pelo passado, o conhecido. Para se viver no presente eterno, é necessário morrer para o passado, para a memória; nesta morte há renovação, sem a limitação do tempo.

Estende-se o presente para o passado e para o futuro; sem compreender-se o presente, fica- nos fechada a porta para a compreensão do passado. É tão fugaz a percepção do que é novo; nem bem o sentimos e já o submerge a rápida corrente do passado, e o novo deixa de existir.

Morrer para todos os dias passados, viver cada dia renovadamente — tal só é possível se formos capazes de estar passivamente vigilantes. Nessa vigilância passiva nada se nos acrescenta; nela há uma tranqüilidade intensa, na qual se assiste ao desenrolar perene do novo, na qual o silêncio se estende infinitamente.

Procuramos servir-nos do novo como meio de destruir ou consolidar o velho, e com isso corrompemos o presente, em que palpita a vida. O presente renova, e dá-nos a compreensão do passado. É sempre o novo que dá compreensão, e na sua luz assume o passado um significado novo e vivificante. Quando ouvimos uma coisa nova, ou a sentimos em nós, nossa reação instintiva é compará-la com o velho, com algo já conhecido e sentido, com uma lembrança já quase a apagar-se. Essa comparação dá força ao passado, desfigura o presente, e por essa razão se transforma o novo sempre em coisa passada e morta. Se fosse o pensamento-sentimento capaz de viver no presente, sem o desfigurar, veríamos, então, o passado transformar-se no presente eterno.

Para alguns de vós terão, porventura, estas palestras e exposições despertado uma compreensão nova e estimulante; o que agora importa é que se não ajuste o novo a velhos padrões de pensamento ou velhas fraseologias. Deixai o novo como está, livre de contaminação. Se for ele verdadeiro, a sua luz abundante e criadora dissipará o passado. O desejo de dar permanência ao presente criador, de torná-lo prático ou útil, despoja-o de seu valor. Deixai que o novo viva, sem estar ancorado no passado, sem a influência deformadora de temores e esperanças.

Morrei para vossa experiência, para vossas lembranças. Morrei para vossos preconceitos agradáveis ou desagradáveis. Morrer assim é tornar-se incorruptível; tal estado não é de aniquilamento porém de criação. É essa renovação que, se o permitirmos dissolverá os nossos problemas, por mais complicados, e os nossos sofrimentos, por mais intensos que sejam. Só na morte do “ego” haverá a vida."


Krishnamurti - Conferências com perguntas e respostas realizadas nos anos de 1945 e 1946, em Ojai, Califórnia, Estados Unidos da América. Do livro: O Egoísmo e o Problema da Paz – Ed. ICK - 1946

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Como "consertar" o mundo - (Conto zen)


"Era uma vez, um cientista que vivia preocupado com os problemas do mundo e decidido a encontrar meios de melhorá-los. Passava dias e dias no seu laboratório à procura de respostas.

Um dia, o seu filho de sete anos invadiu o seu santuário querendo ajudar o pai a trabalhar. Claro que o cientista não queria ser interrompido e, por isso, tentou que o filho fosse brincar em vez de ficar ali a atrapalhá-lo. Mas, como o menino era persistente, o pai teve de arranjar forma de entretê-lo, ali mesmo no laboratório. Foi então que reparou num mapa do mundo que vinha numa página de uma revista. Lembrou-se de cortar o mapa em vários pedaços e depois apresentou o desafio ao pequenote:

- Filho, vais ajudar-me a consertar o mundo! Aqui está o mundo todo partido. E tu vais arranjá-lo para que ele fique bem outra vez! Quando terminares chamas-me, ok?

O cientista estava convencido que a criança levaria dias a resolver o quebra-cabeças que ele tinha construído. Mas surpreendentemente, poucas horas depois, o filho já chamava por ele:

- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui consertar o mundo!

O pai não queria acreditar, achava que era impossível um miúdo daquela idade ter conseguido montar o quebra-cabeças de uma imagem que ele nunca tinha visto antes. Por isso, apenas levantou os olhos dos seus cálculos para ver o trabalho do filho que, pensava ele, não era mais do que um disparate digno de uma criança daquela idade. Porém, quando viu o mapa completamente montado, sem nenhum erro, perguntou ao filho como é que ele tinha conseguido sem nunca ter visto um mapa do mundo anteriormente.

- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando tiraste o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando me deste o mundo para eu consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os pedaços de papel ao contrário e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que tinha consertado o mundo."

Beijando o Sapo - (Gangaji)


Intensivo em San Diego, Califórnia. - 9 de fevereiro de 2002, à tarde.


Gangaji: Oi.

Quest: Oi. Quero lhe perguntar sobre uma experiência que tive. Há momentos em que tenho a experiência de uma imensidão que simplesmente não tem limites e, realmente, não tem nada a ver comigo...

Gangaji: Ah! Espere um momento. Vamos devagar. Que declaração! Ser capaz de fazer uma declaração como esta é algo muito bonito. E saber, reconhecer, que "realmente, não tem nada a ver comigo."

Quest: Meu sofrimento geralmente aparece quando vivencio uma personalidade que tem muitos problemas.

Gangaji: Personalidade significa problemas. É uma palavra-código para problemas. Até mesmo personalidades encantadoras.

Quest: Mas o que faço com a personalidade?

Gangaji: Que tal se não fizer nada com a personalidade?

Quest: Ela simplesmente vai continuar sendo infeliz.

Gangaji: Creio que você jamais deixou de "fazer algo" com a personalidade. Acho que você lutou contra a personalidade, mudou a personalidade, jurou que nunca teria aquela personalidade, experimentou outras personalidades, adaptou a personalidade, ou tentou disfarçar a personalidade. Não fazer nada com a personalidade é ter um encontro real com o que está motivando e controlando a personalidade. No momento em que estávamos falando, era um medo enorme. Para todo mundo, geralmente, em algum momento, é o medo: um medo enorme, um medo divino. Se, neste momento, você não fizer nada com a sua personalidade; se você não a consertar, não a negar, não cair no sono e ignorá-la, não ceder a ela, não contar alguma história a si mesma sobre ela, o que acontece?

Quest:
Ela desaparece.

Gangaji:
Que mistério!

Quest: Mas o que é isso? É aí que preciso de ajuda.

Gangaji: Quando ela está presente é quando você não tem que fazer nada. Quando ela desaparecer, faça tudo que você quiser. Isso é tão sutil, mas se for dito um pouco mais explicitamente, torna-se um dogma. E esse não é o objetivo. Senão, teremos "Eu não faço nada", "Eu não sou nada, você também?"

Quest: Há um poema sobre isso. É mais ou menos assim: "Eu não sou nada, você também? Mas não conte a ninguém, porque vão querer formar um clube dos nadas."

Gangaji: Sim. Há um segredo escondido em seu coração, que sabe que não é absolutamente nada. E estamos em uma época na qual, de alguma maneira, pode-se falar disso em público.

(O grupo exclama: "Viva!")

Gangaji:
Viva! É uma celebração. Então, os hábitos da personalidade que aparecem no tempo e desaparecem no tempo, são reconhecidos como o que são realmente: insetos. Você pode ver a luz através da nuvem de insetos; você não pega a espingarda e tenta eliminá-los. Isso não funciona. E, se tentar, você será uma destas pessoas que carregam uma espingarda. E o que vamos fazer com você? É possível simplesmente ficar quieto. Na quietude, o que está debaixo da personalidade e o desejo de mudar a personalidade se encontram. Você tem consciência disso?

Quest: Sim.

Gangaji: Que foi?

Quest: Há uma repulsa, uma aversão a essa personalidade.

Gangaji: Sim, é um certo ódio, não é? Você está disposta a simplesmente deixar a sua consciência penetrar o ódio e senti-lo totalmente? Você está disposta a sentir o ódio sem contar uma história sobre ele? Este é o desafio. A história do autodesprezo é conhecida; em vez disso, mergulhe a sua consciência completamente no autodesprezo pré-verbal, sem lutar contra ele. E, se estiver lutando, pare de lutar e simplesmente deixe sua consciência afundar mais profundamente nesta repulsa.

Quest: Há uma convicção de que eu sou má.

Gangaji: Este é um "insight" que surgiu da exploração. Isso é bom, mas estou mais interessada na experiência direta da própria repulsa. Então, digamos que você é má, que esta convicção está correta. Você é má e isso é repulsivo. O que significa isso quando é acolhido? Não consertado, mas acolhido. O que você está sentindo?

Quest: Não tenho certeza.

Gangaji: O que você está sentindo, sem contar uma história? Simplesmente diga a verdade: neste momento, o que está aqui?

Quest: Apenas um bloqueio…

Gangaji: Isto é uma teoria.

Quest: Não sei.

Gangaji: A repulsa está presente? Antes você soube imediatamente quando ela estava presente. Não teve de questioná-la. Agora você pode criá-la novamente. Há um forte apego a este autodesprezo como identidade.

Quest: Sim, sim.

Gangaji: "Isto é realmente o âmago do meu ser, isto é o que tem que mudar para esta expansão ilimitada, que não tem nada a ver comigo, ficar permanentemente na minha vida." Estou dizendo que, se simplesmente penetrar neste âmago e sentir a repulsa completamente, você descobrirá que no âmago da repulsa está a expansão ilimitada e perfeita. A repulsa se transforma imediatamente em expansão. Mas isto exige a sua disposição, a sua vontade de conhecê-la completamente. É como beijar o sapo. Você sabe que, para uma jovem princesa, um sapo é uma coisa asquerosa. Mas este é o requisito. Você conhece a história? Você é a jovem princesa. E nós estamos conversando sobre o sapo que vive dentro de você, que é o seu Ser Amado perfeito, mas que lhe parece tão nojento. Portanto, a sua velha e sábia fada-madrinha está lhe dizendo para entrar e beijar o sapo. Você chegou bem perto; na verdade, por um momento, você nem conseguiu achar o sapo e, então, começou a fazer o que você faz, subconsciente ou conscientemente, para criar a "sapice", o caráter reptílico, a repugnância, o lamaçal e a feiúra. Perfeito. Isto é o que está esperando pelo seu abraço. Isso é o que tem que ser libertado. O ilimitado, a verdade de quem que você é, já é livre. A "sapice" está aparecendo em você para ser libertada, e o seu beijo a libertará. Não a sua rejeição, nem a sua agressão. Você já tentou isto e ela não larga você, porque ela precisa de você para se libertar. O que é que há, o que você está sentindo? Está certo, isso é bom; isso é muito bonito.

Quest: (Soluçando.) É muito bonito. Obrigada.

Gangaji: São boas novas, não? Sim, boas novas. Não é a sua beleza que precisa ser libertada; é a sua feiúra, que você mantém escondida. Aquilo que não pode ser exposto. Um simples beijo que é um reconhecimento, um encontro; que é, no mínimo, uma ausência de rejeição. Apenas um "Tudo bem, você está aí, então entre." Muito bom, obrigada por vir aqui falar comigo."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Andarilho de Luz - (Flávio Venturini)

Livre para sempre - (Shankara)


"Ó Senhor, que habitais em nosso íntimo
Vós sois a luz
No lótus do coração.
Om é o vosso eu,
Om, a mais sagrada das palavras,
Origem e fonte das escrituras.
Não pode a lógica descobrir-vos,
Ó Senhor, mas os iogues
Vos conhecem na meditação.
Em vós estão todas as faces de Deus,
Suas formas e aspectos;
Em vós também
Encontramos o guru.
Estais em todos os corações
E se, uma vez que seja,
Um homem abrir
Sua mente para receber-vos,
Em verdade esse homem
Será livre para sempre."


Fonte: Viveka Chuda Mani - A Jóia Suprema do Discernimento; Shankara

A alegria de Viver - (Krishnamurti)


Já alguma vez cogitasses no por que muitas pessoas, ao se tornarem mais velhas, parecem perder toda a alegria de viver? No momento, a maioria de vós, que sois jovens, é relativamente feliz; tendes vossos pequenos problemas, vossas preocupações sobre os exames, mas, apesar dessas perturbações, há, em vossa vida, uma certa alegria, não é verdade? Há uma espontânea e natural aceitação da vida, uma visão das coisas despreocupada e feliz.

Mas, por que razão, ao nos tornarmos mais velhos, parecemos perder aquele ditoso pressentimento de algo transcendental, algo de mais significativo? Por que tantos de nós, ao alcançarmos a chamada maturidade, nos tornamos embotados, insensíveis à alegria, à beleza, ao céu sereno e às maravilhas da terra?

Quando urna pessoa faz a si própria esta pergunta, muitas explicações acodem-lhe ao espírito. Ternos muito interesse em nós mesmos - esta é unia delas. Lutamos para nos tornarmos alguém, para alcançarmos e conservarmos uma certa posição; temos filhos e outras responsabilidades, e ternos de ganhar dinheiro. Todas essas coisas que se agitam em nosso interior não tardam a deprimir-nos, e perdemos assim a alegria de viver. Vede os rostos dos mais velhos, de vosso círculo de conhecimentos, tristes que são, em maioria, e gastos, adoentados, reservados, alheados, não raro neuróticos, sem um sorriso. Não perguntais a vós mesmos por que são assim? E mesmo quando indagamos o porquê disso, a maioria de nós parece satisfazer-se com meras explicações.

Ontem de tarde vi um barco que subia o rio, de velas pandas, impelido pelo vento oeste. Era um barco grande e transportava pesada carga de lenha destinada à cidade. O sol se punha e a embarcação, desenhada contra o céu, mostrava singular beleza. O barqueiro só tinha de guiá-la; nenhum esforço era necessário, pois o vento fazia todo o trabalho. Analogamente, se cada um de nós compreendesse o problema da luta e do conflito, penso que poderíamos viver sem esforço, felizes, de rosto sorridente.

Para mim, é o esforço que nos destrói, esse lutar em que despendemos quase todos os momentos de nossa vida, Se observardes, ao redor de vós, as pessoas mais velhas, podereis ver que para quase todos a vida é uma série de batalhas consigo mesmos, com suas mulheres ou maridos, com seu próximo, com a sociedade; e essa luta incessante dissipa energia. O homem que vive alegre, verdadeiramente feliz, está livre de todo esforço. Viver sem esforço não significa tornar-se estagnado, embotado, estúpido; ao contrário, só os homens sensatos, altamente inteligentes, estão verdadeiramente livres do esforço e da luta.

Mas, quando ouvimos falar em viver sem esforço, queremos viver assim, desejamos alcançar um estado em que não haja luta nem conflito; tornamo-lo, pois, esse estado, nosso alvo, nosso ideal, e por ele lutamos; e desde esse momento perdemos a alegria de viver. Estamos de novo empenhados em esforço, luta. O objeto da luta varia, mas toda luta é essencialmente a mesma. Um luta pela promoção de reformas sociais, ou para achar Deus, ou para criar melhores relações no lar ou com o próximo; outro senta-se à margem do Ganges ou se prostra devotamente aos pés de um guru - etc. etc. Tudo isso representa esforço, luta. O importante, por conseguinte, não é o objeto da luta, porém, sim, compreender a própria luta.

Ora, é possível a mente não apenas perceber ocasionalmente que não está a lutar, porém estar a todas as horas completamente livre de esforço, de modo que possa descobrir um estado de alegria em que não haja nenhuma idéia de superioridade e inferioridade?

O caso é que a mente se sente inferior e por esta razão luta para "vir a ser" alguma coisa, ou conciliar seus vários desejos contraditórios. Mas, não estejamos a dar explicações sobre por que a mente tanto luta. Todo homem que pensa sabe por que há luta, interior e exteriormente. Nossa inveja, avidez, ambição, nosso espírito de competição, que nos impele à mais impiedosa eficiência - são obviamente estes os fatores que nos fazem lutar, no mundo atual ou no mundo do futuro. Por tanto, não temos necessidade de estudar livros de psicologia para sabermos por que lutamos; e o que certamente, tem importância é que descubramos se a mente pode ficar totalmente livre de luta.

Afinal de contas, quando lutamos, o conflito é entre o que somos e o que deveríamos ou desejamos ser. Pois bem; sem se procurarem explicações, pode-se compreender todo esse processo de luta, de modo que ele termine? Como aquele barco levado pelo vento, pode a mente existir sem luta? A questão é esta, sem dúvida, é não como alcançar um estado em que não haja luta. O próprio esforço para alcançar tal estado é, em si, um processo de luta e, por conseguinte, aquele estado nunca pode ser alcançado. Mas, se observardes, momento por momento, como a mente se deixa colher nesse torvelinho de incessante luta - se observardes simplesmente o fato, sem tentar alterá-lo, sem impor à mente um certo estado que chamais "de paz" - vereis que, espontaneamente, a mente deixará de lutar; e nesse estado ela é capaz de aprender infinitamente. Aprender já não é, então, mero processo de acumular conhecimentos, porém de descobrimento de extraordinárias riquezas existentes além do alcance da mente; e para a mente que faz tal descobrimento, há grande alegria.

Observai a vós mesmo, para verdes como lutais da manhã à noite, e como vossa energia se dissipa nessa luta. Se tratardes apenas de explicar por que lutais, ficareis perdido numa floresta de explicações e a luta prosseguirá; mas se, ao contrário, observardes vossa mente, com serenidade e sem dardes explicações; se deixardes simplesmente que vossa mente esteja cônscia de sua própria luta, vereis que muito depressa surgirá um estado no qual nenhuma luta haverá, um estado de extraordinária vigilância. Nessa vigilância, não há idéia de "superior" e "inferior", não há homem importante nem homem insignificante, não há guru. Todos esses absurdos desapareceram, por que a mente está inteiramente desperta; e a mente de todo desperta está cheia de alegria...

...Afinal de contas, que é "contentamento" e o que é "descontentamento"? "Descontentamento" é a luta pela consecução de mais, e o "contentamento" a cessação dessa luta; mas, não se chega ao contentamento, se se não compreende todo o "processo" relativo ao mais, e por que razão a mente o exige.

Se sois mal sucedido num exame, por exemplo, tereis de repeti-lo, não é verdade? Os exames, em qualquer circunstância, são uma coisa sumamente deplorável, porquanto nada representam de significativo, já que não revelaria o verdadeiro valor de vossa inteligência. Passar num exame é, em grande parte, um "golpe" de memória ou, também, de sorte; mas, vós lutais para passardes em vossos exames e, quando sois mal sucedidos, perseverais nessa luta. O mesmo "processo" se verifica diariamente, na vida da maioria de nós. Estamos lutando por alguma coisa e nunca nos detivemos para investigar se essa coisa é digna de lutarmos por ela. Nunca perguntamos a nós mesmos se ela merece nossos esforços e, portanto, ainda não descobrimos que não os merece e que devemos contrariar a opinião de nossos pais, da sociedade, de todos os mestres e gurus. É só quando temos compreendido inteiramente o significado do mais, que deixamos de pensar em termos de fracasso e de êxito.

Temos sempre medo de falhar, de cometer erros, não só nos exames, mas também na vida. Cometer um erro é coisa terrível, porque seremos criticados, censurados, por causa dele. Mas, afinal, por que não se devem cometer erros? Toda gente, neste mundo, não vive cometendo erros? E o mundo sairia da horrível confusão em que se encontra, se vós e eu nunca cometêssemos um erro? Se tendes medo de cometer erros, nunca aprendereis coisa alguma. Os mais velhos estão continuamente cometendo erros, mas não querem que vós os cometais e, com isso vos sufocam toda a iniciativa. Por quê? Porque temem que, pelo observar e investigar todas as coisas, pelo experimentar e errar, acabeis descobrindo algo por vós mesmo e trateis de emancipar-vos da autoridade de vossos pais, da sociedade, da tradição. É por essa razão que vos acenam com o ideal do êxito; e o êxito, como deveis ter notado, sempre se traduz em termos de respeitabilidade. O próprio santo, em seus progressos para a chamada perfeição espiritual, tem de tornar-se respeitável, porque, do contrário, não encontrará "aceitação", não terá seguidores.

Estamos, pois, sempre pensando em termos de êxito, em termos de mais; e o mais é encarecido pela sociedade respeitável. Por outras palavras, a sociedade estabeleceu, com todo o esmero, um certo padrão, pelo qual mede o vosso sucesso ou o vosso insucesso. Mas, se amais uma coisa e a fazeis com todo o vosso ser, então já não vos importa o êxito nem o fracasso. Nenhum homem inteligente se importa com isso. Mas, infelizmente, são raros os homens inteligentes, e ninguém vos aponta essas coisas. Tudo o que importa ao homem inteligente é perceber os fatos e compreender o problema - e isso não significa pensar em termos de êxito ou de fracasso. Só quando não amamos o que fazemos, pensamos nesses termos.

Depois de algum tempo ... - (William Shakespeare)


“Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Moha Mudgarwn - O Fim da Ilusão (Shankara)


"Quem é a esposa? Quem é o filho?
Estranhos são os caminhos deste mundo.
Quem és tu? De onde vieste?
Vasta é a ignorância, meu bem-amado.
Medita, pois, sobre essas coisas e adora o Senhor.

Vê a loucura do Homem:
Na infância ocupado com seus brinquedos,
Na juventude seduzido pelo amor,
Na maturidade curvado sob as preocupações -
E sempre negligente com o Senhor!
As horas voam, as estações passam, a vida se escoa,
Mas a brisa da esperança sopra continuamente em seu coração.

O nascimento traz a morte, a morte traz o renascimento:
Esse mal não necessita de prova.
Onde, pois, ó Homem, está a tua felicidade?
Esta vida tremula na balança
Qual orvalho numa folha de lótus -
Não obstante, o sábio pode nos mostrar, num instante,
Como atravessar esse mar de mudanças.

Quando o corpo se cobre de rugas, quando o cabelo encanece,
Quando as gengivas perdem os dentes, e o bordão do ancião
Vacila sob o seu peso como um caniço,
A taça do seu desejo ainda está cheia.

Teu filho pode trazer-te sofrimento,
Tua riqueza não te garante o céu:
Não te vanglories, pois, de tua riqueza,
Nem de tua família, nem de tua juventude
Todas elas passam, todas hão de mudar.
Sabe isso e sê livre.
Entra na alegria do Senhor.

Não busques a paz nem a discórdia
Com amigos ou parentes.
Ó bem-amado, se queres alcançar a liberdade,
Sê igual em tudo."