domingo, 12 de julho de 2009

Ahimsa e Ação - (Amma)



"Filhos, ahimsa (princípio da não-violência) deve se tornar um voto em nossa vida. Ahimsa evita o sofrimento do próximo que causamos através de nossas atitudes, palavras e pensamentos."

"Qualquer ação feita com a atitude correta, entendimento e discriminação nos leva para mais perto da Liberação. Mas se a mesma ação é feita sem a atitude correta, ela criará apego. A ação pode tanto criar purificação, que ajudará na realização da natureza divina, ou irá adicionar mais e mais à já existente negatividade, e eventualmente causará enorme sofrimento. Sempre que você estiver fazendo algo, faça com consciência. Se você estiver sempre atento, você irá lentamente perceber o peso desnecessário dos pensamentos negativos que você carrega. Estar sempre alerta ajuda a deixar todo peso cair e atingir a liberdade."

"Um Carma-Iogue é aquele que sempre lembra de Deus através de toda ação que está engajado. Um sadhak (aspirante espiritual) trabalha vendo Deus em tudo. Isso significa que ele oferece toda ação e seus frutos aos Pés de Deus. Sua mente não está no trabalho mas sim em Deus. Tudo depende da prática. Em outras palavras, aquele que pensa nos frutos da ação enquanto faz um trabalho, não irá fazê-lo colocando toda sua atenção, aplicando seu talento e habilidade. Ele deverá esquecer dos frutos para poder receber todo benefício do trabalho que faz. A sinceridade no trabalho que se faz é essencial. Se as ações são feitas com sinceridade e de coração, deverão resultar em bons frutos. Se do contrário, você se preocupa com os resultados, não só você falhará em colocar o esforço necessário, mas também não se terá o resultado esperado. Um pouco de dedicação é necessária para toda e qualquer ação. É como carregar um balde d'água na cabeça, pode-se até dançar, mas se a mente se distrair e perder a atenção, o balde cairá. Assim é como devemos agir. Qualquer coisa que se faça, a mente deve estar focalizada em Deus."

sábado, 11 de julho de 2009

Instâncias do Agora - (Eckhart Tolle & Krishnamurti)



Paulo Aza

Um homem que ama é puro ainda que possa ser sexual - (Krishnamurti)


"O homem intelectual, cheio de conhecimentos – o conhecimento é diferente da sabedoria -, o homem que tem esquemas, que quer salvar o mundo, que está cheio de conceitos, de projeções mentais, esse é o homem que está preso no sexo. Por causa da superficialidade de sua vida, do vazio de seu coração, o sexo se torna importante; e isso é o que está acontecendo na presente civilização. Temos cultivado excessivamente o nosso intelecto, e a mente se encontra presa em suas próprias criações, tais como o rádio, o automóvel, os entretenimentos mecânicos, o conhecimento tecnológico e aos diversos hobbies aos quais a mente se entrega. Quando uma mente se acha assim presa, para ela existe somente um alivio: o sexo. Senhores, observem o que ocorre com cada um de vocês, não olhem para outra pessoa. Ela é árida, vazia, opaca, tediosa, não é assim? Recorrem aos seus serviços, desempenham tarefas, repetem seus mantras, praticam seus rituais. Quando se encontram no serviço, estão submetidos, embotados, são obrigados a seguir uma rotina; em sua religião, se tornam mecânicos, aceitam meramente a autoridade.

Assim, religiosamente, no mundo dos negócios, na sua educação, na sua vida cotidiana, o que de fato ocorre? Não existe um estado de ser criativo, não é verdade?Não são felizes, não possuem vitalidade, não são pessoas alegres. Tanto no intelectual como no religioso, econômico, social e político, estão embotados, regimentados, não é assim? Essa regimentação é o resultado de seus próprios temores, de suas próprias esperanças e frustrações; e posto que para uma ser humano tão atrapalhado não há liberação possível, é natural que recorra ao sexo para liberar-se; ali pode dar-se o gosto, ali pode buscar a felicidade. Deste modo, o sexo se torna automático, habitual, rotineiro; e isso também chega a ser um processo embotador e nocivo. De fato, essa é a vida de vocês; verão que é assim se a consideram, se não tratam de se iludir, de buscar por mecanismos de fuga. O fato real é que não são criativos. Podem engendrar criaturas, inumeráveis criaturas, porém, isso não é uma ação criativa, é uma ação acidental da existência.

Portanto, uma mente que não é alerta, vital, um coração que não é afetuoso, pleno, como pode ser criativo? E, ao não serem criativos, vocês buscam estímulo por meio do sexo, do entretenimento, dos cinemas, teatros, observando como outros interpretam enquanto vocês permanecem como meros expectadores; outros pintam a paisagem ou dançam, e vocês não são mais do que observadores. Isso não é criação. Assim mesmo, no mundo são impressos tantos livros porque vocês tão somente lêem. Não são criadores. Onde não há criação, a única liberação é mediante ao sexo, e então, convertem suas esposas em prostitutas, Senhores, vocês não tem idéias das implicações, da perversidade, da crueldade de tudo isto. Se é que se sentem incomodados. Não pensam sobre isso. Fecham suas mentes; em conseqüência, o sexo se tornou um imenso problema na moderna civilização: ou a promiscuidade ou o hábito mecânico doa Lívio sexual no matrimonio. O sexo continuará sendo um problema, no entanto não há um estado criativo do ser. Vocês podem usar o controle da natalidade, podem adotar diversas práticas, porém, não estão livres do sexo. A sublimação não é liberdade, nem o é a repressão nem o controle. Existe liberdade somente quando há afeto, quando há amor. O amor é puro e, quando falta o amor, tratar de nos tornar puros mediante a sublimação do sexo é mera estupidez. O fator purificante é o amor, não o nosso desejo de ser puros. O homem que ama é puro ainda que possa ser sexual; e sem amor, atualmente o sexo é o que é em suas vidas: uma rotina, um processo desagradável, algo para ser evitado, ignorado, para prescindir dele para comprazer-se nele."

OBRAS COMPLETAS, Volume V – Bangalore, 8 de agosto de 1948

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Crer ... - (Luiz Antonio A Gasparetto )


"Então eu estou aqui
E você também
Me permita ser o teu espelho esta noite
E cantar em mim o teu encanto
Tua estranheza e teu espanto
Como quem sabe no fundo
Que não há distâncias neste mundo
Pois somos uma só alma
Me permita ser esta noite
A voz que te canta e te encanta de si
Que te faz sentir-se e parar
Como quem volta para casa
e resolve se amar.
Somos livres e não possuímos as pessoas
Temos apenas o amor por elas e nada mais
E é preciso ter coragem para ser o que somos
sustentar uma chama no corpo
sem deixar a luz se apagar
É preciso recomeçar no caminho que vai para dentro
vencendo o medo imaginado
assegurar-se no inesperado
confiando no invisível
desprezando o perecível
na busca de si mesmo
Ser o capitão da nau
no mais terrível vendaval
Na conquista de um novo mundo
mergulhar bem fundo
para encontrar nosso ser real
E rir pois tudo é brincadeira
Que cada drama é só nosso modo de ver
A vida só está nos mostrando
Aquilo que estamos criando
Com nosso poder de crer"


*** Poema compartilhado por "minha amiga e irmã de alma" Dagmar Witt.
Todo o meu amor!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O Amor - (Krishnamurti)


"A necessidade de segurança nas relações gera inevitavelmente o sofrimento e o medo. Essa busca de segurança atrai a insegurança. Já encontrastes alguma vez segurança em alguma de vossas relações? Já? A maioria de nós quer a segurança no amar e no ser amado, mas existirá amor quando cada um está a buscar a própria segurança, seu caminho próprio? Nós não somos amados porque não sabemos amar.

Que é o amor? Esta palavra está tão carregada e corrompida, que quase não tenho vontade de empregá-la. Todo o mundo fala de amor - toda revista e jornal e todo missionário discorre interminavelmente sobre o amor. Amo a minha pátria, amo o meu rei, amo um certo livro, amo aquela montanha, amo o prazer, amo minha esposa, amo a Deus. O amor é uma idéia? Se é, pode então ser cultivado, nutrido, conservado com carinho, moldado, torcido de todas as maneiras possíveis. Quando dizeis que amais a Deus, que significa isso? Significa que amais uma projeção de vossa própria imaginação, uma projeção de vós mesmo, revestida de certas formas de respeitabilidade, conforme o que pensais ser nobre e sagrado; o dizer "Amo a Deus" é puro contra-senso. Quando adorais a Deus, estais adorando a vós mesmo; e isso não é amor.

Incapazes, que somos, de compreender essa coisa humana chamada amor, fugimos para abstrações. O amor pode ser a solução final de todas as dificuldades, problemas e aflições humanas. Assim, como iremos descobrir o que é o amor? Pela simples definição? A Igreja o tem definido de uma maneira, a sociedade de outra, e há também desvios e perversões de toda espécie. A adoração de uma certa pessoa, o amor carnal, a troca de emoções, o companheirismo - será isso o que se entende por amor? Essa foi sempre a norma, o padrão, que se tornou tão pessoal, sensual, limitado, que as religiões declararam que o amor é muito mais do que isso. Naquilo que denominam "amor humano", vêem elas que existe prazer, competição, ciúme, desejo de possuir, de conservar, de controlar, de influir no pensar de outrem e, sabendo da complexidade dessas coisas, dizem as religiões que deve haver outra espécie de amor - divino, belo, imaculado, incorruptível.

Em todo o mundo, certos homens chamados "santos" sempre sustentaram que olhar para uma mulher é pecaminoso; dizem que não podemos aproximar-nos de Deus se nos entregamos ao sexo e, por conseguinte, o negam, embora eles próprios se vejam devorados por ele. Mas, negando o sexo, esses homens arrancam os próprios olhos, decepam a própria língua, uma vez que estão negando toda a beleza da Terra. Deixaram famintos os seus corações e a sua mente; são entes humanos "desidratados"; baniram a beleza, porque a beleza está ligada à mulher.

Pode o amor ser dividido em sagrado e profano, humano e divino, ou só há amor? O amor é para um só e não para muitos? Se digo "Amo-te", isso exclui o amor a outro? O amor é pessoal ou impessoal? Moral ou imoral? Familial ou não familial? Se amais a humanidade, podeis amar o indivíduo? O amor é sentimento? Emoção? O amor é prazer e desejo? Todas essas perguntas indicam - não é verdade? - que temos idéias a respeito do amor, idéias sobre o que ele deve ou não deve ser, um padrão, um código criado pela cultura em que vivemos.

Assim, para examinarmos a questão do amor - o que é o amor - devemos primeiramente libertar-nos das incrustações dos séculos, lançar fora todos os ideais e ideologias sobre o que ele deve ou não deve ser. Dividir qualquer coisa em o que deveria ser e o que é, é a maneira mais ilusória de enfrentar a vida.

Ora, como iremos saber o que é essa chama que denominamos amor - não a maneira de expressá-lo a outrem, porém o que ele próprio significa? Em primeiro lugar, rejeitarei tudo o que a Igreja, a sociedade, meus pais e amigos, todas as pessoas e todos os livros disseram a seu respeito, porque desejo descobrir por mim mesmo o que ele é. Eis um problema imenso, que interessa a toda a humanidade; há milhares de maneiras de defini-lo e eu próprio me vejo todo enredado neste ou naquele padrão, conforme a coisa que, no momento, me dá gosto ou prazer. Por conseguinte, para compreender o amor, não devo em primeiro lugar libertar-me de minhas inclinações e preconceitos? Vejo-me confuso, dilacerado pelos meus próprios desejos e, assim, digo entre mim: "Primeiro, dissipa a tua confusão. Talvez tenhas possibilidade de descobrir o que é o amor através do que ele não é".

O governo ordena: "Vai e mata, por amor à pátria!" Isso é amor? A religião preceitua: "Abandona o sexo, pelo amor de Deus". Isso é amor? O amor é desejo? Não digais que não. Para a maioria de nós, é; desejo acompanhado de prazer, prazer derivado dos sentidos, pelo apego e o preenchimento sexual. Não sou contrário ao sexo, mas vede o que ele implica. O que o sexo vos dá momentaneamente é o total abandono de vós mesmo, mas, depois, voltais à vossa agitação; por conseguinte, desejais a constante repetição desse estado livre de preocupação, de problema, do "eu". Dizeis que amais vossa esposa. Nesse amor está implicado o prazer sexual, o prazer de terdes uma pessoa em casa para cuidar dos filhos e cozinhar. Dependeis dela; ela vos deu o seu corpo, suas emoções, seus incentivos, um certo sentimento de segurança e bem--estar. Um dia, ela vos abandona; aborrece-se ou foge com outro homem, e eis destruído todo o vosso equilíbrio emocional; essa perturbação, de que não gostais, chama-se ciúme. Nele existe sofrimento, ansiedade, ódio e violência. Por conseguinte, o que realmente estais dizendo é: "Enquanto me pertences, eu te amo; mas, tão logo deixes de pertencer-me, começo a odiar-te. Enquanto posso contar contigo para satisfação de minhas necessidades sociais e outras, amo-te, mas, tão logo deixes de atender a minhas necessidades, não gosto mais de ti". Há, pois, antagonismo entre ambos, há separação, e quando vos sentis separados um do outro, não há amor. Mas, se puderdes viver com vossa esposa sem que o pensamento crie todos esses estados contraditórios, essas intermináveis contendas dentro de vós mesmo, talvez então - talvez - sabereis o que é o amor. Sereis então completamente livre, e ela também; ao passo que, se dela dependeis para os vossos prazeres, sois seu escravo. Portanto, quando uma pessoa ama, deve haver liberdade - a pessoa deve estar livre, não só da outra, mas também de si própria.

No estado de pertencer a outro, de ser psicologicamente nutrido por outro, de outro depender - em tudo isso existe sempre, necessariamente, a ansiedade, o medo, o ciúme, a culpa, e enquanto existe medo, não existe amor. A mente que se acha nas garras do sofrimento jamais conhecerá o amor; o sentimentalismo e a emotividade nada, absolutamente nada, têm que ver com o amor. Por conseguinte, o amor nada tem em comum com o prazer e o desejo.

O amor não é produto do pensamento, que é o passado. O pensamento não pode de modo nenhum cultivar o amor. O amor não se deixa cercar e enredar pelo ciúme; porque o ciúme vem do passado. O amor é sempre o presente ativo. Não é "amarei" ou "amei". Se conheceis o amor, não seguireis ninguém. O amor não obedece. Quando se ama, não há respeito nem desrespeito.

Não sabeis o que significa amar realmente alguém - amar sem ódio, sem ciúme, sem raiva, sem procurar interferir no que o outro faz ou pensa, sem condenar, sem comparar - não sabeis o que isso significa? Quando há amor, há comparação? Quando amais alguém de todo o coração, com toda a vossa mente, todo o vosso corpo, todo o vosso ser, existe comparação? Quando vos abandonais completamente a esse amor, não existe "o outro".

O amor tem responsabilidades e deveres, e emprega tais palavras? Quando fazeis alguma coisa por dever, há nisso amor? No dever não há amor. A estrutura do dever, na qual o ente humano se vê aprisionado, o está destruindo. Enquanto sois obrigado a fazer uma coisa, porque é vosso dever fazê-la, não amais a coisa que estais fazendo. Quando há amor, não há dever nem responsabilidade.

A maioria dos pais, infelizmente, pensa que são responsáveis por seus filhos, e seu senso de responsabilidade toma a forma de preceituar-lhes o que devem fazer e o que não devem fazer, o que devem ser e o que não devem ser. Querem que os filhos conquistem uma posição segura na sociedade. Aquilo a que chamam responsabilidade faz parte daquela respeitabilidade que eles cultivam; e a mim me parece que, onde há respeitabilidade, não existe ordem; só lhes interessa o tornar-se um perfeito burguês. Preparando os filhos para se adaptarem à sociedade, estão perpetuando a guerra, o conflito e a brutalidade. Pode-se chamar a isso zelo e amor?

Zelar, com efeito, é cuidar como se cuida de uma árvore ou de uma planta, regando-a, estudando as suas necessidades, escolhendo o solo mais adequado, tratá-la com carinho e ternura; mas, quando preparais os vossos filhos para se adaptarem à sociedade, os estais preparando para serem mortos. Se amásseis vossos filhos, não haveria guerras.

Quando perdeis alguém que amais, verteis lágrimas; essas lágrimas são por vós mesmo ou pelo morto? Estais pranteando a vós mesmo ou ao outro? Já chorastes por outrem? Já chorastes o vosso filho, morto no campo de batalha? Chorastes, decerto, mas essas lágrimas foram produto da autocompaixão ou chorastes porque um ente humano foi morto? Se chorais por autocompaixão, vossas lágrimas nada significam, porque estais interessado em vós mesmo. Se chorais porque vos foi arrebatada uma pessoa em quem "depositastes" muita afeição, não se trata de uma afeição real. Se chorais a morte de vosso irmão, chorai por ele! É muito fácil chorardes por vós mesmo porque ele partiu. Aparentemente, chorais porque vosso coração foi atingido, mas não foi atingido por causa dele; foi atingido pela autocompaixão, e a autocompaixão vos endurece, vos fecha, vos torna embotado e estúpido.

Quando chorais por vós mesmo, será isso amor? - chorar porque ficastes sozinho, porque perdestes o vosso poder; queixar-vos de vossa triste sina, de vosso ambiente - sempre vós a verter lágrimas. Se compreenderdes esse fato, e isso significa pôr-vos em contato com ele tão diretamente como quando tocais uma árvore ou uma coluna ou uma mão, vereis então que o sofrimento é produto do "eu", o sofrimento é criado pelo pensamento, o sofrimento é produto do tempo. Há três anos eu tinha meu irmão; hoje ele é morto e estou sozinho, desolado, não tenho mais a quem recorrer para ter conforto ou companhia, e isso me traz lágrimas aos olhos.

Podeis ver tudo isso acontecer dentro de vós mesmo, se o observardes. Podeis vê-lo de maneira plena, completa, num relance, sem precisardes do tempo analítico. Podeis ver num momento toda a estrutura e natureza dessa coisa desvaliosa e insignificante, chamada "eu" - minhas lágrimas, minha família, minha nação, minha crença, minha religião - toda essa fealdade está em vós. Quando a virdes com vosso coração, e não com vossa mente, quando a virdes do fundo de vosso coração, tereis então a chave que acabará com o sofrimento.

O sofrimento e o amor não podem coexistir, mas no mundo cristão idealizaram o sofrimento, crucificaram-no para o adorar, dando a entender que ninguém pode escapar ao sofri mento a não ser por aquela única porta; tal é a estrutura de uma sociedade religiosa, exploradora.

Assim, ao perguntardes o que é o amor, podeis ter muito medo de ver a resposta. Ela pode significar uma completa reviravolta; poderá dissolver a família; podeis descobrir que não amais vossa esposa ou marido ou filhos (vós os amais?); podeis ter de demolir a casa que construístes; podeis nunca mais voltar ao templo.

Mas, se desejais continuar a descobrir, vereis que o medo, não é amor, a dependência não é amor, o ciúme não é amor, a posse e o domínio não são amor, responsabilidade e dever não são amor, autocompaixão não é amor, a agonia de não ser amado não é amor, que o amor não é o oposto do ódio, como também a humildade não é o oposto da vaidade. Dessarte, se fordes capaz de eliminar tudo isso, não à força, porém lavando-o assim como a chuva fina lava a poeira de muitos dias depositada numa folha, então, talvez, encontrareis aquela flor peregrina que o homem sempre buscou sequiosamente.

Se não tendes amor - não em pequenas gotas, mas em abundância; se não estais transbordando de amor, o mundo irá ao desastre. Intelectualmente, sabeis que a unidade humana é a coisa essencial e que o amor constitui o único caminho para ela, mas quem pode ensinar-vos a amar? Poderá uma autoridade, um método, um sistema ensinar-vos a amar? Se alguém vo-lo ensina, isso não é amor. Podeis dizer: "Eu me exercitarei para o amor. Sentar-me-ei todos os dias para refletir sobre ele. Exercitar-me-ei para ser bondoso, delicado e me forçarei a ser atencioso com os outros"? - Achais que podeis disciplinar-vos para amar, que podeis exercer a vontade para amar? Quando exerceis a vontade e a disciplina para amar, o amor vos foge pela janela. Pela prática de um certo método ou sistema de amar, podeis tornar-vos muito hábil, ou mais bondoso, ou entrar num estado de não violência, mas nada disso tem algo em comum com o amor.

Neste mundo tão dividido e árido não há amor, porque o prazer e o desejo têm a máxima importância, e, todavia, sem amor, vossa vida diária é sem significação. Também, não podeis ter o amor se não tendes a beleza. A beleza não é uma certa coisa que vedes - não é uma bela árvore, um belo quadro, um belo edifício ou uma bela mulher; só há beleza quando o vosso coração e a vossa mente sabem o que é o amor. Sem o amor e aquele percebimento da beleza, não há virtude, e sabeis muito bem que tudo o que fizerdes - melhorar a sociedade, alimentar os pobres - só criará mais malefício, porque, quando não há amor, só há fealdade e pobreza em vosso coração e vossa mente. Mas, quando há amor e beleza, tudo o que se faz é correto, tudo o que se faz é ordem. Se sabeis amar, podeis fazer o que desejardes, porque o amor resolverá todos os outros problemas.

Alcançamos, assim, este ponto: Poderá a mente encontrar o amor sem precisar de disciplina, de pensamento, de coerção, de nenhum livro, instrutor ou guia - encontrá-lo assim como se encontra um belo pôr-de-sol?

Uma coisa me parece absolutamente necessária: a paixão sem motivo, a paixão não resultante de compromisso ou ajustamento, a paixão que não é lascívia. O homem que não sabe o que é paixão, jamais conhecerá o amor, porque o amor só pode existir quando a pessoa se desprende totalmente de si própria.

A mente que busca não é uma mente apaixonada, e não buscar o amor é a única maneira de encontrá-lo; encontrá-lo inesperadamente e não como resultado de qualquer esforço ou experiência. Esse amor, como vereis, não é do tempo; ele é tanto pessoal como impessoal, tanto um só como multidão. Como uma flor perfumosa, podeis aspirar-lhe o perfume, ou passar por ele sem o notardes. Aquela flor é para todos e para aquele que se curva para aspirá-la profundamente e olhá-la com deleite. Quer estejamos muito perto, no jardim, quer muito longe, isso é indiferente à flor, porque ela está cheia de seu perfume e pronta a reparti-lo com todos.

O amor é uma coisa nova, fresca, viva. Não tem ontem nem amanhã. Está além da confusão do pensamento. Só a mente inocente sabe o que é o amor, e a mente inocente pode viver no mundo não inocente. Só é possível encontrá-la, essa coisa maravilhosa que o homem sempre buscou sequiosamente por meio de sacrifícios, de adoração, das relações, do sexo, de toda espécie de prazer e de dor, só é possível encontrá-la quando o pensamento, alcançando a compreensão de si próprio, termina naturalmente. O amor não conhece oposto, não conhece conflito.

Podeis perguntar: "Se encontro esse amor, que será de minha mulher, de minha família? Eles precisam de segurança". Fazendo essa pergunta, mostrais que nunca estivestes fora do campo do pensamento, fora do campo da consciência. Quando tiverdes alguma vez estado fora desse campo, nunca fareis uma tal pergunta, porque sabereis o que é o amor em que não há pensamento e, por conseguinte, não há o tempo. Podeis ler tudo isto hipnotizado e encantado, mas ultrapassar realmente o pensamento e o tempo - o que significa transcender o sofrimento - é estar cônscio de uma dimensão diferente, chamada "amor".

Mas, não sabeis como chegar-vos a essa fonte maravilhosa e, assim, que fazeis? Quando não sabeis o que fazer, nada fazeis, não é verdade? Nada, absolutamente. Então, interiormente, estais completamente em silêncio. Compreendeis o que isso significa? Significa que não estais buscando, nem desejando, nem perseguindo; não existe centro nenhum. Há, então, o amor."

Krishnamurti - Do livro: Liberte-se do Passado - Ed. Cultrix - Páginas 71 a 78

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Já me dei o poder que rege meu destino E não me prendo a nada, para não ter nada a defender. Não tenho pensamentos, por isso verei. Não receio nada, por isso me lembrarei de mim mesma. Desprendida e a vontade, Passarei como um jato pela águia para me tornar livre.

(Por Carlos Castaneda em o Presente da Águia.)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Como Eu Fico Aqui? - (Gangaji)


Reunião Pública Mill Valley, Califórnia - 23 de junho de 2002


"Pergunta: Minha principal pergunta vem da experiência deste divino estado de Amor.

Gangaji: O Mar divino de Amor.

Pi: Sim. É lindo. Esta experiência de amor transcende tudo.

G: Você tem muita, muita sorte.

Pi: Por que eu iria querer vivenciar qualquer outra coisa além deste amor? Nas relações com os outros, pondo restrições na relação, tornando o amor condicional... Por que eu iria querer me envolver em algo assim?

G: Quer que eu lhe diga por quê? Eu sei por quê.

Pi: Sim.

G: Quer dizer, melhor ir simplesmente direto ao ponto, não?

Pi: Porque eu gosto de ficar nesta caverna.

G: Sim, e porque você tem que descobrir que, no centro dela, está este mesmo Amor. A única razão pela qual você quer vivenciar qualquer outra coisa além do Amor, é para descobrir que é tudo Amor. Você ouviu? Se aceitar a teoria de que você se colocou numa posição horrível (ou que Deus ou o destino o fizeram), você pode vivenciar esta condição horrível, este estado limitado, como algo menor que o divino Mar de Amor. E você pode descobrir que mesmo na experiência de limitação está o amor divino: dentro desta Leela, deste jogo; dentro deste mistério chamado vida, está este princípio unificador. Que todos descubram a si mesmos como sendo apenas Aquilo, como Tudo. Isto vem direto do mestre. Agora que você tem a sua resposta, o que vai fazer com ela?

Pi: Bem, estou procurando um meio de ficar neste estado.

G: Aha! Isto é excelente, porque essa é a pergunta: "Como eu permaneço neste estado?" Mas esta pergunta garante que ele não permanecerá. Se você realmente ouvir isto, ouvirá o que eu disse. Esta mesma pergunta, por mais legítima e natural que seja, é a garantia da saída, porque naquele momento você está se separando do Amor. Você está atribuindo o Amor, o Mar divino de Amor, a uma onda em particular, em vez da totalidade do Mar. Então, não é de admirar que você pergunte: "Onde está o Mar, onde está o Mar?" E então.…

Pi: Bem, eu fiquei neste estado durante uma semana e meia.

G: Uma semana e meia. Meu Deus, um iogue regular, hem? Escute, uma semana e meia é muito tempo. Poderia acontecer em um segundo. Para algumas pessoas aqui, aconteceu durante uma fração de segundo, e elas nem se lembram; porém, sabem que aconteceu, porque há um eco em seu coração. E é só isso que tem que acontecer. Então, o resto de sua vida pode ser dedicado a descobrir aquilo (não naquela forma, não com aquelas qualidades; não com os mesmos fenômenos, e não naquele estado físico, emocional ou mental específico (por mais belo que tenha sido). Descubra-o aqui, neste plano, neste momento normal. O segredo é parar de buscar. Então esta pergunta: "Como eu consigo isso? Como encontro isso? Como mantenho isso?" não tem aonde ir. E aqui está uma descoberta, uma descoberta indizível. Eu realmente não posso falar sobre esta descoberta, porque falar sobre ela daria a ela uma certa forma. E você então imaginaria que é isso que você tem que buscar. Mas isso está bem aqui. Sempre está aqui, COMO AQUI É. O presente incrível de Papaji e de Ramana é que esta simplicidade torna irrelevantes todos as questões de prática, de preparação, karma, bondade, maldade, escolha ou ausência de escolha. Neste momento, pare e vivencie o que está aqui."

Encarando a Morte - (Gangaji)


"Você está morrendo agora, neste momento. Tudo que você pensa que é está morrendo agora, neste exato momento. Você como um corpo individual, como o mundo; você, como experiência, está morrendo neste instante. Há muitas mortes todos os dias. Há a morte de cada momento e a morte que vem todas as noites, quando você adormece. Há morte quando um relacionamento termina ou quando um filho deixa o lar. Mas a morte de que quero falar é a morte física. Em nossa cultura, esta morte é geralmente a mais evitada, a mais negada. Ela nos apavora; temos tanto medo de não ser nada.

Bhavo morreu. Ele se retirou silenciosamente, enquanto dormia, tendo ao seu lado três amigos; eu estava indo à sua casa para vê-lo. Estar com ele, durante as semanas que antecederam a sua morte, e naquela manhã, com seu corpo morto, foi um grande presente. Não foi uma teoria sobre a morte; foi a realidade de estar em um quarto com a morte. A morte se aproximando claramente, e então a morte presente, levando consigo a energia vital. Foi estar com um corpo quando não se faz nada para embelezá-lo: quando ele está mortalmente pálido. Simplesmente o fato nu e cru da morte da forma. A disposição de estar presente com a morte nua revela a absoluta e inegável beleza e presença daquilo que está eternamente vivo. Bhavo se foi, o que conhecíamos da forma de Bhavo se foi; ele foi cremado e agora é apenas cinzas; Desapareceu. Todos nós teremos lembranças de Bhavo, lembranças de sua personalidade gentil, de suas irritações, do universo completo de Bhavo.

A presença que animava a forma de Bhavo é exatamente a mesma presença que anima a sua forma e anima todas as formas. Despertar para si mesmo como essa presença é a disposição de conhecer a morte em todas as formas, inclusive esta que você chama de sua.

Ele deixou uma dádiva enorme para aqueles de nós que se dispuseram a acompanhá-lo em seu sofrimento físico até o fim. Sua morte teve um grande valor, porque ele sabia que ela estava vindo. Ele não estava negando a morte. Isto não quer dizer que ele não estivava combatendo a sua enfermidade; ele lutou, fez tudo que ele e seus médicos consideravam possível. Não se trata de não combater a doença. Trata-se de saber que você está combatendo a doença, mas a morte virá quando vier. E ter a capacidade, como ele teve, de encarar o fim. Ele ouviu: "Perdemos a luta. A luta acabou", e na manhã seguinte estava morto.

Muitas pessoas iniciam a busca espiritual procurando alcançar realização, mas a verdadeira realização espiritual é alcançada por meio da perda consciente de tudo. O que significa perder tudo? Na morte, perdemos tudo: nossas famílias, nossos entes queridos, nossa história, nosso passado, nosso futuro. Na disposição de perder tudo conscientemente, revela-se a verdade de nosso próprio ser.

Felizmente, Bhavo não teve que esperar que a enfermidade tomasse conta do seu corpo para encarar esta perda. Assim, ele pôde morrer livre, morrer em paz; perdendo algo muito precioso, mas ganhando mais do que jamais se pode perder. Nós, que estivemos com ele naquele dia, com seu corpo morto e pálido, sentimos uma incognoscível, incompreensível alegria de ser. Bhavo, com sua morte, foi um presente para nós. A verdade é que ele foi um presente para nós antes disso, porque ele havia encarado a morte muito tempo antes da morte física chegar. Tanto sua vida como sua morte foram, em última instância, relativa e absolutamente o mesmo presente.

Todos vão morrer um dia; isso é garantido pelo nascimento. Contudo, neste momento, você tem a oportunidade de encarar a morte antes de seu corpo morrer, para reconhecer seu amor e apego à forma física, e deixar este apego morrer. A identificação equivocada com a forma física precisa morrer. E, nesta morte, você desperta para a verdade de quem você realmente é. Se você estiver disposto a parar um instante e morrer para esse apego, é bem provável que lhe sobrará algum tempo para descobrir "Como é a vida depois de eu ter encarado a morte?" Então você poderá passar o resto da sua vida compartilhando a sua descoberta conosco. Há tamanha fome, tamanha sede do néctar que brota deste reconhecimento.

Para morrer assim, primeiro é preciso descobrir o mecanismo de resistência. Por exemplo, qual é o pensamento que sustenta a crença de que "Não posso encarar a morte neste momento", ou "Está bem, mas e se...?" A resistência a encarar a morte surge do medo e do pensamento de que "Não vou mais existir". Compreendo esse medo. Muito já disseram e eu repito: "Você é a existência". Não estou pedindo que você acredite no que eu digo; estou encorajando você a realmente encarar o medo da não-existência, a mergulhar na incognoscível possibilidade de não existir. Normalmente negamos esta possibilidade porém, investigar realmente e perguntar: "Quem ou o quê não vai existir?" é auto-investigação.

Pode-se dizer que você é Consciência Radiante; que você é a Luz, a Verdade, Deus ou a Beleza. Entretanto, você precisa reconhecer a si mesmo por si mesmo.

Você é o corpo? Sei que o corpo está obviamente impregnado de você, portanto não estou dizendo que você está separado do corpo.

Você está disposto a morrer agora mesmo, a morrer para quem você foi; a morrer para quem você pensa que é e quem você pensa que será?

Agora, o que permanece?"


Julho de 2002
Este artigo é baseado nas palavras ditas por Gangaji durante um encontro no Peacock Gap Country Club, em 18 de setembro de 2002.

EL CORAZÓN ES EL SÍ MISMO - (Ramana Maharshi, El Evangelio del Maharshi)


"D. Sri Bhagavan habla del Corazón como la sede de la Consciencia y como idéntico al
Sí mismo. ¿Qué significa el Corazón exactamente?
M. La pregunta sobre el Corazón surge debido a que usted está interesado en buscar la Fuente de la consciencia. Para todas las mentes de pensamiento profundo, la indagación sobre el «yo» y su naturaleza tiene una fascinación irresistible.
Llámelo por cualquier nombre, Dios, Sí mismo, el Corazón o la Sede de la Consciencia,
es todo lo mismo. El punto que hay que comprender es éste, que CORAZÓN significa el Núcleo mismo del ser de uno, el Centro, sin el cual no hay nada.
D. Pero Sri Bhagavan ha especificado un lugar particular para el Corazón dentro del
cuerpo físico, que está en el pecho, dos dedos a la derecha del medio.
M. Sí, ese es el Centro de la experiencia espiritual según el testimonio de los Sabios. El Corazón-centro espiritual es completamente diferente del órgano muscular que propulsa la sangre conocido por el mismo nombre. El Corazón-centro espiritual
no es un órgano del cuerpo. Todo lo que puede decir del Corazón es que es el Núcleo
mismo de su ser, eso con lo que usted es realmente idéntico (como la palabra en sánscrito significa literalmente), ya sea que usted esté despierto, dormido o soñando, o ya sea que usted esté ocupado en el trabajo o inmerso en Samadhi.
D. En ese caso, ¿cómo puede ser localizado en una parte del cuerpo? Fijar un lugar para el Corazón implicaría establecer limitaciones psicológicas a Eso que es más allá
del espacio y del tiempo.
M. Eso es correcto. Pero la persona que hace la pregunta sobre la posición del Corazón, se considera a sí mismo como existiendo con o en el cuerpo. Al hacer la pregunta ahora, ¿diría usted que solo su cuerpo está aquí pero que usted está hablando desde alguna otra parte? No, usted acepta su existencia corporal. Es desde este punto de vista como llega a hacerse cualquier referencia a un cuerpo físico.
Hablando verdaderamente, la pura Consciencia es indivisible, es sin partes. Ella no tiene ninguna forma ni ninguna figura, ningún «dentro» ni ningún «fuera». Para ella no hay ninguna «derecha» ni ninguna «izquierda». La pura Consciencia, que es el Corazón, incluye todo; y nada es fuera o aparte de ella. Eso es la Verdad última.
Desde este punto de vista absoluto, el Corazón, el Sí mismo o la Consciencia no puede tener ningún lugar particular asignado en el cuerpo físico. ¿Cuál es la razón? El cuerpo es él mismo una mera proyección de la mente, y la mente es solo un pobre reflejo del Corazón radiante. ¿Cómo puede Eso, en lo que está contenido todo, estar confinado ello mismo, como una minúscula parte, dentro del cuerpo físico, que es solo una manifestación fenoménica e infinitesimal de la única Realidad?
Pero las gentes no comprenden esto. No pueden evitar pensar en los términos del cuerpo físico y el mundo. Por ejemplo, usted dice «yo he venido a este Asramam haciendo todo el camino desde mi país más allá de los Himalayas». Pero eso no es la verdad. ¿Donde hay un «venir» o un «ir», o cualquier movimiento que sea, para el único Espíritu omnipenetrante que usted es realmente? Usted está donde usted ha estado siempre. Es su cuerpo el que se movía o era transportado de un lugar a otro hasta que llegó a este Asramam. Esto es la simple verdad, pero para una persona que se considera a sí mismo un sujeto que vive en un mundo objetivo, esto parece algo completamente visionario.
Al descender al nivel de la comprensión ordinaria es cuando se asigna un lugar al
Corazón en el cuerpo físico.
D. ¿Cómo debo comprender entonces la afirmación de Sri Bhagavan de que la experiencia
del centro-Corazón es en ese lugar particular del pecho?
M. Una vez que usted acepte que, desde el punto de vista verdadero y absoluto, el Corazón como pura Consciencia está más allá del espacio y el tiempo, será fácil para
usted comprender el resto en su perspectiva correcta.
D. Es solo sobre esa base como he hecho la pregunta sobre la posición del Corazón.
Estoy preguntando sobre la experiencia de Sri Bhagavan.
M. La pura Consciencia, enteramente desconectada del cuerpo físico y que trasciende la mente, es una cuestión de experiencia directa. Los sabios conocen su Existencia
eterna y sin cuerpo como los legos conocen su existencia corporal. Pero la experiencia de la Consciencia puede ser con consciencia corporal tanto como sin ella.
En la experiencia sin cuerpo de la pura Consciencia, el Sabio está más allá del tiempo y el espacio, y entonces no puede surgir en absoluto ninguna pregunta sobre
la posición del Corazón.
Sin embargo, puesto que el cuerpo físico no puede subsistir (con vida) aparte de la
Consciencia, la consciencia corporal tiene que ser sostenida por la pura Consciencia.
La consciencia corporal, por su naturaleza, es limitada y no puede ser nunca coextensiva con la pura Consciencia, que es infinita y eterna. La consciencia del
cuerpo es meramente como una mónada, como un reflejo en miniatura de la pura Consciencia con la que el Sabio ha realizado su identidad. Por consiguiente, para él, la consciencia del cuerpo es solo un rayo reflejado, por así decir, de la Consciencia infinita y auto-efulgente que es él mismo. Es solo en este sentido como el Sabio es consciente de su existencia corporal.
Puesto que, durante la experiencia sin cuerpo del Corazón como pura Consciencia, el Sabio no es consciente del cuerpo, esa experiencia absoluta es localizada por él dentro de los limites del cuerpo físico por una suerte de sensación de recordación
hecha mientras él está con consciencia corporal.
D. Para hombres como yo, que no tienen ni la experiencia directa del Corazón ni la consecuente recordación, la cuestión parece un poco difícil de aprehender. Sobre la
posición del Corazón mismo, quizás debamos depender de algún tipo de conjetura.
M. Si la determinación de la posición del Corazón debe depender de una conjetura, incluso en el caso de los legos, la cuestión no merece ciertamente mucha consideración.
No, no es de una conjetura de lo que usted tiene que depender; se trata de una intuición infalible.
D. ¿Para quién es la intuición?
M. Para uno y para todos.
D. ¿Me acredita Sri Bhagavan con un conocimiento intuitivo del Corazón?
M. No, no del Corazón, sino de la posición del Corazón en relación a su identidad.
D. ¿Dice Sri Bhagavan que yo conozco intuitivamente la posición del Corazón en el
cuerpo físico?
M. ¿Por qué no?
D. (Señalándose a sí mismo) ¿Es a mí personalmente a quien Sri Bhagavan se está refiriendo?
M. Sí. ¡Esa es la intuición! ¿Cómo acaba de referirse a usted mismo por el gesto justo ahora? ¿No puso usted su dedo en el lado derecho del pecho? Ese es exactamente
el lugar del centro-Corazón.
D. Así pues, en la ausencia del conocimiento directo del centro-Corazón, ¿tengo que
depender de esta intuición?
M. ¿Qué hay de malo en ello? Cuando un muchacho de escuela dice «Soy yo quien ha hecho la suma correctamente», o cuando le dice a usted «Correré y traeré el libro
para usted», ¿señala él a la cabeza que hizo la suma correctamente, o a las piernas
que le llevarán rápidamente para traerle a usted el libro? No, en ambos casos, su
dedo señala de manera completamente natural hacia el lado derecho del pecho, dando así una expresión inocente a la profunda verdad de que la Fuente de la «yo»-idad en él está ahí. Es una intuición infalible que le hace referirse a sí mismo, al Corazón que es el Sí mismo, de esa manera. El acto es completamente involuntario y universal, es decir, es el mismo en el caso de todos los individuos. ¿Qué prueba más contundente que ésta requiere usted sobre la posición del centro-Corazón en el cuerpo físico?"

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Conheça sua verdadeira identidade - (Sathya Sai Baba)


Data: 26/09/98 – Ocasião: Dasara - Festival das Mães Divinas - Local: Prasanthi Nilayam

"Uma pessoa pode dominar todas as formas de conhecimento,
Pode derrotar seus adversários em um debate,
Pode lutar com valor e coragem em um campo de batalha,
Pode ser um imperador e reinar sobre vastos reinos,
Pode oferecer vacas e ouro como um ato de caridade,
Pode contar as incontáveis estrelas no céu,
Pode recitar o nome das diferentes criaturas viventes sobre a terra,
Pode ser um especialista nas oito formas de Yoga,
Pode até alcançar a lua,
Mas é impossível controlar o corpo, a mente e os sentidos.
Direcione sua visão para o interior e atinja o supremo estado de equanimidade da mente.
(Poema em Télugo)

Manifestações do Amor Divino!
Neste mundo, para que um homem possa realizar qualquer tarefa, são essenciais: o poder da vontade, o poder do discernimento e o poder da ação. O poder da vontade se refere à determinação para tomar a seu cargo uma tarefa. O poder do discerni-mento se refere aos métodos e aos meios a serem adotados para desempenhar a tarefa assumida. Não é suficiente que você tenha o poder da vontade e do discernimento; você precisa ter também o poder da ação.
Se você quer tecer uma peça de pano, você precisa de algodão. O algodão tem que ser transformado
em fios, para que possa ser tecido. Isto se relaciona ao poder da ação. Uma pesquisa sobre o tipo de equipamento necessário para fazer isto se relaciona ao poder do discernimento. O homem tem estas três potencialidades em si próprio, mas isto não é suficiente. Ele precisa utilizá-las em conjunto.

A Causa Primordial da Criação
Eis um pequeno exemplo: suponhamos que você tenha flores, linha e uma agulha; com isto, pode você ter uma guirlanda? Não deve haver alguém para fazer a guirlanda a partir destes objetos? Você tem um recipiente para óleo, um pavio e uma lamparina. Isto irá produzir luz sozinho? Não! Tem que haver alguém para acender o pavio. Você tem ouro, gemas e pedras preciosas; pode você obter jóias a partir destes objetos? Não! Um joalheiro é necessário para produzi-las. Aqui você tem dois tipos de causas:
uma é ”a causa primária”, e a outra é “a causa instrumental”. Um joalheiro produz ornamentos usando ouro, mas quem é aquele que criou o ouro? É Deus! Então, Deus é a causa primária, e o joalheiro é a causa instrumental. Sem o princípio primordial (Deus), a causa instrumental é inútil. Deus, a causa primária, é o criador deste mundo. O Homem, a causa instrumental, está tentando ter a experiência e desfrutar desta criação, mas se esquece da causa primária (Deus) e pensa que ele próprio é o autor, e se orgulha de suas realizações.
Sem a base primordial, o homem não pode alcançar nada. Os estudantes de ciência sabem que duas partes de hidrogênio e uma de oxigênio são combinadas para produzir água. Os cientistas têm orgulho desta realização e ignoram Deus, que é o criador do hidrogênio e do oxigênio. Atualmente, o homem está dominado pela idéia de realizador, esquecendo-se do princípio relativo à base primordial1. O oleiro produz potes, mas sem argila e água ele não pode fazê-los. O oleiro é somente um instrumento, e, portanto, é a causa instrumental, e Deus, que criou a argila e a água, é a causa primordial.
Os indianos acreditam que existem 8.400.000 espécies de seres no mundo. Elas podem ser classificadas em 4 categorias: 1) os que nascem de ovos (andaja); 2) os nascidos do útero (pindaja); 3) os nascidos do suor (swedaja); 4) os nascidos da terra (uthbhija). Existem 2.100.000 espécies em cada uma destas categorias, o que perfaz um total de 8.400.000 espécies. Os seres são muitos, mas o princípio de vida é uniforme em todos eles. Existem inumeráveis ondas no oceano infinito, cada uma
diferente da outra. As ondas podem variar na forma, mas o oceano é a base para todas elas. Do mesmo modo, as 8.400.000 espécies emergiram do oceano de Sath-Chith-Ananda. Todas têm sua origem em Sath-Chith-Ananda.

O Homem é Essencialmente Divino
O que é Sath-Chith-Ananda? Sath é o Ser, que é imutável e eternamente presente. Chith significa Consciência Total. Sath é como o açúcar, Chith como a água. Quando a água e o açúcar são misturados, você não tem nem açúcar nem água, mas uma calda. Similarmente, a combinação de Sath e Chith resulta em Ananda (Bem-aventurança). Em todas as criaturas viventes você encontra esta Sath-Chith-Ananda. Entretanto, o homem não é capaz de entender sua verdadeira identidade, que é Sath-Chith-Ananda, e está em busca da felicidade exterior. É como procurar o seu próprio Ser externamente.
Como o homem encontrará seu Ser Interior externamente? Ele tem que olhar para o interior.
No estado de vigília, existem quatro aspectos – o tempo, a ação, o motivo e o dever. Suponha que você decidiu ir de carro para Bangalore, a fim de participar de um evento. Você parte às 05:00h da manhã e chega a Bangalore às 08:00h da manhã. Aqui, o tempo é de três horas, a ação é viajar de carro, o motivo é o evento, e o dever é a participação nele. Todos estes quatro aspectos estão presentes no estado de vigília. Agora, considere que às 10:00 h da noite você teve um sonho. No sonho, você foi a Bangalore e participou de um evento. Quando você começou? Como você viajou? Quando você chegou? Qual o motivo? Você não sabe. Isto significa simplesmente que os quatro estados mencionados acima não existem no estado de sonho. No estado de sono profundo, não há tempo, motivo, dever e nada do que você faz; você somente tem a experiência da bem-aventurança.
No estado de vigília, você realiza diferentes tarefas com seu corpo. No estado de sonho, você cria tudo, inclusive seu próprio Ser. No estado de sono profundo, você usufrui da Bem-aventurança; você é um e o mesmo nos três estados. Com base nisto, pode-se dizer que o homem é imutável em todos os três períodos de tempo e tem a experiência da bem-aventurança direta ou indiretamente. Ele tem a experiência da unidade em todos os três períodos de tempo. Uma vez que ele entenda este espírito de
unidade, não haverá espaço para diferenças e conflitos. Tão logo você se identifica com seu corpo, encontra somente a multiplicidade.

Os Três Pecados de Shankara
Certa ocasião, Adi Shankara foi a Kashi e orou ao Senhor Vishwanath, dizendo: “Ó Senhor! Eu vim aqui para me redimir dos três pecados que cometi.” Ele não tinha prejudicado ninguém nem roubado algo. Então, por que se considerou um pecador?
Ele explicou o primeiro pecado com as seguintes palavras: “Eu sempre dizia: ‘Tu estás além da palavra e da mente.’ Embora eu soubesse que Tu estás além do pensamento e da palavra, tentei descrever-Te com um conjunto de palavras: Senhor, Senhor das Palavras, Senhor dos Homens, o Maior Senhor.
Cometi o pecado de não praticar o que eu pregava. Este é meu primeiro pecado. Embora eu declarasse que Deus está em todos os lugares, percorri todo o caminho até Kashi para estar em Tua Presença(Darshan), como se Tu estivesses presente somente em Kasi. Eu cometi o pecado de dizer uma coisa e fazer outra. Este é meu segundo pecado. Eu sempre dizia: “Não há pecado, não há mérito, não há alegria e nem arrependimento.” Entretanto, eis-me aqui, orando pelo perdão dos meus pecados. Este é o terceiro pecado que cometi.”
O significado das declarações de Shankara é que a incoerência entre pensamento, palavra e ação é, em si mesma, um pecado. “O mau é aquele que não observa a unidade de pensamento, palavra e ação” e “O nobre é aquele que atingiu a unidade de pensamento, palavra e ação” (textos das Escrituras).

O Nome do Senhor, a Única Salvação
Cada ação de Shankara é um ensinamento para a humanidade. Quando ele estava voltando de Kasi, encontrou uma pessoa que estava tentando memorizar a regra gramatical de Panini pela repetição constante. Shankara decidiu dar-lhe um ensinamento: foi até o homem e perguntou-lhe que benefício ele esperava obter pela repetição da gramática de Panini. O homem disse que poderia se tornar um grande sábio(pandit), juntar-se à corte do rei e ganhar muito dinheiro e ter uma vida feliz. Quando Shankara lhe perguntou o que lhe aconteceria após sua morte, o homem disse que não sabia. Então, Shankara lhe disse:
“Ó homem tolo, entenda que o corpo, o dinheiro e o poder são temporários. Alcance a eterna Bem-aventurança, que você poderá desfrutar mesmo depois da sua morte.” Shankara cantou o seguinte verso:
“Ó homem tolo, cante o nome do Senhor. Quando a hora da morte se aproxima, é somente o Senhor que pode salvá-lo, e não sua gramática.” (Verso em Sânscrito)
Embora Shankara não tivesse nenhum ganho pessoal, ele se esforçou muito pela emancipação da humanidade.

Engaje-se em Ações Sagradas
Não somente Shankara, mas Krishna também fez o mesmo. Na Bhagavad Gita Ele declarou:
“Eu não tenho que fazer nada nestes três mundos, nem ganho nada (com isto). Mesmo assim, para ensinar à humanidade, Eu constantemente me engajo em ações do amanhecer ao anoitecer, de tal modo que as pessoas seguem meu ideal e santificam suas vidas.”
(Verso em Sânscrito)
Somente através da ação o homem pode se redimir. “Você tem direito à ação, mas não aos seus frutos”, e “A humanidade está diretamente ligada à ação” (textos das Escrituras). Ninguém pode despender seu tempo sem se envolver em alguma ação.
Quando Eu pergunto a alguns estrangeiros o que estão fazendo, eles dizem que não estão fazendo nada. Eles pensam que a ação está relacionada ao envolvimento em algum tipo de trabalho ou negócio. Na verdade, nosso processo de inspiração e expiração do ar é também um tipo de ação. Mesmo o movimento das pálpebras é um tipo de ação. Dia após dia, o corpo está engajado em um ou outro tipo de atividade. O caminho mais nobre é engajar o corpo em ações sagradas, como “a prática de ouvir as histórias do Senhor”, “o cântico de Suas glórias”, “a recordação (do Senhor), “a realização do serviço oferecido aos pés de lótus do Senhor”, “a adoração ao Senhor”, “a reverência ao Senhor”, “a atitude de servidor do Senhor”, “a amizade (ao Senhor)”, e “a rendição à vontade do Senhor, auto-entrega”.
Você deve entender que qualquer disciplina espiritual que você pratique, seja repetição do nome, austeridades, yoga, meditação ou cânticos devocionais, é para seu próprio benefício. Deus não necessita delas. Algumas pessoas pensam que a adoração a Deus é para o benefício d’Ele; esta é uma visão equivocada. O que quer que o homem faça é pelo seu próprio interesse e para satisfazer a seus objetivos egoístas.

A Visão do Ser Verdadeiro
Quando você inspira, produz o som “So”, e quando você expira, emite o som “Ham”. Juntos, “Soham” significam “Eu Sou Aquele”, que significa que você é Deus. Quando você começa a repetir “Soham, Soham”, onde está a necessidade de qualquer disciplina espiritual? Onde está Deus? Como vê-lO? Estas questões a respeito de ver e ter a experiência de Deus têm existido desde tempos remotos. Na verdade, você tem que trilhar o caminho espiritual para conhecer sua verdadeira identidade, isto é, a
Divindade. Aquele que conhece sua verdadeira identidade é um verdadeiro aspirante. Sem realizar esta verdade, toda disciplina espiritual será perda de tempo.
“O corpo é concedido para a realização de ações corretas” (texto das Escrituras). Qual é nosso Dharma? O Amor é nosso Dharma. A Verdade é nosso Dharma. A Paz é nosso Dharma. Nós devemos seguir nosso Dharma. A qualidade do açúcar é a doçura: se não é doce, então não é açúcar. Similarmente, o Amor é sua qualidade natural. Sem Amor você não pode ser chamado de ser humano.
Existe Amor em você, mas você o está limitando a sua família, amigos e conhecidos. Mas, lembre-se de que as pessoas de seu convívio irão acompanhá-lo somente até seu enterro. Somente Deus está sempre com você, mesmo depois de sua morte.
“A vida humana é a mais rara” (segundo os texto sagrados). Tal oportunidade tão nobre e sagrada não deve ser desperdiçada. Tendo nascido como ser humano, você deve ter um ideal. Um dançarino sempre mantém o ritmo em sua mente enquanto está dançando. Da mesma forma, você deve sempre lembrar-se de sua divindade inata em qualquer coisa que você faça. Maya (ilusão) é como um Narthaki (dançarino), sempre tentando distrair você. Para controlar este “Nar-tha-ki” você tem que mudar a ordem
das letras e fazer “Kir-tha-na”, isto é, cantar os nomes do Senhor. “Nesta era de Kali, o único refúgio é o nome do Senhor” (dizem as Escrituras).
Muitas pessoas aspiram pela “visão do Ser verdadeiro”. Os ocidentais dizem que querem liberação. Entretanto, eles realmente não sabem o que isto significa. Se você quer ver seu Ser Interno, deve desistir do apego ao corpo e desenvolver apego ao próprio Ser. Somente então você terá a “visão do Ser verdadeiro”. Ao nascer, você chora, “Koham, Koham” que significa “Quem Sou Eu? Quem Sou Eu?” Você não deve morrer com a mesma interrogação em seus lábios. Quando você morrer, deve ser capaz
de afirmar, alegremente: “Soham”, significando “Eu Sou Deus”. Encontrar a resposta para a indagação “Quem Sou Eu?” é a verdadeira Liberação.
Hoje, você tem inquietações sem fim, tais como as relacionadas a nascimento, morte, velhice, perdas, fracassos, vida familiar, etc. Todas elas são criadas por você mesmo. Elas crescem por causa de seu apego e ilusão. Deus não as deu a você. Quem dá e quem recebe, quando você próprio é Deus? Enquanto você tem “Bhrama” – ilusão – você não pode atingir Brahma – Deus. Assim como a cinza cobre o fogo, da mesma forma Maya (a ilusão) oculta sua verdadeira identidade. O fogo é visto quando a cinza é soprada. Similarmente, você [só] pode ter a visão do Ser interno quando abandona o apego ao corpo.

A Divindade Através da Unidade
Vedanta diz: “A Verdade é única, mas os estudiosos se referem a ela por muitos nomes.” A mesma água tem diferentes nomes em diferentes idiomas. Assim também, Deus é Um, mas Ele é reverenciado sob muitas formas e nomes. “Eu” é o primeiro nome de Deus. Tanto o pobre quanto o milionário usam a palavra “Eu”, quando se apresentam. Este “Eu” é sua verdadeira identidade. A letra única “I” (Eu, em Inglês) se refere ao Atma, enquanto a palavra de três letras “eye” (olho, em Inglês, com mesma
pronúncia) se refere ao corpo. O corpo tem três atributos, enquanto o Atma nenhum. O Atma é a suprema Bem-aventurança. Ele é a eterna testemunha e está além de todas as descrições: “Ele é a mesma Divindade que está presente em todos os seres” (texto das Escrituras).
Manifestações do Amor Divino!
Tentem desfrutar e ter a experiência do amor que existe em vocês. Se alguém diz que Deus não existe, responda: “Talvez seu Deus não exista para você, mas Meu Deus existe para mim. Você não tem o direito de questionar a existência de Meu Deus.” Vocês devem argumentar com convicção. Tal argumento irá silenciar a pessoa. Cada um é louco a sua própria maneira. O mundo em si é como um hospício. Existem alguns que obtêm satisfação em se auto-glorificar. Existem outros que agridem e acusam terceiros. Mas, a loucura por Deus é a mais nobre. Deus cuida para que você desista de sua loucura pelo mundo e torne-se louco por Ele. Somente poucos afortunados serão abençoados com esta loucura por Deus. Somente se a humanidade inteira desenvolver esta loucura por Deus, o mundo se livrará dos distúrbios, e a paz prevalecerá.
Estudantes! Manifestações do Amor Divino!
Depois de cada sessão de cânticos devocionais, vocês rezam pela paz no mundo (Loka Samastha Sukhino Bhavantu). Vocês encontram somente “pedaços” (“pieces”, em Inglês), mas não a “paz”(“peace”, em Inglês, com a mesma pronúncia) neste mundo. De fato, se vocês desenvolverem amor e tolerância para com todos os seres, não haverá necessidade de rezar pela paz; o mundo irá se tornar automaticamente uma morada de paz.
Desenvolvam o amor em vocês e compartilhem-no com, pelo menos, 10 pessoas por dia. Existem 950 milhões de pessoas na Índia. Se cada uma começar a compartilhar seu amor com as outras, então todas serão Um. A partir desta unidade, vocês atingirão a Divindade. Onde há erro, há medo; onde há amor, não há medo. “Por que temer quando Eu estou próximo e sou querido?”9 Você deve ter fé total na Divindade. Muitos devotos vêm aqui, mas quantos estão firmes e seguros em sua fé? Todos os desejos
mundanos são negativos em sua natureza. Os sentimentos negativos atrapalham o caminho para serem atingidos os sentimentos positivos. Então, não assimilem sentimentos negativos. Desenvolvam sentimentos positivos e pensem em Deus com fé inabalável.
Bhagavan concluiu seu discurso com o Bhajan “Hari Bhajan Bina Sukha Santhi Nahi”.

Publicação em Português: Eterno Condutor - Vol. 1 - Número 1 - 10/1999
Publicação Original: Sanathana Sarathi - Vol. 42 - Número 1 - 1/1999

terça-feira, 30 de junho de 2009

Não existe mente, só existe Consciência! - (Satyaprem)


"Quando a Consciência identifica-se com a forma, com o corpo e com a mente, ela ignora sua própria Natureza. Nessa ignorância, ela sofre. Quando a Consciência não se identifica com a forma, com o corpo e com a mente, ela reconhece sua própria Natureza, ela não está em ignorância, ela não faz vista-grossa. Ou a Consciência ignora a si mesma, ou a Consciência reconhece a si mesma. Quando identifica-se com a forma, com o que ela vê, o que acontece com ela? Quando ela se torna aquilo que ela vê, quando o céu decide que ele é as nuvens que passam, o que é que o céu está fazendo?! Eu não disse que ele deixa de ser o céu, eu disse que ele ignora a sua própria Natureza. O esclarecimento, a clareza acontece quando isso se resolve. Eu não mais ignoro a minha própria Natureza. Ele não deixa de ser o céu. Esse céu do qual eu falo e essa nuvem da qual eu falo é você. Você, quando se identifica com o seu corpo e sua mente, o que é que acontece com você?! Você tem medo de morrer, você tem medo de um monte de coisas, você sofre. Você sofre dos apegos, dos desapegos, das coisas que acontecem... Quando você se dá conta do que você é, que você não é o corpo e a mente, você não ignora mais o seu corpo e a sua mente, você vê quem você é. E nisso acontece liberdade, libertação. Quando eu me identifico, quando a Consciência se identifica com a forma ela tende a sofrer. Quem que sofre?! Não é a Consiência em si, é o corpo e a mente. É a ignorâcia. Na verdade sofrimento é ignorância. Não existe sofrimento.

Quando a Consciência se dá conta do que realmente é, o que é que acontece?! Quando você olha pra dentro e vê quem você é, aquilo foi tornado real agora ou aquilo já era?! Então, nunca deixou de ser Consciência, mas ignorava sua própria Natureza. Olha! Não tem corpo e mente. Só Consciência! Isso precisa ser acomodado em você. Porque é aquela história: "Eu posso sair de onde eu sou?!" Não, eu não posso, não tem como. A mente existe, enquanto mente, em si?! Pra responder essa pergunta você tem que olhar e ver... Direto! O que é essa coisa que existe em si, independente do que você vê?! Consciência, céu azul. As nuvens que vêm, que vão, que passam, o avião que está passando não mexe no céu, não transtorna o céu, não acontece nada no céu. O céu continua o mesmo, ileso. Essa é a Natureza do teu Ser. Isso é você. Você permanece ileso. Se alguém te dá uma facada, se alguém te mata, se alguém te estupra, se alguém te elogia, se alguém te dá um prêmio, se você ganha o "Oscar"... Tudo isso está acontecendo na periferia. Você não ganhou "Oscar" nenhum. E se você ganhou o "Oscar", quem que deu o "Oscar" pra você?! Não foi você mesmo?! O convite é você Ver. Mente, corpo, forma... só existem porque Consciência existe. E nesse sentido, não existe corpo e forma, só existe Consciência. Sem Consciência não existe corpo e forma. Mas sem corpo e forma existe Consciência?! Claro que sim. Se você tirar a nuvens do céu o que é que fica? Muda alguma coisa para o céu?! Consciência é tudo o que existe. A mente em si, não existe. Ela também é Consciência... Adulterada, em confusão.

Consciência existe. Mente não existe. Quando a mente se elabora, quando a mente se explicita, quando ela se lucida, se ilumina, se esclarece o que é que fica transparente através da mente?! "O que É", sem tirar nem pôr. A única coisa que a mente tem que começar a fazer é esse trajeto todo. Ou melhor, a sua Consciência tem que começar a ouvir, através da mente, o que está sendo dito e elaborar isso internamente. E veja cada vez que eu estiver falando isso, se isso não pode ser elaborado por você da mesma forma; se você me entende. Porque se há confusão você não vai fazer investigação nenhuma. Você precisa entender o que eu estou dizendo. Nem mente, nem corpo existem. Tudo o que existe é Consciência.

Não existe mente, só existe Consciência. Consciência ignorante de si mesma é mente. Consciência reconhecendo a si mesma é não-mente. E não é um acontecimento, é algo que está aqui-agora. Tem que ser aqui-agora. Se você pousa, se você descança nesse reconhecimento, na sua Natureza, o que acontece com a sua mente? Você já experimentou isso! O que acontece com a mente? O corpo parece até se deformular, ele fica meio... Vira uma sensação dentro dessa Consciência, e mais nada. As nuvens passam, os pássaros passam, os aviões passam... e o céu cotinua inalterado. Ele permanece inalterado. Aos nossos olhos existe uma ilusão... Agora, por exemplo, você percebe que o céu começa a escurecer. Mas será que ele está escurecendo mesmo? Ele não está escurecendo! Ele permanece exatamente o mesmo. Essa observação tem que ser retilínea em relação a você mesmo. Veja que você é imutável! Você, quem você verdadeiramente é, enquanto ser, enquanto Consciência, permanece absolutamente o mesmo.

Você, enquanto mente, não tem o menor controle sobre sua Consciência, em expandí-la... O que as pessoas chamam de "Expansão da Consciência" é a expansão do sistema neurológico, do cérebro. Se eu tomar uma droga com vocês, a nossa Consciência vai perceber coisas que não estão aqui. Vai alucinar, inclusive. Isso é "Expansão da Consciência", ou isso é expansão do campo perceptivo através de uma manipulação química dos teus neurônios?! Não confunde uma coisa com a outra. Se você toma um ácido, ou o que quer que seja, e de repente você se vê no meio de Shiva dançando... O Shiva é conteúdo da sua mente. Não existe Shiva! Shiva é o céu azul. Você vê o Osho... Osho é o céu azul. Os corpos dessas entidades são apenas nuvens que passaram, e o céu continua. Todos eles apontaram para o céu. E essa é a tua Verdade também. Ela não tem chance de ser outra. Então, não existe "Expansão da Consciência". Existe manipulação da forma de perceber. Eu lembro de ter tomado ácido, de ter tomado chá de cogumelo e eu olhava para as árvores e elas tinham uma aura, elas brilhavam, elas não sei o quê... às vezes até falavam comigo. Mas isso não estava acontecendo. Isso apenas estava acontecendo dentro da minha mente, que agora estava fora da sua frequencia normal, porque foi alterada quimicamente. É bom pra mostrar para a mente muito quadrada que nem tudo o que ela pensa é verdade, que tem um universo de coisas... Mas o meu convite agora é você perceber que nem tudo é verdade. Ou melhor, que nada do que você pensa que é verdade, é Verdade.

Para você começar a penetrar no mistério que você é, você deixa para trás tudo o que você sabe. As palavras... Tudo! Você só pode penetrar aí desnudo de tudo. É tudo uma brincadeira... Localize-se! A Consciência não dá nome a nada, quem dá nome às coisas é a mente. A mente dá nome às coisas e diz: "As coisas são os nomes que eu dei". O quê que ela fez com o mundo? Enclausurou! Não existe mais mistério. Ela está sempre buscando uma explicação. Os olhos da criança não pedem explicação. O que isso significa?! Só fica aí e te deleita... Não existe "por que". Não tem sentido! Se você fica solto, se você se entrega. Se você se deleita, você vai ver o que você está fazendo aqui. Uma hora uma coisa, outra hora outra. Pronto! Mais nada! Você é uma nuvem no céu. Eventualmente você desaparece no céu de novo, de onde você veio. Em outras palavras: você nem veio do céu, você nem vai para o céu; você já é o céu. Mas está confundido com a nuvem que passa, que vem e que vai. Entra no inominado. Entra! Ele já está revelado para você."


"Espelho Vazio" - Salvador/BA - Agosto/2001.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Estado Natural de Divindade e Mestre Verdadeiro - (Amma)


Estado Natural de Divindade
"Largando o ego ou não, divindade é a sua verdadeira natureza. Nada pode mudar isto. Se você insiste em dizer que é o ego, o corpo, mente e intelecto, não fará diferença. Sua verdadeira natureza não fica o mínimo afetada pela sua falta de entendimento. Sua natureza não irá mudar ou diminuir, acredite você ou não."


Mestre Verdadeiro
"O Mestre verdadeiro é uma presença, a presença da Consciência Divina. Ele não faz nada. Em sua presença tudo simplesmente acontece, sem nenhum esforço de sua parte. Esforço é necessário quando existe ego."

"O Mestre Verdadeiro não tem ego. Até mesmo as situações que fazem o buscador mergulhar em sua própria consciência são derivadas da presença do Mestre. E assim é simplesmente - não há outra forma. O sol não faz esforço nenhum para brilhar, mas não pode fazer outra coisa senão brilhar."

"O Mestre é o total da vida, manifestado em forma humana. Em sua presença, pode-se experienciar a vida em toda a sua intensidade e vibração."

LA PAZ Y LA FELICIDAD - (Ramana Maharshi, El Evangelio del Maharshi)


"D. ¿Cómo puedo obtener paz? No parezco obtenerla a través de la auto-indagación (Vichara).
M. La Paz es su estado natural. Es la mente lo que obstruye el estado natural. Su Vichara
ha sido hecha solo en la mente. Indague lo que es la mente, y desaparecerá. No
hay ninguna cosa tal como la mente aparte del pensamiento. Sin embargo, debido
a la emergencia del pensamiento, usted supone algo desde lo que el pensamiento
comienza y llama a eso la mente. Cuando usted prueba a ver lo que es eso, encuentra
que realmente no hay ninguna cosa tal como la mente. Cuando la mente se
ha desvanecido así, usted realiza la Paz eterna.
D. A través de la poesía, la música, el japa, el bhajana, la visión de bellos paisajes, leyendo
las líneas de versos espirituales, etc., uno experimenta a veces una sensación
verdadera de la unidad de todo. ¿Es esa sensación de profunda felicidad
quiescente (donde el sí mismo personal no tiene ningún lugar) lo mismo que la
entrada en el Corazón de la que habla Bhagavan? ¿Llevará la práctica de ello a un
samadhi más profundo y así finalmente a una plena visión de lo Real?
M. Hay felicidad cuando a la mente se le presentan cosas agradables. Es la Felicidad
inherente al Sí mismo, y no hay ninguna otra Felicidad. Y no es ajena ni lejana.
Usted se está sumergiendo en el Sí mismo en esas ocasiones que considera placenteras;
esa sumersión resulta en Felicidad auto-existente. Pero la asociación de
ideas es responsable de mezclar esa Felicidad con otras cosas o acontecimientos,
mientras que, de hecho, esa Felicidad está dentro de usted. En esas ocasiones usted
se está sumergiendo en el Sí mismo, aunque inconscientemente. Si usted lo
hace conscientemente, con la convicción que viene de la experiencia de que usted
es idéntico a la Felicidad, la cual es ciertamente el Sí mismo, la única Realidad,
usted lo llama Realización. Yo quiero que usted se sumerja conscientemente en el
Sí mismo, es decir, en el Corazón."

domingo, 28 de junho de 2009

Say I Am You - (Rumi)

Não morra antes de colocar para fora a sua Música - (Wayne Dyer)

"O mundo no qual você vive é um sistema inteligente, no qual cada parte se move de maneira coordenada com todas as demais partículas em movimento. Há uma força universal que apóia e orquestra tudo. Tudo funciona de maneira conjunta em perfeita harmonia. Você é uma dessas partículas em movimento. O corpo que você habita nesse exato momento. O seu corpo irá daqui com a mesma precisão. Você é uma peça essencial deste complexo sistema. E aqui está você, neste sistema inteligente que não tem principio nem fim, no qual cada galáxia se move em harmonia com todas as demais. Deve haver uma razão para que você tenha surgido!

Kahlil Gibran disse: “Ao nascer, já levas teu trabalho em seu coração”. Assim, qual é o seu trabalho? Qual é o seu propósito? Você está vivendo de forma em que seu coração te leva para que o realize?


Escute seu Coração

Reserve um momento para você agora mesmo e aponte seu dedo em sua própria direção. Seu dedo está apontando diretamente em direção ao seu coração. Não ao seu cérebro, mais sim ao seu coração. Isto é o que você é. A constante batida do seu coração, para dentro e para fora, para dentro e para fora, é um símbolo de sua conexão infinita com a batida onipresente de Deus, a Inteligência Universal. Seu lado esquerdo do cérebro calcula, soluciona coisas, analisa e te conduz a realizar as escolhas mais lógicas para você. Ele pensa, pensa e pensa! O lado direito do seu cérebro representa seu lado intuitivo. É a parte de você que vai além da razão e da análise. É essa parte de você que sente coisas, que é sensível ao amor; é a que se emociona com o que é importante para você. Seu hemisfério direito é que te permite se emocionar até as lágrimas quando você está com seus filhos nos braços ou faz com que você admire a beleza de um dia glorioso. Seu hemisfério esquerdo pode analisa-lo, enquanto que seu hemisfério direito te permite senti-lo.

Escolha uma situação e se pergunte o quê é mais importante para você, se é o que você sabe ou o que você sente. Geralmente, dependerá da situação e das circunstâncias nas quais você está envolvido que o farão decidir do que você se ocupara primeiro. Sua inteligência pode resolver exatamente como proceder quando as coisas estejam entrando em colapso em uma relação ou quando você tenha um impulso súbito; porém também há outras vezes nas quais o que você sente se impõe ao seu conhecimento: quando você está assustado, tem medo ou se sente só; mas, por outro lado, se você se sente comovido, apaixonado e extasiado, serão essas as forças que dominam o mundo no qual você agirá. Ás vezes é melhor usar seu hemisfério direito, que sempre te guiará apaixonadamente em direção aos seus propósitos.


Escute seu Hemisfério Direito

Há uma presença intuitiva invisível que sempre te acompanha. Eu imagino esta presença como uma pequena criaturinha que se senta sobre seu ombro direito e te avisa quando você perde o sentido de seus propósitos. Este pequeno companheiro é sua própria morte, que te apressa que você coloque em prática tudo aquilo que você veio realizar aqui, porque seus dias estão contados para a realização e quando esta viagem terminar, seu corpo partirá. Seu companheiro invisível te cutucará quando você passar mais outro dia fazendo algo que não seja parte de sua paixão na vida e que tenha sido dito por qualquer outra pessoa.

Quando você sair de seu propósito, você sempre saberá graças aos seus pensamentos, que se dirigirão a essa sua frustração. Pode ser que nem sempre você preste atenção a esta sabedoria, possivelmente porque seu hemisfério esquerdo não reúna coragem suficiente para apostar no que seu hemisfério direito sabe que é seu destino. Sua intuitiva voz interior segue te pressionando para que toque a música que você escuta, para que você não morra com ela dentro. No entanto, seu hemisfério esquerdo diz: “Um momento. Seja cuidadoso, não se arrisque, pois poderá fracassar, decepcionar a todos que tem um ponto de vista diferente sobre o que você deveria fazer”. Então, o companheiro invisível de seu cérebro direito (sua morte) te falará ainda mais alto. O volume subirá, tentando te obrigar a seguir seus sonhos.

Até que, finalmente, escutar exclusivamente seu hemisfério esquerdo te transforme em um impostor, ou em algo ainda pior, em um autômato que se levanta a cada manhã com o rebanho para trabalhar no que te traz dinheiro e que paga suas contas, para depois voltar para casa e seguir fazendo a mesma coisa no dia seguinte e assim sucessivamente, com a mesma canção implícita, bem conhecida. No entanto, a música que existe em seu interior irá tocar cada vez mais baixo até que chegue a ponto de ser inaudível. Mas o seu companheiro permanente e invisível, sempre escutará a música e seguirá dando-lhe palmadinhas em seu ombro.

Este esforço para chamar sua atenção pode tomar a forma de uma úlcera ou de um fogo que queima sua resistência; ou é possível que te despeçam de um trabalho sério; ou haja qualquer acidente que te faça dobrar o joelho. Geralmente, esses acidentes, doenças e “azares” terminam por atrair sua atenção. Porém nem sempre. Algumas pessoas terminam como Ivan Ilyich, o personagem de Tolstoy que se angustiava em seu leito de morte dizendo: “E o que acontecerá agora se por toda minha vida eu estive errado?” Devo dizer que é uma cena arrepiante.

Você não tem o porquê escolher esse destino. Escute seu companheiro invisível, expresse a música que você ouve e ignore o que qualquer pessoa que está ao seu lado, pensaria no que você deveria estar fazendo. Como expressou Thoreau: “Se um homem não está em paz com seus companheiros, talvez seja porque escuta um tambor diferente. Deixe-o dançar ao ritmo da música que ouve, esteja ela afinada ou não”.

Se prepare para aceitar que os demais possam dizer que você os traiu; porém você não terá traído a sua música, a seu propósito. Escute tua música, e faça o que sabe que tem que fazer para se sentir inteiro, completo e para sentir que esta cumprindo o seu destino. Você não terá paz se não permitir que essa música saia e soe. Deixe que o mundo saiba por que você está aqui e realize isso com paixão.


Apaixonar-se supõe se arriscar

È possível que no final você viva uma vida cômoda ainda que não siga seus instintos. Pagas suas contas, cumpre com todas as formalidades e vive uma vida de produção e de observâncias de acordo com o manual. Mas esse manual foi escrito por outra pessoa. Você percebe pelo pouco que foi dito: “Pode ser que isto pareça o correto, más você se sente bem? Está fazendo o que realmente veio fazer aqui?” Para muitas pessoas, a resposta é: “Como vou saber qual é a minha heróica missão?”
Em sua paixão você encontrará o que mais te inspire. E, o que significa a palavra “inspirar”? Deriva das palavras “em espírito”. Quando você está inspirado, nunca se pergunta sobre os seus propósitos, porque o vivencia. Para uma de minhas filhas, se trata de ler coisas sobre cavalos e andar nos estábulos. Ela está no céu quando monta a cavalo, ou ainda que somente esteja limpando um galpão cheio de estrume. Minha outra filha somente se inspira quando está cantando, tocando ou escrevendo músicas. Se sente assim desde que tinha dois anos. Para a outra, o que a faz se sentir alguém com propósito é seu trabalho artístico e de desenho. E para outra, é criar páginas de internet e softwares para outras pessoas. Para mim, é escrever, falar e produzir coisas que ajudem as pessoas a ter confiança em si mesmo. Esta sempre foi minha paixão, desde muito jovem.

Qual é a sua paixão? Que faz com que a sua alma se agite e te faz sentir em completa harmonia, principalmente com aquilo para o que você veio realizar? Tenha certeza que, seja o que for, você pode construir sua vida fazendo isso e simultaneamente, proporcionar um serviço os outros. Eu garanto.

A única coisa que pode te afastar de interpretar a música de seu coração e de seguir o compasse único que sente dentro de você é o medo. Segundo “Um Curso de Milagres”, somente existem duas emoções básicas: uma é o medo e a outra é o amor. Talvez você tema a desaprovação dos demais. Se arrisque e descobrirá que se recebe muito mais aprovação quando não há buscamos do que quando a buscamos. Talvez sinta medo do desconhecido. Se arrisque da mesma forma. Busque a resposta e se pergunte: “O que de pior pode acontecer se isto não funcionar?” A verdade é que é algo superável. Você não será condenado à morte e muito menos torturado se algo não sair bem. Talvez você tenha medo do sucesso. Talvez tenha sido induzido a pensar que não é a pessoa adequada ou que é um ser limitado. A única maneira de enfrentar essas situações é perseguir aquilo pelo qual você veio aqui e deixar que o sucesso te alcance, como com certeza acontecerá. Ou talvez você sinta medo do maior dos fracassos: talvez tema o fracasso.


O Mito do Fracasso

È possível que isto te surpreenda, mas o fracasso é uma mera ilusão. Ninguém fracassa em nada. Tudo o que você faz produz um resultado. Se você está tentando aprender a jogar bola e alguém a tira de você, ela se perde, você não falhou. Simplesmente, se produziu um resultado. A pergunta real é o que você deve fazer com os resultados produzidos. Você vai chorar por ter falhado ou vai dizer: “Vou tentar outra vez” até que consiga dominar a bola? O fracasso é um julgamento. Não é mais que uma opinião. E tem origem de seus medos, que podem ser eliminados com amor. Amor por você mesmo. Amor por aquilo que você realiza. Amor pelo próximo. Amor pelo seu planeta. Quando você tem amor dentro de você, o medo não pode sobreviver. Reflita sobre a mensagem que existe nesta esta antiga sabedoria: “O medo bateu à porta. O amor atendeu e não havia ninguém”.

Essa música que você ouve em seu interior, que o apressa a assumir riscos e para que você persiga seus sonhos é a sua conexão intuitiva com o propósito que existe em seu coração desde o dia em que você nasceu. Se entusiasme com todas as suas realizações. Seja apaixonado, sabendo que a palavra “entusiasmo” significa literalmente “O Deus (enthos) interior (iasm)”. A paixão que você sente é Deus dentro de você que está te cutucando para que você se arrisque e seja a pessoa que você é realmente.

Dei-me conta de que os riscos que se percebem não são grandes riscos, uma vez que você transcende seus medos e permite que entrem em você o amor e o respeito por você mesmo. Quando você produz um resultado do qual os demais riem, você também ri. Quando você se respeita, tropeçar te permite rir de você mesmo como alguém que tropeça ocasionalmente. Quando você se ama e se respeita, a desaprovação por parte de alguém não é nada que deva ser temido ou evitado. O poeta Rudyard Kipling declarou: “Se você puder alcançar o triunfo e o desastre e trata a esses dois impostores da mesma maneira… É seu coração e tudo o há nele.” A palavra chave aqui é “impostores”. Não são reais. Somente existem na imaginação das pessoas.

Siga a seu hemisfério direito, escutando como você se sente e interpretando seu próprio e exclusivo estilo musical. Você não tem que temer nada nem ninguém e não voltará jamais a sentir esse terror de estar algum dia em seu leito de morte dizendo: “E o que acontecerá agora se por toda minha vida eu estive errado?” O companheiro invisível que está sobre seu ombro direito te cutucará cada vez que você estiver se afastando de seus propósitos. E te obrigará a tomar consciência de sua música. Por isso, escute-o e não morra sem haver colocado para fora sua música."

Fonte: http://site.suamente.com.br/10-segredos-para-o-sucesso-e-a-paz-interior/
Tradução: Daniela Bitner

sábado, 27 de junho de 2009

Medo da Morte - (Osho)

Não há necessidade de se ter medo da morte. Ela virá, essa é a única certeza na vida. Tudo o mais é incerto, por que se preocupar com a certeza?

A morte é uma certeza absoluta. Cem por cento das pessoas morrem, e não 99%. No que se refere à morte, todo o desenvolvimento científico e todos os avanços da ciência médica não fazem diferença: 100% das pessoas ainda morrem, da mesma forma que costumavam morrer há dez mil anos. Quem nasce, morre, não há exceções.
Com relação à morte, podemos nos esquecer dela completamente ... ela irá acontecer. Assim, quando ela acontecer, tudo bem. Que diferença faz como ela acontece, se você for golpeado em um acidente ou se morrer na cama de um hospital? Não importa. Uma vez percebido o ponto de que a morte é certa, não passam apenas de formalidades estas questões: como morremos, onde morremos .... A única realidade é que morremos. Aos poucos você aceitará o fato. A morte precisa ser aceita, não faz sentido negá-la e ninguém foi capaz de preveni-la. Então, relaxe! Enquanto você estiver vivo, desfrute a vida totalmente e, quando a morte vier, desfrute isso também.

Fonte: OSHO – todos os dias – 365 meditações diárias – texto 90. pg. 95)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Om Mani Padme Hum



A iluminação vem do Tibet
O Tibet, considerado um país “mágico”, que preserva e respeita as práticas de Mantram, não faz desse instrumento objeto de comércio, nem simplesmente os utilizam para benefícios pessoais.

No Tibet, o Mantra é um meio para criarmos uma realidade mental de iluminação. A utilização do som faz nascer algo na mente e conseqüentemente no plano material, porque aquilo que a pessoa pensa, tende a se realizar na matéria, Buda diz: “O homem é aquilo que ele pensa.” O Mantra, portanto para o tibetano, tem uma força incrível. Somente quando o Tibet foi invadido pelos chineses e os monges exilados em vários países, é que esta tradição, até então secreta, se espalhou pelo mundo.

No Tibet do passado, os homens davam muita importância para aquilo que eles falavam, comunicavam e pensavam. Hoje, nos ensinam os Lamas, a TV, o Rádio, os jornais e nas pregações, as palavras são “jogadas ao vento”, as palavras muitas vezes se referem a aspectos mais perversos como por exemplo: besta quadrada – que é o quadrado, o limite, a besta que é o próprio mal. Quinto dos infernos – que é o pentagrama (estrela de cinco pontas) ao contrário. Desgraçado - sem a graça de Deus; desanimados –dês sem ânima - alma sem alma. Coitado – nascido de coito; enfim, as palavras hoje muitas vezes tem essa perversidade.

Os tibetanos mantêm a tradição de palavra viva que é a ciência do Mantra. Cada letra do Mantra para o tibetano é tratada com devoção, como algo muito precioso, como uma jóia.

O Mantra mais forte e utilizado de toda a tradição tibetana, é o Mantra OM Mani Padme Hum.

Helena P. Blavatsky ensina que “Om Mani Padme Hum (os tibetanos pronunciam Om Mani Peme Hum), é associado ao bodhisattva da compaixão, Avalokiteshvara. Nesse Mantra, a sílaba Om representa a presença física de todos os buddhas. A palavra sânscrita Mani, jóia, simboliza a jóia da compaixão de Avalokiteshvara, capaz de realizar todos os desejos”.. A palavra Padme significa Lótus, a bela flor que nasce no lodo; do mesmo modo, devemos superar o lodo das negatividades e desabrochar as qualidades positivas. A sílaba Hum, representando a mente iluminada, encerra o Mantra. Assim a frase mística (Om Mani Padme Hum), quando corretamente compreendida, em vez de traduzida por palavras quase vazias de sentido como (Oh! A Jóia do Lótus!), contém uma alusão a esta indissolúvel união entre o homem e o Universo, interpretada de sete maneiras diferentes, com a possibilidade de sete distintas aplicações a outros tantos planos de pensamento e ação. Escolhemos como por exemplo a fórmula (Om Mani Padme Hum) por causa do seu poder quase infinito nos lábios de um Adepto, e de sua potencialidade quando pronunciada por um homem qualquer”.



Om (o mestre do som)
O OM, para o tibetano, dissolve o intelecto e a mente. Ele é o alto de uma pirâmide, a própria consciência, a luz, o som da iluminação, desperta nossa Terra, (sensação), água, (sentimento), fogo, (ação) e o ar, (pensamento).

Representa também Brahma, que é a mente universal. A vocalização ou a mentalização do OM, liberta de tudo aquilo que precisa ser libertado, é o som que afasta o apego. O OM conforme foi estudado no capítulo OM, a mãe de tudo faz parte de várias culturas, um dos nomes de Deus que mais aparece na Bíblia Judaica/ Cristã, é Adonai que significa Adon – Deus, Ai-meu Deus; e nós vamos encontrar na palavra Adon, o OM. Pitágoras, que utilizava o OM, chamava-o de harmonia das esferas, dizia que “cada som tem um corpo sutil, um corpo de vibração de ritmo e de átomos”.

Os tibetanos, na mentalização ou na vocalização do som OM, acreditam que seja necessária concentração. Este som não pode ser produzido mecanicamente. Muitos alunos já me perguntaram se simplesmente escutar um Mantra num CD ou Rádio daria a consciência. Acredito que o importante não é que o Mantra esteja no teu ouvido, mas no coração e na mente.

Embora seja expresso pela mente ou pela boca, o som vem do coração. Os tibetanos não aceitam que os Mantram sejam superstições, nem que sejam fórmulas mágicas e nem que o poder deles venha do psíquico do praticante ou que os “feiticeiros” usem os Mantram para conseguir algo.

No Tibet se dá muita importância para a Iniciação e a prática contínua do Mantra, espera-se que quando o Mantra é passado, que não seja um conhecimento teórico e sim algo para ser praticado. O estudo de muitos Mantram, segundo os tibetanos, foi uma das causas da queda da tradição mântrica. As pessoas estudavam, estudavam, mas não praticavam, não buscavam a “imortalidade da alma” através desta prática.

Para Buda, e praticantes budistas o OM protege, afasta muitos perigos e cria condições benéficas. Mas, muitas vezes, o Mantra não protege o homem de outro homem, da crueldade de outro homem. Tanto é assim, que todos os iluminados praticantes foram mortos pelo homem, porque o homem tem o livre arbítrio, ele tem um direito de agir como preferir.O Mantra, portanto, não pode proteger o homem do próprio homem. (Medite nisso). Os índios que tinham conhecimento mântrico e de fé foram mortos aos milhares, negros africanos, com alta magia, foram mortos, os rabinos na segunda guerra mundial e estudantes de Kabbalah foram mortos pela crueldade do homem, mas o Mantra impede de ficarmos depressivos, melancólicos, tristes.

O Mantra permite que tenhamos um renascimento feliz, aliás, essa é uma das principais utilizações do Mantra OM dentro do Tibet: A busca por um renascimento num mundo favorável, porque, segundo os tibetanos uma pessoa pode reencarnar no que é chamado de inferno, também como elementais da Terra, que são plantas, pedras, enfim, como animais, como pessoas ou como “Devas” (anjos), que são seres que não têm corpo, é a ressurreição que Cristo tanto falava, tu não és mais corpo e tu passas a ser, digamos, simplesmente a tua alma, sem corpo físico. Reencarnação é voltar para o corpo e ressurreição é passear, viajar. Enfim, como uma alma, voltar ou não a carne, é uma opção.

O OM nos ensina a meditarmos no som, no ritmo tranqüilo que é a devoção chamada de Bhakti.

- “A essência de todos os seres é a Terra.”

- “A essência da Terra é a água.”

- “A essência da água são as plantas.”

- “A essência das plantas é o homem.”

- “A essência do homem é o verbo.”

- “A essência do homem é o conhecimento sagrado (Rigveda).”

- “A essência do conhecimento sagrado é a música divina (Sámaveda).”

- “A essência da música divina é o OM.”



Mani
O Mani é o som da transformação. É considerado a jóia da mente ou a pedra filosofal, que nos dá a eternidade. Dentro do simbolismo OM Mani Padme Hum, Mani representa uma jóia brilhante, cintilante, perfeita, é considerado também como um cedro iluminado, que no Tibet é chamado de Vajra, que é o diamante da nossa própria mente e o que há de mais consciente nela.

Textos Pali budistas dizem que todas as coisas são precedidas, dirigidas, e criadas pela mente e Mani seria uma mente mais sutil, refinada, compaixão que é a preocupação com todas as pessoas e seres vivos. A tolerância.

O Mani cria a união com todos os seres, cria um Rúpa (forma). Karma Rúpa é o nome de uma forma de pensamento muitas vezes perversa ou egoísta e que pode, segundo as tradições esotéricas, criar um elemento conhecido como “miasma”, ou “encosto”, “obsessor” – um padrão negativo. O Mani atua como ecologia mental, criando um deva rúpa (anjo da mente). O som Mani atua no nosso manas, que é a nossa mente.

O Mani representa o voto do Bodhisatiwa, um ser que escolhe o caminho de auxiliar todos os seres vivos.



Padme ou Padma
Padme representa, a flor de Lótus. Ela nasce nos momentos onde há mais sujeira, mais dificuldade. Nasce da escuridão, abre suas flores somente após ter subido além da superfície do lodo.

Padme ou Padma, ultrapassa este mundo. Existem pessoas que dizem “eu já passei por esta ou por aquela situação”. Já passou mas não ultrapassou, por isso que a situação vive se repetindo e esse som Padme é exatamente ultrapassar. Esse som representa a flor de Lótus que nasce. E cria emoções legais, o que é muito útil para as pessoas que têm dificuldades em lidar com as próprias emoções.

Esse som confere iluminação ao corpo emocional, sensorial, perceptivos, formações kármicas negativas e a iluminação da própria consciência. Também, segundo heremitas meditadores, permite que viajemos no barco do Todol que é um guia na vida após esta vida, no mundo vindouro. No Tibet, não se fala em vida ou morte, só existe a vida, as pessoas nunca nascem e nunca morrem, elas estão “aqui” depois estão “lá”, enfim, esse som facilita nossa passagem para outros mundos. Físicos ou não.



Hum – Exorcizando tuas sombras
Hum é representado como um som de limpeza, um grito de limpeza, um desafio a tudo aquilo que não é legal, aos nossos inimigos que, para alguns, são os pensamentos perversos, para outros são seres malignos, para outros, a ignorância e, para mim, o maior inimigo que temos é o ódio por qualquer ser e por nós mesmos.

O Hum significa o espírito solto para voar, a libertação de tudo aquilo que não faz parte da nossa própria alma. O Hum é universal, total; a descida da eternidade para o nosso coração. O OM é o infinito e o Hum é o finito. Ambos são importantes, mas podemos dizer que o OM também é o meio para compreender o próprio Hum. A eternidade faz com que compreendamos o nosso próprio corpo, por isso o Hum é considerado como se fosse a matéria, como Buda tocando a própria Terra, a nossa mãe Terra, Gaia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Onde me procuras? - (Kabir)

"Onde me procuras?
Estou contigo.
Não nas peregrinações ou nos ídolos, tampouco na solidão.
Não nos templos ou mesquitas, tampouco na Caaba ou no Kailash.
Estou contigo, ó homem, estou contigo.
Não nas preces ou na meditação, tampouco no jejum.
Não nos exercícios iogues ou na renúncia,
tampouco na força vital ou no corpo.
Estou contigo, ó homem, estou contigo.
Não no espaço etéreo ou no útero da terra,
tampouco na respiração da respiração.
Procura ardentemente e descobre, em um instante único de busca.
Kabir diz: escuta com atenção! Onde está tua fé, lá estou".



"Um bosque, quantas folhas têm?
Quantas gotas, o Ganges?
Os sábios esgotam seus cérebros.
De Kabir só sai uma palavra.

Em um bote de ferro
carregado de pedras
(e em seus ombros um fardo de veneno):
assim queres alcançar a outra margem.

Estes poemas são
olhos da sabedoria.
Olha em teu coração e os compreenderás.
Graças a estes poemas
as penas deste mundo
poderão ter um fim.

Buscaram e buscaram
por todos os lugares
porém nada.
E seguiram buscando muito mais
sem encontrá-lo.
Ao final, esgotados, se renderam
com a certeza unânime
de que, com efeito, estava "mais além".

Que tu és um santo?
Tu que falas e falas sem parar
atravessando a aqueles que te escutam
com a afiada espada de tua língua?

Ao galho de um sândalo subiu Kabir.
Desde ali grita sem parar
para ensinar a todos o caminho.
E se não fazem caso, ele que pode perder?

As cores geram mais cores
e assim até o infinito.
Para Kabir somente há uma cor.
Responde-me se puderes:
De que cor é um ser vivo?

Não tem forma nem perfil.
Não tem pé nem carne.
No meio desse templo construído
no alto,
vê um homem sem corpo.

Lhes falo da realidade
para ascetas irreais
e, claro, não me creem.
Diz Kabir:
Só um diamante pode
romper outro diamante."