quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Vida - (Papaji)


"P: Quem sou eu?
R: Aquilo que você imagina ser. Quando você parar de criar identificações para si mesmo, você encontrará quem você realmente é.
P: Quem é Deus?
R: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele, você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você pára sua projeção, ambos o mundo e Deus desaparecem.
P: Depois da Iluminação, nós entendemos tudo sobre a vida? Ou o propósito da vida fica no coração como um mistério e não como um enigma a ser resolvido?
R: O Self será sempre um mistério porque não há nada fora dele para compreende-lo, analisa-lo ou entende-lo.
P: Qual é o significado da vida?
R: Porque deve haver algum significado? Qualquer significado que você atribua para isto é justamente uma idéia em sua mente. A Vida não é afetada ou explicada por nenhuma idéia que você possa ter sobre isso.
P: Você pode por favor falar sobre como aprender a viver, simplesmente ser aqui agora. Algumas vezes estando a sua volta eu sinto você compartilhando conosco ordinárias atividades diárias. Eu penso sobre o Zen dizendo “Antes da Iluminação cortar lenha, carregar água, após a Iluminação, cortar lenha, carregar água”....
R: Antes da Iluminação você pensa, “Eu preciso cortar lenha, eu preciso carregar água”. Depois de tudo a lenha é cortada, a água é carregada mas isto não tem nada a ver com você. Isto simplesmente acontece.
P: Quando nós estamos no ‘intervalo’ entre vidas, nós conscientemente escolhemos o corpo que nós queremos reencarnar, nossos pais, e essas coisas? Se é assim, como nós escolhemos?
R: Isto não é uma agencia de viagem que você pode pegar um bom local para seu próximo nascimento. Seus pensamentos e desejos nessa vida impulsionara você a uma nova forma e não necessariamente a uma muito boa. Isto está fora do seu controle. Agora mesmo você pode exercitar controle buscando de onde vem os seus pensamentos e desejos. Após sua morte será muito tarde.
P: Por que nós temos tanto medo em nossas vidas? Por que confiar em cada momento é tão difícil?
R: Se você vive no ego, você automaticamente monta situações de ‘eu’ e o resto do mundo. Para defender o ego você deverá ser egoísta e você deverá temer os outros porque eles todos ameaçam o seu bem estar. Como você pode confiar em qualquer um nessa situação?
P: Muita gente acredita que há algo como um “ego saudável”. Uma pessoa com um ego saudável pode ser confiante, Cônscio de suas habilidades e limitações, gostos e não gostos, tem alta autoestima, e assim vai...Existe algo como um “ego saudável”? Isto pode levar a liberdade?
R: Uma pessoa que confia em si mesma e tem alta auto-estima (o que os psicólogos chamam de ‘ego saudável’) não está mais próximo da liberdade do que qualquer outro. Esta pessoa pode sentir que está feliz e que não precisa de grandes mudanças em sua vida. A pessoa que entende que este ego está continuamente causando problemas mentais esta mais propicio a buscar soluções. Não há algo como um ego saudável,assim como não há algo como doença saudável. O ego não pode o levar a liberdade, ele só pode obstruir isso. Ego e liberdade não podem coexistir. Quando o ego desaparece, a liberdade substitui isso."


Fonte: Satsang em Lucknow, Índia, 26 Agosto de 1994.
Traduzido por Shanti

sábado, 15 de agosto de 2009

Being in Peace - (video Gangaji)

Experiencing beingness / Experimentando Ser - (video Gangaji)

Trecho de "Quem é você?" - Entrevista com Papaji - (Por Jeff Greenwald)


Entrevista com Papaji. Por Jeff Greenwald
Tradução livre: Sw Sunder Svarupo

"J. Quem é você?
P. Eu sou Aquilo de onde você, eu, ele, ela e todo o resto emergem. Eu sou Aquilo.
J. O que você vê quando olha para mim?
P. O vidente.
J. Papaji, como um ser acordado como você mesmo, vê o mundo?
P. Como o meu próprio Ser. Qdo vc vê suas mãos, pés, corpo, mente, sentidos, intelecto, você sabe que eles são parte de você. Você diz, “Meu”; “Eu” inclui tudo isso.” Do mesmo modo vc deve ver o mundo como você mesmo, não diferente de quem vc seja. Nesse momento você entende suas mãos, seus pés, sua unha e seu cabelo como não diferentes de você. Olhe o mundo do mesmo modo.
J. Vc está dizendo que não há um lugar onde o “Eu” termina e “você” começa?
P. Há sim. Eu o estou levando a este lugar.
J. Papa, você fala sobre liberdade. O que é liberdade?
P. Liberdade é uma armadilha! Um homem que está apreso em uma jaula precisa ser livre, não é? Ele está aprisionado na jaula e sabe que as pessoas do lado de fora estão livres. Vocês estão todos em uma prisão e vocês têm ouvido falar sobre o lado de fora, através de seus pais, seus padres e pastores, professores e pregadores. “Venha a nós” eles dizem, e nós lhe daremos liberdade “. Venha a mim e eu lhe darei descanso. Esta é a promessa, mas essa é somente mais uma armadilha. Uma vez que você acredite você cai na armadilha de querer liberdade. Você devia estar fora dessas duas arapucas – nem limitação, nem liberdade – porque elas são apenas conceitos. Limitação foi um conceito que deu origem ao conceito de liberdade. Livre se dos dois”.
J. Então onde está você?
P. Aqui. Aqui, sim. Aqui não é nem uma armadilha de limitação nem de liberdade. Não é lá.
De fato não é nem mesmo aqui. As palavras me parecem outra grande armadilha. Todo o tempo que tenho estado aqui, as palavras tem sido inadequadas para expressar a natureza do despertar que toma lugar aqui. Elas não podem nem mesmo expressar por que as palavras são inadequadas. Eu teria que compará-las ao que é adequado e eu não posso fazer isso em palavras.
J. Mas uma palavra que é muito jogada por aí no oriente e no ocidente é a palavra Iluminação. É sobre isso que você fala?
P. Iluminação é conhecimento em si mesmo, não conhecimento de uma pessoa, uma coisa ou uma idéia. Simplesmente conhecimento em si. Iluminação existe quando não qualquer imaginação do passado, do futuro ou mesmo do presente.
J. Eu não posso conceber um estado sem qualquer imaginação!
P. Isso é o que se chama limitação. Isso se chama sofrimento. Isso se chama Sansara. Eu lhe digo, não imagine. Nesse presente momento, não tenha qualquer imaginação. Quando você imagina você esta construindo imagens e todas as imagens pertencem ao passado. Não recolha o passado e não aspire a qualquer futuro. Então a imaginação se vai. Ela não permanece mais na mente. Tudo na mente vem do passado.
J. Quando você, diz para não pensar em nada, é como me pedir para não pensar em Hipopótamo. O primeiro pensamento que vem à mente é claro, é hipopótamo.
P. Eu não estou pedindo a você para não pensar em nada. O que eu estou dizendo é, “não imagine coisa alguma que pertença ao passado, ao presente e ao futuro. Se você está livre de todas as imaginações, você também está livre do tempo, porque qualquer imagem o lembrará do tempo e manterá você dentro dessa janela. No estado acordado você vê imagens: de pessoas, de coisas de idéias. Quando você vai dormir, tudo isso se desvanece. Agora, quando você está dormindo, onde estão todas essas imagens? Onde estão as pessoas? Onde estão as coisas?”.
J. Em sonho essas coisas ainda estão lá. Elas não vão embora quando eu durmo.
P. Você está descrevendo o estado de sonho. Eu estou falando sobre o estado de sono. Eu lhe mostrarei. A que hora você dorme?
J. Por vota de 11:30 da noite.
P. Pense sobre esse ultimo segundo, aquele após 11:29 minutos e cinqüenta e nove segundos. O que acontece naquele segundo final? O sexagésimo segundo pertence ao estado de sono ou ao estado de vigília?
J. É uma zona intermediaria, nem aqui nem lá.
P. Agora vamos falar sobre um segundo mais tarde. O sexagésimo segundo já se foi. Agora mesmo você falou de “aqui” e “lá”. Onde é aqui e lá no primeiro instante de sono? Naquele instante, você rejeita tudo: todas as imagens, todas as coisas, todas as pessoas, todos os relacionamentos. Todas as idéias se foram naquele instante quando você saltou para dentro do sono. Após aquele sexagésimo segundo não há nenhum tempo, nenhum espaço, nenhum país.
Estamos falando agora sobre sono. Agora, após você acordar, descreva para mim o que
aconteceu enquanto você estava dormindo.
J. Havia sonho.
P. Não sonho. Eu estou falando de sono. Sonhar é o mesmo estado que você vê aqui em frente de você. Em sonho, se você vê que um ladrão te roubou ou que um tigre saltou sobre você, você sente o mesmo medo que teria no estado desperto. O que você vê quando você dorme?
J. Nada.
P. Esta é a resposta certa. Agora, por que você rejeita todas as coisas do mundo, coisas que você gosta tanto, meramente para oferecer-se para o estado de “nada”?
J. Eu faço porque estou cansado.
P. Para recarregar energia você vai ao reservatório de energia, aquele estado de nada. Se você não tocar aquele reservatório, o que acontecerá a você, como você ficará?
J. Louco!
P. Sim. Louco. Agora eu lhe direi como permanecer continuamente naquele estado de nada, até mesmo estando estiver acordado. Eu também lhe direi como estar acordado enquanto seu corpo dorme. Isso seria bom, não é? Vamos falar sobre o fim daquele ultimo segundo antes de você acordar do sono. O despertar ainda não aconteceu e o sono está para terminar. Agora, qual é sua experiência no primeiro momento do estado desperto?
J. Meus sentidos me chamam de volta ao mundo.
P. Ok. Agora me diga o que acontece com a experiência de felicidade que você teve enquanto dormia? O que você trouxe das horas de “nada”?
J. Se foi. Eu estou relaxado, revigorado.
P. Então, você prefere a tensão do estado desperto ao invés do relaxamento do sono?
J. Eu tenho uma pergunta sobre isso mais tarde.
P. Se você entender o que eu estou tentando lhe passar, você provavelmente não me fará esta próxima pergunta. Imagine que você acabou de sair do cinema após ver um show. Você vai para casa e seus amigos lhe perguntam, “como foi?” O que você responde?
J. “Foi um belo show”.
P. Você pode trazer a memória das imagens para eles, mas você não trouxe nada de seu sono. Quem acordou? Quem acordou daquele estado de felicidade? Você estava feliz enquando dormia. Se não fosse um estado de felicidade, ninguém estaria desejando “boa noite” a seus bem amados antes deles irem dormir. Não importa quão perto você esteja deles você sempre diz, “boa noite, vou dormir”.
Há algo superior, algo mais alto, algo mais belo sobre o estar só. Pergunte a si mesmo: quando eu acordo, quem acorda? Quando você acordou, você não trouxe a impressão de felicidade que você teve por seis ou sete horas de sono sem sonhos. Você só pode trazer impressões das danças que você viu em seus sonhos. Você tem que criar um novo habito, um habito que você só pode criar em Satsang. Você foi levado ao teatro por seus pais quando era um pequeno garoto. Através dessas viagens você aprendeu como descrever as impressões que seus sentidos receberam, e você também aprendeu a se deleitar com elas. Mas seus pais não puderam ensinálo sobre o que acontece quando você está livre dos sentidos. Isso só pode ser conhecido em Satsang, e esta é a razão de você estar aqui. Assim, eu lhe perguntarei de novo: Quando você
acorda, quem acorda?
J. É o “eu” que acordou.
P. Ok. O “eu” acordou. Quando o eu acorda, o passado, o presente e o futuro também acordam. Isso significa que o tempo e o espaço também acordam. E com o tempo e espaço acordam, o sol acorda, a lua acorda, as estrelas acordam, montanhas acordam. Rios acordam, florestas acordam, homens pássaros e animais todos acordam. Quando o “eu” acorda, tudo o mais acorda. Enquanto esse “eu” estava dormindo durante o estado de sono, tudo estava quieto. Se você não tocar o “eu” o qual acordou, você experienciará a felicidade do sono estando acordado. Faça isso por um único segundo, meio segundo, um quarto de um único segundo.
Não toque o “eu”. O “eu” é algo que podemos viver sem. Não toque o “eu” e diga-me se você não está dormindo.
J. Está certo. Naquele instante, tudo parece como um sonho.
P. Isso é chamado acordar enquanto dorme e dormir enquanto acordado. Você está sempre em felicidade, sempre acordado. Esse acordar é chamado de Conhecimento, Liberdade, Verdade.
Não toque os nomes. Livre-se de todas as palavras que você já ouviu até agora de onde quer que seja. E você verá quem você realmente é.
J. (Silencio)
P. Agora, não durma!"

"Keep quiet" - (Papaji)


"Papaji sempre negou que tivesse qualquer “ensinamento”. O que ele possuia, entretanto, era uma incrível habilidade de dar às pessoas que vinham ter com ele um insight direto do Eu Real. O seu método não era mandar as pessoas longe para meditar e praticar, como um objetivo espiritual a longo termo na forma de uma experiência espiritual grandiosa, mas sim o de mostrar às pessoas que vinham visitá-lo que a Auto-Consciência é possível aqui e agora se a pessoa a buscasse no lugar do qual surge a mente e o sentimento de identidade individual.

Em seus satsangs o Mestre colocava ênfase apenas no abandonar as identificações, os conceitos, as idéias, cessar todos os esforços e pensamentos, olhar para dentro e apenas ser, permanecendo em silêncio. Encoravaja os buscadores a fazerem isso agora mesmo, neste instante. Insistia na importância de se ter um desejo forte pela libertação, ou liberdade. Aconselhava também os buscadores a perguntarem-se “quem sou eu?” e “de onde eu venho” a fim de chegar na Fonte do eu, do ego.

[Deve ser notado que a expressão que o Papaji e outros discípulos do Ramana Maharshi usa, “keep quiet”, é uma tradução da expressão tamil summa iru, cunhada pelo Bhagavan, significando “permaneça quieto” ou “apenas seja”. Nos textos por mim traduzidos essa expressão, na falta de um par perfeito em português, é traduzida por “fique quieto”, “permaneça/mantenha-se em silêncio” ou “apenas seja”. Tal expressão refere-se a manter uma mente em paz, vazia, sem pensamentos, e não ao silêncio físico fruto de não falar.]"

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"Fique quieto, não pense, não faça esforço algum. Para estar aprisionado é necessário algum esforço, mas não para ser livre. A Paz está além do pensamento e do esforço. Não pense e não faça nenhum esforço, porque isso apenas obscurecerá Aquilo, mas não o revelará. É por isso que permanecer em silêncio é a chave ao oceano de amor e paz.

Essa quietude é a não mente; esse não-pensamento é a liberdade. Identifique-se com este Nada, esse Silêncio, mas tome cuidado para não fazer disso uma experiência, pois aí seria a mente aplicando-lhe um truque com a armadilha da dualidade.

Quando você se questiona “quem está pensando?” você interrompe o processo mental e retorna a sua verdadeira natureza.

O despertar perfeito é possível aqui e agora, para todos os seres humanos, independente da sua educação, prática, ou circunstâncias pessoais. Você já é livre! Qualquer coisa nova que seja obtida será perdida. O que é interno está sempre dentro de você, como seu Eu Real. Este é o substrato imutável sobre o qual suas esperanças e desejos são refletidos. São essas esperanças e desejos que ocultam a sempre-pura Consciência. O Eu Real revelará a si mesmo para si mesmo em um piscar de olhos assim que você abandonar toda esperança e desejo, que são doenças da mente. Mantenha-se em silêncio. Não deixe que surja nenhum pensamento. Não faça nenhum esforço e então em um instante descubrirá que você sempre foi livre.

Você é aquilo dentro do qual todos os acontecimentos acontecem. O que acontece deve acontecer, então permanença enquanto Paz, não afetado por nada. Seja pacífico e esta Paz se espalhará.

A melhor posição a tomar é aquela de não esquecer-se. Cumpra seu papel no mundo, mas não esqueça que tudo é apenas uma peça no palco. (...) Se você viver assim, sabendo que você é o Eu Real, poderá agir em qualquer lugar. Se você souber disso, todas as suas atividades serão muito bonitas, e você nunca irá sofrer. Quando você tiver um insight, uma experiência dessa vazio, você estará feliz o tempo todo, pois saberá que toda a manifestação, todo samsara, é a sua própria projeção.

Para alcançar a felicidade, simplesmente não pense, não deseje, mantenha-se em silêncio, porque pensamentos são o cemitério.

Se o desejo por liberdade é contínuo, todos os hábitos mentais e distrações cairão por terra. Pense apenas na Liberdade e você se tornará Liberdade, porque você é o que pensa. Pense no Self com a mesma persistência que uma dor de dente.

Dentre seis bilhões de pessoas e inúmeros bilhões de animais, quantos realmente desejam a liberdade? Quantos? Eu diria que vinte seria uma estimativa generosa. É um número muito pequeno. Eles são pessoas de sorte. Eles tem uma montanha de sorte, uma montanha de méritos passados. Apenas quando você tem uma montanha de méritos você realmente desejará a liberdade.

Se você não pedir nada e não desejar nada, tudo lhe será dado.

Este ciclo interminável é alimentado pelo desejo, o desejo de desfrutar de objetos sensoriais em um corpo. Quando cessa o desejo, o ciclo também cessa. Este aparentemente interminável ciclo de nascimentos e mortes cessa com a cessação do desejo. Não apenas o nascimento e morte cessam. Quando cessa o desejo, o universo mesmo cessa, como se nunca houvesse existido. É assim que é.

Os desejos serão um problema quando deixarem traços na mente. São os traços que são perigosos, e não os desejos em si. Quando um pássaro voa, ele não deixa marcas no ar. Quando um peixe nada, ele não deixa qualquer marca na superfície da água. Se nós pudéssemos viver sem deixar quaisquer traços, marcas, na mente, nós não teríamos problema algum.

Silêncio é abandonar todo o tornar-se, todos os pensamentos, todas as intenções, todos os conceitos. Simplesmente fique em silêncio.

A auto-inquirição é a verdadeira meditação, concentração na Consciência. Esta Consciência revelará a verdade para si mesmo: nenhum sujeito e nenhum objeto. A decisão “Apenas o Self é real” é meditação. Não direcione a sua mente ao passado ou futuro, mas deixe-a permanencer no aqui-agora sem vacilar, e medite. Medite apenas sobre quem é o meditador. (...) Meditação significa não fazer esforço algum, não agitar nenhum pensamento. Não é uma busca, porque a busca o faz perdê-lo. Meditação é direcionar sem esforço a mente em direção àquela Energia que vivifica a mente.

A suprema devoção é não despertar qualquer pensamento.

Podemos dizer que existem duas formas de expressar o que o Eu Real é: amor (bhakti) e sabedoria (jnana). Esses são também as formas de conhecê-lo. Na vichara, auto-inquirição, você busca a fonte do pensamento. Você retorna à fonte, mergulha nela e permanece enquanto Fonte. Isto é vichara. Esta investigação é chamada de “conhecimento”, jnana. Devoção é amar a sua Fonte. Quando você a ama com amor supremo, extremo, você será levado à Fonte e a conhecerá.

Maya [ilusão] tem uma grande rede com a qual ela pega peixes de diversas formas. Quando um homem rejeita o mundo, o samsara [ciclo de renascimentos, vida ilusória], existem inúmeras armadilhas a sua espreita. Ele pode ser pego de várias maneiras. Ele pode até deixar seus amigos, família e comunidade, mas pode acabar na armadilha de uma nova comunidade, um ashram. Ou ele pode cair na armadilha de ler livros espirituais. Ficar perdido nesses livros é uma grande armadilha. Onde quer que você vá, maya tem uma armadilha lá esperando por você. (...) Você pode ser um devoto que entoa mantras o dia todo, mas então seu rosário acabará sendo sua armadilha. Você pode pensar “Estou contando contas todos os dias. Estou indo bem!” (...) Quem está livre dessas armadilhas? Ninguém. Porque qualquer coisa que você faça ou pense, qualquer coisa que você imagine, é uma armadilha de maya.

Entretanto, deixe-me dizer que todas essas armadilhas são imaginárias. Uma vez que você saiba que elas são todas armadilhas, saberá que elas estão todas em sua imaginação. Não há porta que esteja lhe trancando. Você é livre para sair de qualquer armadilha na qual se encontre.

Qualquer coisa que você experimente, rejeite. Onde quer que você esteja, rejeite este lugar. Qualquer coisa que você perceba, conceba ou veja, rejeite tudo como “não isso, não isso”. Separe-se de todas essas coisas. No final você chegará a algum lugar, a um certo conhecimento, um conhecimento que não pode ser rejeitado. (...) Finalmente, o “eu” individual permanecerá desassociado de qualquer outra coisa, e então ele desaparecerá. E a dualidade desaparecerá com ele.

Para ser o que você é, para permanecer como o que você É, porque você precisaria de um mapa ou guia? Você já está lá. Qual exercício o trará mais perto? Qual caminho espiritual? Sob qual árvore bodhi você precisa sentar-se?

Eu lhe digo: ninguém está preso. Não há prisão. Ninguém é um buscador da liberação porque ninguém existe. Até mesmo a liberação não existe. Quem é você? Quem é aquele que irá meditar?

O ser Iluminado não nasce mais porque não há destino para ele. O destino é apenas para aqueles que não se iluminaram, e eles estão inescapavelmente sob seu poder. Mas para o ser Realizado não há destino desde o momento em que ele Realizou.

Se você souber e entender que é esta Luz, esta Consciência, que está lhe animando, e que é esta Luz que faz todas as suas ações, então você não mais terá qualquer responsabilidade pessoal pelas ações que o corpo fizer. Apenas seja o instrumento para essa Consciência fazer o seu trabalho. Deixe seu corpo agir de acordo com as instruções dessa Consciência. Saiba que você é apenas um instrumento. Se você viver na Consciência, como Consciência, sem tomar nada – tal como um corpo – como “meu”, você viverá uma vida muito livre. Você será a própria liberdade. Você viverá muito bem, muito feliz, sabendo que você é a Consciência que está por trás de tudo, e não nenhum dos dramas que se manifesta nela. O sofrimento pode surgir, a felicidade por surgir; eles podem surgir ou desaparecer, mas você não ficará chateado ou exaltado, pois conhecerá a verdade, que é a Consciência, e estará vivendo nela.
Enquanto houver sujeito-objeto, ou qualquer dualidade, você está sonhando. Quando você acordar perceberá que nada jamais existiu."

Fonte: http://www.advaita.com.br/Papaji/ensinamentospapaji.htm

Silence - (video Adyashanti)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Poder do Silêncio - (Eckhart Tolle)


"A calma é a nossa natureza essencial. O que é a calma? É o espaço interior ou a consciência onde as palavras aqui escritas são assimiladas e se transformam em pensamentos. Sem essa consciência, não haveria percepção, não haveria pensamentos nem mundo. Você é essa consciência em forma de pessoa.

Quando você perde contato com sua calma interior, você perde contato com você mesmo. Quando perde esse contato, você fica perdido no mundo. Sua mais íntima noção de si mesmo, de quem você é, não pode ser separada da calma. Ela é o EU SOU, mais profundo do que seu nome e da sua forma externa.

O equivalente ao barulho externo é o barulho interno do pensamento. O equivalente ao silêncio externo é a calma interior. Sempre que houver silêncio à sua volta, ouça-o. Isso significa: apenas perceba-o. Preste atenção nele. Ouvir o silêncio desperta a dimensão de calma que já existe dentro de você, porque é só através da calma que você pode perceber o silêncio. Note que, quando você percebe o silêncio à sua volta, você não está pensando. Você está consciente do silêncio, mas não está pensando.

Quando você percebe o silêncio, instala-se imediatamente uma calma alerta no seu interior. Você está presente. Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano coletivo.

Olhe para uma árvore, uma flor, uma planta. Deixe sua atenção repousar nelas. Note como estão calmas, profundamente enraizadas no Ser. Deixe que a natureza lhe ensine o que é a calma.

Quando você olha para uma árvore e percebe a calma da árvore, você também se acalma. Você se conecta à árvore num nível muito profundo. Você sente uma unidade com tudo o que percebe na calma e através dela. Sentir a sua unidade com todas as coisas é amor.

O silêncio ajuda, mas você não precisa dele para encontrar a calma. Mesmo se houver barulho por perto, você pode perceber a calma por baixo do ruído, do espaço em que surge o ruído. Esse é o espaço interior da percepção pura, da própria consciência. Você pode se dar conta dessa percepção como um pano de fundo para tudo o que seus sentidos apreendem, para todos os seus pensamentos. Dar-se conta da percepção é o início da calma interior.

Qualquer barulho perturbador pode ser tão útil quanto o silêncio. De que forma? Abolindo a sua resistência interior ao barulho, deixando-o ser como ele é. Essa aceitação também leva você ao reino da paz interior que é a calma. Sempre que você experimenta a calma e fica em paz.

Preste atenção nos intervalos - o intervalo entre dois pensamentos, o curto e silencioso espaço entre as palavras e frases numa conversa, entre as notas de um piano ou de uma flauta ou o intervalo entre a inspiração e a expiração. Quando você presta atenção nesses intervalos, a percepção de "alguma coisa" se torna apenas percepção. Dentro de você surge a pura consciência desprovida de qualquer forma. Você deixa então de identificar-se com a forma.

A verdadeira inteligência atua silenciosamente. A calma é o lugar onde a criatividade e a solução dos problemas são encontradas.

Será que a calma e o silêncio são apenas a ausência de barulho e de conteúdo? Não, a calma e o silêncio são a própria inteligência, a consciência básica da qual provêm todas as formas de vida. A forma de vida que você pensa que é, vem dessa consciência e é sustentada por ela. Essa consciência é a essência das galáxias mais complexa e das folhas mais simples. É a essência de todas as flores, árvores, pássaros e demais formas de vida.

A calma é a única coisa no mundo que não tem forma. Na verdade, ela não é uma coisa nem pertence a este mundo.

Quando você olha num estado de calma para uma árvore ou uma pessoa, quem está olhando? É algo mais profundo do que você. A consciência está olhando para a sua própria criação. A Bíblia diz que Deus criou o mundo e viu que era bom. É isso que você vê quando olha num estado de calma, sem pensar em nada.

Você precisa saber mais coisas do que já sabe? Você acha que o mundo será salvo se tiver mais informações, se os computadores se tornarem mais rápidos ou se forem feitas mais análises intelectuais e científicas? O que a humanidade precisa hoje é de mais sabedoria para viver.

Mas o que é sabedoria e onde ela pode ser encontrada? A sabedoria vem da capacidade de manter a calma e o silêncio interior. Apenas veja e ouça. Não é preciso nada além disso. Manter a calma, olhando e ouvindo, ativa a inteligência que existe dentro de você. Deixe que a calma interior oriente suas palavras e ações [...medite].

A maioria das pessoas passa a vida toda aprisionada nos limites dos próprios pensamentos. Nunca vai além das estreitas idéias já feitas, do sentido do "eu" condicionado ao passado.

Em você, como em cada ser humano, existe uma dimensão de consciência bem mais profunda do que o pensamento. É a essência de quem você é. Podemos chamá-la de presença, de percepção, de consciência livre de condicionamentos. Nos antigos ensinamentos religiosos, essa consciência é o Cristo interior ou a sua natureza búdica.

Descobrir essa dimensão liberta você do sofrimento que causa a si mesmo e aos outros, quando você conhece apenas esse pequeno "eu" condicionado e deixa que ele conduza sua vida. O amor, a alegria, a criatividade e a verdadeira paz interior só podem entrar em sua vida quando você atinge essa dimensão de consciência livre de condicionamentos.

Se você reconhecer, mesmo esporadicamente, que os pensamentos que passam por sua cabeça são meros pensamentos; se você consegue se dar conta dos padrões que se repetem em suas reações mentais e emocionais, é sinal de que essa dimensão de consciência está emergindo. Ela é o espaço interno em que o conteúdo de sua vida se desdobra.

A corrente do pensamento tem uma enorme força que pode muito facilmente levar você de roldão. Cada pensamento tem a pretenção de ser extremamente importante. Cada pensamento quer sugar sua completa atenção.

Eis um novo exercício espiritual para você praticar: não leve seus pensamentos muito a sério!

Com muita facilidade as pessoas ficam aprisionadas nas armadilhas de seus próprios pensamentos!

Como a mente humana tem um imenso desejo de saber, de compreender e de controlar, ela confunde opiniões e pontos de vista com a verdade. A mente afirma: "as coisas são exatamente assim". Você precisa ir além dos seus pensamentos para perceber que, ao interpretar a "sua vida" ou a vida e o comportamento dos outros, ao julgar qualquer situação, você está expressando apenas um ponto de vista entre muitos possíveis. Suas opiniões e pontos de vista não passam de um punhado de pensamentos. Mas a realidade é outra coisa. Ela é um todo unificado em que todas as coisas se interligam e nada existe em si e por si. Pensar fragmenta a realidade, cortando-a em pequenos pedaços, em pequenos conceitos.

A mente pensante é uma ferramenta útil e poderosa, mas torna-se muito limitadora quando invade completamente a sua vida, impedindo você de perceber que a mente é apenas um pequeno aspecto da consciência que você é.

A sabedoria não é um produto do pensamento. A sabedoria é um profundo conhecimento que vem do simples ato de dar total atenção a alguém ou a alguma coisa. A atenção é a inteligência primordial, a própria consciência. Ela dissolve as barreiras criadas pelo pensamento, levando-nos a reconhecer que nada existe em si e por si. A inteligência une a pessoa que percebe ao objeto percebido, num campo unificado de percepção. É a atenção que cura a separação."

Fonte: http://www.eradourada.com.br

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vende-se a alma - (Otávio Leal)


Vende-se saúde e compra-se doenças.
vende-se exercícios saudáveis e compra-se preguiça.
vende-se equilíbrio e compra-se desarmonia.
vende-se vida e compra-se morte.
vende-se coragem e compra-se medo.
vende-se compaixão e compra-se competição
vende-se vocação e compra-se a escravidão.
vende-se originalidade e compra-se a moda.
vende-se estudo e compra-se a TV.
vende-se teatro e compra-se a internet.
vende-se fazer amor e compra-se sites pornôs.
vende-se alma e compra-se o “ser normal”.
vende-se espírito e compra-se a matéria.
vende-se natureza e compra-se São Paulo.
vende-se Gandhi e compra-se Bush.
vende-se coragem e compra-se o pavor.
vende-se movimento e compra-se a paralisia.
vende-se “te amo” e compra-se o “vamos ficar”.
vende-se paz e compra-se o conflito.
vende-se perdão e compra-se processos.
vende-se amor apaixonado e compra-se uma relação “segura”.
vende-se trabalho criativo e compra-se um emprego que dê uns trocados.
vende-se contentamento e compra-se consumismo sem ética.
vende-se solidariedade e compra-se competição.
vende-se aventura e compra-se estabilidade.
vende-se tesão e compra-se rigidez.
vende-se movimento e compra-se inércia.
vende-se convivência amorosa e compra-se isolamento num apartamento.
vende-se liberdade e compra-se prisões.
vende-se árvores e compra-se prédios.
vende-se autogestão e compra-se prefeituras.
vende-se Budas e compra-se Lulas.
vende-se Danças sagradas e compra-se futebol.
vende-se prazer e compra-se poder.
vende-se autogestão e compra-se governos.
vende-se risco e compra-se imobilidade.
vende-se alegria e compra-se sofrimento.
vende-se equidade e compra-se exploração.
vende-se igualdade e compra-se hierarquia.
vende-se carinho e compra-se tortura.
vende-se diferença e compra-se preconceito.
vende-se manejo sustentável e compra-se depredação.
vende-se autonomia e compra-se subordinação.
vende-se indivíduos iluminados e compra-se massa inconsciente.
vende-se agora e compra-se futuro.
vende-se sinceridade e compra-se fobia.
vende-se real e compra-se imaginário.
vende-se sanidade e compra-se loucura.
vende-se sim e compra-se não.
vende-se cooperação e compra-se chantagem.
vende-se brincadeiras e compra-se seriedade.

Texto inspirado e baseado no Jornal Tesão, abril – setembro 2009
Fonte: http://www.humaniversidade.com.br/boletins/vende_alma.htm

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que é AMOR? - (Osho)


"O que é AMOR ?
AMOR é radiância, a fragância de conhecer a si mesmo, de ser você mesmo.
AMOR é uma alegria transbordante. AMOR é quando você viu quem você é; então não resta nada exceto compartilhar o seu ser com outros. Amor é quando você viu que não está separado da existência.
AMOR é quando você sentiu uma unidade orgânica, orgástica com tudo que é.
AMOR não é um relacionamento. Amor é um estado de ser; não tem nada a ver com nenhuma outra pessoa. A pessoa não está em AMOR, ela é amor. E é obvio que quando alguém é amor, ele está em amor – mas isso é uma conseqüência, um subproduto, não é a fonte. A fonte é que a pessoa é amor.

Amor é quando você conheceu o seu céu interior.
AMOR é um profundo desejo de abençoar a existência toda."

O Observador e a Coisa Observada - (Jiddu Krishnamurti)


"Tende a bondade de continuar a acompanhar-me um pouco mais. Esta matéria poderá ser um tanto complexa e sutil, mas, por favor, continuai comigo a investigá-la.

Pois bem; quando formo uma imagem a respeito de vós ou de qualquer coisa, tenho a possibilidade de observar essa imagem e, assim, há a imagem e o observador da imagem. Vejo uma pessoa, suponhamos, de camisa vermelha, e minha reação imediata é de gostar ou não gostar dessa camisa. O gostar ou não gostar é resultado de minha cultura, de minha educação, minhas relações, minhas inclinações, minhas características adquiridas ou herdadas. É desse centro que eu observo e faço meu julgamento, e, assim, o observador está separado da coisa que observa.

Porém, o observador está percebendo mais do que uma só imagem; ele cria milhares de imagens. Ora, o observador difere dessas imagens? Não é ele apenas outra imagem? Está sempre a acrescentar ou a subtrair alguma coisa do que ele próprio é; ele é uma coisa viva, a todas as horas, ocupada em pesar, comparar, julgar, modificar, mudar, em virtude de pressões do exterior e do interior; vive no campo da consciência, que são seus próprios conhecimentos, as influências e avaliações inumeráveis. Ao mesmo tempo que olhais o observador, que é vós mesmo, vedes que ele é constituído de memórias, experiências, acidentes, influências, tradições e infinitas variedades de sofrimento, sendo tudo isso o passado. Assim, o observador é tanto o passado como o presente, e o amanhã o aguarda e faz também parte dele. Ele está meio vivo, meio morto, e com essa morte e vida é que observa. Nesse estado mental, situado no campo do tempo, vós (o observador) olhais o medo, o ciúme, a guerra, a família (a entidade feia e fechada chamada a família), e procurais resolver o problema da coisa observada, a qual é o desafio, o novo; estais sempre a traduzir o novo nos termos do velho e, por conseguinte, vos vedes num conflito perpétuo.

Uma imagem-, na qualidade de observador, observa dúzias de outras imagens, ao redor e dentro de si mesmo, e o observador diz: "Gosto dessa imagem, vou conservá-la", ou "Não gosto dessa imagem e, portanto, vou livrar-me dela" - mas o próprio observador foi formado pelas várias imagens, nascidas da reação a várias outras imagens. Assim sendo, alcançamos um ponto em que podemos dizer: O observador é também imagem, porém separa a si próprio para observar. Esse observador, que se tornou existente por causa de várias outras imagens, julga-se permanente e entre si próprio e as demais imagens criou uma separação, um intervalo de tempo. Isso gera conflito entre ele e as imagens que ele crê serem a causa de suas tribulações. Diz, então: "Preciso livrar-me desse conflito", mas o próprio desejo de livrar-se do conflito cria outra imagem.

O percebimento de tudo isso, que é a verdadeira meditação, revela haver uma imagem central, formada por todas as outras imagens, e essa imagem central - o observador - é o censor, o experimentador, o avaliador, o juiz que deseja conquistar ou subjugar as outras imagens ou destruí-las de todo. As outras imagens resultam dos juízos, opiniões e conclusões do observador, e o observador é o resultado de todas as outras imagens - portanto, o observador ê a coisa observada.

Assim, o percebimento revela os diferentes estados da mente; revela as várias imagens e a contradição entre elas existente; revela o conflito daí resultante e o desespero por não se poder fazer coisa alguma em relação ao conflito, e as diferentes tentativas de fugir dele. Tudo isso foi revelado pela vigilância cautelosa, hesitante, e percebe-se, então, que o observador é a coisa observada. Não é uma entidade superior que se torna consciente dessas coisas, não é um "eu" superior (a entidade superior, o eu superior são meras invenções, outras tantas imagens); o próprio percebimento revelou que o observador é a coisa observada.

Se fazeis a vós mesmo uma pergunta, quem é a entidade que vai receber a resposta? E quem é a entidade que vai investigar? Se essa entidade faz parte da consciência, se faz parte do pensamento, nesse caso ela é incapaz de descobrir a resposta. O que pode descobrir é apenas um estado de percebimento. Mas, se nesse estado de percebimento continua a existir uma entidade que diz: "Preciso estar cônscia, preciso praticar o percebimento" - essa entidade, por sua vez, é mais uma imagem.

Esse percebimento de que o observador é a coisa observada não é um processo de identificação com a coisa observada. Identificar-nos com uma dada coisa é relativamente fácil. A maioria de nós se identifica com alguma coisa: com a família, o marido, a esposa, a nação; e essa identificação leva a grandes aflições e grandes guerras. Estamos considerando uma coisa inteiramente diferente, que não devemos compreender verbalmente, porém no âmago, na raiz mesma de nosso ser. Na China antiga, um artista, antes de começar a pintar qualquer coisa, uma árvore, por exemplo - ficava sentado diante dela durante dias, meses, anos (não importa quanto tempo) até ele próprio ser a árvore. Ele não se identificava com a árvore, mas era a árvore. Isso significa que não havia espaço entre ele e a árvore, não havia espaço entre o observador e a coisa observada, não havia um experimentador a experimentar a beleza, o movimento, o matiz, a intensidade de uma folha, a "qualidade" da cor. Ele era totalmente a árvore, e só nesse estado podia pintá-la.

Qualquer movimento por parte do observador, se ele não percebeu que o observador é a coisa observada, só cria outra série de imagens e, mais uma vez, nelas se vê enredado. Mas, que sucede, quando o observador percebe que o observador é a coisa observada? Andai devagar, bem devagar, pois estamos examinando uma coisa muito complexa. Que sucede? O observador não age, absolutamente. O observador sempre disse: "Tenho de fazer algo em relação a essas imagens; devo recalcá-las ou dar-lhes uma forma diferente"; está sempre ativo em relação à coisa observada, agindo e reagindo, apaixonada ou indiferentemente, e essa ação de gostar e não gostar, por parte do observador, é chamada ação positiva - "Gosto desta coisa, portanto, devo conservá-la; não gosto daquela, portanto, tenho de livrar-me dela". Mas, quando o observador percebe que a coisa em relação à qual está agindo é ele próprio, não há então conflito entre ele e a imagem. Ele ê ela. Não está separado dela. Quando separado, ele fazia ou tentava fazer alguma coisa em relação a ela; mas, ao perceber que ele próprio é aquilo, não há mais gostar nem não gostar, e o conflito cessa.

Pois, que pode ele fazer? Se uma coisa é vós, que podeis fazer? Não podeis revoltar-vos contra ela, ou fugir dela, ou, mesmo, aceitá-la. Ela existe. Assim, toda ação resultante da reação, de gostar e não gostar, cessa.

Descobrireis, então, que há um percebimento que se torna extremamente vivo. Não está sujeito a nenhum fator central ou a alguma imagem, e dessa intensidade de percebimento provém uma diferente qualidade de atenção e a mente, por conseguinte (pois a mente é esse percebimento), se torna sobremodo sensível e altamente inteligente."


Liberte-se do Passado

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

EU SOU - (video Flavio Siqueira)



http://flaviosiqueira.wordpress.com/

A Voz do Conhecimento - (D. Miguel Ruiz)


"A letra A é um A porque assim declaramos e concordamos. A palavra cão descreve o tipo de animal que concordamos em chamar de cão. Usado assim, o conhecimento é só uma ferramenta de comunicação. Mas é mentira quase tudo o que é abstrato, o que é certo ou errado, o que é bom ou mal, o que é belo ou feio. Descobri que mais de noventa por cento dos conceitos que tinha armazenado na mente se baseavam em mentiras, principalmente os conceitos que tenho a meu respeito: posso fazer isso; não posso fazer aquilo. Sou desse jeito; jamais serei daquele outro. O problema não reside realmente no conhecimento mas naquilo que contamina o conhecimento - a mentira. Percebi que havia muita insensatez na forma como aprendemos a escrever nossas histórias. Como isso aconteceu? Antes do meu nascimento neste corpo físico, já havia aqui uma sociedade inteira de contadores de histórias. A história estava em pleno curso, e a partir deles aprendi como criar a minha.”

Tem que ser agora mesmo - (ensinamentos da Gangaji)


(Traduzido do inglês por Darshano Swamdarsh. Tradução revista por Carla Sherman.)

"Estou aqui para lhe trazer a sugestão de minha mestra, Gangaji, para que neste momento você pare de buscar qualquer coisa que seja. Mais especialmente, que você pare de buscar a iluminação, que é uma metáfora para a felicidade. Pare de buscar a felicidade.
Como se para de buscar a felicidade, a iluminação, ou qualquer coisa que seja? É realmente bastante simples. Você apenas permite que o farol da sua atenção relaxe em sua fonte. É muito simples: relaxe. Simplesmente não preste a menor atenção em nenhum de seus pensamentos. Incondicionalmente, não preste atenção aos pensamentos, e simplesmente permita que sua atenção relaxe no infinito oceano de consciência que é a sua natureza. Se o impulso de buscar parecer tão poderoso que você pensa que não pode relaxar sua atenção, então minha sugestão é que você use todo o esforço, a inteligência e os recursos que você tenha à sua disposição para encontrar a si mesmo.
Abandone toda busca de qualquer outra coisa que não seja o seu ser. A verdade é que isso é realmente fácil. Todo o melodrama espiritual tem uma única conclusão: o fim da busca de qualquer coisa que seja, e a descoberta de que tudo que você sempre desejou já está aqui, como você mesmo. Se permitir que sua atenção relaxe na consciência, você encontrará a si mesmo. Se concentrar todo o esforço de sua atenção na busca de si mesmo, você encontrará a si mesmo. Nada mais tem qualquer utilidade.
Esta é a sugestão de minha Mestra. Isto é o que ofereço a você: pare agora mesmo. A iluminação é um mito. Todo o entendimento espiritual que você tem, todos os conceitos espirituais conservados a fim de continuar sua busca da felicidade, da verdade, da paz e da liberdade, são as únicas coisas que o impedem de encontrar a felicidade, a verdade, a paz que é o seu ser, a liberdade que é a sua natureza. Se você não consegue parar, descubra quem não consegue parar. A coisa mais impressionante é que no próprio coração do buscador, no coração daquele que não consegue abandonar a busca; no próprio coração do ego, no próprio coração do "eu" que se apega, que necessita, que quer, é onde seu ser há de ser encontrado. Seu ser, que é presença infinita, eterna e que está sempre aqui. Neste momento, é possível descobrir, de uma vez por todas, quem você é, sem considerar sequer o que isso deve ser.
Todos nós já ouvimos o que vamos descobrir. Todos nós adotamos idéias e conceitos magníficos acerca do que é o nosso ser. Adotamos idéias de como se sente alguém que encontrou a felicidade e qual é a sensação de "despertar" ou de "realização". Utilizamos essas coisas com nenhum outro objetivo a não ser o monitoramento do estado que está presente, a fim de determinar se ele condiz com o estado de "iluminação" ou "despertar" ou "realização". Assim, nos mantemos a uma distância segura disto que estamos procurando desde o momento em que nascemos: nosso ser.
Ouvi dizer que esse negócio de auto-investigação é apenas para alguns poucos seres especiais, para os mais "perspicazes". Entretanto, a minha experiência é que isso é tão simples, que está tão completamente disponível, que não requer nada mais do que a determinação de encontrar a si mesmo. Qualquer pessoa, neste momento, pode provar a natureza real de si mesma e, ao prová-la, a busca está encerrada. Não importa se formas-pensamento de busca, o imaginário da busca, os velhos hábitos e comportamentos neuróticos continuam a se manifestar. A busca está terminada.
Isso é tudo que você precisa fazer. Tudo que qualquer pessoa precisa fazer. Esqueça tudo que você sabe sobre absolutamente tudo, e descubra exatamente o que você é, neste momento: que sabor você tem, qual é a sensação de "você", o que é este "eu".
Isso é o que eu tenho para lhe dizer. Estou aqui para falar sobre o mito da iluminação; estou aqui para lhe falar sobre você mesmo. Estou aqui para lhe oferecer, a cada momento, em cada encontro, sempre agora mesmo, esta REALIDADE de "você mesmo" que é impressionante, inacreditável e intocável por qualquer idéia."

domingo, 9 de agosto de 2009

Homenagem ao "Pai Terreno" e "Pai Divino" - uma unica face, a Presença Eu Sou





"Shower of Grace
River of Love
Ocean of Peace and Truth

This Joyous World,
A Divine Play.

All This -
We Are.

Om"



***Paizinho,
Toda minha gratidao e amor!
Sou com vc!

sábado, 8 de agosto de 2009

Ensinamento da Vedanta - (Swami Vivekananda)


"O mundo não é bom nem mau; cada homem constrói seu próprio mundo. Um cego pensa num mundo duro ou macio, frio ou quente. Somos uma mistura de felicidade e sofrimento, como já tivemos ocasião de comprovar centenas de vezes em nossa vida. Em geral os jovens são otimistas e os velhos, pessimistas. Os jovens têm a vida diante de si, os velhos queixam-se de que seu tempo já passou; centenas de desejos insatisfeitos debatem-se em seus corações. Contudo ambos são tolos. A vida é boa ou má de acordo com o estado de espírito com que a contemplamos. Em si mesma, não é nada. O fogo, em si mesmo, não é bom nem mau. Quando somos aquecidos por ele, dizemos: “Como é lindo o fogo!” Ao queimar-nos os dedos, nós o condenamos. De acordo com o uso que fazemos dele, ele nos causa uma sensação boa ou má. O mesmo se dá com o mundo. É irrepreensível, no que se refere a estar perfeitamente habilitado para realizar seus desígnios. Podemos estar certos que continuará a existir maravilhosamente bem sem nós, e por isso não precisamos ter a preocupação de querer ajudá-lo.

Precisamos fazer o bem. O desejo de fazer o bem é a nossa maior e mais poderosa aspiração, desde que tenhamos plena consciência de que é um privilégio ajudar aos outros. Não suba num pedestal, com cinco centavos na mão, e diga: “Tome, meu pobre coitado.” Seja grato que o mendigo esteja ali, porque ao dar-lhe uma esmola, você está ajudando a si mesmo. Abençoado não é quem recebe, mas sim, quem dá. Dê graças por poder exercitar sua bondade e compaixão nesse mundo, tornando-se, dessa forma, puro e perfeito."

Fonte: Swami Vivekananda, "O que é Religião", pág. 223 e 224.

Purificar-se, necessário. Purificar, se necessário - (Tales Nunes)


"O que é purificação? Em que consiste purificar-se? Venho refletindo sobre isso nos últimos dias. Talvez eu não fale nada de novo, mas não custa falar. Para os que não sabem, será novo, para os que já ouviram, pode ser que sirva de novo.

A partir do julgamento do que é bom ou o que é ruim para nós, temos a idéia de que purificar-nos consiste em nos livrarmos de algo ruim que está nos poluindo. Eu prefiro, porém, tentar quebrar essa dualidade, puro e impuro, sujo e limpo e pensar que purificar-se é renovar-se. Partindo desse princípio, purificação é desvencilharmo-nos, com reverência, daquilo que talvez não seja mais necessário para nós e abrirmos espaço para o novo.

O nosso corpo físico está diariamente se purificando. O ato de excreção, por si só, é uma purificação. Tirar melecas (e colar embaixo da mesa de trabalho), escovar os dentes, soltar pum (seja ele de qualquer natureza sonora ou olfativa) fazem parte do nosso ritual diário de purificação. O Hatha Yoga nos ensina algumas outras técnicas de purificação como Kapalabhati, Nauli Mas o que são esses atos senão formas de deixarmos para trás coisas das quais não precisamos mais? Digo que não precisamos mais porque é evidente que caso a gente insista em manter esses objetos em nosso organismo, eles podem causar desequilíbrios ao mesmo. Assim, um corpo limpo, é um corpo em equilíbrio.

Indo do corpo ao ambiente, penso que temos a tendência de acumular coisas que não nos servem mais, que não são mais úteis: roupas no armário, cacarecos na garagem... Talvez seja muito melhor passar adiante esses objetos estagnados e torná-los úteis a alguém. A estagnação material traz a estagnação energética e vice-versa. Assim, ao limparmos um ambiente da nossa casa, varrermos, mudarmos móveis de lugar, ajudamos a circular a energia estagnada e a renová-la. Talvez ali, naquele ambiente, tenha tanto poeira quanto energia estagnada de anos. E essa energia estagnada nos ambientes que freqüentamos tende-nos a estagnação também. O simples fato de ver as coisas sempre nos mesmos lugares, de percorrermos sempre os mesmo caminhos, trazem à nossa paisagem mental e emocional o mesmo tom, muitas vezes um monótono amarelo burro. Dar cores novas ao dia-a-dia é fundamental para se viver.

Por falar em paisagem mental e emocional, por vezes cultivamos e somos movidos, ou “assombrados”, por pensamentos de situações passadas, pensamentos padrões que são gerados por crenças profundas. Crenças que se encontram nos nossos inconscientes por causa de alguma vivência passada. Essas crenças se manifestam através de pensamentos e emoções que surgem em determinadas situações que vivemos hoje, similares ou não àquelas que as produziram no passado. Esses pensamentos, na maior parte das vezes, não são mais necessários e nos impedem de estar em contato mais próximo e de compreender a situação presente da maneira como ela se coloca para nós. Eles são leves ou densas poeiras do passado que encobrem o nosso presente. Como, então, remover a poeira?

Bom, os pensamentos que vêm à tona gerados por essas crenças profundas, trazem-nos emoções de igual valor, padronizadas e repetidas. Purificarmos pensamentos e emoções seria, portanto, não eliminá-los, pois isso é impossível. Pensamentos e emoções não são “deletáveis”. Mas purificação, aqui, seria dar-se conta dos pensamentos, emoções e os padrões que estão movendo-os, através da observação passiva e pacífica de si mesmo. E a partir daí, então, se necessário, “sugerir-se” o contrário do padrão e cultivar o oposto dos pensamentos e emoções gerados por ele. Essa atitude traz um grande alívio, uma sensação de leveza e liberdade, próprias a toda purificação.

Vamos supor que exista o seguinte padrão inconsciente: “sou responsável pela infelicidade dos outros”. Esse padrão traz à pessoa forte sentimento de culpa interior que a consome e ora faz com que ela se afaste das outras pessoas para tentar aliviar-se desse sentimento, ora a aproxima para tentar apaziguá-lo através de uma falsa ajuda ao outro. Mas, na verdade, a compaixão e não a culpa deveria nos mover a ajudar os outros. Então, para purificação da culpa, que é um sentimento EGOísta, poderiam ser feitas concentrações e meditações no seu oposto, a compaixão. Quanto ao padrão, ele continua lá, mas podemos sugerir, por meio de auto-sugestões, o seu oposto: “somos todos responsáveis por nossas alegrias e tristezas”. Essa, possivelmente, é uma das “faxinas” que ajuda no processo mais sutil de purificação dos pensamentos e emoções.

Resta-nos, talvez, um pequeno e grande impasse. Quando saber se é necessário ou não a renovação, a purificação?

A pergunta fica, mas o alerta vai: é preciso ter o cuidado para não cairmos, movidos por uma insatisfação interior - consigo próprio e às vezes projetada nos outros - no padrão da transformação e entrarmos na “paranóia” de mudança e na crença de que as coisas não estão bem do jeito que estão. Termino, então, como comecei: Purificar-se, necessário. Purificar, se necessário."