quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida - (Luis Fernando Veríssimo)


Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:
"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".
No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa.
A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório.
Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:
-Quem será que estava atrapalhando o meu progresso?
- Ainda bem que esse infeliz morreu!
Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros.
Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas.
Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.
A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?
No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo ...
Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO!
Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida.
Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida.
Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo.
"SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA ... QUANDO VOCÊ MUDA!
VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."
O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos.
A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença.
A vida muda, quando "você muda".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A vida tem tantos tesouros - (Krishnamurti)


"A vida é um fio de navalha e temos que andar por este caminho com cuidado extraordinário e com uma sabedoria flexível.
A vida é tão rica, tem tantos tesouros, nós vamos até ela com o coração vazio; não sabemos como satisfazer nosso coração com a abundância da vida. Somos pobres interiormente, e quando as riquezas nos são oferecidas, nós recusamos. O amor é uma coisa perigosa, ele traz a única revolução que dá felicidade completa. Tão poucos de nós são capazes de amar, tão poucos querem amar.
O amor é um estado de ser no qual todos os problemas são resolvidos. Nós vamos ao poço com um dedal, e assim a vida se torna um negócio de mau-gosto, insignificante e trivial.

Que lugar adorável a terra poderia ser, pois há tanta beleza, tanta glória, tanta amorosidade imperecível. Nós estamos presos na dor e não nos importa sair fora dela, mesmo quando alguém nos aponta uma saída.

Nada pode estragar o amor, pois tudo se dissolve nele – o bom e o mau, o feio e o bonito. É a única coisa que é a sua própria eternidade."


(Trechos do livro “Cartas a uma jovem amiga”, Edit. Terra sem Caminho, pgs 13 /14)

Tornando-se Um com o Senhor - (Sathya Sai Baba)


"No momento em que há um rio isolado, distante do oceano que é a sua fonte e o seu objetivo, então o rio conservará um nome distinto e possuirá uma identidade individual. Mas, uma vez que o rio se funde ao oceano, ele adquiri o sabor do oceano, adquiri a forma do oceano, recebe o nome do oceano. Se você desejar se tornar um com o Senhor, você deve adquirir os sentimentos do Senhor, você deve adquirir a forma do Senhor e você deve adquirir todas as características sagradas do Senhor. Somente então você se tornará um com Ele.
Você tem de sentir que todos os atributos do Senhor devem se manifestar em você. Afirme a si mesmo: "A amplidão mental do Senhor está dentro de mim. Todos os sentimentos abnegados do Senhor estão dentro de mim. O amor ilimitado do Senhor está dentro de mim." Ao viver fielmente esta convicção, então você finalmente atinge a realização de que você e Ele são um. Neste caso, há uma unidade perfeita.
Você deve lutar continuamente por este sentimento de unidade. Você deve fazer todo esforço para obtê-lo. Em seguida, você alcançará essa realização um dia. Este é o objetivo supremo da vida humana. Somente ao alcançar esse lugar, o lugar do qual você originalmente veio, a verdadeira realização será sua."

Recado à mãe divina - (Chandra Lacombe)

"Vem surgindo um novo tempo,
traz glórias do divino
mais puros e atentos
nos tornamos canais do infinito

Mãe divina eu quero ser
um filho realizado
e é perante o seu poder
que me entrego pra se libertado

Como um rio que corre para o mar
correntezas carregam o medo
confiança para atravessar
a fronteira do eu derradeiro

Não há desculpas para se escorar
já foi dito a hora é essa
o Tempo é de se integrar
abraçando o que ainda resta

Estou morrendo para o passado
e nem anseio pelo o futuro
minha coroa tem brilho dourado
provo o néctar do amor maduro"


(Imagens em homenagem ao mestre Prem Baba)



*** Compartilhado por "minha amiga e irmã de alma" Dagmar Witt.
Todo o meu amor e gratidão!

A abelha de minha mente adora beber do lótus azul de Teus pés - (Paramahansa Yogananda)


"Ó Mãe Divina, a abelha de minha mente se absorveu em Teus pés de lótus de luz azul. Ela bebe o mel de Teu amor maternal. Essa Tua abelha real não beberá outro mel que não seja o que é agraciado por Teu perfume.
Ó Mãe Divina, voando acima de todos os jardins de minha fantasia, negando a mim mesmo o mel de todos os prazeres, afinal encontrei a secreta ambrosia de Teu coração de lótus.
Eu era Tua abelha atarefada, que voava pelos campos das encarnações, aspirando o alento das experiências; já não vagarei, pois Tua fragrância apagou a sede de perfume de minha alma."
(Sussurros da Eternidade, ed. 1949)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Oração Druida


Que jamais o teu coração acalante ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do teu caminho sejam sempre vistas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo. Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo. Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz. Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração. Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno. Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável! Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica só se sente.Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser. Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres. Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!"

De Guerreira Ferida para Deusa - (Suzanna Kennedy do Reality Crafting)


Como reconhecer uma Deusa
"A Deusa se libertou de tudo o que não é Divino. Ela desfruta e expressa a sua feminilidade com coragem. Ela acha que tanto os homens, quanto as mulheres, estão mais confortáveis para trabalhar e brincar do que antes. Ela se liberou de seus sentimentos suprimidos de traição e de abandono, e irradia a energia da confiança. Então, outros se tornam acessíveis, baixam as suas defesas, e ela extrai a lealdade e a integridade deles.

Ela trata aos outros com compreensão e gentileza. Entretanto, é perceptível e sabe como traçar os limites, quando apropriado. Ela fala a verdade do seu coração, com respeito, honrando os sentimentos e os outros.

A Deusa carrega uma energia particular, mais elevada, uma vibração mais rápida em seu campo eletromagnético.

Ela criou um ambiente em seu corpo que magnetiza as energias Divinas mais refinadas. O seu corpo se torna uma torre de rádio que ancora as energias celestiais de compaixão profunda e de alegria na Terra e, então, as irradia para fora, em todas as direções.
Há muitos aspectos da Deusa. Ela pode ser como Ísis, expressando o aspecto da Mãe Criadora. Ela pode expressar Afrodite, o aspecto da companheira amorosa, sensual e sexual. Ela pode expressar Kali, a destruidora que não está mais a serviço. Ela pode expressar uma Deusa Guerreira, a protetora que sabe como arrancar e proteger fronteiras.

A diferença agora é que ela está curada e inteira, podendo recorrer a qualquer aspecto da Deusa que lhe sirva melhor em qualquer momento. Ela não se limita mais a agir somente fora da parte da Guerreira Ferida. Ela irradia a energia da União Sagrada dentro dela mesma, e isto atrai um companheiro de União Sagrada para ela no mundo físico. De acordo com o Momento Divino, naturalmente, ela atrairá um Deus para saudar a sua Deusa.

A Lei da Atração opera para atrair outros que são da mesma energia e consciência. Em breve, ela se encontra cercada por Deuses e Deusas - todos vivendo harmoniosamente no Paraíso na Terra que eles criaram de suas energias equilibradas do Amor Divino, Sabedoria Divina e Poder Divino."

Semelhante atrai semelhante - (Osho)


"Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa; pode encontrar o parceiro certo.

Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas. Está perfeitamente bem.

Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.

Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se este surgiu da infelicidade.

Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.

Não peça por um relacionamento a partir da solitude, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio.Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.

Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém.

Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.

Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida.

Ela é somente uma possibilidade. A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda

sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém.

A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade.

E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.

"É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra"?

Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo.

Como você pode ser bom para outra pessoa?

Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.

Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo.

Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.

Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado.

Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo.

Assim você irá florescer.

Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele.

Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino."

domingo, 2 de agosto de 2009

Oração à Divina Mãe


"Ó Divina Mãe,
Que toda a minha fala e as minhas palavras vazias sejam Mantra,
Que toda ação de minhas mãos seja mudra,
Que tudo o que eu comer e beber seja uma oferenda a Ti,
Toda a vez que me deitar, que seja uma reverência diante de Ti,
Que todos os meus prazeres sejam minha total dedicação a Ti,
Que tudo o que eu faça sirva de adoração a Ti."


(Extraido do Livro “Mantras – Palavras de Poder” de Swami Sivananda Radha, Discípula de Swami Sivananda)

Halo - (Beyonce)




"Uma palavra nos liberta de todo peso e dor da vida: Esta palavra é amor."
(Sófocles)

"O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu."
(Michelangelo Buonarroti)

"No momento em que você tem em seu coração esta coisa extraordinária chamada amor, e sente a profundidade, a alegria e o êxtase dele, você descobrirá que para você o mundo é transformado."
(J. Krishnamurti)

"Prema (amor) é como uma corda: Deus está preso ao devoto por meio de prema e não pode mais se afastar dele."
(Ramakrishna)

"Se tomamos refúgio de verdade nos Budas, então deveríamos respeitar suas vontades. Afinal, na vida comum é normal nos adaptarmos de algum modo aos amigos, respeitando seus desejos. A capacidade de fazer isso é considerada uma boa qualidade.
É muito triste se, por um lado, dizemos com muita devoção que tomamos refúgio no Buda, Dharma e Sangha, mas por outro, em nossas ações ignoramos com desprezo aquilo que agrada as Três Jóias. Estamos preparados para seguir os padrões de pessoas ordinárias, mas não os dos Budas e Bodisatvas. Que coisa miserável!
Se, por exemplo, um cristão ama verdadeiramente a Deus, então ele deveria praticar o amor por todos os seres humanos, seus irmãos. De outro modo, ele falha em seguir sua religião: suas palavras e atos estão em contradição."
(Dalai Lama)

sábado, 1 de agosto de 2009

Universal Mother - Ancient Chants, Blissful Grooves

Deus como Mãe Divina - (Swami Sivananda)


O Conceito Indiano de Mãe Divina
Desde a aurora da civilização, quando as pessoas viviam numa socieade matriarcal, existe a adoração da Mãe Divina. Mais tarde, quando a civilização progrediu, e o patriarcalismo gradualmente surgiu, e o pai tornou-se o cabeça família, o homem, então, passou a ocupar a autoridade, bem como as coisas começaram a ficar sob o seu guia e aprovação. Conseqüentemente, houve uma troca de conceitos de Deus; a paternidade de Deus foi estabelecida. Mas a adoração à mãe permaneceu de forma simultânea, e uma vez que o conceito foi psicologicamente mais atraente para o devoto, que via Deus com amor maternal pelo filho, tal qual uma mãe. Subseqüentemente, uma síntese harmoniosa entre a visão paternalista e maternalista de Deus desenvolveu-se na religião Hindu; as pessoas adoram Sita e Rama, bem como Radha e crista de forma unidas.

O conceito de mente humana está baseado na experiência relativa. O idealismo subjetivo, portanto, nos seus estágios iniciais, toma ajuda de analogias objetivas e relativas. Deus não é limitado pelos conceitos abstratos ou concretos. Mas é fácil de estabelecer um relacionamento consciente com a Providência Divina em termos de paternidade benevolente, ou afeição amável da mãe, do que um conceito de um vazio imensurável. Deus pode estar, na realidade, desprovido de qualidades, mas uma colocação de ideais positivos, como virtudes divinas mãe divina, é essencial para a o auto-conhecimento e o progresso espiritual do aspirante.

A mãe é muito querida com seus filhos. Tods têm mais liberdade com a sua mãe do que com qualquer outra pessoa. É a sua mãe que lhe protege, nutre, consola-o, encoraja-o, e lhe cuida. Ela é o primeiro preceptor ou instrutor. A mãe faz qualquer sacrifício pelo seu filho. No campo espiritual, também, o aspirante possui um íntimo relacionamento com a Mãe Divina.

O Upasana ou adoração da Mãe Universal conduz ao alcance do conhecimento do Ser. O Yaksha Prasna, no Kenopanishad, mantém esta idéia. Aproximamo-nos da Mãe Divina com um coração aberto; abrindo nossa mente com franqueza e humildade; tendo pensamentos puros e sublimes; tornando-nos como simples crianças. Desta forma, deve-se pulverizar nosso egoísmo individual, bem como as naturais tendências individualistas, astúcias interesseiras, egotismo e desonestidade. Renda-se de forma completa e dedicada a Divina Mãe. Cante os Seus Mantras. Adorem-nA com fé e devoção.

Navatri é a ocasião mais adequada para a adoração da Mãe Divina. Nesta ocasião, deve-se praticar Sdhana Japa com intensidade. São nove dias muito sagrados para a Mãe Divina. Ligue-se a Mãe Divina através da adoração a Ela. Esta sagrada ocasião simboliza a vitória do superior por sobre o mais inferior; das forças divinas por sobre as inferiores e materialistas; qualidades positivas por sobre as negativas; derrota das qualidades como injustiça, opressão, ódio, orgulho, e todas as coisas não divinas que fazem o homem sofrer.

Adorem a Mãe Divina em todas as Suas manifestações. Ela é o aspecto criativo ou gerador do Absoluto. Ela é o símbolo da energia cósmica. A energia é o fundamento de toda a matéria e sustentação das forças do espírito. A energia e o espírito são inseparáveis. Eles são, essencialmente, unos. Os cinco elementos e suas combinações são as manifestações externas da Mãe Divina. Inteligência, discernimento, poder psíquico, e vontade, são manifestações internas da Mãe Divina. A humanidade é a Sua forma visível. O serviço a humanidade é, portanto, uma forma de adoração a Mãe Divina.

Sinta como que a Mãe Divina enxergando através dos seu olhos, ouvindo através dos seus ouvidos, e trabalhando através de suas mãos. Sinto o corpo, a mente, o Prana, o intelecto, e suas funções como manifestações da Mãe Divina. O UNO, a vida universal, pulsa no coração de todos. Quando percebemos esta Mãe Divina no interior do coração não haverá espaço para ódio e nem para o egoísmo. Mergulhe dentro de você mesmo nesta consciência interna. Sempre medite na Mãe Divina como sendo graça e bondades puras. A misericórdia da Mãe Divina é ilimitada. Ela agrada-se com a simples pureza, por pequena que seja, do coração do devoto. O dia do sagrada Navaratri é uma forma de aproximar-se da Mãe Divina. Não perca esta gloriosa oportunidade. Faça um sincero e profundo esforço para obter a graça da Mãe Divina. Ela irá transformar inteiramente a sua vida, e irá abençoá-lo com o leite da sabedoria divina, vislumbre espiritual e Kaivalya!

Que todos obtenham a graça da Mãe Durga, Parvati, Maya, Kali, Yashoda, etc., etc.!

De coração para coração - (Texto: Liane Alves - Revista Bons Fluidos)


A líder espiritual e humanitária Mata Amritanandamay, ou simplesmente Amma (Mãe, em sânscrito), chega ao Brasil para distribuir abraços ­ sua forma de transmitir o imenso sentimento amoroso que sente por todos os seres e ajudar a despertar nosso próprio amor incondicional, pois é no abraço que um coração vai de encontro ao outro coração.
Texto: Liane Alves

Na fila, o jovem repórter inglês Louis Theroux esperava pacientemente o abraço de Amma, a pequena senhora indiana de pele escura e sorriso aberto que estava ali para receber em seus braços milhares de fiéis numa cidade do sul da Índia. Ele acabava de percorrer o território indiano, entrevistando gurus, sem manifestar a mínima emoção ou qualquer indício de uma experiência espiritual marcante e estava ali para registrar francamente suas impressões para uma série inglesa exibida pela TV a cabo, inclusive no Brasil. Mas a presença de Amma, o clima de devoção e fé, os mantras e os incensos e perfumes de flores pouco a pouco começaram a atuar sobre Louis. Sem mais nem menos, diversos episódios importantes de sua vida surgiram em sua mente e ele passou a sentir um turbilhão de emoções. E começou a chorar. Quando finalmente chegou a abraçá-la, disse que experimentou um sentimento jamais provado de amor e aceitação incondicional. Amma foi o único guru da Índia a tocar verdadeiramente seu coração.
Essa cena se repetiu com milhões de pessoas em todo o mundo. Várias delas sentiram a mesma coisa que o jornalista inglês. Outras não perceberam absolutamente nada. Mas durante os 45 segundos que dura o abraço, às vezes acompanhado de palavras de conforto e estímulo, muita gente garante que sente uma transformação. E por muito tempo o efeito desse abraço pode permanecer. “A sensação é indescritível e muito poderosa. O fluxo de meus pensamentos parou completamente”, garante o terapeuta Wilton Gaya, que hoje representa Amma em um pequeno grupo de adeptos em São Paulo. Em Araruama, no Rio, Amma tem um templo dedicado a ela e, no restante do Brasil, outros grupos se reúnem semanalmente para fazer o satsang ­ a partilha de ensinamentos, cantos e mantras.


MÃE DIVINA UNIVERSAL
Calcula-se que mais de 26 milhões de pessoas já tenham tido a experiência do abraço carinhoso de Amma. Numa sessão, ela pode dar mais de 18 mil abraços e permanecer até 40 horas assim. É nesse ato que ela oferece a bênção divina, ou darshan, como dizem os indianos. Embora sua espiritualidade se expresse por meio das figuras sagradas do hinduísmo ­ ela é considerada pelos seus adeptos como a encarnação da Mãe Divina Universal, na forma de Devi, esposa do deus Shiva ­, Amma insiste no respeito a todas as tradições. “Ela não quer conversões, mas sim que a pessoa encontre a fé dentro de sua própria religião”, garante Wilton. Essa intenção ecumênica é reconhecida: ela presidiu, em 1993, o Parlamento Mundial das Religiões da Organização das Nações Unidas (ONU) e no seu ashram, ou comunidade, na Índia, circulam rabinos e rabinas, padres e freiras e monges budistas.
Vários corações se sentem motivados a doar recursos para sua instituição, a Missão Mata Amritanandamay Math, criada em 1981, cuja ação também é reconhecida pela ONU. A instituição arrecada, ainda, fundos com a venda de livros e CDs e tem a sua disposição um dos maiores, senão o maior, voluntariado do mundo. Mantém escolas e hospitais na Índia e é a líder humanitária e espiritual de maior expressão de seu país, superando até outro guru igualmente famoso por suas obras, o indiano Sai Baba.
Hoje Amma é conhecida como um dos principais líderes humanitários do planeta: foi a que fez a maior doação (US$ 23 milhões) às vítimas do tsunami, em 2004, na Ásia, e a que distribui refeições a pessoas carentes em mais de 33 cidades dos Estados Unidos, sem falar das 53 escolas, dezenas de asilos e centenas de obras assistenciais que mantém na Índia. Atualmente, 22 universidades americanas firmaram convênios de colaboração com a universidade fundada por ela. E seu hospital, especializado em medicina aiurvédica, é considerado o melhor da Ásia.


MENINA FRANZINA
Amma nasceu em Kerala, uma aldeia de pescadores ao sul da Índia, há 54 anos. Como em outros nascimentos divinos, seus adeptos contam que sua vinda foi anunciada com sinais auspiciosos: sua mãe sonhou que dava à luz ao deus Krishna e o bebê nasceu com um tom azul-escuro, a cor com que a divindade é representada.
Mesmo amada pelas crianças, que queriam sempre brincar com a menina que cantava mantras em voz alta e dramatizava cenas do livro sagrado Vedas, sua família a rejeitou pelo seu estranho modo de ser. E houve tempo em que a menina viveu na rua, abandonada. Mas o amor de Amma, ainda chamada de Sudhamani, era tão grande que desde os 8 anos ela começou a atrair outras pessoas para ouvi-la.
Sua união com a Mãe Divina Universal se tornou tão grande que, ainda jovem, Amma conseguiu transcender a si mesma e, segundo seus adeptos, transformar-se na expressão desse ser divino. Diz ela em sua biografia: “Sorrindo, a Divina Mãe se tornou um corpo de luz e se fundiu comigo. Daí em diante, eu mais nada reconheci como separado de meu próprio Ser”. Adotou então o nome de Amritanandamayi, ou Mãe da Eterna Felicidade.
Vestida sempre com sáris brancos e usando um diamante no nariz, Amma vive num quarto de cerca de 6 m2, onde estão uma cama e uma penteadeira. Quando não está no seu ashram, percorre o mundo, distribuindo bênçãos em forma de abraços. “Para Amma, só existe o amor”, diz a própria mestra.


Ágape, o amor divino
O amor incondicional, ou agapé (ágape, em português), já era identificado pelos antigos gregos, que o distinguiam da philia, a amizade, e de eros, o amor carnal. “É o amor que transcende os dois primeiros porque na amizade se amam os ‘meus’ amigos e, no amor carnal, o ‘meu objeto de desejo’”, diz o pensador francês André Comte-Sponville no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (ed. Martins Fontes).
Na amizade e no amor mais erótico, o sentimento nos inclui em primeiro lugar. Mas o amor incondicional é intransitivo: ama-se e pronto, a tudo e a todos com seus limites, defeitos e idiossincrasias. Como diz Sponville, é o amor que Deus tem por nós e que nasce no coração quando Deus ali está presente, quer chamemos pelo seu nome ou não. “É um amor espontâneo e gratuito, sem motivo, sem interesse, até mesmo sem justificação”, afirma o pensador Anders Nygren. Ágape é um amor criador. O amor divino toma como objeto o que não tem nenhum valor em si e lhe dá um valor. Agapé nada tem em comum com o amor que se fundamenta na constatação do valor do outro (como faz o amor erótico e como faz a amizade, quase sempre). O amor incondicional é, portanto, um princípio criador de valor. É o único amor capaz de abranger esta frase de Cristo: “Ama teus inimigos” porque os inimigos são sempre destituídos de valor.
Há um amor que se parece com uma fome, o de eros. Outro que se nutre da alegria, o de philia. Mas há um amor, o de ágape, que se assemelha a um sorriso. Ou, quem sabe, a um abraço.


Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0100/05/05.shtml


Amma's darshan


***Sinta-se abraçado!***

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sri Sarada Devi - videos




Unsolicited Grace: Accounts of Holy Mother Sri Sarada Devi



quinta-feira, 30 de julho de 2009

Monja Coen por Monja Coen




Meu nome é Coen. É um nome composto de dois caracteres chineses. "Co" significa "só" ou "um só, única" (como monos em latim) e "en" significa "círculo perfeito" ou "compleição, perfeição". Há um poema Chinês muito antigo no qual esses caracteres aparecem.
Mente-lua
Única e perfeita
A luz permite todas as formas
Quando luz e formas não são
O que é?
Os poemas Zen budistas são geralmente intrigantes. Manifestam o estado iluminado superior ou conduzem a questionamentos que encorajam a penetração no cerne do ser.
Vocês fizeram um momento de meditação hoje, antes do início deste encontro? Não? Então os convido. Vamos nos sentar sem recostar nas poltronas mantendo as costas retas, os pés firmes no chão, paralelos. Vamos procurar encontrar nosso ponto de equilíbrio balançando o corpo para a esquerda e para a direita como um pêndulo. Ao perceber o centro físico de seu corpo, fique aí. Solte o ar pela boca, profundamente. Esvazie os pulmões de ar e a mente de todos os pensamentos, idéias, conceitos. Coloque as mãos no mudra cósmico, ou seja, a direita por baixo e a esquerda sobre ela, ambas com as palmas para cima, apoiando as costas das mãos no colo e tocando com os dedos mínimos o abdômen. Os polegares em linha reta se tocam de leve, como se houvesse uma finíssima folha de papel entre eles. A ponta da língua no palato atrás dos dentes frontais. Os olhos pousados, entreabertos, num ângulo de 45 graus. Soltando todo o ar, vamos perceber tudo o que é neste instante. Vamos encontrar o ponto de equilíbrio perfeito. Exatamente aqui, exatamente agora. Foco firme e perfeito abrange toda a vida do universo.
Isto é Zen.
Zen significa um estado de meditação profunda. Não é algo que possa ser comprado em alguma loja. Nós temos de fazê-lo!
A palavra vem do sânscrito Dhyana ou Jhana, que os chineses chamaram de Ch'na e os japoneses de Zen.
O Buda histórico, Xaquiamuni, que viveu cerca de 600 anos antes de Cristo, torna-se Buda através da meditação, através do Zen. Num tratado muito antigo, transcrito de um país para outro por monges discípulos de Buda, o Livro da Transmissão da Luz - anais da transmissão dos ensinamentos de mestre a discípulo em sucessão histórica - o episódio de Xaquiamuni Buda é o Prólogo.
Segundo essa narrativa Xaquiamuni Buda sentou-se em Zen por uma semana. As ervas cresceram entre seus braços e pernas, um pássaro fez o ninho na sua cabeça, e teias de aranha cobriram seu corpo. Imóvel e irremovível assim permaneceu.
Na manhã do oitavo dia, depois de sete dias e sete noites de meditação profunda, durante a qual percebeu sua mente cheia de dúvidas, incertezas e tentações, tendo sido de permanecer focalizado no instante absoluto, ao ver a estrela da manhã, subitamente despertou e exclamou:
- Eu e todos os seres do céu e da terra, simultaneamente, nos tornamos o Caminho.
O Caminho é em todos nós! O ser iluminado percebe isto com clareza consciente.
Uma vez perguntaram a Buda:
- O que é a Verdade? Viemos discutir a verdade.
- Então não é sobre a verdade que nós vamos falar, porque a verdade não se discute - ela é! Sendo assim é impossível discutir a verdade.
Quando falamos o verdadeiro, todos entendemos. Não é verdade?
Quando não é a verdade se manifestando sabemos. Por quê?
Não é apenas porque lemos ou estudamos em algum lugar, mas porque todos nós sabemos em nós. Somos a manifestação da verdade do universo.
Há um monge que viveu na China por volta do século VIII. Seu nome era Gensha Shibi. Era uma pessoa simples, um pescador. Uma noite saiu como sempre para pescar com seu pai. O mar estava revolto, Águas turbulentas, ventania. O idoso pescador caiu do barco. O filho tentou, em vão, salvá-lo.
No vazio da noite escura as nuvens se abriram e a lua despejou-se no mar.
Foi nessa circunstância que ele entendeu aquilo que os monges estavam comentando alguns dias atrás. Os reverendos falavam sobre a lua na água, sobre a iluminação da mente, a paz de Nirvana. Gensha Shibi se aquietou.
Ao voltar à praia, deixou seu barco de pesca e foi para o mosteiro.
Anos e anos se passaram. Foi nomeado Abade Superior. Respeitado por monges e leigos que se juntavam para ouvir seus ensinamentos do Darma.



- O universo é uma jóia arredondada. Somos a vida do universo em constante transformação. Não há fora nem dentro.
Quando percebemos o que Gensha Shibi percebeu, quando penetramos no ponto de equilíbrio central do ser como Xaquiamuni Buda, a paz se manifesta, a verdadeira compreensão superior.
Conecta-se com o despertar a noção de profetas de tolerância. Mas creio que hoje em dia temos de ir um passo adiante da tolerância apenas. É preciso conhecer e respeitar as diferenças, compreender.
O XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatzo, embora não seja de minha tradição japonesa e sim do Tibet, é muito respeitado por todos religiosos. Seus seguidores o consideram uma manifestação de Kanzeon Bodhisatva, em Sânscrito é Avaloktesvara Bodhisatva, o bodhistava da Compaixão. Na cosmologia budista, bodhisatva não é um ser humano que se tornou uma divindade ou que era um santo. Seria alguma coisa como se nós falássemos da "santidade", a santidade ela mesma, que pode se manifestar em qualquer um de nós, e que às vezes se manifesta e de outras vezes desaparece. Há momentos em que somos bons e há um momento em que somos maus, por exemplo. Avaloktesvara Bodhisatva.é a capacidade de compaixão total.



Eu nunca encontrei com o Dalai Lama pessoalmente. A última vez em que ele esteve no Brasil, em Curitiba, quase, por um fiozinho, nos encontramos. Mas não foi possível. Tenho acompanhado seus ensinamentos e sua vida pelos livros, filmes, revistas.
Uma de suas histórias é muito interessante. Um monge foi preso, quando a China invadiu o Tibet. Foi torturado e passou por grandes dificuldades. Quando esse aluno é solto, vai se encontrar na Índia com o Dalai Lama. O seguinte diálogo ocorre:
- O que foi mais difícil para você durante esse tempo que esteve preso na cadeia: as torturas físicas, a fome, o medo, as torturas mentais? O que foi mais difícil para você suportar?
- Por um instante, quase que por um breve instante, quase deixei de sentir compaixão por aqueles que me torturavam.
Isso é que é o mais temível: perder a capacidade de tolerância, de compreensão, de compaixão pelo outro... Isso é que é terrível, isso é que é amedrontador.
Mahatma Ghandi usou uma frase que eu acho maravilhosa:
- Devemos ser a transformação que nós queremos do mundo.
Como é que nós queremos este mundo? Depende de cada um de nós, do que fizermos.
Xaquiamuni Buda dizia.que há tantos Budas quanto grãos de areia no Ganges.
Outro aspecto importante é saber que os seres iluminados não estão isentos de discriminações. Isto é um assunto muito sério. Em minhas últimas etapas de treinamento, no Japão, fizemos estudos que poderiam ser chamados de Budismo Crítico. Nós começamos a reler todos os textos sagrados e rever toda a nossa prática religiosa sob o prisma de: será que nós discriminamos ou será que nós permitimos no passado que discriminações, injustiças, guerras e perseguições fossem feitas em nome do Budismo e dos Budas?
Foi um trabalho sério e muito difícil que continua...
Sob o prisma inter disciplinar Xaquiamuni Buda é importante ao transformar todo o sistema de castas da Índia. Ele não nega o sistema de castas (e isso é interessante), mas o vê de uma forma diferente. A casta não é por nascimento, mas sim por comportamento, atitude, gestos, palavras e pensamentos.
"Aquele que age, fala e pensa como um brâmane é um brâmane".
Ele aceitava todos na sua comunidade, igualmente.
Certa feita Xaquiamuni Buda andava por uma rua e do lado oposto caminhava um jovem limpador de fossas, carregando nas costas um recipiente com tudo o que havia tirado das fossas. Quando vê Xaquiamuni Buda se aproximando, fica terrivelmente amedrontado, porque o sistema de castas não permitia um paria se aproximar de alguém de uma casta qualquer. E nessa sua aflição, não tendo para onde fugir, tropeça, cai, espalhando as fezes e urina no meio da rua. . Xaquiamuni Buda se aproxima e o ajuda a se levantar. Este jovem se torna um monge. Assim havia entre sua comunidade pessoas de todas as castas e mesmo aqueles que eram considerados parias (sem casta). Ele teve muitos seguidores.
Também teve seus desafetos. Devadata, um de seus primos monge, era muito ciumento. A comunidade de Buda crescia com muitos discípulos. Devadata querendo ser o líder, ter seus próprios discípulos, provoca cisões. Chega a tentar matar Buda, jogando uma pedra de cima de uma montanha. Buda nunca ficou com raiva dele, nunca sentiu rancor, nunca quis fazer nenhum mal a ele. Os sutras contam que no momento da morte Devadata se arrepende e roga por Buda.
O inferno tenebroso que se abrira imediatamente se transforma num mundo um pouco melhor.
Nesse relato há dois aspectos importantes. Um é que nunca, em nenhum momento, em nenhum sutra(sermão de Buda), em nenhum relato, Xaquiamuni Buda age como violência, com raiva, com rancor ou não-compreensão.
O segundo aspecto é a força do arrependimento. Pode transformar situações.
Entrando aqui a noção do livre arbítrio. Embora o Budismo ensine um universo de causas, efeitos e condições, não é pré-determinismo. Nossa ações transformam. Herdamos inúmeras coisas do passado, não só o DNA, o nosso corpo, a nossa maneira de ser, a nossa educação que recebemos, os nossos pais, as coisas que nos influenciaram na infância, tudo isto está em nós. Está nos formando, entretanto cabe a cada um discernir, escolher como ser.
No convento em que vivi por oito anos, no Japão, a Abadessa constantemente nos lembrava de uma jovem que perdera ambos os braços. Mesmo sem eles tornara-se monja, poetisa, escritora e pintora. Fazia tudo com os pés e a boca.
- O que é que você está reclamando? Você tem as suas duas mãos, você tem seus pés, você tem sua boca e você tem seu corpo, tanta coisa que você pode fazer, Esforce-se!.



Não havia sido fácil para essa monja. Teve momentos de desespero, tristeza, mas persistia - assim como fizera Xaquiamuni Buda sob a árvore da iluminação. Isso impedia o mal, protegendo a pessoa dentro de um campo de força positivo - a nossa determinação. A determinação e a persistência estão muito ligadas com a fé.
Às vezes me perguntam qual é a fé no budismo, se o budismo não fala de Deus. A palavra "Deus", o conceito de Deus não é importante no Budismo. A fé é nos Três Tesouros: Buda - Ser Iluminado, Darma - Lei Verdadeira e Sanga - Comunidade de praticantes em harmonia.
Quando Buda teve a experiência de iluminação, pensou:
- Não vão me entender, ninguém vai me compreender... Eu não vou falar nada, eu vou ficar na montanha em meditação...
Nisso ouve a voz de Brama, que é a divindade superior do hinduísmo.
- Vá e faça como já fizeram todos os Budas do passado! Use meios, expedientes e analogias, mas faça com que as pessoas tenham a mesma percepção que você!
Quando perguntavam a Buda qual a causa primeira, neste universo de causas, condições e efeitos, ele silenciava. Não-palavras...
Certa ocasião fazia uma palestra na PUC em São Paulo quando um dos alunos me perguntou
- E como é Deus para você?
Eu falei:
- Primeiro me diga como é para você. Qual é seu conceito de Deus?O que você está chamando de Deus? Eu não sei o que você está chamando de Deus...
O Professor de Teologia, Fernando Althmeyer interferiu:
- Deus vem de Zeus. E Zeus é "Oh". Não é isto? Aquilo a que não pode se dar nome.
Lembrei-me de uma história Zen, contada por um monge nos Estados Unidos, por volta da década de 30:
" Uma pessoa queria chegar ao fim do mundo. Andou, andou, andou, subiu, desceu, subiu montanhas, desceu montanhas, finalmente chegou ao topo da montanha mais alta e disseram para ele:
- Aqui o mundo acaba!...
Ele deu mais alguns passos e encontrou-se frente a um precipício imenso
Nesse local havia muitas pessoas que tendo chegado ao fim daquilo que conheciam paravam abismadas ou retrocediam ao conhecido.
O praticante Zen nem para nem retrocede. Avança e se entrega àquilo que é absolutamente desconhecido, onde não há mais palavras, não há mais conceitos, não há idéias... Muitas pessoas voltam desse ponto pensando:
- Eu cheguei até onde eu podia ir. Até aqui é o que eu conheço, é até onde a minha maneira de pensar alcança. Se for além daquilo que a minha maneira de pensar alcança, eu não posso penetrar!...
O Mestre Zen diz:
- Aqui e agora é o local e o momento certo. Dê o salto quântico, o encontro com o que nós chamamos no budismo de "eu verdadeiro"."
Esse encontro com o "eu verdadeiro" é que nos permite maior flexibilidade. Isso não implica que imediatamente fique isento de discriminações, como comentei anteriormente acerca do Budismo Crítico.
Xaquiamuni Buda, por exemplo, não queria ordenar mulheres. A primeira monja, Mahaprajapati, segue-o por anos.
Uma das vezes em que Buda vai fazer uma palestra, ela está na porta esperando com os pés ensangüentados, sujos... Mahaprajapati era uma nobre, ela não andava tanto assim... Ananda, que era o atendente de Buda,vendo-a, se apieda e interfere junto ao Mestre.
Xaquiamuni Buda durante sua palestra diz:
- Todos os seres igualmente são seres iluminados, todos sem exceção. Não tem nada a ver com etnia, com inteligência, com nível de aprendizado - todos nós somos seres iluminados. Mas se não houver prática, não há essa percepção. É a própria prática a manifestação do ser iluminado em nós.



Então Ananda levanta-se:
- Todos com certeza?
- Com certeza!
- As mulheres também?
- Claro, as mulheres também, claro!
- Então por que o senhor não ordena as mulheres?
Foi assim que Xaquiamuni Buda iniciou as ordenações femininas.
Foi uma grande mudança, importantíssima! As mulheres eram consideradas seres inferiores, que deveriam ser tocadas com a mão esquerda, considerada impura.
Há pouco tempo o Dalai Lama estava com um grupo de monges e pediu a uma das monjas, que é uma monja do Havaí (que eu até cheguei a conhecer há alguns anos atrás), discípula dele, que conduzisse a meditação. Todos se sentaram e ela começou a meditação de forma inusitada.
- Vamos supor que todas as imagens de Buda fossem femininas, vamos supor que o Dalai Lama fosse uma mulher, vamos supor que quem fizesse a recepção e servisse chá fossem os homens, os monges, vamos supor que as mulheres todas tivessem acesso aos níveis superiores de educação e de ensinamento, e que os monges não...
No final o Dalai Lama chorou:
- Perdão, nunca havia pensado nisso... Nunca havia percebido que nós discriminamos. Eu me comprometo a transformar isso, a mudar.
Eu comecei a praticar nos EUA no começo dos anos 80. Logo, depois de uns dois ou três meses de prática, pedi para ser ordenada monja. Pedia insistentemente porque o meu professor Maezumi Roshi dizia:
- Você nasceu de uma família católica cristã, você não entende nada de budismo, como que você vai virar budista? Não, não é assim, sem entender não pode...
- O tempo que senhor quiser eu fico...
Minha mãe, que é Católica Apostólica Romana, me questionava muito.
- Por que você não se torna freira, minha filha? Se você quer servir a Deus seja uma freira católica... Por que escolher uma religião do outro lado do mundo?
Seu questionamento foi muito importante. Eu precisava responder a ela. Afinal o cristianismo também viera de terras distantes.
Xaquiamuni Buda exortava seus discípulos:
- Vocês não podem ser ordenados sem o consentimento de seus pais. O questionar de minha mãe tornou-se o meu próprio. Estaria traindo Jesus? Então tive um sonho, uma visão, na qual Xaquiamuni Buda e Jesus conversavam como dois grandes amigos e tudo que me parecia tão pesado não existia. Imagine se seres superiores ficariam discutindo, escolhendo: "este é meu... pegou o meu, vamos brigar!" Essas são nossas fantasias. Telefonei para minha mãe. Antes que eu pudesse falar ela me abençoou dizendo:
- Minha filha, eu já entendi, eu a abençôo. Você estará servindo a Deus.
Feliz, fui falar com meu professor. Ele abriu seu calendário e marcou a ordenação. Foi em 14 de janeiro de 1983.
Conheci nessa época, em Los Angeles, o monge Thich Naht Hahn, do Vietnã. Ele é um exemplo vivo de tolerância, de compaixão iluminada. Sempre ajudou os carentes, principalmente os refugiados de guerra. Certa feita estava na Malásia, um dos países que às vezes aceitava, às vezes não aceitava os refugiados. Dois barcos estavam no porto, esperando a decisão das autoridades. O monge se esforçava tentando conseguir alimentos e água para os refugiados. Eram mais de 800 pessoas. Estava uma noite em seu quarto de hotel quando ouviu batidas fortes na porta:
- Polícia! Aqui está sua passagem de volta para Paris ( ele morava em Paris e até hoje vive na França). O sr. saia imediatamente do país, o sr. está sendo um desacato às autoridades locais, não queremos mais o sr. aqui, o sr. saia!
- Ele disse: - Mas eu tenho pessoas, muitas, dependem de mim...
- Não queremos saber, a passagem está aqui, no primeiro vôo amanhã cedo, prepare as malas, viremos buscá-lo!...
Ele ficou desesperado. Ele, que costumava dizer às pessoas cheias de rancor, querendo vingança " chamem pela paz que a paz vem, procure a paz no seu coração!" de repente ele se viu furioso:
- Eu estou com raiva. Estão condenando à morte estas 800 famílias. Não é possível!
Sem conseguir se sentar ele caminhava pelo aposento, coordenando sua respiração com seus passos:
- Eu clamo pela paz..., eu clamo pela paz..., eu invoco a paz..., eu invoco a paz...
Assim respirando e caminhando foi se acalmando. Não sentiu ódio das pessoas, do governo. Lembrou-se de alguém, de um cartão recebido na embaixada. Telefonou, conseguiu adiar o seu vôo algumas horas, tempo suficiente para pôr alimento e água no navio, que pudessem pelo menos tentar um novo porto.
É disto que precisamos em nossa vida. Essa é a mensagem que eu gostaria de trazer para vocês hoje. Quando nos desesperamos, quando parece que não há solução, tantas injustiças, indignidades contra mim, contra a humanidade... Nunca lute! Nós não lutamos pela paz, nós construímos a paz. É diferente. Não se luta, constrói-se com a não-violência ativa, a ação de respeito pelo outro, porque o ser que está agindo injustamente erradamente, discriminando, ferindo, injuriando merece compaixão, e ensinamento.
Não há uma pessoa má, um país inimigo.
Existem situações frutos da ganância, raiva, ignorância - os três venenos que atacam o ser humano.
Contra a ganância, existe a doação: em vez de querer mais e mais para si, passamos a compartilhar, a doar.
Contra a raiva: a compreensão, a compaixão, a tolerância.
Contra a ignorância: a sabedoria iluminada.
Que possamos todos acessar à Sabedoria Iluminada e à Compaixão Suprema fazendo o bem a todos os seres.

Fonte: http://www.monjacoen.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sarada Devi, a Santa Mãe


"Viva em santa companhia. Tente ser puro. E tudo será alcançado gradualmente. Ore a Sri Ramakrishna. Eu estou com você. Por que temer? No tempo certo Ele fará tudo para você."



Sri Sarada Devi (1853-1920) é chamada afetuosamente de "Santa Mãe" por milhões de pessoas ao redor do mundo. Sarada Devi foi a esposa de Ramakrishna, companheira espiritual e uma gigante em espiritualidade por seu próprio mérito. Viveu uma vida muito simples, despretenciosa e extraordinariamente modesta, mesmo assim sua vida e ensinamentos ressoam com a verdade da mais alta realização espiritual. Como a grande discípula de Swami Vivekananda, Sister Nivedita escreveu: “Nela se vêem realizadas aquela sabedoria e doçura que a mais simples das mulheres pode alcançar. E ainda, para mim a grandeza da sua cortesia e sua mente incrivelmente aberta são quase tão maravilhosas quanto a sua santidade. Sua vida é expressa no intenso silêncio da oração.”


Seu Nascimento

A uns cem quilometros a oeste de Calcutá, está situada a pequena aldeia de Jayrambati, onde nasceu a Santa Mãe. Apesar de ser uma aldeia atrasada, a vida transcorria bastante feliz, antes de ser invadida pela malária, que fez estragos durante a segunda metade do século dezenove.
A monotonia da vida dos aldeões, com frequência, era interrompida pela celebração das grandes festas religiosas hindus, tais como Durga Puja, Kali Puja, Dol Purmina, etc, e pelo culto especial que se rendia a várias deidades, entre elas, Shitala, Dharma, Shantinath ( a imagem de Shiva ) e Simhavahini, que era a Deidade tutelar de Jayrambati.
Sri Sarada Devi nasceu em 22 de dezembro de 1853, e foi a primera filha de Ramachandra Mukherji e Shiamasundari Devi. Nascida e criada na atmosfera rural de Jayrambati, ela recebeu a mesma educação das aldeãs pobres da India, pertencentes às castas altas. Era demasiado séria e recatada para entregar-se aos jogos infantis, como faziam as meninas da sua idade.
Aghormani, que foi sua companheira de jogos costumava dizer: A Santa Mãe era muito simples em seus hábitos. Durante as brincadeiras, gostava de fazer papel de dona de casa. Entre seus brinquedos haviam bonecas; mas ela costumava adorar muito devotadamente, com flores e folhas de bilva, as imagens em argila de Kali e Lakshmi. Uma vez, por ocasião do Yagaddhatri Puja, estava meditando tão profundamente que chegou a identificar-se com a deidade a tal ponto, que Ramhridai Ghoshal de Haldepukur, ao vê-la, experimentou grande assombro e reverência.

O Casamento
Enquanto a pequena Sarada crescia, em outra parte da India a grande alma a qual ela estava destinada passava por um grande período de desenvolvimento espiritual. Sri Ramakrishna,nascido em 1836 em Kamarpukur, como terceiro filho de Khudiram Chatterji, se havia tornado, em 1855, em sacerdote de Kali, no templo de Dakshineswar. Desde a infância tinha un temperamento muito devoto e místico. Perdeu todo interesse pela vida mundana, e todo seu tempo passava em um estado de absorção e práctica de austeridades. Se entregou totalmente à oração e à contemplação, esquecendo de comer e dormir; não se dava conta do passar dos dias e das noites. Fizeram então Sri Ramakrishna retornar à casa paterna para administrar-lhe algum tratamento;quando então estando Ramakrishna mais calmo resolveram aplicar-lhe um remédio mais drástico: Arranjariam um casamento para ele.Pensaram que um casamento seria a melhor maneira de atar sua mente ao mundo.
Em seguida começaram as buscas de uma noiva conveniente;mas não foi tarefa fácil. A família Chatteryi era pobre, e as somas que os pais que tinham filhas para casar pediam como dote eram supeiores aos recursos do senhor Rameswar. Para surpresa de todos Ramakrishna aceitou a ìdéia de casar-se e vendo frustrados os esforços de seus pais para arranjar-lhe uma noiva disse:
"Vã é a vossa busca neste ou outro lugar. Ide a Jayrambati e alí,na casa de Ramachandra Mukherji.achareis aquela que está destinada para mim". Pouco tempo depois em maio de 1859 celebrou-se o casamento entre a pequena Sarada e Sri Ramakrishna."

A Divina Esposa de Sri Ramakrishna
A Santa Mãe teve a oportunidade de se familirizar com Sri Ramakrishna por volta de 1867, muito depois do casamento. Sri Ramakrishna não se descuidou dela. Tomou-a sob Seus cuidados e, gradativamente, carinhosamente, impartiu-lhe profundo conhecimento do caráter humano, ensinando-a como viver no espirito de completa resignação a Deus. Ele, literalmente, adorou-a como a Divina Mãe. Afirmando que ela e a Mãe Kali do templo, eram uma só, despertou nela o sentido de maternidade a todas as criaturas. O relato de sua vida simples, austera, auto-apagada e maternalmente amante de todos, é realmente ímpar e ultrapassa todos os exemplos. Sua vida foi uma longa quietude de oração e de singular devoção. Com transbordante afeto, a Santa Mãe era o consolo infalível a todo coração amargurado que buscava refúgio em Seus santos pés, paz eterna e liberação das ansiedades e tribulações da vida do mundo. Homens e mulheres que se aproximavam dela para serem desafogados da extrema tensão de suas aImas afligidas, tornavam-se recipientes de suas bençãos imortais e de doces palavras de amor e sabedoria que acalmavam as dôres pungentes de seus corações, para sempre. Sua vida foi a síntese perfeita dos supremos ideais de Gñana, Bhakti e Karma, raramente encontrados, em tão harmoniosa união, em qualquer parte do mundo. Em sua vida de pura simplicidade, pureza, piedade e auto-dedicação, o hindu atual descobriu a perfeição do ideal da feminilidade, que tanto tem solidificado sua cultura. Ela era única em ser a espôsa dedicada, a perfeita Sannyasini, a mãe afetuosa ,mestra e preceptora. A Santa Mãe entrou em Mahasamadhi a 20 de juiho de 1920, em Calcutá.

O Magnetismo da Personalidade de Sarada Devi
Qual é a fonte do magnetismo deste nome e desta personalidade? Mesmo um tênue conhecimento da sua vida nos fará concluir que este magnetismo não provém de quaisquer aspectos da sua personalidade que sejam reconhecidos pelo mundo moderno como significativos em uma mulher. Por todos os aspectos externos, a Santa Mãe era bastante comum, ou mais que comum. Rústica na simplicidade, quase que iletrada, tímida e modesta, estava a quilômetros de distância do tipo de mulher moderna ativa, educada e independente. E ainda assim, sua vida encontra poderosos ecos de receptividade no coração de todos os homens e mulheres, por mais simples ou modernos que possam ser. É evidente que ela captou, na sua vida e ser, o valor fundamental que reside por trás da feminilidade da mulher e que transcende todas as distinções baseadas meramente no sexo e seus atrativos. Este fato sozinho explica o seu apelo universal, representando, como ela foi, não um tipo meramente nacional ou racial, mas a realização da mulher como mulher, a realização, em carne e osso, do Eterno Feminino.

Sarada Devi: Sua Eminência Espiritual
O próprio Sri Ramakrishna reconheceu a eminência espiritual de Sri Sarada Devi. Diferente do rumo geral dos aspirantes espirituais que abandonam todos os contatos mundanos ao entrarem na vida religiosa, para quem existe as sanções das leis religiosas e costumes por trás deles, Sri Ramakrishna acolheu Sarada Devi ao seu lado quando ela, no devido tempo, veio requerer seus direitos junto a ele. É um episódio profundamente comovedor das suas vidas, que ajuda a revelar a essência dos dois. Sri Ramakrishna estava em Dakshineswar, passando por verdadeiras tempestades de estados e experiências espirituais; exceto por duas ocasiões das suas curtas visitas à aldeia natal, ele não havia se encontrado com sua legítima esposa nesses dose longos anos e aparentemente parecia ter se esquecido dela.
Sarada Devi, então com dezoito anos, entrou em seu quarto tarde da noite depois de uma árdua jornada da sua aldeia natal na companhia de seu pai. Ela tinha receios em seu coração devido aos rumores que tinha ouvido em sua aldeia sobre a transtornada condição mental de seu marido, e sobre o seu conhecimento da completa indiferença que ele demonstrava pelos assuntos mundanos. Mas Sri Ramakrishna, embora um pouco surpreso com a sua chegada inesperada, a acolheu com muita cordialidade, acomodando-a em seu próprio quarto para facilitar ao atendimento médico e cuidados necessários ao seu corpo acometido pela doença e pela fadiga durante a longa caminhada. Ela reconheceu nele o mesmo amável e divino marido que havia conhecido durante as suas visitas anteriores à aldeia. Um dia, quando ela estava mais confortável, Sri Ramakrishna lhe falou assim:
'Quanto a mim, a Divina Mãe mostrou-me que Ela habita em toda mulher, e sendo assim, aprendi a olhar para toda mulher como Mãe. Essa é uma idéia que posso ter sobre você; mas se você deseja me arrastar para o mundo, como me casei com você, estou a seu dispor.'
A essa complicada questão de seu marido divino, Sarada Devi deu esta simples resposta:
'Por que eu desejaria arrastar sua mente para o plano mundano? Eu vim somente para ajudá-lo no caminho escolhido. Desejo apenas viver com você, servi-lo e aprender com você.'
Esta resposta de sua pura e imaculada esposa agradou imensamente a Sri Ramakrishna, que experimentou uma grande ascensão de força espiritual. Sua missão, no mundo, de fazer a humanidade se tornar consciente da sua natureza divina inata não seria um esforço solitário; ele reconheceu em Sarada Devi uma companheira em sua nobre missão; com um ano da sua chegada, ele confirmou a verdade desta elevada consideração da sua esposa através do Shodasi puja em 1872. Desde então até o final da vida dele, por quatorze anos inteiros, Sarada Devi serviu a pessoa de Sri Ramakrishna e a um grande número de discípulos e devotos que o visitavam, com uma rara devoção e uma impessoalidade sem par na história humana. Foi também o período da sua intensa educação espiritual sob a orientação de seu divino esposo. Ela se referia a este período como uma experiência contínua de intensa felicidade. Por meses viveram no mesmo quarto e dormiram na mesma cama, sem qualquer traço de pensamento carnal em mente. Suas mentes planavam constantemente na região da divina consciência e felicidade; cada um foi transfigurado pelo outro; e ambos se tornaram instrumentos para o cumprimento da vontade divina. O imenso reservatório de energia espiritual--divina shakti—que foi gerada pelas sâdhanâs de Sri Ramakrishna e Sarada Devi encerram a promessa da evolução espiritual da humanidade moderna que lamentavelmente sente sua trágica pobreza espiritual em meio à abundante riqueza material.

Seu Papel como Mestra Espiritual
Sri Ramakrishna deixou este mundo em 1886. Sarada Devi tinha então trinta e três anos. Tendo vivido num plano não físico de relacionamento com seu marido, ela não experimentou o sentimento de viuvez quando da morte deste. Para ela, ele continuou a ser uma realidade vivente até o final dos seus dias. E pelos trinta e quatro anos seguintes, ela viveu uma vida complexa em seus papéis e variada em sua riqueza, doce e silenciosa, que ganhou para si o carinhoso título de 'Sri Ma', 'a Santa Mãe', pelo qual passou a ser conhecida. Ela foi convocada a ser a guia espiritual dos monges da Ordem Ramakrishna, constituída inicialmente pelos discípulos diretos de Sri Ramakrishna sob a liderança do Swami Vivekananda; e a ser guru de um crescente círculo de homens e mulheres famintos de espiritualidade. Sua eminência espiritual e o poder divino da sua personalidade capacitaram-na a desempenhar este significativo papel com facilidade e naturalidade. Mas foi no papel de uma mulher do lar, no seio do seu próprio círculo familiar constituído por seus irmãos de sangue, cunhadas, e sobrinhos, que a santa mãe manifestou uma faceta exclusiva do seu caráter e personalidade. É este aspecto da sua personalidade que provê um magnífico exemplo de espiritualidade prática capaz de inspirar a todos os homens e mulheres. A monja brilhou através da dona de casa, e ambas brilharam através do coração de uma mãe amantíssima. Longe de se esquivar de um mundo de distrações, ela o abraçou, envolvendo-o em seu amor. E no meio de milhares de distrações, preservou a naturalidade e a paz de sua personalidade.

Sua Maternidade de Natureza Divina
Verificação é prova de uma teoria ou de uma afirmação. Somente o teste da vida demonstra a genuinidade de uma virtude moral ou de um valor espiritual; virtudes são melhor examinadas no infortúnio que na boa fortuna. É bastante fácil manter-se a postura e a elegância nos bons tempos; mas é somente no mau tempo que comprovamos a sua genuinidade. A tranqüilidade, postura, elegância, e o espírito de amor incondicional e serviço impessoal, que Sarada Devi expressou em sua vida diária no contexto de um ambiente altamente perturbador de total materialidade, a possessão deste poder por um homem ou uma mulher os torna puros e santos. A expressão deste poder na vida é amor.
Sarada Devi foi a verdadeira personificação desta pureza, santidade, e amor que é o significado do ideal de maternidade em sua melhor e mais elevada acepção. Sua pureza está incorporada no coração de cada mulher. Uma mulher comum apreende em sua vida somente uma fração deste ideal pelo qual ela resplandece em terna amabilidade e santidade. Uma função meramente biológica se torna elevada graças ao insuflo de um valor espiritual. Mas este valor espiritual resplandeceu em sua plenitude, ainda que fora do contexto biológico, na personalidade da Santa Mãe, demonstrando por isso o ideal em sua forma simples. Fora a abundância do seu coração, ela deu seu amor a todos sem qualquer distinção, justificando assim o carinhoso epíteto de ‘Santa Mãe’.
Fora do comum em todos os valores básicos de caráter e personalidade, porém ocultando-os sob o manto da simplicidade na esfera do físico e social, a Santa Mãe ilude a compreensão das mentes comuns, mas revela a sua verdadeira forma a todos os buscadores dos valores fundamentais. Não disse Sri Ramakrishna sobre ela? 'Ela é Sarasvati, a deusa da Sabedoria, que veio para distribuir conhecimento espiritual à humanidade.' E não disse ela com respeito si mesma: 'Sri Ramakrishna deixou-me aqui para manifestar o ideal da Maternidade Divina.'

Fonte:http://www.vedantarj.org.br/SITE/Portugues/VEDANTA/maedivina.htm

Ensinamentos de Sathya Sai Baba


"Onde está a Retidão? Ela está em sua conduta, em seus pensamentos, em suas palavras e em suas ações. A Retidão mora em seu coração. Quando os impulsos que surgem do coração são expressos em palavras, isso é Verdade (Sathya). Traduzir tais palavras em ação é Retidão (Dharma). Para tudo isso, o Amor é o requisito principal. Amor na ação é Retidão. Amor na fala é Verdade. Amor no pensamento é Paz Interior. Amor na compreensão é Não-violência. Quando você percebe que Deus está em todos, você praticará a não-violência. Deus é somente um, embora Ele possa ser adorado em Formas diferentes e através de Nomes diferentes: Rama ou Krishna, Alá ou Jesus, Hari ou Sai."


"Deus é o amor encarnado. Esse amor brilha igualmente em cada ser humano. A fragrância de uma flor permanece a mesma se a flor estiver na mão direita ou na esquerda. Igualmente, Deus não faz qualquer tipo de distinção, tais como favorecidos e excluídos. Mas as pessoas de mente estreita não podem entender facilmente a imparcialidade do Divino. Cada um percebe os poderes e os atributos de Deus de acordo com suas próprias concepções e experiências limitadas. Pessoas diferentes, dependendo de suas próprias preferências ou aversões, atribuem ao Divino as diferenças que existem em suas próprias mentes. Deus não faz distinções, como bom e mau, agradável e repugnante, pernicioso e virtuoso. A árvore do sândalo concede sua fragrância até mesmo ao machado que a derruba. Do mesmo modo, Deus está sempre preparado para amar, nutrir e proteger todos igualmente."


"Você tem hoje, no mundo, homens de riqueza, de força, de erudição e de virtude. Mas há poucos que perceberam o Ser Superior. Ignorando o Ser Superior, de que servem todas as outras posses, que são temporárias e evanescentes? De que serve o conhecimento sobre o mundo, quando você não está ciente de si mesmo? É por isso que a Filosofia Védica (Vedanta) roga a cada um para que descubra a verdade sobre si mesmo. Autoconhecimento é a chave para todo o conhecimento. Para isso, você deve aproximar-se da pessoa certa para lhe ensinar os meios para descobrir seu verdadeiro Ser. Se não estiver preparado para empreender essa auto-indagação, cultive a fé, se não em Deus, pelo menos em seu próprio Ser. O homem que não tem fé em si mesmo não pode ter fé em ninguém; ele não pode ter fé em Deus. Torne a fé (Vishwasa) sua respiração vital (Shwasa)."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dançar é minha prece mais pura - (video e poesia)



"Dançar é minha prece mais pura
Momento em que meu corpo vislumbra o divino,
Em que meus pés tocam o real
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível
Posso sentir por todos os corpos,

abraçar com todo
o coração,
E amar com os olhos
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite a você, para entrar em meu universo
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo
Que lhe toco sem tocar
Nada a observar, só a participar
Esta prece ausente de palavras
É codificada pela alma
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica
Quando eu terminar esta dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos."



"Vê-la dançar é participar da força criadora que vibra no Cosmos; massa negra e pulsante explícita nos olhos e cabelos de Jhade. (...) Mãos se elevam em serpente e cortantes transformam em som o poder telúrico de seu ventre. Que os sons, manifestos em seu corpo, subam de encontro com o Eterno e sejam ouvidos além do tempo." (por W. Hassan)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Desejo - (Gangaji)


Encontro Público em Marin County, Califórnia - 2 de março de 2003

"Uma das áreas mais delicadas da compreensão espiritual, e talvez a que tenha sido mais mal-entendida, tem a ver com a questão do desejo. Não me lembro do que as religiões ocidentais dizem sobre ele, mas lembro que o Budismo basicamente afirma que o desejo é a causa do sofrimento. No passado, eu entendia que isso significava que desejo era ruim. Portanto, eu tinha que começar desejando me livrar do desejo; este era meu desejo total. E toda vez que eu sofria, isso era prova de que eu desejava alguma coisa e, assim, meu desejo de me livrar do desejo aumentava. E que peso eu estava carregando! Até que cheguei a um ponto em que fui dominada pelo sentimento da futilidade de tentar cortar o desejo pela raiz, seja através da prática da meditação, de retiros ou da prática da atenção passiva. Fui dominada pela sensação de fracasso. Tudo que eu desejava àquelas alturas era um mestre; isso era tudo que eu sabia. E o meu mestre apareceu: Papaji. E me disse: "Se você deseja a liberdade acima de tudo mais, isso vai satisfazer todos os outros desejos. Este desejo satisfaz todos os desejos". Como o reconheci como meu mestre, escutei muito atentamente e me rendi ao simples, vasto e antigo desejo de liberdade. E este desejo satisfez todos os outros desejos, mas não de uma maneira que possa ser entendida mentalmente.

Por isso, hoje quero falar brevemente sobre o desejo. Podemos falar sobre o desejo egóico e o desejo verdadeiro. Ou podemos falar sobre o desejo em fixação e o desejo natural: o desejo celular de viver, de se alimentar.

Mas, para falarmos muito simplesmente, podemos discutir o desejo que não causa problemas e o desejo que causa problemas. Se não transformarmos o desejo em algo que causa problemas, algo errado, poderemos simplesmente observá-lo, para que possamos dizer a verdade com habilidade. Há uma espécie de maturidade que pode surgir quando simplesmente se diz a verdade.

Se há um desejo de amor, não há problema. Mas, se há um desejo de que o amor se manifeste de uma determinada maneira, numa determinada hora, isto é um problema. Se ele não se manifestar desta maneira determinada, há sofrimento; e se o amor se manifestar da maneira desejada, acredita-se que se manifestou assim por causa do desejo. Então, há um desejo adicional de mantê-lo, de se apegar a ele, de protegê-lo; e isso alimenta mais desejo. O desejo de amor, desprovido de qualquer forma, é na verdade o desejo de si mesmo. Não há problema então, porque o amor está aqui, mesmo que não seja da forma que você acha que deveria estar, que você aprendeu, ou que lhe ensinaram que estaria aqui.

Se há um desejo de paz, isto é bonito e verdadeiro. Mas, se é um desejo de paz nos seus próprios termos, da maneira e quando você a imagina, este é um desejo problemático. Se há um desejo de justiça, este é um desejo natural. Mas, se há vestígios de vingança, ódio ou medo neste desejo de justiça, ele é problemático. Pode haver um desejo de liberdade, mas se há uma idéia de como a liberdade deve se manifestar, de que ela pode ser limitada, este é um desejo que causa problemas. Será que esqueci algum desejo? O desejo da verdade é um belo desejo. Quando surge na consciência, o desejo da verdade é um acontecimento importante e evolutivo. Mas, se for simplesmente atirado no velho caldeirão de sempre, ele vira "eu e minha verdade, da maneira como eu a vejo"; ou "a verdade da maneira que acho que deveria ser". Isto causa muitos problemas para todo mundo. Quanto mais profundo o desejo, maior o potencial para causar problemas.

A verdade é que esses desejos realmente surgem e eles não são um problema. O problema é o que a mente, o entendimento ou o condicionamento fazem com o desejo, na esperança de escapar ao seu poder. O desejo de amor é poderoso. O desejo de liberdade, de verdade, de paz, é enorme. Este poder é uma espécie de tortura. E, com o desejo de fugir a esse desconforto, há uma tendência a criar receitas de como satisfazê-lo, como conservar esta satisfação ou que aparência ela deve ter. Não sou contra visualizações, formulações ou o estabelecimento de objetivos. Tudo isto tem seu lugar. De verdade, tudo tem seu lugar. Mas, para o nosso propósito, a visualização neste contexto é inútil; ela é um obstáculo e uma distração. A paz verdadeira, o amor verdadeiro, a verdade verdadeira, a verdadeira justiça, a verdadeira liberdade, o verdadeiro você, não podem ser visualizados. Paz mundial? Sim, visualize-a. Isto é útil. Isto mantém a mente ocupada. Justiça mundial? Visualize-a. Mas justiça, verdade, amor, a paz que é eterna, tudo isto está aqui agora: presente em plena experiência de ausência de amor, a experiência de guerra, de injustiça, ou na experiência de ego. Isto precisa ser comunicado. Esta é a tarefa que me foi dada e é dada a você, ou não estaríamos tendo esta conversa."

Pensamentos - (Simone)



"Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Dos motivos escondidos
Na razão de estar aqui
As perguntas que me faço
São levadas ao espaço
E de lá eu tenho todas
As respostas que eu pedi
Quem me dera
Que as pessoas que se
encontram
Se abraçassem
Como velhos conhecidos
Descobrissem que se amam
E se unissem na verdade dos
amigos

E no topo do universo
Uma bandeira
Estaria no infinito iluminada
Pela força desse amor
Luz verdadeira
Dessa paz tão desejada
Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem
Dos motivos escondidos
Na razão de estar aqui
E eu penso
Nas razões,na existência
Contemplando a natureza nesse
mundo
Onde às vezes
Aparentes coincidências
Têm motivos mais profundos
Se as cores
Se misturam pelos campos
É que flores diferentes vivem
juntas
E a voz dos ventos
Na canção de Deus
Responde todas as perguntas
Pensamentos que me afligem
Sentimentos que me dizem"
(Composição: Roberto Carlos/Erasmo Carlos)