sexta-feira, 8 de maio de 2009

O que a visão do Advaita Vedanta e de Cristo querem dizer com “Tudo é Um com Deus”? - (Swami Sambodh Naseeb)

"A resposta é simples: a mente humana é o que cria separação. Tudo é Um na visão original, que é a visão do Pai Eterno. Sem o instrumento chamado mente não é possível ver a vida como ela se apresenta agora, com toda essa diversidade de corpos, mentes, animais, universos, enfim, toda a criação que está diante de nossos olhos.

Vamos dar um exemplo para podermos visualizar este complexo percebimento. Imagine que esta Inteligência a que chamamos Deus, em si mesma seja pura potencialidade de Amor e Sabedoria. Deus (sozinho) é pura bênção e perfeição, porque em si mesmo não tem opostos, não pensa, não tem sentimentos. Apenas É.

Deus apenas É. Em seu estado original aquilo que chamamos Deus apenas É. Em Si mesmo contém todas as coisas, todas as energias muldidimensionais. Mas essa energia mutidimencional, esta abundância de criatividade não está manifestada. O que quer dizer isto? Em seu estado original Deus está passivo, não age, não se relaciona, apenas É esta potencialidade infinita que guarda em Si mesmo.

Como Deus se manifesta? Como ele poderia desfrutar de sua magnitude suprema? Como ele poderia pensar e se relacionar com sua criatividade?

Nós pensamos que a criação foi criada num certo dia, mas em verdade a criação sempre existiu. Talvez de formas diferentes, em mundos diferentes, mas sempre existiu. Porque? Simplesmente porque Deus não existe e nunca existiu sozinho. Seu modo de ser é também pensar, relacionar-se e sentir. Quando Deus pensa em si mesmo ele pensa através de uma mente. Quando Deus quer sentir a si mesmo, ele sente através de uma mente. Quando Deus quer ter sensações, ele tem sensações através de um corpo.

Ou seja, Deus e seus filhos são uma única substância inseparável. A criatura e o criador não são dois – são Um. A existência não é algo mecânico, ela é orgânica. Toda a existência é o corpo de Deus – é isso que todos os sábios vem dizendo há milênios. Você não existe como uma ilha, todos nós somos partes uns dos outros, todos participamos da criação não como algo separado, mas como membros e corpos dessa criação chamada Deus manifesto.

Deus não-manifesto é Deus passivo, energia pura, sem dualidade, puro potencial. Deus manifesto é Deus em ação. Deus em ação é toda a criação, todos os universos, todos os seres. Deus ativo é o que a religião Cristã chamou de “Seus Filhos”.

Há separação entre a onda e o oceano? A onda está separada daquilo que chamamos oceano? Qual a distinção dos dois então? No nome e na forma. Um chama-se onda e outro oceano – distinção no nome. E na forma? Um sobe e desce,e outro está sempre no mesmo lugar. As ondas são impermanentes, estão sempre mudando. O oceano está sempre ali.

Deus é o oceano. Os filhos são as ondas. Não há real separação e não ser pelo nome e pela forma.

Quando uma pessoa cresce, é Deus que cresce. Quando uma pessoa ama, é Deus que ama. Quando uma árvore floresce, é Deus que floresce. Quando uma flor desabroxa, é Deus desabroxando.Deus é o perfume presente em todas as coisas, porque na verdade tudo é Um. Na onda existe a presença do oceano. Porque o oceano e a onda não são duas coisas. Deus está na criação assim como o oceano está nas ondas. Não ha separação em verdade."

Fonte: http://naodual.blogspot.com/2009/05/tudo-e-um.html

sexta-feira, 1 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eros e Psique - (Fernando Pessoa)


"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."

O Girassol - (Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, em "O Guardador de Rebanhos")


"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

La bailarina del templo" - Shokry Mohamed

"La ví bailando en la oscuridad,
bailaba para si misma,
y vive consigo misma.
La ví bailar y oí sus suspiros.
La ví bailar en silencio,
bailaba sin música, sin melodía.
Bailaba sobre los ritmos del silencio asesino.
Bailaba sobre la luz de la extrema oscuridad.
Se movía de un sitio a otro.
Sin esposas ni ataduras,
solo, existía ella
y nada sino ella.
Dejó de moverse en la oscuridad,
se sentó en el suelo
para recuperar el aliento.
El aliento se agotó
en el gran baile,
el baile de si misma."
(La bailarina del templo" - Shokry Mohamed)





segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fique com o Desconhecido - (Papaji)


"Tudo que você é apegado, tudo que você ama,
Tudo que você sabe, algum dia irá embora.
Saber isso, e que o mundo é a sua mente
onde você cria, brinca, e sofre
é conhecido como discriminação.
Discrimine entre o Real e o Irreal,
O conhecido é irreal e vai ir e vir
Então fique com o Desconhecido, o Inalterável, a Verdade."


"Deixe que haja PAZ e AMOR entre todos os seres do universo.
Deixe que haja PAZ, deixe que haja PAZ.
OM Shanti, Shanti, Shanti"


"Ser é o que você é
Você é aquele Insondável
Onde toda experiência e conceitos aparecem.
Ser é o Momento em que não há o ir e vir.
Isto é o Coração, a Fonte, o Vazio.
Isto brilha de Si, por Si, em Si.
Ser é o que dá o sopro a Vida.
Você não precisa procurar por Isto, Isto está Aqui.
Você é Isto através do que você procura.
Você é Isto que você procura !
E Isto é Tudo o que é.
Somente o Ser é."


"Você é Aquele que está cônscio
Da consciência dos objetos e idéias.
Você é Aquele que é ainda mais silencioso do que consciente.
Você é a Vida que precede o conceito de vida.
Sua natureza é silencio e isto não é alcançável,
Isto sempre é.
Você é o Vazio, a Suprema Essência:
Remova o Vazio do Vazio
Deixe somente o Vazio pois não há nada além disso.
Vazio está entre o “é” e o “não é”
E nada esta fora do Vazio então isto é Cheio.
Para ser Livre, você precisa da firme convicção
De que você é este Substrato, esta Paz, este Vazio.
Tudo emerge disso,
Baila em volta disso
E retorna para Isto.
Como o Oceano emerge numa onda para dançar,
Assim, você é este Vazio Dançante!"

Você usa muleta? - (Glauco Tavares)

(escrito em São Paulo, no dia 19 de Março de 2009)

"Durante a minha leitura do livro "Como um místico amarra os seus sapatos" uma, das várias histórias, me chamou a atenção:

"Foi a muito, muito tempo. Num casebre muito pobre junto aos portões de entrada da cidade vivia um eremita. Ele era venerado como um asceta santo, muitas pessoas procuravam seus conselhos. Até o rei já tinha ouvido falar dele. Ele quis conhecer esse homem de qualquer maneira. Um dia ele foi até o casebre e perguntou-lhe se não queria mudar-se para o palácio.

- Se o senhor quiser -respondeu o eremita - Posso ir a qualquer lugar.

O rei ficou surpreso, mas não deixou isso transparecer. Ele havia imaginado que o eremita aceitaria seu convite. Um verdadeiro eremita não deveria recusar a oferta? O rei começou a ter dúvidas. Mas como ele já havia feito o convite, levou o homem ao palácio onde mandou que lhe preparassem um belo quarto e uma boa refeição.

E o que fez o eremita? Ele usufruiu do belo quarto e da boa comida. No dia seguinte também, e no seguinte ao seguinte. Esse homem, que dizia ser um asceta, deixou-se tratar muito bem no luxuoso palácio. O rei estava profundamente decepcionado. Depois de uma semana ele falou diretamente ao estranho hóspede:

- Desculpe-me, mas simplesmente não consigo entender como você, um asceta, pode viver em um palácio. Qual a diferença entre você, um homem santo, e eu, um rei?

- Se o senhor quer ver a diferença, então venha comigo para fora da cidade.

Os dois se puseram a caminho. Caminharam por muito tempo sobre campos ensolarados, bosques úmidos e aldeias isoladas. E quanto mais caminhavam, mais impaciente o rei ficava. Quando anoiteceu ele pediu ao eremita insistentemente que finalmente respondesse à sua pergunta.

- Eu lhe direi apenas uma coisa - respondeu ele - Não voltarei mais. Seguirei adiante. O senhor virá comigo?

O rei sacudiu a cabeça.
- Não posso. Não posso abandonar meu reino e meu palácio. Além disso tenho uma família.
- Está vendo a diferença? Eu posso seguir adiante, não deixei nada para trás. Desfrutei das comodidades do palácio. Mas não me apeguei a elas. Por isso eu posso agora seguir adiante.
- Por favor, não faça isso - disse o rei - Volte comigo ao palácio.
- Para mim não faz diferença se volto ao palácio com o senhor ou sigo adiante. Mas se eu voltar, também voltarão suas dúvidas. Por isso, por amor ao senhor, eu seguirei adiante."

Esta história me fez refletir se estamos realmente prontos para largarmos tudo e mesmo assim ainda sermos felizes. No Yoga este conceito é conhecido como Santosha, contentamento e aceitação, ou seja, nossa felicidade e nossa paz independente da situação externa.

Não pensei sobre isso no sentido de sermos um eremita e abandonarmos o mundo, mas no sentido de aceitarmos as mudanças do ciclo da vida e nos conformarmos com as novas situações, que nem sempre vão ao encontro de nossas expectativas.

Mas vejo que muito mais do que nós deixarmos algo, seria o nosso entendimento de deixarmos ir embora algo ou alguém o que não nos pertence. Tenho como ponto de observação a seguinte frase quando estou nestes momentos de aceitar ou não o distanciamento de algo: "O universo é sábio. O que for meu por direito divino venha até o mim, o que não for, que ele leve embora".

Como disse acima, tenho momentos que estou pronto e outros não, por isso ainda faço uso desta frase. Mas vejo isso como algo positivo, pois se consigo ter este discernimento é sinal que estou no caminho certo para trabalhar com meu apego. Pois estou atento a ele e consigo enxergar a hora que ele está presente e a hora que não está. Sendo assim, fica mais fácil lidarmos com algo que conhecemos do que com um fantasma, neste caso o "fantasma do apego".

Outra pergunta que me fiz foi com relação ao desequilibrio que estas mudanças da vida causam em nossa felicidade. Refleti e percebi que usamos várias "muletas" para nos sentirmos felizes: o trabalho, o status social, o relacionamento, os filhos, o carro, o relógio, o celular de última geração dentre várias outras. Por isso, quando a vida nos retira algo que funciona como uma "muleta" nos ficamos infelizes. Qual a muleta que você está usando para manter a sua felicidade?"

Fonte: Blog de Glauco Tavaares - http://glaucotavares.blogspot.com/2009/04/voce-usa-muleta.html

domingo, 26 de abril de 2009

Músicas que "tocam a alma"!

"Quando o coração de alguém começa a rir, muitos outros corações começam a ser tocados"

Raga Anandi Kalyan - (Ravi & Anoushka Shankar)




So Much Magnificence - (Miten & Deva Premal)




Quando a gente ama - (Oswaldo Montenegro)

domingo, 19 de abril de 2009

Você precisa do passado - (Papaji - Traduzido por Shanti)


“Você precisa do passado e pensamentos para sofrer,
Você não precisa de nada para ser livre
O peso do passado descansa em seu peito e destrói sua vida e sua liberdade.
Remova-os encontrando a origem do pensamento EU.
A liberdade o espera, mas você esta engajado em alguma outra coisa
Não se amarre a qualquer coisa do passado ou do futuro, porque isso não funciona!
Seja apegado somente a este Momento.
Quando você segura alguma outra coisa alem de sua verdadeira natureza
Você se sentira em distúrbio
Por apegar-se a coisas passageiras
Você declara a você mesmo
Que não é a completude em que tudo está
Possuir é um véu, uma mentira
Ser é totalidade, dessa forma não é possível possuir ou desejar
Todos são budas, você tem que quebrar o apego, a identificação,
Você deve renunciar, senão você trapaceia com você mesmo
Na roda da vida e da morte com todos os seus apegos
O apego é um demônio, o apego é um problema
Porque nosso apego acaba sendo nossa realidade
Somente em Satsang isso é removido
Não deixe sua mente ir para fora do seu coração!
Todo mundo esta perdido nestes apegos de fora,
Não somente você.
Se qualquer desses apegos dá a você felicidade e paz mental
Então esteja com ele, pois não é chegado o tempo de deixa-lo.
Mas se você vê a cobra picando seu calcanhar, então é o tempo de deixa-lo.
Não tem uso experimentar o que já foi experimentado.
Se você sabe que o fogo queima, não tem necessidade de ser queimado novamente.
Igual a isto, evite apegos como o fogo porque eles queimarão você.
Quando sua intoxicação depende de alguma outra coisa, você esta enganando a
você mesmo.”


“Somente a Verdade é e você é Ela!
Você é a Consciência imutável onde todas as atividades acontecem.
Negar isso é sofrer, saber disso é Liberdade. E não é difícil realizar isso porque essa é sua
Verdadeira Natureza. Simplesmente pergunte ‘QUEM SOU EU?’, e observe
cuidadosamente.
Não faça esforço, nem emita nenhum pensamento. Olhe internamente, aproxime-se com
toda devoção e fique no Coração. Continue vigilante e você verá que nada aflora. Este é o
truque de como manter a mente quieta e alcançar a Liberdade. Isto não leva tempo porque a
Liberdade é sempre Aqui. Você simplesmente deve observar: de onde surge a mente? De
onde vem os pensamentos? Qual é a fonte do pensamento? Então você poderá ver que tem
sido sempre Livre e que tudo tem sido um sonho”.

Eu confio que vocês todos são leões -- (Papaji)


"Toda ignorância começou com os pastores. Pastores são para
ovelhas. Eu confio que vocês são leões. Leões não são para serem arrebanhados;
aonde eles andam é sua própria trilha. Não há rebanho de leões; há somente
rebanho de ovelhas. Vocês são todos leões – então vá pelo seu caminho. Não
andem em caminhos batidos feito ovelhas; um após o outro. Não sigam nenhum
caminho. Leões, não seguem um ao outro como as ovelhas.
A maioria das pessoas são ovelhas, seguem pastores pelo mundo
todo. A religião começou com pastores e as pessoas os seguem como ovelhas.
Mas aonde vocês forem serão leões, e não há caminhos para leões. Onde o leão
andar, é o caminho. Para o leão o não-caminho, é o único caminho. Então não se
coloque no meio de ovelhas precisando de um pastor. O seu caminho é o nãocaminho
– isso é saber quem você é. Isto é não seguir como uma ovelha. Este é
um novo caminho, decididamente desconhecido. Uma vez conhecido, isto é bem
conhecido. Aquele que sabe completou o propósito do esforço de toda vida
humana. Ele é feliz e em paz. Ele aproveita ambos: aqui e depois.
Por favor, não se torne uma ovelha. Não siga ninguém. Não olhe aqui
e ali. Não olhe para nenhum lugar. Pare de procurar. Pare toda sua imaginação
pelo futuro e conceitualização do passado. Mantenha seu ser neste momento, que
é um não-momento.
Descubra de onde esse momento vem, de onde o tempo vem, de onde
o pensamento surge, e você verá que você sempre esteve em casa. Você não
precisa de mais nada!"

PAPAJI – Trecho de Satsang
Traduzido em amor e gratidão por Shanti

Sonhos - Por Sadhu Arunachala (Major Alan Chadwick)




“Somos feitos da mesma coisa que os sonhos e nossa curta vida é rodeada por
um sono.”
(Shakespeare)


Shakespeare realmente sabia sobre o que estava falando e isto não era
somente efervescência poética. Maharishi costumava dizer exatamente a mesma
coisa.
Suponho que eu tenha questionado Bhagavan sobre esse assunto com
mais freqüência do que outros, apesar de algumas dúvidas sempre
permanecerem para mim. Ele sempre avisou que assim que uma dúvida fosse
esclarecida, outra surgiria no lugar da primeira, num processo sem fim.
“Mas Baghavan”, eu repetia, “sonhos são desconexos, enquanto que o
estar acordado continua de onde havia parado e é tido por todos como algo
contínuo”.
“Você diz isso nos seus sonhos?” Bhagavan perguntava. “Eles pareciam
perfeitamente consistentes e reais enquanto aconteciam. Somente agora,
enquanto acordado, é que você questiona a realidade da experiência. Isto não tem
lógica.”
Bhagavan se recusava a ver a menor diferença entre os dois estados, e
nisso ele concordava com todos os grandes Videntes Advaitas. Alguns
questionaram se Sankara não teria traçado uma linha de diferença entre estes
dois estados, mas Bhagavan persistentemente negava isto. “Sankara só fez esta
divisão aparente para o propósito de uma exposição mais clara”, Maharishi
explicava.
Mesmo que eu tentasse alterar meu modo de perguntar, a resposta que eu
recebia era sempre a mesma:
“Coloque suas dúvidas dentro do próprio sonho. Você não questiona o estar
acordado quando você está acordado, você o aceita. E o aceita da mesma
maneira que você aceita os seus sonhos. Vá além desses dois estados, e do
terceiro – o sono profundo. Estude-os a partir daquele ponto de vista. Você está
estudando uma limitação do ponto de vista de outra limitação. Poderia algo ser
mais absurdo? Vá além de todas as limitações, e então volte com suas dúvidas.”
Apesar disso, as dúvidas ainda permaneciam. De algum jeito, eu sentia,
enquanto sonhava, que havia algo de irreal nos sonhos; não era sempre, mas
alguns lampejos vez ou outra.
“Isso também não vive acontecendo com você enquanto você está
acordado?” Bhagavan perguntava. “Às vezes você não sente que o mundo em
que você vive e as coisas que estão acontecendo não são reais?”
Mais uma vez, apesar de tudo isso, a dúvida persistia.
Porém, em uma manhã, me aproximei do Baghavan e, para seu
encantamento, entreguei-lhe um papel, onde estava escrito o seguinte:
“Bhagavan se lembra que eu expressei minhas dúvidas sobre a
semelhança entre o sonhar e o estar acordado. Na manhã de hoje, a maior parte
dessas dúvidas foram esclarecidas pelo seguinte sonho, que me pareceu
particularmente objetivo e real:
Eu estava discutindo filosofia com alguém e pontuei que todas as
experiências eram subjetivas, e que não havia nada além da mente. A outra
pessoa negava, mostrando o quão sólido as coisas eram e quão reais as
experiências pareciam, e que isso não poderia ser somente imaginação.
Eu respondia: ‘Não, nada é mais do que um sonho. Sonhar e estar
acordado são exatamente a mesma coisa.’
‘Você diz isso agora’, ele respondeu, ‘mas você nunca diria uma coisa
dessas no seu sonho.’
E então, eu acordei.”
De “Call Divine”, Março de 1954
(Tradução livre: Dênis Elias)

sábado, 18 de abril de 2009

No amor ... - (Jalaluddin Rumi)


"Sai do círculo do tempo
e entra no círculo do amor.
Desce à rua das tavernas
e senta entre os beberrões.

Se queres a visão secreta,
fecha teus olhos.
Se desejas um abraço,
abre teu peito.

Se anseias por uma face com vida,
rompe este rosto de pedra.
Por que hás de pagar o dote da vida
a essa velha bruxa, a terra?

Mil gerações já gozaram
do que agora tens.
Prova a doçura em tua boca
que antes foi flor, abelha e mel.

Vamos, aceita esta pechincha:
dá uma única vida
e leva uma centena."




"Existe melhor solução que a loucura?
Cem âncoras despedaçadas por causa da loucura.

Quantos pela razão se tornaram infiéis?
Alguém jamais viste infiel por loucura?

A tristeza engordou, então vai, torna-te louco,
A tristeza definha por causa da loucura.

À taverna aonde vão os loucos de amor,
Vá logo, e toma da taça oferecida pela loucura.

Infelizes, foram eles, e sem nenhum proveito,
Os sultões turcos, privados da loucura.

Felizes e vitoriosos, amados da fortuna,
os ginetes guerreiros, por causa da loucura.

Tu sobes aos céus, semelhante à Jesus,
Se tens por auxílio a pluma da loucura.

Ó tu, Chams de Tabriz, impelido por teu amor,
Cem portas se me abriram pela loucura"




"Dentro deste mundo há outro mundo
impermeável às palavras.
Nele, nem a vida teme a morte,
nem a primavera dá lugar ao outono.

Histórias e lendas surgem dos tetos e paredes,
até mesmo as rochas e as árvores exalam poesia.
Aqui, a coruja transforma-se em pavão,
o lobo, em belo pastor.

Para mudar a paisagem, basta mudar o que sentes;
e se queres passear por esses lugares,
basta expressar o desejo

Fixa o olhar no deseto de espinhos
Já é agora um jardim florido!
Vês aquele bloco de pedra no chão?
já se move e dele surge a mina de rubi

Lava tuas mãos e teu rosto
nas águas deste lugar,
que aqui te preparam um fauto naquete.
Aqui, todo ser gera um anjo;
e quando me vêem subindo aos céus
os cadáveres retornam à vida.

Decerto viste as árvores crescendo da terra,
mas quem há de ter visto o nascimento do Paraíso?
Viste também as águas dos mares e rios,
mas quem há de ter visto nascer
de uma única gota d'agua
uma centúria de guerreiros?

Quem haveria de imaginar essa morada,
esse céu, esse jardim do paraíso?
Tu, que ouves este poema, traduze-o.
Diz a todos o que aprendeste neste lugar"




Sama III/IV
"Viemos girando
do Nada, espalhando estrelas como pó.
As estrelas puseram-se em círculo
e nós ao centro dançamos com elas.
Como a pedra do moinho,
em torno de Deus
gira a roda do céu.
SEGURA UM RAIO DESSA RODA E TERÁS A MÃO DECEPADA!!

Girando e girando
essa roda dissolve todo e qualquer apego.
- Não estivesse apaixonada, ela mesma gritaria - BASTA! até quando há de seguir esse giro?
Cada átomo gira desnorteado, mendigos circulam entre as mesas,
cães rondam um pedaço de carne,
o amante gira em torno
de seu próprio coração.

Envergonhada diante de tanta beleza,
giro ao redor de minha vergonha.

Vem!
Ouve a música do Sama.
Vem unir-te ao som dos tambores! aqui celebramos:
Somos todos a verdade!

Em êxtase estamos.
Embriagados, sim, mas de um vinho que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós em nada parecerá ao que somos.
Giramos e giramos em êxtase.
esta é anoite do Sama
Há luz agora - Luz! Luz!

Eis o Amor verdadeiro
Que diz à mente: adeus.
Este é o dia do adeus.
- Adeus! Adeus!

Todo coração que arde
nesta noite
é amigo da música.

Ardendo por teus lábios
meu coração
transborda de minha boca.

Silêncio!
És feito de pensamento, afeto e paixão.
O que sobra é nada além de carne e ossos.

Por que nos falam de templos de oração, de atos piedosos?
Somos o caçador e a caça,
outono e primavera, noite e dia,
o Visível e o Invisível
Somos o tesouro do espírito.
Somos a alma do mundo,
livres do peso que vergasta o corpo.
Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço
nem mesmo da terra que pisamos.
No amor fomos gerados,
No amor nascemos."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Qualquer caminho é apenas um caminho, e não há ofensa para si ou para outro em abandoná-lo se é isto que o seu coração diz a você...
Olhe para cada caminho bem de perto, estudando-o cuidadosamente.
Experimente-o quantas vezes achar necessário.
Então pergunte a você mesmo, e somente a você mesmo uma questão: "Esse caminho tem um coração? Se ele tem, é um bom caminho; se não tem, é inútil".
D. Juan, "brujo" Yaqui, orientador de Carlos Castañeda

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Amor - (Khalil Gibran)



~ O Amor ~
(Gibran Kahlil Gibran)
"Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança."

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ensinamentos - (Sri Nisargadatta Maharaj)

"A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do Eu Real e pode ser encontrada somente nele. Encontre o seu Eu Real (swarupa) e tudo mais virá com ele."




Você tem apenas dois caminhos: você pode dar o seu coração e mente à auto-descoberta, ou aceitar as minhas palavras com confiança e agir com base nelas. Em outras palavras, ou você tornar-se completamente auto-centrato, ou completamente não-auto-centrado. É a palavra “completamente” que é importante. Você deve ser extremo para alcançar o Supremo.

Existe um caminho aberto a todos, independentemente de seu estágio e estilo de vida. Todos estão conscientes de si mesmos. O aprofundamento e alargamento da autoconsciência é o caminho real. Quer você chame isso de plena consciência, testemunhar, ou apenas atenção – é para todos. Ninguém é imaturo para isso e ninguém falhará.

Você não é nada observável ou imaginável. No entanto, sem você não pode haver nem percepção nem imaginação. Você observa o coração sentindo, a mente pensando, o corpo agindo – o próprio ato de perceber mostra que você não é o que percebe. Pode haver qualquer experiência, qualquer percepção sem você?

Falando genericamente, existem dois caminhos: externo e interno. Ou você vive com alguém que conhece a Verdade e se submete completamente à sua influência e instrução, ou então você busca o guia interior e segue a luz interior onde quer que ela o leve. Em ambos os casos os seus desejos pessoais e medos devem ser desconsiderados. Você aprende ou por proximidade ou por investigação, o caminho passivo ou ativo.

Rejeite todos os pensamentos exceto um: o pensamento “eu sou”. A mente irá se rebelar no início, mas com paciência e perseverança ela sucumbirá e permanecerá quieta. Uma vez que você torne-se silencioso, as coisas começarão a acontecer naturalmente e bem naturalmente, sem nenhum interferência de sua parte.

Mantenha em mente o sentimento “eu sou”, mergulhe nele, até que sua mente e esse sentimento tornem-se um. Através de tentativas repetitivas você esbarrará no equilíbrio correto de atenção e afeição, e sua mente ficará firmemente estabelecida no pensamento-sentimento “eu sou”. O que quer que faça, diga, ou pense, este sentimento de ser imutável e terno permanece como o pano de fundo da mente, sempre presente.

Se você confia em mim, acredite quando eu lhe digo que você é a pura Percepção que ilumina o campo da consciência e seus infinitos conteúdos. Perceba isso e viva de acordo com tal verdade. Se você não acredita em mim, então se volte para dentro e investigue “quem sou eu?” ou então concentre sua mente no “eu sou”, que é o ser puro e simples.

Qualquer vício ou fraqueza que nós descobrimos e entendemos suas causas e natureza é superado pelo nosso próprio saber; o inconsciente se dissolve ao emergir ao consciente.

Assim que você perceber que a pessoa nada mais é do que uma sombra da realidade, mas não a realidade em si, você cessa de sofrer e preocupar-se. Você concorda em ser guiado de dentro, e a vida se torna uma jornada rumo ao desconhecido.

Tudo o que é, sou eu, tudo o que existe, é meu. Antes de todos os inícios, após todos os fins – EU SOU.

Para saber o que você é você precisa primeiro investigar e saber o que você não é. E para saber o que você não é você precisa observar-se cuidadosamente, rejeitando tudo o que não necessariamente acompanha o fato básico: “eu sou”. [...] Separe de forma consistente e perseverante o “eu sou” do “isto” e “aquilo”, e tente sentir o que significa apenas ser, sem ser “isto” ou “aquilo”. Todos os nossos hábitos vão contra isto, e a tarefa de lutar contra eles é longa e às vezes difícil, mas a clara compreensão ajuda muito.

Nutrir idéias como “eu sou um pecador” ou “eu não sou pecador”, é pecado. Identificar-se com o particular é todo o pecado que há. O impessoal é real; o pessoal surge e desaparece. “Eu sou” é o Ser impessoal. “Eu sou isso” é a pessoa. A pessoa é relativa, enquanto que o puro Ser é fundamental.

Quando você começa a questionar o seu sonho, o despertar não está longe.

Minha experiência é que tudo é felicidade. Mas o desejo por felicidade causa dor. Assim, a felicidade se torna uma semente de dor. Todo o universo de sofrimento nasce do desejo. Abandone o desejo por prazer e você nem mesmo saberá o que é a dor.

Tudo deve ser levado ao escrutínio e o desnecessário deve ser cruelmente destruído. Acredite em mim, não pode haver destruição demais. Pois na Realidade nada possuí valor intrínseco. Seja apaixonadamente desapaixonado – isso é tudo.

Assim como o gosto do sal está em todo o grande oceano, e cada gota de água do mar carrega o mesmo sabor, assim cada experiência me dá o toque da realidade, a realização sempre nova de meu próprio ser.

A humildade e o silêncio são essenciais a qualquer buscador, por mais avançado que seja.

Na verdade cada passo lhe traz ao seu objetivo, porque estar sempre a caminho, aprendendo, descobrindo, desdobrando, é seu eterno destino. Viver é o único propósito da vida. O Eu Real não se identifica com sucesso ou fracasso – a própria idéia de tornar-se isso ou aquilo é impensável.

Ninguém jamais falha no Yoga. A batalha é sempre ganha, pois é uma batalha entre o verdadeiro e o falso. O falso não tem chance alguma. [...] Tudo é uma questão de ritmo de progresso. Os rápidos não são melhores que os lentos. Amadurecimento rápido e amadurecimento devagar alternam. Ambos são naturais e certos. [...] Ainda sim, tudo isto está na mente apenas. Como eu vejo, não há nada disso. No grande espelho da consciência as imagens surgem e desaparecem, e apenas a memória lhes dá continuidade. E a memória é material – destrutível, perecível, passageira. Sobre essa fundação frágil nós construímos nosso sentimento de existência pessoal – vago, intermitente, ilusório.

Assim como um homem que tem dor de cabeça conhece a dor e também que ele não é a dor, eu também conheço o sonho, eu sonhando, e eu não sonhando – tudo ao mesmo tempo. Eu sou o que sou antes, durante, e depois do sonho. Mas o que eu vejo no sonho, isso eu não sou.

A própria idéia de ir além do sonho é ilusória. Por que ir a lugar algum? Apenas perceba que você está sonhando um sonho que chama de mundo, e pare de procurar por saídas. O sonho não é seu problema. Seu problema é que você gosta de uma parte do sonho mas não da outra. Ame tudo, ou nada, e pare de reclamar. Quando você vir o sonho como um sonho, terá feito tudo que é necessário fazer.

Você precisa de maturidade de mente e coração, e ela vem através da aplicação esforçada, na sua vida diária, de tudo aquilo que você tenha aprendido, por menor que seja.

A vida é o supremo Guru; esteja atento a suas lições e obedeça a suas instruções. Quando você personaliza a sua fonte, você tem o Guru exterior; quando você toma os ensinamentos diretamente da vida, o Guru está no interior. Lembre, questione-se, reflita, viva com ele, ame-o, cresce nele, cresça com ele, faça-o seu – o ensinamento de seu Guru, interior ou exterior.

A mente pura vê as coisas como elas são – bolhas na consciência. Essas bolhas estão aparecendo, desaparecendo, e reaparecendo – sem ter uma existência real. Nenhum causa em particular lhes pode ser apontada, já que cada uma é causada por todos e afeta a todas.

O que foi alcançado poderá ser perdido novamente. Apenas quando você realizar a verdadeira paz, a paz que você nunca perdeu, esta paz permanecerá contigo, já que ela nunca esteve longe. Ao invés de buscar algo que você não tem, descubra aquilo que você nunca perdeu.

A felicidade de ser completamente livre é indescritível.

Esses são todos sinais de um crescimento inevitável. Não tenha medo, não resista, não atrase. Seja o que você é. Não há nada a temer. Confie e tente. Experimente honestamente. Dê uma chance ao seu verdadeiro Ser para que ele molde a sua vida. Você não se arrependerá.

O que é o nascimento e a morte senão o início e o fim de uma seqüência de eventos na consciência? (...) Tenha o seu ser fora deste corpo de vida e morte e todos os seus problemas cessarão. Eles existem porque você acredita que nasceu para morrer. Desiluda-se e liberte-se. Você não é uma pessoa."

Ensinamentos - (Ramana Maharshi)


"Pode haver espaço, pode haver tempo, exceto para mim mesmo?
O espaço e o tempo me atam, apenas se sou o corpo.
Eu não estou em nenhuma parte, eu sou sem tempo.
Eu existo em toda parte e sempre"



"Se a pessoa se entregar completamente, não sobrará ninguém para fazer perguntas ou para ser levado em consideração. Ou os pensamentos são eliminados agarrando-se o pensamento raiz, o “eu”, ou a pessoa se entrega incondicionalmente ao Poder Maior. Esses dois são os únicos caminhos rumo à Realização."



"Seu dever é SER, e não ser isso ou ser aquilo. “Eu sou o que eu sou” resume toda a verdade. O método é “fique em silêncio”. O que significa o silêncio? Significa destrua-se, pois qualquer forma é causa de problemas.

Não há mistério maior que este: que sendo a Realidade nós buscamos alcançar a Realidade. Nós pensamos que existe algo ocultando a Verdade e que isso deve ser destruído a fim de que possamos atingir a Verdade. É ridículo. Chegará o dia em que você vai rir de todos os seus esforços pretéritos. Aquilo que será no dia em que você rir também é aqui e agora.

A liberação, que é bem-aventurança, é natural a todos

A ignorância é uma ilusão da mente, uma falsa sensação.

Apenas o ego é prisão, e a sua própria natureza,

livre do contágio do ego, é liberação.

Não há engano maior do que acreditar que a liberação,

Que está sempre presente como a sua verdadeira natureza,

será alcançado em um tempo futuro.

Até mesmo o desejo pela liberação é fruto da ilusão.

Portanto, permaneça em silêncio.

Se você permanecer como mera consciência, “eu sou”, a ignorância não existirá. Portanto, a ignorância é falsa; apenas a Consciência é real.

Para a aquietação da mente não há nenhum outro meio mais eficaz do que a auto-inquirição. Através dos outros métodos a mente apenas parecerá ter se aquietado, mas não será extinta; ela surgirá novamente.

Este é o método direto. Todos os outros métodos só podem ser praticados retendo-se o ego, e neles surgem muitas dúvidas, enquanto que a pergunta última é apenas atacada no final. Mas neste método, a pergunta última é a única pergunta e ela é levantada desde o começo.

A auto-inquirição o leva diretamente à Auto-Realização, pois remove os obstáculos que fazem você acreditar que o Eu Real ainda não foi alcançado.

A diferença entre a meditação e a auto-inquirição é que a meditação requer um objeto sobre o qual se foca a atenção, enquanto que na auto-inquirição há apenas o sujeito e nenhum objeto.

Pedir que a mente destrua a mente é como fazer do ladrão o policial: ele irá com você e vai parecer que ele prendeu o ladrão, mas nada será feito. Então o que você precisa fazer é olhar para dentro e ver de onde a mente surge. Uma vez que você vir a Fonte da mente, ela desaparecerá.

O primeiro pensamento a surgir na mente é o pensamento-eu. Todos os outros inumeráveis pensamentos surgem apenas depois do pensamento-eu e têm nele sua origem. Em outras palavras, apenas depois do pronome de primeira pessoa, “eu”, surgir, é que os pronomes de segunda e terceira pessoa, “tu” e “ele”, ocorrem para a mente; estes não subsistem sem aquele.

Como todos os outros pensamentos só podem surgir depois do aparecimento do pensamento-eu, e como a mente nada mais é do que um conglomerado de pensamentos, é apenas [voltando a atenção ao pensamento-eu] através da inquirição “Quem sou eu?” que a mente será extinta. Além disso, o pensamento-eu – implícito na investigação “Quem sou eu?” – destruirá todos os outros pensamentos e, como a vareta usada para avivar a fogueira, no final ele mesmo será consumido.

Você não precisa eliminar nenhum falso “eu”. Como pode o “eu” eliminar a si mesmo? Tudo o que você precisa fazer é encontrar a Fonte do “eu”, e permanecer lá. O seu esforço só pode levá-la até este ponto. A partir daí o Transcendental vai tomar conta de si mesmo. Você não pode fazer mais nada então. Nenhum esforço pode chegar até Ele.

O pensamento-“eu” é como um fantasma que, apesar de ser impalpável, surge simultaneamente com o corpo, vive e desaparece junto com ele. A consciência “eu sou o corpo/este é meu corpo” é o falso eu. Abandone-a. Você pode fazer isso buscando a fonte do sentimento “eu”. O corpo não diz “eu sou”. É você que diz “eu sou o corpo”. Descubra o que é este “eu”; busque sua fonte e ele desaparecerá."

sábado, 4 de abril de 2009

A maestria dos humores - O Segredo do Anel

"Pensar que “Eu sou a mente”, é ser não perceptivo. Saber que a mente é apenas um mecanismo exatamente como o corpo, saber que a mente está separada... A noite chega, a manhã vem: você não fica identificado com a noite. Você não diz, “eu sou a noite”, não diz “eu sou a manhã”. A noite chega, a manhã chega, o dia vem, novamente a noite vem. A roda prossegue girando, mas você permanece alerta sabendo que você não é nenhuma dessas coisas.

O mesmo é o caso com a mente. Raiva vem, mas você esquece e fica zangado. Ambição chega, você esquece e se torna a ambição. Ódio vem, você esquece e se torna o ódio. Isso é falta de percepção.

Percepção é observar que a mente está cheia de ambição, cheia de raiva, cheia de ódio ou repleta de desejos, mas você é simplesmente um observador. Então você pode ver a ambição surgindo, tornando-se uma grande nuvem escura, depois dispersando-se – e você permanece intocado. Quanto tempo isso pode durar? Sua raiva é momentânea, sua ambição é momentânea, seu desejo é momentâneo. Basta observar um pouco e você ficará surpreso: tudo isso vem e vai. E você fica aí impassível, tranquilo, calmo.



A coisa mais básica a ser lembrada é que, quando você está sentindo-se bem, em um estado de êxtase, não comece a pensar que isso vai ser seu estado permanente. Viva o momento de forma tão feliz e alegre quanto possível, sabendo perfeitamente bem que isso veio e irá passar, assim como uma brisa entra em sua casa, com toda sua fragrância e frescor, e sai pela outra porta.

Essa é a coisa mais fundamental. Se você começar a pensar em termos de tornar seus momentos de êxtase permanentes, você já começou a destruí-los. Quando estes acontecerem, seja grato. Quando se forem, agradeça à existência. Permaneça aberto. Isso irá acontecer muitas vezes, não faça julgamentos, não selecione. Permaneça neutro, sem escolhas.
Sim, haverá momentos quando você irá se sentir miserável. E daí? Existem pessoas que são miseráveis e que nem mesmo conheceram um único momento de êxtase: você é afortunado. Mesmo em sua miséria, lembre-se de que ela não será permanente, também passará, então não se preocupe muito com isso. Fique tranqüilo.

Assim como há o dia e a noite, também há momentos de alegria e de tristeza. Aceite isso como parte da dualidade da natureza, como parte da forma de ser própria das coisas. E você é simplesmente um observador: não se torna nem a felicidade nem a miséria. Felicidade vem e passa, miséria vem e passa. Uma coisa continua sempre presente: aquele que observa, aquele que testemunha.

Aos poucos, fique cada vez mais centrado no observador. Dias e noites virão... vidas e mortes virão... sucesso e fracasso irão ocorrer. Mas se você estiver centrado no observador, pois essa é a única realidade em você, tudo mais é um fenômeno passageiro.

Por um momento, tente sentir o que estou dizendo: seja apenas um observador.

Não se apegue a nenhum momento por este ser belo, e não fuja de nenhum momento por este ser miserável. Pare com isso. Você vem fazendo isso por vidas. Nunca teve sucesso e jamais terá. A única maneira de ir além, de permanecer além, é encontrar um lugar de onde possa observar todos esses fenômenos mutantes sem ficar identificado com eles.

Vou contar uma antiga história Sufi.

Um rei perguntou aos sábios da corte: “Estou fazendo um anel belíssimo para mim mesmo. Consegui um dos melhores diamantes que existe. Quero manter, escondido dentro do anel, uma mensagem que possa me auxiliar num momento de completo desespero. Terá que ser bem pequena para que possa ficar oculta sob o diamante no anel.”

Todos os sábios estavam reunidos, todos grandes eruditos. Poderiam escrever grandes tratados. Mas dar ao rei uma mensagem com apenas duas ou três palavras que pudesse ajudá-lo em momentos de completo desespero... eles pensaram, procuraram em seus livros, mas nada puderam encontrar.

O rei tinha um servo antigo que era quase como seu pai – ele já tinha servido também a seu pai. A mãe do rei havia morrido cedo e esse servo cuidou dele, assim ele não era tratado como um empregado. O rei tinha imenso respeito por ele. O velho disse, “Não sou um sábio, culto, conhecedor de muitos assuntos, mas sei qual é a mensagem, pois só existe uma mensagem. E estas pessoas não podem dá-la a você. Ela só pode ser dada por um místico, por um homem que tenha realizado a si mesmo.”

Em minha longa vida no palácio, encontrei todo tipo de pessoas, e uma vez, um místico. Ele também era um hóspede de seu pai e fui colocado para servi-lo. Quando ele estava para partir, como um gesto de agradecimento por todos os meus serviços ele me deu essa mensagem” e a escreveu num pedacinho de papel, depois dobrou o papel e disse ao rei, “Não leia agora, apenas a mantenha escondida no anel. Só leia esta mensagem quando tudo mais tiver falhado, quando não houver mais saída.

E essa hora não demorou a chegar. O país foi invadido e o rei perdeu seu reino. Ele estava fugindo em seu cavalo para salvar sua vida e os cavalos dos inimigos o estavam seguindo. Ele estava sozinho, e eles eram muitos. Depois ele chegou a um ponto onde a estrada acabava, num lugar sem saída, só havia um despenhadeiro. Cair dali seria o fim. Ele não podia retornar, o inimigo estava ali e ele podia ouvir o som dos cavalos se aproximando. Não podia avançar, não havia saída...

Então, lembrou-se do anel. Ele o abriu, tirou o papel, e havia uma pequena mensagem de enorme valor: simplesmente dizia, “Isso também irá passar.

Um grande silêncio recaiu sobre ele enquanto lia a frase: isso também irá passar. E passou. Tudo passa, nada permanece eternamente nesse mundo. Os inimigos que o seguiam devem ter se perdido na floresta, devem ter tomado o caminho errado. Os cavalos se afastavam aos poucos, até que não era mais possível ouvi-los.

O rei ficou imensamente agradecido ao serviçal e ao místico desconhecido. Aquelas palavras provaram ser milagrosas. Ele dobrou o papel, colocou-o de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou seu reino. E quando voltou à capital, vitorioso, havia uma grande celebração por toda a cidade, com música e dança, e ele sentia muito orgulho de si mesmo. O velho serviçal caminhava ao lado de sua carruagem. Ele disse: “Essa também é uma boa hora: leia de novo a mensagem.”

O rei falou: “O que você quer dizer? Sou vitorioso, o povo está celebrando, não estou desesperado, não estou numa situação da qual não há saída.”

O velho serviçal disse, “Escute. Foi isso que o santo disse para mim: esta mensagem não é só para os momentos de desespero, também é para os de grande prazer. Essa não é somente para quando você for derrotado, mas para quando você for vitorioso. Não apenas para quando você for o último, mas também para quando for o primeiro.”

E o rei abriu o anel e leu a mensagem: “isso também irá passar,” e de repente, a mesma paz, o mesmo silêncio no meio da multidão que celebrava alegre, dançando. Mas o orgulho, o ego não estavam mais presentes. Tudo passa.

Ele pediu ao servo que se aproximasse mais da carruagem e se sentasse ao seu lado. Perguntou: “Há mais alguma coisa? Tudo passa... Sua mensagem me ajudou muito.”

O velho servo disse: a terceira coisa que o santo disse foi: lembre-se, tudo passa. Só você permanece. Você permanece sempre como uma testemunha.”

Tudo passa, mas você permanece. Você é a realidade e tudo mais é somente um sonho. Belos sonhos, pesadelos. Mas não importa se é um belo sonho ou um pesadelo, o que importa é aquele que está vendo o sonho. Aquele que vê é a única realidade."

quinta-feira, 19 de março de 2009

Não-Mente - (Tarô da Transformação)


O Definitivo e o Inexprimível
O estado da não-mente é o estado do divino. Deus não é um pensamento mas a experiência de estar sem pensamentos. Ele não é um conteúdo na mente; ele é a explosão quando a mente fica sem conteúdo. Este não é um objeto que você possa ver; é a própria capacidade de ver. Não é o que é visto senão aquele que vê. Ele não é como as nuvens que se jutam no céu, mas o próprio céu quando não há nenhuma nuvem. Ele é esse céu vazio.

Quando a consciência não estiver indo para algum objeto externo, quando não houver nada para ver, nada para pensar, somente vacuidade ao redor, assim você recai em si mesmo. Não há para onde ir - a pessoa relaxa na própria fonte do ser, e essa fonte é Deus.

Seu ser interior é simplesmente o céu interior. O céu é vazio, mas é esse céu vazio que contém todas as coisas, toda a existência, o Sol, a Lua, as estrelas, a Terra, os planetas. É o céu vazio que dá espaço para tudo que é. É esse céu vazio que é a base de tudo que existe. Coisas vêm e vão e o céu permanece o mesmo.

Exatamente da mesma maneira, você tem um céu interior; esse também é vazio. Nuvens vêm e vão, planetas nascem e desaparecem, estrelas surgem e morrem, e o céu interior permanece o mesmo, intocado, imaculado. Chamamos esse céu interior de sakshin, a testemunha – e esse é todo o objetivo da meditação.

Vá para dentro, desfrute o céu interior. Lembre-se, o que quer que você possa ver, você não é isso. Se puder ver pensamentos, então você não é pensamento; se puder ver seus sentimentos, então você não é seus sentimentos; se puder ver seus sonhos, desejos, memórias, imaginações, projeções, então você não é nenhum deles. Prossiga eliminando tudo que você possa ver. Desse modo, um dia, o momento especial chega, o momento mais significante na vida de uma pessoa, quando nada resta para ser rejeitado. Tudo que foi visto desaparece e somente aquele que vê está ali. Este observador é o céu vazio.
Conhecer isso é não ter o que temer, e conhecer isso é estar repleto de amor. Conhecer isso é ser Deus, é ser imortal.

Somos as únicas criaturas ... - (Deepak Chopra)


"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!
Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles.
Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.

Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição.
Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.

A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.
Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: "Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."

Você quer saber como esta seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem
Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje!

Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!"

quarta-feira, 18 de março de 2009

Todos somos um - Chimarruts

Deixe a paz entrar no seu coração
Com tudo de bom que a terra nos trás
Nossos pés descalços no chão
Sentindo a vida e a criação

Deixe o pensamento voar
E o vento elevar sua imaginação
E ao corpo todo tocar
Seus olhos fechar terás a visão

Deixe a água purificar
Os seus sentimentos quando chorar
Pois em cada gota que há
Há um pouco do todo de todo o mar

Deixe a chama então transformar
Toda a tristeza em vontade de sonhar
Transformando corpo em luz
O amor e a esperança é quem nos conduz

Somos a luz desse mundo
Somos o sol dessa terra
Somos a nuvem do céu
Somos a onda do mar
Somos a luz desse mundo
Somos o sal dessa terra
Somos todos filhos da terra
E todos somos um

VIVA O PRESENTE - Monja Coen


Uma vez um jovem que havia mudado de emprego muitas vezes veio me visitar, e me contou seus sonhos. Ele queria ser isto e ele queria aquilo. É bom ter sonhos sobre o futuro. Você pode ir além dos seus limites e conseguir mais. Mas não é sábio esquecer que, embora uma visão do futuro seja necessária para colocar você no caminho agora, se você mantiver seus olhos focados no horizonte muito adiante, você não verá o buraco aos seus pés. E você cairá de costas sem ter para onde ir. Se os seus sonhos vão ser apenas sonhos ou se os sonhos se tornarão realidade, depende de como você está vivendo agora.

Mestre Dôgen (1200-1253) expressou iluminação com esta frase: "O desabrochar da ameixeira é a primavera". Mais tarde essas pétalas caem no chão. Se a maneira na qual vivemos nos dá a alegria da primavera também pode levar embora a alegria da primavera e trazer a dureza do inverno. Mesmo que o grande caminho da vida se abra à nossa frente, a nossa maneira de viver pode não usar as oportunidades. Por outro lado, um grande portão de aço, sem nenhum sinal de abertura, pode abrir-se de par em par devido a algum esforço que hoje fazemos.

As pessoas cujas vidas têm sido infelizes ou cheias de atos vergonhosos geralmente ficam esmagadas pelo grande peso do seu passado e é difícil para elas recomeçarem. Mas não são os erros que arruínam uma pessoa, é o constante pensar sobre eles. Seja quão maravilhosa tenha sido sua vida no passado, quando o presente não é bom, simplesmente não é bom. E também é verdadeiro que seja quão infeliz ou vergonhosa sua vida tenha sido no passado, se você está bem agora, você está bem. Se você se desanima por causa dos enganos passados, isto, na verdade, depende de sua atitude atual em relação a eles. Você tem que aceitar que o seu passado fez o que você é, mas não determina como viver o presente. Assim não existe realmente uma má experiência. É importante ser capaz de aceitar essas experiências como valiosas, digeri-las para que se tornem alimento do presente.

Se pessoas de muita idade ou doentes com pouca esperança no futuro compararem sua fragilidade presente com o vigor de sua juventude, apenas se tornariam mais frágeis, tristes. Não é sábio comparar.

De Shundo Ayoama, trecho do texto " Beleza da Transciência ", publicado na revista Dharma World da Kosei Publishing Co. em 1995

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Prabhujee - (letra da musica e video Mooji)

Prabhujee Dayaa Karo
Maname Aana Baso.
Tuma Bina Laage Soonaa
Khaali Ghatame Prema Bharo.
Tantra Mantra Poojaa Nahi jaanu
Mai To Kevala Tumako Hi Maanu.
Sare jaga Me Dhundaa Tumako
Aba To Aakara Baahan Dharo.


Oh! Mestre, conceda-me um pouco de compaixão
Por favor, venha e more em meu coração.
Porque sem você, estou dolorosamente só
Encha este pote vazio do néctar do amor.
Eu não sei qualquer tantra, mantra ou adoração ritualista
Eu sei e só acredito em você!
Eu tenho o procurado no mundo inteiro
Por favor, venha e segure minha mão agora.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Simplesmente Isto - (Mooji)


Simplesmente Isto
Questionador: Alguns professores dizem que não há nada que você possa fazer para se tornar iluminado ou despertar. Que não há escolha nem ninguém para escolher. Isso é verdade?

Mooji: Ao ouvir isso, qual foi a sua reação?

Q: Na verdade foi mista. Por um lado uma sensação profundamente libertadora, simples e natural, seguido de um sentimento de real frustração e raiva. Honestamente eu me senti bastante irritado e oprimido com a idéia de não ter o livre-arbítrio. Foi muito estranho.

M: E qual dessas duas reações ficaram mais fortes com você?

Q: Bem, como disse antes,inicialmente o sentimento de liberdade foi forte,belo e expansivo mas durou pouco, enquanto que a frustração, dúvida e confusão tém sido mais prolongados.

M: E estes sentimentos o trouxeram de novo ao Satsang, certo?

Q: Pode-se dizer que sim. Na verdade eu não sinto que tomei nenhuma decisão para vir aqui. Eu sinto que fui atraído por alguma força. Quando estou aqui contigo, tudo vai bem; suas palavras e sua presença me fazem sentir seguros nesta verdade. O problema começa quando estou lá fora no mundo. Daí eu duvido de mim mesmo. Me sinto fraco, sem foco e me falta essa convicção que estou sentindo agora. Eu necessito de ajuda.

M: Obrigado. 'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui. É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio. Não a arrogância que diz 'Não há' ningúem a ser ajudado, nenhum 'eu',nenhum 'você'. Ningúem existe, somente aquilo que É ', que embora verdadeiro quando exaltado da boca do sábio, é completamente falso quando expressado da mente egóica! O ego que se levanta através do intelecto bancando ser algum tipo de herói espiritual. Esta compreensão não pode ser enxertada numa mente ego-centrada porque a verdadeira compreensão dissolve o ego-buscador. Não há ninguém que sobre para reivindicar a liberdade como uma realização. A Unidade única apenas existe, manifestando-se através e como a própria consciência, Ela expressa-se como o jogo cósmico. É a consciência se expressando no papel do humilde buscador que finalmente, através da graça, alcança a compreensão final, assim realizando-se como a Consciência Impessoal/O Ser. A sua busca por ajuda abre uma enchente de Graça que se manifesta na forma do 'professor', que é um reflexo do seu verdadeiro Ser, cuja autoridade e presença o assiste empurrando a mente externalizada para dentro de sua fonte, o coração, resultando assim na compreensão final. Esta graça provém do seu próprio Ser e é o seu Ser. Você ouviu o provérbio que diz : ' Nós somos chamados por nosso próprio Ser ', e ainda tudo isto toma a forma como um mero teatro na consciência. O Absoluto, o Ser real de cada um, o Sat guru dentro de nós, nem se beneficia nem sofre nenhuma alteração de maneira alguma, mas mantém-se como o inalterado substrato ou pano de fundo. Esta é a verdade.

Q: Há uma alegria outra vez em ser lembrado disto, talvez isso seja a atração do Satsang. Mas eu devo dizer que ainda estou um pouco confundido sobre...

M: Não ! Pare aí mesmo. Na verdade, ' você ', o que você realmente é, não pode estar confuso. Confusão é um estado mental. Não seria mais preciso dizer que você sente ou nota a confusão surgindo em você ? E que ambos os sentimentos de confusão e conforto são percebidos por você, incluindo seus efeitos no corpo e os pensamentos e julgamentos subsequentes acompanhando tais sentimentos ? E que estes são estados que vem e vão na presença de algum ' pano de fundo ' de inteligência impessoal ou testemunha natural ?

Q: Sim. Parece haver mais distância nesta forma de olhar. Sente-se mais desapegado e espaçoso de alguma forma.

M: Vamos voltar à sua pergunta original ?

Q: Sim, mas eu gostaria que você falasse mais sobre esse ponto.

M: Ok.Ok, nós voltaremos se necessário. Na sentença: 'Não há nada que você ou ninguém possa fazer para ganhar a 'iluminação' ou o 'despertar'. Quem ou o que é que ouve isto? E quem ou o que é o 'você' na declaração ?

Q: Eu mesmo ! O que Eu sou.

M: E o que é isso ? (pausa...) Agora você está vestindo olhos pensativos ', Não pense ! Observe !

Q: Minha mente.. Minha individualidade. Meu sentido de ser, eu suponho. Meu intelecto ?

M: Não deve haver algo por detrás que vê a mente, a individualidade, o intelecto ? De onde estas mesmas frases estão surgindo, e o que se mantém inafetado, intocado pelo funcionamento da mente, intelecto. Não estão estes fenômenos sendo observados ? Você pode confirmar ?

Q: Sim, (assentindo lentamente) Eu posso confirmá-lo como tal.

M: Deixando de lado qualquer fenômeno notável que esteja surgindo, volte a sua atenção para a própria observação. O que exatamente é isso que observa ? É uma pessoa, uma coisa ? Tem uma forma, característica ou qualidade ? É pessoal ?

Q: Não. Ningúem está lá. Nada.

M: Você está lá ?

Q: Sim. Não. Eu devo estar. Eu estou nele.

M: O que vê ou sabe isso ?

Q: Eu não sei. Eu apenas sei mas não sei como eu sei. Eu não sou nada aqui exatamente. Eu quero dizer sem forma. Lá vem aquele sentimento denovo. Isto foi o que eu senti, o que experienciei a última vez.

M: Não se aferre a este sentimento agora, deixe-o ser. Não vá ao passado, permaneça por detrás. Não se identifique, não toque. Apenas observe, mas mantenha-se neutro, de forma que se e quando este sentimento de alegria desvanecer-se, restará apenas este observar. Você não pode ' ter ' ou se ' tornar ' isso. Nenhuma posse, nenhuma realização, apenas pensamentos e sensações surgindo espontaneamente na consciência e sendo percebidos. Você percebe ?

Q: Mas eu não quero que isso vá. Para que afast­á-lo ? Eu quero permanecer neste estado sempre. Não é esse o ponto ?

M: Isto é precisamente o que você deve fazer. Se isso não estava aqui antes, não é permanente, e pertence ao que é mutável. Passará. Deixe-o ir e vir, isto é natural e isso é a própria liberdade. Reconheça o ' Eu não quero afastar isso embora ' é também um sentimento-pensamento surgindo, sendo observado por algo que está além das idas e vindas. Seja Um com isso. Não persiga nada, permaneça como consciência neutra apenas. Isso é tudo. O que pode a consciência querer ? O que falta ? O que há para se manter ou perder ?

Q: Minha mente deu branco. Me desculpa, poderia repetir ?

M: O que está testemunhando o ' branco ' ?

Q: (pausa...) Eu estou. Aqui outra vez !

M: E denovo, quem ou o que é você aqui ?

Q: Apenas isso. Não há palavras que possam dar a entender ou descrever isso. Nada, Vazio.

M: Há alguma tristeza ?

Q: Não.

M: Feliz ?

Q: Não.

M: Livre ?

Q: Não. Eu nem usaria a palavra ' livre ' . (pausa). Sem palavras...

M: Aha ! Muito bom ! Parabéns ! Aquilo é isto ! isto é tudo, você terminou, Excelente ! O exercício terminou. Agora pise fora disto e retorne ao seu estado prévio para que nós possamos continuar com as suas perguntas importantes.

Q: Mmmm... Isto é impossivel ! Já não faz mais sentido nenhum. Pisar fora e ir aonde ?

M: Aqui !

Q: Não há nem sequer aqui !

M: Realmente ? E o Agora ?

Q: Não, nem Agora (longa pausa...) Eu agora vejo claramente que estes são apenas conceitos. Não há dúvida a respeito disso O Indescritível está por detrás.

M: Isto apenas é liberdade, além de qualquer conceito de liberdade. O natural e supremo estado do Ser verdadeiro de cada um.
( o questionador parece ter deslizado num estado meditativo, a sua face é imóvel mas tranquila...Mooji sorri...)

M: Eu queria falar a respeito do que acontece quando esta experiência de 'iluminação' se desvanece, mas agora é impossível discutir isso com ele enquanto ele estiver em samadhi. (Gargalhadas..)

Outro questionador: Eu também já experienciei este estado em que ele parece estar agora, um tipo de experiência da não-experiência, que durou mais ou menos três ou quatro semanas. Eu me senti totalmente vazio, limpo, presente, uno com tudo que É. Tudo apenas acontecendo por si só, era realmente indescritível e belo, mas depois de um tempo minha mente voltou, no meu caso eu penso que ainda mais forte que antes. Na verdade eu entrei num tipo de depressão pesada e me senti perdido por um tempo. Eu tive medo de repetir aquela experiência.

M: Que experiência ?

Q: A experiência louca.
( Gargalhada..).

M: O verdadeiro Ser é o imutável pano de fundo suportando o mundo transitório dos fenômenos. É somente Consciência impessoal; imutável e bem-aventurosa.No estado experiencial, brilha como o puro sentido da consciência subjetiva 'Eu sou'. Este 'Eu sou' é impessoal e sinônimo de consciência – o campo da percepção. É a expressão direta da pura subjetividade. Sri Nisargadatta Maharaj, o grande sábio, descreve como uma porta que se move de um lado para a manifestação e do outro ao infinito. Isto expressa-o belamente. Todos eventos ocorrem como movimentos na consciência e são percebidos dentro e através desta consciente presença 'Eu sou'; esta é a 'testemunha', o ou princípio que testemunha, que nós somos, enquanto o corpo está aqui.

Q: Então nós somos o corpo ou 'estamos' no corpo ou algo separado ? Porque...
( O questionador começou a se lembrar de algumas experiências e observações...)

M: Deixe isto tudo de lado por agora; apenas esteja aberto, permitindo tudo o que tem sido dito simplesmente ser ouvido na consciência sem se apegar à nenhum pensamento em particular ou idéia do tipo : o que fazer com isso que está sendo ouvido; permita que o 'escutar' apenas 'aconteça', assim como seria. Você está aí, por detrás da mente que escuta. Preste atenção ao pensamento 'Eu', não é o verdadeiro 'Eu sou'. Ele vem quando o 'Eu sou' impessoal se identifica com o corpo, que é meramente o instrumento através do qual Ele está se expressando, com o auxílio da força vital – o poder animador. Essa associação faz surgir o ego, ou a individualidade – o sentido de 'eu'. Então você percebe, o sentido de individualidade não pode existir sem a sustentação da consciência impessoal, e é a própria expressão transitória desta consciência criativa. Somente agora Ela opera como cosciência condicionada, acreditando ser o corpo-mente. Surge agora o conhecimento do 'Outro' e um impulso básico de proteger-Se; preferências e desgostos surgem, juntamente com julgamentos, medo, desejos, apegos e o jogo inteiro dos opostos inter-relacionados. Nós como seres individuais somos fascinados e viciados por experienciar, o que em si é natural e não há nada de errado em si mesmo quando visto como o jogo ou a expressão da consciência manifesta que somos. Mas quando visto da perspectiva da identidade individual, com sua agenda privada – Problemão ! ( gargalhada .. )
Agora escute, não há nada em particular para se 'fazer' aqui, nem ninguém para fazer ou desfazer também. Apenas uma mudança na compreensão deve acontecer e tudo se ajusta de maneira correta. Tudo é Um. Vamos pegar o exemplo da antena telescópica do carro, é uma unidade- isto representa o Absoluto. Estenda ou puxe uma vez – o 'Eu sou' impessoal aparece; ainda sim é uma unidade. Puxe de novo e o pensamento do 'Eu individual' brota, e simultâneamente a manifestação do mundo personalizado vem à tona. Como as bonecas russas, uma dentro da outra, sucessivamente, no entanto um Inteiro! Uma unidade expressando-Se como manifesta e imanifesta, dois aspectos da Realidade única. Tal é o jogo no teatro da consciência. Você é a testemunha final, Feliz, inafetado e inteiro. Você é Aquele ! Não é nada pessoal, isto não é um elogio que estou te fazendo.

Q: Porfavor, você poderia repetir o ponto sobre o 'teatro da consciência'?

M: Não ! Eu não posso repetir. Por agora esteja atento, aberto e presente, mas neutro aqui, sem permitir que sua atenção vagueie ou pouse em nenhuma coisa particular. Esta posição estou te convidando a tomar. Confie em sua audição intuitiva. É a sua mente,que aparecendo como um buscador vigilante se esforça por exatidão e então fica presa com o sentimento de ter perdido algo vital. Neste momento é uma sutil forma de resistência ou de evitar. Meu conselho é; se você perder (não compreender) algo, simplesmente deixe-o ir. Tudo está bem por agora. O verdadeiro você está aqui e por detrás de tudo, observando sem esforço; da onde o sentido de perder ou encontrar surge, é sentido, mas descartado como 'não real'- 'neti-neti' como os jnanis dizem. Você, como consciência, não é nenhum sentimento em particular. Pensamentos e sentimentos vem e vão como ondas brincando na superfície do oceano. Deixe tudo vir e ir por si só, isto é natural para as ondas. Oceano, água, ondas – tudo o mesmo. Permaneça como a testemunha apenas. Para a consciência, nada é perdido ou achado, ou é bom ou mal. É o imaculado substrato no qual a sombra mente/mundo de nomes e formas dançam sua aparente existência.

Q: Mas Mooji, seguramente é vigilância ter a certeza que compreendemos corretamente, para evitar mal-entendidos; especialmente porque tudo isso é novo para mim, e também muitas escrituras e professores apontam para a vigilância com uma qualidade ou virtude necessária para o crescimento espiritual.

M: Isto é verdade se realmente existe 'alguém' que fará uso desta compreensão. Mas se você realmente investigar, este 'alguém', a 'pessoa', o indivíduo, não será encontrado ! Tudo é apenas consciência – o 'você', o 'eu', o falar, o escutar, satsang, todos aqui, tudo - tudo consciência; esta é a maravilhosa descoberta ! A Consciência conversando com a consciência sobre consciência através da consciência. Quão simples ! No entanto quão inexplicável quando buscado através da mente-ego. Olhe, eu te mostro onde você está agora mesmo, então permaneça com Isso, nada mais, mas a sua mente pousou em algum ponto que lhe interessa. Enquanto você estiver engajado em prender-se a isso, você perde todo o resto – isto é chamado o jogo de 'maya' (A ilusão cósmica). É como ler um livro sobre frutas exóticas e reggae enquanto passeia pelo mercado de Brixton! ( risadas...). Um mestre Zen chamado Bankei certa vez disse: ' É como um homem que perde sua espada caída do navio no mar, e marca o ponto no caminho das águas onde caiu. (Gargalhadas...)

Q: Justamente agora que você disse isso, tudo parou. Eu não posso pensar. Não há pensamentos. (Levando sua mão a sua boca) Isso é maravilhoso !

M: O que está vendo tudo isso ?

Q: Nada... Eu.

M: 'Eu' - nada, testemunhando a mente parada. Quando a mente está parada, ainda pode ser chamada mente ?
( Pausa...)

M: E agora ?

Q: Silêncio e paz.

M: Para quem ?

Q: Aqui..Para mim.

M: Pra você ? Você tem certeza ? O que, onde e como está 'você' exatamente nisso ?

Q: Não eu; apenas silêncio e profunda paz e um sentimento real de gratidão. Está certo ?

M: Você me diz.

Q: Sim. Gratidão por escutar e ver isso tão claramente. Obrigado.

M: Seja Bem-Vindo. Ser agradecendo o Ser. Muito Bom !
( risadas...)

OM

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Polaridade positiva-negativa - (Mooji)


"Medite sobre o aspecto positivo da vida e então sobre o negativo.
Depois coloque ambos de lado, pois você não é nenhum deles.
Olhe para isso desse jeito. Medite sobre o nascimento: uma criança
nasceu, você nasceu. Então você cresce, torna-se jovem. Medite sobre
todo esse crescimento. Daí você se torna velho e morre. Desde o próprio
começo... imagine o exato momento em que seu pai e sua mãe conceberam
você, no útero de sua mãe, desde a primeira célula. Olhe de lá até o
final quando o seu corpo está queimando numa pira funerária e todos os
seus parentes estão de pé ao seu redor. Então coloque ambos de lado,
aquele que nasceu e aquele que morreu. Simplesmente coloque ambos de
lado e olhe para dentro de si. Lá está você - aquele que nunca nasceu
e que nunca vai morrer.

Você pode fazer isso com qualquer polaridade positiva-negativa. Você
está sentado aqui. Eu olho para você, eu conheço você. Então, eu fecho
os olhos e você não está mais aí; eu não conheço você. Então coloco ambos
de lado: o conhecimento do que eu conheço e o conhecimento do que eu
não conheço. Você estará vazio, porque quando você põe de lado o
conhecimento e o não-conhecimento, você fica vazio.

Existem dois tipos de pessoas: algumas são preenchidas com conhecimento
e outras são preenchidas com ignorância. Existem pessoas que dizem,
'nós sabemos'. O ego delas subiu com o conhecimento. E existem pessoas
que dizem, 'nós somos ignorantes'. Elas estão preenchidas com a ignorância..
Elas dizem, 'nós somos ignorantes, nós não sabemos'. Um é identificado
com o conhecimento e o outro com a ignorância. Mas ambos possuem alguma
coisa, ambos valorizam alguma coisa. Empurre ambos para o lado, o conhecer
e o não-conhecer, assim você não é nem a ignorância, nem o conhecimento.
Coloque ambos de lado, o positivo e o negativo. Então quem é
você? De repente, o 'quem' será revelado a você. Você se tornará consciente
do além, daquilo que transcende. Colocando ambos de lado, o positivo e o
negativo, você estará vazio. Você será nenhum, nem sábio nem ignorante.
Coloque ambos de lado, o ódio e o amor; coloque ambos de lado, a amizade
e a inimizade. Quando ambas as polaridades forem colocadas de lado, você
estará vazio.

Mas esse é o truque da mente: ela pode colocar um de lado, mas nunca os
dois juntos. Ela pode colocar um de lado - você pode colocar a ignorância
de lado, então você se agarra ao conhecimento. Você pode colocar a dor
de lado, mas aí você se agarra ao prazer. Você pode colocar os inimigos
de lado, mas aí você se agarra aos amigos. E existem algumas poucas
pessoas que fazem justamente o contrário: elas colocam os amigos de lado
e se agarram aos inimigos; elas colocam o amor de lado e se agarram ao ódio,
elas colocam a riqueza de lado e se agarram à pobreza; elas colocam o
conhecimento e as escrituras de lado e se agarram à ignorância. Essas
pessoas são grandes renunciadores. Qualquer coisa que você se agarra,
elas colocam de lado e se agarram ao oposto - mas elas se agarram do mesmo
jeito.
Agarrar-se é o problema, porque se você se agarra, você não consegue
esvaziar-se. Não se agarre; esta é a mensagem dessa técnica. Simplesmente
não se agarre a nada, positivo ou negativo, porque com o não-agarrar-se
você encontrará a si mesmo. Você está aí, mas por causa desse agarrar,
você está escondido. Com o não-agarrar você estará exposto, você estará
descoberto. Você explodirá.


-

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Om Namo Bhagavate - (Deva Premal)



OM NAMO BHAGAVATE VASUDEVAYA (do sânscrito): é um dos mantras de evocação de Krishna. OM é a vibração interdimensional que interpenetra a tudo e a todos.
NAMO: Saudação ou reverência ao poder divino.
BHAGAVATE: Respeito ao Senhor.
VASUDEVAYA: Vasudeva é o nome da família carnal que criou Krishna. O Ya acrescentado no final significa a característica ativa (masculina) do mantra. Quando alguém faz esse mantra completo, evoca Krishna como homem que também viveu aqui na Terra e sabe das dificuldades enfrentadas por todos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Permaneça em silêncio - (Ramana Maharshi)


A liberação, que é bem-aventurança, é natural a todos.
A ignorância é uma ilusão da mente, uma falsa sensação.
Apenas o ego é prisão, e a sua própria natureza,
livre do contágio do ego, é liberação.
Não há engano maior do que acreditar que a liberação,
Que está sempre presente como a sua verdadeira natureza,
será alcançado em um tempo futuro.
Até mesmo o desejo pela liberação é fruto da ilusão.
Portanto, permaneça em silêncio.

é realmente possível se tornar ou ganhar a iluminação ? - (Mooji)


Questionador: Mooji, é realmente possível se tornar ou ganhar a iluminação ? Alguém já se tornou iluminado ou despertou através de estar vindo a Satsang; e se sim, você poderia dizer quem ?


Mooji: Em verdade não é possível se tornar iluminado assim como você coloca, pois não há ninguém por assim dizer para se tornar iluminado em primeiro lugar. O firme reconhecimento, ou a realização de que não existe em realidade um 'alguém' para alcançar a iluminação, e que nunca em tempo nenhum poderá haver tal entidade, seja agora ou no futuro, para alcançar tal estado, é o que vem a ser a Iluminação.Esta é a verdade derradeira.Você pergunta: ' Se já alguém, por vir a Satsang, se tornou desperto.' Isto já foi respondido na minha resposta prévia mas vou ainda adicionar que o que tém havido e continua a se dar é um constante reconhecimento do fato que a identidade-ego é um mito, um personagem fictício. Esta, por assim dizer, individualidade, é uma expressão da pura Consciência/Ser e não o fato ou a definição do Ser. Este Ser permanence por detrás como a testemunha ou a observação dos fenômenos surgindo espontaneamente na consciência. Este Ser verdadeiro é somente a sem-forma e sem-nome presença que surge e brilha como paz, alegria e felicidade sentidos como contentamento amoroso. Quando este reconhecimento ocorre dentro de cada indivíduo, ou expressão da consciência conhecido como 'pessoa', este estado é chamado de 'despertar' ou 'iluminação'Você me pede para eu apontar se existe alguém assim aqui presente ? Na linguagem comum eu direi que um número de pessoas aqui chegaram neste ponto de ver/ser claramente além de apenas uma mera aceitação ou entendimento intelectual ou acadêmico. No entanto, as tendências mentais e identificações não são completamente destruídas, e o sentido de ego fazendo-se passar pelo assento da realidade continua a aparecer, embora já exposto através da inquirição como uma mera ilusão. Isto é natural. A tarefa e o desafio aqui é trazer repetidamente esta individualidade-Eu de volta ao coração/fonte quando ela surgir, e treinando a atenção a permanecer na fonte, que é o seu verdadeiro ser, gradualmente ela funde-se na fonte e se torna a própria fonte.Finalmente, quem poderia ser esse 'eu' quem clamaria: 'Eu o tenho', ou 'Eu sou uma pessoa realizada'. Quem ou o que pode possuir a Iluminação ? Não é o mesmo ego ? Percebe o meu ponto ?No entanto, alguns Mestres de fato declararam e se afirmaram como a pura realidade, sem qualidades, e falaram a partir desta direta convicção/sabedoria livre do ego. Isto também é correto na minha visão e é muito refrescante, natural e com autoridade, para que saibamos que não é possível enmoldurar ou limitar o ser puro por nenhum padrão ou lógica humana.

'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui - (Mooji)


'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui. É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio. Não a arrogância que diz 'Não há' ningúem a ser ajudado, nenhum 'eu',nenhum 'você'. Ningúem existe, somente aquilo que É ', que embora verdadeiro quando exaltado da boca do sábio, é completamente falso quando expressado da mente egóica! O ego que se levanta através do intelecto bancando ser algum tipo de herói espiritual. Esta compreensão não pode ser enxertada numa mente ego-centrada porque a verdadeira compreensão dissolve o ego-buscador. Não há ninguém que sobre para reivindicar a liberdade como uma realização. A Unidade única apenas existe, manifestando-se através e como a própria consciência, Ela expressa-se como o jogo cósmico. É a consciência se expressando no papel do humilde buscador que finalmente, através da graça, alcança a compreensão final, assim realizando-se como a Consciência Impessoal/O Ser. A sua busca por ajuda abre uma enchente de Graça que se manifesta na forma do 'professor', que é um reflexo do seu verdadeiro Ser, cuja autoridade e presença o assiste empurrando a mente externalizada para dentro de sua fonte, o coração, resultando assim na compreensão final. Esta graça provém do seu próprio Ser e é o seu Ser. Você ouviu o provérbio que diz : ' Nós somos chamados por nosso próprio Ser ', e ainda tudo isto toma a forma como um mero teatro na consciência. O Absoluto, o Ser real de cada um, o Sat guru dentro de nós, nem se beneficia nem sofre nenhuma alteração de maneira alguma, mas mantém-se como o inalterado substrato ou pano de fundo. Esta é a verdade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A inquirição silenciosa - (Trechos do Satsang com MOOJI, mar/08 em São Lourenço - Transcrição: Veetshish)


Pergunta – Mestre, essa não-mente que o senhor fala, seria o fluir da
intuição, justamente algo diferente; como o Eu Sou, o que estou perguntando.
Mooji - Isto que não é esta mente, não é um outro tipo de mente.
É como se fosse um espaço, mas eu não quero dar uma imagem a isso,
porque a mente em si, ela rapidamente dá uma imagem a algo que não tem uma
imagem. A única coisa que eu posso falar seria: tudo que você percebe é um
pensamento, sensação, emoção, sentimentos, objetos, o que você chama de mente,
memórias, qualquer coisa que é percebida, não pode existir sem você que os
percebe.
Isto é um ponto muito simples, um senso comum. Você não deve pensar
que é algo complexo, ou profundo. No momento em que você entende o que eu
falei, você vai ver o quão simples é.
Você está observando todas estas coisas. Então experimenta quem você
é, experimenta quem percebe todas as coisas. Pode você, que está observando todo
o resto, pode você ser observado? Tente ver. O que é você? Não pense sobre isso.
Olhe, encontre!
É tão fácil simplesmente perder esta oportunidade. Eu me pergunto se
você entende a profundidade desta oportunidade. Poucas pessoas percebem. Esta é
a descoberta mais alta que você pode fazer. Porque põe um fim à separação.
E talvez a gente esteja ainda investindo em separação. A sua mente
ainda está investindo em separações. E enquanto a sua mente ainda está investindo
em separações, você está na roda da existência. Enquanto sua mente está ainda
investindo em separação, e você está investindo na mente, você não vai conhecer a
liberdade completa.
Talvez você nem queira! Porque se você estiver tão profundamente
hipnotizada com a associação com a mente, o que estou falando não vai ter
interesse pra você.

Pergunta - E esse sem-esforço, de onde vem? Como se percebe este
sem-esforço?
Mooji - Parando de fazer esforço.
Você pergunta de onde a falta de esforço vem, mas você deve entender
que todo o esforço surge do não-esforço. A falta de esforço é estável, o esforço é
instável. O esforço é variável. A falta de esforço é constante.
E você é esta falta de esforço.
Mas se você usa sua mente para aceitar o que eu estou falando, a mente
diz: mas como eu posso achar esta falta de esforço? Qual é o esforço certo para ser
sem esforço? Quando você observa esta resposta que vem vindo da mente, mas
você não se identifica com a mente, não compra esta sugestão, se mantém quieta,
observe que isto é mais só um pensamente. Deixe o pensamento acontecer. Mas
não entre em nenhuma relação com isso. Então, qual será sua experiência?
Sua experiência é que nada te toca. Você não consegue se achar como
um objeto fenomenológico. Você não é um fenômeno. Você é a testemunha do
fenômeno.
Você entende isso, você vê isso? Isso é direto. Você não tem que ir a
uma universidade pra aprender isso. Você não tem que ir morar numa caverna pra
entender isso, você não tem que ser iniciado pra entender isso. Você não tem que
recitar nenhum mantra pra saber disso. Essa é a verdade indissolúvel e
transparente.
Quem é você? Você pode escrever algo sobre você que seja verdade, na
luz do que estou compartilhando com você? Você pode ser descrito? Ou você é
aquilo que percebe aquela descrição?

************

Mooji -
Dizem que a coisa mais simples é a mais difícil de ser
reconhecida. O que está longe é o mais fácil de ver. Aquilo que é o mais íntimo
não pode ser visto. E a verdade está mais próxima do que a intimidade. Como e
por quem pode ser vista? Algo diferente da verdade?
A maioria das pessoas quer um tipo de experiência porque quando você
tem uma experiência, você pensa: algo especial aconteceu. Mas aquele que é
verdadeiramente livre está além da experiência. Eles experimentam a experiência.
Vocês entendem o que estou falando?
Aquele que testemunha a experiência, pode aquele ser experimentado?
Você está absorvendo a pergunta, ou você está só ouvindo mentalmente? Existe
coragem para convidar esta pergunta pra dentro do coração?
Você tem que ter a coragem do Buda. E o que é esta coragem do Buda?
Esta pergunta é como uma granada. A coragem do Buda é aquele que vai para um
lugar quieto com esta pergunta, que é uma granada, e tira o pino. Quem entende
isso?
Se você se identificar com a mente, você vai deixar a mente escapar,
porque você tem medo da possibilidade deste descobrimento. Mas por que você
deveria ter medo de descobrir aquilo que você já é? É tão tolo assim.
Não escute somente mentalmente. Aceite dentro de você.
Eu fiz pergunta a vocês, mas eu não quero nenhuma resposta. Porque a
maioria das respostas vem da mente. Fiz a pergunta. Coloquei esta pergunta como
uma granada na sua mão. Você vai puxar o pino?
Pergunta - Pode repetir a pergunta?
Mooji - Você vê tudo. Tudo o que você vê e experimenta no mundo,
tudo o que está preso na sua mente, tudo o que você percebe ser importante neste
mundo, incluindo a idéia que você tem de você mesmo, tudo isso está sendo
guardado na sua memória, existe somente em você.
Você pode acreditar que existe dentro de cada um, mas em cada pessoas
isso existe de forma única como uma percepção subjetiva. Então, você é o centro
do seu universo.
Você é experiência do seu universo. Então, quem é você? Quem é você
que percebe todas essas coisas?
Se tem um sentimento dentro de você que o está perturbando, pode este
sentimento estar dentro de você sem você, pode existir sem você que o percebe?
Mesmo a mudança mais sutil que acontece dentro de você, você é o está
consciente desta mudança.
Quem ou o que é você?
Você pode ser visto?
Você pode se apresentar?
Qual sua forma?
Você tem desejos?
Você tem data de nascimento?
Você tem um signo?
Aquilo que vê todo o resto...
Olhe e veja! Você pode passar os próximos 10 anos fazendo isso, mas
você também pode achar em 10 segundos. Você escolhe.
O que acontece com você quando você olha através desta pergunta?
Eu não quero sua resposta mental. Ela não é fresca. Ela é velha.