sexta-feira, 3 de julho de 2009

Como Eu Fico Aqui? - (Gangaji)


Reunião Pública Mill Valley, Califórnia - 23 de junho de 2002


"Pergunta: Minha principal pergunta vem da experiência deste divino estado de Amor.

Gangaji: O Mar divino de Amor.

Pi: Sim. É lindo. Esta experiência de amor transcende tudo.

G: Você tem muita, muita sorte.

Pi: Por que eu iria querer vivenciar qualquer outra coisa além deste amor? Nas relações com os outros, pondo restrições na relação, tornando o amor condicional... Por que eu iria querer me envolver em algo assim?

G: Quer que eu lhe diga por quê? Eu sei por quê.

Pi: Sim.

G: Quer dizer, melhor ir simplesmente direto ao ponto, não?

Pi: Porque eu gosto de ficar nesta caverna.

G: Sim, e porque você tem que descobrir que, no centro dela, está este mesmo Amor. A única razão pela qual você quer vivenciar qualquer outra coisa além do Amor, é para descobrir que é tudo Amor. Você ouviu? Se aceitar a teoria de que você se colocou numa posição horrível (ou que Deus ou o destino o fizeram), você pode vivenciar esta condição horrível, este estado limitado, como algo menor que o divino Mar de Amor. E você pode descobrir que mesmo na experiência de limitação está o amor divino: dentro desta Leela, deste jogo; dentro deste mistério chamado vida, está este princípio unificador. Que todos descubram a si mesmos como sendo apenas Aquilo, como Tudo. Isto vem direto do mestre. Agora que você tem a sua resposta, o que vai fazer com ela?

Pi: Bem, estou procurando um meio de ficar neste estado.

G: Aha! Isto é excelente, porque essa é a pergunta: "Como eu permaneço neste estado?" Mas esta pergunta garante que ele não permanecerá. Se você realmente ouvir isto, ouvirá o que eu disse. Esta mesma pergunta, por mais legítima e natural que seja, é a garantia da saída, porque naquele momento você está se separando do Amor. Você está atribuindo o Amor, o Mar divino de Amor, a uma onda em particular, em vez da totalidade do Mar. Então, não é de admirar que você pergunte: "Onde está o Mar, onde está o Mar?" E então.…

Pi: Bem, eu fiquei neste estado durante uma semana e meia.

G: Uma semana e meia. Meu Deus, um iogue regular, hem? Escute, uma semana e meia é muito tempo. Poderia acontecer em um segundo. Para algumas pessoas aqui, aconteceu durante uma fração de segundo, e elas nem se lembram; porém, sabem que aconteceu, porque há um eco em seu coração. E é só isso que tem que acontecer. Então, o resto de sua vida pode ser dedicado a descobrir aquilo (não naquela forma, não com aquelas qualidades; não com os mesmos fenômenos, e não naquele estado físico, emocional ou mental específico (por mais belo que tenha sido). Descubra-o aqui, neste plano, neste momento normal. O segredo é parar de buscar. Então esta pergunta: "Como eu consigo isso? Como encontro isso? Como mantenho isso?" não tem aonde ir. E aqui está uma descoberta, uma descoberta indizível. Eu realmente não posso falar sobre esta descoberta, porque falar sobre ela daria a ela uma certa forma. E você então imaginaria que é isso que você tem que buscar. Mas isso está bem aqui. Sempre está aqui, COMO AQUI É. O presente incrível de Papaji e de Ramana é que esta simplicidade torna irrelevantes todos as questões de prática, de preparação, karma, bondade, maldade, escolha ou ausência de escolha. Neste momento, pare e vivencie o que está aqui."

Encarando a Morte - (Gangaji)


"Você está morrendo agora, neste momento. Tudo que você pensa que é está morrendo agora, neste exato momento. Você como um corpo individual, como o mundo; você, como experiência, está morrendo neste instante. Há muitas mortes todos os dias. Há a morte de cada momento e a morte que vem todas as noites, quando você adormece. Há morte quando um relacionamento termina ou quando um filho deixa o lar. Mas a morte de que quero falar é a morte física. Em nossa cultura, esta morte é geralmente a mais evitada, a mais negada. Ela nos apavora; temos tanto medo de não ser nada.

Bhavo morreu. Ele se retirou silenciosamente, enquanto dormia, tendo ao seu lado três amigos; eu estava indo à sua casa para vê-lo. Estar com ele, durante as semanas que antecederam a sua morte, e naquela manhã, com seu corpo morto, foi um grande presente. Não foi uma teoria sobre a morte; foi a realidade de estar em um quarto com a morte. A morte se aproximando claramente, e então a morte presente, levando consigo a energia vital. Foi estar com um corpo quando não se faz nada para embelezá-lo: quando ele está mortalmente pálido. Simplesmente o fato nu e cru da morte da forma. A disposição de estar presente com a morte nua revela a absoluta e inegável beleza e presença daquilo que está eternamente vivo. Bhavo se foi, o que conhecíamos da forma de Bhavo se foi; ele foi cremado e agora é apenas cinzas; Desapareceu. Todos nós teremos lembranças de Bhavo, lembranças de sua personalidade gentil, de suas irritações, do universo completo de Bhavo.

A presença que animava a forma de Bhavo é exatamente a mesma presença que anima a sua forma e anima todas as formas. Despertar para si mesmo como essa presença é a disposição de conhecer a morte em todas as formas, inclusive esta que você chama de sua.

Ele deixou uma dádiva enorme para aqueles de nós que se dispuseram a acompanhá-lo em seu sofrimento físico até o fim. Sua morte teve um grande valor, porque ele sabia que ela estava vindo. Ele não estava negando a morte. Isto não quer dizer que ele não estivava combatendo a sua enfermidade; ele lutou, fez tudo que ele e seus médicos consideravam possível. Não se trata de não combater a doença. Trata-se de saber que você está combatendo a doença, mas a morte virá quando vier. E ter a capacidade, como ele teve, de encarar o fim. Ele ouviu: "Perdemos a luta. A luta acabou", e na manhã seguinte estava morto.

Muitas pessoas iniciam a busca espiritual procurando alcançar realização, mas a verdadeira realização espiritual é alcançada por meio da perda consciente de tudo. O que significa perder tudo? Na morte, perdemos tudo: nossas famílias, nossos entes queridos, nossa história, nosso passado, nosso futuro. Na disposição de perder tudo conscientemente, revela-se a verdade de nosso próprio ser.

Felizmente, Bhavo não teve que esperar que a enfermidade tomasse conta do seu corpo para encarar esta perda. Assim, ele pôde morrer livre, morrer em paz; perdendo algo muito precioso, mas ganhando mais do que jamais se pode perder. Nós, que estivemos com ele naquele dia, com seu corpo morto e pálido, sentimos uma incognoscível, incompreensível alegria de ser. Bhavo, com sua morte, foi um presente para nós. A verdade é que ele foi um presente para nós antes disso, porque ele havia encarado a morte muito tempo antes da morte física chegar. Tanto sua vida como sua morte foram, em última instância, relativa e absolutamente o mesmo presente.

Todos vão morrer um dia; isso é garantido pelo nascimento. Contudo, neste momento, você tem a oportunidade de encarar a morte antes de seu corpo morrer, para reconhecer seu amor e apego à forma física, e deixar este apego morrer. A identificação equivocada com a forma física precisa morrer. E, nesta morte, você desperta para a verdade de quem você realmente é. Se você estiver disposto a parar um instante e morrer para esse apego, é bem provável que lhe sobrará algum tempo para descobrir "Como é a vida depois de eu ter encarado a morte?" Então você poderá passar o resto da sua vida compartilhando a sua descoberta conosco. Há tamanha fome, tamanha sede do néctar que brota deste reconhecimento.

Para morrer assim, primeiro é preciso descobrir o mecanismo de resistência. Por exemplo, qual é o pensamento que sustenta a crença de que "Não posso encarar a morte neste momento", ou "Está bem, mas e se...?" A resistência a encarar a morte surge do medo e do pensamento de que "Não vou mais existir". Compreendo esse medo. Muito já disseram e eu repito: "Você é a existência". Não estou pedindo que você acredite no que eu digo; estou encorajando você a realmente encarar o medo da não-existência, a mergulhar na incognoscível possibilidade de não existir. Normalmente negamos esta possibilidade porém, investigar realmente e perguntar: "Quem ou o quê não vai existir?" é auto-investigação.

Pode-se dizer que você é Consciência Radiante; que você é a Luz, a Verdade, Deus ou a Beleza. Entretanto, você precisa reconhecer a si mesmo por si mesmo.

Você é o corpo? Sei que o corpo está obviamente impregnado de você, portanto não estou dizendo que você está separado do corpo.

Você está disposto a morrer agora mesmo, a morrer para quem você foi; a morrer para quem você pensa que é e quem você pensa que será?

Agora, o que permanece?"


Julho de 2002
Este artigo é baseado nas palavras ditas por Gangaji durante um encontro no Peacock Gap Country Club, em 18 de setembro de 2002.

EL CORAZÓN ES EL SÍ MISMO - (Ramana Maharshi, El Evangelio del Maharshi)


"D. Sri Bhagavan habla del Corazón como la sede de la Consciencia y como idéntico al
Sí mismo. ¿Qué significa el Corazón exactamente?
M. La pregunta sobre el Corazón surge debido a que usted está interesado en buscar la Fuente de la consciencia. Para todas las mentes de pensamiento profundo, la indagación sobre el «yo» y su naturaleza tiene una fascinación irresistible.
Llámelo por cualquier nombre, Dios, Sí mismo, el Corazón o la Sede de la Consciencia,
es todo lo mismo. El punto que hay que comprender es éste, que CORAZÓN significa el Núcleo mismo del ser de uno, el Centro, sin el cual no hay nada.
D. Pero Sri Bhagavan ha especificado un lugar particular para el Corazón dentro del
cuerpo físico, que está en el pecho, dos dedos a la derecha del medio.
M. Sí, ese es el Centro de la experiencia espiritual según el testimonio de los Sabios. El Corazón-centro espiritual es completamente diferente del órgano muscular que propulsa la sangre conocido por el mismo nombre. El Corazón-centro espiritual
no es un órgano del cuerpo. Todo lo que puede decir del Corazón es que es el Núcleo
mismo de su ser, eso con lo que usted es realmente idéntico (como la palabra en sánscrito significa literalmente), ya sea que usted esté despierto, dormido o soñando, o ya sea que usted esté ocupado en el trabajo o inmerso en Samadhi.
D. En ese caso, ¿cómo puede ser localizado en una parte del cuerpo? Fijar un lugar para el Corazón implicaría establecer limitaciones psicológicas a Eso que es más allá
del espacio y del tiempo.
M. Eso es correcto. Pero la persona que hace la pregunta sobre la posición del Corazón, se considera a sí mismo como existiendo con o en el cuerpo. Al hacer la pregunta ahora, ¿diría usted que solo su cuerpo está aquí pero que usted está hablando desde alguna otra parte? No, usted acepta su existencia corporal. Es desde este punto de vista como llega a hacerse cualquier referencia a un cuerpo físico.
Hablando verdaderamente, la pura Consciencia es indivisible, es sin partes. Ella no tiene ninguna forma ni ninguna figura, ningún «dentro» ni ningún «fuera». Para ella no hay ninguna «derecha» ni ninguna «izquierda». La pura Consciencia, que es el Corazón, incluye todo; y nada es fuera o aparte de ella. Eso es la Verdad última.
Desde este punto de vista absoluto, el Corazón, el Sí mismo o la Consciencia no puede tener ningún lugar particular asignado en el cuerpo físico. ¿Cuál es la razón? El cuerpo es él mismo una mera proyección de la mente, y la mente es solo un pobre reflejo del Corazón radiante. ¿Cómo puede Eso, en lo que está contenido todo, estar confinado ello mismo, como una minúscula parte, dentro del cuerpo físico, que es solo una manifestación fenoménica e infinitesimal de la única Realidad?
Pero las gentes no comprenden esto. No pueden evitar pensar en los términos del cuerpo físico y el mundo. Por ejemplo, usted dice «yo he venido a este Asramam haciendo todo el camino desde mi país más allá de los Himalayas». Pero eso no es la verdad. ¿Donde hay un «venir» o un «ir», o cualquier movimiento que sea, para el único Espíritu omnipenetrante que usted es realmente? Usted está donde usted ha estado siempre. Es su cuerpo el que se movía o era transportado de un lugar a otro hasta que llegó a este Asramam. Esto es la simple verdad, pero para una persona que se considera a sí mismo un sujeto que vive en un mundo objetivo, esto parece algo completamente visionario.
Al descender al nivel de la comprensión ordinaria es cuando se asigna un lugar al
Corazón en el cuerpo físico.
D. ¿Cómo debo comprender entonces la afirmación de Sri Bhagavan de que la experiencia
del centro-Corazón es en ese lugar particular del pecho?
M. Una vez que usted acepte que, desde el punto de vista verdadero y absoluto, el Corazón como pura Consciencia está más allá del espacio y el tiempo, será fácil para
usted comprender el resto en su perspectiva correcta.
D. Es solo sobre esa base como he hecho la pregunta sobre la posición del Corazón.
Estoy preguntando sobre la experiencia de Sri Bhagavan.
M. La pura Consciencia, enteramente desconectada del cuerpo físico y que trasciende la mente, es una cuestión de experiencia directa. Los sabios conocen su Existencia
eterna y sin cuerpo como los legos conocen su existencia corporal. Pero la experiencia de la Consciencia puede ser con consciencia corporal tanto como sin ella.
En la experiencia sin cuerpo de la pura Consciencia, el Sabio está más allá del tiempo y el espacio, y entonces no puede surgir en absoluto ninguna pregunta sobre
la posición del Corazón.
Sin embargo, puesto que el cuerpo físico no puede subsistir (con vida) aparte de la
Consciencia, la consciencia corporal tiene que ser sostenida por la pura Consciencia.
La consciencia corporal, por su naturaleza, es limitada y no puede ser nunca coextensiva con la pura Consciencia, que es infinita y eterna. La consciencia del
cuerpo es meramente como una mónada, como un reflejo en miniatura de la pura Consciencia con la que el Sabio ha realizado su identidad. Por consiguiente, para él, la consciencia del cuerpo es solo un rayo reflejado, por así decir, de la Consciencia infinita y auto-efulgente que es él mismo. Es solo en este sentido como el Sabio es consciente de su existencia corporal.
Puesto que, durante la experiencia sin cuerpo del Corazón como pura Consciencia, el Sabio no es consciente del cuerpo, esa experiencia absoluta es localizada por él dentro de los limites del cuerpo físico por una suerte de sensación de recordación
hecha mientras él está con consciencia corporal.
D. Para hombres como yo, que no tienen ni la experiencia directa del Corazón ni la consecuente recordación, la cuestión parece un poco difícil de aprehender. Sobre la
posición del Corazón mismo, quizás debamos depender de algún tipo de conjetura.
M. Si la determinación de la posición del Corazón debe depender de una conjetura, incluso en el caso de los legos, la cuestión no merece ciertamente mucha consideración.
No, no es de una conjetura de lo que usted tiene que depender; se trata de una intuición infalible.
D. ¿Para quién es la intuición?
M. Para uno y para todos.
D. ¿Me acredita Sri Bhagavan con un conocimiento intuitivo del Corazón?
M. No, no del Corazón, sino de la posición del Corazón en relación a su identidad.
D. ¿Dice Sri Bhagavan que yo conozco intuitivamente la posición del Corazón en el
cuerpo físico?
M. ¿Por qué no?
D. (Señalándose a sí mismo) ¿Es a mí personalmente a quien Sri Bhagavan se está refiriendo?
M. Sí. ¡Esa es la intuición! ¿Cómo acaba de referirse a usted mismo por el gesto justo ahora? ¿No puso usted su dedo en el lado derecho del pecho? Ese es exactamente
el lugar del centro-Corazón.
D. Así pues, en la ausencia del conocimiento directo del centro-Corazón, ¿tengo que
depender de esta intuición?
M. ¿Qué hay de malo en ello? Cuando un muchacho de escuela dice «Soy yo quien ha hecho la suma correctamente», o cuando le dice a usted «Correré y traeré el libro
para usted», ¿señala él a la cabeza que hizo la suma correctamente, o a las piernas
que le llevarán rápidamente para traerle a usted el libro? No, en ambos casos, su
dedo señala de manera completamente natural hacia el lado derecho del pecho, dando así una expresión inocente a la profunda verdad de que la Fuente de la «yo»-idad en él está ahí. Es una intuición infalible que le hace referirse a sí mismo, al Corazón que es el Sí mismo, de esa manera. El acto es completamente involuntario y universal, es decir, es el mismo en el caso de todos los individuos. ¿Qué prueba más contundente que ésta requiere usted sobre la posición del centro-Corazón en el cuerpo físico?"

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Conheça sua verdadeira identidade - (Sathya Sai Baba)


Data: 26/09/98 – Ocasião: Dasara - Festival das Mães Divinas - Local: Prasanthi Nilayam

"Uma pessoa pode dominar todas as formas de conhecimento,
Pode derrotar seus adversários em um debate,
Pode lutar com valor e coragem em um campo de batalha,
Pode ser um imperador e reinar sobre vastos reinos,
Pode oferecer vacas e ouro como um ato de caridade,
Pode contar as incontáveis estrelas no céu,
Pode recitar o nome das diferentes criaturas viventes sobre a terra,
Pode ser um especialista nas oito formas de Yoga,
Pode até alcançar a lua,
Mas é impossível controlar o corpo, a mente e os sentidos.
Direcione sua visão para o interior e atinja o supremo estado de equanimidade da mente.
(Poema em Télugo)

Manifestações do Amor Divino!
Neste mundo, para que um homem possa realizar qualquer tarefa, são essenciais: o poder da vontade, o poder do discernimento e o poder da ação. O poder da vontade se refere à determinação para tomar a seu cargo uma tarefa. O poder do discerni-mento se refere aos métodos e aos meios a serem adotados para desempenhar a tarefa assumida. Não é suficiente que você tenha o poder da vontade e do discernimento; você precisa ter também o poder da ação.
Se você quer tecer uma peça de pano, você precisa de algodão. O algodão tem que ser transformado
em fios, para que possa ser tecido. Isto se relaciona ao poder da ação. Uma pesquisa sobre o tipo de equipamento necessário para fazer isto se relaciona ao poder do discernimento. O homem tem estas três potencialidades em si próprio, mas isto não é suficiente. Ele precisa utilizá-las em conjunto.

A Causa Primordial da Criação
Eis um pequeno exemplo: suponhamos que você tenha flores, linha e uma agulha; com isto, pode você ter uma guirlanda? Não deve haver alguém para fazer a guirlanda a partir destes objetos? Você tem um recipiente para óleo, um pavio e uma lamparina. Isto irá produzir luz sozinho? Não! Tem que haver alguém para acender o pavio. Você tem ouro, gemas e pedras preciosas; pode você obter jóias a partir destes objetos? Não! Um joalheiro é necessário para produzi-las. Aqui você tem dois tipos de causas:
uma é ”a causa primária”, e a outra é “a causa instrumental”. Um joalheiro produz ornamentos usando ouro, mas quem é aquele que criou o ouro? É Deus! Então, Deus é a causa primária, e o joalheiro é a causa instrumental. Sem o princípio primordial (Deus), a causa instrumental é inútil. Deus, a causa primária, é o criador deste mundo. O Homem, a causa instrumental, está tentando ter a experiência e desfrutar desta criação, mas se esquece da causa primária (Deus) e pensa que ele próprio é o autor, e se orgulha de suas realizações.
Sem a base primordial, o homem não pode alcançar nada. Os estudantes de ciência sabem que duas partes de hidrogênio e uma de oxigênio são combinadas para produzir água. Os cientistas têm orgulho desta realização e ignoram Deus, que é o criador do hidrogênio e do oxigênio. Atualmente, o homem está dominado pela idéia de realizador, esquecendo-se do princípio relativo à base primordial1. O oleiro produz potes, mas sem argila e água ele não pode fazê-los. O oleiro é somente um instrumento, e, portanto, é a causa instrumental, e Deus, que criou a argila e a água, é a causa primordial.
Os indianos acreditam que existem 8.400.000 espécies de seres no mundo. Elas podem ser classificadas em 4 categorias: 1) os que nascem de ovos (andaja); 2) os nascidos do útero (pindaja); 3) os nascidos do suor (swedaja); 4) os nascidos da terra (uthbhija). Existem 2.100.000 espécies em cada uma destas categorias, o que perfaz um total de 8.400.000 espécies. Os seres são muitos, mas o princípio de vida é uniforme em todos eles. Existem inumeráveis ondas no oceano infinito, cada uma
diferente da outra. As ondas podem variar na forma, mas o oceano é a base para todas elas. Do mesmo modo, as 8.400.000 espécies emergiram do oceano de Sath-Chith-Ananda. Todas têm sua origem em Sath-Chith-Ananda.

O Homem é Essencialmente Divino
O que é Sath-Chith-Ananda? Sath é o Ser, que é imutável e eternamente presente. Chith significa Consciência Total. Sath é como o açúcar, Chith como a água. Quando a água e o açúcar são misturados, você não tem nem açúcar nem água, mas uma calda. Similarmente, a combinação de Sath e Chith resulta em Ananda (Bem-aventurança). Em todas as criaturas viventes você encontra esta Sath-Chith-Ananda. Entretanto, o homem não é capaz de entender sua verdadeira identidade, que é Sath-Chith-Ananda, e está em busca da felicidade exterior. É como procurar o seu próprio Ser externamente.
Como o homem encontrará seu Ser Interior externamente? Ele tem que olhar para o interior.
No estado de vigília, existem quatro aspectos – o tempo, a ação, o motivo e o dever. Suponha que você decidiu ir de carro para Bangalore, a fim de participar de um evento. Você parte às 05:00h da manhã e chega a Bangalore às 08:00h da manhã. Aqui, o tempo é de três horas, a ação é viajar de carro, o motivo é o evento, e o dever é a participação nele. Todos estes quatro aspectos estão presentes no estado de vigília. Agora, considere que às 10:00 h da noite você teve um sonho. No sonho, você foi a Bangalore e participou de um evento. Quando você começou? Como você viajou? Quando você chegou? Qual o motivo? Você não sabe. Isto significa simplesmente que os quatro estados mencionados acima não existem no estado de sonho. No estado de sono profundo, não há tempo, motivo, dever e nada do que você faz; você somente tem a experiência da bem-aventurança.
No estado de vigília, você realiza diferentes tarefas com seu corpo. No estado de sonho, você cria tudo, inclusive seu próprio Ser. No estado de sono profundo, você usufrui da Bem-aventurança; você é um e o mesmo nos três estados. Com base nisto, pode-se dizer que o homem é imutável em todos os três períodos de tempo e tem a experiência da bem-aventurança direta ou indiretamente. Ele tem a experiência da unidade em todos os três períodos de tempo. Uma vez que ele entenda este espírito de
unidade, não haverá espaço para diferenças e conflitos. Tão logo você se identifica com seu corpo, encontra somente a multiplicidade.

Os Três Pecados de Shankara
Certa ocasião, Adi Shankara foi a Kashi e orou ao Senhor Vishwanath, dizendo: “Ó Senhor! Eu vim aqui para me redimir dos três pecados que cometi.” Ele não tinha prejudicado ninguém nem roubado algo. Então, por que se considerou um pecador?
Ele explicou o primeiro pecado com as seguintes palavras: “Eu sempre dizia: ‘Tu estás além da palavra e da mente.’ Embora eu soubesse que Tu estás além do pensamento e da palavra, tentei descrever-Te com um conjunto de palavras: Senhor, Senhor das Palavras, Senhor dos Homens, o Maior Senhor.
Cometi o pecado de não praticar o que eu pregava. Este é meu primeiro pecado. Embora eu declarasse que Deus está em todos os lugares, percorri todo o caminho até Kashi para estar em Tua Presença(Darshan), como se Tu estivesses presente somente em Kasi. Eu cometi o pecado de dizer uma coisa e fazer outra. Este é meu segundo pecado. Eu sempre dizia: “Não há pecado, não há mérito, não há alegria e nem arrependimento.” Entretanto, eis-me aqui, orando pelo perdão dos meus pecados. Este é o terceiro pecado que cometi.”
O significado das declarações de Shankara é que a incoerência entre pensamento, palavra e ação é, em si mesma, um pecado. “O mau é aquele que não observa a unidade de pensamento, palavra e ação” e “O nobre é aquele que atingiu a unidade de pensamento, palavra e ação” (textos das Escrituras).

O Nome do Senhor, a Única Salvação
Cada ação de Shankara é um ensinamento para a humanidade. Quando ele estava voltando de Kasi, encontrou uma pessoa que estava tentando memorizar a regra gramatical de Panini pela repetição constante. Shankara decidiu dar-lhe um ensinamento: foi até o homem e perguntou-lhe que benefício ele esperava obter pela repetição da gramática de Panini. O homem disse que poderia se tornar um grande sábio(pandit), juntar-se à corte do rei e ganhar muito dinheiro e ter uma vida feliz. Quando Shankara lhe perguntou o que lhe aconteceria após sua morte, o homem disse que não sabia. Então, Shankara lhe disse:
“Ó homem tolo, entenda que o corpo, o dinheiro e o poder são temporários. Alcance a eterna Bem-aventurança, que você poderá desfrutar mesmo depois da sua morte.” Shankara cantou o seguinte verso:
“Ó homem tolo, cante o nome do Senhor. Quando a hora da morte se aproxima, é somente o Senhor que pode salvá-lo, e não sua gramática.” (Verso em Sânscrito)
Embora Shankara não tivesse nenhum ganho pessoal, ele se esforçou muito pela emancipação da humanidade.

Engaje-se em Ações Sagradas
Não somente Shankara, mas Krishna também fez o mesmo. Na Bhagavad Gita Ele declarou:
“Eu não tenho que fazer nada nestes três mundos, nem ganho nada (com isto). Mesmo assim, para ensinar à humanidade, Eu constantemente me engajo em ações do amanhecer ao anoitecer, de tal modo que as pessoas seguem meu ideal e santificam suas vidas.”
(Verso em Sânscrito)
Somente através da ação o homem pode se redimir. “Você tem direito à ação, mas não aos seus frutos”, e “A humanidade está diretamente ligada à ação” (textos das Escrituras). Ninguém pode despender seu tempo sem se envolver em alguma ação.
Quando Eu pergunto a alguns estrangeiros o que estão fazendo, eles dizem que não estão fazendo nada. Eles pensam que a ação está relacionada ao envolvimento em algum tipo de trabalho ou negócio. Na verdade, nosso processo de inspiração e expiração do ar é também um tipo de ação. Mesmo o movimento das pálpebras é um tipo de ação. Dia após dia, o corpo está engajado em um ou outro tipo de atividade. O caminho mais nobre é engajar o corpo em ações sagradas, como “a prática de ouvir as histórias do Senhor”, “o cântico de Suas glórias”, “a recordação (do Senhor), “a realização do serviço oferecido aos pés de lótus do Senhor”, “a adoração ao Senhor”, “a reverência ao Senhor”, “a atitude de servidor do Senhor”, “a amizade (ao Senhor)”, e “a rendição à vontade do Senhor, auto-entrega”.
Você deve entender que qualquer disciplina espiritual que você pratique, seja repetição do nome, austeridades, yoga, meditação ou cânticos devocionais, é para seu próprio benefício. Deus não necessita delas. Algumas pessoas pensam que a adoração a Deus é para o benefício d’Ele; esta é uma visão equivocada. O que quer que o homem faça é pelo seu próprio interesse e para satisfazer a seus objetivos egoístas.

A Visão do Ser Verdadeiro
Quando você inspira, produz o som “So”, e quando você expira, emite o som “Ham”. Juntos, “Soham” significam “Eu Sou Aquele”, que significa que você é Deus. Quando você começa a repetir “Soham, Soham”, onde está a necessidade de qualquer disciplina espiritual? Onde está Deus? Como vê-lO? Estas questões a respeito de ver e ter a experiência de Deus têm existido desde tempos remotos. Na verdade, você tem que trilhar o caminho espiritual para conhecer sua verdadeira identidade, isto é, a
Divindade. Aquele que conhece sua verdadeira identidade é um verdadeiro aspirante. Sem realizar esta verdade, toda disciplina espiritual será perda de tempo.
“O corpo é concedido para a realização de ações corretas” (texto das Escrituras). Qual é nosso Dharma? O Amor é nosso Dharma. A Verdade é nosso Dharma. A Paz é nosso Dharma. Nós devemos seguir nosso Dharma. A qualidade do açúcar é a doçura: se não é doce, então não é açúcar. Similarmente, o Amor é sua qualidade natural. Sem Amor você não pode ser chamado de ser humano.
Existe Amor em você, mas você o está limitando a sua família, amigos e conhecidos. Mas, lembre-se de que as pessoas de seu convívio irão acompanhá-lo somente até seu enterro. Somente Deus está sempre com você, mesmo depois de sua morte.
“A vida humana é a mais rara” (segundo os texto sagrados). Tal oportunidade tão nobre e sagrada não deve ser desperdiçada. Tendo nascido como ser humano, você deve ter um ideal. Um dançarino sempre mantém o ritmo em sua mente enquanto está dançando. Da mesma forma, você deve sempre lembrar-se de sua divindade inata em qualquer coisa que você faça. Maya (ilusão) é como um Narthaki (dançarino), sempre tentando distrair você. Para controlar este “Nar-tha-ki” você tem que mudar a ordem
das letras e fazer “Kir-tha-na”, isto é, cantar os nomes do Senhor. “Nesta era de Kali, o único refúgio é o nome do Senhor” (dizem as Escrituras).
Muitas pessoas aspiram pela “visão do Ser verdadeiro”. Os ocidentais dizem que querem liberação. Entretanto, eles realmente não sabem o que isto significa. Se você quer ver seu Ser Interno, deve desistir do apego ao corpo e desenvolver apego ao próprio Ser. Somente então você terá a “visão do Ser verdadeiro”. Ao nascer, você chora, “Koham, Koham” que significa “Quem Sou Eu? Quem Sou Eu?” Você não deve morrer com a mesma interrogação em seus lábios. Quando você morrer, deve ser capaz
de afirmar, alegremente: “Soham”, significando “Eu Sou Deus”. Encontrar a resposta para a indagação “Quem Sou Eu?” é a verdadeira Liberação.
Hoje, você tem inquietações sem fim, tais como as relacionadas a nascimento, morte, velhice, perdas, fracassos, vida familiar, etc. Todas elas são criadas por você mesmo. Elas crescem por causa de seu apego e ilusão. Deus não as deu a você. Quem dá e quem recebe, quando você próprio é Deus? Enquanto você tem “Bhrama” – ilusão – você não pode atingir Brahma – Deus. Assim como a cinza cobre o fogo, da mesma forma Maya (a ilusão) oculta sua verdadeira identidade. O fogo é visto quando a cinza é soprada. Similarmente, você [só] pode ter a visão do Ser interno quando abandona o apego ao corpo.

A Divindade Através da Unidade
Vedanta diz: “A Verdade é única, mas os estudiosos se referem a ela por muitos nomes.” A mesma água tem diferentes nomes em diferentes idiomas. Assim também, Deus é Um, mas Ele é reverenciado sob muitas formas e nomes. “Eu” é o primeiro nome de Deus. Tanto o pobre quanto o milionário usam a palavra “Eu”, quando se apresentam. Este “Eu” é sua verdadeira identidade. A letra única “I” (Eu, em Inglês) se refere ao Atma, enquanto a palavra de três letras “eye” (olho, em Inglês, com mesma
pronúncia) se refere ao corpo. O corpo tem três atributos, enquanto o Atma nenhum. O Atma é a suprema Bem-aventurança. Ele é a eterna testemunha e está além de todas as descrições: “Ele é a mesma Divindade que está presente em todos os seres” (texto das Escrituras).
Manifestações do Amor Divino!
Tentem desfrutar e ter a experiência do amor que existe em vocês. Se alguém diz que Deus não existe, responda: “Talvez seu Deus não exista para você, mas Meu Deus existe para mim. Você não tem o direito de questionar a existência de Meu Deus.” Vocês devem argumentar com convicção. Tal argumento irá silenciar a pessoa. Cada um é louco a sua própria maneira. O mundo em si é como um hospício. Existem alguns que obtêm satisfação em se auto-glorificar. Existem outros que agridem e acusam terceiros. Mas, a loucura por Deus é a mais nobre. Deus cuida para que você desista de sua loucura pelo mundo e torne-se louco por Ele. Somente poucos afortunados serão abençoados com esta loucura por Deus. Somente se a humanidade inteira desenvolver esta loucura por Deus, o mundo se livrará dos distúrbios, e a paz prevalecerá.
Estudantes! Manifestações do Amor Divino!
Depois de cada sessão de cânticos devocionais, vocês rezam pela paz no mundo (Loka Samastha Sukhino Bhavantu). Vocês encontram somente “pedaços” (“pieces”, em Inglês), mas não a “paz”(“peace”, em Inglês, com a mesma pronúncia) neste mundo. De fato, se vocês desenvolverem amor e tolerância para com todos os seres, não haverá necessidade de rezar pela paz; o mundo irá se tornar automaticamente uma morada de paz.
Desenvolvam o amor em vocês e compartilhem-no com, pelo menos, 10 pessoas por dia. Existem 950 milhões de pessoas na Índia. Se cada uma começar a compartilhar seu amor com as outras, então todas serão Um. A partir desta unidade, vocês atingirão a Divindade. Onde há erro, há medo; onde há amor, não há medo. “Por que temer quando Eu estou próximo e sou querido?”9 Você deve ter fé total na Divindade. Muitos devotos vêm aqui, mas quantos estão firmes e seguros em sua fé? Todos os desejos
mundanos são negativos em sua natureza. Os sentimentos negativos atrapalham o caminho para serem atingidos os sentimentos positivos. Então, não assimilem sentimentos negativos. Desenvolvam sentimentos positivos e pensem em Deus com fé inabalável.
Bhagavan concluiu seu discurso com o Bhajan “Hari Bhajan Bina Sukha Santhi Nahi”.

Publicação em Português: Eterno Condutor - Vol. 1 - Número 1 - 10/1999
Publicação Original: Sanathana Sarathi - Vol. 42 - Número 1 - 1/1999

terça-feira, 30 de junho de 2009

Não existe mente, só existe Consciência! - (Satyaprem)


"Quando a Consciência identifica-se com a forma, com o corpo e com a mente, ela ignora sua própria Natureza. Nessa ignorância, ela sofre. Quando a Consciência não se identifica com a forma, com o corpo e com a mente, ela reconhece sua própria Natureza, ela não está em ignorância, ela não faz vista-grossa. Ou a Consciência ignora a si mesma, ou a Consciência reconhece a si mesma. Quando identifica-se com a forma, com o que ela vê, o que acontece com ela? Quando ela se torna aquilo que ela vê, quando o céu decide que ele é as nuvens que passam, o que é que o céu está fazendo?! Eu não disse que ele deixa de ser o céu, eu disse que ele ignora a sua própria Natureza. O esclarecimento, a clareza acontece quando isso se resolve. Eu não mais ignoro a minha própria Natureza. Ele não deixa de ser o céu. Esse céu do qual eu falo e essa nuvem da qual eu falo é você. Você, quando se identifica com o seu corpo e sua mente, o que é que acontece com você?! Você tem medo de morrer, você tem medo de um monte de coisas, você sofre. Você sofre dos apegos, dos desapegos, das coisas que acontecem... Quando você se dá conta do que você é, que você não é o corpo e a mente, você não ignora mais o seu corpo e a sua mente, você vê quem você é. E nisso acontece liberdade, libertação. Quando eu me identifico, quando a Consciência se identifica com a forma ela tende a sofrer. Quem que sofre?! Não é a Consiência em si, é o corpo e a mente. É a ignorâcia. Na verdade sofrimento é ignorância. Não existe sofrimento.

Quando a Consciência se dá conta do que realmente é, o que é que acontece?! Quando você olha pra dentro e vê quem você é, aquilo foi tornado real agora ou aquilo já era?! Então, nunca deixou de ser Consciência, mas ignorava sua própria Natureza. Olha! Não tem corpo e mente. Só Consciência! Isso precisa ser acomodado em você. Porque é aquela história: "Eu posso sair de onde eu sou?!" Não, eu não posso, não tem como. A mente existe, enquanto mente, em si?! Pra responder essa pergunta você tem que olhar e ver... Direto! O que é essa coisa que existe em si, independente do que você vê?! Consciência, céu azul. As nuvens que vêm, que vão, que passam, o avião que está passando não mexe no céu, não transtorna o céu, não acontece nada no céu. O céu continua o mesmo, ileso. Essa é a Natureza do teu Ser. Isso é você. Você permanece ileso. Se alguém te dá uma facada, se alguém te mata, se alguém te estupra, se alguém te elogia, se alguém te dá um prêmio, se você ganha o "Oscar"... Tudo isso está acontecendo na periferia. Você não ganhou "Oscar" nenhum. E se você ganhou o "Oscar", quem que deu o "Oscar" pra você?! Não foi você mesmo?! O convite é você Ver. Mente, corpo, forma... só existem porque Consciência existe. E nesse sentido, não existe corpo e forma, só existe Consciência. Sem Consciência não existe corpo e forma. Mas sem corpo e forma existe Consciência?! Claro que sim. Se você tirar a nuvens do céu o que é que fica? Muda alguma coisa para o céu?! Consciência é tudo o que existe. A mente em si, não existe. Ela também é Consciência... Adulterada, em confusão.

Consciência existe. Mente não existe. Quando a mente se elabora, quando a mente se explicita, quando ela se lucida, se ilumina, se esclarece o que é que fica transparente através da mente?! "O que É", sem tirar nem pôr. A única coisa que a mente tem que começar a fazer é esse trajeto todo. Ou melhor, a sua Consciência tem que começar a ouvir, através da mente, o que está sendo dito e elaborar isso internamente. E veja cada vez que eu estiver falando isso, se isso não pode ser elaborado por você da mesma forma; se você me entende. Porque se há confusão você não vai fazer investigação nenhuma. Você precisa entender o que eu estou dizendo. Nem mente, nem corpo existem. Tudo o que existe é Consciência.

Não existe mente, só existe Consciência. Consciência ignorante de si mesma é mente. Consciência reconhecendo a si mesma é não-mente. E não é um acontecimento, é algo que está aqui-agora. Tem que ser aqui-agora. Se você pousa, se você descança nesse reconhecimento, na sua Natureza, o que acontece com a sua mente? Você já experimentou isso! O que acontece com a mente? O corpo parece até se deformular, ele fica meio... Vira uma sensação dentro dessa Consciência, e mais nada. As nuvens passam, os pássaros passam, os aviões passam... e o céu cotinua inalterado. Ele permanece inalterado. Aos nossos olhos existe uma ilusão... Agora, por exemplo, você percebe que o céu começa a escurecer. Mas será que ele está escurecendo mesmo? Ele não está escurecendo! Ele permanece exatamente o mesmo. Essa observação tem que ser retilínea em relação a você mesmo. Veja que você é imutável! Você, quem você verdadeiramente é, enquanto ser, enquanto Consciência, permanece absolutamente o mesmo.

Você, enquanto mente, não tem o menor controle sobre sua Consciência, em expandí-la... O que as pessoas chamam de "Expansão da Consciência" é a expansão do sistema neurológico, do cérebro. Se eu tomar uma droga com vocês, a nossa Consciência vai perceber coisas que não estão aqui. Vai alucinar, inclusive. Isso é "Expansão da Consciência", ou isso é expansão do campo perceptivo através de uma manipulação química dos teus neurônios?! Não confunde uma coisa com a outra. Se você toma um ácido, ou o que quer que seja, e de repente você se vê no meio de Shiva dançando... O Shiva é conteúdo da sua mente. Não existe Shiva! Shiva é o céu azul. Você vê o Osho... Osho é o céu azul. Os corpos dessas entidades são apenas nuvens que passaram, e o céu continua. Todos eles apontaram para o céu. E essa é a tua Verdade também. Ela não tem chance de ser outra. Então, não existe "Expansão da Consciência". Existe manipulação da forma de perceber. Eu lembro de ter tomado ácido, de ter tomado chá de cogumelo e eu olhava para as árvores e elas tinham uma aura, elas brilhavam, elas não sei o quê... às vezes até falavam comigo. Mas isso não estava acontecendo. Isso apenas estava acontecendo dentro da minha mente, que agora estava fora da sua frequencia normal, porque foi alterada quimicamente. É bom pra mostrar para a mente muito quadrada que nem tudo o que ela pensa é verdade, que tem um universo de coisas... Mas o meu convite agora é você perceber que nem tudo é verdade. Ou melhor, que nada do que você pensa que é verdade, é Verdade.

Para você começar a penetrar no mistério que você é, você deixa para trás tudo o que você sabe. As palavras... Tudo! Você só pode penetrar aí desnudo de tudo. É tudo uma brincadeira... Localize-se! A Consciência não dá nome a nada, quem dá nome às coisas é a mente. A mente dá nome às coisas e diz: "As coisas são os nomes que eu dei". O quê que ela fez com o mundo? Enclausurou! Não existe mais mistério. Ela está sempre buscando uma explicação. Os olhos da criança não pedem explicação. O que isso significa?! Só fica aí e te deleita... Não existe "por que". Não tem sentido! Se você fica solto, se você se entrega. Se você se deleita, você vai ver o que você está fazendo aqui. Uma hora uma coisa, outra hora outra. Pronto! Mais nada! Você é uma nuvem no céu. Eventualmente você desaparece no céu de novo, de onde você veio. Em outras palavras: você nem veio do céu, você nem vai para o céu; você já é o céu. Mas está confundido com a nuvem que passa, que vem e que vai. Entra no inominado. Entra! Ele já está revelado para você."


"Espelho Vazio" - Salvador/BA - Agosto/2001.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Estado Natural de Divindade e Mestre Verdadeiro - (Amma)


Estado Natural de Divindade
"Largando o ego ou não, divindade é a sua verdadeira natureza. Nada pode mudar isto. Se você insiste em dizer que é o ego, o corpo, mente e intelecto, não fará diferença. Sua verdadeira natureza não fica o mínimo afetada pela sua falta de entendimento. Sua natureza não irá mudar ou diminuir, acredite você ou não."


Mestre Verdadeiro
"O Mestre verdadeiro é uma presença, a presença da Consciência Divina. Ele não faz nada. Em sua presença tudo simplesmente acontece, sem nenhum esforço de sua parte. Esforço é necessário quando existe ego."

"O Mestre Verdadeiro não tem ego. Até mesmo as situações que fazem o buscador mergulhar em sua própria consciência são derivadas da presença do Mestre. E assim é simplesmente - não há outra forma. O sol não faz esforço nenhum para brilhar, mas não pode fazer outra coisa senão brilhar."

"O Mestre é o total da vida, manifestado em forma humana. Em sua presença, pode-se experienciar a vida em toda a sua intensidade e vibração."

LA PAZ Y LA FELICIDAD - (Ramana Maharshi, El Evangelio del Maharshi)


"D. ¿Cómo puedo obtener paz? No parezco obtenerla a través de la auto-indagación (Vichara).
M. La Paz es su estado natural. Es la mente lo que obstruye el estado natural. Su Vichara
ha sido hecha solo en la mente. Indague lo que es la mente, y desaparecerá. No
hay ninguna cosa tal como la mente aparte del pensamiento. Sin embargo, debido
a la emergencia del pensamiento, usted supone algo desde lo que el pensamiento
comienza y llama a eso la mente. Cuando usted prueba a ver lo que es eso, encuentra
que realmente no hay ninguna cosa tal como la mente. Cuando la mente se
ha desvanecido así, usted realiza la Paz eterna.
D. A través de la poesía, la música, el japa, el bhajana, la visión de bellos paisajes, leyendo
las líneas de versos espirituales, etc., uno experimenta a veces una sensación
verdadera de la unidad de todo. ¿Es esa sensación de profunda felicidad
quiescente (donde el sí mismo personal no tiene ningún lugar) lo mismo que la
entrada en el Corazón de la que habla Bhagavan? ¿Llevará la práctica de ello a un
samadhi más profundo y así finalmente a una plena visión de lo Real?
M. Hay felicidad cuando a la mente se le presentan cosas agradables. Es la Felicidad
inherente al Sí mismo, y no hay ninguna otra Felicidad. Y no es ajena ni lejana.
Usted se está sumergiendo en el Sí mismo en esas ocasiones que considera placenteras;
esa sumersión resulta en Felicidad auto-existente. Pero la asociación de
ideas es responsable de mezclar esa Felicidad con otras cosas o acontecimientos,
mientras que, de hecho, esa Felicidad está dentro de usted. En esas ocasiones usted
se está sumergiendo en el Sí mismo, aunque inconscientemente. Si usted lo
hace conscientemente, con la convicción que viene de la experiencia de que usted
es idéntico a la Felicidad, la cual es ciertamente el Sí mismo, la única Realidad,
usted lo llama Realización. Yo quiero que usted se sumerja conscientemente en el
Sí mismo, es decir, en el Corazón."

domingo, 28 de junho de 2009

Say I Am You - (Rumi)

Não morra antes de colocar para fora a sua Música - (Wayne Dyer)

"O mundo no qual você vive é um sistema inteligente, no qual cada parte se move de maneira coordenada com todas as demais partículas em movimento. Há uma força universal que apóia e orquestra tudo. Tudo funciona de maneira conjunta em perfeita harmonia. Você é uma dessas partículas em movimento. O corpo que você habita nesse exato momento. O seu corpo irá daqui com a mesma precisão. Você é uma peça essencial deste complexo sistema. E aqui está você, neste sistema inteligente que não tem principio nem fim, no qual cada galáxia se move em harmonia com todas as demais. Deve haver uma razão para que você tenha surgido!

Kahlil Gibran disse: “Ao nascer, já levas teu trabalho em seu coração”. Assim, qual é o seu trabalho? Qual é o seu propósito? Você está vivendo de forma em que seu coração te leva para que o realize?


Escute seu Coração

Reserve um momento para você agora mesmo e aponte seu dedo em sua própria direção. Seu dedo está apontando diretamente em direção ao seu coração. Não ao seu cérebro, mais sim ao seu coração. Isto é o que você é. A constante batida do seu coração, para dentro e para fora, para dentro e para fora, é um símbolo de sua conexão infinita com a batida onipresente de Deus, a Inteligência Universal. Seu lado esquerdo do cérebro calcula, soluciona coisas, analisa e te conduz a realizar as escolhas mais lógicas para você. Ele pensa, pensa e pensa! O lado direito do seu cérebro representa seu lado intuitivo. É a parte de você que vai além da razão e da análise. É essa parte de você que sente coisas, que é sensível ao amor; é a que se emociona com o que é importante para você. Seu hemisfério direito é que te permite se emocionar até as lágrimas quando você está com seus filhos nos braços ou faz com que você admire a beleza de um dia glorioso. Seu hemisfério esquerdo pode analisa-lo, enquanto que seu hemisfério direito te permite senti-lo.

Escolha uma situação e se pergunte o quê é mais importante para você, se é o que você sabe ou o que você sente. Geralmente, dependerá da situação e das circunstâncias nas quais você está envolvido que o farão decidir do que você se ocupara primeiro. Sua inteligência pode resolver exatamente como proceder quando as coisas estejam entrando em colapso em uma relação ou quando você tenha um impulso súbito; porém também há outras vezes nas quais o que você sente se impõe ao seu conhecimento: quando você está assustado, tem medo ou se sente só; mas, por outro lado, se você se sente comovido, apaixonado e extasiado, serão essas as forças que dominam o mundo no qual você agirá. Ás vezes é melhor usar seu hemisfério direito, que sempre te guiará apaixonadamente em direção aos seus propósitos.


Escute seu Hemisfério Direito

Há uma presença intuitiva invisível que sempre te acompanha. Eu imagino esta presença como uma pequena criaturinha que se senta sobre seu ombro direito e te avisa quando você perde o sentido de seus propósitos. Este pequeno companheiro é sua própria morte, que te apressa que você coloque em prática tudo aquilo que você veio realizar aqui, porque seus dias estão contados para a realização e quando esta viagem terminar, seu corpo partirá. Seu companheiro invisível te cutucará quando você passar mais outro dia fazendo algo que não seja parte de sua paixão na vida e que tenha sido dito por qualquer outra pessoa.

Quando você sair de seu propósito, você sempre saberá graças aos seus pensamentos, que se dirigirão a essa sua frustração. Pode ser que nem sempre você preste atenção a esta sabedoria, possivelmente porque seu hemisfério esquerdo não reúna coragem suficiente para apostar no que seu hemisfério direito sabe que é seu destino. Sua intuitiva voz interior segue te pressionando para que toque a música que você escuta, para que você não morra com ela dentro. No entanto, seu hemisfério esquerdo diz: “Um momento. Seja cuidadoso, não se arrisque, pois poderá fracassar, decepcionar a todos que tem um ponto de vista diferente sobre o que você deveria fazer”. Então, o companheiro invisível de seu cérebro direito (sua morte) te falará ainda mais alto. O volume subirá, tentando te obrigar a seguir seus sonhos.

Até que, finalmente, escutar exclusivamente seu hemisfério esquerdo te transforme em um impostor, ou em algo ainda pior, em um autômato que se levanta a cada manhã com o rebanho para trabalhar no que te traz dinheiro e que paga suas contas, para depois voltar para casa e seguir fazendo a mesma coisa no dia seguinte e assim sucessivamente, com a mesma canção implícita, bem conhecida. No entanto, a música que existe em seu interior irá tocar cada vez mais baixo até que chegue a ponto de ser inaudível. Mas o seu companheiro permanente e invisível, sempre escutará a música e seguirá dando-lhe palmadinhas em seu ombro.

Este esforço para chamar sua atenção pode tomar a forma de uma úlcera ou de um fogo que queima sua resistência; ou é possível que te despeçam de um trabalho sério; ou haja qualquer acidente que te faça dobrar o joelho. Geralmente, esses acidentes, doenças e “azares” terminam por atrair sua atenção. Porém nem sempre. Algumas pessoas terminam como Ivan Ilyich, o personagem de Tolstoy que se angustiava em seu leito de morte dizendo: “E o que acontecerá agora se por toda minha vida eu estive errado?” Devo dizer que é uma cena arrepiante.

Você não tem o porquê escolher esse destino. Escute seu companheiro invisível, expresse a música que você ouve e ignore o que qualquer pessoa que está ao seu lado, pensaria no que você deveria estar fazendo. Como expressou Thoreau: “Se um homem não está em paz com seus companheiros, talvez seja porque escuta um tambor diferente. Deixe-o dançar ao ritmo da música que ouve, esteja ela afinada ou não”.

Se prepare para aceitar que os demais possam dizer que você os traiu; porém você não terá traído a sua música, a seu propósito. Escute tua música, e faça o que sabe que tem que fazer para se sentir inteiro, completo e para sentir que esta cumprindo o seu destino. Você não terá paz se não permitir que essa música saia e soe. Deixe que o mundo saiba por que você está aqui e realize isso com paixão.


Apaixonar-se supõe se arriscar

È possível que no final você viva uma vida cômoda ainda que não siga seus instintos. Pagas suas contas, cumpre com todas as formalidades e vive uma vida de produção e de observâncias de acordo com o manual. Mas esse manual foi escrito por outra pessoa. Você percebe pelo pouco que foi dito: “Pode ser que isto pareça o correto, más você se sente bem? Está fazendo o que realmente veio fazer aqui?” Para muitas pessoas, a resposta é: “Como vou saber qual é a minha heróica missão?”
Em sua paixão você encontrará o que mais te inspire. E, o que significa a palavra “inspirar”? Deriva das palavras “em espírito”. Quando você está inspirado, nunca se pergunta sobre os seus propósitos, porque o vivencia. Para uma de minhas filhas, se trata de ler coisas sobre cavalos e andar nos estábulos. Ela está no céu quando monta a cavalo, ou ainda que somente esteja limpando um galpão cheio de estrume. Minha outra filha somente se inspira quando está cantando, tocando ou escrevendo músicas. Se sente assim desde que tinha dois anos. Para a outra, o que a faz se sentir alguém com propósito é seu trabalho artístico e de desenho. E para outra, é criar páginas de internet e softwares para outras pessoas. Para mim, é escrever, falar e produzir coisas que ajudem as pessoas a ter confiança em si mesmo. Esta sempre foi minha paixão, desde muito jovem.

Qual é a sua paixão? Que faz com que a sua alma se agite e te faz sentir em completa harmonia, principalmente com aquilo para o que você veio realizar? Tenha certeza que, seja o que for, você pode construir sua vida fazendo isso e simultaneamente, proporcionar um serviço os outros. Eu garanto.

A única coisa que pode te afastar de interpretar a música de seu coração e de seguir o compasse único que sente dentro de você é o medo. Segundo “Um Curso de Milagres”, somente existem duas emoções básicas: uma é o medo e a outra é o amor. Talvez você tema a desaprovação dos demais. Se arrisque e descobrirá que se recebe muito mais aprovação quando não há buscamos do que quando a buscamos. Talvez sinta medo do desconhecido. Se arrisque da mesma forma. Busque a resposta e se pergunte: “O que de pior pode acontecer se isto não funcionar?” A verdade é que é algo superável. Você não será condenado à morte e muito menos torturado se algo não sair bem. Talvez você tenha medo do sucesso. Talvez tenha sido induzido a pensar que não é a pessoa adequada ou que é um ser limitado. A única maneira de enfrentar essas situações é perseguir aquilo pelo qual você veio aqui e deixar que o sucesso te alcance, como com certeza acontecerá. Ou talvez você sinta medo do maior dos fracassos: talvez tema o fracasso.


O Mito do Fracasso

È possível que isto te surpreenda, mas o fracasso é uma mera ilusão. Ninguém fracassa em nada. Tudo o que você faz produz um resultado. Se você está tentando aprender a jogar bola e alguém a tira de você, ela se perde, você não falhou. Simplesmente, se produziu um resultado. A pergunta real é o que você deve fazer com os resultados produzidos. Você vai chorar por ter falhado ou vai dizer: “Vou tentar outra vez” até que consiga dominar a bola? O fracasso é um julgamento. Não é mais que uma opinião. E tem origem de seus medos, que podem ser eliminados com amor. Amor por você mesmo. Amor por aquilo que você realiza. Amor pelo próximo. Amor pelo seu planeta. Quando você tem amor dentro de você, o medo não pode sobreviver. Reflita sobre a mensagem que existe nesta esta antiga sabedoria: “O medo bateu à porta. O amor atendeu e não havia ninguém”.

Essa música que você ouve em seu interior, que o apressa a assumir riscos e para que você persiga seus sonhos é a sua conexão intuitiva com o propósito que existe em seu coração desde o dia em que você nasceu. Se entusiasme com todas as suas realizações. Seja apaixonado, sabendo que a palavra “entusiasmo” significa literalmente “O Deus (enthos) interior (iasm)”. A paixão que você sente é Deus dentro de você que está te cutucando para que você se arrisque e seja a pessoa que você é realmente.

Dei-me conta de que os riscos que se percebem não são grandes riscos, uma vez que você transcende seus medos e permite que entrem em você o amor e o respeito por você mesmo. Quando você produz um resultado do qual os demais riem, você também ri. Quando você se respeita, tropeçar te permite rir de você mesmo como alguém que tropeça ocasionalmente. Quando você se ama e se respeita, a desaprovação por parte de alguém não é nada que deva ser temido ou evitado. O poeta Rudyard Kipling declarou: “Se você puder alcançar o triunfo e o desastre e trata a esses dois impostores da mesma maneira… É seu coração e tudo o há nele.” A palavra chave aqui é “impostores”. Não são reais. Somente existem na imaginação das pessoas.

Siga a seu hemisfério direito, escutando como você se sente e interpretando seu próprio e exclusivo estilo musical. Você não tem que temer nada nem ninguém e não voltará jamais a sentir esse terror de estar algum dia em seu leito de morte dizendo: “E o que acontecerá agora se por toda minha vida eu estive errado?” O companheiro invisível que está sobre seu ombro direito te cutucará cada vez que você estiver se afastando de seus propósitos. E te obrigará a tomar consciência de sua música. Por isso, escute-o e não morra sem haver colocado para fora sua música."

Fonte: http://site.suamente.com.br/10-segredos-para-o-sucesso-e-a-paz-interior/
Tradução: Daniela Bitner

sábado, 27 de junho de 2009

Medo da Morte - (Osho)

Não há necessidade de se ter medo da morte. Ela virá, essa é a única certeza na vida. Tudo o mais é incerto, por que se preocupar com a certeza?

A morte é uma certeza absoluta. Cem por cento das pessoas morrem, e não 99%. No que se refere à morte, todo o desenvolvimento científico e todos os avanços da ciência médica não fazem diferença: 100% das pessoas ainda morrem, da mesma forma que costumavam morrer há dez mil anos. Quem nasce, morre, não há exceções.
Com relação à morte, podemos nos esquecer dela completamente ... ela irá acontecer. Assim, quando ela acontecer, tudo bem. Que diferença faz como ela acontece, se você for golpeado em um acidente ou se morrer na cama de um hospital? Não importa. Uma vez percebido o ponto de que a morte é certa, não passam apenas de formalidades estas questões: como morremos, onde morremos .... A única realidade é que morremos. Aos poucos você aceitará o fato. A morte precisa ser aceita, não faz sentido negá-la e ninguém foi capaz de preveni-la. Então, relaxe! Enquanto você estiver vivo, desfrute a vida totalmente e, quando a morte vier, desfrute isso também.

Fonte: OSHO – todos os dias – 365 meditações diárias – texto 90. pg. 95)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Om Mani Padme Hum



A iluminação vem do Tibet
O Tibet, considerado um país “mágico”, que preserva e respeita as práticas de Mantram, não faz desse instrumento objeto de comércio, nem simplesmente os utilizam para benefícios pessoais.

No Tibet, o Mantra é um meio para criarmos uma realidade mental de iluminação. A utilização do som faz nascer algo na mente e conseqüentemente no plano material, porque aquilo que a pessoa pensa, tende a se realizar na matéria, Buda diz: “O homem é aquilo que ele pensa.” O Mantra, portanto para o tibetano, tem uma força incrível. Somente quando o Tibet foi invadido pelos chineses e os monges exilados em vários países, é que esta tradição, até então secreta, se espalhou pelo mundo.

No Tibet do passado, os homens davam muita importância para aquilo que eles falavam, comunicavam e pensavam. Hoje, nos ensinam os Lamas, a TV, o Rádio, os jornais e nas pregações, as palavras são “jogadas ao vento”, as palavras muitas vezes se referem a aspectos mais perversos como por exemplo: besta quadrada – que é o quadrado, o limite, a besta que é o próprio mal. Quinto dos infernos – que é o pentagrama (estrela de cinco pontas) ao contrário. Desgraçado - sem a graça de Deus; desanimados –dês sem ânima - alma sem alma. Coitado – nascido de coito; enfim, as palavras hoje muitas vezes tem essa perversidade.

Os tibetanos mantêm a tradição de palavra viva que é a ciência do Mantra. Cada letra do Mantra para o tibetano é tratada com devoção, como algo muito precioso, como uma jóia.

O Mantra mais forte e utilizado de toda a tradição tibetana, é o Mantra OM Mani Padme Hum.

Helena P. Blavatsky ensina que “Om Mani Padme Hum (os tibetanos pronunciam Om Mani Peme Hum), é associado ao bodhisattva da compaixão, Avalokiteshvara. Nesse Mantra, a sílaba Om representa a presença física de todos os buddhas. A palavra sânscrita Mani, jóia, simboliza a jóia da compaixão de Avalokiteshvara, capaz de realizar todos os desejos”.. A palavra Padme significa Lótus, a bela flor que nasce no lodo; do mesmo modo, devemos superar o lodo das negatividades e desabrochar as qualidades positivas. A sílaba Hum, representando a mente iluminada, encerra o Mantra. Assim a frase mística (Om Mani Padme Hum), quando corretamente compreendida, em vez de traduzida por palavras quase vazias de sentido como (Oh! A Jóia do Lótus!), contém uma alusão a esta indissolúvel união entre o homem e o Universo, interpretada de sete maneiras diferentes, com a possibilidade de sete distintas aplicações a outros tantos planos de pensamento e ação. Escolhemos como por exemplo a fórmula (Om Mani Padme Hum) por causa do seu poder quase infinito nos lábios de um Adepto, e de sua potencialidade quando pronunciada por um homem qualquer”.



Om (o mestre do som)
O OM, para o tibetano, dissolve o intelecto e a mente. Ele é o alto de uma pirâmide, a própria consciência, a luz, o som da iluminação, desperta nossa Terra, (sensação), água, (sentimento), fogo, (ação) e o ar, (pensamento).

Representa também Brahma, que é a mente universal. A vocalização ou a mentalização do OM, liberta de tudo aquilo que precisa ser libertado, é o som que afasta o apego. O OM conforme foi estudado no capítulo OM, a mãe de tudo faz parte de várias culturas, um dos nomes de Deus que mais aparece na Bíblia Judaica/ Cristã, é Adonai que significa Adon – Deus, Ai-meu Deus; e nós vamos encontrar na palavra Adon, o OM. Pitágoras, que utilizava o OM, chamava-o de harmonia das esferas, dizia que “cada som tem um corpo sutil, um corpo de vibração de ritmo e de átomos”.

Os tibetanos, na mentalização ou na vocalização do som OM, acreditam que seja necessária concentração. Este som não pode ser produzido mecanicamente. Muitos alunos já me perguntaram se simplesmente escutar um Mantra num CD ou Rádio daria a consciência. Acredito que o importante não é que o Mantra esteja no teu ouvido, mas no coração e na mente.

Embora seja expresso pela mente ou pela boca, o som vem do coração. Os tibetanos não aceitam que os Mantram sejam superstições, nem que sejam fórmulas mágicas e nem que o poder deles venha do psíquico do praticante ou que os “feiticeiros” usem os Mantram para conseguir algo.

No Tibet se dá muita importância para a Iniciação e a prática contínua do Mantra, espera-se que quando o Mantra é passado, que não seja um conhecimento teórico e sim algo para ser praticado. O estudo de muitos Mantram, segundo os tibetanos, foi uma das causas da queda da tradição mântrica. As pessoas estudavam, estudavam, mas não praticavam, não buscavam a “imortalidade da alma” através desta prática.

Para Buda, e praticantes budistas o OM protege, afasta muitos perigos e cria condições benéficas. Mas, muitas vezes, o Mantra não protege o homem de outro homem, da crueldade de outro homem. Tanto é assim, que todos os iluminados praticantes foram mortos pelo homem, porque o homem tem o livre arbítrio, ele tem um direito de agir como preferir.O Mantra, portanto, não pode proteger o homem do próprio homem. (Medite nisso). Os índios que tinham conhecimento mântrico e de fé foram mortos aos milhares, negros africanos, com alta magia, foram mortos, os rabinos na segunda guerra mundial e estudantes de Kabbalah foram mortos pela crueldade do homem, mas o Mantra impede de ficarmos depressivos, melancólicos, tristes.

O Mantra permite que tenhamos um renascimento feliz, aliás, essa é uma das principais utilizações do Mantra OM dentro do Tibet: A busca por um renascimento num mundo favorável, porque, segundo os tibetanos uma pessoa pode reencarnar no que é chamado de inferno, também como elementais da Terra, que são plantas, pedras, enfim, como animais, como pessoas ou como “Devas” (anjos), que são seres que não têm corpo, é a ressurreição que Cristo tanto falava, tu não és mais corpo e tu passas a ser, digamos, simplesmente a tua alma, sem corpo físico. Reencarnação é voltar para o corpo e ressurreição é passear, viajar. Enfim, como uma alma, voltar ou não a carne, é uma opção.

O OM nos ensina a meditarmos no som, no ritmo tranqüilo que é a devoção chamada de Bhakti.

- “A essência de todos os seres é a Terra.”

- “A essência da Terra é a água.”

- “A essência da água são as plantas.”

- “A essência das plantas é o homem.”

- “A essência do homem é o verbo.”

- “A essência do homem é o conhecimento sagrado (Rigveda).”

- “A essência do conhecimento sagrado é a música divina (Sámaveda).”

- “A essência da música divina é o OM.”



Mani
O Mani é o som da transformação. É considerado a jóia da mente ou a pedra filosofal, que nos dá a eternidade. Dentro do simbolismo OM Mani Padme Hum, Mani representa uma jóia brilhante, cintilante, perfeita, é considerado também como um cedro iluminado, que no Tibet é chamado de Vajra, que é o diamante da nossa própria mente e o que há de mais consciente nela.

Textos Pali budistas dizem que todas as coisas são precedidas, dirigidas, e criadas pela mente e Mani seria uma mente mais sutil, refinada, compaixão que é a preocupação com todas as pessoas e seres vivos. A tolerância.

O Mani cria a união com todos os seres, cria um Rúpa (forma). Karma Rúpa é o nome de uma forma de pensamento muitas vezes perversa ou egoísta e que pode, segundo as tradições esotéricas, criar um elemento conhecido como “miasma”, ou “encosto”, “obsessor” – um padrão negativo. O Mani atua como ecologia mental, criando um deva rúpa (anjo da mente). O som Mani atua no nosso manas, que é a nossa mente.

O Mani representa o voto do Bodhisatiwa, um ser que escolhe o caminho de auxiliar todos os seres vivos.



Padme ou Padma
Padme representa, a flor de Lótus. Ela nasce nos momentos onde há mais sujeira, mais dificuldade. Nasce da escuridão, abre suas flores somente após ter subido além da superfície do lodo.

Padme ou Padma, ultrapassa este mundo. Existem pessoas que dizem “eu já passei por esta ou por aquela situação”. Já passou mas não ultrapassou, por isso que a situação vive se repetindo e esse som Padme é exatamente ultrapassar. Esse som representa a flor de Lótus que nasce. E cria emoções legais, o que é muito útil para as pessoas que têm dificuldades em lidar com as próprias emoções.

Esse som confere iluminação ao corpo emocional, sensorial, perceptivos, formações kármicas negativas e a iluminação da própria consciência. Também, segundo heremitas meditadores, permite que viajemos no barco do Todol que é um guia na vida após esta vida, no mundo vindouro. No Tibet, não se fala em vida ou morte, só existe a vida, as pessoas nunca nascem e nunca morrem, elas estão “aqui” depois estão “lá”, enfim, esse som facilita nossa passagem para outros mundos. Físicos ou não.



Hum – Exorcizando tuas sombras
Hum é representado como um som de limpeza, um grito de limpeza, um desafio a tudo aquilo que não é legal, aos nossos inimigos que, para alguns, são os pensamentos perversos, para outros são seres malignos, para outros, a ignorância e, para mim, o maior inimigo que temos é o ódio por qualquer ser e por nós mesmos.

O Hum significa o espírito solto para voar, a libertação de tudo aquilo que não faz parte da nossa própria alma. O Hum é universal, total; a descida da eternidade para o nosso coração. O OM é o infinito e o Hum é o finito. Ambos são importantes, mas podemos dizer que o OM também é o meio para compreender o próprio Hum. A eternidade faz com que compreendamos o nosso próprio corpo, por isso o Hum é considerado como se fosse a matéria, como Buda tocando a própria Terra, a nossa mãe Terra, Gaia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Onde me procuras? - (Kabir)

"Onde me procuras?
Estou contigo.
Não nas peregrinações ou nos ídolos, tampouco na solidão.
Não nos templos ou mesquitas, tampouco na Caaba ou no Kailash.
Estou contigo, ó homem, estou contigo.
Não nas preces ou na meditação, tampouco no jejum.
Não nos exercícios iogues ou na renúncia,
tampouco na força vital ou no corpo.
Estou contigo, ó homem, estou contigo.
Não no espaço etéreo ou no útero da terra,
tampouco na respiração da respiração.
Procura ardentemente e descobre, em um instante único de busca.
Kabir diz: escuta com atenção! Onde está tua fé, lá estou".



"Um bosque, quantas folhas têm?
Quantas gotas, o Ganges?
Os sábios esgotam seus cérebros.
De Kabir só sai uma palavra.

Em um bote de ferro
carregado de pedras
(e em seus ombros um fardo de veneno):
assim queres alcançar a outra margem.

Estes poemas são
olhos da sabedoria.
Olha em teu coração e os compreenderás.
Graças a estes poemas
as penas deste mundo
poderão ter um fim.

Buscaram e buscaram
por todos os lugares
porém nada.
E seguiram buscando muito mais
sem encontrá-lo.
Ao final, esgotados, se renderam
com a certeza unânime
de que, com efeito, estava "mais além".

Que tu és um santo?
Tu que falas e falas sem parar
atravessando a aqueles que te escutam
com a afiada espada de tua língua?

Ao galho de um sândalo subiu Kabir.
Desde ali grita sem parar
para ensinar a todos o caminho.
E se não fazem caso, ele que pode perder?

As cores geram mais cores
e assim até o infinito.
Para Kabir somente há uma cor.
Responde-me se puderes:
De que cor é um ser vivo?

Não tem forma nem perfil.
Não tem pé nem carne.
No meio desse templo construído
no alto,
vê um homem sem corpo.

Lhes falo da realidade
para ascetas irreais
e, claro, não me creem.
Diz Kabir:
Só um diamante pode
romper outro diamante."

Como saber que sou felicidade? - (Swami Dayananda Saraswati)


Satsanga realizado com Swami Dayananda Saraswati na cidade de Los Angeles, CA, em setembro de 1984.

Pergunta: Nas aulas de Vedanta, o Ser é definido como sat, chit e ánanda. Acho que estou começando a entender "sat", existência, e "chit", consciência, mas "ánanda", felicidade, ainda me parece difícil. Se sou realmente consciência não-dual sem uma identidade própria, uma consciência individual, como poderei saber que sou felicidade? Quando a individualidade se vai, parece que o "eu-que-conhece" também some e só resta essa morna consciência/existência. Não sei se quero ser assim. Como pode isso ser felicidade?

Resposta: O problema aqui está na tradução de sat, chit e ánanda para respectivamente existência, conhecimento e felicidade ou êxtase. Se é essa a tradução, tudo pode ficar bem confuso. Tomemos, por exemplo, a palavra "sat". Ela não tem um significado real se não está acompanhada da palavra "ánanda". Sat, chit, ánanda equivale a satyam, jñánam, anantam brahman. Significam a mesma coisa. A palavra "ananta" é muito clara. Ananta quer dizer o que não tem anta, nenhum fim, isto é, como objeto, não tem qualquer atributo que situe ou o distinga de outro objeto. Suponhamos um objeto que tenha atributos. Esses atributos distinguem este objeto dos dernais. Urna cadeira tem o atributo de "ser cadeira" (ter "cadeiridade", chairness, em inglês), que a limita.

Digo "cadeira" e qualquer um sabe que não estou me referindo a uma mesa, ou parede ou seja lá o que for. Nada além de cadeira. Se a palavra ananta é usada para satyam (existência - aquilo que é) então, nesse sentido, "é" (existência) não tem qualquer lirnite porque não tem quaisquer atributos que o limitem. Isso quer dizer que não há limitação objetiva para satyam, aí incluídos limites de tempo e espaço. Assim, só aquilo que não possui limite de tempo, de espaço e de objetificação pode ser satyam. Somente essa espécie de satyam pode ser Brahman.

Portanto, a mera tradução de satyam para existência não funciona. Existência quer dizer existência de algo. Geralmente, entendemos que qualquer coisa que exista carrega em si o elemento tempo. "Existência" supõe sempre o elemento tempo. Dizer que uma coisa existe significa ordinariamente que ela antes não estava aqui, agora existe e mais tarde poderá não existir. E, mesmo enquanto existe, pode não ser a mesma no próximo minuto. Portanto, todos os nossos conceitos de existência baseiam-se em termos de tempo, qualidade e lugar. Se dizemos simplesmente que satyam significa existência, estamos tomando satyam como palavra comum, do mesmo calibre da palavra existência que podemos usar para o que quer que seja. Temos a existência da luz, das mesas, dos micróbios, etc. "Existência" refere-se sempre a algo mais que a qualifica. Ou esse algo mais está qualificado pela existência. Um objeto é qualificado pela existência - ele É. A cadeira é - "cadeira" tomado como substantivo, "é" como qualidade. A cadeira tem a qualidade de existir; é assim que encaramos toda essa estória. Mas, quando se trata de satyam, falamos de existência sem qualquer forma de limitação.

Só assim podemos manter a palavra existência para definir satyam. Satyam é "é" (existência). Uma vez que satyam é traduzido como existência, devemos acrescentar a palavra anantam. Que tipo de existência é representado por satyam? Existência sem limites. Quer dizer que não há nada além de satyam, existência sem limites. Não houve nascimento em certo instante, nem há uma forma particular que mude com o tempo, portanto estando livre deste, livre da objetificação e dos atributos. Satyam quer dizer pura existência. Não é a existência de Brahman. Brahman é existência. Não como a existência de uma cadeira. Brahman é satyam. Existência, satyam, em si mesma, é Brahman, e qualquer coisa a mais é nome, forma. Todos os nomes e formas estão contidos em Brahman, que é existência. Por isso, a palavra anantam é muito importante na compreensão de satyam.

Da mesma forma, a palavra "jñánam" é também necessária para definir satyam. 0 "objeto do conhecirnento", o "sujeito do conhecimento" e os "meios do conhecimento" são todos chamados jñánam. Conhecer também se diz jñánam. Então, de que espécie de jñánam estamos falando agora? Deve ser satyam jñánam. Satyam significa aquilo que é invariável em todas as formas de existência, porque não há nada que esteja fora dele. Portanto, deve ser anantam jñánam, satyam jñánam. Satyam mesmo existe na forma de jñánam. Que espécie de jñánam? Jñánam que é satyam e anantam. Não é o conhecedor, o conhecido ou (o processo de) conhecer, mas aquilo que é satyam em todos três. 0 que é esse satyam? É puramente consciência. Não é o conhecedor. O conhecedor depende da consciência; consciência não é o conhecedor. Não é o conhecimento. O conhecimento depende da consciência; consciência não é conhecimento. Não é o objeto do seu pensamento. O objeto do seu pensamento está na consciência, mas consciência não é o objeto do seu pensamento. O conhecer e os meios do conhecimento envolvem a consciência invariável, mas a consciência em si não é nenhum deles. A palavra ananta (ilimitado) é necessária para compreender satyam, jñánam ou sat, chit.

Se se traduz sat, chit, ánanda como existência, conhecimento, êxtase, chega-se à existência no sentido do ilimitado, do eterno, e então você conclui: "Oh, o Ser (átman) é eterno. Mas, Swamji, como posso compreender essa eterna consciência que ao mesmo tempo é êxtase? Entendo que átman é eterna consciência, mas como experimentá-lo corno êxtase?". Quem faz essa pergunta está usando êxtase com o sentido de algo que se experimenta. Palavras usadas dessa forma causam problemas de comunicação. Palavras desse tipo são usadas como lakshana na comunicação. A palavra lakshana significa indicação, sinal característico, símbolo ou ilustração. A palavra ánanda em sat, chit, ánanda é usada como [o]lakshana que aponta um fato, uma verdade. Satyam é uma lakshana para satyam que é ilimitado. Jñánam é uma lakshana para jñánam que é plenitude, infinitude. Quando dizemos sat, chit, ánanda, o ánanda swarupa, a natureza de ánanda está na forrna de felicidade. A tradução não é exatamente felicidade, porque felicidade é uma palavra que supõe uma experiência, que indica uma experiência da mente, um vritti (pensamento) na mente. A mente assume um shanti vritti (um pensamento feliz, de completa paz) e a felicidade se manifesta.

Essa felicidade poderá pertencer ao mundo? Ela não vem deste mundo. Se vem do mundo, qual será o objeto que me faz feliz? Não existe um objeto no mundo que possa fazer-me feliz. Nenhuma situação pode ser tomada como felicidade, porque ela mesma pode fazer alguém infeliz mais tarde. As pessoas ficam felizes ou infelizes em diferentes situações. Portanto, nenhuma situação, objeto, momento ou local particular pode ser considerado uma fonte de felicidade. Então você tem de perguntar-se se a felicidade não estará dentro de você. Mas, se dizemos 'dentro de você', que significa isso? A mente? Se a mente fosse a fonte da felicidade, não poderia haver tristeza. Mas a mente também está presente na tristeza. Portanto, não se pode dizer que uma mente pensativa é a fonte da felicidade. Nem dizer que fico feliz quando o mundo está ausente. Isso não é verdade. Pode-se apreciar o mundo e ser feliz. Você pode escutar música e ser feliz. Você pode tomar sorvete e sentir-se feliz. Ou ficar feliz dançando. Ou sentir-se feliz por gostar de alguém. A experiência sensorial do mundo pode trazer felicidade. Portanto, não se pode dizer que o mundo nos faz infelizes. Não é verdade, porque se pode contradizer essa opinião.

Portanto, não se pode dizer que o mundo nos faz infelizes, porque ele também nos faz felizes. Felicidade não tem nada a ver com o mundo ou com a mente. Não se pode dizer que a mente está ausente quando estamos felizes, porque a mente está desperta nesse mornento. Os sentidos não estão ausentes, o corpo não está ausente, nem o mundo, nem a mente, e no entanto a felicidade aí está. Afinal, quando a felicidade está presente, o que mais está? Eu diria que existe apenas você, menos as suas noções. 0 que quer dizer isso? Sou urn buscador, estou identificado corn o ahankara (noção do "eu"), com a estória de identificar-me com um ser mortal, limitado, cheio de desejos. Essa noção particular de ser um ente mortal e limitado é momentaneamente superada, porque alguma coisa muito absorvente me captou e por isso esqueci de mim mesmo e sou feliz. O que quer dizer 'esquecer-me de rnim'? Não é que o "eu" tenha desaparecido. O que foi esquecido foi a sua história, seus problernas. Foram todos esquecidos e você está feliz. Isso significa que a felicidade se torna um estado. Nesse estado, o que está presente é a plenitude, a infinitude. Esse é o "eu" que se manifesta. Na realidade, não há mais uma divisão entre buscador/busca quando se está feliz. O mundo não é mais objeto dessa busca, e você não é mais o buscador. Você não deseja mais que sua mente ou seu corpo sejam diferentes. Nesse momento, tudo existe e é plenitude. Você é plenitude. O mundo também é plenitude. A mesma plenitude está lá. Felicidade torna-se um lakshana da infinitude que é a sua natureza. Só então podemos usar as palavras sat, chit, ánanda como lakshana para átman.

O que acontece é que as pessoas não compreendern isso e dizem: "Swamji, eu compreendo átman, que é sat, chit, ánanda, mas como posso experimentar ánanda/êxtase? A pessoa que pergunta isso conhece diferentes tipos de êxtase e quer agora um novo tipo, inconfundível. Tem de ser diferente do êxtase do chocolate ou do disco, e de qualquer outro êxtase já conhecido. Ela quer esse novo êxtase, que é o êxtase de átman. Outros tipos já foram vistos desde a infância - o êxtase do balão de borracha - até os atuais êxtases do Caribe ou do Havaí. E tendo tudo experimentado, encontra-se pronto para o êxtase de átman. Tais pessoas sentem que, ao experimentar esse êxtase, atingirão a iluminação. Será isso verdade? Suponhamos que alguém tem uma experiência de êxtase, para a qual utilizou determinadas técnicas aprendidas. Você comprime tal parte, olha assim ou assado, etc, e afinal experimenta algum êxtase. Como saber se esse êxtase é o êxtase de átman?

Ao definir ánanda corno felicidade/êxtase, damos a uma palavra com um significado simbólico uma conotação de experiência. Ánanda passa a ser algo que deve ser experirnentado. Muito naturalmente, todos começam a aguardar um êxtase experimentável.

Suponhamos que você experimente determinado êxtase; este não lhe dirá "Eu sou o êxtase de átman", não haverá declarações desse tipo. Então, como saber? De novo você busca uma experiência extática, e de novo tem de interpretar esse êxtase. Será o êxtase de átman? E, assim, naturalmente a pergunta passa a ser: "qual o meio de conhecimento para interpretar o êxtase? A percepção como meio de conhecimento não poderá auxiliá-lo. Você só poderá dizer que por um momento "me pareceu estar em êxtase e agora não estou mais". Dizer "eu estava em êxtase" é inteiramente diferente de dizer "eu sou êxtase". Na verdade, você é êxtase e somente êxtase. Qualquer experiência de êxtase que se tenha não é mais que a manifestação da infinitude que é você. Ánanda, felicidade, é pois uma palavra que usamos geralmente como lakshana para infinitude.


Extraído do Informativo Vidyá-Mandir de junho de 1991, do Vidyamandir - Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, Rio de Janeiro. Traduzido por Heloísa Madeira.

O PORTAL DA TRINDADE: A ENTRADA PARA O UNIVERSO DOURADO -


Da Série: Estamos Finalmente Chegando em Casa!
Uma Mensagem de KRYON
Canalizada por Ginaiá Ferreira de Brito no Grupo CETCITEM em 15 de junho de 2009
São Paulo, SP, Brasil


"Saudações meus queridos!

EU SOU Kryon do Serviço Magnético.

Que linda energia vocês conseguiram produzir aqui nesta noite! A noite da sua própria graduação, a retomada de seu poder... Todos vocês conseguiram, vocês estão quase chegando lá... Mestres de Luz, que a partir de agora, reivindicam suas potencialidades divinas, a fusão com seu corpo de luz, uma entrega, total e irrestrita ao seu Eu Superior!

Respirem profundamente... São muitas as energias a serem equilibradas aqui nesta noite. Existe uma energia de conflito que foi posta em movimento, buscando sua própria harmonia interior. Dêem-nos permissão, coloquem sua intenção pura, do centro de seus cardíacos.

Abram suas consciências e, permitam-nos agora, Eu, Kryon e toda a minha comitiva de Seres Magnéticos, Seres da Luz e da alta Hierarquia Espiritual - que a partir de agora regerá o seu Universo local - permitam-nos infusionar uma energia de perfeito equilíbrio e harmonia, para que cada um de vocês aqui presentes ancorem a energia da Trindade, em um pilar multidimensional da mais alta freqüência vibratória disponível para o seu processo de evolução.

Apenas mantenham-se respirando... Dêem-nos permissão e recebam este influxo magnético, de altíssimo teor vibratório (nesse momento sentiu-se em toda a sala uma energia de uma intensidade indescritível e sem precedentes). Um portal interno está sendo aberto neste momento em sua coluna ascensional de luz - seu pilar central de luz. A fusão com seu Eu Superior está se completando mais e mais a cada dia.

De nossa perspectiva, olhamos para vocês e vemos seres divinos, reluzentes. Vemos alguns de vocês, às vezes em trabalho de luz, quase diáfanos, verdadeiros anjos vestindo o invólucro de humanidade e isto vocês não são, nunca foram humanos, mas fingiram ser, por éons de tempo... Sim meus queridos, meus irmãos e irmãs, vocês irão se lembrar, venham conosco, faremos uma pequena jornada nesta noite, para dentro deste portal interno que está ativando as freqüências da Trindade, através de cada um de vocês aqui presente, para os humanos que já podem despertar nesse momento em sua amada Terra.



Sintam a conexão profunda, que nós estamos proporcionando a cada um de vocês agora (o fluxo de energia sentido na sala ficou quase insuportável nesse momento, praticamente sentimo-nos dissolvendo). Em alguns momentos, vocês se sentirão, absolutamente fora de seus corpos e se converterão em luz pura. A comitiva de Seres Magnéticos presentes aqui nesta noite, e a alta Hierarquia Espiritual, combinada ao seu novo Conselho de Luz, junto com a energia de Kryon, lhes permitirá, por estes instantes, penetrarem neste Universo Dourado, o Universo dos planos creacionais, o universo de onde todos vocês foram emanados, o Ponto Zero absoluto da criação, o início e o fim de todas as coisas.

Neste momento vocês encerraram um ciclo: é o fim da dualidade, para os graduados. Todos aqueles que tiverem contato com o corpo desta mensagem posteriormente, receberão a mesma infusão de energia de alta freqüência vibratória. Esta energia superior só pode ser vertida através de uma dispensação especial e, principalmente, atendendo ao seu próprio chamado em desvencilharem-se da tridimensionalidade.

Meus queridos, chegou a hora! Seu processo de Ascensão inicia nesta noite específica, um marco em sua jornada de retorno ao lar. A data de hoje foi escolhida porque ela contém 6 vezes a vibração da Família, no seu tempo linear, hoje é um dia 15 que perfaz um 6 o número da Família, de um mês 6, ou seja 66, 6 vezes a freqüência 11 de Kryon, de um ano mestre 11.

Continuem respirando... A expansão que estão sentindo neste momento é a conversão em luz, é o início de sua entrada neste Universo Dourado. Vocês irão para dentro de si nesta jornada, rumo ao seu infinito, à harmonia e ao equilíbrio perfeito. É a plenitude que vocês sentirão! Nós estamos lhes proporcionando este momento único depois de milhares de anos. É a primeira vez que, de fato, estando em um corpo de carne, se sentirão em casa e isto está sendo feito para que vocês possam fazer uma escolha consciente.



Meus queridos, quando vocês iniciaram esta jornada rumo à ascensão, sequer imaginaram que ainda estariam aqui neste tempo, nesta vida, neste Agora. Para lhes falar a verdade até nós, de nossa perspectiva do outro lado do véu, também tínhamos as nossas dúvidas, sabíamos que vocês chegariam lá, mas não quando. Os eventos deste jogo da dualidade, as regras e tudo o mais, sempre foram uma criação sua, nós somente os apoiamos.

Mas, parece que vocês decidiram finalizar o jogo. Isso não significa uma simples mudança de conceito, não é simplesmente como mudar as regras, vocês escolheram mudar o tabuleiro inteiro, e isso, só é possível através da sua própria mudança. Vocês já sabem que são Amor e Consciência manifestados e que nada no seu universo humano é real, são apenas criações holográficas da sua própria mente, para que vocês experimentem a tridimensionalidade a partir de uma perspectiva de ilusão de separação do seu verdadeiro Eu Superior.



Vocês jogaram bastante, vocês jogaram tão bem, foram tão longe que esqueceram quem eram, se recriaram tantas e tantas vezes e, a cada dia, mobilizavam-se neste tabuleiro de jogo, com novas regras surgindo - suas regras - e ficaram tanto tempo longe de casa. Nós sabemos, porque estamos conectados a vocês o tempo todo, nós conhecemos cada um de seus telômeros interdimensionais do seu DNA, nós conhecemos os seus registros...

Eu Kryon, estou lá quando vocês vêem e quando vocês voltam. Está tudo registrado no seu cristal e nos registros akáshicos do seu planeta. Muito tempo desde a “Queda” meus queridos, então, as últimas semanas foram dramáticas para alguns de vocês, enquanto liberavam o medo, a carência e a imperfeição, vocês sofriam, vocês desacostumavam-se em ser quem pensavam que são. Vocês são deuses e deusas manifestados na matéria, é isto que vocês são!

Chegaram a um ponto de não retorno, não há mais volta! Vocês escolheram ascensionar, vocês são o grupo pioneiro que sustenta a energia da ascensão, a consciência da iluminação, nos parâmetros da nova realidade para todos os demais. E é assim que é.

Aqui, da nossa perspectiva, vocês também foram muito longe e muito mais rápido, do que qualquer um de nós poderia imaginar, então, é justo que vocês sintam neste momento, como é ter luz novamente. Então, respirem profundamente... Dêem-nos a sua permissão, dêem o seguinte comando interno: “Abrindo os portais da criação do meu Eu Divino, AGORA!”.

Venham para a Luz! Podem penetrar deste lado do véu! Neste momento vocês têm permissão, sintam a infusão do Amor Magnético. Não procurem sentir seus corpos, apenas sintam o Amor. (Neste momento não contivemos a emoção, era o “estar” literalmente em casa de novo e só havia luz pura!)

Este é o nosso presente, o anel de formatura, o diploma. Vocês estão em casa, aqui está a sua Família, todos os seus irmãos e irmãs de alma, o grupo que foi emanado em criação pela Fonte, ao mesmo tempo que vocês! Reconectem-se a sua centelha divina e sejam bem vindos! Sintam todo o Amor imenso que temos para honrá-los e saudá-los. Vocês venceram! Cada um de vocês conseguiu. Não importa o que desejem escolher a partir de hoje, vocês estão em casa.



Para que não haja nenhum dano ao seu corpo físico, seus novos Guias, essa nova Hierarquia de Luz, permanecerá ao seu lado numa tarefa de retorno. Vocês farão isso de uma maneira muito tranqüila, muito serena. Não voltem ainda... As novas freqüências ainda serão ajustadas. Ouçam com atenção, o que vamos lhes revelar agora.

O seu sistemas de 7 chakras que até hoje, manteve o equilíbrio e indicou a harmonia ou a desarmonia do seu corpo humano, terá novas funções, alguns deles perderão as funções que vocês conhecem, refiro-me àqueles que vocês consideram como inferiores. A técnica que estiveram a trabalhar de unificação dos chakras, não será mais necessária. Vocês poderão trabalhar através do chakra cardíaco que manterá uma função específica a partir de agora, para os novos tempos que virão. Mas, vocês passarão a criar através do chakra frontal que em conjunto com a conexão ativada com o seu Eu Superior, através do chakra coronário, será responsável pelo download do padrão holográfico da Nova Terra que vocês criarão.

Mantenham-se respirando... Que ainda estamos ajustando as freqüências para que vocês voltem em absoluta segurança e reconfigurados.

Nós havíamos dito, eu Kryon, e tantos outros Mestres de Luz, que somos todos a mesma energia, somente em freqüências diferentes, e cada um de nós aqui, do nosso lado, possui funções específicas. Assim também será com vocês a partir de agora. Vocês devem escolher, se desejam viver a experiência que tiveram agora, se é isso o que realmente desejam, a ascensão em um corpo físico ou fora dele. Vocês são livres para escolher.

Os que decidirem ficar usarão a conexão do portal interno para os reinos de luz, para o Universo Dourado dos planos creacionais, terão acesso a plataforma dos reinos Elohínicos, receberão mais e mais ativações nos telômeros do seu DNA, e a cada dia se tornarão mais Mestres Criadores, usando a maestria da criação material e espiritual combinadas.

Qualquer que seja a escolha, ela é sua, e ela é honrada, e nós não interferiremos, porque nós os amamos e amamos imensamente, tudo o que fazem e fizeram até agora, somos gratos, por permitirem que nós participássemos, deste nosso lado, desta sua incrível jornada.


Não temos palavras, pelo menos com palavras humanas ou expressões adequadas, para lhes expressar o quanto os honramos e amamos e, o quanto vocês são infinitamente guiados e protegidos o tempo todo. Por isso, lhes demos esta experiência esta noite, e temos somente mais duas informações a acrescentar.

Lady Gaia também acelerou a sua partida e alguns de vocês já possuem as freqüências ativadas necessárias para os trabalhos de criação com o reino mineral, o reino animal e o reino vegetal. Em breve, aqueles que ficarem, serão conduzidos à funções específicas que lhes permitirão trabalhar com os reinos da natureza que também evoluirão e farão parte da sua co-criação e do seu processo de recriação da Nova Terra.

Desde que o piloto sumiu, vocês estão decidindo, se assumem a responsabilidade do comando da aeronave não é mesmo? Então meus queridos, chegou a hora de escolher: Vocês assumirão o comando? Vocês devem decidir...

A outra advertência: Quando vocês escolhem, a partir de agora, sejam muito conscientes de quantos serão afetados pelas suas escolhas. Não é responsabilidade sua como as pessoas irão reagir, todas são Mestres, e jamais se esqueçam disto, mas, chegou a hora de retirar todas as velhas muletas... Então, tenham consciência de que um Mestre não permite que o outro, não aprenda a usar a sua própria energia. Vocês devem sustentar a energia para os padrões de recriação da Nova Terra, e não para sustentar o ego das pessoas próximas. Esta advertência encontrará uma ressonância muito grande com todos aqueles que lerão estas palavras.

E, antes de me despedir, sobre a data de hoje 15/06/2009 - 66.11 - uma freqüência que somada dá 77. Representa a graduação dos Mestres de Luz. Usem bem a sua maestria, porque vocês mudaram toda a história do Universo a partir desta incrível jornada, e da sua aventura no Planeta terra. Abençoados sejam meus queridos, cada um de vocês!

EU SOU Kryon e, envoltos em amor, vocês ficarão a partir desta noite. Eu nunca parto realmente, mas agora, eu não estou mais a uma respiração de vocês, eu estou dentro de cada um, através deste Portal de Luz que foi aberto e que une os nossos universos e ancora a energia da Trindade - o Pai, a Mãe e a Criança Cósmica - que é o fruto desta criação que vocês mesmos acabaram de realizar.

EU SOU Kryon e os amo profundamente.

E Assim É."


Fonte: http://fraternidade-branca-semente-de-luz.blogspot.com/2009/06/o-portal-da-trindade-entrada-para-o.html

Você não é quem você pensa que é - (Satyaprem)


Você não pode ser nada que você esteja vendo, você é simplesmente aquele que vê. Você não pode ver a si mesmo, por que quem veria? Aquilo que nós somos, a Essência ( aqui eu estou usando a palavra Essência), é imensurável, portanto não tem como medir. Nem na largura, nem no comprimento e nem na profundidade. Por isso chama-se de imensurável. No entanto, pode-se saber, pode-se realizar, pode-se reconhecer isso pelo simples motivo de que isso é a nossa realidade.

O objetivo deste encontro é fazer com que você se encontre. Pode-se dizer como um fim de busca.

Pode parecer pretensioso para você nesse instante, mas é assim que é. A meta é fazer você saber quem você é. Não é quem você pensa que é, mas quem você é em realidade. É mostrar à vocês que existe uma série de mal-entendidos que têm sedimentado a sua busca. O que vai ser dito vai colocar, de uma certa forma, de cabeça para baixo uma série de coisas em que vocês têm acreditado. E está tudo vinculado, na verdade, com:"Quem é você?" Essa pergunta clássica, "Quem sou eu?"

Quantos de nós têm perguntado há tanto tempo... "Quem sou eu?" Ou, talvez nunca tenha cogitado tal pergunta, mas eu quero que nesse momento vocês não só perguntem, eu quero que vocês encontrem a resposta. Na verdade, não há resposta para essa pergunta... Há um "ver" nessa resposta, ela não é uma resposta com palavras, com entendimento em si, mas um "ver", um "ver" que não necessita dos seus olhos... Na verdade, não necessita de nenhum dos seus sentidos. Até esse presente instante, você tem vivido, sentido e experienciado o mundo através dos seus sentidos... Eu quero que você tire tudo do seu caminho, da sua frente, para que você possa "ver".

O que eu estou dizendo, são conceitos. Conceitos que apontam para algo. Eu quero que você olhe para esse algo e esqueça os conceitos. Tudo o que eu estiver falando ou que eu investigar será uma experiência minha. Eu quero que você também a tenha. Eu estou aqui para compartilhar com você essa realização, essa clareza. Eu quero que você acorde para quem você é e isso você pode fazer. Você está completamente habilitado a fazer. No entanto, a minha novidade é um tanto quanto frágil, porque eu vou lhe dar uma coisa que você já tem! Eu só quero que você atente e veja com consciência que você já tem, que você é aquilo. Essa é a minha única função.

Isso não vai melhorar a sua vida, mas vai simplificá-la. Você ainda vai morrer, você ainda vai sentir dor, mas tem uma coisa que em nosso processo completo de vida não levamos em conta, não é falado, não é tocado, não é elaborado de forma alguma. Nós vivemos dentro da nossa cultura de uma forma refletida! Nós nos refletimos nos outros, nós refletimos a nossa existência. E uma experiência refletida é secundária. Ela é indireta, não é uma experiência direta de quem somos. Por isso as pessoas sofrem, porque elas vivem de acordo com o reflexo e o reflexo não é o que você é. Você não é o seu reflexo! Você é aquilo que é refletido, você é aquilo que está atrás do espelho!

E o que eu quero trazer para vocês, de uma certa forma, vai ser complicado de "entender", porque isso passa por uma novidade absoluta. Nós nos relacionamos com o mundo como se o mundo fosse um objeto, as pessoas fossem objetos e nós fossemos um sujeito. Bem, a novidade que eu quero compartilhar com vocês é que vocês não passam de objetos também. Essa pretensão de ser alguém, que você chama de eu, é apenas um objeto. E aquilo que você é, transcende tudo isso, porque não pode ser manipulado por ninguém.

Trazer você direto para essa visão, é o propósito deste encontro. Você é capaz de "ver" isto, porque você é aquele que está "vendo"... Tenho uma sugestão: eu quero que vocês consigam, de alguma forma, suspender completamente as suas memórias e as suas idéias a respeito de tudo. Tudo aquilo a respeito do que vocês têm idéia, por mais sedimentadas e comprovadas, são apenas idéias. Ponha na prateleira, imagine que você tenha uma livraria dentro da sua cabeça e lá você tem todas as idéias colocadas em livros: sexo, família, verdade, iluminação, eu, o outro, nós, o que quer que seja. Deixe tudo isso na livraria e tente acessar aquilo que eu quero, diretamente, sem nenhum vínculo com aquilo que você já viu antes.

Você não tem nome, não tem forma, não tem tamanho. Tampouco há sensação que possa descrever você. Todas as sensações ocorrem "dentro" de Você. Não importa o que você faça, Você está observando... Não importa a imagem que venha, o pensamento que venha, a emoção que venha, quem é que sabe disso tudo? Esse, é quem Você é. O foco é nesse que Você é e não nos objetos de observação. Objetos vêm e vão.

Mas Consciência, Atenção... Não importa o que você faça, você está sempre ciente de alguma coisa, não é verdade? Pode não ser aquilo que a mente queira estar consciente de. Você queria falar uma coisa e você esquece, você está consciente de que esqueceu! A Consciência permanece como cortina de fundo para o que quer que seja que aconteça na periferia. É imutável e não depende de você fazer coisa alguma. Não importa o que você faça, se você beber 3 litros de whisky e ficar muito bêbado, você sabe que está muito bêbado e talvez desmaie, perca a consciência periférica, mas aquela Consciência, que não precisa de experiência, permanece, porque Ela é independente, Ela não pode ser experenciada por você, porque Ela é Você.

Mas, quando eu digo Ela é Você, você pensa em você como uma entidade, mas não é você como uma entidade, é você como uma não entidade. É uma imaginação sua que existe alguém que precisa de mais amor, alguém que precisa de menos amor, alguém que precisa de mais liberdade, alguém que precisa de mais dinheiro, alguém que precisa disso e daquilo e daquele outro e que pede para o outro, que também é um ninguém, que satisfaça as vontades desse alguém. É um sonho, que não funciona, já funcionou? Olhe bem para a sua própria vida e diga se funcionou...

De onde que eu foco? Para onde que eu foco? Onde você tem focado toda a sua energia até esse momento? Na periferia, tentando fazer com que os outros entendam você, tentando entender os outros e sempre o que resta é um nível de falência, um nível de fracasso, porque não existe ninguém; porque existe ninguém. Enquanto você foca na periferia você não sabe que não existe ninguém, você então pensa que existe alguém, e assim se complica.

Como é que você vai ver e ficar em paz com esse Silêncio, que é inerente a você, com essa natureza que você pensa ser? Se alguém não lhe dá aquilo que você quer, você observa e aceita, porque não tem outra coisa a fazer. O seu foco muda da periferia das satisfações, dos sentidos... O enfoque então, é naquilo que você verdadeiramente é.

É óbvio que você vai usar o seu nome. É óbvio que você vai se mexer normalmente, quanto mais, melhor. É essa a ordinariedade que o Osho pediu e da qual tanto falava. Seja ordinário! Os outros iluminados que a gente conhece são todos extraordinários. Você não foi ao Himalaia? Como é que você vai iluminar? Explique! Algum astrólogo fez a sua carta natal quando você era pequeno? Ou, você deu três passos quando nasceu? Alguém leu numa folha de bananeira o seu futuro, que você iria iluminar aos 33? Era a imaturidade dos tempos que precisava daquelas histórias. Você não precisa! Fique quieto, saiba, é a sua natureza!

A mentira é que você não é um Buda. A verdade é que não há o que dizer e quando não há o que dizer, o que a gente faz? A gente fica quieto. E a natureza desse Ser que você é, é o Silêncio. Vocês já notaram isso? É uma atenção silenciosa. É um êxtase que não pode ser provado, que não pode ser experenciado por você, porque ele é Você. Para ter uma experiência de alguma coisa você precisa estar fora dessa coisa...

A mente gostaria de fazer exatamente isso, experenciar o que eu estou dizendo. Mas a única prova que você pode ter é: Saiba! Fique quieto e saiba você mesmo. Você não precisa da aprovação de ninguém. Quem que vai lhe dar uma aprovação senão você mesmo? Senão esse Ser que você é? Se esse Ser que eu sou é o Ser que você é, como eu posso lhe dar uma aprovação? Não existe eu, não existe você, só Aquilo. Então é indiferente. Quando você sabe, a autoridade nasce de dentro de você inerentemente, naturalmente, sem você ter de fazer nada... E você pode até ser incapaz de transmitir ou conversar a respeito, mas quem se importa?... Esse não é o ponto. A preocupação única que pode ter é: saiba!

E, preocupe-se sem se preocupar, busque sem buscar, porque não está longe de você não está num lugar inacessível muito embora a mente duvide. Talvez você não veja, tem uma neblina e aí a neblina sai, e lá está o Himalaia, aí vem a neblina de novo e você diz:"não pode estar lá"; e aí sai a neblina e está lá. A neblina é a mente, deixe-a fazer isso por quantas vezes ela quiser, só lembre-se de uma coisa: o Himalaia está lá quer você veja ou não.

Você é iluminado quer você saiba ou não, porque é a sua natureza, entenda isso também. Você não pode possuir isso, ao contrário, isso o possui. Está claro? Não tem como você conter isso dentro de você, como é que a gota vai conter o oceano dentro de si mesma? Não tem como condensar a complexidade de tudo dentro de uma gota. É muito mais fácil, muito mais simples, a gota entregar-se, não é? E, se ela se entrega, ela deixa de ser gota e esse é o seu medo.

"Mas se eu não sou mais uma gota, o que é que vai acontecer?" Não vai acontecer nada, só vai acontecer que você não vai mais ter a ilusão de que você é uma gota e a mitologia diz que talvez você não tenha mais vontade de viver nesse corpo. Mas você não vive nesse corpo, essa é a ilusão da história. É esse corpo que vive em Você! É apenas uma brincadeira da Existência para compreender a si mesma, para ver a si mesma, ela lhe dá esses olhos e toda essa capacidade de compreensão. É tanta compreensão que chega a confundi-lo. A vaca não se confunde, não sei se vocês já observaram. Já viu uma vaca discutindo com o touro? "Por que tu vais com aquela outra vaca?" E quanta coisa acontece nessa incompreensão, nesse mal-entendido, inclusive aquela coisa que a gente chama de comparação. Conhece, não é?

"Eu não sou espiritual o suficiente, aquela pessoa é mais espiritual do que eu", ou o contrário,"eu sou muito mais espiritual do que aquela pessoa". É tudo periférico. A mente questiona tudo isso porque ela acha que a realização da Essência tem uma forma, uma cara, uma estrutura que, se realiza a Essência, você tem de se comportar de uma determinada maneira, provavelmente baseado nas outras maneiras que você já leu em algum lugar. Esse é o seu problema. Você está tentando comparar com as coisas de outros tempos.

A natureza desse Ser que eu sou, desse Ser que nós somos é Silêncio, é Paz. Todos vocês já provaram: ou andando de bicicleta, ou depois de uma transa, ou depois de uma boa comida e um copo de vinho, ou depois da Dinâmica, ou durante a Dinâmica, ou em algum grupo, ou em algum momento, não provaram? É uma coisa que independe , não está sob o seu controle."Não está no meu controle". Mas esse é o mal-entendido da casca da cebola, achando que de alguma forma eu tenho controle sobre o que acontece.Qual é o entendimento da pérola? Não está sob o meu controle, eu não controlo mais. Qual é a natureza dessa Essência que você é? Silêncio, Paz, Verdade são inerentes a esse processo. A Verdade é a natureza desse Ser que você é.

A gente fica esperando aquele livro que virá com aquela palavra chave que eu vou entender em totalidade, mas não tem nada para entender em totalidade. Quantos livros você já comprou e já botou na prateleira da sua casa? E você os leu sem compreendê-los, porque não tem palavras que possam transmitir isso diretamente. Elas podem apenas apontar. O que conta é a sua capacidade de "entender" o simples, e de novo, não é entender. É a sua natureza, não há necessidade de fazer nada, é saber coisas básicas.

É da natureza da mente duvidar, duvidar que eu possa saber, duvidar que possa ser tão simples. Dê boas vindas às dúvidas, duvide! Olhe na direção certa e veja que a dúvida é irrelevante. Tem livros que dizem que aconteceu isto, que aconteceu aquilo. Aconteceu isto e aquilo e aquele outro para aquela pessoa, para aquele corpo-mente, para aquele mecanismo. Quem sabe para você é diferente. Uma coisa transcende essas diferenças periféricas, o que é?

O imperador Wu, da China, foi um imperador que fez muito, construiu muitos mosteiros e trouxe muito dinheiro para o Zen. Ele ouviu que Bodidharma estava vindo na direção da cidade onde ele morava. Ele, então, arranjou um encontro com Bodidharma, chamou-o para o castelo. Quando ele encontrou Bodidharma ele disse:"Eu tenho dado muito dinheiro para os mosteiros, para eles escreverem as escrituras, etc. Eu estou tendo muito mérito?" E Bodidharma respondeu: "Não está tendo mérito nenhum". Ele tinha gasto muito e sabia que Bodidharma era um dos patriarcas vivos e ficou irado com Bodidharma, é óbvio, e então perguntou: "Sabes com quem estas falando?" Bodidharma disse: "Sei". E o imperador: "Quem é você para me dizer uma coisa dessas?" Ao que Bodidharma disse: "Não tenho a menor idéia!" Está escrito, é a história. Eu não sei quem eu sou... É o mesmo significado do saber que você é uma coisa que não tem forma, não tem tamanho, não acontece, independe do que você pensa ou deixa de pensar, do que você faz ou deixa de fazer.

Nós, normalmente, visitamos o mundo através do que a gente pensa dele. Nós vemos as coisas sempre com um filtro. A gente dá nomes a tudo: árvore, animais... Tem uma coisa, no entanto, que não tem nome, e se você vê essa coisa, você não a reconhece, porque ela não é reconhecível. E essa coisa, definitivamente, não faz parte da sua experiência pretérita. Ela é uma coisa sempre nova porque ela vive no aqui e agora e no aqui e agora é onde ela mora.

É quem, na realidade, você é. É o que Bodhidharma disse: "Eu não sei quem sou" e veja bem, todas as pessoas que vieram aqui chegaram a mesma conclusão: "Eu não tenho a menor idéia de quem eu seja!", e é exatamente esse não saber "quem eu sou" que você verdadeiramente é!

Quando você sabe que você não sabe quem você é, você sabe quem você é, porque aí não se confunde mais. Você não vai ficar mais identificado com seu corpo ou com sua mente. E o que eu estou tentando compartilhar com vocês é que, se você percebe o seu corpo e a sua mente, você não pode estar "dentro" deles.

A Consciência transcende o corpo! Por isso é que os "loucos" fazem viagem astral, não sei mais o que... Porque é exatamente isso, eles estão em todo o lugar ao mesmo tempo, na verdade eles não estão viajando, eles estão simplesmente vendo o que pode ser visto e que umas pessoas tem mais discernimento para ver do que outras. Mas não estão viajando nada, não tem ninguém indo a lugar nenhum. Eles não estão saindo do corpo e indo à África.

Se você observar, dentro da própria experiência, você vê que não tem como estar contido no seu corpo. Se você fechar os seus olhos, o que você observa? Não observa que é maior? Maior de tal forma que não sabe onde termina nem onde começa. Veja bem, se a Consciência está em todo o lugar, se a Consciência é tudo, onde que os corpos estão? Não é dentro da Consciência? A Consciência contém tudo. Tudo o que existe é Consciência, mais nada. Não tem nada fora da Consciência!

Tem aquele dizer do Osho que eu vou repetir. Não há peixe dentro d'água que esteja com sede. Já viu peixe com sede? Não, porque a essência do peixe é a água, faz parte, ele está ali, dentro d'água. É apenas uma metáfora quando eu falo a Consciência contém o todo, não dá para pensar em termos de matéria e de que está dentro... É apenas uma linguagem... A expressão que eu quero que você compreenda é que eu estou aqui e o meu Eu, Ele não é contido no meu corpo, Ele transcende o meu corpo e todos os corpos. Tudo está dentro de mim, não dentro mim, mas desse Eu que Eu sou. Porque esse Eu que Eu sou não começa em algum lugar, nem termina em lugar nenhum. Tudo que existe é essa Essência!

Quando você realiza quem você é, o mundo da periferia se torna uma brincadeira. Essa brincadeira os indianos chamam de "Leela". Mas estar identificado com seu corpo-mente é pura ilusão. E essa sensação os indianos chamam de "Maya", a ilusão dos corpos separados. A verdade é que os corpos todos estão acontecendo "dentro" de quem Eu sou. Não é eu Satyaprem, quem eu sou, é a Essência de todas as coisas, a Consciência. Porque quando você entra em contato, quando você realiza a sua Essência, que não é sua, você cessa de ser quem você é, seu limite é perdido... Não há nada, não pode ter nada. Você não tem espaço e não tem tempo, o que há então?

(Texto extraído do livro "Fragmentos de Transparência", cap.4)