quarta-feira, 20 de maio de 2009

Pensar em nada - (Álvaro de Campos; heterônimo de Fernando Pessoa)


*Não Estou*
"Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia,
Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
E como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada..."




*Quando*
"Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente."

Fênix - (Flávio Venturini e Jorge Vercilo)

"Teu,
prisioneiro meu
descobri no breu
uma constelação
Céus,
conheci os céus
pelos olhos seus
Véu de contemplação
Deus,
condenado eu fui
a forjar o amor
no aço do rancor
e a transpor as leis
mesquinhas dos mortais
Vou
entre a redenção
e o esplendor
de por você viver
Sim,
quis sair de mim
esquecer quem sou
e respirar por ti
e assim transpor as leis
mesquinhas dos mortais
Agoniza virgem Fênix
(O amor)
entre cinzas, arco-íris e esplendor
por viver às juras de satisfazer
o ego mortal
Coisa pequenina,
centelha divina,
renasceu das cinzas
Onde foi ruína
pássaro ferido
hoje é paraíso
Luz da minha vida,
pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas
Quando o frio vem
nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
a luz da escuridão
e a dor revela a mais
esplêndida emoção
O amor"

O que é este “eu”? - (Mooji - satsang)


"Q – A felicidade vem e vai.
Mooji – A felicidade pessoal vai e vem. A pessoa vai e vem, o sentido de ser uma
pessoa vai e vem. E por isso qualquer coisa a que a pessoa se agarre também vai e vem.
Porque a pessoa não é uma coisa estável. A pessoa, em si mesma, é uma idéia. Ao dizer
isso, eu não sei quão profundo isso entra em vocês. É por este motivo que eu não confio em
ensinamentos. E eu não confio também em aprender. Mas experiência, mas o que você
descobre porque você experimenta, isso é algo. Você diz que a felicidade vai e vem. E toda
e qualquer outra emoção e sensação vai e vem. Existe qualquer emoção que venha e fique?
Existe qualquer coisa na tua vida inteira que veio e ficou? Tudo vem e vai.
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A história do homem que queria se livrar da sua sombra
Há uma interessante história de um homem que queria se livrar de sua sombra.
A sombra lhe perturbava.
Então um dia ele teve uma idéia.
Ele foi a um funeral e viu que eles fizeram um buraco bem grande, colocaram o corpo e
cobriram. Ele teve a idéia de que ele poderia enterrar a própria sombra.
Então, cava um buraco profundo e grande, e ele ficou lá parado, com o sol atrás dele até
que a sombra estava dentro do buraco.
E ele começou a botar terra em cima rapidamente.
Mas sempre a sombra estava em cima.
Você está tentando matar a mente.
E a mente fica cada vez mais forte através de sua tentativa de matá-la.
Abandone esta tarefa. Deixe a mente ser.
Permaneça enquanto testemunha da mente.
Você não pode matar aquilo que não existe.
Você pode apenas despertar para a Verdade.
Você é a testemunha da mente.
Localize-se.
Descubra o que você pode ser. Você pode ser encontrado?
Você, que testemunha todo o resto, você pode ser encontrado?
Eu vou lhe dar um exemplo.
É como uma faca. Uma faca pode cortar muitas coisas, mas não pode cortar a si mesma.
Porque é uma única unidade.
Ou seus olhos, que podem ver muitos objetos, mas não podem ver a si mesmos diretamente.
Ou uma balança que pode pesar tantas coisas, mas não pode pesar a si mesma. Porque é
uma unidade.
Você também é um.
Você não pode ver a si mesmo.
Você pode ver a partir de si mesmo, mas o Self, você não pode ver.
Tudo o que você pode perceber são os efeitos, o vapor do oceano.
E esse vapor são os conceitos que surgem a partir do Self.
Você pode perceber a idéia que tem de si mesmo, mas não pode perceber a si mesmo. Não
de uma maneira fenomenal.
Você se conhece intuitivamente, além da dualidade.
Da mesma forma como se você se tornasse consciente e não tivesse nada para ver.
Nada com que se relacionar.
Você ainda teria o sentimento Eu Sou.
Você não precisa de mais nada para você dizer que você é.
Então, se sua mente está pulando, não tente suprimi-la ou controlá-la.
Você pode controlar a mente? Sim.
Mas por períodos curtos de tempo. Quando você pára o exercício, a mente volta novamente.
Então, não desperdice toda sua energia tentando parar a mente.
Permaneça como o observador das atividades mentais.
Contemple essa energia, ou este principio que observa.
Até que o observador incuba no observar.
Significando que ele fica apenas sobre si mesmo.
E neste momento a mente desaparece,
não tem mais poder.
Se você perder o interesse, ou ver que a mente é ilusória e perder o interesse na mente, no
final você não vê mais a mente.
Ela não deixará mais nenhuma pegada em você.
O que isso significa?
Recentemente, fizeram uma pergunta bastante profunda na Índia:
‘ Bhagavan Sri Ramana Maharshi disse uma coisa: ele disse “Quando o Self é visto, o
mundo não é visto, e quando o mundo é visto, o Self não é visto”.’
Ela disse: ‘Se eu vir o Self, o eu real, o mundo desaparecerá, e eu me sinto com medo. Mas
é isso que o Bhagavan disse. Você pode explicar?’
Eu disse ok, vou tentar lhe dizer o que é.
Quando não há interesse ou apego naquilo que você percebe,
o objeto enquanto objeto de percepção ainda continua.
Mas quando você não criou nenhuma relação com ele,
ou criou qualquer tipo de sentimento em relação a ele,
ele continua a ser um objeto da percepção, mas não registra nenhuma marca na consciência.
Então, a pessoa vê, percebe, mas não faz um registro na consciência, é pura percepção.
Então, é isso que ele quis dizer.
Quando o Self é realizado, as coisas não são vistas na consciência.
As experiências estão lá, espontaneamente.
Mas sem nenhum apego.
Então a experiência é pura.
A alegria está presente.
A tristeza pode acontecer também, mas não deixa nenhuma marca na consciência.
Elas são como as ondas na superfície do oceano.
A experiência, o experienciar é sempre novo.
É como escrever na água.
Você não pode ler três segundos depois.
Acabou.
Quando sua percepção é fresca, é nova assim,
e isso é completamente possível, da maneira como estou apontando a vocês,
reconheça a testemunha.
Mas como você pode reconhecer a testemunha se ela não possui nenhuma característica?
Isso não pode ser respondido através mente.
Algo está observando todo o resto.
Isto é óbvio.
Descubra o que é esta coisa que está testemunhando todo o resto.
Deixe que a atenção pare de ir para fora
e volte para o coração.
E compartilhe o que vocês descobriram comigo.
É tudo o que vocês precisam fazer.
Se seguirem esta pergunta, podem deixar de lado todos os livros espirituais, todas as suas
práticas.
Porque, para todas as práticas, para todas as leituras, o eu deve estar lá.
O eu que pratica,
o eu que lê,
o eu que aprende.
É por isso que o eu é o mais significante.
O que é este eu?"

Trechos do Satsang que ocorreu em Ubatuba-SP, no dia 01 de março de 2008
Transcrição e tradução - Veetshish

terça-feira, 19 de maio de 2009

Em busca da felicidade - (Gangaji)

"No coração de todo ser humano com quem falo, tenho visto um comando para, de certo modo, encontrar verdadeira felicidade, verdadeira realização. Às vezes esse desejo é até mais forte do que o instinto de sobrevivência. Como você sabe por sua própria experiência, a busca da felicidade pode enveredar por vários caminhos. De maneira instintiva, pode ser uma busca de prazer, conforto, segurança, ou uma busca de alguma posição conhecida na multidão humana. Geralmente, quando atingimos um determinado nível de sucesso em termos de prazer, conforto, segurança e posição, reconhecemos que nenhuma dessas coisas satisfaz verdadeiramente este comando profundo, este clamor mais profundo por felicidade. Podemos até ter momentos de linda revelação e certamente momentos de prazer, porém, ainda assim, geralmente por baixo de tudo isso está o medo de que nunca venhamos a encontrar paz permanente ou felicidade verdadeira. Ou o medo de perdermos qualquer paz ou felicidade que tenhamos atingido causa-nos tensão e contração já que constantemente procuramos nos apegar. Normalmente sentimos uma profunda desconfiança de que a paz e a felicidade sejam realmente possíveis.

Às vezes, numa vida abençoada, surge o clamor pela busca espiritual, pela busca de Deus, pela busca da verdade. Reconhecemos que o normal significa “não dê ouvidos a esse comando”. Deixamos de lado o que chamamos de “vida mundana” e voltamo-nos para uma vida espiritual.

Infelizmente, o mesmo condicionamento que dirigia a vida mundana geralmente tenta dirigir a vida espiritual igualmente e então se torna uma busca de prazer espiritual, conforto espiritual, conhecimento espiritual ou segurança espiritual. Mais cedo ou mais tarde, você terá que se desiludir com essa busca também. Você encontra prazer, obviamente; alcança espaços de êxtase; sente-se seguro quando percebe que Deus ou a verdade está presente e sente-se confortado quando se sente amparado por essa presença. Porém, até reconhecer que jamais esteve separado dela, você será continuamente impelido a encontrá-la nalguma outra parte, a encontrar Deus, baseado na crença ou na esperança de que Deus vá lhe dar felicidade. Esta crença ou esperança fundamenta-se numa compreensão bem infantil do que seja Deus – uma coisa, uma força, um lugar que lhe possam conceder prazer, conforto e segurança eternos.

Descobri que na verdade é impossível encontrar a felicidade. Enquanto estiver buscando encontrar a felicidade “nalgum lugar”, você estará ignorando o que é felicidade. Enquanto estiver procurando encontrar Deus nalgum outro lugar, você estará ignorando a verdade essencial de Deus, que é onipresença. Quando busca encontrar felicidade nalgum outro lugar, você está ignorando a sua verdadeira natureza, que é felicidade. Você está se ignorando.

Eu gostaria de lhe oferecer o convite e o desafio de você parar de se ignorar e simples, radical e absolutamente ficar quieto – deixar de lado, por um momento apenas, todas as suas idéias de onde está Deus, ou de onde está a verdade, ou de onde você está. Pare de olhar para qualquer lugar. Pare de buscar. Simplesmente seja/esteja. Não estou falando de ficar num estupor ou de entrar em transe, mas de entrar mais fundo no silêncio do seu coração, onde a revelação da onipresença pode revelar-se como a sua verdadeira natureza. Estou lhe pedindo para ficar quieto em pura presença. Não criar isso, nem sequer o convidar, mas simplesmente reconhecer o que está sempre aqui, quem você sempre é, onde Deus sempre está.

Neste momento, por mais que você esteja buscando, pare. Quer esteja buscando paz e felicidade num relacionamento, num trabalho melhor, ou mesmo na paz mundial, apenas por um só momento pare absolutamente. Nada há de errado com essas buscas, mas, se você está engajado nelas para obter paz ou obter felicidade, você está ignorando a base de paz que já está aqui. Uma vez que você descubra esta base de paz, então quaisquer buscas em que você se engaje serão informadas por esta descoberta. Então o que você descobriu você trará naturalmente para o mundo, para a política, para os seus relacionamentos.

Esta descoberta tem ramificações complexas e infinitas, mas sua essência é muito simples. Se você parar com toda atividade, só por um instante, nem que seja por um décimo de segundo, e simplesmente ficar completamente quieto, reconhecerá a intrínseca amplidão do seu ser, que já é feliz e está em paz consigo mesmo.

Por causa do nosso condicionamento, normalmente desconsideramos esta base de paz com um imediato “Sim, mas e a minha vida? Tenho responsabilidades. Preciso me manter ocupado. O absoluto não se relaciona com o meu mundo, minha existência”. Esses pensamentos condicionados apenas reforçam mais condicionamento. Porém, se você tirar um momento para reconhecer a paz que já está viva dentro de si, então, na verdade, você terá a escolha de confiar em todos os seus empenhos, em todos os seus relacionamentos, em todas as circunstâncias da sua vida. Não significa que a sua vida estará isenta de conflitos, desafios, dores ou sofrimentos. Significa que você terá reconhecido um santuário onde a verdade de você mesmo está presente, onde a verdade de Deus está presente, independentemente das circunstâncias físicas, mentais ou emocionais da sua vida.

Este é um convite para o centro do seu ser. Não se trata de religião ou ausência de religião. Não se trata sequer de iluminação ou ignorância. Trata-se da verdade sobre quem você é, a qual está mais próxima e mais profunda do qualquer coisa que se possa nomear.
A qualquer momento, numa fração de segundo, há a possibilidade de reconhecer a ilimitada, infinita e eterna verdade divina de você mesmo. Diferentes culturas espirituais têm dado nomes diferentes a experiências da verdade. Céu, nirvana, ressurreição, iluminação, satori, samadhi – todos são nomes que apontam para esta beleza divina suprema, inominável, vazia de sofrimento e preenchida pela graça.

O reconhecimento desta verdade – é só disso que trata este livro. Se você não conseguir reter na memória uma só palavra sobre isso, simplesmente perfeito! Meu mestre me dizia que o ensinamento mais verdadeiro é como um pássaro a voar no céu: não deixa rastros que possam ser seguidos, todavia não se pode negar sua presença."


Gangaji
The Diamond In Your Pocket
[O Diamante No Seu Bolso]
Cap. 2

Ainda ontem pensava ... - (Gibran Khalil Gibran)


~Ainda ontem pensava que não era~
"Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."

E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?" "



~Amai-vos...~
"Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro."

O que você realmente quer? - (Gangaji)


"Você se conta histórias? São histórias sobre o que você tem ou não tem, sobre o que você precisa ou não precisa? São histórias sobre a sua liberdade, seu aprisionamento, suas carências, sua generosidade, suas mágoas, suas alegrias? São histórias sobre quem você é, sobre o que é alguma outra pessoa? São histórias sobre o que precisa mudar, sobre o que precisa permanecer como é, ou sobre o que está certo ou errado?

Será que você está disposto a parar de contar sua história pessoal? Está disposto a contar a verdade sobre se você está mesmo disposto ou não?

Seja lá o que for que você se conte, por mais horrível ou grandioso, não passa de uma história. Como história, como uma destilação da experiência, poderá ser a verdade relativa, mas não é a verdade final. Histórias aparecem, mudam e desaparecem. Quer a sua história trate de quanto você é bom ou mau, mesmo assim ela aparece e desaparece. A verdade final nada tem a ver com emoções, bioquímica ou mudanças de circunstâncias. Ela é imutável e incondicional.

Você pode parar de contar a sua história em menos de um instante. Nem que seja uma história boa, pare de se esbaldar em contá-la, e a verdade poderá ser imediatamente vivenciada. Você não poderá vivenciar a verdade, se continuar a contar a sua história, e não poderá continuar a contar a sua história, se estiver vivenciando a verdade. É óbvio, não é?

Pare de contar a sua história agora mesmo! Não depois, quando a história melhorar ou piorar, mas agorinha mesmo. Quando você para de contar a sua história agora mesmo, você para de adiar a constatação da verdade que está além da história. Todo esforço, toda dificuldade e todo sofrimento contínuo estão em resistência ao parar. Essa resistência nutre-se da esperança de que a história vá lhe dar o que você tanto almeja, a esperança de que, se você puder consertar a história e fazer as mudanças necessárias, você obterá o que quer.

Quando você parar de contar a história sobre mim, sobre ele, ela, eles, nós, poderá conhecer em menos de um segundo as verdadeiras profundezas do que significa ser o que você é. Então, qualquer história que apareça ou desapareça não atingirá quem você é.

Quando à noite você sonha, o seu sonho tem um início, um meio e um fim. Parece real naquele momento, mas, quando se acorda, você sabe que era evidentemente um sonho. Da mesma forma, você pode acordar do sonho da sua vida. Pode acordar antes de terminar a história sobre você, já que todas as histórias por fim terminam. Acordar dentro da história é o que se chama de “sonho lúcido” ou “sonho vívido”.

Normalmente, você acorda de manhã e retoma a história sobre quem você é. Você pode até fazer alguma prática de meditação, mas a prática real é a história corrente sobre quem você é. A energia e a emoção geradas pela história dão origem a infinitas variações de frustração, deleite, dor ou prazer, todas a orbitar em torno desta prática da história sobre “mim”.

Contar a sua história pessoal é a religião primária da maioria das pessoas no planeta. A história pessoal localiza-se num corpo, numa tribo, numa nação, numa religião, em “nós”. É por isso que o planeta está em guerra constante e você está em guerra constante consigo mesmo. Se puder reconhecer qual é a sua história, então a história será consciente e não mais inconsciente. Você poderá ver qual é a história, e poderá decidir parar de segui-la como se ela fosse realidade.

A possibilidade é reconhecermos que todas as nossas histórias, por mais complexas e estratificadas que sejam, por mais profundamente implantadas em nossa estrutura genética, são apenas histórias. A verdade sobre quem você é não é uma história. A vastidão e a proximidade desta verdade precede a todas as histórias. Quando você ignora a verdade sobre quem você é por fidelidade a alguma história, você perde uma oportunidade preciosa de auto-reconhecimento.

Como um meio de expor a sua própria história particular, você pode se perguntar honesta e diretamente: Qual é a minha história? Expor a história não tem o propósito de livrar-se dela ou segui-la. O propósito é ver quais histórias você está contando sobre quem você pensa que é ou quem você acha que deveria ser.

Quaisquer que sejam as suas respostas, será que você consegue considerar a possibilidade de que tudo é apenas uma história? Não está certa, não está errada, não é real. Experimente a possibilidade da irrealidade dela. Deixe a sua consciência cair de volta naquele espaço onde não há história, onde não há pensamento. Se surgir um pensamento, veja que ele está simplesmente passando. Não é certo nem errado. É apenas um pensamento, que nada tem a ver com a verdade essencial sobre quem você é."



Gangaji
The Diamond In Your Pocket
[O Diamante No Seu Bolso]
Cap. 10, Parte I

sábado, 16 de maio de 2009

Open Your Heart - (Veeresh)



" My heart is filled with peace
I am so happy to be alive
So happy for another day to love
My heart is filled with peace
When I see children playing
When I see lovers walking holding hands
So happy when I see the golden sunset
On a warm summer day
Birds floating in the wind

Open your heart feeling my love
I open my heart feeling your love
Open your heart feeling my love

Inside I am free
My heart is filled with peace
I am so happy to be alive "


*Music for hugging by Veeresh and the Humaniversity Sound
From the album 'So Gently...' (2004)
Rap by Veeresh
Vocals by Sudha
Sax by Praful
Other instruments by Maneesh

VIVENCIE DIRETAMENTE AS EMOÇÕES - (Gangaji)


"As perguntas que me fazem com mais freqüência referem-se às emoções. Muita gente procura livrar-se de emoções difíceis como raiva, medo e mágoa, e buscam emoções mais agradáveis como alegria, felicidade e êxtase. As estratégias comuns para obter felicidade envolvem tanto a repressão como a expressão das emoções negativas na esperança de serem tiradas de vista ou descartadas. Infelizmente, nenhuma dessas estratégias reflete a verdade do nosso eu inerente, que é uma inabalável pureza de ser, que existe mais fundo do que qualquer emoção e permanece inalterada por qualquer emoção.


Certamente há momentos em que é adequado reprimir ou expressar uma emoção. Mas há também uma outra possibilidade: nem reprimir nem expressar. Chamo a isso de “vivência direta”.

Vivenciar diretamente uma emoção não é negá-la nem chafurdar nela, e isso significa que pode não existir nenhuma história dela. Pode não existir um enredo sobre com quem ela está acontecendo, por que está acontecendo, por que não deveria estar acontecendo, quem é responsável ou a quem se deve culpar.


Em meio a qualquer emoção, supostamente “negativa” ou “positiva”, é impossível descobrir-se o que está no âmago. A verdade é que, quando você realmente vivencia uma emoção negativa, ela desaparece. E quando você verdadeiramente vivencia uma emoção positiva, ela cresce e é interminável. Portanto, relativamente, há emoções negativas e positivas, mas sob investigação, só há positivas: eis a positividade que é a consciência absoluta. Como na nossa cultura não há muito que confirme esta revelação espantosa, passamos nossas vidas em busca de emoções positivas e fugindo das emoções negativas.


Quando você experimenta completamente uma emoção negativa, sem história, ela cessa de existir instantaneamente. Se você achar que está vivenciando completamente uma emoção e ela continuar bastante intensa, então reconheça que ainda há alguma história que se está contando sobre ela – como ela é grande, como enfim você conseguirá se livrar dela, como ela sempre volta, como é perigoso vivenciá-la. Qualquer que seja a história do momento, são infinitas as possibilidades de adiamento da vivência direta.


Por exemplo, quando você está irritado, a tendência comum é fazer algo para livrar-se da irritação ou colocar a culpa em si mesmo, em alguém ou em alguma outra coisa como causa da irritação. Então, começam a se desenvolver os roteiros da irritação. Na verdade, é possível não se fazer nada com a irritação, não a arredar da consciência ou tentar livrar-se dela, mas vivenciá-la diretamente. No momento em que surge a irritação, é possível simplesmente ficar completa, total e livremente irritado, sem expressá-la ou reprimi-la.


Geralmente, a vivência direta revela freqüentemente uma emoção mais profunda. A irritação seja talvez uma ondulação na superfície. Mais fundo do que a irritação pode estar a raiva ou o medo. Mais uma vez, o objetivo é não se livrar da raiva ou do medo nem os analisar, mas vivenciá-los diretamente. Se sob a irritação se revelarem o medo ou a raiva, deixe que a sua consciência se aprofunde; deixe-se estar absoluta e completamente com raiva ou com medo, sem expressar nem reprimir.


O medo freqüentemente é o maior desafio, porque ele é o que habitualmente a maioria das pessoas procura manter afastado. É claro, quanto mais tentam mantê-lo afastado, mais ele aumenta e assombra.


O que estou sugerindo é que você possa abrir-se de verdade para o medo; possa experimentar ficar com medo sem precisar sequer dizer que está com medo e sem seguir nenhum pensamento de estar com medo. Você pode simplesmente vivenciar o medo em si.


Quando falo em vivenciar diretamente o medo, não estou falando do medo fisiologicamente adequado. A resposta ao perigo, à luta ou à fuga fisiológica é natural e própria do organismo humano. Está geneticamente programada no corpo para a sua sobrevivência. Por exemplo, é conveniente sair do caminho de um ônibus que se aproxima. Mas os medos que sugiro sejam diretamente confrontados, por inteiro, do início ao fim, são os medos psicológicos, os medos que mantêm nossa energia desnecessariamente atrelada à proteção e defesa, como o medo da dor emocional ou os medos da perda ou da morte. Quando, ao invés de resistir ou fugir a ele, se acolhe um medo psicológico, este freqüentemente revela uma emoção ainda mais profunda.


Sob o medo pode revelar-se uma profunda tristeza ou mágoa. Isso também pode ser vivenciado direta e completamente sem necessidade de uma historinha. Se você estiver disposto a experimentar essas camadas emocionais até o fim, finalmente deparará com o que parece um abismo profundo. Esse abismo é o que a mente percebe como o nada, o vazio, a vacuidade, o ninguém. Eis um momento importante, pois a vontade de ser absolutamente nada, de ser ninguém, é a vontade de ser livre. Todos esses outros estados emocionais são camadas de defesa contra esta vivência do nada – a morte de quem você acha que é. Uma vez derrubadas as defesas, uma vez aberta a porta, pode-se acolher completamente este nada que foi temido. Esta acolhida é a revelação da verdadeira auto-investigação, que revela a gema secreta da verdade que esteve oculta no âmago do seu próprio coração o tempo todo. O diamante descoberto é você.


Esta é uma descoberta imensa, mas você terá de descobri-lo por si. Se estiver disposto a vivenciar profunda e completamente qualquer estado emocional, você descobrirá no seu núcleo a mesma consciência imaculada que se encontra consigo mesma tanto como vivenciador quanto como vivenciado. Se puder descobrir esta verdade de primeira mão, você será libertado da fuga dos estados supostamente negativos e da busca dos supostamente positivos. Você se libertará tanto da rejeição como do apego ao que é intrinsecamente impermanente. Você estará liberto para verdadeiramente encontrar-se consigo mesmo e regozijar-se nesse encontro.


Qualquer emoção que surja na consciência pode ser completamente acolhida pela consciência, sem precisar esconder-se em histórias ou análise. Na sua disposição de não seguir os mecanismos da mente, mas de apenas ficar quieto e vivenciar qualquer emoção que surja, você verá que ela não é nada. As emoções se mantêm compostas pelo pensamento, quer esse pensamento seja consciente ou inconsciente.


Você tem o poder de parar simplesmente e dizer: “Medo, raiva, mágoa, desespero – tudo bem, venham”. Quando você diz “Tudo bem, venham” e você realmente quer dizer isso mesmo e está verdadeiramente aberto, a emoção não pode vir porque nesse momento você não conta uma história sobre ela. Eu o convido a verificar isso por si mesmo. O medo, a raiva, a mágoa só existem quando vinculados a uma história! Sim, isso é incrível, é simples, porém uma descoberta profunda e enorme! Na verdade você pode reconhecer que aquilo de que você foge, em realidade, finalmente não existe, e aquilo que você procura já está sempre aqui.


Quando Colombo e outros exploradores descobriram o “Novo Mundo”, todos eles voltaram e disseram: “Há muito mais coisas lá fora do que sabemos, a terra não é plana”. Mas muita gente respondeu: “Ah não, eu não vou lá. Os demônios marinhos vão me pegar. Eu vou cair da terra”. É com esse mesmo primitivismo que enxergamos nossas emoções. Se você estiver disposto a cair da beira da terra, verá que você mesmo sustenta a terra e não pode “cair de” si mesmo; só pode se aprofundar mais em si mesmo.


Na extremidade oposta do espectro, particularmente na subcultura espiritual ocidental, as pessoas estão bastante abertas a vivenciar suas emoções, porque isso lhes dá um sentido de profundidade e de liberdade. Mas isso pode se tornar uma capa para o medo de vivenciar qualquer emoção que seja. Definir-se como um ser emocional talvez seja um passo mais profundo do que você se definir como um ser puramente mental, mas assim não se terá percorrido todo o caminho para casa. O que você evita ao definir-se como um ser emocional é a ausência de emoção, o nada, a vacuidade. Uma vez que tenha experimentado a pura vacuidade, você sabe diretamente que quem você é não se pode definir por nenhum estado mental ou emocional, e este saber é liberdade.


Quando você não se define por estados emocionais, as emoções são livres para surgirem, porque elas não significam nada sobre quem você é. Você sabe diretamente que todos os estados simplesmente passam pelo espaço puro que é a sua verdadeira natureza.


Convido-o a percorrer todo o caminho até o coração do puro ser, não para se livrar de alguma emoção, não para dramatizar ou glorificar alguma emoção, mas para descobrir o que cada emoção exige, para morrer para quem você pensa que é antes que morra quem você pensa que é."

Gangaji
The Diamond In Your Pocket
[O Diamante No Seu Bolso]
Cap. 26

Relacionamento - (Adyashanti)


"Quando consideramos o tema do relacionamento, é importante que não limitemos nossa consideração somente ao relacionamento entre seres humanos, mas que o alarguemos para incluir nosso relacionamento com a vida toda. Do limitado ponto de vista do ego, o relacionamento é sempre entre dois objetos – entre um “eu” pessoal e alguma outra coisa além de mim. É desse ponto de vista limitado que a maioria dos seres humanos começa a considerar o que seja um relacionamento iluminado. Contudo, para descobrirmos o que é um relacionamento iluminado, é imperativo que se questione o que é a realidade do ego como entidade separada. Pois, enquanto percebermos o nosso eu como sendo um ego separado, o relacionamento iluminado com os outros e com a vida como um todo permanecerá uma impossibilidade.

P: Quando penso no meu relacionamento com a vida, acho que quero evitar os desafios quotidianos. Minha esperança é que, quando eu me iluminar, a vida será mais fácil para mim.

A: Se quiseres ser livre, não podes te esconder de nada. Muitos buscadores espirituais usam práticas como meios de evitar muitos aspectos de si mesmos. O problema com isso é que, enquanto tu estiveres evitando alguma coisa, não estarás vivendo na verdade. Estarás evitando a verdade. Ninguém jamais se iluminou por evitar a verdade. Se quiseres ser livre, deves encarar a ti mesmo e encarar a vida como ela é. Não uses a espiritualidade ou experiências espirituais como algo para te esconderes por trás. Enquanto estiveres evitando partes de ti mesmo ou da vida em geral, então mesmo experiências e revelações espirituais muito profundas terão em ti muito pouco efeito permanente. Não apenas busques transcender a vida, mas dá-te conta de que tu és toda a Vida. Tu és a própria Vida.
P: Qual é a relação certa a se ter com as experiências espirituais?
A: O que é importante com as experiências espirituais é como tu te relacionas com elas. Duas pessoas podem se relacionar com a mesma experiência de maneiras muito diferentes. Uma pode libertar-se em consequência de uma experiência espiritual profunda, enquanto outra se prenderá a velhos hábitos de condicionamento, apego e ego. Tudo depende da tua prontidão e disposição de te abandonares ao Desconhecido e viveres a partir dessa situação preciosa e misteriosa. A questão é: Será que estás pronto a desistir de tudo quando Deus vier bater à tua porta? Essa disposição de te abandornares completamente e te renderes ao divino determina quão livre por fim te tornarás. O que quer que retiveres para ti mesmo será a tua prisão. Meu conselho é que entregues todo o teu coração, mente, corpo e alma à Graça quando ela chegar. Pergunta-te agora: Estou pronto?
P: Existe essa coisa de um relacionamento íntimo dar apoio ao outro conscientemente rumo à liberdade?
A: Se por "apoio" queres dizer "encorajar a liberdade no outro", então esta é a própria essência de uma relação embasada na Liberdade. Contudo, muitos buscam apoio nos relacionamentos como compensação para a sua própria falta de determinação e dedicação à Verdade. Essa dependência, mascarada como apoio, é algo que muitos buscadores espirituais pedem a seus parceiro(a)s, porque ainda não o encontraram dentro de si mesmos. O apoio, enquanto relacionado à Verdade, é mais como uma mão que se mantém aberta na qual alguém pode se expor, se quiser. Não é compensação.
O relacionamento baseado na Verdade, o que significa um relacionamento livre de dependências e exigências, está centrado na celebração. É uma união mútua por nenhum outro motivo senão estar juntos. A investigação profunda da pergunta "Quem é o outro?" pode levar à vivência direta de que o outro é o nosso próprio Ser -- que de fato não existe o outro. Contudo, tenho visto que, para a maioria dos buscadores, mesmo essa revelação vivencial não basta para transformar a maneira dolorosa de eles se relacionarem.

Para chegar a essa transformação profunda, é preciso uma investigação muito profunda das implicações intrínsecas à revelação vivencial de que não existe o outro. É na vivência diária dessas implicações que fracassam muitos buscadores. Por quê? Porque, fundamentalmente, a maioria das pessoas quer manter-se separada e no controle. Simplificando, a maioria das pessoas quer continuar sonhando que são especiais, únicas e separadas. Querem permanecer separadas mais do que querem acordar para a unidade perfeita de um Desconhecido que não deixa espaço para nenhuma separação do todo.
Enquanto perceberes que alguém está te refreando, não estarás assumindo responsabilidade total pela tua própria libertação. Libertação significa que tu te sustentas livre de fazer exigências aos outros e à vida para seres feliz. Quando descobres que tu mesmo nada mais és do que Liberdade, paras de impor condições e exigências que precisem ser satisfeitas para seres feliz. É no abandono total de todas as condições e exigências que se descobre que a Libertação é quem ou o que tu És. Então, o amor e a sabedoria que fluem de ti têm um efeito libertador sobre os outros.
P: Será que temos a responsabilidade de expor as falhas um do outro a fim de auxiliar no crescimento e superação dos pontos cegos?
A: Muita gente pensa que o propósito do relacionamento é trabalhar suas "neuras", mas eu acho que não é para isso que servem os relacionamentos. Acho que trabalhares tuas "neuras" é tarefa própria tua, não do relacionamento. Tu é que te trabalhas. Estás sozinho(a) na descoberta da Verdade, na descoberta do Bem-Amado. Isso cabe a ti. Quando tiveres clareza sobre isso, o relacionamento poderá florescer. Se isso não estiver claro, vocês sempre estarão usando um ao outro para trabalharem suas "neuras" e vocês se tornarão duas ferramentas: Eu te mostro o teu lixo, tu me mostras o meu e nós fazemos de conta que isso é uma coisa boa.

Despertar para a verdade da Unidade significa despertar do sonho de um 'eu' pessoal e de 'outros' pessoais, para a constatação de que não existe o outro. Muitos buscadores espirituais tiveram vislumbres da Unidade absoluta de toda a existência, mas poucos são capazes de, ou estão dispostos a, cumprir as várias implicações desafiadoras inerentes a essa revelação. A revelação da Unidade, de que não existe o outro, é a constatação da máxima natureza impessoal de tudo quanto pareça ser tão pessoal. Aplicar essa constatação ao âmbito das relações pessoais é algo que a maioria dos buscadores acha extremamente desafiador. Este é o motivo número um pelo qual tantos buscadores nunca chegam a repousar completamente na liberdade do Ser Absoluto."

Intimidade - (Gangaji)


Encontro Público em Mill Valley, Califórnia
27 de outubro de 2002

"Freqüentemente, quando as pessoas vêm me ver ou falar comigo, eu pergunto o que é que elas querem. Portanto, pergunto o mesmo a você: o que você quer? Esta é uma pergunta muito importante. Não há nada de errado em querer alguma coisa. Não se trata disso. Portanto, por favor, não tire disso a conclusão espiritual de que "Eu não deveria querer" e, portanto, "Eu não quero realmente nada". Investigue isto realmente: o que você quer? O que você quer de mim? O que você quer destes encontros? O que você quer de si mesmo?
Se você está aqui porque quer que eu lhe dê alguma coisa, eu lhe digo que não posso lhe dar nada. Não estou oferecendo nada. Não estou oferecendo o lar ou iluminação. Não estou oferecendo refúgio da tempestade ou habilidades desenvolvidas. Não estou oferecendo escapatória. Este não é o meu objetivo em sua vida, mesmo que não haja nada de errado em se oferecer isto. O que estou lhe oferecendo é a mim mesma. E o que quero de você é você mesmo, porque então a integridade que sou eu é ainda mais íntegra, mais total. Ela já é completamente inteira mas, curiosamente, não está limitada por qualquer definição de inteireza. Ela está sempre vendo a si mesma como ainda mais completa. É este o papel que desempenhamos um para o outro. Mas, se nos aproximarmos querendo alguma coisa um do outro (especialmente algo que achamos que não temos), a possibilidade de darmos um ao outro o nosso próprio ser passa despercebida.
Claro, já eu disse a palavra "ser", temos que tirar um momento para definir "ser". Não estou falando do "ser" como personalidade, como experiência intelectual, como compreensão intelectual, como experiência emocional ou até mesmo como proximidade física, embora tudo isto não esteja separado de mim mesma, de você. Estou oferecendo o ser que é ilimitado. Não quero dizer com isso o ser que é maior do que o "pequeno ser". No ilimitado, medidas como "maior do que" ou "melhor do que" ou "para além de" são ridículas. Elas não têm qualquer sentido no ilimitado. Portanto, não estou falando do "ser maior". Estou falando de mim mesma. Estou falando de você. Estou falando da chama eterna do Ser, da qual o corpo, a personalidade, as emoções e a compreensão são apenas centelhas. Estas centelhas são belos reflexos e manifestações desta chama, mas, como centelhas, destinam-se a aparecer e morrer. Não estão separadas de mim mesma, o Ser, o Ser Único, todavia, nesta inseparabilidade, elas são limitadas. Portanto, eu compartilho a mim mesma com você e quero que você compartilhe a si mesmo comigo. As pessoas chamam isso de "coração", mas normalmente isso é traduzido e compreendido como uma espécie de ser emocional. Estou falando da verdade de si mesmo. Não é que sua personalidade, seu entendimento, suas perguntas, seus relatos ou suas dúvidas estejam separados disso e não possam existir nisso, mas o que quero de você é você mesmo. O que quero lhe dar, o que posso lhe dar é a mim mesma, e só isso. Na minha experiência, isso é mais do que suficiente, mas se você quer algo mais de mim, é muito importante ver isto imediatamente. Desta maneira, você não desperdiçará o seu tempo ou o meu, porque quem sabe quanto tempo estas centelhas vão durar? No âmbito temporal, existem limites. É importante reconhecê-los, curvar-se diante deles e, assim, libertar-se destes limites.
Estes encontros são construídos de uma maneira semelhante à maneira como o meu mestre se reunia com as pessoas; ao apresentar-se, a oferta se revelava nele e através dele. Passei muitos encontros explicando o que é esta oferta. Domingo passado, mais uma vez, fui tomada pela humildade ao ver como ela é continuamente mal-entendida, primorosamente, perfeitamente mal-entendida. Talvez o mal-entendido seja o que nos mantém nos reunindo para compartilhar o Ser Único. Portanto, vou continuar a delinear o que a graça de meu mestre revelou em mim, e convidarei você a esta percepção, a esta revelação. Mas tudo isto leva realmente à experiência muito possível, preciosa e indefinível de entregar-se plena e completamente, neste momento."

Fonte: http://www.gangaji.org/

O sábio e o buscador - (Swami Sambodh Naseeb)

"Um sábio não é um buscador. O buscador ainda está em busca de paz, ainda está evitando sofrer. O sábio não evita mais nada, apenas e simplesmente deixou de seincomodar com as polaridades da vida – com a tristeza e a alegria..Aceitou a dualidade do viver. Não porque ele tem muito conhecimento,mas porque seu coração falou tão alto que o sentido da vida agoraé o viver de cada momento. Então, na simplicidade, no momento a momento,vai se descobrindo que a vida nos oferece a cada instante dádivas que passamos por cima. Por quê?
Porque o apego aos pensamentos e desejos não nos deixa vivenciar e sentir o coração amoroso que somos."
Fonte: http://naodual.blogspot.com/2009/05/o-sabio-e-o-buscador.html

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A arte de estar com o outro - (Osho)


"A pessoa que não é capaz de estar com os outros,
de relacionar-se,
achará muito difícil relacionar-se consigo mesma,
porque a arte de relacionar-se é a mesma.
Seja relacionar-se com os outros ou consigo mesmo,
não faz muita diferença: é a mesma arte.

Essas artes têm que ser aprendidas juntas,
simultaneamente;
elas são inseparáveis.

Esteja com as pessoas,
não inconscientemente,
mas bem conscientemente.
Relacione-se com as pessoas
como se você estivesse cantando uma canção,
como se você estivesse tocando numa flauta;
cada pessoa precisa ser pensada como um instrumento musical.
Respeite-as, ame-as e adore-as,
porque cada pessoa é uma face oculta do divino.

Portanto seja bem cuidadoso,
bem atento.
Lembre-se do que você está dizendo;
lembre-se do que você está fazendo.
Pequenas coisas bastam para destruir relacionamentos,
e pequenas coisas tornam relacionamentos tão belos.
Às vezes basta um sorriso,
e o coração do outro se abre para você;
às vezes basta um olhar errado em seus olhos,
e o outro se fecha -
é um fenômeno delicado.

Pense nisso como uma arte:
assim como o pintor é muito vigilante
do que ele está fazendo na tela,
cada simples traço irá fazer muita diferença.
Um pintor verdadeiro pode mudar toda a pintura
apenas com um simples traço.

A vida tem que ser aprendida como uma arte:
muito cuidadosamente,
bem deliberadamente.

Assim, o relacionamento com os outros
precisa se tornar um espelho:
veja o que você está fazendo,
como você está fazendo isso e o que está acontecendo.
Que está acontecendo ao outro?
Você está tornando a vida dele mais miserável?
Você está provocando sofrimento nele?
Você está criando um inferno para ele?
Então retire-se.
Mude suas maneiras.
Embeleze a vida ao seu redor.

Deixe que cada pessoa sinta
que o encontro com você é uma dádiva:
apenas por estar com você algo começa a fluir, a crescer,
algumas canções começam a surgir no coração,
algumas flores começam a se abrir.

E quando você estiver sozinho,
então sente-se totalmente em silêncio,
absolutamente em silêncio,
e observe a si mesmo.

Assim como o pássaro tem duas asas,
deixe amor e meditação serem suas duas asas.
Crie uma sincronicidade entre eles,
assim eles não estarão de maneira alguma
em conflito um com o outro,
mas cuidando um do outro,
alimentando um ao outro,
auxiliando um ao outro.
Esse vai ser o seu caminho:
a síntese entre amor e meditação."

(The Rainbow Bridge - #24)

Desejos ... mundanos ou de Deus? - (Gangaji)


"Na maioria, todos já experimentaram como a perseguição dos desejos mundanos geralmente leva à perpetuação do sofrimento. Dessa experiência resulta a constatação de que geralmente se paga um preço pela satisfação desses desejos. Esse preço é a sua energia de vida, a sua concentração e determinação. É claro que você pode obter prazer na satisfação dos desejos mundanos e passar pela dor da perda. Contudo, o verdadeiro aprofundamento de uma vida não acontecerá enquanto você não estiver disposto a perceber a limitação dos desejos mundanos. Uma vez percebido isso, você pode experimentar uma sutil, porém mortal transferência, dos desejos mundanos para o âmbito dos desejos espirituais. O desejo da verdade, enquanto considerado um desejo elevado, ainda o deixa a perguntar-se por que o seu sofrimento continua.

O desejo de liberdade, amor, verdade ou Deus não é um problema. Meu mestre, Papaji, dizia que, se você deseja a liberdade acima de tudo mais, este desejo em si aniquilará todos os outros desejos; e isso é verdade. Este desejo engole todos os outros desejos. Portanto, o desejo de iluminação não é o problema. O problema é a expectativa de que a iluminação venha a lhe dar certos resultados ou que venha fazer você ter uma certa aparência ou sentir-se de um certo modo. Daí surge confusão e questionamento: por quê, se só o que se deseja é a iluminação, ainda não se tem a experiência de paz permanente?

Eu encorajo você a investigar realmente a sua própria mente e verificar se há alguma imagem de verdade, de liberdade, de iluminação ou de Deus. Se houver uma imagem, experimente o seguinte: Largue-a. E agora veja se há alguma expectativa associada a Deus, tal como: se você estiver sendo sincero com Deus, Deus há de lhe dar saúde perfeita, riqueza perfeita, felicidade eterna, etc. Examine a sua mente e veja se há expectativas de que a constatação de Deus ou da verdade vá lhe dar algum alívio da vida ou algum controle sobre a vida. Agora, para fins de investigação, solte essas expectativas. Abandone-as. Desista delas. Se você está esperando um determinado estado de clareza, de êxtase oceânico ou certeza do seu objetivo no mundo, simplesmente largue isso para você poder simplesmente estar aqui. Abandone tudo. Quando você não tem nada, tem somente a si mesmo. E quando você verdadeiramente tem a si mesmo, você está desperto para quem você verdadeiramente é. Se você desejar ser livre, e não der a esse desejo nenhuma forma, expectativa ou pensamento, mas apenas lhe permitir estar, então esse verdadeiro desejo revelará o inteiro universo conhecido e desconhecido. Toda partícula se revela única, e esta única é você. No próprio instante em que você acha que o seu desejo de Deus, liberdade ou verdade deva produzir um determinado resultado, aparência ou sentimento, você já turva a pureza desse desejo verdadeiro. O desafio no coração de qualquer buscador espiritual, por mais bela e essencial que possa ser a busca, é parar de buscar qualquer coisa para preencher esse desejo final.

O desafio é deixar que a sua vida inteira preencha esse desejo. Você pode oferecer todo o resto da sua vida a esse desejo sem saber qual será o resultado, sem saber se você estará arruinado, sem teto, rico ou famoso. Você pode dar o que você tem, que é a vida neste momento, à verdade, à liberdade, a Deus. Como outra oportunidade de auto-investigação, convido-o a fazer-se a seguinte pergunta: O que é que a iluminação vai me dar? Dependendo de quão disposto você esteja a dizer a verdade, as possibilidades deste tipo de investigação não têm limites. Investigação não tem nada a ver com resposta certa, mas tem tudo a ver com dizer a verdade. Tire só um momento para considerar realmente: Que tal se a iluminação não lhe der nada, mas nada mesmo? Que tal se você não ganhar nenhuma coisa – física, mental, emocional ou circunstancial? A verdade é que a iluminação não vai lhe dar uma só coisa sequer. Está disposto a suportar essa verdade? Se estiver, você está livre. Se não estiver, sua mente ainda está presa a alguma coisa que você espera que vá lhe dar liberdade.

No coração de todo ser humano com quem falo, tenho visto um comando para, de certo modo, encontrar verdadeira felicidade, verdadeira realização. Às vezes esse desejo é até mais forte do que o instinto de sobrevivência. Como você sabe por sua própria experiência, a busca da felicidade pode enveredar por vários caminhos. De maneira instintiva, pode ser uma busca de prazer, conforto, segurança, ou uma busca de alguma posição conhecida na multidão humana. Geralmente, quando atingimos um determinado nível de sucesso em termos de prazer, conforto, segurança e posição, reconhecemos que nenhuma dessas coisas satisfaz verdadeiramente este comando profundo, este clamor mais profundo por felicidade. Podemos até ter momentos de linda revelação e certamente momentos de prazer, porém, ainda assim, geralmente por baixo de tudo isso está o medo de que nunca venhamos a encontrar paz permanente ou felicidade verdadeira. Ou o medo de perdermos qualquer paz ou felicidade que tenhamos atingido causa-nos tensão e contração já que constantemente procuramos nos apegar. Normalmente sentimos uma profunda desconfiança de que a paz e a felicidade sejam realmente possíveis.

Às vezes, numa vida abençoada, surge o clamor pela busca espiritual, pela busca de Deus, pela busca da verdade. Reconhecemos que o normal significa “não dê ouvidos a esse comando”. Deixamos de lado o que chamamos de “vida mundana” e voltamo-nos para uma vida espiritual.

Infelizmente, o mesmo condicionamento que dirigia a vida mundana geralmente tenta dirigir a vida espiritual igualmente e então se torna uma busca de prazer espiritual, conforto espiritual, conhecimento espiritual ou segurança espiritual. Mais cedo ou mais tarde, você terá que se desiludir com essa busca também. Você encontra prazer, obviamente; alcança espaços de êxtase; sente-se seguro quando percebe que Deus ou a verdade está presente e sente-se confortado quando se sente amparado por essa presença. Porém, até reconhecer que jamais esteve separado dela, você será continuamente impelido a encontrá-la nalguma outra parte, a encontrar Deus, baseado na crença ou na esperança de que Deus vá lhe dar felicidade. Esta crença ou esperança fundamenta-se numa compreensão bem infantil do que seja Deus – uma coisa, uma força, um lugar que lhe possam conceder prazer, conforto e segurança eternos.

Descobri que na verdade é impossível encontrar a felicidade. Enquanto estiver buscando encontrar a felicidade “nalgum lugar”, você estará ignorando o que é felicidade. Enquanto estiver procurando encontrar Deus em algum outro lugar, você estará ignorando a verdade essencial de Deus, que é onipresença. Quando busca encontrar felicidade nalgum outro lugar, você está ignorando a sua verdadeira natureza, que é felicidade. Você está se ignorando.

Eu gostaria de lhe oferecer o convite e o desafio de você parar de se ignorar e simples, radical e absolutamente ficar quieto – deixar de lado, por um momento apenas, todas as suas idéias de onde está Deus, ou de onde está a verdade, ou de onde você está. Pare de olhar para qualquer lugar. Pare de buscar. Simplesmente seja/esteja. Não estou falando de ficar num estupor ou de entrar em transe, mas de entrar mais fundo no silêncio do seu coração, onde a revelação da onipresença pode revelar-se como a sua verdadeira natureza. Estou lhe pedindo para ficar quieto em pura presença. Não criar isso, nem sequer o convidar, mas simplesmente reconhecer o que está sempre aqui, quem você sempre é, onde Deus sempre está.

Neste momento, por mais que você esteja buscando, pare. Quer esteja buscando paz e felicidade num relacionamento, num trabalho melhor, ou mesmo na paz mundial, apenas por um só momento pare absolutamente. Nada há de errado com essas buscas, mas, se você está engajado nelas para obter paz ou obter felicidade, você está ignorando a base de paz que já está aqui. Uma vez que você descubra esta base de paz, então quaisquer buscas em que você se engaje serão informadas por esta descoberta. Então o que você descobriu você trará naturalmente para o mundo, para a política, para os seus relacionamentos.

Esta descoberta tem ramificações complexas e infinitas, mas sua essência é muito simples. Se você parar com toda atividade, só por um instante, nem que seja por um décimo de segundo, e simplesmente ficar completamente quieto, reconhecerá a intrínseca amplidão do seu ser, que já é feliz e está em paz consigo mesmo.

Por causa do nosso condicionamento, normalmente desconsideramos esta base de paz com um imediato “Sim, mas e a minha vida? Tenho responsabilidades. Preciso me manter ocupado. O absoluto não se relaciona com o meu mundo, minha existência”. Esses pensamentos condicionados apenas reforçam mais condicionamento. Porém, se você tirar um momento para reconhecer a paz que já está viva dentro de si, então, na verdade, você terá a escolha de confiar em todos os seus empenhos, em todos os seus relacionamentos, em todas as circunstâncias da sua vida. Não significa que a sua vida estará isenta de conflitos, desafios, dores ou sofrimentos. Significa que você terá reconhecido um santuário onde a verdade de você mesmo está presente, onde a verdade de Deus está presente, independentemente das circunstâncias físicas, mentais ou emocionais da sua vida.

Este é um convite para o centro do seu ser. Não se trata de religião ou ausência de religião. Não se trata sequer de iluminação ou ignorância. Trata-se da verdade sobre quem você é, a qual está mais próxima e mais profunda do qualquer coisa que se possa nomear.

A qualquer momento, numa fração de segundo, há a possibilidade de reconhecer a ilimitada, infinita e eterna verdade divina de você mesmo. Diferentes culturas espirituais têm dado nomes diferentes a experiências da verdade. Céu, nirvana, ressurreição, iluminação, satori, samadhi – todos são nomes que apontam para esta beleza divina suprema, inominável, vazia de sofrimento e preenchida pela graça.

O reconhecimento desta verdade – é só disso que trata este artigo. Se você não conseguir reter na memória uma só palavra sobre isso, simplesmente perfeito! Meu mestre me dizia que o ensinamento mais verdadeiro é como um pássaro a voar no céu: não deixa rastros que possam ser seguidos, todavia não se pode negar sua presença."

Advaita - (Swami Sambodh Naseeb)

"Só há uma alma
Só há um Deus
Só há um espírito
Só há um amor
Só há um momento: AQUI-AGORA
Só há um mestre: Consciência

Na ilusão da mente
O UM parece ser MUITOS
É como uma sala cheia de espelhos
Todos refletem você!
Lembre-se disso e investigue em sua vida.
Tenha muita reverência por cada pessoa
que passa por você.
Cada pessoa é um Mestre.
Porque você é um Mestre.
E porque o Mestre é apenas UM.
Você é Deus manifesto como corpo e mente.
Mas sua essência é puro silêncio e paz.
Aprenda a sentir este silêncio!
Meditação é abrir os olhos para esta verdade suprema.

DEUS É TUDO QUE HÁ !"

terça-feira, 12 de maio de 2009

Child in us - (Enigma)

(Extraído do livro Maha Gita Purusham do Bem-aventurado de Sri Maha Krishna Swami)

"A felicidade perfeita
Não haverá de visitar-nos amanhã
A menos que nossos corações
Repousem hoje nela.
Não há paz futura
Que não esteja oculta
No fugaz momento presente.

Às vezes, sente-se
Que a felicidade
Está sendo obscurecida
Pelo próprio mundo.
Mas a tristeza não é
Senão uma nuvem escura.
Atrás dela,
Ao nosso alcance,
Está a felicidade perfeita.
Podemos vivê-la se soubermos
Sentir e conhecer o Ser.
E, por isso, é necessário
Manter-se em silêncio,
Meditar e devocionar.

Não podemos aceitar
Os momentos de alegria
Como simples momentos.
Eles guardam
A divina essência.

O Ser é eternamente bondoso
E de amor sem fim,
Mas os dons que ele nos doa,
Julgamo-los
Pelo aspecto externo.
Em tudo que existe
Está sempre
O Supremo e Divino Ser.

Apresse-se para sentir
A presença do Ser Supremo.
Liberte as veias
Do curso do sangue.
Entreabra os olhos
E deixe entrar a luz.
Procure a sua essência
Em si mesmo
E depois tome consciência
Do seu próprio Ser."

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Batendo à porta da Bem-Amada - (Rumi)

"Alguém bateu à porta da Bem-Amada, e uma Voz lá de dentro perguntou:
- Quem está aí?
E ele respondeu - Sou eu.
A Voz então disse:
- Esta casa não conterá nós dois.
E a porta continuou fechada. Então o Amante foi para o deserto e na solidão jejuou e orou. Retornou depois de um ano e bateu novamente à porta. E de novo a Voz perguntou:
- Quem é?
E o Amante respondeu:
- És tu mesma!
E a porta lhe foi aberta."



"Eu olhei em torno, procurando-O. Ele não estava na Cruz. Dirigi-me ao templo do ídolo, ao antigo pagode; nenhum sinal Dele era visível ali. Fui então para a Caaba; Ele não se achava naquele refúgio de velhos e jovens. Perguntei a Ibn Sina (Avicena) do Seu estado; Ele não se achava ao alcance de Ibn Sina. Olhei para o meu próprio coração. Aí eu O vi. Ele não estava em nenhum outro lugar."



"Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança."



"FICA
Tocaste a órbita do coração celeste,
agora fica aqui.
Pudeste ver a lua nova
agora fica.

Sofreste em excesso por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Teu tempo acabou.
Escutaste tudo o que se pode dizer
sobre a beleza desse amante,
fica aqui agora.

Juraste em teu coração
que havia leite nesses seios,
agora que provaste desse leite,
fica."

Minha Herança: Uma Flor - (Vanessa da Mata)



"Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio

Peguei você pra mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim

Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei

Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre

A minha herança pra você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei

A minha herança pra você
É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si

E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu

Achei você no meu jardim"

Corações distantes - (Meher Baba)



Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
“Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?”

“Gritamos porque perdemos a calma” disse um deles.

“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?” Questionou novamente o pensador.

“Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça”, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar: “Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:

“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.”

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".