sábado, 16 de maio de 2009

VIVENCIE DIRETAMENTE AS EMOÇÕES - (Gangaji)


"As perguntas que me fazem com mais freqüência referem-se às emoções. Muita gente procura livrar-se de emoções difíceis como raiva, medo e mágoa, e buscam emoções mais agradáveis como alegria, felicidade e êxtase. As estratégias comuns para obter felicidade envolvem tanto a repressão como a expressão das emoções negativas na esperança de serem tiradas de vista ou descartadas. Infelizmente, nenhuma dessas estratégias reflete a verdade do nosso eu inerente, que é uma inabalável pureza de ser, que existe mais fundo do que qualquer emoção e permanece inalterada por qualquer emoção.


Certamente há momentos em que é adequado reprimir ou expressar uma emoção. Mas há também uma outra possibilidade: nem reprimir nem expressar. Chamo a isso de “vivência direta”.

Vivenciar diretamente uma emoção não é negá-la nem chafurdar nela, e isso significa que pode não existir nenhuma história dela. Pode não existir um enredo sobre com quem ela está acontecendo, por que está acontecendo, por que não deveria estar acontecendo, quem é responsável ou a quem se deve culpar.


Em meio a qualquer emoção, supostamente “negativa” ou “positiva”, é impossível descobrir-se o que está no âmago. A verdade é que, quando você realmente vivencia uma emoção negativa, ela desaparece. E quando você verdadeiramente vivencia uma emoção positiva, ela cresce e é interminável. Portanto, relativamente, há emoções negativas e positivas, mas sob investigação, só há positivas: eis a positividade que é a consciência absoluta. Como na nossa cultura não há muito que confirme esta revelação espantosa, passamos nossas vidas em busca de emoções positivas e fugindo das emoções negativas.


Quando você experimenta completamente uma emoção negativa, sem história, ela cessa de existir instantaneamente. Se você achar que está vivenciando completamente uma emoção e ela continuar bastante intensa, então reconheça que ainda há alguma história que se está contando sobre ela – como ela é grande, como enfim você conseguirá se livrar dela, como ela sempre volta, como é perigoso vivenciá-la. Qualquer que seja a história do momento, são infinitas as possibilidades de adiamento da vivência direta.


Por exemplo, quando você está irritado, a tendência comum é fazer algo para livrar-se da irritação ou colocar a culpa em si mesmo, em alguém ou em alguma outra coisa como causa da irritação. Então, começam a se desenvolver os roteiros da irritação. Na verdade, é possível não se fazer nada com a irritação, não a arredar da consciência ou tentar livrar-se dela, mas vivenciá-la diretamente. No momento em que surge a irritação, é possível simplesmente ficar completa, total e livremente irritado, sem expressá-la ou reprimi-la.


Geralmente, a vivência direta revela freqüentemente uma emoção mais profunda. A irritação seja talvez uma ondulação na superfície. Mais fundo do que a irritação pode estar a raiva ou o medo. Mais uma vez, o objetivo é não se livrar da raiva ou do medo nem os analisar, mas vivenciá-los diretamente. Se sob a irritação se revelarem o medo ou a raiva, deixe que a sua consciência se aprofunde; deixe-se estar absoluta e completamente com raiva ou com medo, sem expressar nem reprimir.


O medo freqüentemente é o maior desafio, porque ele é o que habitualmente a maioria das pessoas procura manter afastado. É claro, quanto mais tentam mantê-lo afastado, mais ele aumenta e assombra.


O que estou sugerindo é que você possa abrir-se de verdade para o medo; possa experimentar ficar com medo sem precisar sequer dizer que está com medo e sem seguir nenhum pensamento de estar com medo. Você pode simplesmente vivenciar o medo em si.


Quando falo em vivenciar diretamente o medo, não estou falando do medo fisiologicamente adequado. A resposta ao perigo, à luta ou à fuga fisiológica é natural e própria do organismo humano. Está geneticamente programada no corpo para a sua sobrevivência. Por exemplo, é conveniente sair do caminho de um ônibus que se aproxima. Mas os medos que sugiro sejam diretamente confrontados, por inteiro, do início ao fim, são os medos psicológicos, os medos que mantêm nossa energia desnecessariamente atrelada à proteção e defesa, como o medo da dor emocional ou os medos da perda ou da morte. Quando, ao invés de resistir ou fugir a ele, se acolhe um medo psicológico, este freqüentemente revela uma emoção ainda mais profunda.


Sob o medo pode revelar-se uma profunda tristeza ou mágoa. Isso também pode ser vivenciado direta e completamente sem necessidade de uma historinha. Se você estiver disposto a experimentar essas camadas emocionais até o fim, finalmente deparará com o que parece um abismo profundo. Esse abismo é o que a mente percebe como o nada, o vazio, a vacuidade, o ninguém. Eis um momento importante, pois a vontade de ser absolutamente nada, de ser ninguém, é a vontade de ser livre. Todos esses outros estados emocionais são camadas de defesa contra esta vivência do nada – a morte de quem você acha que é. Uma vez derrubadas as defesas, uma vez aberta a porta, pode-se acolher completamente este nada que foi temido. Esta acolhida é a revelação da verdadeira auto-investigação, que revela a gema secreta da verdade que esteve oculta no âmago do seu próprio coração o tempo todo. O diamante descoberto é você.


Esta é uma descoberta imensa, mas você terá de descobri-lo por si. Se estiver disposto a vivenciar profunda e completamente qualquer estado emocional, você descobrirá no seu núcleo a mesma consciência imaculada que se encontra consigo mesma tanto como vivenciador quanto como vivenciado. Se puder descobrir esta verdade de primeira mão, você será libertado da fuga dos estados supostamente negativos e da busca dos supostamente positivos. Você se libertará tanto da rejeição como do apego ao que é intrinsecamente impermanente. Você estará liberto para verdadeiramente encontrar-se consigo mesmo e regozijar-se nesse encontro.


Qualquer emoção que surja na consciência pode ser completamente acolhida pela consciência, sem precisar esconder-se em histórias ou análise. Na sua disposição de não seguir os mecanismos da mente, mas de apenas ficar quieto e vivenciar qualquer emoção que surja, você verá que ela não é nada. As emoções se mantêm compostas pelo pensamento, quer esse pensamento seja consciente ou inconsciente.


Você tem o poder de parar simplesmente e dizer: “Medo, raiva, mágoa, desespero – tudo bem, venham”. Quando você diz “Tudo bem, venham” e você realmente quer dizer isso mesmo e está verdadeiramente aberto, a emoção não pode vir porque nesse momento você não conta uma história sobre ela. Eu o convido a verificar isso por si mesmo. O medo, a raiva, a mágoa só existem quando vinculados a uma história! Sim, isso é incrível, é simples, porém uma descoberta profunda e enorme! Na verdade você pode reconhecer que aquilo de que você foge, em realidade, finalmente não existe, e aquilo que você procura já está sempre aqui.


Quando Colombo e outros exploradores descobriram o “Novo Mundo”, todos eles voltaram e disseram: “Há muito mais coisas lá fora do que sabemos, a terra não é plana”. Mas muita gente respondeu: “Ah não, eu não vou lá. Os demônios marinhos vão me pegar. Eu vou cair da terra”. É com esse mesmo primitivismo que enxergamos nossas emoções. Se você estiver disposto a cair da beira da terra, verá que você mesmo sustenta a terra e não pode “cair de” si mesmo; só pode se aprofundar mais em si mesmo.


Na extremidade oposta do espectro, particularmente na subcultura espiritual ocidental, as pessoas estão bastante abertas a vivenciar suas emoções, porque isso lhes dá um sentido de profundidade e de liberdade. Mas isso pode se tornar uma capa para o medo de vivenciar qualquer emoção que seja. Definir-se como um ser emocional talvez seja um passo mais profundo do que você se definir como um ser puramente mental, mas assim não se terá percorrido todo o caminho para casa. O que você evita ao definir-se como um ser emocional é a ausência de emoção, o nada, a vacuidade. Uma vez que tenha experimentado a pura vacuidade, você sabe diretamente que quem você é não se pode definir por nenhum estado mental ou emocional, e este saber é liberdade.


Quando você não se define por estados emocionais, as emoções são livres para surgirem, porque elas não significam nada sobre quem você é. Você sabe diretamente que todos os estados simplesmente passam pelo espaço puro que é a sua verdadeira natureza.


Convido-o a percorrer todo o caminho até o coração do puro ser, não para se livrar de alguma emoção, não para dramatizar ou glorificar alguma emoção, mas para descobrir o que cada emoção exige, para morrer para quem você pensa que é antes que morra quem você pensa que é."

Gangaji
The Diamond In Your Pocket
[O Diamante No Seu Bolso]
Cap. 26

Relacionamento - (Adyashanti)


"Quando consideramos o tema do relacionamento, é importante que não limitemos nossa consideração somente ao relacionamento entre seres humanos, mas que o alarguemos para incluir nosso relacionamento com a vida toda. Do limitado ponto de vista do ego, o relacionamento é sempre entre dois objetos – entre um “eu” pessoal e alguma outra coisa além de mim. É desse ponto de vista limitado que a maioria dos seres humanos começa a considerar o que seja um relacionamento iluminado. Contudo, para descobrirmos o que é um relacionamento iluminado, é imperativo que se questione o que é a realidade do ego como entidade separada. Pois, enquanto percebermos o nosso eu como sendo um ego separado, o relacionamento iluminado com os outros e com a vida como um todo permanecerá uma impossibilidade.

P: Quando penso no meu relacionamento com a vida, acho que quero evitar os desafios quotidianos. Minha esperança é que, quando eu me iluminar, a vida será mais fácil para mim.

A: Se quiseres ser livre, não podes te esconder de nada. Muitos buscadores espirituais usam práticas como meios de evitar muitos aspectos de si mesmos. O problema com isso é que, enquanto tu estiveres evitando alguma coisa, não estarás vivendo na verdade. Estarás evitando a verdade. Ninguém jamais se iluminou por evitar a verdade. Se quiseres ser livre, deves encarar a ti mesmo e encarar a vida como ela é. Não uses a espiritualidade ou experiências espirituais como algo para te esconderes por trás. Enquanto estiveres evitando partes de ti mesmo ou da vida em geral, então mesmo experiências e revelações espirituais muito profundas terão em ti muito pouco efeito permanente. Não apenas busques transcender a vida, mas dá-te conta de que tu és toda a Vida. Tu és a própria Vida.
P: Qual é a relação certa a se ter com as experiências espirituais?
A: O que é importante com as experiências espirituais é como tu te relacionas com elas. Duas pessoas podem se relacionar com a mesma experiência de maneiras muito diferentes. Uma pode libertar-se em consequência de uma experiência espiritual profunda, enquanto outra se prenderá a velhos hábitos de condicionamento, apego e ego. Tudo depende da tua prontidão e disposição de te abandonares ao Desconhecido e viveres a partir dessa situação preciosa e misteriosa. A questão é: Será que estás pronto a desistir de tudo quando Deus vier bater à tua porta? Essa disposição de te abandornares completamente e te renderes ao divino determina quão livre por fim te tornarás. O que quer que retiveres para ti mesmo será a tua prisão. Meu conselho é que entregues todo o teu coração, mente, corpo e alma à Graça quando ela chegar. Pergunta-te agora: Estou pronto?
P: Existe essa coisa de um relacionamento íntimo dar apoio ao outro conscientemente rumo à liberdade?
A: Se por "apoio" queres dizer "encorajar a liberdade no outro", então esta é a própria essência de uma relação embasada na Liberdade. Contudo, muitos buscam apoio nos relacionamentos como compensação para a sua própria falta de determinação e dedicação à Verdade. Essa dependência, mascarada como apoio, é algo que muitos buscadores espirituais pedem a seus parceiro(a)s, porque ainda não o encontraram dentro de si mesmos. O apoio, enquanto relacionado à Verdade, é mais como uma mão que se mantém aberta na qual alguém pode se expor, se quiser. Não é compensação.
O relacionamento baseado na Verdade, o que significa um relacionamento livre de dependências e exigências, está centrado na celebração. É uma união mútua por nenhum outro motivo senão estar juntos. A investigação profunda da pergunta "Quem é o outro?" pode levar à vivência direta de que o outro é o nosso próprio Ser -- que de fato não existe o outro. Contudo, tenho visto que, para a maioria dos buscadores, mesmo essa revelação vivencial não basta para transformar a maneira dolorosa de eles se relacionarem.

Para chegar a essa transformação profunda, é preciso uma investigação muito profunda das implicações intrínsecas à revelação vivencial de que não existe o outro. É na vivência diária dessas implicações que fracassam muitos buscadores. Por quê? Porque, fundamentalmente, a maioria das pessoas quer manter-se separada e no controle. Simplificando, a maioria das pessoas quer continuar sonhando que são especiais, únicas e separadas. Querem permanecer separadas mais do que querem acordar para a unidade perfeita de um Desconhecido que não deixa espaço para nenhuma separação do todo.
Enquanto perceberes que alguém está te refreando, não estarás assumindo responsabilidade total pela tua própria libertação. Libertação significa que tu te sustentas livre de fazer exigências aos outros e à vida para seres feliz. Quando descobres que tu mesmo nada mais és do que Liberdade, paras de impor condições e exigências que precisem ser satisfeitas para seres feliz. É no abandono total de todas as condições e exigências que se descobre que a Libertação é quem ou o que tu És. Então, o amor e a sabedoria que fluem de ti têm um efeito libertador sobre os outros.
P: Será que temos a responsabilidade de expor as falhas um do outro a fim de auxiliar no crescimento e superação dos pontos cegos?
A: Muita gente pensa que o propósito do relacionamento é trabalhar suas "neuras", mas eu acho que não é para isso que servem os relacionamentos. Acho que trabalhares tuas "neuras" é tarefa própria tua, não do relacionamento. Tu é que te trabalhas. Estás sozinho(a) na descoberta da Verdade, na descoberta do Bem-Amado. Isso cabe a ti. Quando tiveres clareza sobre isso, o relacionamento poderá florescer. Se isso não estiver claro, vocês sempre estarão usando um ao outro para trabalharem suas "neuras" e vocês se tornarão duas ferramentas: Eu te mostro o teu lixo, tu me mostras o meu e nós fazemos de conta que isso é uma coisa boa.

Despertar para a verdade da Unidade significa despertar do sonho de um 'eu' pessoal e de 'outros' pessoais, para a constatação de que não existe o outro. Muitos buscadores espirituais tiveram vislumbres da Unidade absoluta de toda a existência, mas poucos são capazes de, ou estão dispostos a, cumprir as várias implicações desafiadoras inerentes a essa revelação. A revelação da Unidade, de que não existe o outro, é a constatação da máxima natureza impessoal de tudo quanto pareça ser tão pessoal. Aplicar essa constatação ao âmbito das relações pessoais é algo que a maioria dos buscadores acha extremamente desafiador. Este é o motivo número um pelo qual tantos buscadores nunca chegam a repousar completamente na liberdade do Ser Absoluto."

Intimidade - (Gangaji)


Encontro Público em Mill Valley, Califórnia
27 de outubro de 2002

"Freqüentemente, quando as pessoas vêm me ver ou falar comigo, eu pergunto o que é que elas querem. Portanto, pergunto o mesmo a você: o que você quer? Esta é uma pergunta muito importante. Não há nada de errado em querer alguma coisa. Não se trata disso. Portanto, por favor, não tire disso a conclusão espiritual de que "Eu não deveria querer" e, portanto, "Eu não quero realmente nada". Investigue isto realmente: o que você quer? O que você quer de mim? O que você quer destes encontros? O que você quer de si mesmo?
Se você está aqui porque quer que eu lhe dê alguma coisa, eu lhe digo que não posso lhe dar nada. Não estou oferecendo nada. Não estou oferecendo o lar ou iluminação. Não estou oferecendo refúgio da tempestade ou habilidades desenvolvidas. Não estou oferecendo escapatória. Este não é o meu objetivo em sua vida, mesmo que não haja nada de errado em se oferecer isto. O que estou lhe oferecendo é a mim mesma. E o que quero de você é você mesmo, porque então a integridade que sou eu é ainda mais íntegra, mais total. Ela já é completamente inteira mas, curiosamente, não está limitada por qualquer definição de inteireza. Ela está sempre vendo a si mesma como ainda mais completa. É este o papel que desempenhamos um para o outro. Mas, se nos aproximarmos querendo alguma coisa um do outro (especialmente algo que achamos que não temos), a possibilidade de darmos um ao outro o nosso próprio ser passa despercebida.
Claro, já eu disse a palavra "ser", temos que tirar um momento para definir "ser". Não estou falando do "ser" como personalidade, como experiência intelectual, como compreensão intelectual, como experiência emocional ou até mesmo como proximidade física, embora tudo isto não esteja separado de mim mesma, de você. Estou oferecendo o ser que é ilimitado. Não quero dizer com isso o ser que é maior do que o "pequeno ser". No ilimitado, medidas como "maior do que" ou "melhor do que" ou "para além de" são ridículas. Elas não têm qualquer sentido no ilimitado. Portanto, não estou falando do "ser maior". Estou falando de mim mesma. Estou falando de você. Estou falando da chama eterna do Ser, da qual o corpo, a personalidade, as emoções e a compreensão são apenas centelhas. Estas centelhas são belos reflexos e manifestações desta chama, mas, como centelhas, destinam-se a aparecer e morrer. Não estão separadas de mim mesma, o Ser, o Ser Único, todavia, nesta inseparabilidade, elas são limitadas. Portanto, eu compartilho a mim mesma com você e quero que você compartilhe a si mesmo comigo. As pessoas chamam isso de "coração", mas normalmente isso é traduzido e compreendido como uma espécie de ser emocional. Estou falando da verdade de si mesmo. Não é que sua personalidade, seu entendimento, suas perguntas, seus relatos ou suas dúvidas estejam separados disso e não possam existir nisso, mas o que quero de você é você mesmo. O que quero lhe dar, o que posso lhe dar é a mim mesma, e só isso. Na minha experiência, isso é mais do que suficiente, mas se você quer algo mais de mim, é muito importante ver isto imediatamente. Desta maneira, você não desperdiçará o seu tempo ou o meu, porque quem sabe quanto tempo estas centelhas vão durar? No âmbito temporal, existem limites. É importante reconhecê-los, curvar-se diante deles e, assim, libertar-se destes limites.
Estes encontros são construídos de uma maneira semelhante à maneira como o meu mestre se reunia com as pessoas; ao apresentar-se, a oferta se revelava nele e através dele. Passei muitos encontros explicando o que é esta oferta. Domingo passado, mais uma vez, fui tomada pela humildade ao ver como ela é continuamente mal-entendida, primorosamente, perfeitamente mal-entendida. Talvez o mal-entendido seja o que nos mantém nos reunindo para compartilhar o Ser Único. Portanto, vou continuar a delinear o que a graça de meu mestre revelou em mim, e convidarei você a esta percepção, a esta revelação. Mas tudo isto leva realmente à experiência muito possível, preciosa e indefinível de entregar-se plena e completamente, neste momento."

Fonte: http://www.gangaji.org/

O sábio e o buscador - (Swami Sambodh Naseeb)

"Um sábio não é um buscador. O buscador ainda está em busca de paz, ainda está evitando sofrer. O sábio não evita mais nada, apenas e simplesmente deixou de seincomodar com as polaridades da vida – com a tristeza e a alegria..Aceitou a dualidade do viver. Não porque ele tem muito conhecimento,mas porque seu coração falou tão alto que o sentido da vida agoraé o viver de cada momento. Então, na simplicidade, no momento a momento,vai se descobrindo que a vida nos oferece a cada instante dádivas que passamos por cima. Por quê?
Porque o apego aos pensamentos e desejos não nos deixa vivenciar e sentir o coração amoroso que somos."
Fonte: http://naodual.blogspot.com/2009/05/o-sabio-e-o-buscador.html

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A arte de estar com o outro - (Osho)


"A pessoa que não é capaz de estar com os outros,
de relacionar-se,
achará muito difícil relacionar-se consigo mesma,
porque a arte de relacionar-se é a mesma.
Seja relacionar-se com os outros ou consigo mesmo,
não faz muita diferença: é a mesma arte.

Essas artes têm que ser aprendidas juntas,
simultaneamente;
elas são inseparáveis.

Esteja com as pessoas,
não inconscientemente,
mas bem conscientemente.
Relacione-se com as pessoas
como se você estivesse cantando uma canção,
como se você estivesse tocando numa flauta;
cada pessoa precisa ser pensada como um instrumento musical.
Respeite-as, ame-as e adore-as,
porque cada pessoa é uma face oculta do divino.

Portanto seja bem cuidadoso,
bem atento.
Lembre-se do que você está dizendo;
lembre-se do que você está fazendo.
Pequenas coisas bastam para destruir relacionamentos,
e pequenas coisas tornam relacionamentos tão belos.
Às vezes basta um sorriso,
e o coração do outro se abre para você;
às vezes basta um olhar errado em seus olhos,
e o outro se fecha -
é um fenômeno delicado.

Pense nisso como uma arte:
assim como o pintor é muito vigilante
do que ele está fazendo na tela,
cada simples traço irá fazer muita diferença.
Um pintor verdadeiro pode mudar toda a pintura
apenas com um simples traço.

A vida tem que ser aprendida como uma arte:
muito cuidadosamente,
bem deliberadamente.

Assim, o relacionamento com os outros
precisa se tornar um espelho:
veja o que você está fazendo,
como você está fazendo isso e o que está acontecendo.
Que está acontecendo ao outro?
Você está tornando a vida dele mais miserável?
Você está provocando sofrimento nele?
Você está criando um inferno para ele?
Então retire-se.
Mude suas maneiras.
Embeleze a vida ao seu redor.

Deixe que cada pessoa sinta
que o encontro com você é uma dádiva:
apenas por estar com você algo começa a fluir, a crescer,
algumas canções começam a surgir no coração,
algumas flores começam a se abrir.

E quando você estiver sozinho,
então sente-se totalmente em silêncio,
absolutamente em silêncio,
e observe a si mesmo.

Assim como o pássaro tem duas asas,
deixe amor e meditação serem suas duas asas.
Crie uma sincronicidade entre eles,
assim eles não estarão de maneira alguma
em conflito um com o outro,
mas cuidando um do outro,
alimentando um ao outro,
auxiliando um ao outro.
Esse vai ser o seu caminho:
a síntese entre amor e meditação."

(The Rainbow Bridge - #24)

Desejos ... mundanos ou de Deus? - (Gangaji)


"Na maioria, todos já experimentaram como a perseguição dos desejos mundanos geralmente leva à perpetuação do sofrimento. Dessa experiência resulta a constatação de que geralmente se paga um preço pela satisfação desses desejos. Esse preço é a sua energia de vida, a sua concentração e determinação. É claro que você pode obter prazer na satisfação dos desejos mundanos e passar pela dor da perda. Contudo, o verdadeiro aprofundamento de uma vida não acontecerá enquanto você não estiver disposto a perceber a limitação dos desejos mundanos. Uma vez percebido isso, você pode experimentar uma sutil, porém mortal transferência, dos desejos mundanos para o âmbito dos desejos espirituais. O desejo da verdade, enquanto considerado um desejo elevado, ainda o deixa a perguntar-se por que o seu sofrimento continua.

O desejo de liberdade, amor, verdade ou Deus não é um problema. Meu mestre, Papaji, dizia que, se você deseja a liberdade acima de tudo mais, este desejo em si aniquilará todos os outros desejos; e isso é verdade. Este desejo engole todos os outros desejos. Portanto, o desejo de iluminação não é o problema. O problema é a expectativa de que a iluminação venha a lhe dar certos resultados ou que venha fazer você ter uma certa aparência ou sentir-se de um certo modo. Daí surge confusão e questionamento: por quê, se só o que se deseja é a iluminação, ainda não se tem a experiência de paz permanente?

Eu encorajo você a investigar realmente a sua própria mente e verificar se há alguma imagem de verdade, de liberdade, de iluminação ou de Deus. Se houver uma imagem, experimente o seguinte: Largue-a. E agora veja se há alguma expectativa associada a Deus, tal como: se você estiver sendo sincero com Deus, Deus há de lhe dar saúde perfeita, riqueza perfeita, felicidade eterna, etc. Examine a sua mente e veja se há expectativas de que a constatação de Deus ou da verdade vá lhe dar algum alívio da vida ou algum controle sobre a vida. Agora, para fins de investigação, solte essas expectativas. Abandone-as. Desista delas. Se você está esperando um determinado estado de clareza, de êxtase oceânico ou certeza do seu objetivo no mundo, simplesmente largue isso para você poder simplesmente estar aqui. Abandone tudo. Quando você não tem nada, tem somente a si mesmo. E quando você verdadeiramente tem a si mesmo, você está desperto para quem você verdadeiramente é. Se você desejar ser livre, e não der a esse desejo nenhuma forma, expectativa ou pensamento, mas apenas lhe permitir estar, então esse verdadeiro desejo revelará o inteiro universo conhecido e desconhecido. Toda partícula se revela única, e esta única é você. No próprio instante em que você acha que o seu desejo de Deus, liberdade ou verdade deva produzir um determinado resultado, aparência ou sentimento, você já turva a pureza desse desejo verdadeiro. O desafio no coração de qualquer buscador espiritual, por mais bela e essencial que possa ser a busca, é parar de buscar qualquer coisa para preencher esse desejo final.

O desafio é deixar que a sua vida inteira preencha esse desejo. Você pode oferecer todo o resto da sua vida a esse desejo sem saber qual será o resultado, sem saber se você estará arruinado, sem teto, rico ou famoso. Você pode dar o que você tem, que é a vida neste momento, à verdade, à liberdade, a Deus. Como outra oportunidade de auto-investigação, convido-o a fazer-se a seguinte pergunta: O que é que a iluminação vai me dar? Dependendo de quão disposto você esteja a dizer a verdade, as possibilidades deste tipo de investigação não têm limites. Investigação não tem nada a ver com resposta certa, mas tem tudo a ver com dizer a verdade. Tire só um momento para considerar realmente: Que tal se a iluminação não lhe der nada, mas nada mesmo? Que tal se você não ganhar nenhuma coisa – física, mental, emocional ou circunstancial? A verdade é que a iluminação não vai lhe dar uma só coisa sequer. Está disposto a suportar essa verdade? Se estiver, você está livre. Se não estiver, sua mente ainda está presa a alguma coisa que você espera que vá lhe dar liberdade.

No coração de todo ser humano com quem falo, tenho visto um comando para, de certo modo, encontrar verdadeira felicidade, verdadeira realização. Às vezes esse desejo é até mais forte do que o instinto de sobrevivência. Como você sabe por sua própria experiência, a busca da felicidade pode enveredar por vários caminhos. De maneira instintiva, pode ser uma busca de prazer, conforto, segurança, ou uma busca de alguma posição conhecida na multidão humana. Geralmente, quando atingimos um determinado nível de sucesso em termos de prazer, conforto, segurança e posição, reconhecemos que nenhuma dessas coisas satisfaz verdadeiramente este comando profundo, este clamor mais profundo por felicidade. Podemos até ter momentos de linda revelação e certamente momentos de prazer, porém, ainda assim, geralmente por baixo de tudo isso está o medo de que nunca venhamos a encontrar paz permanente ou felicidade verdadeira. Ou o medo de perdermos qualquer paz ou felicidade que tenhamos atingido causa-nos tensão e contração já que constantemente procuramos nos apegar. Normalmente sentimos uma profunda desconfiança de que a paz e a felicidade sejam realmente possíveis.

Às vezes, numa vida abençoada, surge o clamor pela busca espiritual, pela busca de Deus, pela busca da verdade. Reconhecemos que o normal significa “não dê ouvidos a esse comando”. Deixamos de lado o que chamamos de “vida mundana” e voltamo-nos para uma vida espiritual.

Infelizmente, o mesmo condicionamento que dirigia a vida mundana geralmente tenta dirigir a vida espiritual igualmente e então se torna uma busca de prazer espiritual, conforto espiritual, conhecimento espiritual ou segurança espiritual. Mais cedo ou mais tarde, você terá que se desiludir com essa busca também. Você encontra prazer, obviamente; alcança espaços de êxtase; sente-se seguro quando percebe que Deus ou a verdade está presente e sente-se confortado quando se sente amparado por essa presença. Porém, até reconhecer que jamais esteve separado dela, você será continuamente impelido a encontrá-la nalguma outra parte, a encontrar Deus, baseado na crença ou na esperança de que Deus vá lhe dar felicidade. Esta crença ou esperança fundamenta-se numa compreensão bem infantil do que seja Deus – uma coisa, uma força, um lugar que lhe possam conceder prazer, conforto e segurança eternos.

Descobri que na verdade é impossível encontrar a felicidade. Enquanto estiver buscando encontrar a felicidade “nalgum lugar”, você estará ignorando o que é felicidade. Enquanto estiver procurando encontrar Deus em algum outro lugar, você estará ignorando a verdade essencial de Deus, que é onipresença. Quando busca encontrar felicidade nalgum outro lugar, você está ignorando a sua verdadeira natureza, que é felicidade. Você está se ignorando.

Eu gostaria de lhe oferecer o convite e o desafio de você parar de se ignorar e simples, radical e absolutamente ficar quieto – deixar de lado, por um momento apenas, todas as suas idéias de onde está Deus, ou de onde está a verdade, ou de onde você está. Pare de olhar para qualquer lugar. Pare de buscar. Simplesmente seja/esteja. Não estou falando de ficar num estupor ou de entrar em transe, mas de entrar mais fundo no silêncio do seu coração, onde a revelação da onipresença pode revelar-se como a sua verdadeira natureza. Estou lhe pedindo para ficar quieto em pura presença. Não criar isso, nem sequer o convidar, mas simplesmente reconhecer o que está sempre aqui, quem você sempre é, onde Deus sempre está.

Neste momento, por mais que você esteja buscando, pare. Quer esteja buscando paz e felicidade num relacionamento, num trabalho melhor, ou mesmo na paz mundial, apenas por um só momento pare absolutamente. Nada há de errado com essas buscas, mas, se você está engajado nelas para obter paz ou obter felicidade, você está ignorando a base de paz que já está aqui. Uma vez que você descubra esta base de paz, então quaisquer buscas em que você se engaje serão informadas por esta descoberta. Então o que você descobriu você trará naturalmente para o mundo, para a política, para os seus relacionamentos.

Esta descoberta tem ramificações complexas e infinitas, mas sua essência é muito simples. Se você parar com toda atividade, só por um instante, nem que seja por um décimo de segundo, e simplesmente ficar completamente quieto, reconhecerá a intrínseca amplidão do seu ser, que já é feliz e está em paz consigo mesmo.

Por causa do nosso condicionamento, normalmente desconsideramos esta base de paz com um imediato “Sim, mas e a minha vida? Tenho responsabilidades. Preciso me manter ocupado. O absoluto não se relaciona com o meu mundo, minha existência”. Esses pensamentos condicionados apenas reforçam mais condicionamento. Porém, se você tirar um momento para reconhecer a paz que já está viva dentro de si, então, na verdade, você terá a escolha de confiar em todos os seus empenhos, em todos os seus relacionamentos, em todas as circunstâncias da sua vida. Não significa que a sua vida estará isenta de conflitos, desafios, dores ou sofrimentos. Significa que você terá reconhecido um santuário onde a verdade de você mesmo está presente, onde a verdade de Deus está presente, independentemente das circunstâncias físicas, mentais ou emocionais da sua vida.

Este é um convite para o centro do seu ser. Não se trata de religião ou ausência de religião. Não se trata sequer de iluminação ou ignorância. Trata-se da verdade sobre quem você é, a qual está mais próxima e mais profunda do qualquer coisa que se possa nomear.

A qualquer momento, numa fração de segundo, há a possibilidade de reconhecer a ilimitada, infinita e eterna verdade divina de você mesmo. Diferentes culturas espirituais têm dado nomes diferentes a experiências da verdade. Céu, nirvana, ressurreição, iluminação, satori, samadhi – todos são nomes que apontam para esta beleza divina suprema, inominável, vazia de sofrimento e preenchida pela graça.

O reconhecimento desta verdade – é só disso que trata este artigo. Se você não conseguir reter na memória uma só palavra sobre isso, simplesmente perfeito! Meu mestre me dizia que o ensinamento mais verdadeiro é como um pássaro a voar no céu: não deixa rastros que possam ser seguidos, todavia não se pode negar sua presença."

Advaita - (Swami Sambodh Naseeb)

"Só há uma alma
Só há um Deus
Só há um espírito
Só há um amor
Só há um momento: AQUI-AGORA
Só há um mestre: Consciência

Na ilusão da mente
O UM parece ser MUITOS
É como uma sala cheia de espelhos
Todos refletem você!
Lembre-se disso e investigue em sua vida.
Tenha muita reverência por cada pessoa
que passa por você.
Cada pessoa é um Mestre.
Porque você é um Mestre.
E porque o Mestre é apenas UM.
Você é Deus manifesto como corpo e mente.
Mas sua essência é puro silêncio e paz.
Aprenda a sentir este silêncio!
Meditação é abrir os olhos para esta verdade suprema.

DEUS É TUDO QUE HÁ !"

terça-feira, 12 de maio de 2009

Child in us - (Enigma)

(Extraído do livro Maha Gita Purusham do Bem-aventurado de Sri Maha Krishna Swami)

"A felicidade perfeita
Não haverá de visitar-nos amanhã
A menos que nossos corações
Repousem hoje nela.
Não há paz futura
Que não esteja oculta
No fugaz momento presente.

Às vezes, sente-se
Que a felicidade
Está sendo obscurecida
Pelo próprio mundo.
Mas a tristeza não é
Senão uma nuvem escura.
Atrás dela,
Ao nosso alcance,
Está a felicidade perfeita.
Podemos vivê-la se soubermos
Sentir e conhecer o Ser.
E, por isso, é necessário
Manter-se em silêncio,
Meditar e devocionar.

Não podemos aceitar
Os momentos de alegria
Como simples momentos.
Eles guardam
A divina essência.

O Ser é eternamente bondoso
E de amor sem fim,
Mas os dons que ele nos doa,
Julgamo-los
Pelo aspecto externo.
Em tudo que existe
Está sempre
O Supremo e Divino Ser.

Apresse-se para sentir
A presença do Ser Supremo.
Liberte as veias
Do curso do sangue.
Entreabra os olhos
E deixe entrar a luz.
Procure a sua essência
Em si mesmo
E depois tome consciência
Do seu próprio Ser."

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Batendo à porta da Bem-Amada - (Rumi)

"Alguém bateu à porta da Bem-Amada, e uma Voz lá de dentro perguntou:
- Quem está aí?
E ele respondeu - Sou eu.
A Voz então disse:
- Esta casa não conterá nós dois.
E a porta continuou fechada. Então o Amante foi para o deserto e na solidão jejuou e orou. Retornou depois de um ano e bateu novamente à porta. E de novo a Voz perguntou:
- Quem é?
E o Amante respondeu:
- És tu mesma!
E a porta lhe foi aberta."



"Eu olhei em torno, procurando-O. Ele não estava na Cruz. Dirigi-me ao templo do ídolo, ao antigo pagode; nenhum sinal Dele era visível ali. Fui então para a Caaba; Ele não se achava naquele refúgio de velhos e jovens. Perguntei a Ibn Sina (Avicena) do Seu estado; Ele não se achava ao alcance de Ibn Sina. Olhei para o meu próprio coração. Aí eu O vi. Ele não estava em nenhum outro lugar."



"Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança."



"FICA
Tocaste a órbita do coração celeste,
agora fica aqui.
Pudeste ver a lua nova
agora fica.

Sofreste em excesso por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Teu tempo acabou.
Escutaste tudo o que se pode dizer
sobre a beleza desse amante,
fica aqui agora.

Juraste em teu coração
que havia leite nesses seios,
agora que provaste desse leite,
fica."

Minha Herança: Uma Flor - (Vanessa da Mata)



"Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio

Peguei você pra mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim

Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei

Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre

A minha herança pra você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei

A minha herança pra você
É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si

E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu

Achei você no meu jardim"

Corações distantes - (Meher Baba)



Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
“Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?”

“Gritamos porque perdemos a calma” disse um deles.

“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?” Questionou novamente o pensador.

“Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça”, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar: “Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:

“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.”

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".

O que a visão do Advaita Vedanta e de Cristo querem dizer com “Tudo é Um com Deus”? - (Swami Sambodh Naseeb)

"A resposta é simples: a mente humana é o que cria separação. Tudo é Um na visão original, que é a visão do Pai Eterno. Sem o instrumento chamado mente não é possível ver a vida como ela se apresenta agora, com toda essa diversidade de corpos, mentes, animais, universos, enfim, toda a criação que está diante de nossos olhos.

Vamos dar um exemplo para podermos visualizar este complexo percebimento. Imagine que esta Inteligência a que chamamos Deus, em si mesma seja pura potencialidade de Amor e Sabedoria. Deus (sozinho) é pura bênção e perfeição, porque em si mesmo não tem opostos, não pensa, não tem sentimentos. Apenas É.

Deus apenas É. Em seu estado original aquilo que chamamos Deus apenas É. Em Si mesmo contém todas as coisas, todas as energias muldidimensionais. Mas essa energia mutidimencional, esta abundância de criatividade não está manifestada. O que quer dizer isto? Em seu estado original Deus está passivo, não age, não se relaciona, apenas É esta potencialidade infinita que guarda em Si mesmo.

Como Deus se manifesta? Como ele poderia desfrutar de sua magnitude suprema? Como ele poderia pensar e se relacionar com sua criatividade?

Nós pensamos que a criação foi criada num certo dia, mas em verdade a criação sempre existiu. Talvez de formas diferentes, em mundos diferentes, mas sempre existiu. Porque? Simplesmente porque Deus não existe e nunca existiu sozinho. Seu modo de ser é também pensar, relacionar-se e sentir. Quando Deus pensa em si mesmo ele pensa através de uma mente. Quando Deus quer sentir a si mesmo, ele sente através de uma mente. Quando Deus quer ter sensações, ele tem sensações através de um corpo.

Ou seja, Deus e seus filhos são uma única substância inseparável. A criatura e o criador não são dois – são Um. A existência não é algo mecânico, ela é orgânica. Toda a existência é o corpo de Deus – é isso que todos os sábios vem dizendo há milênios. Você não existe como uma ilha, todos nós somos partes uns dos outros, todos participamos da criação não como algo separado, mas como membros e corpos dessa criação chamada Deus manifesto.

Deus não-manifesto é Deus passivo, energia pura, sem dualidade, puro potencial. Deus manifesto é Deus em ação. Deus em ação é toda a criação, todos os universos, todos os seres. Deus ativo é o que a religião Cristã chamou de “Seus Filhos”.

Há separação entre a onda e o oceano? A onda está separada daquilo que chamamos oceano? Qual a distinção dos dois então? No nome e na forma. Um chama-se onda e outro oceano – distinção no nome. E na forma? Um sobe e desce,e outro está sempre no mesmo lugar. As ondas são impermanentes, estão sempre mudando. O oceano está sempre ali.

Deus é o oceano. Os filhos são as ondas. Não há real separação e não ser pelo nome e pela forma.

Quando uma pessoa cresce, é Deus que cresce. Quando uma pessoa ama, é Deus que ama. Quando uma árvore floresce, é Deus que floresce. Quando uma flor desabroxa, é Deus desabroxando.Deus é o perfume presente em todas as coisas, porque na verdade tudo é Um. Na onda existe a presença do oceano. Porque o oceano e a onda não são duas coisas. Deus está na criação assim como o oceano está nas ondas. Não ha separação em verdade."

Fonte: http://naodual.blogspot.com/2009/05/tudo-e-um.html

sexta-feira, 1 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eros e Psique - (Fernando Pessoa)


"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."

O Girassol - (Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, em "O Guardador de Rebanhos")


"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

La bailarina del templo" - Shokry Mohamed

"La ví bailando en la oscuridad,
bailaba para si misma,
y vive consigo misma.
La ví bailar y oí sus suspiros.
La ví bailar en silencio,
bailaba sin música, sin melodía.
Bailaba sobre los ritmos del silencio asesino.
Bailaba sobre la luz de la extrema oscuridad.
Se movía de un sitio a otro.
Sin esposas ni ataduras,
solo, existía ella
y nada sino ella.
Dejó de moverse en la oscuridad,
se sentó en el suelo
para recuperar el aliento.
El aliento se agotó
en el gran baile,
el baile de si misma."
(La bailarina del templo" - Shokry Mohamed)





segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fique com o Desconhecido - (Papaji)


"Tudo que você é apegado, tudo que você ama,
Tudo que você sabe, algum dia irá embora.
Saber isso, e que o mundo é a sua mente
onde você cria, brinca, e sofre
é conhecido como discriminação.
Discrimine entre o Real e o Irreal,
O conhecido é irreal e vai ir e vir
Então fique com o Desconhecido, o Inalterável, a Verdade."


"Deixe que haja PAZ e AMOR entre todos os seres do universo.
Deixe que haja PAZ, deixe que haja PAZ.
OM Shanti, Shanti, Shanti"


"Ser é o que você é
Você é aquele Insondável
Onde toda experiência e conceitos aparecem.
Ser é o Momento em que não há o ir e vir.
Isto é o Coração, a Fonte, o Vazio.
Isto brilha de Si, por Si, em Si.
Ser é o que dá o sopro a Vida.
Você não precisa procurar por Isto, Isto está Aqui.
Você é Isto através do que você procura.
Você é Isto que você procura !
E Isto é Tudo o que é.
Somente o Ser é."


"Você é Aquele que está cônscio
Da consciência dos objetos e idéias.
Você é Aquele que é ainda mais silencioso do que consciente.
Você é a Vida que precede o conceito de vida.
Sua natureza é silencio e isto não é alcançável,
Isto sempre é.
Você é o Vazio, a Suprema Essência:
Remova o Vazio do Vazio
Deixe somente o Vazio pois não há nada além disso.
Vazio está entre o “é” e o “não é”
E nada esta fora do Vazio então isto é Cheio.
Para ser Livre, você precisa da firme convicção
De que você é este Substrato, esta Paz, este Vazio.
Tudo emerge disso,
Baila em volta disso
E retorna para Isto.
Como o Oceano emerge numa onda para dançar,
Assim, você é este Vazio Dançante!"

Você usa muleta? - (Glauco Tavares)

(escrito em São Paulo, no dia 19 de Março de 2009)

"Durante a minha leitura do livro "Como um místico amarra os seus sapatos" uma, das várias histórias, me chamou a atenção:

"Foi a muito, muito tempo. Num casebre muito pobre junto aos portões de entrada da cidade vivia um eremita. Ele era venerado como um asceta santo, muitas pessoas procuravam seus conselhos. Até o rei já tinha ouvido falar dele. Ele quis conhecer esse homem de qualquer maneira. Um dia ele foi até o casebre e perguntou-lhe se não queria mudar-se para o palácio.

- Se o senhor quiser -respondeu o eremita - Posso ir a qualquer lugar.

O rei ficou surpreso, mas não deixou isso transparecer. Ele havia imaginado que o eremita aceitaria seu convite. Um verdadeiro eremita não deveria recusar a oferta? O rei começou a ter dúvidas. Mas como ele já havia feito o convite, levou o homem ao palácio onde mandou que lhe preparassem um belo quarto e uma boa refeição.

E o que fez o eremita? Ele usufruiu do belo quarto e da boa comida. No dia seguinte também, e no seguinte ao seguinte. Esse homem, que dizia ser um asceta, deixou-se tratar muito bem no luxuoso palácio. O rei estava profundamente decepcionado. Depois de uma semana ele falou diretamente ao estranho hóspede:

- Desculpe-me, mas simplesmente não consigo entender como você, um asceta, pode viver em um palácio. Qual a diferença entre você, um homem santo, e eu, um rei?

- Se o senhor quer ver a diferença, então venha comigo para fora da cidade.

Os dois se puseram a caminho. Caminharam por muito tempo sobre campos ensolarados, bosques úmidos e aldeias isoladas. E quanto mais caminhavam, mais impaciente o rei ficava. Quando anoiteceu ele pediu ao eremita insistentemente que finalmente respondesse à sua pergunta.

- Eu lhe direi apenas uma coisa - respondeu ele - Não voltarei mais. Seguirei adiante. O senhor virá comigo?

O rei sacudiu a cabeça.
- Não posso. Não posso abandonar meu reino e meu palácio. Além disso tenho uma família.
- Está vendo a diferença? Eu posso seguir adiante, não deixei nada para trás. Desfrutei das comodidades do palácio. Mas não me apeguei a elas. Por isso eu posso agora seguir adiante.
- Por favor, não faça isso - disse o rei - Volte comigo ao palácio.
- Para mim não faz diferença se volto ao palácio com o senhor ou sigo adiante. Mas se eu voltar, também voltarão suas dúvidas. Por isso, por amor ao senhor, eu seguirei adiante."

Esta história me fez refletir se estamos realmente prontos para largarmos tudo e mesmo assim ainda sermos felizes. No Yoga este conceito é conhecido como Santosha, contentamento e aceitação, ou seja, nossa felicidade e nossa paz independente da situação externa.

Não pensei sobre isso no sentido de sermos um eremita e abandonarmos o mundo, mas no sentido de aceitarmos as mudanças do ciclo da vida e nos conformarmos com as novas situações, que nem sempre vão ao encontro de nossas expectativas.

Mas vejo que muito mais do que nós deixarmos algo, seria o nosso entendimento de deixarmos ir embora algo ou alguém o que não nos pertence. Tenho como ponto de observação a seguinte frase quando estou nestes momentos de aceitar ou não o distanciamento de algo: "O universo é sábio. O que for meu por direito divino venha até o mim, o que não for, que ele leve embora".

Como disse acima, tenho momentos que estou pronto e outros não, por isso ainda faço uso desta frase. Mas vejo isso como algo positivo, pois se consigo ter este discernimento é sinal que estou no caminho certo para trabalhar com meu apego. Pois estou atento a ele e consigo enxergar a hora que ele está presente e a hora que não está. Sendo assim, fica mais fácil lidarmos com algo que conhecemos do que com um fantasma, neste caso o "fantasma do apego".

Outra pergunta que me fiz foi com relação ao desequilibrio que estas mudanças da vida causam em nossa felicidade. Refleti e percebi que usamos várias "muletas" para nos sentirmos felizes: o trabalho, o status social, o relacionamento, os filhos, o carro, o relógio, o celular de última geração dentre várias outras. Por isso, quando a vida nos retira algo que funciona como uma "muleta" nos ficamos infelizes. Qual a muleta que você está usando para manter a sua felicidade?"

Fonte: Blog de Glauco Tavaares - http://glaucotavares.blogspot.com/2009/04/voce-usa-muleta.html