terça-feira, 12 de maio de 2009

Child in us - (Enigma)

(Extraído do livro Maha Gita Purusham do Bem-aventurado de Sri Maha Krishna Swami)

"A felicidade perfeita
Não haverá de visitar-nos amanhã
A menos que nossos corações
Repousem hoje nela.
Não há paz futura
Que não esteja oculta
No fugaz momento presente.

Às vezes, sente-se
Que a felicidade
Está sendo obscurecida
Pelo próprio mundo.
Mas a tristeza não é
Senão uma nuvem escura.
Atrás dela,
Ao nosso alcance,
Está a felicidade perfeita.
Podemos vivê-la se soubermos
Sentir e conhecer o Ser.
E, por isso, é necessário
Manter-se em silêncio,
Meditar e devocionar.

Não podemos aceitar
Os momentos de alegria
Como simples momentos.
Eles guardam
A divina essência.

O Ser é eternamente bondoso
E de amor sem fim,
Mas os dons que ele nos doa,
Julgamo-los
Pelo aspecto externo.
Em tudo que existe
Está sempre
O Supremo e Divino Ser.

Apresse-se para sentir
A presença do Ser Supremo.
Liberte as veias
Do curso do sangue.
Entreabra os olhos
E deixe entrar a luz.
Procure a sua essência
Em si mesmo
E depois tome consciência
Do seu próprio Ser."

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Batendo à porta da Bem-Amada - (Rumi)

"Alguém bateu à porta da Bem-Amada, e uma Voz lá de dentro perguntou:
- Quem está aí?
E ele respondeu - Sou eu.
A Voz então disse:
- Esta casa não conterá nós dois.
E a porta continuou fechada. Então o Amante foi para o deserto e na solidão jejuou e orou. Retornou depois de um ano e bateu novamente à porta. E de novo a Voz perguntou:
- Quem é?
E o Amante respondeu:
- És tu mesma!
E a porta lhe foi aberta."



"Eu olhei em torno, procurando-O. Ele não estava na Cruz. Dirigi-me ao templo do ídolo, ao antigo pagode; nenhum sinal Dele era visível ali. Fui então para a Caaba; Ele não se achava naquele refúgio de velhos e jovens. Perguntei a Ibn Sina (Avicena) do Seu estado; Ele não se achava ao alcance de Ibn Sina. Olhei para o meu próprio coração. Aí eu O vi. Ele não estava em nenhum outro lugar."



"Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança."



"FICA
Tocaste a órbita do coração celeste,
agora fica aqui.
Pudeste ver a lua nova
agora fica.

Sofreste em excesso por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Teu tempo acabou.
Escutaste tudo o que se pode dizer
sobre a beleza desse amante,
fica aqui agora.

Juraste em teu coração
que havia leite nesses seios,
agora que provaste desse leite,
fica."

Minha Herança: Uma Flor - (Vanessa da Mata)



"Achei você no meu jardim
Entristecido
Coração partido
Bichinho arredio

Peguei você pra mim
Como a um bandido
Cheio de vícios
E fiz assim, fiz assim

Reguei com tanta paciência
Podei as dores, as mágoas, doenças
Que nem as folhas secas vão embora
Eu trabalhei

Fiz tudo, todo meu destino
Eu dividi, ensinei de pouquinho
Gostar de si, ter esperança e persistência
Sempre

A minha herança pra você
É uma flor com um sino, uma canção
Um sonho, nem uma arma ou uma pedra
Eu deixarei

A minha herança pra você
É o amor capaz de fazê-lo tranqüilo
Pleno, reconhecendo o mundo
O que há em si

E hoje nos lembramos
Sem nenhuma tristeza
Dos foras que a vida nos deu
Ela com certeza estava juntando
Você e eu

Achei você no meu jardim"

Corações distantes - (Meher Baba)



Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
“Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?”

“Gritamos porque perdemos a calma” disse um deles.

“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?” Questionou novamente o pensador.

“Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça”, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar: “Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:

“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.”

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".

O que a visão do Advaita Vedanta e de Cristo querem dizer com “Tudo é Um com Deus”? - (Swami Sambodh Naseeb)

"A resposta é simples: a mente humana é o que cria separação. Tudo é Um na visão original, que é a visão do Pai Eterno. Sem o instrumento chamado mente não é possível ver a vida como ela se apresenta agora, com toda essa diversidade de corpos, mentes, animais, universos, enfim, toda a criação que está diante de nossos olhos.

Vamos dar um exemplo para podermos visualizar este complexo percebimento. Imagine que esta Inteligência a que chamamos Deus, em si mesma seja pura potencialidade de Amor e Sabedoria. Deus (sozinho) é pura bênção e perfeição, porque em si mesmo não tem opostos, não pensa, não tem sentimentos. Apenas É.

Deus apenas É. Em seu estado original aquilo que chamamos Deus apenas É. Em Si mesmo contém todas as coisas, todas as energias muldidimensionais. Mas essa energia mutidimencional, esta abundância de criatividade não está manifestada. O que quer dizer isto? Em seu estado original Deus está passivo, não age, não se relaciona, apenas É esta potencialidade infinita que guarda em Si mesmo.

Como Deus se manifesta? Como ele poderia desfrutar de sua magnitude suprema? Como ele poderia pensar e se relacionar com sua criatividade?

Nós pensamos que a criação foi criada num certo dia, mas em verdade a criação sempre existiu. Talvez de formas diferentes, em mundos diferentes, mas sempre existiu. Porque? Simplesmente porque Deus não existe e nunca existiu sozinho. Seu modo de ser é também pensar, relacionar-se e sentir. Quando Deus pensa em si mesmo ele pensa através de uma mente. Quando Deus quer sentir a si mesmo, ele sente através de uma mente. Quando Deus quer ter sensações, ele tem sensações através de um corpo.

Ou seja, Deus e seus filhos são uma única substância inseparável. A criatura e o criador não são dois – são Um. A existência não é algo mecânico, ela é orgânica. Toda a existência é o corpo de Deus – é isso que todos os sábios vem dizendo há milênios. Você não existe como uma ilha, todos nós somos partes uns dos outros, todos participamos da criação não como algo separado, mas como membros e corpos dessa criação chamada Deus manifesto.

Deus não-manifesto é Deus passivo, energia pura, sem dualidade, puro potencial. Deus manifesto é Deus em ação. Deus em ação é toda a criação, todos os universos, todos os seres. Deus ativo é o que a religião Cristã chamou de “Seus Filhos”.

Há separação entre a onda e o oceano? A onda está separada daquilo que chamamos oceano? Qual a distinção dos dois então? No nome e na forma. Um chama-se onda e outro oceano – distinção no nome. E na forma? Um sobe e desce,e outro está sempre no mesmo lugar. As ondas são impermanentes, estão sempre mudando. O oceano está sempre ali.

Deus é o oceano. Os filhos são as ondas. Não há real separação e não ser pelo nome e pela forma.

Quando uma pessoa cresce, é Deus que cresce. Quando uma pessoa ama, é Deus que ama. Quando uma árvore floresce, é Deus que floresce. Quando uma flor desabroxa, é Deus desabroxando.Deus é o perfume presente em todas as coisas, porque na verdade tudo é Um. Na onda existe a presença do oceano. Porque o oceano e a onda não são duas coisas. Deus está na criação assim como o oceano está nas ondas. Não ha separação em verdade."

Fonte: http://naodual.blogspot.com/2009/05/tudo-e-um.html

sexta-feira, 1 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eros e Psique - (Fernando Pessoa)


"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."

O Girassol - (Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, em "O Guardador de Rebanhos")


"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

La bailarina del templo" - Shokry Mohamed

"La ví bailando en la oscuridad,
bailaba para si misma,
y vive consigo misma.
La ví bailar y oí sus suspiros.
La ví bailar en silencio,
bailaba sin música, sin melodía.
Bailaba sobre los ritmos del silencio asesino.
Bailaba sobre la luz de la extrema oscuridad.
Se movía de un sitio a otro.
Sin esposas ni ataduras,
solo, existía ella
y nada sino ella.
Dejó de moverse en la oscuridad,
se sentó en el suelo
para recuperar el aliento.
El aliento se agotó
en el gran baile,
el baile de si misma."
(La bailarina del templo" - Shokry Mohamed)





segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fique com o Desconhecido - (Papaji)


"Tudo que você é apegado, tudo que você ama,
Tudo que você sabe, algum dia irá embora.
Saber isso, e que o mundo é a sua mente
onde você cria, brinca, e sofre
é conhecido como discriminação.
Discrimine entre o Real e o Irreal,
O conhecido é irreal e vai ir e vir
Então fique com o Desconhecido, o Inalterável, a Verdade."


"Deixe que haja PAZ e AMOR entre todos os seres do universo.
Deixe que haja PAZ, deixe que haja PAZ.
OM Shanti, Shanti, Shanti"


"Ser é o que você é
Você é aquele Insondável
Onde toda experiência e conceitos aparecem.
Ser é o Momento em que não há o ir e vir.
Isto é o Coração, a Fonte, o Vazio.
Isto brilha de Si, por Si, em Si.
Ser é o que dá o sopro a Vida.
Você não precisa procurar por Isto, Isto está Aqui.
Você é Isto através do que você procura.
Você é Isto que você procura !
E Isto é Tudo o que é.
Somente o Ser é."


"Você é Aquele que está cônscio
Da consciência dos objetos e idéias.
Você é Aquele que é ainda mais silencioso do que consciente.
Você é a Vida que precede o conceito de vida.
Sua natureza é silencio e isto não é alcançável,
Isto sempre é.
Você é o Vazio, a Suprema Essência:
Remova o Vazio do Vazio
Deixe somente o Vazio pois não há nada além disso.
Vazio está entre o “é” e o “não é”
E nada esta fora do Vazio então isto é Cheio.
Para ser Livre, você precisa da firme convicção
De que você é este Substrato, esta Paz, este Vazio.
Tudo emerge disso,
Baila em volta disso
E retorna para Isto.
Como o Oceano emerge numa onda para dançar,
Assim, você é este Vazio Dançante!"

Você usa muleta? - (Glauco Tavares)

(escrito em São Paulo, no dia 19 de Março de 2009)

"Durante a minha leitura do livro "Como um místico amarra os seus sapatos" uma, das várias histórias, me chamou a atenção:

"Foi a muito, muito tempo. Num casebre muito pobre junto aos portões de entrada da cidade vivia um eremita. Ele era venerado como um asceta santo, muitas pessoas procuravam seus conselhos. Até o rei já tinha ouvido falar dele. Ele quis conhecer esse homem de qualquer maneira. Um dia ele foi até o casebre e perguntou-lhe se não queria mudar-se para o palácio.

- Se o senhor quiser -respondeu o eremita - Posso ir a qualquer lugar.

O rei ficou surpreso, mas não deixou isso transparecer. Ele havia imaginado que o eremita aceitaria seu convite. Um verdadeiro eremita não deveria recusar a oferta? O rei começou a ter dúvidas. Mas como ele já havia feito o convite, levou o homem ao palácio onde mandou que lhe preparassem um belo quarto e uma boa refeição.

E o que fez o eremita? Ele usufruiu do belo quarto e da boa comida. No dia seguinte também, e no seguinte ao seguinte. Esse homem, que dizia ser um asceta, deixou-se tratar muito bem no luxuoso palácio. O rei estava profundamente decepcionado. Depois de uma semana ele falou diretamente ao estranho hóspede:

- Desculpe-me, mas simplesmente não consigo entender como você, um asceta, pode viver em um palácio. Qual a diferença entre você, um homem santo, e eu, um rei?

- Se o senhor quer ver a diferença, então venha comigo para fora da cidade.

Os dois se puseram a caminho. Caminharam por muito tempo sobre campos ensolarados, bosques úmidos e aldeias isoladas. E quanto mais caminhavam, mais impaciente o rei ficava. Quando anoiteceu ele pediu ao eremita insistentemente que finalmente respondesse à sua pergunta.

- Eu lhe direi apenas uma coisa - respondeu ele - Não voltarei mais. Seguirei adiante. O senhor virá comigo?

O rei sacudiu a cabeça.
- Não posso. Não posso abandonar meu reino e meu palácio. Além disso tenho uma família.
- Está vendo a diferença? Eu posso seguir adiante, não deixei nada para trás. Desfrutei das comodidades do palácio. Mas não me apeguei a elas. Por isso eu posso agora seguir adiante.
- Por favor, não faça isso - disse o rei - Volte comigo ao palácio.
- Para mim não faz diferença se volto ao palácio com o senhor ou sigo adiante. Mas se eu voltar, também voltarão suas dúvidas. Por isso, por amor ao senhor, eu seguirei adiante."

Esta história me fez refletir se estamos realmente prontos para largarmos tudo e mesmo assim ainda sermos felizes. No Yoga este conceito é conhecido como Santosha, contentamento e aceitação, ou seja, nossa felicidade e nossa paz independente da situação externa.

Não pensei sobre isso no sentido de sermos um eremita e abandonarmos o mundo, mas no sentido de aceitarmos as mudanças do ciclo da vida e nos conformarmos com as novas situações, que nem sempre vão ao encontro de nossas expectativas.

Mas vejo que muito mais do que nós deixarmos algo, seria o nosso entendimento de deixarmos ir embora algo ou alguém o que não nos pertence. Tenho como ponto de observação a seguinte frase quando estou nestes momentos de aceitar ou não o distanciamento de algo: "O universo é sábio. O que for meu por direito divino venha até o mim, o que não for, que ele leve embora".

Como disse acima, tenho momentos que estou pronto e outros não, por isso ainda faço uso desta frase. Mas vejo isso como algo positivo, pois se consigo ter este discernimento é sinal que estou no caminho certo para trabalhar com meu apego. Pois estou atento a ele e consigo enxergar a hora que ele está presente e a hora que não está. Sendo assim, fica mais fácil lidarmos com algo que conhecemos do que com um fantasma, neste caso o "fantasma do apego".

Outra pergunta que me fiz foi com relação ao desequilibrio que estas mudanças da vida causam em nossa felicidade. Refleti e percebi que usamos várias "muletas" para nos sentirmos felizes: o trabalho, o status social, o relacionamento, os filhos, o carro, o relógio, o celular de última geração dentre várias outras. Por isso, quando a vida nos retira algo que funciona como uma "muleta" nos ficamos infelizes. Qual a muleta que você está usando para manter a sua felicidade?"

Fonte: Blog de Glauco Tavaares - http://glaucotavares.blogspot.com/2009/04/voce-usa-muleta.html

domingo, 26 de abril de 2009

Músicas que "tocam a alma"!

"Quando o coração de alguém começa a rir, muitos outros corações começam a ser tocados"

Raga Anandi Kalyan - (Ravi & Anoushka Shankar)




So Much Magnificence - (Miten & Deva Premal)




Quando a gente ama - (Oswaldo Montenegro)

domingo, 19 de abril de 2009

Você precisa do passado - (Papaji - Traduzido por Shanti)


“Você precisa do passado e pensamentos para sofrer,
Você não precisa de nada para ser livre
O peso do passado descansa em seu peito e destrói sua vida e sua liberdade.
Remova-os encontrando a origem do pensamento EU.
A liberdade o espera, mas você esta engajado em alguma outra coisa
Não se amarre a qualquer coisa do passado ou do futuro, porque isso não funciona!
Seja apegado somente a este Momento.
Quando você segura alguma outra coisa alem de sua verdadeira natureza
Você se sentira em distúrbio
Por apegar-se a coisas passageiras
Você declara a você mesmo
Que não é a completude em que tudo está
Possuir é um véu, uma mentira
Ser é totalidade, dessa forma não é possível possuir ou desejar
Todos são budas, você tem que quebrar o apego, a identificação,
Você deve renunciar, senão você trapaceia com você mesmo
Na roda da vida e da morte com todos os seus apegos
O apego é um demônio, o apego é um problema
Porque nosso apego acaba sendo nossa realidade
Somente em Satsang isso é removido
Não deixe sua mente ir para fora do seu coração!
Todo mundo esta perdido nestes apegos de fora,
Não somente você.
Se qualquer desses apegos dá a você felicidade e paz mental
Então esteja com ele, pois não é chegado o tempo de deixa-lo.
Mas se você vê a cobra picando seu calcanhar, então é o tempo de deixa-lo.
Não tem uso experimentar o que já foi experimentado.
Se você sabe que o fogo queima, não tem necessidade de ser queimado novamente.
Igual a isto, evite apegos como o fogo porque eles queimarão você.
Quando sua intoxicação depende de alguma outra coisa, você esta enganando a
você mesmo.”


“Somente a Verdade é e você é Ela!
Você é a Consciência imutável onde todas as atividades acontecem.
Negar isso é sofrer, saber disso é Liberdade. E não é difícil realizar isso porque essa é sua
Verdadeira Natureza. Simplesmente pergunte ‘QUEM SOU EU?’, e observe
cuidadosamente.
Não faça esforço, nem emita nenhum pensamento. Olhe internamente, aproxime-se com
toda devoção e fique no Coração. Continue vigilante e você verá que nada aflora. Este é o
truque de como manter a mente quieta e alcançar a Liberdade. Isto não leva tempo porque a
Liberdade é sempre Aqui. Você simplesmente deve observar: de onde surge a mente? De
onde vem os pensamentos? Qual é a fonte do pensamento? Então você poderá ver que tem
sido sempre Livre e que tudo tem sido um sonho”.

Eu confio que vocês todos são leões -- (Papaji)


"Toda ignorância começou com os pastores. Pastores são para
ovelhas. Eu confio que vocês são leões. Leões não são para serem arrebanhados;
aonde eles andam é sua própria trilha. Não há rebanho de leões; há somente
rebanho de ovelhas. Vocês são todos leões – então vá pelo seu caminho. Não
andem em caminhos batidos feito ovelhas; um após o outro. Não sigam nenhum
caminho. Leões, não seguem um ao outro como as ovelhas.
A maioria das pessoas são ovelhas, seguem pastores pelo mundo
todo. A religião começou com pastores e as pessoas os seguem como ovelhas.
Mas aonde vocês forem serão leões, e não há caminhos para leões. Onde o leão
andar, é o caminho. Para o leão o não-caminho, é o único caminho. Então não se
coloque no meio de ovelhas precisando de um pastor. O seu caminho é o nãocaminho
– isso é saber quem você é. Isto é não seguir como uma ovelha. Este é
um novo caminho, decididamente desconhecido. Uma vez conhecido, isto é bem
conhecido. Aquele que sabe completou o propósito do esforço de toda vida
humana. Ele é feliz e em paz. Ele aproveita ambos: aqui e depois.
Por favor, não se torne uma ovelha. Não siga ninguém. Não olhe aqui
e ali. Não olhe para nenhum lugar. Pare de procurar. Pare toda sua imaginação
pelo futuro e conceitualização do passado. Mantenha seu ser neste momento, que
é um não-momento.
Descubra de onde esse momento vem, de onde o tempo vem, de onde
o pensamento surge, e você verá que você sempre esteve em casa. Você não
precisa de mais nada!"

PAPAJI – Trecho de Satsang
Traduzido em amor e gratidão por Shanti

Sonhos - Por Sadhu Arunachala (Major Alan Chadwick)




“Somos feitos da mesma coisa que os sonhos e nossa curta vida é rodeada por
um sono.”
(Shakespeare)


Shakespeare realmente sabia sobre o que estava falando e isto não era
somente efervescência poética. Maharishi costumava dizer exatamente a mesma
coisa.
Suponho que eu tenha questionado Bhagavan sobre esse assunto com
mais freqüência do que outros, apesar de algumas dúvidas sempre
permanecerem para mim. Ele sempre avisou que assim que uma dúvida fosse
esclarecida, outra surgiria no lugar da primeira, num processo sem fim.
“Mas Baghavan”, eu repetia, “sonhos são desconexos, enquanto que o
estar acordado continua de onde havia parado e é tido por todos como algo
contínuo”.
“Você diz isso nos seus sonhos?” Bhagavan perguntava. “Eles pareciam
perfeitamente consistentes e reais enquanto aconteciam. Somente agora,
enquanto acordado, é que você questiona a realidade da experiência. Isto não tem
lógica.”
Bhagavan se recusava a ver a menor diferença entre os dois estados, e
nisso ele concordava com todos os grandes Videntes Advaitas. Alguns
questionaram se Sankara não teria traçado uma linha de diferença entre estes
dois estados, mas Bhagavan persistentemente negava isto. “Sankara só fez esta
divisão aparente para o propósito de uma exposição mais clara”, Maharishi
explicava.
Mesmo que eu tentasse alterar meu modo de perguntar, a resposta que eu
recebia era sempre a mesma:
“Coloque suas dúvidas dentro do próprio sonho. Você não questiona o estar
acordado quando você está acordado, você o aceita. E o aceita da mesma
maneira que você aceita os seus sonhos. Vá além desses dois estados, e do
terceiro – o sono profundo. Estude-os a partir daquele ponto de vista. Você está
estudando uma limitação do ponto de vista de outra limitação. Poderia algo ser
mais absurdo? Vá além de todas as limitações, e então volte com suas dúvidas.”
Apesar disso, as dúvidas ainda permaneciam. De algum jeito, eu sentia,
enquanto sonhava, que havia algo de irreal nos sonhos; não era sempre, mas
alguns lampejos vez ou outra.
“Isso também não vive acontecendo com você enquanto você está
acordado?” Bhagavan perguntava. “Às vezes você não sente que o mundo em
que você vive e as coisas que estão acontecendo não são reais?”
Mais uma vez, apesar de tudo isso, a dúvida persistia.
Porém, em uma manhã, me aproximei do Baghavan e, para seu
encantamento, entreguei-lhe um papel, onde estava escrito o seguinte:
“Bhagavan se lembra que eu expressei minhas dúvidas sobre a
semelhança entre o sonhar e o estar acordado. Na manhã de hoje, a maior parte
dessas dúvidas foram esclarecidas pelo seguinte sonho, que me pareceu
particularmente objetivo e real:
Eu estava discutindo filosofia com alguém e pontuei que todas as
experiências eram subjetivas, e que não havia nada além da mente. A outra
pessoa negava, mostrando o quão sólido as coisas eram e quão reais as
experiências pareciam, e que isso não poderia ser somente imaginação.
Eu respondia: ‘Não, nada é mais do que um sonho. Sonhar e estar
acordado são exatamente a mesma coisa.’
‘Você diz isso agora’, ele respondeu, ‘mas você nunca diria uma coisa
dessas no seu sonho.’
E então, eu acordei.”
De “Call Divine”, Março de 1954
(Tradução livre: Dênis Elias)

sábado, 18 de abril de 2009

No amor ... - (Jalaluddin Rumi)


"Sai do círculo do tempo
e entra no círculo do amor.
Desce à rua das tavernas
e senta entre os beberrões.

Se queres a visão secreta,
fecha teus olhos.
Se desejas um abraço,
abre teu peito.

Se anseias por uma face com vida,
rompe este rosto de pedra.
Por que hás de pagar o dote da vida
a essa velha bruxa, a terra?

Mil gerações já gozaram
do que agora tens.
Prova a doçura em tua boca
que antes foi flor, abelha e mel.

Vamos, aceita esta pechincha:
dá uma única vida
e leva uma centena."




"Existe melhor solução que a loucura?
Cem âncoras despedaçadas por causa da loucura.

Quantos pela razão se tornaram infiéis?
Alguém jamais viste infiel por loucura?

A tristeza engordou, então vai, torna-te louco,
A tristeza definha por causa da loucura.

À taverna aonde vão os loucos de amor,
Vá logo, e toma da taça oferecida pela loucura.

Infelizes, foram eles, e sem nenhum proveito,
Os sultões turcos, privados da loucura.

Felizes e vitoriosos, amados da fortuna,
os ginetes guerreiros, por causa da loucura.

Tu sobes aos céus, semelhante à Jesus,
Se tens por auxílio a pluma da loucura.

Ó tu, Chams de Tabriz, impelido por teu amor,
Cem portas se me abriram pela loucura"




"Dentro deste mundo há outro mundo
impermeável às palavras.
Nele, nem a vida teme a morte,
nem a primavera dá lugar ao outono.

Histórias e lendas surgem dos tetos e paredes,
até mesmo as rochas e as árvores exalam poesia.
Aqui, a coruja transforma-se em pavão,
o lobo, em belo pastor.

Para mudar a paisagem, basta mudar o que sentes;
e se queres passear por esses lugares,
basta expressar o desejo

Fixa o olhar no deseto de espinhos
Já é agora um jardim florido!
Vês aquele bloco de pedra no chão?
já se move e dele surge a mina de rubi

Lava tuas mãos e teu rosto
nas águas deste lugar,
que aqui te preparam um fauto naquete.
Aqui, todo ser gera um anjo;
e quando me vêem subindo aos céus
os cadáveres retornam à vida.

Decerto viste as árvores crescendo da terra,
mas quem há de ter visto o nascimento do Paraíso?
Viste também as águas dos mares e rios,
mas quem há de ter visto nascer
de uma única gota d'agua
uma centúria de guerreiros?

Quem haveria de imaginar essa morada,
esse céu, esse jardim do paraíso?
Tu, que ouves este poema, traduze-o.
Diz a todos o que aprendeste neste lugar"




Sama III/IV
"Viemos girando
do Nada, espalhando estrelas como pó.
As estrelas puseram-se em círculo
e nós ao centro dançamos com elas.
Como a pedra do moinho,
em torno de Deus
gira a roda do céu.
SEGURA UM RAIO DESSA RODA E TERÁS A MÃO DECEPADA!!

Girando e girando
essa roda dissolve todo e qualquer apego.
- Não estivesse apaixonada, ela mesma gritaria - BASTA! até quando há de seguir esse giro?
Cada átomo gira desnorteado, mendigos circulam entre as mesas,
cães rondam um pedaço de carne,
o amante gira em torno
de seu próprio coração.

Envergonhada diante de tanta beleza,
giro ao redor de minha vergonha.

Vem!
Ouve a música do Sama.
Vem unir-te ao som dos tambores! aqui celebramos:
Somos todos a verdade!

Em êxtase estamos.
Embriagados, sim, mas de um vinho que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós em nada parecerá ao que somos.
Giramos e giramos em êxtase.
esta é anoite do Sama
Há luz agora - Luz! Luz!

Eis o Amor verdadeiro
Que diz à mente: adeus.
Este é o dia do adeus.
- Adeus! Adeus!

Todo coração que arde
nesta noite
é amigo da música.

Ardendo por teus lábios
meu coração
transborda de minha boca.

Silêncio!
És feito de pensamento, afeto e paixão.
O que sobra é nada além de carne e ossos.

Por que nos falam de templos de oração, de atos piedosos?
Somos o caçador e a caça,
outono e primavera, noite e dia,
o Visível e o Invisível
Somos o tesouro do espírito.
Somos a alma do mundo,
livres do peso que vergasta o corpo.
Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço
nem mesmo da terra que pisamos.
No amor fomos gerados,
No amor nascemos."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Qualquer caminho é apenas um caminho, e não há ofensa para si ou para outro em abandoná-lo se é isto que o seu coração diz a você...
Olhe para cada caminho bem de perto, estudando-o cuidadosamente.
Experimente-o quantas vezes achar necessário.
Então pergunte a você mesmo, e somente a você mesmo uma questão: "Esse caminho tem um coração? Se ele tem, é um bom caminho; se não tem, é inútil".
D. Juan, "brujo" Yaqui, orientador de Carlos Castañeda

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Amor - (Khalil Gibran)



~ O Amor ~
(Gibran Kahlil Gibran)
"Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança."