quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Moola mantra - (Deva Premal)

O Moola Mantra é uma benção Divina . Você não precisa ser devoto de Sri Amma e Sri Bhagavan para receber esta Graça, mas você precisa invocá-la com o coração.

A benção Divina do Moola Mantra é para todos aqueles que estão buscando o fim do sofrimento e que aspiram atingir um estado elevado de consciência ou iluminação. O Moola Mantra contém a natureza de Deus e da criação.

Aum Sat-Chit Ananda Parabrahma,
Purushotama, Paramatma,
Sri Bhagavathi Sametha,
Sri Bhagavathe Namaha



Aum/Om – Som original do Universo
Sat – Existência
Chit - Consciência
Ananda – Benção
Parabrahma –O maior de todos, Deus, O-sem-forma, Aquele que está além do espaço e do tempo
Purushotama – O Deus manifestado (Jesus, Buddha, Kalki)
Paramatma – O Divino em nosso coração
Sri – Palavra que designa tratamento cerimonioso a uma alta consciência
Bhagavathi – O aspecto feminino do Divino
Sametha – Em conexão com
Bhagavethe – O aspecto masculino do Divino
Namaha – Eu me entrego, reverencio tudo isto



A SENSE OF WONDER (video)



Environmentally concerned schoolchildren join the internationally celebrated 'Chinmaya Dunster and the Celtic Ragas Band', to read their poems about nature at this 'CONCERT FOR INDIA'S ENVIRONMENT'in Pune, India.

'Awakening' - (Deva Premal and Miten live 2008 with Manose)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Aprendendo a ouvir - (Tomas Downey)

“Aprender a ouvir” soa tão simples. Mesmo assim, ouvir conscientemente requer força de vontade. Podemos ouvir um som, mas não capta-lo conscientemente. Pode-se perguntar, “Ouviu aquilo? O que era?” Respondemos que achamos ter ouvido alguma coisa, mas não temos idéia do que.

Algumas vezes, nossas vidas podem ser assim, escutando mas não ouvindo. Repentinamente, sentimo-nos surpresos, chocados ou atônitos pelo que está acontecendo ao nosso redor ou conosco, como se tivesse vindo de nenhum lugar, sem aviso. Podemos procurar um amigo de confiança, que pode recomendar que falemos com outros, talvez um professor, um conselheiro ou um doutor.

Basicamente, de amigos confiáveis, a conselheiros respeitáveis e a especialistas recomendados, é o ato de ouvir que lhes permite ajudar, cada um de sua maneira. Ouvindo não apenas o que dizemos, mas o como estamos. Todavia, mesmo quando tentam nos ajudar, cada um deve ter uma visão ou interesse em nossa situação, inteligível e limitada. Então, porque não aprender a ouvir a nós mesmos?

Apesar de cada aspecto da vida oferecer a oportunidade de ouvir e aprender, freqüentemente não permitimos que isto aconteça por causa dos nossos padrões habituais, que trazem para nossa memória eventos passados e associações para referência. Então, com freqüência agimos de acordo com o que costumava acontecer, ao invés de agir de acordo com o que está acontecendo. Isto pode ser chamado de “mente velha”, uma mente que não está aberta para novas maneiras de pensar, ver ou agir. Algumas vezes estamos simplesmente preocupados com os pensamentos desta mente velha.

Veja o exemplo de ir a um concerto musical com um amigo, que está perdido em pensamentos durante a maior parte do espetáculo e assim, não está apreciando a apresentação ou o som do violino. Ele está, em conseqüência, perdendo algo bem na sua frente. Ou, se alguém próximo a nós está tentando abordar um assunto sensível, estamos completamente presentes para ele?

Se nosso corpo envia indicações de problemas potenciais, apenas ignoramos? E o mais importante, se nosso coração está oferecendo conselho, estamos muito ocupados para sermos incomodados?

“Ouvir verdadeiramente significa que podemos receber de qualquer fonte – grandes professores, um conhecido, um estranho, um animal, uma planta, uma montanha.” Com efeito, podemos aprender com todos e tudo. E, claro, isto inclui a nós mesmos.

Entretanto, a fonte mais importante está dentro de nós, não fora. “Aprender a ouvir é o passo mais importante na direção de estar preparado para encontrar a ‘fonte especial’, que reside em nosso coração. Mas não é sempre fácil. Quanto mais pensamos que sabemos de algo, menos tendemos a ouvir”. De alguma forma, parece que perdemos nossa conexão, nossa ligação com nosso próprio coração.

Podemos imaginar nosso coração como um jardim, um castelo, um topo de montanha ou uma ilha. Arbustos sombrios, guardas ferozes, espíritos assustadores ou um oceano turbulento podem cercar nosso coração. Podemos nos ver vagando a esmo por caminhos incertos de nosso coração, tentando encontrar um caminho para casa. Aprender a ouvir pode, gradualmente, nos levar a descobrir o caminho direto de volta ao nosso coração.

Isto destaca um interessante aspecto sobre ouvir: na maioria das vezes, precisamos de alguém ou de algo que ajude nossa capacidade de ouvir a crescer e a desenvolver. Eles nos ajudam a parar, pausar ou pelo menos diminuir a velocidade e prestar atenção para uma mudança, mesmo que breve. Um ‘alguém’ normalmente auxilia mais do que um “algo”. Um péssimo acidente no trânsito pode nos fazer dar mais valor para a preciosidade da vida. Mas é um bom amigo ou um professor que nos ajudará a construir essa avaliação, trazendo mais discernimento.

Nossa capacidade de ouvir, não do hábito, mas do estar presente no momento, é “adquirida lentamente, por um processo que possui dois componentes – um espelho e alguém olhando dentro dele”. Alguém em quem confiamos e respeitamos pode atuar como um espelho, refletindo como nós estamos. Mas devemos estar desejosos para olhar nosso próprio reflexo. Além disto, não devemos confundir o ‘espelho’ e a nossa imagem refletida nele.

Essa confusão acontece com freqüência, quando desenvolvemos um relacionamento de muita confiança com um conselheiro ou professor. Sua função é principalmente nos ajudar a encontrar nosso caminho e não necessariamente ser um amigo sempre sorridente. Assim, agindo como um espelho para nós, um amigo ou um professor pode refletir coisas que de outro modo não veríamos ou relacionaríamos. Em resposta, podemos ficar bravos com eles. Além de escolher nosso conselheiro sabiamente, devemos ser sábios conosco, sobre o que estamos realmente procurando. Não podemos ficar dependentes de um conselheiro. Igualmente importante, um verdadeiro professor não encoraja a dependência, mas sim a independência.

Através de um relacionamento estudante-professor, baseado em respeito mútuo e verdade, a capacidade de ouvir será desenvolvida e perceberemos coisas que não reparamos antes.

Com a orientação de um bom professor, há muitos meios ou ferramentas que podemos usar para desenvolver nossa capacidade de ouvir. Por exemplo, empenhar-se em uma prática com movimentos especiais do corpo, onde nossa atenção esteja voltada para praticar somente de uma forma que seja adequadamente benéfica para nós.

Ouça o seu corpo. Onde o alongamento se torna tensão? Como fazer algo dez vezes, ao invés de 5, deixa você no dia seguinte? Simplesmente observar, ouvir e prestar atenção às mensagens do seu corpo, é uma prática que vale a pena por si só. Com freqüência, precisamos diminuir um pouco o ritmo, tanto mental quanto físico, para fazer isto direito. Nosso senso de estabilidade, assim como a flexibilidade, aumenta.

Ouça a sua respiração. Ficando à vontade com o nosso corpo, naturalmente tendemos a ficar mais atentos à nossa respiração. Isto é extremamente útil no desenvolvimento da nossa capacidade de ouvir. A respiração é uma ligação tanto consciente quanto inconsciente entre a mente e o corpo. Uma respiração irregular revela uma mente ou corpo que não está relaxado de alguma forma. Trabalhar conscientemente com a respiração, em harmonia com o movimento, promove o aumento da consciência de si mesmo e facilita o relaxamento. Nos sentimos mais arranjados com nós mesmos.

Ouça a sua mente. Enquanto progredimos no aprendizado de relaxar nosso corpo e respiração, nossa mente aprende a relaxar também. Se feito adequadamente, permite a “atenção sem tensão”. Começamos a ouvir em um nível mais interior, com crescente claridade. Pensamentos vêm e vão, cada vez com menos distrações.

Ouça seu coração. Uma forma muito bela e fascinante de unir intuitivamente o corpo, a respiração e a mente é trabalhar com sons. Cantar sons sagrados, ou frases com significado para nós, traz uma atmosfera inteiramente nova para nossa mente. De todas as ferramentas, parece a mais capaz de acalmar e focar a mente, ao mesmo tempo em que toca e abre o coração. Um movimento sutil, mas profundo, em nossa percepção de ser, acontece da cabeça para o coração. Não há nada mais profundo ou central do que isso. Gradualmente, nosso corpo, respiração e mente tornam-se partes chaves do sistema de apoio nessa jornada, ao invés de obstáculos ou distrações.

Ouça o seu mundo e tudo o que acontece nele. Aprendemos a ‘estar aqui por nós mesmos’. Agora, podemos aprender a ‘ estar lá pelo outros’ também.

A jornada de aprender a ouvir, com freqüência, requer um “ardente, progressivo e ininterrupto compromisso durante um extenso período de tempo”. Uma vez que isto seja feito com facilidade, talvez até sem esforço, continua como uma parte saudável e natural de ser quem somos.

Essas são apenas uma poucas abordagens para desenvolver e explorar nossa habilidade natural de ouvir.

Aprender é ouvir e ouvir é aprender sobre o nosso mundo, sobre nós mesmos. Que possa toda nossa audição nos levar para o mais espetacular local de escuta que há – nosso coração.

Todas as citações e paráfrases são de um pequeno e maravilhoso livro titulado “O que Estamos Procurando”, “What Are We Seeking” de T.K.V. Desikachar, que inspirou este artigo.

Estar no Agora - (Cláudio Roberto Freire de Azevedo)


Sempre que me percebo vivendo o agora,
Na mesma perspectiva do ontem,
Esqueço de perceber o novo.

Preso num raciocínio de retaliações históricas,
Deixo de criar possibilidades de ser diferente.
Vivendo um pânico de um futuro sombrio,
Esqueço de no presente vibrar a paz.

Eu sou mudando... O homem é um vir a ser...
Por que não me construir a cada momento?
Fazer uma escolha diferente?
Descobrir que algo não funcionou direito e
Redirecionar meu caminho?

Deveria construir a cada momento o meu presente...
Enxergar o que está acontecendo.
Pois aquilo que é, no segundo seguinte pode deixar de ser.

Por que invadir o espaço dos outros
Ou deixar que invadam o meu?
O ajuste é constante, no estabelecimento de fronteiras.
Pois tudo é impermanente...
O processo de existir é um crescimento e mudança contínuos.

Qual a minha capacidade de acolher o outro?
O diferente?
Como buscar a unidade na diversidade
Para acolher o todo, que contém todas as diferenças?

O homem é um ser de escolha, responsável pela vida.
É autor e ator de sua existência.
A mudança ocorre quando, paradoxalmente,
O indivíduo se torna o que ele é...
(teoria paradoxal da mudança).

Se estamos conscientes, podemos a cada momento escolher (intenção).
Se escolho, sou responsável, sou um ser histórico.
O que está acontecendo, como está acontecendo,
PARA QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Se a cada momento percebo o que me cabe,
E faço a minha parte
Contribuo para a evolução planetária, pois
Se sou responsável por mim, sou responsável pelo todo.

Meditar não é feito somente estaticamente,
Meditar é viver a plenitude, do levantar ao deitar,
escovar os dentes, vestir-me, comer, trabalhar:
VIVER O PRESENTE.
Observar tudo o que passa conosco, saborear.

Pois...
O passado só serve se o olharmos com a perspectiva futura do ainda não realizado.

Assim mesmo ... - (Madre Teresa de Calcutá)

Muitas vezes, o povo é egocêntrico, ilógico e insensato.
Perdoe-o, assim mesmo.
Se você é gentil, o povo pode acusá-la de egoísta e interesseira.
Seja gentil, assim mesmo.
Se você for um vencedor,
terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença, assim mesmo.
Se você é honesta e franca, o povo pode enganá-la.
Seja honesta e franca, assim mesmo.
O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa, assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja.
Seja feliz, assim mesmo.
O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã.
Faça o bem, assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você, assim mesmo.
Veja você que, no fim das contas, é entre você e Deus.

Nunca foi entre você e o povo...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Baba Hanuman - (Krishna Das)



Baba Hanuman
Namo... Namo...Anjaninandanaaya
I bow, I bow again and again to Anjani's son, Hanuman
Jaya Seeyaa Raama, Jai Jai Hanumaan
Victory to Sita and Ram, Victory to Hanuman
Victory over the darkness of suffering...
Jaya Bajrangbalee, Baba Hanuman
Victory to the one with the body of a thunderbolt
My Baba, Hanuman.
Sankata Mochan kripaa nidhaan
You are home of all Grace.
Destroy all my problems, calamities and sufferings.
Jai Jai Jai Hanuman Gosaaee
Hail My Lord Hanuman
Kripaa karahu Gurudeva kee naaee
You are my Guru, bestow your Grace on me.
Sankata Mochan kripaa nidhaan,
You are the destroyer of Suffering, the abode of Grace
Laala Langotta, Laala Nishaan
You wear a red langotta and carry a red flag
Hare Raama Raama Raama, Seetaa Raama Raama Raama

Let the river of these Names take you...
Let yourself float in the beauty of your own heart
into the ocean of Love that fills all space,
that ALWAYS is...
that ONLY is.
When we know ourselves to be That,
then we can be This too.
Then we can play,
We are free and bound in the same breath,
The breath of the One breathes in us.
It's OK to be messed up, to feel small and sad and hurt
with no hope of ever seeing a good day.
It's OK to forget, to be forgotten,
to be left behind,
It's OK to be betrayed, strung out on everything
that everyone has ever done to us and we can't ever forgive...
Because
The breath of the One breathes in us.
Breathes us.
Even when we don't know.

Where is this One? How can we find that One?
The Saints say that the One is hidden in the Name.
The Divine Name. The name of Love.
And that by constant repetition,
gradually but INEVITABLY
the Presence that is hidden in the Name reveals itself!
Where? In our own hearts!
The medicine of the Name
hidden in the sugar syrup of music
begins to cure us of our sadness;
begins to cure us of our fascination with STUFF;
to cure us of thinking that happiness will come to us from the outside;
that if we have just one more hit; a better car;
a more beautiful lover, or more beautiful lovers;
a good relationship; a better relationship; ANY! relationship;
it will be enough.
When the Buddha came out of the jungle after His Enlightenment,
he said, "YO! Monks...guess what? Stuff doesn't make you happy.
The nature of stuff is that it will be NEVER be enough!
Or something like that...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Gratidão - (Osho)


Uma noite sem abrigo
A partir do momento em que uma pessoa é capaz de ser grata tanto pelo sofrimento quanto pelo prazer, sem qualquer distinção, sem nenhuma escolha, apenas sendo garto por aquilo que lhe é dado... Porque se foi dado por deus, deve haver uma razão para isso. Podemos gostar ou podemos não gostar, mas isso deve ser necessário para o nosso crescimento.
Inverno e verão são ambos necessários para o crescimento. Uma vez que essa idéia se fundamenta no coração, então cada momento de vida é um momento de gratidão. Deixe que isso se torne sua meditação e sua oração: Agradeça a deus por cada momento: pelos risos, pelas lágrimas, por tudo. Assim você verá surgir um silêncio em seu coração que você não conhecia antes. Isso é o êxtase.


A primeira coisa é aceitar a vida como ela é. Aceitando-a, o desejo desaparece. Aceitando a vida como ela é, a tensão desaparece, o descontentamento desaparece; aceitando-a como ela é, a pessoa começa a sentir -se muito alegre – sem nenhum motivo aparente!
Quando a alegria tem um motivo, esta não vai durar muito tempo. Quando alegria é sem razão, ela vai estar aí para sempre.
Isso aconteceu na vida de uma mulher Zen muito conhecida. O nome dela era Rengetsu. Muito poucas mulheres alcançaram o supremo no Zen. Essa é uma dessas raras mulheres.
Ela estava numa peregrinação e chegou numa vila ao pôr do sol e pediu abrigo para a noite, mas os vilarejos fecharam suas portas. Eles eram contra Zen. O Zen é tão revolucionário, tão totalmente rebelde, que é muito difícil aceitá-lo. Aceitando-o você vai ser transformado; aceitar o Zen será como passar através do fogo, você nunca mais será o mesmo novamente. Pessoas conservadoras sempre foram contra tudo que é verdadeiro na religião. Tradição é tudo que é inverídico na religião. Então esses moradores do vilarejo deviam ser os Budistas tradicionais, e não permitiram que essa mulher ficasse na cidade, eles a mandaram embora.
Era uma noite fria, e já velha, estava sem abrigo, e faminta. Teve que improvisar um abrigo debaixo de uma cerejeira nos campos. Estava realmente bem frio, e ela não conseguiu dormir bem. E era também perigoso – animais selvagens e tudo mais. A meia-noite ela acordou – devido ao frio intenso - e viu, no céu noturno, as flores abertas da cerejeira sorrindo para a lua enevoada. Tomada pela beleza, ela levantou-se e curvou-se na direção da vila, em sinal de agradecimento, com essas palavras:
Através de sua bondade ao recusar-me abrigo descobri-me sob as flores na noite desta lua enevoada.
Ela se sente agradecida. Cheia de gratidão, agradece aquelas pessoas que lhe recusaram abrigo. Do contrário estaria dormindo sob um teto comum e teria perdido essa bênção – o cerejeiro florido, esse sussuro com a lua enevoada, e o silêncio da noite, esse profundo silêncio da noite. Não está zangada, ela aceita o que aconteceu. Não só aceita-o, o recebe com boas vindas, ela sente-se grata. A pessoa torna-se um buda quando aceita tudo que a vida traz, com gratidão.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Revelando o segredo do verdadeiro sucesso - (Osho)

Quando é manhã, é manhã. Quando é tarde, é tarde. Não há questão de escolha. Deixe a escolha de lado e você estará livre em toda parte - A liberdade só pode vir da não-escolha. Então quando você for jovem, isso é belo; quando for uma criança, isso é bonito; quando for velho, isso é bonito; quando estiver morrendo, isso é belo - porque você nunca se separa do todo, você é apenas uma onda no oceano.

A onda no oceano pode começar a pensar em si mesma como um indivíduo, mas assim estará com problemas. A onda no oceano nunca pensa em si mesma como algo em separado. Então, onde quer que o oceano a leve, ela vai de boa vontade, alegre, movendo-se em um bailado naquela direção.


Uma canção do místico Kabir:
Converso com meu amor interior e digo, por que tanta pressa? Sentimos que há algum tipo de espírito que ama os pássaros, os animais e as formigas – talvez o mesmo que lhe deu uma centelha no útero de sua mãe. Você acha lógico estar andando inteiramente órfão agora? A verdade é que você mesmo afastou-se e decidiu ir sozinho para a escuridão. Agora está emaranhado em outros e esqueceu o que uma vez sabia, e é por isso que tudo que você faz tem em si algum tipo de falha estranha.

As coisas acontecem quando precisam acontecer. As coisas estão destinadas a acontecer no momento necessário. Tudo está indo bem – basta confiar. Lembre-se da diferença. O teólogo dirá: “Acredite no conceito de Deus.” O místico diz que não há necessidade de acreditar no conceito de Deus, apenas sentir a harmonia na existência. Isso não é um conceito, não é uma crença, é possível senti-lo, está em toda parte. É quase tangível.

No momento em que você acredita ser um com o todo, há um relaxamento, subitamente há um fluir acontece, você não precisa se controlar, você pode relaxar. Não há necessidade de ficar tenso, porque não há nenhuma meta pessoal a ser atingida por você. Você flui com Deus. O objetivo de Deus é o seu objetivo, o destino dele é o seu.

Você não tem um destino privado – é esse destino privado que traz problemas. Você não percebeu isso na sua própria vida? Tudo aquilo que você faz resulta em fracasso. Você ainda não conseguiu entender – você acredita que não fez as coisa da forma correta e por isso fracassou. Então tenta um outro projeto e fracassa novamente. Nessa hora você acha que suas habilidades não são boas o bastante, então parte para melhorar suas habilidade e fracassa novamente. Depois você pensa “O mundo inteiro está contra mim” ou “O destino está contra mim”, ou ainda “Sou uma vítima da inveja dos outros”. Você continuará encontrando explicações para seus fracassos, mas nunca irá compreender os motivos reais.

Kabir diz: o fracasso significa você-menos-Deus. Esse é o entendimento de Kabir. O fracasso é igual a você-menos-Deus, e o sucesso é igual a você-mais-Deus. O sucesso está dentro de Deus e com Deus. E, lembre-se, quando digo “Deus” não estou falando de uma pessoa sentada em algum paraíso, mas do espírito cósmico, da lei que permeia toda a existência. A lei a partir da qual você nasceu e para a qual um dia irá retornar.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Excertos do livro Eu sou Aquilo - Nisargadatta Maharaj

O mundo existe somente como um sonho em minha
Consciência
O que quer que tenha uma forma se constitui tão somente
de limitações imaginadas em minha consciência.


Por si mesmo nada tem existência. Tudo precisa de sua própria ausência.
Ser, é ser distinguível, estar aqui e não lá, é ser agora e não depois, ser assim e não
assado. Como a água é moldada pelo contêiner, assim também todas as coisas são
determinadas por suas condições (Gunas) (15).
Puro Ser, preenchendo tudo e além de tudo, não é a existência, a qual é
limitada. Toda limitação é imaginária, somente o ilimitado é real. (355).
O mundo não é senão, um show, um faz de conta.
O mundo é somente um show, cheio de glitter e vazio. Ele é, e ao mesmo
tempo não é. Ele está lá pelo tempo que eu queira vê-lo e tomar parte nele. Quando eu
deixo de me importar, ele se dissolve. Ele não tem qualquer causa e não serve a
qualquer propósito. Ele só acontece quando estamos mentalmente-ausentes. Ele se
parece exatamente com o que é, mas não há qualquer profundidade nele, qualquer
sentido. Somente o sobre-observador é real, chame-o Eu ou Atma. Para o Ser, o
mundo não é mais que um show colorido, o qual ele curte “infinitamente” enquanto
2
dure, e o esquece quando ele se vai. O que quer que aconteça no palco o faz encolherse
aterrorizado ou rolar no chão de rir, e ainda assim todo o tempo ele está atento de
que tudo é apenas um show. Sem desejo ou medo, ele o aprecia tal qual ele se
apresenta. (178-9)
O universo é um palco sobre o qual um drama mundial está sendo
representado. A qualidade da performance é tudo o que importa; não o que o ator diga
ou faça, mas como ele o faz e diz. Desportistas parecem fazer um tremendo esforço:
ainda assim seu único e inconfundível motivo (leit-motive), são jogar e mostrar (95)
Tudo acontece como é necessário, e ainda assim nada acontece. Eu faço o
que parece ser o necessário, mas ao mesmo tempo eu sei que nada é necessário, que a
vida em si mesma é uma fantasia.(191)
Você me vê aparentemente funcionando. Na realidade, eu somente olho. O
que quer que seja feito, é feito no palco. Contentamento e tristeza, vida e morte, eles
todos são reais para o homem delimitado; para mim, eles estão todos no show, tão
irreais quanto ao show em si mesmo. Eu posso perceber o mundo como você, mas
você acredita estar nele, enquanto eu o vejo como uma gota iridescente na vasta
extensão da consciência.(179)
Tudo o que vive, trabalha para perpetuar e expandir a consciência. Este é
todo o significado e propósito do mundo. Ë a verdadeira essência do Yoga - sempre
elevando o nível de consciência, descoberta de novas dimensões, com suas
propriedades, qualidades e poderes. Neste sentido, o universo inteiro se torna uma
escola de Yoga. (275)
De uma lâmpada de ouro, você pode fazer muitos ornamentos – cada um
permanecerá como ouro. Similarmente, em qualquer que seja o papel que eu possa
estar desempenhando e qualquer função que eu possa representar – eu permaneço o
que sou: o “Eu sou” imovível, imperturbável, independente. O que voe chama de
universo, natureza, é minha criatividade espontânea. O que quer que aconteça,
acontece. Mas minha natureza é tal que tudo termina em contentamento. (138)
O Mundo que eu percebo é inteiramente privado, um sonho.
O mundo que você percebe é de fato um mundo pequeno. E ele é
inteiramente privado. Tome-o como um sonho e acabe com ele. Não é a idéia de um
mundo total uma parte de seu mundo pessoal? O universo não vem para dizer-; que
você é parte dele. É você quem inventou uma totalidade para contê-lo como uma parte.
Na verdade tudo o que você conhece é seu próprio mundo privado, não importa quão
belamente você o tenha mobiliado com suas imaginações e expectativas. (23)
3
Este mundo é pintado por você sobre a tela da consciência e é inteiramente
seu próprio mundo privado. (200)
Conhecer o filme como o jogo de luz sobre a tela, dá liberdade da idéia de
que o filme é real. (338)
Considere. O mundo no qual você vive, quem mais sabe sobre ele? Dentro
da prisão de seu mundo aparece um homem que lhe diz que o mundo de dolorosas
contradições, o qual você criou, não é nem contínuo nem permanente e está baseado
em um mal-entendido. Ele peleja com você para que você o abandone. Você entra nele
esquecendo do que você é, e você sairá dele conhecendo a si mesmo como você é. Não
há qualquer realidade nele. Ele não perdura. (45)
O mundo não tem qualquer existência separada de você. A cada momento
ele não é senão um reflexo de você mesmo. Você o cria, você o destrói. Seu universo
pessoal não existe por si mesmo. Essa é uma visão limitada e distorcida do real. (94)
Você não é do mundo, você nem mesmo está no mundo. O mundo não é,
você sozinho é. Você cria o mundo em sua imaginação como um sonho. Como você
não pode separar o sonho de si mesmo, assim também você não pode ter um mundo
exterior independente de sua existência. Você é independente, não o mundo. Não
tenha medo de um mundo que você mesmo criou. (453)
Busque e você descobrirá a Pessoa Universal, a qual é você mesmo e
infinitamente mais. De qualquer modo, comece realizando que o mundo está em você,
e não você nele. Seu corpo pessoal é uma parte na qual o todo está maravilhosamente
refletido. Mas você tem também um corpo universal. Você nem mesmo pode dizer que
não o conhece, porque você o vê e o experiencia todo o tempo. Somente você o chama
de “o mundo” e está com medo dele. Ambos anatomia e astronomia descrevem você.
Você conhece o mundo exatamente como você conhece seu corpo – através dos
sentidos. É sua mente que separou o mundo de fora de sua pele do mundo de dentro e
os colocou em oposição. (309-10)
O mundo não é mais que o reflexo de minha imaginação. O que quer que
eu queira ver, eu posso ver. Mas porque eu deveria inventar padrões de criação,
evolução e destruição? Eu não preciso delas. O mundo está em mim, o mundo sou eu
mesmo. Eu não tenho medo dele e nem qualquer desejo de trancá-lo em um filme
mental. (28)
Imagine-se em uma densa floresta cheia de tigres e você em uma forte cela
de aço. Sabendo-se bem protegido pela cela, você assiste aos tigres sem medo. A
seguir, você encontra os tigres na cela e você perambulando na floresta. Finalmente, a
cela desaparece e você monta os tigres! (476-7)
O que eu pareço ser para você existe apenas em sua mente. Eu sou um
sonho que pode acordá-lo. Você terá de provar dele em seu próprio acordar. (181)
4
Desista de tudo e você ganhará tudo. Então a vida torna-se aquilo que se supõem que
ela seja: pura radiação de uma fonte inexaurível. Nessa luz o mundo aparece difuso
como num sonho. (257)
Desejo e medo vêm da visão do mundo como separado de mim mesmo.
Assim como você pensa ser do mesmo modo você pensa que o mundo
seja. Se você imagina-se separado do mundo, o mundo aparecerá como separado de ti
e você experimentará desejo e medo. Eu não vejo o mundo como separado de mim e
assim não há nada para eu desejar ou temer. (123)
Não há caos no mundo, exceto o caos que você cria em sua mente. Ele é
autocriado no sentido de que em seu verdadeiro centro há uma idéia de si mesmo
como algo diferente e separado das outras coisas. Na realidade você não é nem uma
coisa nem separado. (121)
Enquanto eu vir o sonho como real, eu sofrerei sendo escravo dele.
Ambos sono e vigília são nomes errôneos. Nós estamos apenas sonhando.
Só o gnani conhece a verdadeira vigília e o verdadeiro sono. Nós sonhamos que
estamos acordados, nos sonhamos que estamos dormindo. Os três estados são somente
variedades de estados de sono. Tratar tudo como um sonho libera. Quando voe
empresta realidade aos sonhos você torna-se escravo deles. Por imaginar que você
nasceu, assim e tal, você se torna escravo desse assim e tal. A essência da escravidão é
imaginar a si mesmo como sendo um processo, que tem passado e futuro, que tem
história. Na verdade nós não temos história, não somos um processo, não
desenvolvemos, não decaímos; assim veja tudo como um sonho e permaneça fora
dele.(189)
Saber que você é um prisioneiro de sua mente, que você vive em um
mundo imaginário, de sua própria criação é o lago da sabedoria. (426)
A causa do sofrimento está na identificação do percebedor com o
percebido. É dele que nasce o desejo, e com o desejo a ação cega, de resultados
impensáveis. Olhe ao redor e você verá – o sofrimento é uma coisa feita pelo homem.
(381)
Ninguém sofre em um filme, somente a pessoa identifica-se com ele. Não
se identifique com o mundo e você não sofrerá. (156)
Enquanto ele dura, o sonho tem um ser temporal. É seu desejo de mantêlo,
que cria o problema. Deixe ir. Pare de imaginar que o sonho é seu. (257)
5
Deixe o filme desenrolar-se até o verdadeiro fim. Você não pode ajudá-lo.
Mas você pode reconhecer que o sonho é um sonho, e não carimbá-lo com o selo de
realidade.(258)
No presente você está perdido, e, portanto em perigo, pois para um
perdido, a qualquer momento algo pode acontecer. É melhor acordar e ver sua situação
real. Que você é, você sabe. O que você é, você não sabe. Descubra o que você é.
(474)
Minha intenção de acordá-lo é o link (entre nossos respectivos sonhos). Meu coração
quer que você acorde. Eu vejo você sofrendo em seus sonhos e eu sei que você deve
acordar para terminar seus pesadelos. Quando você vê seu sonho como sonho, você
acorda. Mas em seu sonho eu não estou interessado. É bastante para mim saber que
você deve acordar. Você não precisa trazer seu sonho para uma conclusão definida, ou
torná-lo nobre, ou feliz, ou belo; tudo que você precisa é realizar que você está
sonhando. Pare de imaginar, pare de acreditar. Veja as contradições, as
incongruências, a falsidade e o sofrimento do ente humano, a necessidade de ir além.
Em sonho você ama alguns e não outros. Acordado você descobre que é o próprio
amor, que encampa e inclui tudo. O amor pessoal, não importa quão intenso e genuíno
invariavelmente desaparece; o amor em liberdade é amor por tudo. (258)
Este é o coração da questão: Enquanto você acredita que só o mundo
externo é real, você permanece seu escravo. (424) simplesmente compreenda que o
que você vê não é o que é. Aparências se dissolverão sob a investigação, e a realidade
virá à superfície. Você não precisa queimar a casa para abandoná-lo. Basta sair.
Somente quando você não pode ir e vir livremente que a casa torna-se uma prisão. Eu
me movo para dentro e para fora da consciência fácil e naturalmente, e assim para mim
o mundo é uma casa, não uma prisão. (479)
Nada no sonho é feito por mim.
Enquanto você acreditar que é um corpo, você encontrará (ascribe) causas
para tudo. Eu não estou dizendo que as coisas não tem causas. Cada coisa tem causas
inumeráveis. É como é, porque o mundo é como ele é. Cada causa em suas
ramificações cobre o universo. Não há causas exceto sua ignorância de seu ser real, o
qual é perfeito e além da causação. Pois o que quer que aconteça, todo o universo é
responsável e você é a fonte do universo. (347)
Tudo o que acontece é a causa de tudo o que acontece. As causas são
inúmeras; a idéia de uma causa única é uma ilusão. (398)
6
Porque você fala de ação? Você alguma vez está em ação? Algum poder
desconhecido atua e você imagina que você está agindo. Você está meramente
assistindo o que acontece, sem ser capaz de influenciá-lo de nenhuma forma. (238)
Pare de imaginar a si mesmo como sendo ou fazendo isso ou aquilo, e a
realização de que você é a fonte e o coração de tudo se derramará sobre ti. (3)
O homem sábio não toma nada como sendo seu próprio. Quando em
algum tempo ou lugar algum milagre é atribuído a alguém, ele não estabelecerá
qualquer link causal entre eventos e pessoas, nem permitirá que qualquer conclusão
seja tirada. Tudo acontece como acontece porque tinha de acontecer; tudo acontece
como acontece porque o universo é como ele é. (270)
Você se imagina sendo e fazendo tudo idêntico. Não é assim. A mente e o
corpo movem-se e mudam e causam movimentos e mudanças em outras mentes e
outros corpos, e isso é chamado de fazer, de ação. Eu vejo que é da natureza da ação
criar outra ação, como fogo que continua queimando. Eu não ajo nem sou causa de
outros agirem; eu estou constantemente alerta do que acontece.(398)
Nada é feito por mim, tudo acontece simplesmente. Eu não espero, eu não
planejo, eu simplesmente assisto os eventos acontecendo, sabendo-os irreais.(191)
É como seu gravador. Ele grava, ele reproduz – tudo por si mesmo. Você
somente ouve. Similarmente, eu assisto a tudo que acontece, inclusive meu conversar
com você. Não sou eu quem conversa, as palavras aparecem em minha mente e então
eu as escuto sendo ditas. (433)
O que é feito é um fato, o fazedor é um mero conceito. Sua própria
linguagem mostra que enquanto o feito é certo, o fazedor é dúbio; alternar
responsabilidade é um jogo peculiarmente humano. Considerando a infindável lista de
fatores requeridos para que algo aconteça, só se pode admitir que tudo é responsável
por tudo, não importa quão remoto. O fazer é um mito nascido da ilusão do “eu” e do
“meu”. Eu não sinto que eu esteja falando. Há fala acontecendo, isso é tudo. Você
realmente fala? Você ouve a si mesmo falando e você diz: eu falo. Eu não tenho
qualquer objeção às convenções de sua linguagem, mas elas distorcem e destroem a
realidade. Um modo mais acurado de dizer seria: “Há fala, trabalho, ir e vir”. Para que
qualquer coisa aconteça o universo inteiro deve coincidir. É um erro acreditar que
qualquer coisa em particular possa causar um evento. Toda causa é universal. Eu estou
totalmente alerta de que as coisas acontecem como elas tem de acontecer porque o
mundo é como ele é. Para afetar o curso dos eventos, eu devo trazer um fator novo
para o mundo e tal fator só pode ser eu mesmo, o poder do amor e da compreensão
focalizado em mim. (389)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Meditacao - (Swami Dayananda Saraswati)

Hoje em dia, quando se diz que vai chover no final de semana, as pessoas dizem: “Oh! Más notícias”. Porém, se as chuvas não vierem nunca, você não terá um mau final de semana: terá um mau ano, sem água na torneira. Isso é um condicionamento. É assim que olhamos as coisas. Se isso sou eu, eu sou um sujeito tolo. As nuvens são nuvens, o que há de errado com elas? Cada uma delas está fazendo o seu papel. As leis meteorológicas funcionam: se a atmosfera estiver preparada, a chuva ocorrerá. Se você quer evitar a chuva, faça alguma coisa: pulverize alguma coisa nas nuvens que as faça desaparecer. Mas do que serve ficar reclamando? Se você acha que isso é uma coisa pequena, as coisas pequenas é que nos fazem. A vida é uma seqüência de coisas pequenas. Coisas grandes só raramente ocorrem. E quando elas ocorrem, você não está lá! Nós somos condicionados e reagimos às situações como autômatos. As pessoas dos meios de comunicação também são autômatos. E eles dizem exatamente como devemos proceder.

Meditação é somente você ser a pessoa que você é. Você é dotado de um corpo, de sentidos e de uma mente, que tem memórias, emoções e conhecimentos, e é consciente de todos eles. Você é uma pessoa. Uma pessoa se torna uma personalidade por causa dos medos, ansiedades e muitos outros problemas. Raivas, invejas, inseguranças, tudo isso faz de uma pessoa uma personalidade. Tudo isso é criado por você mesmo. Na meditação você reduz todas as situações a simples fatos. Quando você aceita as situações, elas se tornam simples fatos para você. Quando rejeita as situações, você se torna uma personalidade. O fato é que você é uma pessoa com um corpo, sentidos, uma mente e fora, como objeto de seus sentidos, está o mundo. Quando você apenas vê fatos, você é uma pessoa que não exige nem necessita de coisa alguma. Quando você é uma pessoa que exige ou necessita de alguma coisa, nesse momento está interagindo com o mundo. Quando apenas aprecia o mundo, você é somente você mesmo, e o mundo é como ele é. Você não está exercendo papéis (1). O problema é que cada papel acumula resíduos. Portanto, você tem que neutralizar e remover esses resíduos, para você ser o que é e as coisas serem o que elas são. No processo da meditação os resíduos devidos aos papéis são neutralizados. Meditação é ser independente de papéis. Esse estado de não fazer papéis não é desconhecido para você. Quando olha para as estrelas de noite no céu, que tipo de pessoa você é? É uma pessoa que exige alguma coisa? É uma pessoa com raiva? “Que céu inútil!”. Você diz isso? Você é uma pessoa que quer que o céu seja diferente? Se for, seu problema é mais sério do que eu possa resolver (eu aceito minhas limitações...). Se o céu e as estrelas não evocam em você uma pessoa exigente, então você descobre que é uma pessoa não exigente e apreciativa. Você pode ser essa pessoa em relação a qualquer situação, porque qualquer situação é um fato tanto quanto o céu e as estrelas o são. Da mesma forma como você vê o céu e as estrelas, deve ver as nuvens e a chuva, os vales e as montanhas, os rios e os riachos, os lagos e as lagoas, uma árvore, um inseto ou uma flor. Isso deve ser uma atitude muito natural de sua parte. Se você aprecia essa bela pessoa, que é não exigente e apreciativa, você deve ser essa mesma pessoa em relação às pessoas e às coisas que lhe incomodam. Isso é meditação. Isso põe as coisas como elas são e você como você é. Vamos fazer isso agora.


Meditação conduzida por Swami Dayananda Saraswati

OM...

Sente de forma relaxada.
O relaxamento não é uma coisa física.
Você não faz nada para relaxar.
As pessoas ficam tensas para relaxar,
mas relaxar é somente uma atitude.

Você tem um encontro com você mesmo.
Não necessita de um amigo.
Não necessita de nenhuma fachada,
de nenhum fingimento,
e muito menos de nenhuma tensão.
Você vai ser apenas você mesmo.

Você não é
nem marido nem esposa,
nem mãe nem pai,
nem doutor nem filho,
nem tio nem primo,
nem vizinho nem amigo,
nem empregado nem empregador...
Você é somente uma pessoa.

Você não é
nem pobre nem rico,
nem velho nem moço,
você é somente uma pessoa.
E, portanto, apenas relaxe.

Assim como você está,
sem nenhuma mudança de sua parte,
você pode descobrir a você mesmo
como uma pessoa que é livre,
que é simples
e que não é uma personalidade.

Visualize mentalmente o céu, à noite,
limpo, claro, e as estrelas.
Ao ver o céu e as estrelas,
você se vê em relação a eles
como uma pessoa que não está exigindo nada.
Você não deseja que o céu seja diferente,
ou que as estrelas sejam diferentes.

Veja você mesmo como é, o que você é.
Não vê que é uma pessoa simples,
consciente e apreciativa...
Isso é o que você é.
Você pode ser essa pessoa em relação a qualquer situação.

Se essa pessoa deseja, ela é criativa.
Se essa pessoa delibera, questiona,
o questionamento em si é fascinante.

É essa pessoa que se torna amorosa em relação a alguém.
Se esse alguém merece compaixão,
o amor se torna compaixão,
porque essa pessoa não está condicionada por gostos e aversões.

Essa é uma pessoa simples, amorosa,
que se torna compassiva, compreensiva, prestativa, generosa,
e naturalmente de acordo com a situação.

Em meditação, tudo o que você faz
é reduzir os fatos aos fatos.

Você é uma pessoa consciente, apreciativa
em relação ao céu e às estrelas.

Da mesma forma pense sobre o Sol,
seja um Sol quente ou um Sol poente.
Você não tem reclamação a fazer pelo que ele é.
Seja o Sol de verão, seja o de inverno,
aceite o Sol como ele é.
Se não suportar o calor, vá para um lugar fresco,
mas aceite o Sol como ele é.

Da mesma forma em relação aos vários planetas,
você não tem reclamação a fazer.
Júpiter, Mercúrio, Marte, Vênus, Saturno...
Tome esses planetas como eles são.

Visualize um grupo de nuvens.
Você é apenas uma pessoa
que aprecia o fato de que há nuvens.
Agora está chovendo.
Aceite a chuva como ela ocorre.

Olhe para a Terra.
O fato de ser um globo não incomoda você.
Por ela estar inclinada a se mover ao redor do Sol,
você não tem reclamação a fazer.

Por ter oceanos e continentes,
por ter montanhas e vales,
por ter rios e riachos,
por ter lagos e lagoas
e por ter florestas e desertos,
você não tem reclamação a fazer.

Na Terra existem plantas, árvores e trepadeiras,
flores e frutos, hortaliças e legumes.
Alguns você pode gostar, outros não.
Veja aqueles de que não gosta como simples vegetais.
Aquelas frutas de que você não gosta, tome-as como simples frutas.

Se você tem uma casa com um gramado,
a grama é o que você deseja,
e as outras plantas você chama de ervas daninhas.
Você tem raiva delas.
Mas não, não são ervas daninhas. São apenas plantas.

Se você criasse capim, a grama seria erva daninha.
Se você quiser, pode removê-las,
mas que não haja raiva de sua parte.
Tome-as como elas são.

Da mesma forma em relação aos animais.
Os animais selvagens e domésticos,
os carnívoros e os herbívoros,
as diversas variedades de animais,
incluindo os insetos,
tome-os todos como eles são.
Se você despreza algum deles,
se você não gosta de algum deles,
traga esse animal à sua mente.
Olhe para ele. Tome-o como ele é.
Você não pode ter raiva de um mosquito ou mosca.
Eles são como são.
São feitos para agir como agem.

Faça o que deve ser feito para evitá-los,
para mantê-los longe,
e até mesmo para eliminá-los,
se são prejudiciais à sua saúde,
mas não tenha raiva.
Tome-os como eles são.

Da mesma forma, olhe para a humanidade.
Que variedade de seres humanos nós vemos!
Há diferentes raças: a mongólica, a negra,
a branca, a mestiça, como temos aqui...
Cada raça tem traços peculiares.
Tome-as todas como elas são.
Olhe as maneiras de vestir e os modos de vida,
as comidas e os hábitos de comer,
as formas de música e de dança,
as várias línguas e dialetos,
as diferentes religiões e seus conceitos de Deus,
as formas de oração e culto, mesmo as cerimônias estranhas,
e tome-as todas como elas são.
Se você quiser, se estiver convencido
de que elas podem ser melhoradas de alguma forma,
então faça o que deve ser feito,
mas tome-as todas como elas são.
Elimine totalmente de sua cabeça as zombarias étnicas.

Olhe para o seu próprio país e as diferentes pessoas.
Tome-as todas como elas são.
Os brancos, os mulatos, os negros...
Tome-os todos como eles são.
Se você pode ajudar uma determinada comunidade,
faça o que puder para ajudar para melhorar sua saúde e bem-estar,
mas tome-os como eles são.

Tome as pessoas como elas são.
Se você não gosta ou despreza alguém pela sua cor, etc.,
traga essa pessoa à sua mente.
Veja essa pessoa como ela é,
sem desprezo, sem desgosto,
e apenas aprecie a pessoa como ela é.
Você tem que se descondicionar.
Tem que ser uma pessoa, não uma personalidade.
Você não é uma personalidade, é uma pessoa.

O governo, tome-o como ele é.
Não tenha raiva pela sua política.
Se quiser, tente modificar o governo.
Não tem nenhum sentido reclamar consigo mesmo e não fazer nada.
As pessoas que comandam o governo também são como você.
Elas fazem o que podem.
Se são incapazes... bem, são incapazes.
Se você é capaz, faça alguma coisa.
Se você acha que alguma política melhor pode ser iniciada,
faça o que puder.
Pelo menos escreva uma carta para o seu jornal.
Tudo o que eu digo é: aja! Faça o que puder!
Mas não deixe que eles criem em você a reação
de raiva, frustração e desespero.

As pessoas com quem você trabalha,
tome-as todas elas como são.
Se há uma pessoa ou pessoas que lhe perturbam,
que lhe fazem ficar com raiva...
bem, tome essas pessoas como elas são.
Se você não é compreendido por elas ou não as compreende,
tente se fazer entender ou tente compreendê-las.
Lembre-se de que cada um tem uma mente,
e cada um segue os ditames de sua mente.
Você pode reprogramar a pessoa, pode mudar a pessoa,
mas você pode não ter a habilidade para fazer isso.
Portanto, tome as pessoas como elas são e faça o que puder.
Cada um tem suas limitações, cada um tem suas virtudes.
Se acha que é impossível trabalhar nesse lugar,
procure outro emprego, mas aceite as pessoas como elas são.

Olhe para seus pais.
Seu pai, aceite essa pessoa como ela é.
Sua mãe, aceite essa pessoa como ela é.
Suas limitações, suas virtudes,
tome-as todas como elas são.
Por trás de suas exigências existe sempre um amor.
Um amor que deseja,
que deseja que você seja grande, que seja alguma coisa.
Eles têm um ideal de você:
que você seja grande à sua própria imagem.
Bem, eles são humanos. Portanto, aprecie o seu amor.
Você descobrirá que não tem nada contra eles, mas é grato a eles.
Pelo menos há pessoas na vida que se preocupam com o seu bem-estar.
Tome-os como eles são.
Se pode comunicar-se com eles, comunique-se.
Se quiser que haja alguma mudança em seus valores,
por favor tente mudá-los,
mas tome-os como eles são.

Olhe para seu parceiro na sua vida,
tome essa pessoa como ela é.
Sua aparência, sua capacidade, suas habilidades,
suas emoções, seu conhecimento, sua história...
Tome essa pessoa como ela é.
Aqui está uma pessoa com quem você partilha a sua vida.
Não é importante que você a tome como ela é?
Pode haver uma vida feliz se a pessoa não é
tomada como ela é?

Quando você exige, você não compreende.
Quando rejeita, também não compreende.
Tome a pessoa como ela é, e descobrirá
que você tem todo o amor para compreender.
Nessa aceitação você descobrirá
que tem uma atmosfera de amor
na qual todas as mudanças,
e mudanças miraculosas, são possíveis.

Seus filhos, olhe para eles como pessoas independentes.
Eles não são como suas mãos e pernas. Não são parte de você.
Cada um é uma pessoa independente,
com corpo, mente e alma.
Portanto, olhe para eles como pessoas independentes
que estão crescendo sob seu amor, cuidado e orientação.
Tome-os como eles são e faça o que deve ser feito.

Tome o seu físico como ele é.
A altura do corpo, não há nada de errado nela.
O peso do corpo, não há nada de errado nele.
Se você quer reduzí-lo, faça alguma coisa para isso,
mas aceite o corpo como ele é.
A cor do corpo,
homem ou mulher,
jovem ou velho,
tome o corpo como ele é.
Não existe o que pode ser chamado de corpo bonito ou feio.
Existe apenas um corpo vivo ou um corpo morto.
E você tem um corpo vivo.
Se ele não é saudável, faça-o saudável.
Faça o que puder, mas não existe um corpo feio.
Aceite isso. Aceite o corpo como ele é.
Seja feliz, pois você tem um corpo vivo.

Aceite a mente. Seus humores, suas mudanças,
suas raivas, invejas e ciúmes...
apenas aceite a mente como ela é.

Seu conhecimento, suas limitações... aceite-as.
Aprenda. Continue aprendendo.

Suas memórias, tome-as como elas são.
Que não haja nenhuma memória passada que lhe incomode.
Traga todas as memórias desagradáveis,
uma depois da outra, e olhe-as de frente.
Então, aceite a sua ignorância e continue aprendendo.

Você é consciente da ignorância, das memórias, do conhecimento,
da mente e de seus condicionamentos,
dos sentidos, do corpo, do mundo...
Essas palavras são o mundo para você agora.
Você está frente ao mundo das palavras.
Essas palavras são ouvidas em você, consciência.
Essas palavras não perturbam a você, consciência.
Você não vê que é uma pessoa simples e consciente,
ou uma pessoa que é simplesmente consciência.
Livre da culpa é você, consciência.
Livre de mágoa é você, consciência.
Não vê que é uma pessoa que é simplesmente consciência?
Não vê que consciência e silêncio são idênticos?
Não vê que as palavras que ouve agora
não perturbam a consciência e muito menos o silêncio?

Você é, na verdade, o silêncio.
Esteja a mente pensando ou não, você é silêncio.
Isso é diferente de um silêncio
que é uma trégua entre duas agitações.
Você é silêncio porque é consciência.

OM... OM... OM...

Quando escuta esse som você é consciência, silêncio.
Quando não escuta esse som, você é consciência, silêncio.

OM... OM... OM...

Essa meditação na vida diária

Todos os dias, antes de ir para a cama, faça essa meditação. Ela neutralizará os problemas do dia. Também poderá começar o dia com ela, se tiver tempo. Mas tenha certeza de terminar o dia com essa meditação. Dessa forma, não haverá resíduos. Os problemas do dia serão neutralizados antes de você ir para a cama. Você irá para a cama como uma pessoa, não como uma personalidade. Levantar-se-á como uma pessoa, não uma personalidade.


(1) Referência aos diversos papéis que a pessoa tem na sociedade: pai, filho, amigo, empregado, patrão, etc. (Nota do Tradutor)

O texto acima pode usar-se como modelo de elocução. Você estuda a técnica e grava a sua própria voz, lendo pausadamente.

Outra opção é fazer pequenos grupos de meditação com seus amigos, onde cada um pode usar os textos como orientação para dar a prática para os outros.

Se você for professor de Yoga, poderá igualmente usar essa prática nas suas aulas, tomando o cuidado de escolher a técnica mais adequada para cada pessoa ou grupo.
O que busca ardentemente fora, está dentro;
A luz que tanto procuras, encontra-se no escuro dos olhos fechados;
O que desejas ouvir, ressoa no silêncio;
A tristeza está na alegria;
Assim como a alegria na tristeza.
A plenitude está além delas.
(Tales Nunes)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sonâmbulo - (Céu )

Numa espécie de limbo, sonâmbulo anda feito pêndulo
Ora pende dormindo, ora pende contra o tempo
E faz deste inimigo atrasado, correndo,
justifica um vazio interno, imenso

Fugas mentais ocupam os pensamentos
E se torna incapaz de ocupar a si mesmo
Tvs, cines, jornais, químicas não me tento
Bloquear os canais
Domesticar seus anseios

Que é bom desconfiar dos bons elementos (4x)

Feito histórias de moebius, vão tirar sua visão
E te dar olhos passivos adequados a um padrão

Exercicio de Vedanta - (Hermogenes)

Ensina Ádi Shankaracharya, o sábio advaita, que somos, todos os seres, uma única e mesma Essência Real, e que devemos vivenciar esse postulado, pois somente a realização transformará a simples afirmação intelectual e imortal e libertadora Verdade. Quando tal ocorrer, teremos aberto a nós mesmos a porta da Unidade, que é o Absoluto Ser (Sat), Consciência Pura (Chit) e Absoluta Beatitude (Ananda). Teremos, assim, atingido o objetivo último da existência, que é realizar-nos, a nós mesmos, fundindo-nos no Todo, sumindo no Uno.

Acho-me sentado sob a árvore, tendo em torno de mim um universo inebriante de sensações. É a voz da criançada a brincar lá fora. É um motor que está rosnando, numa moto à distância. O farfalhar da acácia tangida de vento quase consegue abafar a música de mau gosto que sai de um rádio, numa casa distante. Há alegria no pipilar de alguns poucos passarinhos. Meu mundo sonoro é, portanto, variado, confuso, espontâneo e pouco harmônico. E ele atrai meus ouvidos.

Vejo rosas vermelhas e jasmins exibindo brancura. O cheiro do ar é bom. O vento faz tudo mover. O Sol, um pouco embuçado de névoa incerta, ainda consegue semear incertas sombras no chão. O vento continua buliçoso e brinca com os ramos das árvores, fazendo-os dançar. As sombras dos ramos também dançam, mas em silêncio. A dança é geral. É dança verde, imprevisível, fresca e bonita. Todo jardim é um balé sob a regência do vento.

A gatinha branca, sem saber que se arrisca a ser mencionada, com sua placidez limpa, habitual, entra em cena a lamber-se solene, emprestando uma boa dose de graça ao quadro de que faço parte.

O chão é canteiro de vida. Grama aqui. Terra escura estrumada, ali adiante. As bonitas me atraem a atenção por serem pequenas manchas escarlates bem nítidas. Há ainda florezinhas – umas brancas, outras amarelas. São miúdas, ínfimas, perdidas e anônimas em sua banalidade. Só um poeta ou um místico lhes daria atenção. Só a custo vou descobri-las. Há também matinho vagabundo e ignorado, sem brilho, sem história...

Naquele pequeno pedaço da Realidade, que é meu jardim, tento fazer um exercício vedantino: sentir-me unido, idêntico a todos os seres e impressões que o povoam e movimentam. Quero sentir-me entremeando e sustentando a existência de tudo. Quero sentir o Absoluto que está em mim e que é o mesmo em tudo. Quero tornar-me o jardim. Quero fundir-me com ele e confundir-me com todos os esses seres, com todas as variadas formas, que, sem pedir licença, me invadem pelas janelas dos sentidos.

Começo com o tornar-me as montanhas azuladas e me sinto engrandecido e nobre. Torno-me rosa, e sem dificuldade o faço. Rosa perfumada, exuberante, dadivosa, colorida... Sou cedro, agapanto, cravina, jasmim... E por que não a florzinha miúda, pobre e perdida no escuro do canteiro?... Chego a gozar a tranqüilidade horizontal da grama. Sou acácia dançarina... Sinto-me colibri, doidinho, de flor em flor. Sou andorinha sem compromissos, rasgando espaços... Sinto-me em cada criança gritando e correndo na estrada, brincando de pegar... Agrada-me sentir-me vento buliçoso, vento-menino, mexendo com as plantas... Olho o céu e gozo ser céu... É fácil identificar-me com a gatinha de olhos amarelos a explorar os canteiros. Não faz mal tornar-me areia, barro, humo, cimento, parede, cal, pedra... Gozo o sentimento de perenidade mineral do chão.

Vejo agora alguma coisa que a cadela deixou na grama. Repugnante e fétido, atrai somente a atenção da moscaria igualmente repugnante. É um acidente que perturba a beleza de toda aquela manhã no jardim ensolarado.

Não consigo ser mosca...

Não tenho jeito de tornar-me aquilo...

Há um desafio a meu espírito vedantino.

Tenho de ser equânime e não me negar a identificar-me com algo.

Se o Real Ser assume todos os aspectos, não somente os belos, mas também os feios; se o Absoluto está em tudo, seja qual for a sua aparência; se eu quero sentir o Real e a Ele unir-me; se meu objetivo é transcender o Reino das aparências e imergir no Absoluto, como rejeitar aquilo, pondo-o fora do que busco Ser?!...

Tornar-me aquilo, mesmo sendo manifestação do Uno Sem Segundo, francamente me enoja...

É nessas cogitações que percebo que há muito minha atenção não desgrudou daquilo. Agora são as moscas e eu que pousamos sobre aquilo nosso interesse... e, assim, já não tenho dificuldade em estar no inseto que todos acham repelente...

Continuo meditando. Não posso excluir do Todo aquela sua parte repelente. Repelente para quem?!

Para mim.

E quem é esse mim que tem a audácia de excluir algo que integra o Todo? Aquilo é uma aparência do Todo. E eu, que julgo, que penso, que valorizo, não serei também uma outra aparência?

E que tal um esforço para ultrapassar a cortina das aparências, o reino do ilusório?...

Vale tentar.

Prossigo a meditação. Tento descobrir a infinitude do Todo, o indivisível do Absoluto, a Eternidade do Uno... sob a muralha daquele aparente nojento. A primeira grande alegria foi deixar de ver aquilo e perceber fascinado o maravilhoso quimismo a processar-se sob a regência do Sol que incide, do ar que circunda, da terra que recebe e que dá... Vejo daquilo desprender-se não mais a fedentina, mas algo precioso, que penetra a areia e vai ser bebido pelas muitas boquinhas nas múltiplas radículas da grama e das grandes árvores, e aquilo vira seiva, seiva subindo, se transformando em rosa, produzindo fragrância, rosa enfeitando altares... É o milagre da Vida Perpétua...

Continuei esquecido de tudo mais e vi usinas febris e fecundas no coração dos átomos... No reino dos átomos não há repugnantes. Assisti extasiado a um drama de vibrante dinamismo no infinitamente pequeno, naquilo e em mim...

E cheguei àquele acontecimento divino em que a matéria some... Mergulhei corajoso no universo das energias puras...

Mas, distante, deslumbrou-me a eclosão do pensamento puro, que nasceu da morte da energia...

Depois, o milagre maior: o pensamento cessou... Parei de pensar...

Passei a Ser...

E...


(Extraído do livro Yoga, Caminho para Deus)

O verdadeiro e o relativo - (Swami Dayananda Saraswati)



Há palavras nas diferentes línguas que descrevem a realidade. Palavras que se referem ao real e ao falso. Esses são adjetivos. Por exemplo, você pode dizer “isto é falso”.

Qualquer coisa que vá contra um fato provado pode considerar-se falsa. Num tempo, quando o sol “saía” pelo horizonte, e a terra era plana, os pensadores eram os teólogos. Quando apareceu em cena o astrónomo Giordano Bruno e começou a questionar essas afirmações, e a dizer que a terra era esférica, ele foi excomungado e queimado vivo.

Quando alguém se coloca contra um fato provado que comprovadamente é falso, pode estar colocando-se contra o mundo, o que não significa que todo o mundo esteja certo.

Temos três palavras que revelam a nossa compreensão da realidade: 1) verdadeiro, 2) falso, 3) inexistente. Um círculo quadrado não existe, pertence à terceira categoria. Se você olhar para essas coisas não existentes, verá que elas são combinacoes de duas coisas que de fato existem: o coelho existe, os chifres existem, mas um coelho chifrudo não existe.

Podemos concluir então, que estas palavras sejam importantes. Tudo o que fazemos na vida está baseado na nossa compreensão do que é verdadeiro e do que é falso. Há aspectos na realidade que são mais importantes que outros, desde o nosso ponto de vista. Portanto, toda a nossa vida, tudo o que fazemos, está em função daquilo que é importante para nós.


A pulseira e o ouro


Existe, no entanto, uma confusão entre aquilo que é importante e aquilo que não é. Por exemplo, eis um colar feito de ouro. Demos a esse colar uma mente humana. Agora, o colar é consciente de si mesmo. Ele sabe que é um colar. Se você também der uma mente humana a uma pulseira, ela se verá como alguém diferente do colar. A pulseira está com um problema, pois percebe que está definhando. A pulseira está angustiada, pois está ficando cada vez mais fina. A cada vez que a dona dela lava as mãos, a pulseira vai se arranhando e desgastando.

A pulseira começa a pensar: “eu não quero ser mais uma pulseira. Gostaria de ser um colar”. Preste atenção. Estou falando de você. Eu pergunto para a pulseira: “você está feliz?” Ela responde: “nem queira saber. Eu gostaria de ser aquele colar. Ele sempre tem luz boa, está sempre em evidência. Eu estou coberta o tempo todo pela roupa. Não apareço. Meu trabalho é aparecer bonita, mas eu não apareço. Estou sempre coberta. Que vida é essa? Eu queria mesmo era ser um colar”.

Aí você pergunta para o colar, e descobre que ele tem o mesmo problema: ele quer ser um anel. Quer ser algo diferente do que é. Esse é um problema da psicologia humana. A psicologia tem esse problema, mas não tem uma resposta para ele.

O problema é o ponto de partida: a visão da realidade está equivocada. O detalhe é que não existen pulseiras, colares ou anéis. Só existe ouro, sob formas diferentes.

Quando você vende essas jóias, o comprador paga pelo ouro, não pelo trabalho, nem pela forma. Só pelo peso do ouro. O ouro é a verdade da jóia. Você não pode dizer que ele seja inexistente. Tampouco pode dizer que seja falso. É satyam, é verdadeiro.

Qual é a realidade? A pulseira não tem peso, separado do peso do ouro com que ela está feita. Qual é a realidade, então? A realidade é que a pulseira é ouro. A pulseira não está no ouro, ou sobre o ouro. A realidade da pulseira é ouro.



O pote e a argila


É como o pote. O peso do pote é o peso da argila. A textura do pote é a textura da argila. O pote não está na argila. O pote é a argila. Se o pote é argila, a argila deve ser pote. É aí que está o problema. É aí que o Ved€nta vem para dar um sentido para a sua vida.

A argila é argila. Na sua compreensão da argila, a forma não é uma parte dela. É por isso que você reconhece a argila, independentemente da forma que ela assuma. Você reconhece a argila na forma de pó, na forma de formigueiro, na forma dos diversos potes, pois ela transcende a forma.

Portanto, pode ser um pote, um formigueiro, um brinquedo ou a forma que for. Por causa de que a sua compreensão da argila transcende a forma, e porque você compreeendeu que a argila transcende todas as formas, você é capaz de reconhecer a argila, independentemente da forma que esta assuma.

Se a pulseira precisa se livrar do seu problema de ser uma pulseira, é só lembrar que ela é ouro. Se a pulseira soubesse que é ouro, seus problemas acabariam. A essência da pulseira é o ouro, que transcende todas as formas. Quantos ouros existem? Só um. Esse único ouro transcende todas as formas.

O fato da pulseira resolver seu conflito com a forma, não resolve o problema do anel nem do colar. Todas e cada uma das jóias precisam compreender isso.



O verdadeiro e o relativo


O pote não é não existente. Não é tucham. Entretanto, ele tampouco é satyam, tampouco é verdadeiro. A verdade do pote é a argila. Todos os problemas são reais. Pedem soluções práticas.

A realidade do pote é que ele não é satyam. Satyam é a argila, e somente ela. O pote não é falso nem não existente. O que é o pote, então? O que é o seu corpo? Maya. Asat significa não existente. Nossa mente precisa se segurar nas categorias que ela cria para se sentir segura, pois não consegue aceitar os fatos.

Explique a doçura, por exemplo. Ela é inexplicável. É ausência de rotulação em termos de verdadeiro/falso/não existente.

O fato é que o pote segura a água, mesmo sem ser satyam. Cada palavra tem sua importância. Não há nada aqui livrado ao azar. Nossa compreensão da realidade precisa de uma palavra. Que nossa compreensão precisa de um ajuste torna-se claro quando dizemos pulseira, colar, anel. Quando você diz pote de argila, ou pulseira de ouro, o “de ouro” torna-se o adjetivo da pulseira. Um adjetivo que o diferencia das demais pulseiras. Assim surge a dualidade. Existem diferentes pulseiras. Eu vivo a minha vida a partir da minha própria compreensão da realidade.

A verdade é que o ouro é satyam. O ouro é a realidade. A pulseira depende da existência do ouro. A palavra, assim, revela a nossa compreensão da realidade. A pulseira não é satyam. Como vou acomodar esta visão? De que jeito usarei as palavras? Se eu estiver confundido, para mim, satyam pode tornar-se um adjetivo.

Para conseguir acomodar esta visão em palavras, preciso de palavras que a revelem corretamente. Qual é o status da pulseira? Se não é satyam, e não é tucham, é o que? Se não tem substância real, é o que? A palavra pote tem significado. Esse significado está associado com uma substância? Chamemos o status da pulseira de mithyam, um objeto cuja existência depende da presença de outro.

Cada palavra revela sua compreensão da realidade. É preciso usar as palavras com cuidado. O que eu ensino não se presta a manipulações nem ao uso leviano das palavras.


Extrato de uma palestra proferida por Pujya Swamiji no Ashram de Rishikesh, Índia, em março de 2007, anotada e traduzida por Pedro Kupfer. Evetuais equivocações devem ser creditadas ao tradutor.

OM - A LIBERTAÇÃO PELO YOGA - (video)



Se - (Hermogenes)

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.


“Deus me livre de ser normal”!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

QUEM SERIA VOCÊ SEM ESSES PENSAMENTOS TODOS? - (Satyaprem)

Contos e Koans Zen

Um praticante Zen foi ter com Bankei e fez-lhe esta pergunta, aflito:
"Mestre, Eu tenho um temperamento irrascível. Sou às vezes muito agitado e agressivo e acabo criando discussões e ofendendo outras pessoas. Como posso curar isso?"
"Tu possuis algo muito estranho," replicou Bankei. "Mostra-me como é esse comportamento."
"Bem... eu não posso mostrá-lo exactamente agora, mestre," disse o outro, um pouco confuso.
"E quando o mostrarás para mim?" perguntou Bankei.
"Não sei... é que isso sempre surge de forma inesperada," replicou o estudante.
"Então," concluiu Bankei, "essa coisa não faz parte da tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasses. Quando tu nasceste não a tinhas, e teus pais não a passaram para ti. Portanto, reconhece que ela não existe."

Fluir da vida ... - (Sri Nisargadatta Maharaj)


"O amor diz: “Eu sou tudo”.
A sabedoria diz: “Eu sou nada”.
Entre os dois, minha vida flui."