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quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Não posso dormir ..." - (Rumi)



"Não posso dormir quando estou contigo
por causa de teu amor.
Não posso dormir quando estou sem ti
por causa de meu pranto e gemidos.
Passo as duas noites acordado
mas, que diferença entre uma e outra!"




"Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
- Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!"



"Seu amor levanta a minha alma do corpo para o céu
E você me levanta fora dos dois mundos. 
Eu quero o seu dom para alcançar meus pingos de chuva, 
Então, o seu calor pode elevar a minha alma para cima, como uma nuvem."

"Amo como ama o amor ..." - (Fernando Pessoa)


"Amo como ama o amor. 
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. 
Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, ..." - (Cora Coralina)


"Não sei se a vida é curta ou longa para nós,

mas sei que nada do que vivemos tem sentido,

se não tocarmos o coração das pessoas.



Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve,

palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia,

lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.



E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,

mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Parábolas - (Professor Hermógenes)


"Pretensão infantil me levou a filosofar com a fonte. Desejei estimulá-la, e disse-lhe:

- Hoje, minha amiga, és humilde e ainda muito longe estás de tua imersão no Mar. Nada de impaciência. Tem fé e persistência. Algum dia chegarás ao Mar e herdarás sua imensidão.

E a fontezinha do grotão, de voz de cristal gelado, falando bonito, me disse:

- Não vês? Eu estou vindo do Mar, embora pareça nascer do fundo da pedra. Já sou o Mar. Nunca deixei de ser o Mar.



* * *



O carneirinho, rebelde, um dia fechou os ouvidos às mansas palavras do piedoso pastor. Corajoso, renunciou ao redil e saiu. Audaz e só, entregou-se à aventura ou desventura dos campos. Saiu sozinho. Padeceu sozinho e solitário, sem a proteção do redil, sem a companhia dos outros, sem o sermão do pastor…

A estrela que tanto buscava, vendo-o, intimorato e livre, a procurar por ela, veio do céu para ele, para fazer-lhe companhia, para fazê-lo feliz, para guiá-lo.

Os outros, com medo da dor, ficaram no redil, protegidos, escutando histórias de estrelas inventadas pelo pastor.



* * *



Agonizante, o ricaço pediu o talão de cheques.

Fixou nele os olhos pastosos e quase sem vida. Nada falou. Mas cada um leu naquele olhar uma expressão indefinida.

Alguns entenderam que naqueles olhos havia saudade.

Outros achavam ser remorso o que aqueles olhos diziam.

Outros viram neles uma imensa frustração.

Nenhum conseguiu reconhecer o menor sinal de gratidão.



* * *



Desabou a chuva e estragou a festa dos jovens. Eles a amaldiçoaram.

Aquela mesma chuva trouxe vibrações de esperança ao homem que semeara o milho. Ele a abençoou.



* * *



Um tolo, todos os dias, batia no peito e repetia contrito: “Eu pecador, eu pecador, eu pecador…”

Acabou sendo.

Um sábio, mesmo quando em sofrimento, orava, repetindo: “Eu e Deus somos um, Deus e eu somos um, eu e Deus somos um…”

Acabou sendo.



* * *



Era uma vez um arquipélago em mar bonito e largo, soprado de ventos suaves e de atmosfera sempre limpa. Nunca se vira nele um tufão.

Naquele mar, sempre a tanquilidade. Na alma de cada ilha, e entre as ilhas, a paz não existia. Ao contrário, eram vaidosas e estavam sempre competindo.

Dizia uma:

- É nas minhas águas que os pescadores acham as pérolas mais valiosas para enfeitar o colo das princesas.

A outra retrucava:

- Esqueces que é nas minhas praias que os poetas do reino, enamorados, compõem os mais belos cânticos. Fazem canções que amenizam os sofrimentos do povo pobre e também dão encanto aos sonhos de amor das princesas.

Uma terceira interferia:

- Onde é que os pescadores acham alimento? É nas minhas águas que apanham peixes, tartarugas, camarões…. É de mim que retiram o sustento dos filhos. O que sobra vão vender no mercado.

Passaram-se dias, meses, anos, séculos… Sempre a paz no mar. Sempre a rixa no arquipélago.

Numa tarde, de repente, uma das ilhas começou a sacudir-se e, em poucos minutos, agitada em agonia vulcânica, desfazendo-se ruidosamente, desapareceu sob as águas.

Enquanto isso, as outras, ainda estupidamente rivais, embora aparentando compaixão, para si mesmas diziam:

- Antes ela do que eu.

Demorou pouco. Também atingidas pela comoção da plataforma, foram igualmente tragadas pelo fogo e pelo mar.

De si mesma e das outras, cada ilhazinha conhecia apenas o que ficava acima da água. Ignoravam que, no fundo, eram uma só. Ignorantes, não percebiam que o mal ou o bem não atingiria uma sem atingir as outras. Por isso eram orgulhosas, estúpidas e rivais.

Cada homem é uma ilhazinha ignorante no arquipélago da humanidade.



* * *



Um dia, um gênio estava na praia a ver o mar. Era um daqueles maravilhosos seres que podiam usar os imensos poderes do Céu.

A certa hora, observou que uma ânfora pequena ia e vinha, flutuando nas ondas.

- Quem és? – perguntou o gênio.

- Sou Ahamkara. Sou apenas um pouquinho da água do mar – respondeu uma vozinha tímida e sofredora.

- Estás enganado. Não és somente um pouquinho do mar. Em realidade, és o próprio mar.

- Quem me dera, Senhor. Sou coisa nenhuma. Sou tão miserável! Não passo de uma porçãozinha do mar, dentro desta ânfora – continuou a lamentar-se e a teimar Ahamkara.

- Em verdade, repito, estás errado. És todo o mar infinito.

Para provar o que dizia, com um golpe de bastão arrebentou a ânfora, ao mesmo tempo que perguntava, desafiando.

-Ahamkara, onde estás? Quem és?!

E o mar infinito respondeu com silêncio.



* * *

Temos errado em supor que eu sou um e tu és outro. Vale a pena escutar a inteligente advertência de um rio que assim falou a outro:

- Não somos dois rios nascidos de fontes diferentes, correndo em leitos diferentes, sem nada ter um com o outro. Se achamos que não somos um só é porque uma ilha fluvial nos separa e nos ilude. O nome desta ilha é Ignorância.



* * *

Atirando moeda ao mendigo, pensava um homem:

- Com isto, afasto do meu destino vir a ser igual a ele.

Era um covarde.

Um outro deu a esmola, convencido de que “dar aos pobres é emprestar a Deus”.

Era um mercenário.

Um homem ajudou ao mendigo porque via na esmola, no mendigo, no ato de dar, e em si mesmo o próprio Ser Supremo.

Era um santo."



Trechos extraídos do excelente livro “Mergulho na Paz” – Edições BestBolso – 2011.
Hermógenes – escritor, professor e instrutor de Yoga. É um dos pioneiros na introdução da disciplina indiana no Brasil.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Reflexões no Espelho - (Luís Fernando Veríssimo)

"Por onde a gente anda quando dorme

Pra acordar com essa cara disforme

De quem fez o que não devia?



E este gosto na garganta

É o resto de que janta

De que secreta ambrosiana

De que gim ou malvasia?



E se só estivemos no leito

Por que acordar deste jeito

Com esse olhar de pouco assunto?



Prá onde vai meu ser noturno

Prá me deixar assim soturno

E por que não me leva junto?"



- Luís Fernando Veríssimo –
(Revista Veja – 11 de janeiro de 1989 - Pg. 19 - Editora Abril.)



quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sim, Somos Todos UM! III - (Wagner Borges)


"Quando o Amor desce aqui, o que fazer?

Quando o chão vira céu estrelado...
E os chacras da gente parecem pequenos sóis.

Quando as lágrimas brotam dos olhos espontaneamente...
E escorrem pelo rosto como pérolas.
Enquanto a rosa floresce no coração...

Quando o tempo e o espaço viram pura Luz branca...
E a gente se dilui nela.
Enquanto a mente se apequena diante do Eterno...

Quando as palavras somem na imensidão...
E, mesmo assim, o coração da gente nos chama...
E diz: "É só o Amor que nos leva".

Quando a gente escuta o canto dos astros...
E sente o infinito nas palmas das mãos.
E quer dar passes espirituais em todo mundo.

Quando a gente não entende...
Só sente... E compreende.
E deixa a consciência boiar na Luz...

Quando os olhos da gente também se tornam estrelas...
E vêem as esferas astrais - e a vida se renovando...
Ah, só se sente gratidão.

Quando a gente vê as galáxias rodopiando no Coração do Todo...
Se sente igual criança - se sente unido a tudo.
E o coração da gente diz: "SOMOS TODOS UM!"

Quando o Amor desce aqui...


P.S.: Quando a gente chora na Luz, as lágrimas viram pérolas.
Porque é n'Ela que também choram os iniciados espirituais.
Eles choram pelo da dor do mundo, enquanto oram em silêncio.
E o Grande Arquiteto Do Universo faz brotar uma flor em seus corações.
Então, o Amor faz o chão virar Céu... E a gente compreende.
Que isso não se explica... Só se sente.
Sim, só se sente...***


Gratidão.
Paz e Luz.
- Wagner Borges - criança do Todo em corpo de homem, sempre aprendendo... E cada vez mais espiritualista, e muito contente com sua jornada...
São Paulo, 04 de abril de 2011.

- Notas: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, rolava aqui no som o maravilhoso CD "Pure Dreaming" - do tecladista new age inglês Kevin Kendle. A 4ª faixa desse trabalho chama-se "Evening Star", e é pura carícia sonora. Trata-se de música que inspira o ouvinte a pensar e sentir o Céu em seu próprio coração. É um CD excelente para práticas meditativas, bioenergéticas e projetivas, e também para aplicação de massagem, Rei Ki, cura prânica, passe, e momentos de serenidade e mergulho interior.



 
 
*Wagner Borges é pesquisador, conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
 
Fonte: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=10772

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Flor do Amor - (Lauro Trevisan)

"Quando em teu coração desabrocha, cheia de vida, a flor perfumada do amor, lembra-te que alguém a plantou certo dia, dentro de ti.

Quando o teu coração se ilumina do
suave colorido do pôr-do-sol,
lembra-te que alguém amanheceu contigo.

Quando o fogo da paixão abrasa o teu coração, consumindo todas as tuas fibras,
na imolação do prazer, lembra-te
que alguém acendeu esta chama.

Quando teu coração estiver bordado
de sonhos dourados,
tecidos com fios de luar, lembra-te
que alguém coloriu teu mundo interior.

Quando a noite encontrar-te com o coração partido e angustiado pelas amarguras colhidas durante o dia, lembra-te que alguém
possui o lenitivo de que precisas.

Quando teu rosto não puder conter
a torrente de lágrimas que se afundam
pelas dobras do travesseiro,
lembra-te que existe alguém te
esperando de lenço na mão.

Quando a insônia te revolve
desesperadamente na cama,
lembra-te que alguém pode
semear sonhos de paz em tua mente.

Quando a solidão te oprimir e o teu
grito não encontrar eco,
lembra-te que lá do outro lado alguém
ama a tua companhia e entende o teu clamor.

Quando os teus segredos não cabem
mais dentro de ti,
ameaçando romper os diques de tua alma,
lembra-te que existe alguém disposto
a recolhê-los e guardá-los com o carinho
e a dignidade que tu esperas.

Quando em teu coração mora o azul do céu,
a calidez do sol, o gorjeio dos pássaros,
o perfume das flores, a nostalgia do entardecer,
o encanto das manhãs,
a serenidade dos lagos e o sorriso da ventura, lembra-te que alguém tocou o teu coração
com a varinha milagrosa do amor.

Tu, que amas e vives no controvertido
mundo do arco-íris e da escuridão,
da calma e da agitação,
da paz e da instabilidade,
saibas que existe mais alguém
habitando o teu planeta!

Nas horas felizes,
partilha com ele teus sorrisos;
Nas horas de solidão, vai,
levanta-te e o procura,
onde quer que ele esteja.

Ele não é senão parte de ti,
assim como tu és parte dele.
Não olhes o relógio!
Que importa as horas?
A vida é tão curta,
não há tempo a perder.

Tu que amas, se tiveres a coragem
e a singeleza de assim o fazer,
abra teus lábios e canta o milagre do amor, porque só o amor aproxima as pessoas
e faz com que falem a mesma linguagem!



Lauro Trevisan
http://www.romantichome.net/aflordoamor.htm

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Melhor de Mim - (Paulo Roberto Gaefke)

"Sofremos pelo que não temos, e muitas vezes,

pelo que acreditamos que era nosso,

e na verdade, nunca foi.



Sofremos, pela incerteza do amanhã

que não nos pertence,

mas que tentamos controlar.

Sofremos pelas amizades e afinidades

que tentamos dominar, possuir sem medidas,

e que se afastam de nós.

Sofremos pela doença que podemos ter,

pela gripe que pode virar bronquite,

e nos abatemos.



Sofremos pelo medo do imponderável,

pelo que não podemos medir,

pelo que não vemos, mas as vezes, podemos ouvir,

e nos trancamos.

Sofremos pelas nossas faltas,

e nos abatemos com as dificuldades que criamos,

e estagnamos.



Por isso,

as notas que não tiramos, as provas que não passamos,

os amores que não vivemos, o abraço que perdemos,

os cadernos amarelados, os cheiros da infância,

a velha chupeta guardada ou perdida,

são doces lembranças, mas até nelas, sofremos.



Sofremos, porque não queremos nada simples,

nem simplesmente viver,

em simplesmente amar.

Temos medo de nos entregarmos

definitivamente ao amor,

medo de sofrer uma dor maior,

por isso, sofremos,

até pelo que não sabemos.



E hoje,

sabendo que o sofrer é uma antecipação da dor que nem sempre viveremos,

vou procurar conquistar aquilo que realmente me cabe,

e se a dor me visitar, vai me encontrar mais forte,

porque tenho a exata medida de tudo o que já passei,

e sou o fruto maduro dessa árvore chamada, vida."



Paulo Roberto Gaefke
http://www.meuanjo.com.br/

Canção d’alma - Quando a luz segue o amor... - (Wagner Borges)

"Jamais deixe sua música de lado.


Dedilhe as cordas de seu coração.

Como a criança que brinca.

Como a Terra gira...

Como as marés vão e vêm...

Como a Mão do Eterno tece os dias...



Se você perder sua canção, tudo ficará vazio.

Se você perder seu coração, sua luz diminuirá...

Sem amor, o horizonte escurece.

Sem razão, o homem chora.

Sem brilho, as estrelas se vão...



Recupere sua alma.

Faça a música acontecer.

A luz segue o amor...

Como a criança segue a vida.

Como o Eterno brinca no infinito...



Sem amor ninguém segue...

Ouça seu coração.

Com razão e brilho.

Como o pássaro que canta.

Como a planta recebe o orvalho.

Como a alma feliz recebe o Eterno.



Abra seu coração.

Sussurre algo bom à mente.

Não precisa de motivo, não.

Basta existir e sentir a vida.

Como se recebe um presente.

Como a criança ri.

Como a voz do eterno retumba nos astros.



Recupere sua alma.

Faça a canção acontecer.

Em qualquer idade, seja a criança que ri.

Como o golfinho brincando nas ondas.

Como o amor iluminando o viver.

Como a luz seguindo o amor...

Como o Eterno brincando no todo.



Por onde você for, caminhe com o coração.

Com razão e brilho.

Dedilhe as cordas do coração.

Faça a música acontecer.

Sem se perder.

Como a luz segue o amor...

Como a criança segue a vida.

Como o Eterno brinca no infinito..."



(Essa canção é dedicada a todos aqueles que se atrevem a escutar o som da alma dentro do coração e que honram a música do Eterno em seus propósitos vitais.)
Paz e Luz.
Wagner Borges

quinta-feira, 17 de março de 2011

Instantes - (Nadine Stair)

"Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo".


*Essa poesia é atribuída ao escritor argentino Jorge Luís Borges(1899/1986), mas a verdadeira autora é uma americana chamada Nadine Stair.
De qualquer modo rodou o mundo como um alerta para a vida.



Fonte: http://www.stum.com.br/blog/blog.asp?id=00621

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sol de Amor - Nas Mãos, nos Olhos e no Coração - (Wagner Borges)

"É noite, amigo.


Mas não está escuro.

Há um sol aqui!

Bem no coração.



O poeta compreende.

Ele também é viajante...

Voa nas asas do amor.

E pega os versos no infinito.



Dá para ver longe...

Lá em cima, no Cruzeiro do Sul,

O rastro dos seus versos.

E um pedacinho do seu coração.



Mas quem vê é outro coração.

Aceso na noite, na forja do amor.

Como um sol secreto no meio do peito.

Que ilumina, mas não ofusca.



Ah, meu amigo, quem sente essa luz?

É noite, e está tudo tão claro!

Dá até para ver a tapeçaria sideral,

Dentro do próprio coração.



Sei que você compreende...

Pois essa luz também iluminou suas noites.

E fez você voar até o Cruzeiro do Sul,

Para pegar a elegia que vem de longe.



Sabe, eu sei o que você sentiu.

A luz me mostrou. Aqui mesmo.

Bem dentro do coração.

Onde o amor faz ver estrelas.



É noite, mas está tudo claro.

Por isso, escrevo. E você sabe por que.

Talvez o amor viaje junto com esses escritos...

E outros compreendam sua atmosfera sutil.



Sim, talvez outros voem até o Cruzeiro do Sul.

Certamente, em espírito. Deslizando na luz suave...

E, talvez vejam você e Pablo Neruda conversando,

Sobre a elegia que vem de longe...



Meu amigo, tudo está claro e sereno por aqui.

É noite, mas raiou a aurora dentro do meu coração.

E é amor demais para segurar a onda.

Por isso escrevo: para dar vazão a esse amor.



E você conhece muito bem essa praia.

Então, lembrei-me de você, para grafar essas linhas.

Escrevo com você nas mãos, nos olhos e no coração.

E pensando no Cruzeiro do Sul.



O amor que um dia mergulhou em seu coração,

Também mergulhou em mim.

E, agora, está tudo tão claro e calmo,

Nessa noite – que é manhã dentro do peito.



Com carinho e admiração, poetinha.

(Essas linhas são dedicadas a Vinicius de Moraes).
Paz e Luz.
Por Wagner Borges "

Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=10096

domingo, 5 de setembro de 2010

Poesia Divina.... - (Paramahansa Yogananda)

"Quando eu sorrio

Em mim Tu sorris.

Quando eu choro

Em mim está o Teu pranto.

Quando eu acordo

É meu Teu bom dia.

Quando eu ando

Caminhas comigo.

Tu sorris e chora

Despertas e andas

Tal qual eu:

Minha imagem és Tu.

Mas...se eu sonho

Tu estas acordado.

Se tropeço, permaneces firme.

E se morro, Tu és minha vida!"



Paramahansa Yogananda - Song of the Soul

sábado, 28 de agosto de 2010

Amor ... - (Shakespeare)

"De almas sinceras a união sincera

Nada há que impeça: amor não é amor

Se quando encontra obstáculos se altera,

Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,

Que encara a tempestade com bravura;

É astro que norteia a vela errante,

Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora

Seu alfange não poupe a mocidade;

Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma para a eternidade."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Metade - (Oswaldo Montenegro)


"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Poema que aconteceu - (Bruna Caram)


"Fui lá e disse:

- Vou fazer um poema pra você!

E ele:

- Vai nada!

E eu:

- Vou sim!

Mas eu não ia nada.

O impulso era a fé.



Até

Que ele sorriu da porta

- Eu sorri de volta -

E ele veio pro beijo.

(Meu Deus!, e que beijo!

Quente, perfumado…)

Depois, o lampejo

Da luz amarela

No sorriso branco

Escancarava, puro,

O escuro da barba

Criando, brilhante,

Amor grande e sem farpa.



O resto do corpo,

Só se aprochegava:

Crescia

Cobria

Coloria a gente!

Somente a beleza

Era nosso presente -

Tão forte e serena,

Que fez-me envolvida:

Nem vi, distraída,

Que ele era o poema…"



"* Confirmo e esclareço desde já que o título foi irresistivelmente furtado do poema de Carlos Drummond de Andrade, o Poema Que Aconteceu. Afinal, caiu como uma luva, além do quê, o poema do mestre trata de um domingo – data em que terminei este aqui. Que Drummond me perdoe o empréstimo póstumo – e a ele, todas as reverências."


Fonte: http://www.brunacaram.com.br/blog/?p=1303

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"Desejo a você ..." - (Carlos Drummond de Andrade)


"Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Agora - (Satyaprem)



"A tarde caia solitariamente
caminhar e deixar passos passados
requeria um caminhar sereno e constante
árvores, pessoas, ruídos indistintos
rolavam como água num moinho imaginário

por trás de tudo havia um observar
relaxado e uma distância necessária
onde os caminhos ocasionalmente se cruzam
existe sempre um prazer que se toca
numa ordem de um pela frente
e a inevitabilidade do que esta por trás

ele alude instantâneo ao dizer congelado:
você pensa ser transparente?

de dentro do nada o silêncio
se desfez numa resposta:
voce pensa ser imóvel?"

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Recordar - (Rumi)


"Sê como o Sol para a Graça e a Piedade.
Sê como a noite para encobrir os defeitos alheios.
Sê como uma corrente de água para a generosidade.
Sê como a morte para o ódio e a ira.
Sê como a Terra para a modéstia.
Aparece tal como és.
Sê tal como pareces.

Se pudesses libertar-te, por uma vez, te ti mesmo,
o segredo dos segredos se abriria para ti.
O rosto do desconhecido, oculto além do universo,
apareceria no espelho da tua percepção.

Na realidade, tua alma e a minha são o mesmo.
Aparecemos e desaparecemos um com o outro.
Este é o verdadeiro significado das nossas relações.
Entre nós, já não há nem tu, nem eu.

O vale é diferente, acima das religiões e cultos.
Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.
Funde-te na maravilha de Deus.
Aqui não há lugar para religiões nem cultos.

Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma.
Há uma jóia na montanha do corpo. Busca a mina desta jóia.
Oh, sufi, que passa!
Busca dentro, se podes, e não fora.

No amor, não há alto nem baixo,
má conduta nem boa,
nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,
só há indiferença, tolerância e entrega."