quinta-feira, 31 de março de 2011

A moeda e o escorpião: uma estória sobre o karma - (Swami Dayananda Saraswati)

"Dois jovens amigos empreendem uma jornada, andando de uma vila para outra. No caminho, passam à frente de um templo de Gaṇeśa. Um deles pára para fazer suas preces. O outro, descrente, segue andando, mais devagar.


O jovem que ficou no templo o alcança um pouco mais adiante no caminho. Nessa hora, o outro encontra uma moeda de ouro. O devoto de Gaṇeśa é mordido, segundos depois, por um escorpião.

O descrente zomba dele dizendo: "Eu encontrei uma moeda de ouro pois segui meu caminho. Você, que parou para rezar, foi mordido pelo escorpião. Se não tivesse entrado naquele templo, não teria sido picado".

Um pouco mais adiante no caminho, páram para receber tratamento na ermida de um sādhu. Esse sādhu não apenas trata do ferimento do garoto, mas também, sendo um jyotisha, um astrólogo, faz o horóscopo de ambos, pois o devoto lhe explica que, mais do que a picada do escorpião, o que o deixou ferido foi o comentário do seu amigo.

Feitos os cálculos astrológicos, o sādhu diz para aquele que achou a moeda: "Você comprou um bilhete de loteria semana passada, não foi?" O outro responde afirmativamente. "Então, por conta das suas ações demeritórias, ao invés de ganhar o prêmio, tudo o que você recebeu foi uma moeda".

E, dirigindo-se ao outro garoto: "Era para você ter tido um acidente mortal, mas as suas orações no templo atenuarem esse karma e tudo o que você ganhou foi uma mordida dolorosa, mas inócua". Misteriosos são os caminhos do karma."


Tradução: Pedro Kupfer
Fonte: http://www.yoga.pro.br/artigos/1004/3017/a-moeda-e-o-escorpiao-uma-estoria-sobre-o-karma

terça-feira, 29 de março de 2011

Captando Energia Através do Ato Sexual

"Existem inúmeros seres hoje que vivem unicamente da energia gerada por atos sexuais sem propósito.
O ato sexual é uma maneira de se captar energia, mas pode ser uma porta aberta para a perda da mesma se não realizado de maneira correta.

A maneira correta é, em primeiro lugar, que se estabeleça um laço de amor profundo entre as pessoas que pretendam captar a energia. Sem este laço, a fonte de amor infinita não se aproximará destas pessoas.

O sexo banal é incitado por seres que desejam a energia trazendo pouco ou nenhum benefício ao homem. Muitos de vós procuram defende-lo, mas saibam que seus parceiros sexuais neste caso não é a pessoa com quem se relaciona e sim os seres que se beneficiam de sua energia. Estes seres podem adquirir esta energia inclusive através de relações sexuais que temos em sonhos, às vezes, com eles mesmos. É necessário controle da energia, pois a mesma energia que vibra no chakra básico, vibra em todos os outros e pode ser responsável pela iluminação do homem. Vamos então à maneira correta de se captar energia através do movimento físico e astral que é o sexo.

Primeiramente como já citamos antes, deve-se analisar que sentimento é despertado em seu coração. Somente o amor profundo (como o amor a Deus) por outra pessoa pode levar a captação da energia. Após este primeiro aspecto, deve-se conter os impulsos animalizados, isto se ainda sobreviverem.

É necessário que em todos os momentos, desde o primeiro contato, se pense na outra pessoa. Deve-se gerar movimento da energia. A princípio, os carinhos devem induzir estes movimentos e antes deles, deve-se alinhar os chakras, mas não somente o básico, deve-se alinhar todos eles, com exceção do coronário, ou pelo menos até o chakra cardíaco. No alinhamento dos chakras é ampliada a aura das pessoas e ela (aura), vibra em mesma intensidade, tornando-se uma única aura. Os dois seres ficam dentro desta aura que parece uma grande bola de luz, de raios intercruzados. Esta aura é capaz de protege-los contra seres que desejam roubar energia, e ela só é conseguida se houver perfeita comunhão de amor, pensamentos, sentimentos e energia.

Quando se consegue esta aura, os chakras já estão alinhados e o movimento sexual deve estar ativo, gerando energia que inunda todo o ser. Quanto mais tempo o movimento tiver, maior será a energia. No momento do ápice da energia suportada pelo corpo (se possível gerem mais energia), evitando o quanto puderem o momento do "orgasmo". Assim que o ser estiver com a capacidade de energia vibratória girando mais rápido, o orgasmo virá, neste momento a energia sai e entra dentro dos chakras, gerando o momento de gozo. É necessário que neste momento se dirija a energia para a outra pessoa (outra polaridade), a fim de mantê-la em si.

Ao final desta dança, o casal encontrará satisfação, mas principalmente terão suas energias plenas, restauradas ou aumentadas. Estas práticas podem até mesmo proporcionar a cura de males físicos e mentais. Não se deve manter relações com mais de uma pessoa, pois no momento da dança, gera-se dupla polaridade (saturação de energias de mesma polaridade, embora não sejam iguais), tornando impossível a criação da aura única.

Fiquem atentos aos aspectos energéticos que vibram em vocês após a dança, pois se antes se sentiam cansados, devem sentir-se revigorados, e se antes estavam bem, devem sentir-se ainda mais plenos. Se assim não for, observem os seguintes aspectos:

Você ama profundamente o seu parceiro? Se sim, siga. Você dança no sexo com a mente livre de pensamentos e sentimentos? Se sim, siga. Você alinha os chakras ao menos até o cardíaco? Se sim, siga. Você gera a quantidade suficiente de energia antes do orgasmo? Se sim, siga. Você dirige a energia do orgasmo para sua outra polaridade? Se sim, siga. Você dança unicamente com uma outra polaridade (um único parceiro)? Se sim, siga. Sua outra polaridade tem conhecimento disto e segue com você no intuito de desenvolver a aura única? Se sim, siga. Muita atenção, e se não puder seguir em algum item, tente novamente, dando tempo a você para assimilar estes métodos de captar energia.

Gerar a aura única equivale à dançar uma dança de poder, fazer uma oração cheia de fé, meditar em OM durante algumas horas ou cantar mantras com fé e devoção. A dança sexual é uma grande aliada para a iluminação consciencial do homem quando se desenvolve a aura única. Justamente por isso, na sociedade atual criam-se inúmeras dificuldades para sua criação, o sexo é banalizado, como as missas são compradas. Somente o seu discernimento pode libertá-lo dos seres que roubam a energia.

Aos irmãozinhos paz, amor e iluminação consciencial.

A aura única é a opção de quem quer continuar realizando a dança sexual. No novo mundo não haverá lugar ao banal, então, Deus deve estar em todas as atitudes dos novos seres."

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Flor do Amor - (Lauro Trevisan)

"Quando em teu coração desabrocha, cheia de vida, a flor perfumada do amor, lembra-te que alguém a plantou certo dia, dentro de ti.

Quando o teu coração se ilumina do
suave colorido do pôr-do-sol,
lembra-te que alguém amanheceu contigo.

Quando o fogo da paixão abrasa o teu coração, consumindo todas as tuas fibras,
na imolação do prazer, lembra-te
que alguém acendeu esta chama.

Quando teu coração estiver bordado
de sonhos dourados,
tecidos com fios de luar, lembra-te
que alguém coloriu teu mundo interior.

Quando a noite encontrar-te com o coração partido e angustiado pelas amarguras colhidas durante o dia, lembra-te que alguém
possui o lenitivo de que precisas.

Quando teu rosto não puder conter
a torrente de lágrimas que se afundam
pelas dobras do travesseiro,
lembra-te que existe alguém te
esperando de lenço na mão.

Quando a insônia te revolve
desesperadamente na cama,
lembra-te que alguém pode
semear sonhos de paz em tua mente.

Quando a solidão te oprimir e o teu
grito não encontrar eco,
lembra-te que lá do outro lado alguém
ama a tua companhia e entende o teu clamor.

Quando os teus segredos não cabem
mais dentro de ti,
ameaçando romper os diques de tua alma,
lembra-te que existe alguém disposto
a recolhê-los e guardá-los com o carinho
e a dignidade que tu esperas.

Quando em teu coração mora o azul do céu,
a calidez do sol, o gorjeio dos pássaros,
o perfume das flores, a nostalgia do entardecer,
o encanto das manhãs,
a serenidade dos lagos e o sorriso da ventura, lembra-te que alguém tocou o teu coração
com a varinha milagrosa do amor.

Tu, que amas e vives no controvertido
mundo do arco-íris e da escuridão,
da calma e da agitação,
da paz e da instabilidade,
saibas que existe mais alguém
habitando o teu planeta!

Nas horas felizes,
partilha com ele teus sorrisos;
Nas horas de solidão, vai,
levanta-te e o procura,
onde quer que ele esteja.

Ele não é senão parte de ti,
assim como tu és parte dele.
Não olhes o relógio!
Que importa as horas?
A vida é tão curta,
não há tempo a perder.

Tu que amas, se tiveres a coragem
e a singeleza de assim o fazer,
abra teus lábios e canta o milagre do amor, porque só o amor aproxima as pessoas
e faz com que falem a mesma linguagem!



Lauro Trevisan
http://www.romantichome.net/aflordoamor.htm

sábado, 26 de março de 2011

A fé no Onipotente removerá a ansiedade - (Sathya Sai Baba)

"Como levar uma Vida Divina? Não há qualquer associação especial que o habilite a isso. Todo esforço para perceber a Unidade por detrás de toda a multiplicidade se constitui num passo no caminho para a Vida Divina. Vocês precisam bater o leite se quiserem separar e identificar a manteiga que se encontra imanente nele. Assim também, precisam empregar determinados processos de pensamento e ação para chegarem ao núcleo da certeza de que este mundo é uma mistura “sui generis” de real e irreal (sathya e asathya), que é falso (mithya). A Vida Divina não admite a mais leve mancha no caráter ou ilusão no intelecto. Logo, as pessoas dedicadas a ela devem enfatizar isso através do preceito e do exemplo.

Removam as causas básicas da ansiedade, do medo e da ignorância. Só então, a verdadeira personalidade do homem poderá brilhar. A ansiedade é removida pela fé no Senhor; a fé que lhes diz que qualquer coisa que lhes aconteça é para o seu bem e que a Vontade do Senhor seja feita. A aceitação silenciosa é a melhor armadura contra a ansiedade; não a aceitação heróica. O pesar surge do egoísmo, o sentimento de que você não merece ser tratado tão mal, que foi deixado desamparado. Quando o egoísmo se vai, o pesar desaparece. A ignorância é apenas um engano, uma identificação equivocada do corpo com o Ser Supremo!

De fato, cada um de vocês deve procurar tornar-se sem-ego e o Senhor os aceitará como Sua flauta. Uma vez, quando perguntei a um grupo de pessoas o que gostariam de ser nas mãos de Deus, recebi respostas variadas17: alguns disseram o Lótus, outros a shankha (concha), outros o chakra (disco), mas não mencionaram a murali (flauta). Eu os aconselho a se tornarem a murali, pois o Senhor virá até vocês, os pegará, colocará em Seus lábios e soprará através de vocês e do vazio de seus corações, devido à completa ausência de egoísmo que vocês desenvolveram, Ele criará músicas inebriantes para que toda a Criação se deleite. Sejam retos, sem qualquer desejo pessoal, fundam sua vontade com a Vontade de Deus. Inalem apenas o alento de Deus. Essa é a Vida Divina que Eu quero que todos vocês alcancem.

Venkatagiri, abril de 1957

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Melhor de Mim - (Paulo Roberto Gaefke)

"Sofremos pelo que não temos, e muitas vezes,

pelo que acreditamos que era nosso,

e na verdade, nunca foi.



Sofremos, pela incerteza do amanhã

que não nos pertence,

mas que tentamos controlar.

Sofremos pelas amizades e afinidades

que tentamos dominar, possuir sem medidas,

e que se afastam de nós.

Sofremos pela doença que podemos ter,

pela gripe que pode virar bronquite,

e nos abatemos.



Sofremos pelo medo do imponderável,

pelo que não podemos medir,

pelo que não vemos, mas as vezes, podemos ouvir,

e nos trancamos.

Sofremos pelas nossas faltas,

e nos abatemos com as dificuldades que criamos,

e estagnamos.



Por isso,

as notas que não tiramos, as provas que não passamos,

os amores que não vivemos, o abraço que perdemos,

os cadernos amarelados, os cheiros da infância,

a velha chupeta guardada ou perdida,

são doces lembranças, mas até nelas, sofremos.



Sofremos, porque não queremos nada simples,

nem simplesmente viver,

em simplesmente amar.

Temos medo de nos entregarmos

definitivamente ao amor,

medo de sofrer uma dor maior,

por isso, sofremos,

até pelo que não sabemos.



E hoje,

sabendo que o sofrer é uma antecipação da dor que nem sempre viveremos,

vou procurar conquistar aquilo que realmente me cabe,

e se a dor me visitar, vai me encontrar mais forte,

porque tenho a exata medida de tudo o que já passei,

e sou o fruto maduro dessa árvore chamada, vida."



Paulo Roberto Gaefke
http://www.meuanjo.com.br/

Canção d’alma - Quando a luz segue o amor... - (Wagner Borges)

"Jamais deixe sua música de lado.


Dedilhe as cordas de seu coração.

Como a criança que brinca.

Como a Terra gira...

Como as marés vão e vêm...

Como a Mão do Eterno tece os dias...



Se você perder sua canção, tudo ficará vazio.

Se você perder seu coração, sua luz diminuirá...

Sem amor, o horizonte escurece.

Sem razão, o homem chora.

Sem brilho, as estrelas se vão...



Recupere sua alma.

Faça a música acontecer.

A luz segue o amor...

Como a criança segue a vida.

Como o Eterno brinca no infinito...



Sem amor ninguém segue...

Ouça seu coração.

Com razão e brilho.

Como o pássaro que canta.

Como a planta recebe o orvalho.

Como a alma feliz recebe o Eterno.



Abra seu coração.

Sussurre algo bom à mente.

Não precisa de motivo, não.

Basta existir e sentir a vida.

Como se recebe um presente.

Como a criança ri.

Como a voz do eterno retumba nos astros.



Recupere sua alma.

Faça a canção acontecer.

Em qualquer idade, seja a criança que ri.

Como o golfinho brincando nas ondas.

Como o amor iluminando o viver.

Como a luz seguindo o amor...

Como o Eterno brincando no todo.



Por onde você for, caminhe com o coração.

Com razão e brilho.

Dedilhe as cordas do coração.

Faça a música acontecer.

Sem se perder.

Como a luz segue o amor...

Como a criança segue a vida.

Como o Eterno brinca no infinito..."



(Essa canção é dedicada a todos aqueles que se atrevem a escutar o som da alma dentro do coração e que honram a música do Eterno em seus propósitos vitais.)
Paz e Luz.
Wagner Borges

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pontos de vista diferentes, julgamentos diferentes - (Swami Dayananda Saraswati)


"Uma vez, há quase 50 anos, vim dar uma volta no fim da tarde pela beira do rio Ganges e vi que havia alguns sadhus morando em pequenas cabanas de bambu. Isso me inspirou para também me mudar para aqui.


Eu estudava no Kailaśa Āśram, aqui perto, e comecei também a dar algumas aulas de Vedānta e sânscrito na minha cabana. Levava uma vida muito simples, mas extremamente realizada e feliz.

Tempos depois, um sadhu se instalou numa das cabanas que estavam disponíveis. Ele era astrólogo e, durante dois anos, insistiu para que eu fizesse meu mapa astral com ele.

Afinal, quando aquiesci, ele fez todos aqueles cálculos e voltou sem acreditar no que havia visto: eu poderia vir ser uma pessoa muito poderosa, pois tinha potencial para isso.

Perguntou-me: "Como é que você fica aqui, neste sofrimento, podendo ter a possibilidade de ter um Āśram enorme, pelo que dá para ver no seu mapa? Por que você fez essa opção? Você não quer ter sucesso na vida?"

O coitado, dentro da cabeça dele, achava que eu estava infeliz aqui, meditando, estudando e aprendendo.

O julgamento de que a vida que eu tinha era ruim ou difícil é dele, pois eu sempre achei aquele período o mais satisfatório de todos os que vivi.

Temos nesta situação dois pontos de vista totalmente diferentes sobre o que seja realização pessoal.

Olhando desde o ponto de vista dele, eu era um pobre coitado. Do meu lado, eu estava totalmente realizado."



*Transcrição de uma palestra de 11 de março de 2011. Traudução de Pedro Kupfer.
Fonte: http://www.yoga.pro.br/artigos/1001/3019/pontos-de-vista-diferentes-julgamentos-diferentes

Discernimento - os ouvidos do coração - (Por El Morya Luz da Consciência)



Martin Luther King Jr. reconheceu esse princípio: "Você não precisa ter um diploma de faculdade para servir. Não é fundamental conhecer a segunda lei da termodinâmica na física para servir. Só precisa ter um coração generoso e uma alma movida pelo amor".

Existem muitas dúvidas a respeito dos chamados "trabalhos de cura".

Podemos considerá-lo um serviço como outro qualquer? Ou este é um serviço especial que foge às regras conhecidas e consideradas normais? Muitos perguntam: como reconhecer aqueles a quem podemos ouvir? Quem são os verdadeiros curadores? Existe diferença entre um médium que trabalha num centro espírita e um Terapeuta? É correto cobrar pelos trabalhos? É difícil discernir quem realmente fala a verdade.

Usando o raciocínio lógico, não chegamos a lugar algum. Pra isso temos que usar os ouvidos do coração. Qualquer profissional pode ser considerado holístico quando leva em conta todas as necessidades de uma pessoa. Um médico, por exemplo, que assiste seu paciente em todas as situações além das físicas, é ou não holístico?

Ele ganha para isso, ou não? Apesar dele usar características espirituais como: compaixão, generosidade, acolhimento, etc, ele também gastou em todos os sentidos: financeiro, tempo, esforço, capacidade, para buscar uma formação profissional. E, conhecimento custa!

Quem usa só a razão, vê somente um diploma pendurado na parede, mas existem os verdadeiros profissionais. Muitos exercem a profissão que escolheram apenas para ganharem dinheiro, no entanto, existem muitos que têm amor e respeito ao próximo, na frente do sustento material. Na área holística, não acontece diferente. Essa insegurança no campo espiritual é provocada pelo grande número de pessoas realizando todo tipo de trabalho, divulgando milagres e curas, muitas vezes sem nenhuma ética, aproveitando de um momento difícil, ou uma doença onde a pessoa busca desesperadamente um conforto, para anunciar fórmulas fáceis de cura, descredenciando aqueles que trabalham sério, causando também muita confusão.

Primeiro, é preciso esclarecer a questão da mediunidade. Todos nós somos médiuns em potencial, inclusive, aqueles que não acreditam ou nunca pensaram nessa possibilidade. Mediunidade, 2º Allan Kardec no "Livro dos Médiuns" capítulo XIV , quer dizer: "Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não se constitui, portanto, privilégio exclusivo. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se classificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva..."

Médium é "aquele que faz uma intermediação entre uma e outra dimensão". E, na verdade, muitas vezes, entram em contato com suas próprias características espirituais, ou seja, toda bagagem acumulada por seus espíritos durante as suas jornadas. Como espíritos que somos, entramos em contato com a nossa própria sabedoria acumulada. De acordo com essa definição, poderíamos dizer, então, que qualquer profissional pode utilizar essa capacidade para atuar em suas profissões. Então, porque considerar esse dom somente aos chamados Curadores e Terapeutas? Aqueles que possem discernimento e algum conhecimento da espiritualidade sabem que devemos, primeiramente, ouvir nosso próprio coração. E o coração nunca se engana.

Um Terapeuta Holístico se prepara para exercer uma profissão que olha o homem como um todo: corpo, mente, emoções e espírito e se sujeita a essa confusão toda porque conta com a ajuda das "energias espirituais" em suas atividades e reconhece essa ajuda.

Acredito sinceramente que ninguém se forma Terapeuta pois, aquele que realmente é, já nasce com esse dom, e o exerce em suas diversas atividades.

Esse dom é a "síntese". Saber observar o outro na sua totalidade; ter a facilidade de conversar com cada um respeitando sua individualidade, suas crenças, seus padrões e conseguir bons resultados. A Síntese é uma característica do 2º Raio Dourado do Amor-Sabedoria.

Reconhecemos o verdadeiro curador através do amor dedicado por ele ao seu trabalho, e não tem esse profissional o direito de ganhar para seu sustento? Todo Terapeuta doa energia. Aquele que freqüenta um Centro espírita para doar, não vive disso. E aqueles que "sustentam" esse Centro arcam com todas as responsabilidades. E é só perguntar como é difícil pedir doações.

Conheci um local espírita onde os atendimentos eram feitos gratuitamente, mas, os remédios indicados aos pacientes, na maioria das vezes, custavam muito mais que uma consulta com um Terapeuta. E, em todos os lugares isso acontece assim, ou seja, ou alguém "sustenta os gastos" para que todos doem, ou precisam cobrar em outras atividades: como cursos, vendas de remédios, livros, etc.

Esta complexidade de opiniões é uma expressão da época atual que gera em todos os campos de pesquisa espiritual e mental, muita intranqüilidade e perturbação. Eu diria a todos aqueles que buscam a verdade e a luz que evitem julgar, criticar, ou fazer conjecturas a respeito.

Que escutem a voz do coração no silêncio, pois, somente assim, encontrarão as respostas a todas as suas perguntas. A direção verdadeira será por ele apontada.

Diria também que não influenciem as pessoas com aquilo que acham certo, porque cada pessoa tem capacidade para analisar e discernir sozinha.

No livro "Discurso do Mestre El Morya, Ele dá a seguinte orientação: "O caminho à perfeição é longo. Muitos buscadores se perdem nas veredas laterais. O desejo de perfeição exige esse preço. Deixai as pessoas andarem com seus próprios pés. Eu estou sempre ao Vosso lado e abençôo o vosso esforço."

É essencial que cada pessoa sinta que sua vida vale a pena. Escolher um caminho de serviço ao próximo é simples, não é preciso diplomas, e sim, muito, mas, muito amor no coração."

Vera Godoy




*por El Morya Luz da Consciência - nucleo.elmorya@terra.com.br
O Núcleo EL MORYA oferece Cursos, Vivências e Terapias.
site: http://www.veragodoy.com/

terça-feira, 22 de março de 2011

Adquirir responsabilidade o tornará livre - (Osho)


Pergunta - Ontem, quando vinha de meu escritório para a sua palestra, estava me sentindo muito deprimido, cansado e tenso; mas, após a palestra, me senti muito relaxado, energizado e renovado. Na, manhã seguinte, estou deprimido e tenso outra vez. Isso se deve à minha mente ou à atmosfera ao redor?


Osho - É devido à sua mente. A atmosfera ao redor é sempre fortalecedora. Se sua mente estiver em silêncio, a mesma atmosfera fortalecerá seu silêncio; se sua mente estiver tensa, a mesma atmosfera fortalecerá suas tensões. A atmosfera ao redor não conta; o que conta é sua mente. De outro modo, seria impossível alguém se tornar iluminado, porque todos estão cercados pelo mesmo tipo de atmosfera.

Eu me lembro de uma pequena história, uma história antiga de um rei sábio que costumava passear na capital no meio da noite com um disfarce para ver se as coisas estavam correndo da maneira como deveriam. Ele sempre ficava perplexo com um homem nu que costumava ficar embaixo de uma árvore, mesmo no meio da noite. Ele saiu várias noites, e o homem estava sempre lá, alerta. O rei ficou intrigado: o que ele estava fazendo? Um dia foi até lá e perguntou: "Qual é o seu problema? Por que você fica aqui, nu, nesta noite fria?"

O homem disse: "Tenho um certo tesouro que necessita de constante vigilância. Não posso ficar inconsciente nem mesmo por um único momento; é muito arriscado".

O rei perguntou: "Onde está o seu tesouro?"

O homem riu e disse: "Você não vai entender. Meu tesouro está dentro de mim. E, quanto mais consciente estou, de dia ou de noite, mais profundamente vou alcançando a mim mesmo".

Foi a primeira vez que o rei viu o homem tão de perto — um belo homem com olhos magnéticos, com uma aura invisível. O rei ficou comovido. Ele disse: "Sempre pensei em encontrar um mestre, mas nunca encontrei um. Não posso deixá-lo. Eu o convido a vir comigo ao meu palácio. Você terá tudo de que necessita. Por que permanecer aí parado? Isso não fica bem para o mestre do rei. A partir deste momento, você é o mestre do rei".

"É claro!", disse o homem e, a seguir, montou no cavalo do rei e pediu a ele que caminhasse a seu lado: "Vamos ao palácio".

O rei disse: "Este homem é estranho!" Nu, ele montava o cavalo enquanto o rei tinha de caminhar pela primeira vez em sua vida... "O que vão dizer os guardas do palácio quando nos virem?"

Mas o homem disse: "Não fique preocupado com os guardas, com sua esposa ou seus filhos; ninguém poderá interferir. Vou me apresentar; eu sou seu mestre".

O rei começou a ter dúvidas: "Este homem, que eu pensei que tinha renunciado ao mundo, em pé, nu r3or tantos dias... e ele disse sim tão desejosamente. Não apenas disse sim como imediatamente pulou no meu cavalo!"

No palácio deram-lhe o melhor quarto, as melhores comodidades, melhores que as do rei. Ele fazia questão: "Sou o mestre do rei, e será um insulto ao rei que o mestre tenha menos que ele". O rei lhe deu tudo o que era necessário e o jovem viveu em imenso luxo.

O rei pensou: "Fui enganado. Esse homem não é um verdadeiro santo, ele é um enganador. Ele estava lá de pé, nu, apenas para me enganar, e me enganou. Mas e agora, como me livrar dele?" Seis meses se passaram. Mas o rei era um homem culto; não podia dizer: "Você me enganou". Um dia, enquanto andava pelo gramado do palácio, o rei comentou: "É estranho, mas às vezes tenho uma dúvida. Você estava lá, nu, debaixo da árvore... Você renunciou a tudo do mundo e agora está vivendo no luxo. A pergunta que surge em minha mente é esta: agora, qual é a diferença entre mim e você?"

O homem disse: "A diferença? Você terá de vir comigo. No momento exato, no local exato, eu lhe darei a resposta".

Ambos foram, cada um em seu cavalo. Quando chegaram aos limites do reino, o rei disse: "Este é o limite. Agora você está entrando no reino de outro rei, e isso não é correto. Qual é a sua resposta?"

Ele disse: "Minha resposta é esta: este cavalo é seu, estas roupas são suas. Leve-as para casa, eu estou indo. Esta é a diferença: você tem um reino, eu não tenho um reino. Onde quer que eu viva, lá será meu reino".

O rei estava chocado, mas pensou que havia julgado mal o homem. Ele caiu a seus pés e disse: "Perdoe-me, eu o julguei mal".

O homem disse: "Simplesmente monte em seu cavalo e volte para o palácio, porque eu sou um homem muito simples.. . Posso colocar a roupa, o cavalo estará esperando e posso voltar — e a dúvida voltará à sua mente. Não quero criar nenhuma dúvida. Simplesmente pegue ambos os cavalos e essas roupas. Nu eu estava, nu eu estou — e existem tantas árvores, posso ficar em qualquer lugar".

O rei tentou convencê-lo, mas o homem disse: "Eu posso ir, não há problema; mas conheço a sua mente, e não é... Você está mentindo. Não é que a dúvida tenha surgido apenas agora, ela surgiu no exato momento em que montei em seu cavalo naquela noite, seis meses atrás. Para mim não faz nenhuma diferença: fui tão silencioso e pacífico, tão centrado, tão equilibrado embaixo da árvore como em seu palácio. A atmosfera, o meio ambiente à minha volta não fazem nenhuma diferença, absolutamente. Onde quer que eu esteja, lá é meu reino".

Não é a atmosfera. É dessa maneira que vamos jogando nossa responsabilidade nos outros; e isso não está correto, não é correto para um buscador. Um buscador deve ter claro que "toda responsabilidade é minha".

Você ficará surpreso em saber: no momento em que toma todas as responsabilidades sobre seus ombros, você é o homem mais livre do mundo, porque agora, onde quer que esteja, isso não faz a mínima diferença — sua liberdade está intacta, sua paz está intacta, sua integridade está intacta."



Texto extraído do livro: Dinheiro, Trabalho e Espiritualidade - OSHO

segunda-feira, 21 de março de 2011

Filme-documentário Terráqueos (Earthlings)! - Divulgando, em amor e esperança!

http://www.terraqueos.org/

TERRÁQUEOS (Earthlings) é um filme-documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico), mas também ilustra nosso completo desrespeito para com os assim chamados "provedores não-humanos".


Este filme é narrado por Joaquin Phoenix (GLADIADOR) e possui trilha sonora composta pelo instrumentista, dj e compositor Moby. Com um profundo estudo dentro das pet-shops, criatórios de filhotes e abrigos de animais, bem como em fazendas industriais, no comércio de couro e peles, indústria de esporte e entreterimento, e finalmente na carreira médica e científica, TERRÁQUEOS usa câmeras escondidas e filmagens inéditas para narrar as práticas diárias de algumas das maiores indústrias do mundo, as quais dependem de animais para lucrar.

Impactante, informativo e provocando reflexões, TERRÁQUEOS é de longe o mais completo documentário jamais produzido sobre a conexão entre natureza, animais, e interesses econômicos. Há vários filmes importantes sobre os direitos dos animais, mas este supera os demais."

sexta-feira, 18 de março de 2011

Trecho de "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei" - (Paulo Coelho)


"É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça. Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem - e será igual a amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico. Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres. A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé. Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo: “O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida.”


Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado ..."

quinta-feira, 17 de março de 2011

Instantes - (Nadine Stair)

"Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo".


*Essa poesia é atribuída ao escritor argentino Jorge Luís Borges(1899/1986), mas a verdadeira autora é uma americana chamada Nadine Stair.
De qualquer modo rodou o mundo como um alerta para a vida.



Fonte: http://www.stum.com.br/blog/blog.asp?id=00621

Tudo Certo - (Luiza Possi)



Tudo Certo - (Luiza Possi)
Composição: Dudu Falcão
"Calma, tenha calma
Minha previsão do tempo
Diz que hoje não vai chover
Alma, minha alma
Voa leve pelo vento
E me leva até você

Você me faz bem
Quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar
Meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem, tudo certo

Sei, eu sei que vejo mais do que eu deveria
Mas é que eu sou mesmo assim
Sinto, eu sinto tanto a sua falta todo dia
Volta e traz você pra mim
Quem mandou você passar pelo meu caminho
Quantas vezes eu vou ter que repetir
Quantas vezes ?

Você me faz bem
Quando chega perto
Com esse seu sorriso aberto
Muda o meu olhar
Meu jeito de falar
Junto de você fica tudo bem
Fica tudo certo"

quarta-feira, 16 de março de 2011

A compreensão espiritual é o significado do desenvolvimento - (Robert Happé)

"Já esta mais do que na hora da humanidade descobrir o lado espiritual do seu ser e dar uma boa olhada nos valores que criamos em nossas sociedades.


Medo e amor vão de certa forma de mãos dadas junto com nossa compreensão e consciência.

Nossa sociedade está negando o amor, porque se alimenta de medo.

Medo de ser rejeitado, abandonado ou punido e assim por diante.

Quando finalmente aprendemos a nos amar e a respeitar a raça humana como uma família, nos tornamos eficazes, com poder para começar a reconstrução de nossas vidas como uma raça indivisível dos seres humanos.

Muitos perderam a conexão com seus sentimentos de amor em sua procura por poder e controle.

Basicamente, eles precisam de ajuda para restaurar os sentimentos de amor que perderam.

Todos nós humanos em evolução, somos filhos de um só Deus que é Luz.

E Luz é conhecimento.

A razão pela qual tantas pessoas estão adormecidas e sem saber quem são, é por causa da programação de seu tipo particular de religião.

Há centenas de religiões e sistemas de crenças, todos cheios de regras e ameaças para o caso você não cumprir com essas regras inventadas.

Claro que isso cria muito medo e incerteza, que é claramente refletida em nossas sociedades.

Uma escolha deve ser feita - juntar-se aos religiosos e, portanto ficar com medo, ou unir-se ao espiritual e simplesmente ser livre e amoroso.

Espiritualidade é sobre amor e aqueles que estão em contato com esta energia amorosa que orienta a partir de dentro, mostram como exemplo o que essa verdade, tão ignorada, é de fato.

Esses são os filhos da Luz despertando.

Eles não precisam de regras, porque estão ligados ao poder do amor em seus corações. Eles não podem ferir ninguém, eles são honestos para amar e questionar tudo.

O motivo pelo qual a espiritualidade é pouco compreendida é porque a religião exige obediência às suas regras sem questionar.

Aqueles que estão em contato com seu coração e com seu espírito questionam tudo.

Todo relacionamento que temos é um relacionamento com o divino, isto é, quando você sabe que somos iguais.

Conhecimento é útil para reconhecer a verdade.

Quando finalmente nos fundimos com a parte espiritual de nosso ser, nos conectamos com essa energia amorosa que penetra o corpo, as emoções e a mente, causando uma sensação de paz, um estado divino de êxtase.

Isso pode ser experimentado em uma relação com outro ser igual, ou através da meditação, ou numa caminhada na mãe natureza.

A experiência de sentir-se unido com todos, é a sua conectividade com a inteligência mais elevada. Depois disso, tudo fica claro. Isto é desenvolvimento espiritual.

As mudanças feitas na atitude atrairão, como conseqüência, experiências superiores. É ciência.

As oportunidades para amar aparecem no seu caminho o tempo todo, pois o amor é a porta para a consciência superior.

Portanto, é recomendável não mais sentir medo do desconhecido, mas amar sobre tudo. As lições de vida e amor são muitas e, geralmente, confusas devido às diferenças religiosas, fica difícil ver o quadro inteiro de uma só vez.

Mas quando você aprende a confiar em si mesmo, uma orientação sutil dos níveis superiores do seu ser, através dos sentimentos, vai orientá-lo.

As energias aquarianas irão nos estimular para interiorização e a equilibrar as emoções, a separação entre mente e sentimentos, masculino e feminino e mente consciente e subconsciente.

Criar harmonia é exatamente isso, curar todas as partes negadas do seu ser.
Isso só é possível quando o amor está presente em todos os doze aspectos da consciência."


Robert Happé


Autor do livro "Consciência é a Resposta"
Fundador do Centro de Educação Espiritual
Fonte: www.roberthappe.net

Amor, conexão direta! - (Sathya Sai Baba)

"Desenvolvam o amor no interruptor principal do coração. Isto é a prática espiritual real. Este poder do amor atingirá qualquer coisa. O amor é a essência do caminho espiritual. Outras práticas espirituais, como a meditação, a repetição do nome de Deus, etc. são também bons, mas sem amor não têm utilidade.


O que é meditação?

É necessária para qualquer ação - andar, falar, escrever, ler e mesmo dormir. Vocês têm que se concentrar para tudo.

A vida é uma corrida. O provérbio diz: “Devagar e sempre se vai ao longe”.

Isto é bastante adequado para a corrida da vida. Precipitação leva ao desperdício e o desperdício leva à angústia.

Vocês deveriam, então, ir devagar e sempre, sem hesitações ou instabilidades. Qualquer coisa que façam, mesmo quando conversam com alguém, considerem como se fosse um trabalho de Deus. Se praticam isto, poderão ter paz."



Sathya Sai Baba
http://www.sathyasai.org.br/

terça-feira, 15 de março de 2011

No amor, não existe jogo ganho! - (Rosana Braga)

"Algumas pessoas, inocente ou inadvertidamente, acreditam que basta conseguir um "sim" do outro para que tudo esteja resolvido em sua vida afetiva. A esses desavisados, creio ser absolutamente preciso deixar bem claro: seja para um namoro ou, especialmente, para um casamento, o "sim" não é sinônimo de "E foram felizes para sempre..." como nos contos de fadas. Muito pelo contrário!


A decisão de viver um relacionamento amoroso, embora só seja possível diante do aceite de ambas as partes, apenas dá partida a uma longa viagem. E como qualquer viagem, no amor não é diferente: é preciso atenção, foco, investimento, tempo, dedicação e, sobretudo, saber onde se quer chegar, para não se perder no caminho!

A grande verdade é: num relacionamento, não existe jogo ganho! Para fazer valer a pena, é preciso exercitar todos os dias. Entretanto, infelizmente, muitos casais acreditam que o amor é uma espécie de mágica que acontece em suas vidas e, sem que nada precisem fazer, ele estará lá, agindo sobre seus corações e norteando suas escolhas.

Não, não, não! Amor é verbo, e como todo verbo, precisa ser conjugado! Precisamos praticá-lo, transformá-lo em ações propositais, em atitudes com objetivos claros e definidos. O amor é um planejamento feito a quatro mãos e dois corações. Senão, pode apostar que não vai funcionar!

Trata-se de uma química muito especial que, embora bastante poderosa e transformadora, acontece entre duas pessoas cujas naturezas são fugazes, frágeis, vulneráveis. Portanto, sem reforço e sem reconhecimento diários, a química desanda, a essência se perde. E para que você comece a renovar diariamente seu desejo de fazer seu relacionamento valer a pena, vou ressaltar três atitudes infalíveis. O quanto antes você começar a conjugar seu amor baseando-se nelas, mais fortes e consistentes serão seus resultados!


Reconheça verbalmente o que o outro faz de bom!
Principalmente, quando convivemos com a pessoa amada, tendemos a reclamar de certas atitudes que nos incomodam. Seja a toalha molhada deixada sobre a cama ou, ao contrário, a mania de limpeza e organização do outro; seja a falta de romantismo ou o ciúme exagerado; seja a ausência de carinhos ou o excesso de sensibilidade. Enfim, somos peritos em apontar o que consideramos errado e, embora exista o lado bom disso, que é dar ao outro a chance de se rever, melhorar e crescer na relação, é preciso ter o contrapeso! Ou seja, não podemos nos esquecer, como a maioria faz, de elogiar, de reconhecer o que o outro faz de bom! Senão, não há amor que cresça, que se torne intenso e gostoso! Por isso, procure demonstrar, verbalmente, olhando nos olhos, o quanto você valoriza e admira certas atitudes da pessoa amada. Seja a gentileza de perguntar se você quer água, seja o jeito cuidadoso de lidar com a casa, seja a tarefa diária de preparar a comida para a família. Qualquer elogio ou reconhecimento são sempre poderosos aliados do amor, porque mostra o quanto você está olhando e interagindo com o que o outro é!

Invista no contato físico!
Alguns casais, com o tempo, param de se tocar e nem se dão conta dessa mudança. Já não andam de mãos dadas, já não se beijam quando se encontram, quando acordam ou quando vão dormir. Vão se distanciando fisicamente, mantendo somente o contato verbal. Sua comunicação é razoável, conseguem se entender, mas bem pouco se tocam. Ser tocado e tocar o outro é um modo maravilhoso e infalível de investir na intimidade, na confiança e no carinho mútuo. Enquanto o outro dirige, por exemplo, coloque sua mão sobre a perna dele. Enquanto almoçam, faça carinho com os pés, por debaixo da mesa. Quando assistirem tevê juntos, faça um cafuné em seus cabelos ou deslize as mãos em suas costas. Não existe um ser humano no mundo que não goste de ser acariciado, que não queira se sentir acolhido, querido e amado. Demonstrações explícitas como o contato físico são tão poderosas que se tornaram indicação médica, em muitos casos. O toque tem o poder de curar as dores do outro, sejam orgânicas ou emocionais. E o amor, então, nem se fale. Imagine essas duas forças juntas: amor e toque? Estamos todos muito mais carentes de contato físico amoroso do que supomos. Sendo assim, aproveite a pessoa amada para saciar essa necessidade e ainda investir em seu relacionamento.


Nunca deixe de namorar!
Sei que a rotina e as pressões do dia-a-dia nos deixam anestesiados para a leveza e o lúdico do namoro. Como muito bem poetou Carlos Drummond de Andrade, "... Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria..." (essa poesia "Namorados" vale a pena ser lida com seu amor!). Então, namorar é reservar momentos de leveza e alegria que são só de vocês dois, sem os filhos, sem os amigos. Só você e a pessoa amada. Pode ser uma volta no parque do bairro, um cinema fora de hora, um chope na sexta, após o trabalho. Qualquer coisa que lembre vocês dois de que essa relação é, além de tudo, divertida e prazerosa. O nível de energia e motivação que esse tipo de atitude, mesmo que apenas uma vez por semana ou quinzenalmente, garante ao relacionamento é incrível. Experimente e sinta a diferença!


Enfim, meu caro, minha cara, não viva seu relacionamento como se o jogo estivesse ganho, por mais que esteja tudo bem! Assim como você investiria diariamente numa faculdade, numa academia ou num trabalho; ou ainda como investe nos cuidados com seu filho, sua casa ou seu corpo, lembre-se: é imprescindível estar atento ao seu relacionamento todos os dias! Essa é a diferença entre quem vive à espera da felicidade e quem faz a felicidade acontecer aqui e agora!"


*Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos e Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.



Fonte: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=10668

quinta-feira, 10 de março de 2011

Onde Está Você - (Mariana Aydar)



Onde Está Você - (Mariana Aydar)
Onde está você
Apareça aqui para me ver
Eu vou gostar demais

Sabes onde estou
E nada mudou
Venha me dizer onde você andou

Eu andei sem te encontrar
Por quase todo lugar
Eu perguntava por ti
Teus passos sempre segui
Querendo te encontrar
Só para falar de amor
Frases que nunca falei
Carinhos que nunca fiz
Beijos que nunca te dei
O Amor que te neguei
Agora eu quero te dar
E te fazer feliz.

Os fios da nossa vida - (Sonia Weil)


"Toda vez que amamos uma pessoa lançamos, por assim dizer, um fio de nossa energia sobre ela, o que cria uma conexão viva entre os dois campos vibratórios, mesmo à distância. Dessa forma, sentimos quando ela não está bem ou quando pensa em nós intensamente.


Projetamos esse fio de conexão também sobre os amigos, as pessoas que gostamos, os projetos que temos; toda vez que nos identificamos com alguém e alguma coisa, lançamos nela uma parte de nossa energia, criando o vínculo.

Da mesma forma, quando odiamos alguém ou temos medo de algo, também nos ligamos energeticamente, mesmo sem querer. Quantas vezes ouvimos falar de pessoas que durante anos e anos ficaram presas entre si pelo ódio, sempre realimentado, sem conseguir seguir adiante na sua vida...

As situações mal resolvidas no passado formam muitas vezes uma rede de fios que carregamos nas costas (à imagem dos cães que arrastam na neve os trenós nos países gelados ) – continuamos arrastando as lembranças e culpas pela vida afora - e empenhando tanta energia nisso que pouco sobra para estarmos disponíveis para o presente. Ficamos, literalmente, amarrados ao passado.

Vivemos, assim, em meio a uma rede de fios que nos liga às pessoas, situações, ideais, medos, lembranças e esperanças.
Esse vínculo pode ser muito prazeiroso em certas situações, como quando amamos; mas quando o contato termina, muitas vezes sentimos que uma parte de nós ficou com o outro. Embora estejamos nos referindo aos sonhos e expectativas, isso ocorre realmente em termos energéticos.

É necessário puxar o fio de volta, resgatar a energia que ficou projetada sobre o outro, e Integrá-la novamente em si mesmo. Voltar a estar inteiro.

O perdão é uma forma de fazer isso. Ao perdoar o outro, abrimos mão de toda expectativa lançada sobre ele e com isso trazemos de volta toda a nossa energia que com ele estava – seja sob a forma de amor, mágoa, raiva ou desejo de vingança. Ao liberar o outro, nos libertamos também.

Da mesma forma, ao resolvermos internamente alguma situação do passado - aceitando as coisas da forma como aconteceram, mesmo que não tenha sido da maneira como esperávamos - recebemos de volta a energia lá investida e que até aí estava paralisada.

Ao fazer isso, fecha-se a brecha, e nos tornamos mais completos novamente. O que o outro faz não nos afeta mais. O que aconteceu é passado. Nos tornamos mais atentos ao presente. E, principalmente, mais disponíveis para a vida."

 
*Sonia Weil é é professora de Comunicação Social e pesquisadora na área de Numerologia, onde atua com consultas, cursos e palestras desde 1986. Realiza também palestras e workshops sobre a Lei da Atração (do filme O Segredo) em empresas e institutos esotéricos.


 
 
Fonte: http://www.stum.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=10449

quarta-feira, 9 de março de 2011

O espelho cósmico - (Chögyam Trungpa)


"Para redescobrir o agora, precisamos olhar para trás, olhar para o lugar de onde viemos, para o estado original. Olhar para trás, nesse caso, não significa olhar para trás no tempo, retroceder milhares de anos. Significa olhar para trás em nossa própria mente, olhar para um ponto anterior ao começo da história, anterior ao início do pensamento, anterior à eclosão de qualquer pensamento. Quando estamos em contato com este solo original, as ilusões do passado e do futuro nunca nos confundem, pois somos capazes de permanecer continuamente no agora.


Esse estado original do ser é comparável a um espelho primordial, cósmico. Primordial, aqui, significa incondicionado, não causado por nenhuma circunstância. O que é primordial não é uma reação a favor ou contra uma situação qualquer. [...] à semelhança do espelho, é capaz de refletir tudo, do mais óbvio ao mais sutil, e continua a se manter como é. O quadro de referência básico do espelho cósmico é extremamente vasto e está absolutamente livre de qualquer predisposição: matar ou curar, esperança ou medo.

A maneira de olhar para trás e vivenciar o ser do espelho cósmico é simplesmente relaxar. Relaxar, nesse caso, é algo muito diferente de amolecer ou ficar à toa [...]. Aqui, relaxar significa relaxar a mente, deixar de lado a ansiedade, os conceitos e a depressão que normalmente nos aprisionam. [...] Durante a meditação não nos colocamos nem “a favor” nem “contra” as experiências. Ou seja, em vez de louvar determinados pensamentos e reprovar outros, adotamos uma atitude imparcial. Deixamos que as coisas sejam como são, sem julgamento, e assim nós mesmos aprendemos a ser, a expressar nossa existência de maneira direta e não-conceitual. Esse é o estado ideal de relaxamento, um estado que nos permite vivenciar o agora do espelho cósmico. Na verdade, isso já é a vivência do espelho cósmico.

[...] Quando somos capazes de olhar para as coisas sem dizer: “Isso me é favorável ou desfavorável”, “Concordo com isso” ou “Não concordo com isso”, estamos vivenciando o ser do espelho cósmico, a sabedoria do espelho cósmico. "



Chögyam Trungpa, Shambala, A Trilha Sagrada do Guerreiro, Editora Cultrix, São Paulo, 1997
Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=9371

terça-feira, 8 de março de 2011

Dança do Ventre: Corpo, Mente e Alma em Movimento - (Felipe Salles Xavier)


Antes do verbo era o ventre, a força criadora do universo e da vida. O que seriamos nós sem o ventre? Sendo que é através dele que ganhamos à vida. Ele é o centro da existência e da criatividade humana por excelência.




Origem

Atualmente acredita-se que a dança foi à primeira forma artística de expressão e simbolização do ser humano, a principio ela possuía a finalidade de imitar os animais, a natureza e os elementos mágicos, ou seja, imitar tudo aquilo que rodeava nossos antepassados, foi ela a primeira maneira concreta de simbolizar com o corpo e também de um compreender e unificar-se ao sagrado, ao mundo e ao fluxo da vida. (SCÁRDUA, 2007.)

A dança assume um papel importantíssimo no desenvolvimento humano, serviu para tentar explicar a nossa própria existência, o fato de nossos antepassados dançarem contribuiu em nosso desenvolvimento biológico, corpóreo e psicológico, experimentando sensações, emoções e sentimentos que eram liberados por esse fazer artístico.

Por isso a dança é uma ferramenta que nos possibilita uma unificação ao sagrado, já que nas culturas pré-históricas tudo aquilo que nos cercava era tido como sagrado, pois a crença de sermos fruto do mesma mãe, do mesmo útero, era fortemente socializada, essa mãe é chamada de terra, Gaia, a deusa-mãe natureza.



A Dança do Ventre

A dança do ventre foi à primeira forma de expressão do feminino, ela surge em várias culturas, há indícios de que possa ter surgido no antigo Egito por volta de 7.000 a.C, onde eram realizadas por sacerdotisas para rituais de fertilidade e adoração, e também existem pesquisadores que acreditam que ela tenha surgido com um povo mais antigo, os sumérios, provenientemente de um ritual sagrado. (PENNA, 1993)

As atribuições artísticas só foram incorporadas com a invasão dos árabes ao território egípcio, quando os padrões da dança foram miscigenados, adicionando um caráter comemorativo, onde se celebra as formas de vida, a magia, o nascimento.

O verdadeiro nome dessa dança é Raks Sharki (dança do oriente), nos Estados Unidos é conhecida como Belly Dance (dança da barriga/ventre), e no Brasil é chamada de Dança do Ventre, esta é uma dança produzida por mulheres e para as mulheres, foi desenvolvida num tempo onde as deusas estavam vivas e presentes em forma de mito, num tempo onde a mulher e a serpente eram sagradas.



A Serpente

A serpente é um símbolo mítico ligado ao feminino, à fertilidade, a regeneração e a saúde. Ela também incorpora o ciclo da vida, enquanto Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda, representa a evolução própria, a continuidade, a auto-fecundação, a proximidade entre o mundo superior e inferior, e ainda a idéia de eterno retorno. Portanto, a vida. (JUNG, 1964)



Mitos e Arquétipos

Os mitos são a conscientização de arquétipos do inconsciente coletivo, neles encontramos representações internas, transcendentes e coletivas, que servem para organizar o funcionamento psíquico e o comportamento, de acordo com o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, os mitos ilustram arquétipos, e estes não podem ser descritos, entretanto podem ser “representados”. (JUNG, 1964)

Segundo Hall (1989), os arquétipos são padrões universais, determinantes inatos da vida mental, é uma parte não individual da psique, e algo coletivo, resumindo, são tendências herdadas no inconsciente coletivo, que faz com que os indivíduos se comportem de forma semelhante aos ancestrais que passaram por situações parecidas.



Impressões Psicológicas

A dança do ventre está intimamente ligada ao arquétipo da Grande Deusa-Mãe, que esta relacionado à criação, o nascimento, a fertilidade, aquilo que é puro e sagrado.

Em cada ser humano existe, no mais profundo do seu mundo interior, a recordação da Mãe. Mãe como natureza, mãe como mulher que gerou e criou, mãe como símbolo de toda a poderosa força criadora individual e universal. São impressões psicológicas muito antigas, relacionadas com a experiência do nascimento e da morte. A imagem arquetípica de uma formidável energia que pariu tudo o que existe fica latente no plano inconsciente até que se ative pelas experiências da vida, ou seja despertada por meios invocatórios, como na dança ritualística. Qualquer mulher, quando vai ser mãe, sofre certa estimulação inconsciente desse arquétipo. Na pratica, tudo funciona para que ela se adapte da melhor maneira possível à tarefa de parir, usando o acervo humano de incontáveis experiências. O arquétipo da Grande Mãe é uma espécie de banco de dados de incontáveis experiências de concepção, gestação, parto e cuidados maternais registrados no inconsciente. Tudo é parte do amplo conjunto de memórias do processo evolutivo humano. (PENNA, 1993, p. 87 - 88)

As mulheres que praticam essa dança entram numa espécie de viagem interior, onde ganham contato com vários símbolos, emoções e sensações ainda não experimentadas, surgem assim às imagens arquetípicas. Na dança do ventre alguns desses arquétipos são: o Materno, a Odalisca, a Prostituta Sagrada e Afrodite, esses dois últimos estão associados à sensualidade, aos desejos e ao prazer.



O Materno

O arquétipo Materno surge de diversas formas, mas sempre de uma simbologia própria, para diversos psicólogos junguianos, o arquétipo da Grande Deusa-Mãe é o próprio arquétipo Materno. A imagem da Grande Deusa-Mãe surge através da história das religiões, e se estende em várias imagens arquetípicas. Nos olhares da psicologia nos relacionamos com o arquétipo Materno através da própria mãe e a avo, da madrasta e a sogra, e outras mulheres com as quais nos sentimos bem, também com a igreja, a universidade, a cidade, a floresta, a lua, útero e outros. São todos esses e muito mais os símbolos que tratam deste arquétipo. Algumas das características que esses arquétipos trazem são: a bondade, o feminino, a sabedoria, a espiritualidade, o cuidado, o instinto, a fertilidade, o oculto, o obscuro, o renascimento, o sedutor, o venenoso, o pavor e o mortal.



A Odalisca

A Odalisca é uma dançarina que se utiliza dos homens para satisfazer sua sexualidade, ela traz a sensualidade como forma de vida. É uma mulher comum que serve sexualmente no harém do rei, uma de suas técnicas de sedução é a dança do ventre. Esse arquétipo fala da relação com o próprio desejo, as mulheres em contato com ele vivem a idéia de serem vistas como deusas da beleza, da sensualidade e do prazer, o que é uma condição psicológica existencial, aonde vêm o sexo como uma forma de domínio pelo prazer, isso é uma necessidade de acabar com a própria impotência, inferioridade que tem inconscientemente.



A Prostituta Sagrada

A Prostituta Sagrada é uma mulher humana que encarna as diversas deusas do amor, paixão e da fertilidade, algumas dessas são: Inana (Sumária), Istar (Babilônia), Isis e Bastet (Egito), Astarte (Fenícia), Afrodite (Grécia) e Vênus (Roma). Ela representa a sexualidade de forma divina, é a sexualidade feminina sendo reverenciada, são responsáveis pela felicidade sexual e pelo desejo. Através dessa imagem a mulher se encontra com o próprio corpo, usando ele como arma sedutora para conseguir o que quer dos homens. Ao rejeitá-la pode-se trazer insatisfação na vida, e ao ser possuída por ela, a mulher pode achar que a única coisa que tem a oferecer é o próprio corpo.



Afrodite

A deusa Afrodite na mitologia é filha apenas do pai. Seu nascimento se da quando Zeus, corta os testículos de Cronos e seu esperma acaba caindo nas águas. Dessa união nasce Afrodite, a filha do masculino e da emoção. A deusa não conhece o feminino, logo, acha que sua beleza é tudo que tem a oferecer, esse arquétipo trás as informações do “falso” feminino, entretanto, não vivenciá-la traz conseqüências amargas, como a falta de auto-estima, auto-conhecimento, falta de sexualidade e beleza corporal.

As mulheres tomam contato com essas informações do inconsciente através de visões e sonhos que aparecem depois de algum tempo do trabalho corporal que é feito, o ideal é que as praticantes dessa arte busquem uma psicoterapia junguiana para trabalharem os símbolos e entrarem em contato com o seu verdadeiro eu.



O Corpo

Outro fator importante na dança do ventre é o trabalho bioenergético que se realizam, os movimentos trabalham os músculos superficiais e profundos, soltando-os dos ossos, deslizado e realinhando toda a musculatura, vértebras e a própria postura, isso faz com que haja uma mudança em todos os estados afetivos e psicológicos, dessa forma acaba fazendo com que as couraças se dissolvam, liberando as emoções que no decorrer de nossas vidas ficam presas ao corpo.

Boyesen (1986) diz que as couraças são tensões que são geradas ao longo da vida, servem para proteger o indivíduo de experiências dolorosas e ameaçadoras.

Para os psicoterapeutas corporais, o corpo conta a história de vida de cada indivíduo, e o trabalho corporal é necessário para que ocorra a liberação de emoções “engarrafadas” no corpo e para um melhor fluxo de energia orgônica, o que nos proporciona uma melhor qualidade de vida.

Segundo Reich (2004), médico e psicanalista o Orgone é uma energia universal, sem massa e nem inércia, que esta em tudo o que é vivo, e ele pode ser acumulado no corpo através da respiração profunda.

Na dança do ventre é fundamental o trabalho com muitos músculos e com respiração profunda, o que é base no trabalho corporal, os seus movimentos atuam diretamente nos desbloqueios das couraças e no acumulo de orgone.

Nessa abordagem levamos em conta que o corpo é um local privilegiado da subjetividade de cada um, e deve ser respeitado como tal.

A dança do ventre religa as suas praticantes ao feminino, ao sentimental, ao puro, ao sagrado, ao prazer, ao corpo e aos arquétipos, nos remetendo a tudo aquilo que é essencial a vida e que a sociedade atual não tem tempo para desfrutar, ou seja, ela possibilita uma (re)construção sobre um ser humano primordial.

Nessa jornada do auto-conhecimento entramos num processo de auto-cura onde há aumento da auto-estima, sensualidade, sexualidade, do gosto pela vida e melhor fluxo de nossas próprias idéias, afetos e emoções.

Então com olhares de duas abordagens psicológicas distintas, podemos ver que trabalham excelentemente bem juntas, um trabalho corporal e analítico, nos faz entrar em contato com a nossa verdade, com nossos símbolos, com o sagrado e com um corpo-Eu, é a aproximação perfeita de corpo, mente e alma."



REFERÊNCIA:
BOYESEN, G. Entre Psiquê e Soma, São Paulo-SP: Summus: 1986.
HALL, J. A. A Experiência Junguiana: Análise e Individuação. São Paulo-SP: Cultrix, 1989.
JUNG, C. G. (Org). O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 1964.
PENNA, L. Dance e Recrie o Mundo: A força Criativa do Ventre. São Paulo-SP: Summus, 1993.
REICH, W. Análise do caráter, São Paulo: Martins Fontes, 2004.
SCÁRDUA, A. V. C. Dança e o Movimento da Vida. Khan El Khalili. Disponível em: . Acesso em: 13 março 2007.


*Felipe Salles Xavier, Integrante do projeto Papeando Com a Psicologia. Oficineiro do Projeto Escola Aberta ministrando cursos de Psicologia Junguiana e Corporal, Danças e Artes. Acadêmico do Hospital Santa Casa de Misericórdia atuando em orientação, acolhimento, plantão psicológico e psicoterapia junguiana e positiva. Desenvolve pesquisas em “Mito e o Corpo” e “Psicologia da Arte Marcial: Tae Kwon Do e Imaginário Arquetipico”. É estudante de Psicologia do Instituto de Ensino Superior e Formação Avançada de Vitória (FAVI).
Site: http://www.psiqueobjetiva.wordpress.com/



Fonte: http://jalilahs.blogspot.com/search?updated-max=2010-12-14T15%3A50%3A00-08%3A00&max-results=7

Eu Sou - Sagrado Feminino - (Allys Madron)

"Eu sou a Deusa de dez mil nomes e infinitas possibilidades...

Eu danço e com meu corpo traço a magia de Ser e Existir...


Minha cabeça se movimenta como a SERPENTE que é o meu símbolo...

Sou SERPENTE... sinuosa, escorregadia, misteriosa... vivo na mente dos homens e nem por isso sou conhecida... sou temida, pois desconhecem minha força... troco de pele e com isso renasço...

Tenho asas... os meus BRAÇOS se estendem em todas as direções, expandindo minha energia, me levando para todos os lugares... sou pássaro que voa sem destino, sou serpente que chega aonde quer...

Tenho em mim o segredo dos elementos, minhas MÃOS dão e recebem de acordo com minha vontade... doar... reter... receber... ações determinadas por mim, de acordo com o momento... mas sempre... sempre... interagir... ser uma em tudo...

Os meus SEIOS despertam o desejo e saciam a vontade dos homens, sou o leite que dá a vida, e em mim todos encontram o ritmo perfeito de Morgana das fadas... mesmo em um leve movimentar de OMBROS...

O meu VENTRE... ele é o caldeirão do conhecimento, chave dos tesouros, dos mistérios, dos prazeres escondidos... mas para chegar até ele, não tente ir em linha reta... não sou racional... me procure na SINUOSIDADE dos movimentos da terra, o meu corpo é a própria terra... Em movimentos eu me entrego e me faço querer...

Se estiver pronta, me siga... deixo através de meus PÉS cada pegada marcada, ensinando a você como chegar até mim... e quando me encontrar, esteja preparada para olhar em meus OLHOS... pois são eles o portal para o meu mundo...

Lá, encontrará o CORRER DAS ÁGUAS... o DESPERTAR DO FOGO... e então, você poderá dizer se conhece ou não a FORÇA DA MÃE TERRA".



Dança do Ventre - Resgatando o Sagrado Feminino - (Nanda Najla)

"Para mim a Dança do Ventre é a mais bela manifestação do feminino. Dançando, despertamos a Deusa que está dentro de nós, e assim entramos em contato com a nossa serpente do conhecimento, e deixamos aflorar na pele a donzela, a mãe e a anciã, que juntas dão forma ao nosso ser mulher". Nanda Najla


O que chamamos hoje de dança do ventre é proveniente de um ritual sagrado anterior à mais antiga civilização reconhecida historicamente, a dos sumérios. Está ligada aos ritos de fertilização em honra das divindades femininas que protegiam as águas, as terras, as mães e seus filhos. Todas as criaturas eram consideradas filhos da Deusa, louvada em ritos em que as mulheres dançavam procurando receber a força da Grande Mãe.

Hoje em dia, muito disso se perdeu, e pra ser mais sincera, se perdeu quase tudo. A dança do ventre passou a ter um aspecto artístico e deixou de lado a espiritualidade. Porém, em cada ser humano existe, no mais profundo do seu mundo interior, a recordação da Mãe. Mãe como natureza, mãe como mulher que gerou e criou, mãe como símbolo de toda e poderosa força criadora individual e universal. São impressões psicológicas muito antigas, relacionadas com a experiência do nascimento e da morte. A imagem arquetípica de uma formidável energia que pariu tudo o que existe fica latente no plano inconsciente até que se ative pelas experiências da vida, ou seja, despertada por meios invocatórios, como na dança ritualística.

Dançar o sagrado significa celebrar a vida.

Através da dança conseguimos acessar o nosso inconsciente, resgatando a nossa Deusa Interior, e passamos a tratar com mais sabedoria os recursos criativos do nosso corpo e espírito.

É um processo de auto-conhecimento que conduz a um aumento de auto-estima, de compreensão, aceitação e valorização do próprio corpo e do próprio ser.

Nós, mulheres atuais, sacerdotisas de nós mesmas, devemos resgatar a consciência do sagrado feminino, e ao descobrirmo-nos inteiras, nos enxergamos a própria Deusa, capaz de celebrar a vida, e através disto encontrar a nossa paz espiritual, afinal, todas as Deusas estão potencialmente presentes em cada mulher. Dance e recrie o mundo!"



Fonte: http://www.abrawicca.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=102&Itemid=115

domingo, 6 de março de 2011

Renascer para a própria vida - (Thays Prado; Revista Bons Fluidos)



"Ao aplicar a técnica de respiração conhecida como Renascimento, tomamos consciência de velhos padrões de comportamento e ficamos mais livres para viver em um estado de presença e expansão.


Desde muito cedo aprendemos que as opiniões dos outros são mais importantes do que nossa própria experiência. Caiu? Não, não doeu, diz o adulto. O amigo lhe roubou a bola? Ora, você precisa aprender a dividir. Está triste? Homem não chora. Está com raiva e quer gritar? Menina educada não faz isso. Quase ninguém escapa dos velhos clichês que vão moldando a vida de cada um de nós. Pais, professores, livros didáticos, líderes religiosos, programas de TV estão sempre a nos dizer o que devemos ou não sentir, fazer, viver e assim por diante. Dessa maneira, passamos a classificar o mundo em duas categorias: o certo e o errado.

E daí não é difícil chegar à conclusão de que, infelizmente, uma porção de coisas precisa ser deixada debaixo do tapete, se quisermos realmente ser aceitos socialmente. E de tanto esconder do mundo e de nós mesmas certos sentimentos e pensamentos -- naturais em qualquer ser humano -- vamos nos afastando das sensações mais legítimas. No entanto, ao reprimir uma parte nossa, de algum modo isso fica registrado em nosso corpo e em nossa memória. “Tudo aquilo a que resistimos, persiste”, afirma o terapeuta Maurício Bastos, do Espaço Integração, em Cotia, São Paulo, que desenvolve um trabalho baseado na técnica do Renascimento. Com isso, começamos a criar padrões de comportamento, ou seja, a dar as mesmas respostas sempre que uma situação parecida acontece.

Segundo Khalis Chacel, fundador do Instituto de Renascimento de São Paulo, juntamente com sua mulher, Tárika Lima, o estabelecimento de padrões de comportamento automatizados pode ocorrer basicamente de duas formas: ou passamos por uma experiência muito intensa, uma espécie de trauma, ou vivenciamos, repetidas vezes, uma situação semelhante, que também deixa seu registro e, nos dois casos, suprimimos ou rejeitamos sentimentos, emoções ou pensamentos ligados àquele fato. É por meio desse mecanismo que uma vítima de acidente de trânsito na adolescência, por exemplo, pode passar o resto da vida sofrendo tensão corporal todas as vezes que entra em um carro. Ou ainda: uma mulher pode se sabotar sempre que vislumbra a possibilidade de uma relação amorosa dar certo, pois mantém a crença de que logo será abandonada, tendo por base seus primeiros relacionamentos.

Independentemente de os padrões serem positivos ou negativos, eles nos dizem que estamos usando referências antigas para viver uma situação que, se olharmos bem, é completamente nova. Afinal, este momento, aqui e agora, nunca aconteceu antes em toda a nossa existência.


Mudança essencial
Por mais incrível que possa parecer, segundo Chacel, o modo como absorvemos o ar está diretamente relacionado à maneira como buscamos novas conquistas na vida; fala de nosso entusiasmo diante do novo e de quanta disposição temos para alcançar um objetivo. Por outro lado, o processo inverso revela nossa capacidade de nos entregar, de desfrutar o que conquistamos, de relaxar e confiar. “Pessoas com dificuldade de conseguir o que desejam, de se virar no mundo ou que acham a vida pesada normalmente têm a inspiração prejudicada. Já aquelas que se sentem deslocadas, tímidas ou tensas, ou ainda as que se julgam culpadas por terem o que têm podem apresentar dificuldades com a expiração”, afirma.

Bastos acrescenta que “à medida que oxigenamos conscientemente nosso corpo e, principalmente, nosso cérebro, vamos alterando as sinapses, ou seja, as comunicações entre os neurônios, que tinham um padrão repetitivo e condicionado e passam a fazer novas conexões. Assim, podemos desenvolver uma habilidade mais criativa no modo como vivemos, uma permissão para o novo, um não reagir contra e, sim, um acolhimento ao que está acontecendo agora”.

A boa notícia é que a sugestão do especialista pode ser colocada em prática graças à técnica conhecida como Renascimento. “Mais do que rotular os clientes de acordo com seus padrões respiratórios, procuramos auxiliá-los a sair do estado de contração para o de expansão, por meio de uma inspiração mais ampla e de uma expiração mais relaxada”, diz Chacel. “Essa alteração nos proporciona prazer, bemestar, vitalidade e confiança para continuarmos o processo de desenvolvimento pessoal.”

Na realidade, o Renascimento nos ajuda a recuperar nosso estado natural, com uma respiração solta, fluida e sem tensões. “Crianças bem pequenas e mesmo animais que não tenham sofrido traumas são livres, expansivos. Só nós estamos aqui nos preocupando com tantas coisas”, afirma Chacel.


Passo a passo

Para alcançar novamente esse estado, o renascedor (terapeuta que trabalha com a técnica Renascimento) auxilia o paciente a realizar uma respiração específica durante algum tempo -- normalmente, uma sessão dura cerca de uma hora, mas isso pode variar bastante. Ela pode acontecer individualmente, em pares ou em grupos, dentro de um consultório, de uma piscina, ou até mesmo em contato com a natureza. O número mínimo de sessões é definido em conjunto, pelo terapeuta e o paciente. Alguns renascedores utilizam a técnica de maneira catártica, mas, no Instituto de Renascimento de São Paulo, Khalis Chacel e Tárika Lima optam por uma abordagem suave, integrada a conceitos meditativos e a filosofias orientais. Na visão do casal, o relaxamento é importante para que o paciente possa acompanhar o que acontece durante a sessão e desenvolver mais percepção e consciência sobre si mesmo. Para escolher um terapeuta, a dica é marcar uma sessão e sentir se você tem afinidade com a abordagem realizada.

Seja como for, o conteúdo das sessões é semelhante. Deitado ou sentado, o paciente é convidado a “respirar grande”, o que significa deixar sua inspiração pelo menos duas vezes mais ampla do que ela costuma ser no dia a dia. Em momentos em que queremos evitar algum sentimento, emoção, ou mesmo uma situação externa, tendemos a tensionar e prender a respiração. Quando a ampliamos, automaticamente, nos tornamos mais aptos a entrar em contato com o que vivenciamos. E não é só isso. Essa nova forma de trazer o ar para dentro melhora o humor, garante doses extras de tranquilidade para lidar com as questões que aparecem no decorrer do dia, mais disponibilidade para sorrir, aprender e encarar a vida como uma oportunidade infinita de trocas, experiências e aprendizados.

Como a respiração curta costuma gerar contração corporal e tensão mental, com um fluxo de pensamentos acelerado ou fixo em um único pensamento repetitivo, a segunda orientação do renascedor é que o paciente relaxe. “Ao perceber que a contração é involuntária, mas que o relaxamento depende de nossa vontade para acontecer, e que podemos aprender a soltar o corpo, deixamos de gastar energia nos contraindo e paramos de reforçar qualquer padrão de medo, dor ou trauma”, diz Chacel.

A terceira orientação é observar a prática sem julgá-la. Isso porque, enquanto usamos a técnica, é possível que surjam pensamentos, sentimentos, emoções, imagens, sensações físicas ou lembranças. O importante é continuar respirando e acolher qualquer coisa que venha, sem brigar, tentar interpretar ou reviver o que está acontecendo. Chacel lembra que enquanto respiramos nossa mente continuará em atividade. Afinal, sua função é mesmo pensar. “Não tente evitar os pensamentos”, diz ele. “Adotamos uma atitude de não interferência, como se assistíssemos a um filme, em que acontecem sons, imagens, mas escolhemos não conversar sobre isso, ficamos quietos, como se disséssemos ‘aham’ para qualquer coisa que venha.”

Ensinados esses três elementos fundamentais para o Renascimento, o paciente começará a respirar grande, pela boca ou pelo nariz, enchendo os pulmões de ar até a parte alta do peito. Também é importante emitir um som do fundo da garganta, semelhante a um sussurro, e manter a respiração conectada ou circular, quer dizer, sem pausas entre a inspiração, a expiração e a inspiração seguinte. Durante a inspiração, a atitude é ativa, pois trazemos o ar para os pulmões. Já na expiração, a atitude é passiva, o corpo relaxa e o ar sai naturalmente, sem que nenhum esforço seja necessário.


Consciência e integração
Durante uma sessão de Renascimento nesses moldes, o foco não está em tentar entender por que determinada sensação apareceu e não outra, fazer uma relação de causa e efeito entre o que aconteceu na infância e a imagem que surgiu, ou se livrar de um determinado trauma. O mais importante é, simplesmente, se entregar à experiência e acompanhar o que quer que aconteça, exatamente como é. Em vez de gastar tempo e energia evitando que pensamentos, sentimentos ou lembranças desagradáveis surjam, apenas dirigimos nossa atenção ao que está acontecendo, sem resistir. Com essa atitude, a tendência é que aquilo logo se dissolva e se transforme em algo novo. “Naquele momento, aquele incômodo -- junto com um pensamento que surgiu e a sensação que veio depois -- pode fazer sentido e eu me dou conta, por exemplo, da maneira como tenho de agir. É a habilidade de observar as reações do meu corpo agora, os pensamentos e sentimentos surgindo, que chamo de consciência, e não as explicações mentais sobre isso”, diz Chacel. “Independentemente do conteúdo, o fato de se dar conta, em si, já é muito rico. E a partir disso, o corpo encontra um novo fluxo, um novo caminho de expansão.”

Afinal, quando se escolhe, deliberadamente, ficar no momento presente, com o corpo solto, a respiração grande e a mente livre, o que estiver preso ou reprimido em qualquer um desses níveis não tem mais como se manter. Aquele padrão de comportamento, aquela velha tensão, aquele jeito antigo de se organizar e lidar com a vida se desestruturam e a energia volta a fluir livremente.

Assim, ao término de uma sessão, a intenção é que o paciente tenha uma sensação de profundo relaxamento, bemestar e vitalidade. A esse estado dá-se o nome de integração, que significa que ele se tornou consciente de alguma coisa que havia sido represada ou suprimida e que agora foi acolhida.

Para que determinado conteúdo seja acolhido e reintegrado, não é necessário voltar, mentalmente, ao momento em que o trauma aconteceu ou ao primeiro episódio que nos causou dor, raiva ou sofrimento. Muitas vezes, durante o Renascimento, nosso sistema interno se reorganiza sem que haja qualquer lembrança associada, simplesmente pelo fato de estarmos respirando de maneira relaxada e sem julgamentos. “A consciência em si é o grande agente transformador”, afirma o terapeuta Maurício Bastos, do Espaço Renascer.

A psicóloga Patrícia Cuocolo, que trabalhou nos últimos cinco anos com Renascimento no Espaço Integração, diz que a técnica auxilia os pacientes a sair de um entendimento puramente mental e a entrar em contato com seus sentimentos, gerando a possibilidade real de transformação ao colocar a energia vital em movimento.

 
Um novo estado de ser

Os benefícios da prática do Renascimento variam de uma pessoa para outra, mas, em linhas gerais, quase todos os pacientes relatam terem sensações de relaxamento profundo, alívio, bem-estar, leveza, diminuição de medos e de ansiedade, aumento do prazer de viver e do grau de felicidade, bom humor, delicadeza e paz interior.

Em termos físicos, a respiração fica mais fluida e torna-se mais fácil perceber quando não estamos respirando bem. O funcionamento do corpo de um modo geral também melhora. Emocionalmente, passamos a ter mais fluidez nas trocas com outras pessoas, permitindo-nos sentir o que quer que seja, sem nos perdermos nos dramas da vida. Há ainda ganhos mentais, como o aumento do potencial cognitivo e da perspicácia.

Maurício Bastos diz que a técnica ainda expande nosso potencial criativo, melhora a qualidade de nossas escolhas na vida e nas relações interpessoais. “A respiração é o grande veículo para a intimidade e a âncora para vivermos no momento presente, no campo das infinitas possibilidades.”

A nutricionista Renata Pinotti, de 32 anos, que já participou do workshop de formação oferecido pelo Instituto de Renascimento de São Paulo, conta que essa foi uma das experiências mais incríveis que ela viveu. “Descobri um lugarzinho dentro de mim que eu não sabia que existia, um lugar de amor, onde você consegue encontrar a solução para os seus problemas com calma e tranquilidade, apenas respirando.”

Sempre que está estressada ou mesmo fisicamente doente, Renata pratica a respiração circular e sente que seu corpo consegue se reequilibrar com muito mais facilidade. Ela ainda revela que seu jeito de olhar para a vida ficou totalmente diferente. “Estou menos crítica e dura comigo mesma. Tenho sido mais compreensiva com meus erros e menos impulsiva, consigo dar uma proporção mais real para os problemas e reagir de maneira mais consciente.”

O radialista Bruno Bock, de 26 anos, diz que o Renascimento o ajudou a descobrir que a vida é muito mais do que aquilo que costumamos experimentar. “Aprendi que ser feliz não está em movimentos externos e, sim, no que realizamos interiormente.”

Ele, que já perdeu as contas de quantas vezes fez os módulos básico e avançado da formação em Renascimento, conta que sempre volta das vivências muito mais sensível. “É aí que você percebe quanto estava anestesiado, em desequilíbrio. As pessoas estão malucas quando acham que a vida que levam é felicidade. Eu digo: você não sabe aonde dá para chegar.”

Chacel alerta, porém, que o Renascimento não promete uma solução mágica ou uma vida sem novas frustrações. “Muitas vezes, adquirir mais consciência e um estado de expansão significa perceber que não dá mais para continuar em um casamento ou que o emprego atual se tornou insuportável”, diz. “Mas, ainda assim, o caminho é em direção a um estado de mais liberdade, e liberdade significa ter, pelo menos, uma segunda opção.”

“A maioria das pessoas tem a noção de que a respiração é, simplesmente, um mecanismo de sobrevivência, algo necessário e inevitável. No Renascimento, vemos a respiração não apenas como nossa maior riqueza, mas como uma grande alegria e diversão”, Khalis Chacel, fundador do Instituto de Renascimento de São Paulo.


Para fazer em casa
É recomendado que a prática do Renascimento seja realizada na presença de um terapeuta, porque durante a respiração pode ser que você precise de ajuda para lidar com sentimentos, sensações, pensamentos ou lembranças que, por ventura, surgirem. No entanto, existem alguns exercícios com respiração conectada – ou seja, sem pausas entre a inspiração, a expiração e a inspiração seguinte –, que podem ser feitos em casa e ajudam a relaxar e a melhorar a qualidade de vida.


Inspire e expire quatro vezes
• Durante a inspiração, emita um som do fundo da garganta, semelhante a um sussurro.
• Deixe a expiração acontecer de forma natural e relaxada, sem nenhum esforço, mantendo o mesmo som.
• Em seguida, inspire mais profundamente, mais ou menos duas vezes o volume de ar que você costuma inspirar, mantendo o som no fundo da garganta.
• Expire como das vezes anteriores.
• Repita esse ciclo por quatro vezes. Ao todo, serão 20 respirações conectadas, sendo quatro ciclos, cada um composto de quatro respirações curtas e uma longa.

Em uma semana você começará a se sentir mais vitalizada e com mais consciência de sua própria respiração. Dica – Depois de se habituar à prática, experimente também fechar os olhos. Ao final do exercício, perceba sua audição acontecer, sem qualquer interferência. Isso ajuda a ampliar a percepção interna. Aprenda outras respirações conectadas no site do Instituto de Renascimento de São Paulo, no link www.renascimento. com.br/renascimento/exercicios



Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/edicoes/0144/autoconhecimento/renascer-propria-vida-620468.shtml

sábado, 5 de março de 2011

Amor não é algo que se sente. É algo que se faz! - (Rosana Braga; Site: Somos Todos Um)

"Não é novidade nenhuma afirmar que um dos problemas mais graves e recorrentes em qualquer relacionamento é o da comunicação. A começar pelo significado da dinâmica (sim, porque comunicar-se é como um tango, delicado e profundo ao mesmo tempo!). Muitos casais sequer sabem do que é feita a autêntica e eficiente comunicação.


Comunicar-se com a pessoa amada não inclui somente falar, seja sobre o que pensa, sente ou quer, como a maioria acredita. Inclui especialmente e acima de tudo, ouvir. Mas não ouvir somente com os ouvidos, somente as palavras que estão sendo ditas, somente o que é conveniente.

Para que uma conversa realmente termine bem, ou seja, sirva para resolver pendências, amenizar crises e solidificar o amor, seus interlocutores devem ouvir com todo seu ser, incluindo sensibilidade, intuição e a firme decisão de - por mais difícil que seja - compreender o que o outro está pensando, sentindo e querendo!

Mas por que isso parece mesmo tão difícil? Simplesmente porque aprendemos que conversas entre casais que discutem alguma divergência têm de virar briga, onde cada um deve tentar falar mais alto que o outro e provar, a qualquer custo, que está com a razão! Aprendemos, infelizmente, que conversas são como jogos, e servem para mostrar quem é o vencedor e quem é o perdedor! Mas, definitivamente, isso nunca funcionou e nunca vai funcionar!

Simplesmente porque num relacionamento, seja ele de que nível for, não existe um certo e um errado e, sim, dois pontos de vista, dois pedidos, dois sentimentos, duas interpretações, dois universos que, em última instância - e isso posso afirmar com toda certeza do mundo - só querem ser aceitos, amados e felizes!

Mas enquanto um e outro falarem como se disparassem flechas em direção ao alvo, enquanto tentarem impor seus desejos e repetirem frases-feitas do tipo "com você, não dá para conversar", "você nunca me ouve", "você é um egoísta-cabeça-dura", não vão chegar a um consenso, muito menos à paz que tanto desejam (mas não sabem como alcançá-la).

Parece mesmo paradoxal essa vontade de viver um grande amor, cheio de alegrias e aquela harmonia de quando estavam completamente apaixonados e, ao mesmo tempo, essa estranha e angustiante fome de discussão, desentendimento e embate pelos motivos mais bobos, pelas razões mais infantis, por questões que, no fundo, na maioria das vezes, não têm nem metade da importância que se dá a elas durante uma briga.

A impressão que fica é que, em algum momento da história, solidificou-se a idéia - completamente equivocada e ineficaz - de que amor é isso: uma queda de braços, um interminável vai-e-vem de destilar a própria raiva à custa do outro para, em seguida, arrepender-se e fazer as pazes. Mas acontece que isso só serve para desgastar a relação, acumular mágoas e amontoar frustrações.

O que sobra? Cada qual no seu limite, a sensação de que não vale mais a pena. Pronto: este é o começo do fim! Um fim medíocre, sem uma razão que realmente o valha, mas - ao mesmo tempo - com todas as razões que foram - irresponsavelmente e pelos dois - cavadas, acumuladas e amontoadas dia após dia!

Talvez você diga: "eu bem que tento conversar, mas o outro não tem condições"! Ok, mas você tenta quanto? Até o outro dar a primeira resposta torta e grosseira e você pensar: "ah, mas não vou mesmo ficar aqui ouvindo isso", e daí aumenta o tom de voz o máximo que pode para deixar bem claro que você tentou, mas que com ele é impossível? Ou, talvez, simplesmente desiste da conversa e sai, alegando sua superioridade?

Assim, pode estar certo de que não vai funcionar! Se você realmente deseja se entender com quem ama, tente mais! Tente até o fim. Não aumente o tom de voz, fale com calma e repita, quantas vezes forem necessárias, que você deseja compreendê-lo. Para tanto, faça perguntas, peça para que ele explique como está se sentindo, por que reagiu de tal forma, enfim, esmiúce detalhe, interesse-se de verdade pela dor do outro e tenha a certeza de que isso, sim, é amor!

Mais do que declarar o que você sente, mostre! Afinal, pode apostar: Amor não é algo que se sente. É algo que se faz! "


Rosana Braga é Palestrante, Jornalista, Consultora em Relacionamentos e Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.
http://www.rosanabraga.com.br/



Fonte: http://www.stum.com.br/conteudo/c.asp?id=10649